(estou escrevendo por pura inspiração. espero que não saia um lixo)
Here's to you, though you are away
You with your shining cavalry on the hills
Here's to you waiting on the golden field
Knowingly waiting for your glory day
And when you charge with all your primacy
I hope I'll hear the drums of your delight
Here's to you who knows for what you fight
Who's garanteed in your legitimacy
Here's to you, though worlds hold us apart
You in your prideful stance above the men
You who has confidence in what you can
You with a smile, ready for depart
Oh what more lands can you yet long to conquer?
And where more must you sound the drums of war?
Here's to you who always yearns for more
Here's to you who can't stay put no longer
Acho que estou sendo muito influenciada pelo César de Conn Igguldden...
palavra por palavra, procuro chegar, devagar, ao lugar de La Loba.
"O silêncio", disse o griot,"só é escuro no começo..."
sábado, 16 de abril de 2011
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Cerveja
Eu estou escrevendo um post sobre cerveja. Sim, cerveja é tão importante pra mim assim (você poderia dizer, "Lobz, você escreve sobre coisas totalmente irrelevantes", mas você perceberia que não é realmente isso o que acontece: é que muita coisa é importante pra mim). O que eu poderia dizer é que talvez caipirinha e cuba-libre sejam tão importantes quanto cerveja. Não sei avaliar sem pensar muito, mas, de qualquer forma, acho que posso enquadrar todos eles numa categoria só. Então:
-- (...) Não sei por que dou tanta importância a isso. Mas, por outro lado, antes eu não sabia por que eu dava tanta importância a cerveja, e agora faz todo o sentido!
-- Do que você tá falando?
-- Antes de você, eu dava uma importância imensa a cerveja. Eu quase não bebia, porque ninguém próximo a mim bebia, e eu achava isso uma droga, mas eu não sabia por que isso me incomodava tanto! Eu pensava "é só uma bebida!" ---
-- Mas cerveja não é sobre cerveja, não é só uma bebida. Cerveja é toda uma cultura!
-- É isso mesmo. Por isso eu fiquei tão feliz quando a gente bebeu cerveja na praia de Santos! E hoje em dia beber cerveja me faz feliz e eu entendo porquê!
-- Então precisamos desenvolver uma cultura de (...)
(obs.: não quero entrar no assunto que estávamos de fato discutindo na hora)
Hoje em dia eu tenho uma relação muito amorosa com a cerveja. Eu não tenho a menor dúvida de que ela é mais gostosa do que qualquer variedade de refrigerante ou suco comprável (suco caseiro pode ser bem melhor). E nem é só porque o álcool diminui minhas dores de cabeça (ok, ok, eu preciso resolver isso logo ~.~). Acho que eu de fato gosto do gosto, do cheiro, e de todas as coisas legais que eu associo a cerveja. Por exemplo, aquela praia de Santos. Várias @KaraokeKnights. Noites em Pubs, ou na casa do Rê, ou saindo com o Fê, ou em happy hours com o passoal da Gommo ou da NetPoint, churrascos, festas, ou simplesmente beber cerveja com a Talita e o Alex.
Pra falar a verdade, tem uma certa carga que vai diretamente contra aquela de quando nenhum dos meus amigos bebia. Meus amigos, e talvez eu também em alguma época, não bebiam porque pessoas bêbadas são idiotas, porque as bebidas eram meio amargas ou ardentes e beber uma coisa ruim é idiota, e eu sempre tive a sensação de que quando somos muito jovens e não bebemos, não fumamos, não nos drogamos nem fazemos nada de idiota, nos consideramos muito melhores que os outros. Talvez nós tenhamos acreditado em tudo o que nossas professoras do ginásio diziam. E eu detestava essa sensação toda. Eu queria beber e ficar idiota. Eu queria experimentar coisas que não necessariamente seriam boas. Eu queria fazer coisas imbecis. E eu achava que as outras pessoas legais da vida que por acaso adoravam se embebedar pra caralho podiam ter algo de bom pra oferecer.
Acho que pode ser que quem bebe se dá o direito de ser muito mais idiota que o normal. Porque no colegial nós éramos todos bastante estúpidos e insanos, e era muito divertido, mas estávamos sempre conscientes de tudo, e não estávamos realmente interessados em ir além os nossos limites. Nós éramos felizes, e era isso (mesmo quando estávamos tristes, eu acho). Mas eu queria viver uma vida diferente. Eu queria uma vida em que a gente pudesse estar sempre experimentando algo diferente. E uma das coisas que eu queria experimentar era ficar completamente bêbada. E eu queria fazer isso sem um monte de gente totalmente sóbria ao meu redor fazendo coisas que estariam já em outro plano de consciência. Eu queria saber por que isso podia ser divertido.
E eu descobri. Demorou um pouco, de fato, mas hoje eu acho que eu descobri. Eu descobri que muita coisa pode mudar, que o mundo pode ser diferente, e que podemos nos divertir com todo um pacote diferente de coisas. Talvez eu goste de cerveja porque me lembra de todas as mudanças que aconteceram na minha vida desde que eu comecei a conviver mais com pessoas que gostavam de beber. Todas as portas que de repente se abriram. E todas as vezes em que estávamos todos meio bêbados, ou só alguns de nós, e mesmo assim ninguém pensaria em julgar o outro pelas bobagens que estava fazendo. Talvez eu goste de me lembrar do momento em que me dei conta de que eu não precisava me esforçar para impressionar ninguém.
Ou talvez eu só realmente goste muito do gosto.
Cerveja, caipirinha e cuba-libra
Outro dia (acho que foi ontem) tive uma conversa mais ou menos assim com o @andrechalom:-- (...) Não sei por que dou tanta importância a isso. Mas, por outro lado, antes eu não sabia por que eu dava tanta importância a cerveja, e agora faz todo o sentido!
-- Do que você tá falando?
-- Antes de você, eu dava uma importância imensa a cerveja. Eu quase não bebia, porque ninguém próximo a mim bebia, e eu achava isso uma droga, mas eu não sabia por que isso me incomodava tanto! Eu pensava "é só uma bebida!" ---
-- Mas cerveja não é sobre cerveja, não é só uma bebida. Cerveja é toda uma cultura!
-- É isso mesmo. Por isso eu fiquei tão feliz quando a gente bebeu cerveja na praia de Santos! E hoje em dia beber cerveja me faz feliz e eu entendo porquê!
-- Então precisamos desenvolver uma cultura de (...)
(obs.: não quero entrar no assunto que estávamos de fato discutindo na hora)
Hoje em dia eu tenho uma relação muito amorosa com a cerveja. Eu não tenho a menor dúvida de que ela é mais gostosa do que qualquer variedade de refrigerante ou suco comprável (suco caseiro pode ser bem melhor). E nem é só porque o álcool diminui minhas dores de cabeça (ok, ok, eu preciso resolver isso logo ~.~). Acho que eu de fato gosto do gosto, do cheiro, e de todas as coisas legais que eu associo a cerveja. Por exemplo, aquela praia de Santos. Várias @KaraokeKnights. Noites em Pubs, ou na casa do Rê, ou saindo com o Fê, ou em happy hours com o passoal da Gommo ou da NetPoint, churrascos, festas, ou simplesmente beber cerveja com a Talita e o Alex.
Pra falar a verdade, tem uma certa carga que vai diretamente contra aquela de quando nenhum dos meus amigos bebia. Meus amigos, e talvez eu também em alguma época, não bebiam porque pessoas bêbadas são idiotas, porque as bebidas eram meio amargas ou ardentes e beber uma coisa ruim é idiota, e eu sempre tive a sensação de que quando somos muito jovens e não bebemos, não fumamos, não nos drogamos nem fazemos nada de idiota, nos consideramos muito melhores que os outros. Talvez nós tenhamos acreditado em tudo o que nossas professoras do ginásio diziam. E eu detestava essa sensação toda. Eu queria beber e ficar idiota. Eu queria experimentar coisas que não necessariamente seriam boas. Eu queria fazer coisas imbecis. E eu achava que as outras pessoas legais da vida que por acaso adoravam se embebedar pra caralho podiam ter algo de bom pra oferecer.
Acho que pode ser que quem bebe se dá o direito de ser muito mais idiota que o normal. Porque no colegial nós éramos todos bastante estúpidos e insanos, e era muito divertido, mas estávamos sempre conscientes de tudo, e não estávamos realmente interessados em ir além os nossos limites. Nós éramos felizes, e era isso (mesmo quando estávamos tristes, eu acho). Mas eu queria viver uma vida diferente. Eu queria uma vida em que a gente pudesse estar sempre experimentando algo diferente. E uma das coisas que eu queria experimentar era ficar completamente bêbada. E eu queria fazer isso sem um monte de gente totalmente sóbria ao meu redor fazendo coisas que estariam já em outro plano de consciência. Eu queria saber por que isso podia ser divertido.
E eu descobri. Demorou um pouco, de fato, mas hoje eu acho que eu descobri. Eu descobri que muita coisa pode mudar, que o mundo pode ser diferente, e que podemos nos divertir com todo um pacote diferente de coisas. Talvez eu goste de cerveja porque me lembra de todas as mudanças que aconteceram na minha vida desde que eu comecei a conviver mais com pessoas que gostavam de beber. Todas as portas que de repente se abriram. E todas as vezes em que estávamos todos meio bêbados, ou só alguns de nós, e mesmo assim ninguém pensaria em julgar o outro pelas bobagens que estava fazendo. Talvez eu goste de me lembrar do momento em que me dei conta de que eu não precisava me esforçar para impressionar ninguém.
Ou talvez eu só realmente goste muito do gosto.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Aqui.
Eu te amo. Mas eu não apenas te amo como eu amo todas as outras pessoas que eu amo. Eu estou disposta a sacrificar milhões de futuros pelo meu futuro com você. Os filhos que eu teria com outros amantes, as festas de natal com outras famílias, as bibliotecas compartilhadas, as casas, as canecas e os sofás e todas aquelas madrugadas e manhãzinhas e conversas antes de dormir quando a gente está dormindo junto só porque a gente dorme junto sempre e é tão mais gostoso do que dormir sozinho. E vários tipos de aventuras românticas loucas, e várias descobertas profundas e vários momentos cotidianos e outras coisas que só acontecem numa convivência tão íntima e tão intensa que é não dá pra ter de verdade com mais de uma ou talvez umas poucas pessoas.
Eu quero viver a vida com você. Todas as madrugadas e viagens longas na chuva, e cafés da manhã a almoços no fim da tarde e todas as pequenas mazelas e todos os grandes desafios, e eu quero poder te contar todos os dias das coisas legais e chatas que aconteceram comigo, e ouvir você se emocionar com elas e se revoltar com as coisas que são erradas e rejubilar com as que são felizes, e ficar preocupado com as que são perigosas porque assim eu não estou sozinha. E eu quero ouvir você contar suas pequenas aventuras e as formas incríveis como você lida com tudo o que te acontece, porque eu nunca me canso de aprender sobre você e com você.
E, enquanto nós crescemos juntos, enquanto nós andamos juntos pelo mundo, pela vida, eu quero nossas vidas misturadas. Eu quero nossos irmãos tomando conta dos nossos filhotes, discutindo coisas improváveis em volta de uma grande mesa de piquenique, ou algo assim. Eu imagino sua irmã contando histórias para os meus sobrinhos, possivelmente enquanto todos nós subimos numa árvore e nossas mães e tias compartilham histórias de quando nós éramos pequenos, e eu quero todos nós juntos cantando samba e choro em alguma festa de família e nossos amigos contando histórias embaraçosas sobre nós para as crianças (se nós não tivermos filhos, eles ainda contarão para nossos sobrinhos).
E, sabe, eu quero isso devagar, minuto por minuto, cada aluno que não entende direito o que você ensina, cada lista de matemática que eu não consigo terminar, cada noite que a gente passa em claro porque o jogo ou o papo ou o mundo estão muito bons ou porque pelo menos um de nós está distraído demais com alguma pessoa incrível, cada improviso de fantasia, de viagem, de apresentação, cada entrevista de emprego, cada procura por orientador, cada pessoa nova que surge em nossas vidas ou pessoa velha que muda. Eu quero todas as viagens impulsivas no meio da noite só porque faz muito tempo que a gente não vê Minas, ou o Mar; eu quero todas as experiências transformadoras com você; eu quero cada partida de cada jogo em que a gente vicia, cada brinde, cada pote de sucrilhos e garrafa de cerveja; eu quero cada pôr do sol que nos emociona, e cada beijo, e cada transa, e cada arrepio diante da potência de uma tempestade, e cada abraço que podia nunca mais largar; e cada toque entre as nossas peles, e cada brincadeira sua com o meu gato, e eu quero construir um trecho de universo nosso, que seja um pouco mais do nosso jeito, e que seja por isso um pouco mais feliz.
E como eu quero te fazer feliz! Eu quero te ver conquistar os seus sonhos, e mudar a vida de muitas outras pessoas, e construir comigo esse futuro a cada passo, sem pressa, porque você é tão confiante de que tudo já está dando certo afinal. E eu quero estar do seu lado a cada mudança, a cada passagem, aprendendo sobre você, mudando junto, mandando tudo pro espaço e te puxando pra Zanzibar toda vez que a vida começar a ficar muito sem graça. E eu quero infinitas horas pra ficar enrolada com você, só curtindo o prazer de te amar tanto. E eu quero tudo isso com todas as palavras, mesmo que em gatês. Eu quero tudo isso com todas as histórias, loucuras e verdades. E eu quero viver pra sempre com você.
...Num assunto não muito relacionado, eu também quero muito levar aquele seu amigo delicioso pra casa. Se você pudesse dar tipo um passe-livre pra gente, ia ser realmente fantástico.
Eu quero viver a vida com você. Todas as madrugadas e viagens longas na chuva, e cafés da manhã a almoços no fim da tarde e todas as pequenas mazelas e todos os grandes desafios, e eu quero poder te contar todos os dias das coisas legais e chatas que aconteceram comigo, e ouvir você se emocionar com elas e se revoltar com as coisas que são erradas e rejubilar com as que são felizes, e ficar preocupado com as que são perigosas porque assim eu não estou sozinha. E eu quero ouvir você contar suas pequenas aventuras e as formas incríveis como você lida com tudo o que te acontece, porque eu nunca me canso de aprender sobre você e com você.
E, enquanto nós crescemos juntos, enquanto nós andamos juntos pelo mundo, pela vida, eu quero nossas vidas misturadas. Eu quero nossos irmãos tomando conta dos nossos filhotes, discutindo coisas improváveis em volta de uma grande mesa de piquenique, ou algo assim. Eu imagino sua irmã contando histórias para os meus sobrinhos, possivelmente enquanto todos nós subimos numa árvore e nossas mães e tias compartilham histórias de quando nós éramos pequenos, e eu quero todos nós juntos cantando samba e choro em alguma festa de família e nossos amigos contando histórias embaraçosas sobre nós para as crianças (se nós não tivermos filhos, eles ainda contarão para nossos sobrinhos).
E, sabe, eu quero isso devagar, minuto por minuto, cada aluno que não entende direito o que você ensina, cada lista de matemática que eu não consigo terminar, cada noite que a gente passa em claro porque o jogo ou o papo ou o mundo estão muito bons ou porque pelo menos um de nós está distraído demais com alguma pessoa incrível, cada improviso de fantasia, de viagem, de apresentação, cada entrevista de emprego, cada procura por orientador, cada pessoa nova que surge em nossas vidas ou pessoa velha que muda. Eu quero todas as viagens impulsivas no meio da noite só porque faz muito tempo que a gente não vê Minas, ou o Mar; eu quero todas as experiências transformadoras com você; eu quero cada partida de cada jogo em que a gente vicia, cada brinde, cada pote de sucrilhos e garrafa de cerveja; eu quero cada pôr do sol que nos emociona, e cada beijo, e cada transa, e cada arrepio diante da potência de uma tempestade, e cada abraço que podia nunca mais largar; e cada toque entre as nossas peles, e cada brincadeira sua com o meu gato, e eu quero construir um trecho de universo nosso, que seja um pouco mais do nosso jeito, e que seja por isso um pouco mais feliz.
E como eu quero te fazer feliz! Eu quero te ver conquistar os seus sonhos, e mudar a vida de muitas outras pessoas, e construir comigo esse futuro a cada passo, sem pressa, porque você é tão confiante de que tudo já está dando certo afinal. E eu quero estar do seu lado a cada mudança, a cada passagem, aprendendo sobre você, mudando junto, mandando tudo pro espaço e te puxando pra Zanzibar toda vez que a vida começar a ficar muito sem graça. E eu quero infinitas horas pra ficar enrolada com você, só curtindo o prazer de te amar tanto. E eu quero tudo isso com todas as palavras, mesmo que em gatês. Eu quero tudo isso com todas as histórias, loucuras e verdades. E eu quero viver pra sempre com você.
...Num assunto não muito relacionado, eu também quero muito levar aquele seu amigo delicioso pra casa. Se você pudesse dar tipo um passe-livre pra gente, ia ser realmente fantástico.
quarta-feira, 23 de março de 2011
n formas de se atravessar um rio com uma corda
- Prender uma ponta da corda num galho alto sobre o rio e balançar até o outro lado.
- Amarrar uma ponta em alguma coisa do outro lado do rio e se puxar para o outro lado
- Amarrar do outro lado e passar por cima da corda bamba
- Fazer uma ponte de corda, amarrar do outro lado e atravessar
- Usar a corda pra fazer uma jangada e navegar até o outro lado
- Prender a corda em alguma coisa alta deste lado, se balançar e se lançar para o outro lado (é diferente de 1 porque você larga a corda)
- Prender uma pedra na ponta, usar a corda pra verificar a profundidade e, se for raso, atravessar andando
- Pescar um peixe muito grande e ir cavalgando-o até a outra margem (estou usando uma ordem mais ou menos cronológica, acho que essa foi a primeira das absurdas)
- Queimar a corda pra fazer sinal de fumaça e chamar alguém que tenha um barco
- Usar a corda como cabresto e atravessar a cavalo
- Amarrar a corda numa pedra no meio do rio e se lançar no rio pra fazer um pêndulo horizontal usando a corrente no lugar da gravidade (essa foi apelidada de "pêndulo relativístico" pq segundo o Chalom seria necessária velocidade próxima de c pra fazer o péndulo subir)
- Amarrar a corda em alguma coisa na cordenada z da outra margem e se jogar no rio sem nadar, de forma que a correnteza faça um meio-pêndulo horizontal e te leve para a outra margem (uma variação mais possível de 11)
- Amarrar a corda num objeto voador (pássaro/avião/super-man) e deixar ele te levar para a outra margem
- Amarrar a corda na Lua e... esperar que ela te leve?
- Amarrar a corda na ponta de uma árvore alta e puxá-la de forma a derrubar a árvore, formando uma ponte
- Usar a corda para fazer um estilingue e se lançar sobre a água!
- Vender a corda e comprar um barco
- Girar a corda bem rápido para se levantar como um helicóptero (como a Gabi, engenheira aeronáutica do grupo, destacou, seria necessário girar ortogonalmente a outra ponta da corda para controlar o movimento)
- Construir uma hélice movida a corda (com aquele sistema de enrolar-desenrolar)
- Se a corda for suficientemente grande, assorear o rio com ela e passar por cima
- Usar a corda para contruir uma catapulta ou trebuchet
- Com a corda amarrada numa árvore na mesma margem, correr em semi círculo e esperar que a inércia te leve em MCU até a outra margem
- Amarrar a corda numa madeira balsa e atravessar nadando
Tenho certeza de que discutimos algumas outras, mas não estou lembrando no momento.
sexta-feira, 18 de março de 2011
comentário sobre garotas de pernas peludas
(eu acho que de todos os assuntos pelos quais eu me interesso este talvez seja o menos interessante para os outros. não dá pra ter certeza, já que ninguém nunca comenta nada sobre uma grande parte deles)
Uma coisa curiosa a respeito de deixar as pernas peludas por muito tempo é que aos poucos você começa a notar nitidamente até que ponto essa idéia de que pernas sem pêlos são mais bonitas e atraentes é cultural. O que quero dizer é que aos poucos a gente vai deixando de achar a pele nua mais bonita. Na verdade, ontem eu fiquei algum tempo olhando para minhas canelas, horrorizada com aquela pele branca pelada cheia de pontonhos onde os folículos pilosos ainda existiam sem nada de pêlo por cima. Que coisa esquisita. Parece pele de bebê, e quem em sã consciência quereria ter pele de bebê? Estou dignamente cansada de ser neotênica; por favor, me permitam ser apreciada como uma espécime adulta.
Ás vezes ainda tenho momentos nos quais eu olho pros meus joelhos e penso "AAAAAAHHH! PÊLOS!! O.O!!", e foi por isso que eu raspei as canelas ontem, mas faz algum tempo já que tive que me conformar com o fato de que eu gosto de ter coxas felpudas, gosto tanto que me desagrada tê-las completamente lisas.
Pernas peludas podiam entrar na moda, e aí as pessoas não ficariam reparando tanto, e me enchendo tanto o saco, e eu podia parar de me preocupar com isso. Na verdade, se eu fosse um pouco menos peluda, eu provavelmente já teria abdicado completamente dessa preocupação. Mas é claro que a pessoa que mais vai se incomodar com uma obrigação social é justamente a que é mais obrigada. E não me digam que não é uma obrigação social.
É um pouco mais do que achar que as minhas pernas ficam melhores com pêlos. Estou começando a achar que as outras garotas ficam melhores com pêlos também.
(numa nota vagamente relacionada, continuo pensando a respeito do que o Carlos disse ("eu gosto de garotas peludas" + "eu acho que pêlos são um símbolo de virilidade") e o pensamento dele está fazendo cada vez mais sentido pra mim. Dependendo da sua definição de virilidade, e do aspecto envolvido, não me incomoda você querer suas mulheres viris.)
(eu estou numa vibe de não ver contradição nas coisas hoje, não?)
Enfim, que explodam todas as convenções sociais! Meu cavalo por um pouco mais de liberdade!
Uma coisa curiosa a respeito de deixar as pernas peludas por muito tempo é que aos poucos você começa a notar nitidamente até que ponto essa idéia de que pernas sem pêlos são mais bonitas e atraentes é cultural. O que quero dizer é que aos poucos a gente vai deixando de achar a pele nua mais bonita. Na verdade, ontem eu fiquei algum tempo olhando para minhas canelas, horrorizada com aquela pele branca pelada cheia de pontonhos onde os folículos pilosos ainda existiam sem nada de pêlo por cima. Que coisa esquisita. Parece pele de bebê, e quem em sã consciência quereria ter pele de bebê? Estou dignamente cansada de ser neotênica; por favor, me permitam ser apreciada como uma espécime adulta.
Ás vezes ainda tenho momentos nos quais eu olho pros meus joelhos e penso "AAAAAAHHH! PÊLOS!! O.O!!", e foi por isso que eu raspei as canelas ontem, mas faz algum tempo já que tive que me conformar com o fato de que eu gosto de ter coxas felpudas, gosto tanto que me desagrada tê-las completamente lisas.
Pernas peludas podiam entrar na moda, e aí as pessoas não ficariam reparando tanto, e me enchendo tanto o saco, e eu podia parar de me preocupar com isso. Na verdade, se eu fosse um pouco menos peluda, eu provavelmente já teria abdicado completamente dessa preocupação. Mas é claro que a pessoa que mais vai se incomodar com uma obrigação social é justamente a que é mais obrigada. E não me digam que não é uma obrigação social.
É um pouco mais do que achar que as minhas pernas ficam melhores com pêlos. Estou começando a achar que as outras garotas ficam melhores com pêlos também.
(numa nota vagamente relacionada, continuo pensando a respeito do que o Carlos disse ("eu gosto de garotas peludas" + "eu acho que pêlos são um símbolo de virilidade") e o pensamento dele está fazendo cada vez mais sentido pra mim. Dependendo da sua definição de virilidade, e do aspecto envolvido, não me incomoda você querer suas mulheres viris.)
(eu estou numa vibe de não ver contradição nas coisas hoje, não?)
Enfim, que explodam todas as convenções sociais! Meu cavalo por um pouco mais de liberdade!
De fato, estou meio cansada
Este estágio me deixa cansada. É pior quando não estou fazendo nada e fico enrolando, como agora. Isso não é justo. Eu deveria ser capaz de aproveitar meu tempo. Ou isso ou ir pra casa. Tenho mais o que fazer!
Tenho lido o twitter enquanto espero. E xkcd. Li essa tirinha hoje e twitei sobre ela, mas acho que é um pouco estúpido twittar pq acredito que ninguém presta atenção. Mas eu sempre acho que ninguém se interessa pelo que eu digo. Mesmo agora, estou apenas começando a acreditar quando o meu gato diz que se interessa por tudo o que eu digo. Eu achava que isso era impossível. Eu estou sempre preocupada demais comigo mesma, com coisas que parecem só interessar a mim, com a minha visão de mundo que discorda de tudo o mais e etc. Não sei porque alguém não me dá um tapa. Não, sei sim. É que não sou mais criança.
Não sou mais criança e por isso as pessoas devem achar que eu posso ser quem eu quiser. A pessoa que discorda disso é minha mãe, mas não tem como argumentar com ela. Mães têm o hábito de ser assim, de não saberem diferenciar a vida dos filhos da própria. Eu faço questão de não acreditar na visão de mundo da minha mãe. Somos simplesmente diferentes demais.
Mas, já que estamos nisso, mamãe me protegeu outro dia quando minha tia disse que eu era mais irresponsável que a Talita (não é muito difícil, mas foi o modo como ela disse isso). Mamãe disse "Ela não é irresponsável! Todo mundo entende mal a Marina. Ela não é irresponsável," - e aqui a coisa começa a degringolar - "ela é distraída, muito distraída, por isso que eu não quero que..." - Eu não lembro o que ela disse depois, talvez porque a Nanala a interrompeu, mas acho que talvez ela tenha falado mais coisas e eu simplesmente não quis ouvir. Eu não quero ouvir, mãe. Cale a boca.
É muito ruim eu não querer que minha mãe fique me criticando irrequisitadamente?
Mas gostei do que ela disse, "Todo mundo entende errado a Marina". E eu gostar disso é péssimo, significa que além de tudo eu gosto de achar que ninguém me entende, que eu ainda tenho que brigar e chutar e rosnar pra defender a minha visão do mundo. Que merda, eu estou lutando não por um mundo, mas por uma forma de enxergá-lo. Será que vale a pensa dedicar minha vida a isso?
Acho que eu só quero ter algo pelo que lutar. Talvez eu só queira saber que tem pelo menos uma coisa pela qual eu posso lutar e não ser derrotada nos primeiros cinco minutos. Alguma coisa que importa. Alguma coisa que não vai me fazer me sentir completamente inútil dentro de uma semana quando eu perceber que não faço nenhuma diferença. Behold me, a widely frustrated person.
Agora eu vou parar de me lamentar como um emo e falar de alguma coisa imbecil pela qual só eu me interesso.
Tenho lido o twitter enquanto espero. E xkcd. Li essa tirinha hoje e twitei sobre ela, mas acho que é um pouco estúpido twittar pq acredito que ninguém presta atenção. Mas eu sempre acho que ninguém se interessa pelo que eu digo. Mesmo agora, estou apenas começando a acreditar quando o meu gato diz que se interessa por tudo o que eu digo. Eu achava que isso era impossível. Eu estou sempre preocupada demais comigo mesma, com coisas que parecem só interessar a mim, com a minha visão de mundo que discorda de tudo o mais e etc. Não sei porque alguém não me dá um tapa. Não, sei sim. É que não sou mais criança.
Não sou mais criança e por isso as pessoas devem achar que eu posso ser quem eu quiser. A pessoa que discorda disso é minha mãe, mas não tem como argumentar com ela. Mães têm o hábito de ser assim, de não saberem diferenciar a vida dos filhos da própria. Eu faço questão de não acreditar na visão de mundo da minha mãe. Somos simplesmente diferentes demais.
Mas, já que estamos nisso, mamãe me protegeu outro dia quando minha tia disse que eu era mais irresponsável que a Talita (não é muito difícil, mas foi o modo como ela disse isso). Mamãe disse "Ela não é irresponsável! Todo mundo entende mal a Marina. Ela não é irresponsável," - e aqui a coisa começa a degringolar - "ela é distraída, muito distraída, por isso que eu não quero que..." - Eu não lembro o que ela disse depois, talvez porque a Nanala a interrompeu, mas acho que talvez ela tenha falado mais coisas e eu simplesmente não quis ouvir. Eu não quero ouvir, mãe. Cale a boca.
É muito ruim eu não querer que minha mãe fique me criticando irrequisitadamente?
Mas gostei do que ela disse, "Todo mundo entende errado a Marina". E eu gostar disso é péssimo, significa que além de tudo eu gosto de achar que ninguém me entende, que eu ainda tenho que brigar e chutar e rosnar pra defender a minha visão do mundo. Que merda, eu estou lutando não por um mundo, mas por uma forma de enxergá-lo. Será que vale a pensa dedicar minha vida a isso?
Acho que eu só quero ter algo pelo que lutar. Talvez eu só queira saber que tem pelo menos uma coisa pela qual eu posso lutar e não ser derrotada nos primeiros cinco minutos. Alguma coisa que importa. Alguma coisa que não vai me fazer me sentir completamente inútil dentro de uma semana quando eu perceber que não faço nenhuma diferença. Behold me, a widely frustrated person.
Agora eu vou parar de me lamentar como um emo e falar de alguma coisa imbecil pela qual só eu me interesso.
sexta-feira, 11 de março de 2011
"O Boi tem a fazenda inteira dentro dele!"
Situação: Maria (ou qual seja o nome dela) é uma sul-rio-grandense que veio trabalhar como empregada doméstica em São Paulo.
— Maria, vai no açougue e traz um lagarto pra fazer assado.
— Lagarto?! Come-se lagarto aqui em São Paulo?!
— Não, lagarto, a parte do boi, assim-assim-etc...
— Ah, quer dizer tatu!
(história contada pela avó do André)
— Maria, vai no açougue e traz um lagarto pra fazer assado.
— Lagarto?! Come-se lagarto aqui em São Paulo?!
— Não, lagarto, a parte do boi, assim-assim-etc...
— Ah, quer dizer tatu!
(história contada pela avó do André)
quinta-feira, 10 de março de 2011
Silêncio
I still have it somewhere.
Ainda tenho em algum lugar aquele velho caderno de lembranças. Mas está escuro aqui.
Seus olhos brilharam na escuridão, dois faróis amarelos refletindo os faróis do carro.
I still have it somewhere.
Ossos de gato debaixo da terra, com cada vez menos carne em volta.
Ou isto: duas crianças num galho de árvore, a sede da Sociedade, chamada de Spectri.
Às vezes me pego pensando naquela garota numa cama flutuando no mar. Não consigo lembrar de onde vem essa referência da cama, mas lembro da garota, da música, das ondas pintadas com lápis de cor. Lembro dos seus olhos, de vinho, de uma peça que não me tocou, de um desenho, etc, lembro de você. E entretanto nada de ti conheço.
Às vezes me ocorrem grandes desapontamentos. Mas é só a expectativa, sabe? Às vezes conheço gentes incríveis e rapidamente perco a oportunidade de ter melhores amigos. Às vezes dói, às vezes não, às vezes mais ou menos. Às vezes vivemos um romance intenso, às vezes tudo não passa de um sonho, cartas trocadas mas nunca nem um beijo. Às vezes não lembro sequer de ter tocado suas mãos.
Acho que vai chegar o dia. Acho que temos que ser paciente. Acho que se eu me encontrasse, diria pra mim mesma: cut the crap.
But I still have it here somewhere.
Eu abri os ouvidos e tentei ouvir, mas aos poucos suas palavras param de fazer sentido. Acontece tanto! Às vezes são meses pensando que nos entenderemos perfeitamente, e depois nada mais parece se juntar. Você queria me mudar? Todas as vezes em que eu quis mudar alguém, acabei ferindo a mim mesma. As pessoas mudam, mas não faz sentido querer mudá-las.
Mas você, ainda consigo imaginar que poderíamos conversar um dia. Mas não sei se saberíamos ser amigos. Não sei... não sei.
Por um lado, sinto que é cada vez mais difícil manter as pessoas interessantes por perto. Manter as pessoas que não já são parte do bando por perto.
But surely it is still here, and we can still find it?
Ainda tenho em algum lugar aquele velho caderno de lembranças. Mas está escuro aqui.
Seus olhos brilharam na escuridão, dois faróis amarelos refletindo os faróis do carro.
I still have it somewhere.
Ossos de gato debaixo da terra, com cada vez menos carne em volta.
Ou isto: duas crianças num galho de árvore, a sede da Sociedade, chamada de Spectri.
Às vezes me pego pensando naquela garota numa cama flutuando no mar. Não consigo lembrar de onde vem essa referência da cama, mas lembro da garota, da música, das ondas pintadas com lápis de cor. Lembro dos seus olhos, de vinho, de uma peça que não me tocou, de um desenho, etc, lembro de você. E entretanto nada de ti conheço.
Às vezes me ocorrem grandes desapontamentos. Mas é só a expectativa, sabe? Às vezes conheço gentes incríveis e rapidamente perco a oportunidade de ter melhores amigos. Às vezes dói, às vezes não, às vezes mais ou menos. Às vezes vivemos um romance intenso, às vezes tudo não passa de um sonho, cartas trocadas mas nunca nem um beijo. Às vezes não lembro sequer de ter tocado suas mãos.
Acho que vai chegar o dia. Acho que temos que ser paciente. Acho que se eu me encontrasse, diria pra mim mesma: cut the crap.
But I still have it here somewhere.
Eu abri os ouvidos e tentei ouvir, mas aos poucos suas palavras param de fazer sentido. Acontece tanto! Às vezes são meses pensando que nos entenderemos perfeitamente, e depois nada mais parece se juntar. Você queria me mudar? Todas as vezes em que eu quis mudar alguém, acabei ferindo a mim mesma. As pessoas mudam, mas não faz sentido querer mudá-las.
Mas você, ainda consigo imaginar que poderíamos conversar um dia. Mas não sei se saberíamos ser amigos. Não sei... não sei.
Por um lado, sinto que é cada vez mais difícil manter as pessoas interessantes por perto. Manter as pessoas que não já são parte do bando por perto.
But surely it is still here, and we can still find it?
sexta-feira, 4 de março de 2011
Rapaz,
eu me sinto meio triste, porra. E com vontade de falar apalvrão. Ultimamente eu tenho falado porra caralho merda sem nenhum motivo. Como se fizesse parte do meu vocabulário, e acho que faz.
Acho que ultimamnte eu tenho trocado muitas letras de lugar também.
Rapaz, eu estou tão desanimada. Não sei se é sono, maus hábitos alimentares e o diabo a quatro ou se é só saco cheio mesmo. Vontade de ir estudar na praia. Vontade de mandar tudo isso à merda. Vontade de me apaixonar perdidamente pelo que eu fizer. Estou horrivelmente cansada. Devem ser os hábitos alimentares.
De fato tenho perdido um número surpreendente de jantares. E quase não tomo mais café da manhã. Não dá tempo de fazer tudo o que preciso e ainda comer. Não consigo administrar minhas necessidades. Esta semana ainda nem fui no aikidô, e não sei se vou amanhã. Acho que eu devia, só pra exercitar um pouco.
E ao mesmo tempo estou desanimada com outras coisas, com a faculdade que mal começou, com ter que trabalhar, com o meu enfado com a matemática, e por que eu não posso continuar gostando da mesma coisa por mais de seis meses?
...
Eu sinto falta de algo.
Eu sinto falta de conquistar o mundo, eu acho, mas não é só isso.
Eu sinto falta de um monte de coisas que eu nunca tive, e que hoje em dia eu não sei se é possível ter. Tipo um apelido de faculdade, algo assim. Somewhere to belong, or somewhere to begin. All I can see around me are endings and goals and I don't feel like I have a home.
Acho que ultimamnte eu tenho trocado muitas letras de lugar também.
Rapaz, eu estou tão desanimada. Não sei se é sono, maus hábitos alimentares e o diabo a quatro ou se é só saco cheio mesmo. Vontade de ir estudar na praia. Vontade de mandar tudo isso à merda. Vontade de me apaixonar perdidamente pelo que eu fizer. Estou horrivelmente cansada. Devem ser os hábitos alimentares.
De fato tenho perdido um número surpreendente de jantares. E quase não tomo mais café da manhã. Não dá tempo de fazer tudo o que preciso e ainda comer. Não consigo administrar minhas necessidades. Esta semana ainda nem fui no aikidô, e não sei se vou amanhã. Acho que eu devia, só pra exercitar um pouco.
E ao mesmo tempo estou desanimada com outras coisas, com a faculdade que mal começou, com ter que trabalhar, com o meu enfado com a matemática, e por que eu não posso continuar gostando da mesma coisa por mais de seis meses?
...
Eu sinto falta de algo.
Eu sinto falta de conquistar o mundo, eu acho, mas não é só isso.
Eu sinto falta de um monte de coisas que eu nunca tive, e que hoje em dia eu não sei se é possível ter. Tipo um apelido de faculdade, algo assim. Somewhere to belong, or somewhere to begin. All I can see around me are endings and goals and I don't feel like I have a home.
terça-feira, 1 de março de 2011
KIDSREAD: Are there any plans to make a movie about The Keys to the Kingdom?
GARTHNIX: There has been continual interest. It just has not been the right interest. I am very protective of the rights to my books, as the only thing you have control over is who you sell them to. And I would happily sell them to the right individuals with the right backing instead of selling them to a studio and allowing them to do whatever they want with them. I would rather have no movie than a bad movie. It is quite possible that there is someone who is 15 or 16 years old now who in ten years will be a director and they will do these movies since they are in love with the books and not just because fantasy is the flavor of the month, which it is now. I want someone with a genuine passion for the book, individuals with the right corporate backing.
The Coin Shower
"A man went outside
... it started raining coins
... ... he picked them up"
- Garth Nix, age 6
Nowhere
I feel like nowhere.
Maybe I could write to you
ask how have you been
ask you bout the snow
and polar bears
and yellow bees
maybe I could sing you out my fears
maybe you would have me.
I am living outside my head
I feel like nowhere.
Maybe I could write to you
ask how have you been
ask you bout the snow
and polar bears
and yellow bees
maybe I could sing you out my fears
maybe you would have me.
I am living outside my head
I feel like nowhere.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Desabafo
Disclaimer: Admito que estou escrevendo só porque estou péssima e preciso desabafar e estou sozinha. Se você acha isso um saco, não leia.
Então passar na fuvest me deixou feliz por mais ou menos cinco minutos. Durante o resto da semana eu até me diverti um pouco, saí com uns amigos que se tornaram meus veteranos, etc. Aí passou. Quando fui fazer matrícula estava me sentindo um lixo. Estar na usp não me fez nada feliz. Ao meu redor tinham bixos de todos os lugares, totalmente pintados, parecendo se divertir, e veteranos se esforçando pra ficarem mais limpos que os bichos, e me pareceu que a maior parte deles estava na usp a menos tempo que eu, e todos estavam felizes demais pra mim. Conversei com o Davi e com o Reverbel, e isso foi legal, e encontrei a Ana, o Rafa, o Tomáz, a Rita e mais umas pessoas e isso também foi legal. Depois eu fiquei na fila um tempão antes de descobrir que estava ali à toa porque eu não tinha levado os documentos necessários, e isso foi bem chato. Depois fomos acompanhar a Rita no seu trote, e isso foi bem horrível.
Por que foi horrível? Não sei bem, acho que foram todas aquelas pessoas tão animadas, alunos e professores, e ficar esperando sabendo que eu tinha pisado na bola e ia ter que perder metade do dia pra resolver, e a Rita saindo e dizendo que tinha assinado um papel assumindo responsabilidade se ela morresse em alto-mar me fez morrer de inveja (não de morrer, de ir pra alto-mar) e o trote que ela recebeu foi umas mil vezes mais empolgado que o meu, e eu tive vontade de ser bixete, ou ao menos de um dia ter sido bixete. Não é a mesma coisa quando todos os seus veteranos conhecem muito menos da usp que você. Quando você já teve bixos e mesmo assim nunca os tratou como bixos. E quando seus 'veteranos' estão todos totalmente desligados e desanimados.
No final eu acabei desistindo de me comportar como bixete. Estava ficando irritada com a quantidade de veteranos incompetentes, que me davam informações erradas e não sabiam de nada. Infelizmente eu não estava com a minha carteirinha, senão teria usado a técnica de apontar pra meu número usp e mandá-los me buscar cerveja.
O final do dia foi menos ruim porque encontrei o Ademar, conversamos um monte e ele me pagou cervejas e coca-cola com vodka (chamar de cuba-libre me pareceu forçação de barra...), e eu conversei com umas pessoas até que bacanas, mas fiquei desapontada de não conseguir encontrar mais meus amigos que estavam comigo antes porque eles foram para casa, enquanto eu quis ficar para a festa no IME (a festa incluía IF, IO e IME, mas o que tinha era 60% IF, 20% IME e 20% avulsos (Poli, Eca, etc). Acho que não veio ninguém do IO). No fim o Chalom veio nos encontrar e ficamos mais um tempo bebendo cerveja e papeando antes de ir pra casa.
Não lembro direito o que aconteceu depois. Acho que fiquei um tempo conversando com Talita e Alex em casa, como de costume, mas não tenho nenhuma lembrança disso. André conseguiu me convencer, com muito esforço, a tomar banho antes de dormir. Acordei às sete e meia precisando muito de água e toda dolorida. Voltei pra cama e dormi profundamente. Acordei de novo ás onze e meia, bem mais inteira.
Quando cheguei aqui, minha vida ainda parecia um lixo.
Então passar na fuvest me deixou feliz por mais ou menos cinco minutos. Durante o resto da semana eu até me diverti um pouco, saí com uns amigos que se tornaram meus veteranos, etc. Aí passou. Quando fui fazer matrícula estava me sentindo um lixo. Estar na usp não me fez nada feliz. Ao meu redor tinham bixos de todos os lugares, totalmente pintados, parecendo se divertir, e veteranos se esforçando pra ficarem mais limpos que os bichos, e me pareceu que a maior parte deles estava na usp a menos tempo que eu, e todos estavam felizes demais pra mim. Conversei com o Davi e com o Reverbel, e isso foi legal, e encontrei a Ana, o Rafa, o Tomáz, a Rita e mais umas pessoas e isso também foi legal. Depois eu fiquei na fila um tempão antes de descobrir que estava ali à toa porque eu não tinha levado os documentos necessários, e isso foi bem chato. Depois fomos acompanhar a Rita no seu trote, e isso foi bem horrível.
Por que foi horrível? Não sei bem, acho que foram todas aquelas pessoas tão animadas, alunos e professores, e ficar esperando sabendo que eu tinha pisado na bola e ia ter que perder metade do dia pra resolver, e a Rita saindo e dizendo que tinha assinado um papel assumindo responsabilidade se ela morresse em alto-mar me fez morrer de inveja (não de morrer, de ir pra alto-mar) e o trote que ela recebeu foi umas mil vezes mais empolgado que o meu, e eu tive vontade de ser bixete, ou ao menos de um dia ter sido bixete. Não é a mesma coisa quando todos os seus veteranos conhecem muito menos da usp que você. Quando você já teve bixos e mesmo assim nunca os tratou como bixos. E quando seus 'veteranos' estão todos totalmente desligados e desanimados.
No final eu acabei desistindo de me comportar como bixete. Estava ficando irritada com a quantidade de veteranos incompetentes, que me davam informações erradas e não sabiam de nada. Infelizmente eu não estava com a minha carteirinha, senão teria usado a técnica de apontar pra meu número usp e mandá-los me buscar cerveja.
O final do dia foi menos ruim porque encontrei o Ademar, conversamos um monte e ele me pagou cervejas e coca-cola com vodka (chamar de cuba-libre me pareceu forçação de barra...), e eu conversei com umas pessoas até que bacanas, mas fiquei desapontada de não conseguir encontrar mais meus amigos que estavam comigo antes porque eles foram para casa, enquanto eu quis ficar para a festa no IME (a festa incluía IF, IO e IME, mas o que tinha era 60% IF, 20% IME e 20% avulsos (Poli, Eca, etc). Acho que não veio ninguém do IO). No fim o Chalom veio nos encontrar e ficamos mais um tempo bebendo cerveja e papeando antes de ir pra casa.
Não lembro direito o que aconteceu depois. Acho que fiquei um tempo conversando com Talita e Alex em casa, como de costume, mas não tenho nenhuma lembrança disso. André conseguiu me convencer, com muito esforço, a tomar banho antes de dormir. Acordei às sete e meia precisando muito de água e toda dolorida. Voltei pra cama e dormi profundamente. Acordei de novo ás onze e meia, bem mais inteira.
Quando cheguei aqui, minha vida ainda parecia um lixo.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Realidade e ficção
A propósito, estou me esforçando muitíssimo para compartilhar o pouco de sabedoria que tenho, na forma de dúvidas e proposições, tentando manter a ficção enquanto crio pelo menos um pouco de verdade.
Dúvidas de apaixonados
Como é difícil falar com você sem você saber que eu te amo. Como me tortura quando trocamos olhares e você não sabe o quanto o meu é desejoso. Toda vez que falamos tenho vontade de gritar, de confessar minha paixão de uma vez por todas, de me livrar desse segredo e dessa dor. E me deliciaria ver, mesmo que só por um instante, a resposta relampejar nos seus olhos, a verdade por um instante, seus sentimentos, surpreendidos antes que a máscara das atitudes os cobrisse para mostrar a Resposta Adequada. Seria incrível, e esse desejo quase me leva à ação, mas me contecnho, não posso. Tenho mêdo demais: uma previsão me apavora. Não é que eu tenha mêdo da sua rejeição - de fato já estou prevendo que meu amor será rejeitado, ou então haveria aquele lampejo de esperança que acabaria por subjugar os meus temores. Sim, se fosse possível que você me amasse como eu a amo, eu poderia criar coragem, e um dia, quando por sorte ou por engenharia nos encontrássemos a sós, eu sussurraria para seus olhos a verdade de tudo o que vejo neles. Sim, mas... Mas eu poderia viver com a rejeição se minha confissão fosse feita na esperança de um final contigo. Mas assim como estamos, queria te contar tudo o que penso e sinto apenas porque me aflije tanto guardar estes segredos de você. Por que não posso ser sincera? É que tenho mêdo da Máscara, aquela que você provavelmente vestirá para me explicar que não pode, que não é isso que você quer comigo. É esse o meu mêdo? A mentira convencional que pairará entre nós toda vez que eu a vir sabendo que você sabe, sabendo que se apenas as coisas fossem um pouco diferentes, talvez pudesse dar certo? Será que tenho mêdo de arruinar tudo entre nós? Não, não é isso ainda. No fundo eu sei do que tenho mêdo. Na verdade o que me aflije é prever que, você sabendo, e mais que isso, eu tendo contado em voz alta e visto a sua reação e aquele lampejo de veracidade em seus olhos, eu não seria capaz de conter por mais nem um segundo a torrente de afeto que quer jorrar em você. Eu sei que posto assim parece até um pouco nojento - e é assim mesmo que me sinto quando penso que depois de me abrir com você eu nunca mais conseguiria falar contigo sem falar de amor, ou caminhar contigo sem querer segurar tua mão, ou estar do seu lado sem te envolver em meus braços, porque é como se eu tivesse uma válvula segurando tudo isso, e segurando forte, mas que uma vez aberta não vou conseguir fechar. E eu não quero: eu não posso destruir o que existe entre nós, mesmo que não seja quase nada; eu não quero destruir o nosso respeito, essa nossa distância, que permite que vivamos vidas separadas, e que permite, e talvez isso seja o mais importante, que eu possa viver minha vida sem precisar de você.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Pausa para um postinho
Eu estou aqui porque minha cabeça está zunindo com todas as letrinhas mágicas que não formam nenhuma palavra conhecida que acabei de encontrar na minha pequena jornada para tentar entender melhor a mesoderme do multiverso digital (aaah, justaposição de metáforas!). Eu acabei sendo lançada do Javascript para o Ajax com uma certa violência e, francamente, não é fácil entender quando a galera começa a falar de Ajax - a menos que o assunto tenha começado na área de limpeza, é claro. Pra descansar - porque estou num lugar estranho e me sinto meio acanhada de simplesmente ir dar uma volta - vou escrever alguma coisa.
Que tal uma história?
Proposição: o herói, no começo da história, nunca sabe que vai ser herói. Uma vez eu tentei contar uma história sobre um garoto chamado Davi. Eu gostava dele porque ele não era apenas um joguete nas mãos do acaso como todos os outros heróis. Ele um dia decidia que ia sair de casa e viver uma aventura, e assim ele saía de casa e vivia uma aventura. Mas agora vejo que caí numa armadilha assim que comecei a escrever sua história - não pude evitar inserir uma princesa e uma infância solitária, o desamor de sua casa e o amor de algo distante que iam sem dúvida fomentar no menino a disposição para partir em aventura. É difícil; acho que não consegui combater satisfatòriamente o impulso de explicar porque eu mesma não havia tomado minha vida nas mãos e partido numa aventura. E o motivo poderia ser o mêdo ou o conforto, mas acho que o argumento verdadeiro (acho mesmo) é que eu amo minha família. Eu amo cada um deles, e nunca consegui trocar a amizade de meus irmãos e o carinho de meus pais pela imprevisível descoberta do mundo. Além disso, eu sempre pensei em minha mãe, que se preocupa tanto comigo. Talvez, quando eu era muito pequena, fosse mesmo a noção de que eu não saberia o que fazer lá fora. Mas esse mêdo deixou de me incomodar há muito tempo.
Afinal estamos sempre fazendo o que não sabemos fazer. Estamos todos completamente perdidos. Ou talvez alguém aí saiba o que está fazendo; eu admito que não faço a menor idéia. Estou nadando num pântano, avançando muito lentamente e sem saber direito para onde. Mas lentamente estou começando a confiar que posso correr riscos. Isso de correr riscos é muito importante - é difícil evoluir de uma posição de confiança. E precisamos correr sem saber para onde. E precisamos vislumbrar.
Que tal uma história?
Proposição: o herói, no começo da história, nunca sabe que vai ser herói. Uma vez eu tentei contar uma história sobre um garoto chamado Davi. Eu gostava dele porque ele não era apenas um joguete nas mãos do acaso como todos os outros heróis. Ele um dia decidia que ia sair de casa e viver uma aventura, e assim ele saía de casa e vivia uma aventura. Mas agora vejo que caí numa armadilha assim que comecei a escrever sua história - não pude evitar inserir uma princesa e uma infância solitária, o desamor de sua casa e o amor de algo distante que iam sem dúvida fomentar no menino a disposição para partir em aventura. É difícil; acho que não consegui combater satisfatòriamente o impulso de explicar porque eu mesma não havia tomado minha vida nas mãos e partido numa aventura. E o motivo poderia ser o mêdo ou o conforto, mas acho que o argumento verdadeiro (acho mesmo) é que eu amo minha família. Eu amo cada um deles, e nunca consegui trocar a amizade de meus irmãos e o carinho de meus pais pela imprevisível descoberta do mundo. Além disso, eu sempre pensei em minha mãe, que se preocupa tanto comigo. Talvez, quando eu era muito pequena, fosse mesmo a noção de que eu não saberia o que fazer lá fora. Mas esse mêdo deixou de me incomodar há muito tempo.
Afinal estamos sempre fazendo o que não sabemos fazer. Estamos todos completamente perdidos. Ou talvez alguém aí saiba o que está fazendo; eu admito que não faço a menor idéia. Estou nadando num pântano, avançando muito lentamente e sem saber direito para onde. Mas lentamente estou começando a confiar que posso correr riscos. Isso de correr riscos é muito importante - é difícil evoluir de uma posição de confiança. E precisamos correr sem saber para onde. E precisamos vislumbrar.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Grunf
às vezes eu acho que nunca vou ter paciência pra trabalhar a sério. E olha que eu nem estou trabalhando. Estou num ambiente de trabalho, estudando javascript porque eu achei que ia conseguir fazer coisas divertidinhas com ele, mas até agora eu só consegui me frustrar infinito! nada minimamente legal está funcionando e a droga do tutorial sequer menciona essas possibilidades! Gronf!
Ah well. Pelo menos eu olho pela janela e tem uma grande pedra me olhando; onde mais eu poderia ter isso? Eu fico me lembrando dessas coisas pra não me arrepender de estar aqui. Afinal... Afinal, tuddo passa, os dias, os meses, não é, e eu sou obrigada a confiar que o futuro me dará oportunidades para não me arrepender muito amargamente de ter recusado as opções que recusei. Estou tentando não pensar nisso. Estou realmente me esforçando para não pensar...
Enfim, aqui estamos, Vitória, na parte da cidade que parece que fecha os olhos no reveillon, a cidade aqui em volta está vazia, não tem nada de interessante, e eu estou feliz porque hoje vamos no cinema e amanhã vamos à praia, e parece que isso vai ser muito melhor do que ficar aqui onde nada acontece.
Ok, preciso debelar o mau-humor.
É que eu queria tanto estar em casa... Mas vou fingir que não, vamos fechar os olhos, tudo vai dar certo no final, tudo vai dar certo, e, à propósito, eu te amo, e eu queria muito que você fizesse parte da minha vida pra sempre.
Que saco, estou emotiva de repente.
Ah well. Pelo menos eu olho pela janela e tem uma grande pedra me olhando; onde mais eu poderia ter isso? Eu fico me lembrando dessas coisas pra não me arrepender de estar aqui. Afinal... Afinal, tuddo passa, os dias, os meses, não é, e eu sou obrigada a confiar que o futuro me dará oportunidades para não me arrepender muito amargamente de ter recusado as opções que recusei. Estou tentando não pensar nisso. Estou realmente me esforçando para não pensar...
Enfim, aqui estamos, Vitória, na parte da cidade que parece que fecha os olhos no reveillon, a cidade aqui em volta está vazia, não tem nada de interessante, e eu estou feliz porque hoje vamos no cinema e amanhã vamos à praia, e parece que isso vai ser muito melhor do que ficar aqui onde nada acontece.
Ok, preciso debelar o mau-humor.
É que eu queria tanto estar em casa... Mas vou fingir que não, vamos fechar os olhos, tudo vai dar certo no final, tudo vai dar certo, e, à propósito, eu te amo, e eu queria muito que você fizesse parte da minha vida pra sempre.
Que saco, estou emotiva de repente.
Testes
Preciso dar uma pausa nos meus atuais estudos de html, css e javascript (eu sei, eu sei, mas eu não consegui me forçar a estudar pra fuvest ainda, droga! e isso é tão mais interessante...) e vou aproveitar pra fazer alguns testes aqui no blogger.
Essencialmente, eu quero saber o quanto disso pode ser usado aqui. Vamos tentar? Vou começar com um form:
Legal, parece que funciona (e, bom, essa é a coisa mais complicada que eu aprendi a fazer em html até agora). A questão agora é se o javascript funciona também... apesar de eu não ter entendido lhufas de como essa coisa funúncia... enfim.
Aliás, alguém sabe onde eu posso aprender javascript a sério?
Essencialmente, eu quero saber o quanto disso pode ser usado aqui. Vamos tentar? Vou começar com um form:
Legal, parece que funciona (e, bom, essa é a coisa mais complicada que eu aprendi a fazer em html até agora). A questão agora é se o javascript funciona também... apesar de eu não ter entendido lhufas de como essa coisa funúncia... enfim.
Aliás, alguém sabe onde eu posso aprender javascript a sério?
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Ei, maninho,
Feliz aniversário,
Que tudo esteja azul,
'Cê é muito gente fina,
Bacana pra xuxu!
Enfim, hoje é o dia do seu aniversário e eu pensei em fazer uma homenagem a você. Você sabe e eu sei que já fizemos muitas homenagens um ao outro em nossos blogs - é que é assim que a vida funciona, nós dialogamos, nós nos alimentamos um do outro, nós fazemos uma canção em conjunto, nos criamos o mesmo mundo - mas este ano nós ficamos meio distantes, e eu lembro na praça do pôr do sol quando você me abraçou e pediu pra não sumir de novo, e agora eu estou aqui fora da cidade, longe de você e de mais um monte de gente, e pensando se isso é certo, se é certo eu ficar aqui longe, aqui onde eu não posso te abraçar e falar sobre a vida com você.
Sabe, maninho, de todas as pessoas que eu conheço você é a que eu mais vi mudar. Eu vi meus irmãos, meus pais e meus primos mudando, mas meus primos estavam meio distantes, meu pai está se assentando sobre o que ele sempre foi, minha mãe está lutando contra algo que só ela pode enfrentar, e meus irmãos talvez estejam até perto demais pra eu conseguir entender a mudança, ou talvez eles sejam muito suaves, muito tranqüilos, e estejam apenas se tornando o que eles já prometiam ser de qualquer forma. Você não.
Não, Ugo, você mudou radicalmente, bruscamente e muitas vezes desde que eu te conheci. E eu também, contigo. Começamos como o Squick e a Ma, tímidos e meio perdidos em meio a todas aquelas pessoas determinadas, exageradas, da ação comunitária. Eu estava começando a descobrir que podia ter meus próprios amigos, mas ainda estava meio deslumbrada por aqueles nerds maconheiros que fizeram a gente decorar legião-urbana... E você era um garotinho minúsculo (menor do que eu!), de voz fina e parecido com um ratinho, mas eu nunca vou esquecer o dia eu que você ficou puto com as crianças e começou a vociferar e a dar ordens e todo mundo ficou com mêdo de você - pra provar que o que veio depois estava só esperando pra aflorar. Também não consigo esquecer o dia em que você propôs que a gente fosse na sua casa ler, e como todos nós rimos de você, e como eu me envergonho disso, porque hoje em dia me pareceria uma ótima idéia a qualquer momento.
Depois passou um ano em que estivemos separados, e foi o ano em que eu aprendi a me apaixonar e em que mudei completamente de amigos, e pra você foi um ano de ficar longe dos amigos que você tinha, e não consigo imaginar como foi pra você - mas sei que quando te encontrei de novo, 20cm mais alto e de voz grossa, nós dois éramos pessoas muito diferentes, e ainda assim fomos nós que voltamos a ser amigos quando todo o resto do antigo bando tinha se esfacelado. Pois é! Nada mais de Bruno Azem, nada mais de nerds maconheiros, quase nada tinha restado daquele grupo que acumulou tantas lendas na minha memória. E também, agora éramos colegiais, e nossos interesses mudaram. E no começo foi um pouco estranha a forma como você nos seguia como se fôssemos heróis, só porque tínhamos ficado tanto tempo longe e eu e meus amigos éramos um pouco mais velhos e talvez um pouco mais arrogantes. E alguns dos nossos amigos eram pessoas pentelhas que ficavam pegando no nosso pé ininterruptamente, e eu me tornei a Mali minúscula de se pegar e morder e você virou o Ches, que as meninas apertavam como um brinquedo e os moleques zoavam, e acho até que eu fiquei aliviada quando eles começaram a pegar no seu pé porque eu já estava de saco cheio. Mas a gente passou por isso, eu porque estava apaixonada por eles, e você em parte por isso, em parte porque você podia aturar algumas pessoas de quem você não gostava pra ficar com a parte de que você gostava, o que é admirável. E houve momentos em que nós ficamos sozinhos e pudemos brincar das velhas coisas de que a gente sempre brincara sem interferência de quem queria achar a gente ridículo.
É claro que essa fase valeu a pensa: teve o pirate's tale, viagem pra fazenda, nossas história de vampiros e lobisomens, e tudo o mais que a gente inventou e trocou e imaginou e viveu. Foi legal pra caralho! Mas acho que essa fase teve que passar e a gente teve que sair daquela muvuca que era o colegial pra eu poder virar Marina e você, Ugo. E eu lembro que de repente você deixou de ser um garoto doce e divertido pra ficar revoltado e agressivo. Muito agressivo! Por vários meses eu fiquei com mêdo de você, porque você estava bravo com tudo, e odiava tudo, e queria que todo mundo te respeitasse mas não sabia como merecer esse respeito, e você queria ser um grande psicólogo mas ainda não sabia nada de psicologia. E aí você entrou na faculdade, começou a estudar e a ler mais, fez kung-fu, e começou a entrar nos eixos e levar as coisas mais na boa, e foi inevitável que nos tornássemos melhores amigos. Sabe o quê, maninho, você conseguiu o respeito que você queria.
Acho que é por ter visto todas essas mudanças que eu me orgulho tanto de você. Sabe, você já disse e pensou tanta merda na vida, já acreditou em tanta coisa errada, e já foi tão ignorante de tanta coisa! Mas agora você tem seu chão pra defender, e é um belo chão. Eu ainda discordo pra caralho de você, mas agora ninguém pode achar que você é bobo pelas coisas nas quais você acredita.
Você se tornou um belo homem, maninho. Estou curiosa para ver como mais você vai mudar - como nós vamos nos transformar - daqui em diante.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Meaw
And I feel lonely. Been with you for so long that I don' know how to be alone anymore. All around me are ghosts - of far away loves, of dreams andreamt. I miss having you who knows all about me by my side. I miss who I am when I have this world you build around me. And we're just going about with our businesss and I... wait, what is my business again?
I feel so lonely and empty. Suddenly my friends feel so distant. Suddenly I feel like my world is another. I'm in for a different game. I don't know where you are anymore.
I feel so lonely and empty. Suddenly my friends feel so distant. Suddenly I feel like my world is another. I'm in for a different game. I don't know where you are anymore.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Como dizer?
Estava pensando em escrever um poema, mas não sei ainda qual. Queria que ele girasse em torno da idéia da Leoa, como uma Deusa. A Leoa pra mim sempre foi um símbolo de um certo tipo de poder, é ela que protege a cidade de Levante que muda de nome toda vez que é conquistada... A Leoa é Labwa, é a Devoradora, é o animal fêmea que mata e dá vida. Será que esse símbolo pode sustentar sozinho o meu poema? Ou será que preciso do meu amor para sustentá-lo? Acho que é um bom símbolo.
Leoa dos infinitos mundos
Persegues tuas presas pelas savanas
Em compasso com tuas irmãs, mães de teus sobrinhos
E amantes do pai dos teus filhos
Tuas presas, fera, manténs ocultas
Até o momento fatal do bote
Mas quem duvidaria de tua ferocidade?
Tuas garras manténs dentro dos dedos
Nas patas que pisam suavemente a relva
Tua caçada, Labwa, é silenciosa
Mas corações disparam quando vêem teus olhos cheios de morte
E tu lhes trazes a última dor que sentirão sobre a terra
E derramas o último sangue.
Teus lábios ensanguentados limpas com a língua áspera
Tua boca que mata leva a carne aos filhotes
Leoa, em dadas tardes te deixas caçar pelo violento e cabeludo macho
Cujo rugido que afasta inimigos tu admiras
E cujo corpo enorme e quente tu desejas
Leoa, em teu corpo esculpido para matar surge a vida
Tuas patas parecem pequenas quando carregam a futura caçada.
Acho que não há mais o que ser dito.
Agora já sei quem você é, minha leoa: você é a Esfinge.
Leoa dos infinitos mundos
Persegues tuas presas pelas savanas
Em compasso com tuas irmãs, mães de teus sobrinhos
E amantes do pai dos teus filhos
Tuas presas, fera, manténs ocultas
Até o momento fatal do bote
Mas quem duvidaria de tua ferocidade?
Tuas garras manténs dentro dos dedos
Nas patas que pisam suavemente a relva
Tua caçada, Labwa, é silenciosa
Mas corações disparam quando vêem teus olhos cheios de morte
E tu lhes trazes a última dor que sentirão sobre a terra
E derramas o último sangue.
Teus lábios ensanguentados limpas com a língua áspera
Tua boca que mata leva a carne aos filhotes
Leoa, em dadas tardes te deixas caçar pelo violento e cabeludo macho
Cujo rugido que afasta inimigos tu admiras
E cujo corpo enorme e quente tu desejas
Leoa, em teu corpo esculpido para matar surge a vida
Tuas patas parecem pequenas quando carregam a futura caçada.
Acho que não há mais o que ser dito.
Agora já sei quem você é, minha leoa: você é a Esfinge.
sábado, 25 de dezembro de 2010
Inquietação
Quero escrever alguma coisa, quero desabafar, mas não posso, não posso.
Acho que está na hora de eu conversar com alguém ao vivo.
Onde estão meus amigos?
Acho que está na hora de eu conversar com alguém ao vivo.
Onde estão meus amigos?
Procuro um homem [?]
Procuro um homem que não seja como todos
os outros homens que até hoje conheci
Que seja incômodo e imprestável como os outros
Mas um que saiba o quanto deve dar de si
Eu não procuro um homem que seja perfeito
mas um que seja livre e siga com coragem
Que tenha a cara de reclamar seus direitos
sem hesitar e sem se perder na linguagem
Procuro um homem que se guie por seus sonhos
e, perseguindo-os, não se acanhe de ir além
Um que consiga subjugar os seus demônios
mas que seja um pouco demônio ele também
Procuro um homem que não caia do cavalo
ou que, caindo, também saiba levantar
Que, como um gato, às vezes venha de mansinho
e às vezes pule sobre a presa pra matar
-----------------------------------------
Achei isso numa pilha de anotações antigas... Acho que deve ser de 2006, mas não posso garantir; talvez seja de antes, talvez de bem depois. Acho que eu tenho muito poemas descrevendo o amor que eu quero... Mas acho esquisito, acho que hoje em dia eu não escreveria uma coisa assim, "procuro um homem"... Eu não procuro mais um homem, eu procuro a mim, a você, a quem possa saciar essa fome, à origem da fome. Minha forma de pensar, de enxergar essa questão, mudou radicalmente.
os outros homens que até hoje conheci
Que seja incômodo e imprestável como os outros
Mas um que saiba o quanto deve dar de si
Eu não procuro um homem que seja perfeito
mas um que seja livre e siga com coragem
Que tenha a cara de reclamar seus direitos
sem hesitar e sem se perder na linguagem
Procuro um homem que se guie por seus sonhos
e, perseguindo-os, não se acanhe de ir além
Um que consiga subjugar os seus demônios
mas que seja um pouco demônio ele também
Procuro um homem que não caia do cavalo
ou que, caindo, também saiba levantar
Que, como um gato, às vezes venha de mansinho
e às vezes pule sobre a presa pra matar
-----------------------------------------
Achei isso numa pilha de anotações antigas... Acho que deve ser de 2006, mas não posso garantir; talvez seja de antes, talvez de bem depois. Acho que eu tenho muito poemas descrevendo o amor que eu quero... Mas acho esquisito, acho que hoje em dia eu não escreveria uma coisa assim, "procuro um homem"... Eu não procuro mais um homem, eu procuro a mim, a você, a quem possa saciar essa fome, à origem da fome. Minha forma de pensar, de enxergar essa questão, mudou radicalmente.
sábado, 18 de dezembro de 2010
Ao Cara da Bicicleta [24-25/9/2005]
Estou andando pela rua e vem
Você, que me coloca muito bem
Uma palavra doce no caminho.
Eu olho pra você, penso na vida
De que me vale estar assim perdida?
Em tantos colos quero fazer ninho...
Eu vinha andando meio solitária
Na sociedade me sentindo pária
E vem você chamar-me de gatinha.
Talvez não seja bom pensar assim,
Mas peço que não venha atrás de mim
Pois isso eu tenho que vencer sozinha
E, se vier, posso não ser legal
Vou ser cruel, posso te deixar mal
Se você não se despedir agora
Mas você não me ouvira o não amaro
Eu disse então que tinha namorado
Pra você desistir e ir embora
-----------------------------
Sim, existem pessoas que às vezes tiram algo de bom de encontrar um cara idiota te xavecando na rua. Esse cara de fato apareceu de bicicleta me chamando de gatinha. às vezes essas coisas imbecis são importantes pra quem está totalmente perdido.
Você, que me coloca muito bem
Uma palavra doce no caminho.
Eu olho pra você, penso na vida
De que me vale estar assim perdida?
Em tantos colos quero fazer ninho...
Eu vinha andando meio solitária
Na sociedade me sentindo pária
E vem você chamar-me de gatinha.
Talvez não seja bom pensar assim,
Mas peço que não venha atrás de mim
Pois isso eu tenho que vencer sozinha
E, se vier, posso não ser legal
Vou ser cruel, posso te deixar mal
Se você não se despedir agora
Mas você não me ouvira o não amaro
Eu disse então que tinha namorado
Pra você desistir e ir embora
-----------------------------
Sim, existem pessoas que às vezes tiram algo de bom de encontrar um cara idiota te xavecando na rua. Esse cara de fato apareceu de bicicleta me chamando de gatinha. às vezes essas coisas imbecis são importantes pra quem está totalmente perdido.
Alerta [set/2005]
Não pule no lago, eu te disse, vai se machucar
mas a água do lago era linda como a água do mar
Tinha ondas que iam e vinham, para te atrair
e eram ora cruéis ora doces, pra te consumir
Pois eu disse: não pule no lago - você não me ouviu
Se afastou de mim (sou também água) e em frente seguiu
Foi largando no caminho roupas, armas e armaduras
Mas eu acho que suas intenções não eram seguras
Você foi, pois, andando sem mêdo mas meio hesitante
mas então viu o dragão do lago - foi desconcertante!
e tão surpreendido qual gato no meio do pulo
você veio pedindo socorro, tateando no escuro
E eu pensava, ao ver você assim, voltando do errado
que eu dissera, e você não me ouvira, "não pule no lago"
-------------------------------------------------------
Ah, eu gosto tanto do ritmo deste poema! Eu gosto também de algumas das metáforas dele. Algum dia eu preciso explicar o que é o lago =)
mas a água do lago era linda como a água do mar
Tinha ondas que iam e vinham, para te atrair
e eram ora cruéis ora doces, pra te consumir
Pois eu disse: não pule no lago - você não me ouviu
Se afastou de mim (sou também água) e em frente seguiu
Foi largando no caminho roupas, armas e armaduras
Mas eu acho que suas intenções não eram seguras
Você foi, pois, andando sem mêdo mas meio hesitante
mas então viu o dragão do lago - foi desconcertante!
e tão surpreendido qual gato no meio do pulo
você veio pedindo socorro, tateando no escuro
E eu pensava, ao ver você assim, voltando do errado
que eu dissera, e você não me ouvira, "não pule no lago"
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Ah, eu gosto tanto do ritmo deste poema! Eu gosto também de algumas das metáforas dele. Algum dia eu preciso explicar o que é o lago =)
Rascunhos
"Não faça rascunhos. Leve cada desenho a sério." - Peçanha
Sabe, eu tenho dois rascunhos quase permanente no meu blog, além de um rascunho rotativo de Histórias Sem Fim. São começos de histórias que eu queria escrever, que começaram muito naturalmente, mas que eu não consigo continuar! É tão difícil continuar. Particularmente esta sobre o Lay, o Anjo do Relâmpago (é a primeira vez que o chamo assim, em português), é difícil porque eu comecei querendo escrever com leveza e beleza, mas a vida do Lay não é bonita, e eu não consigo dar o passo do lirismo para a narrativa. Acho narrativas muito difíceis, me dou muito melhor com as descrições. Bem, acho que nunca serei um contador de histórias como o Garth Nix, mas talvez eu possa almejar um pouco do fascínio do Tolkien... Enfim, vou publicar esse rascunho para vocês terem uma idéia do que estou falando.
------------------------------------
Na cidade de Raéa tudo era tão bonito! As praças estavam cobertas de lírios e as torres dos palácios se erguiam claras e majestosas em direção ao céu azul e límpido lá em cima. Em Raéa nunca chovia, nunca ficava nublado, talvez porque a cidade estava acima da maioria das nuvens, no topo dos picos fantásticos que o povo comum chamava de Heaven. É claro que o nome original do lugar era Haven, mas quem discordaria do nome que o povo dava, quer dizer, haveria um lugar mais próximo de se chamar de Céu? Os enormes pássaros de Raéa se agitavam e cantavam para despertar a cidade. Os habitantes de Raéa, como qualquer povo de boa fé, venerava a Quemi, o Pássaro das Cores, e a Quehy, a Fênix de Luz. Exemplares jovens das duas espécies saltitavam aqui e ali, colorindo e iluminando o ar em que dançavam; mas o pássaro mais presente da cidade era o que eles chamavam de Alma dos Ventos, uma ave imponente que parecia nunca parar de crescer e que viajava distância inacreditáveis para fazer seu ninho nas torres dos palácios. E, como era bem cedo, os parapeitos das janelas estavam apinhados de Almas das Manhãs, os menores pássaros de Raéa (ainda um pouco maiores que um sabiá de peito laranja), que tinham penas macias como as plumas de um bebê e que se reuniam no nascer do sol para se aquecer, conversar com seus irmãos em trinados baixos e graves e entoar adoráveis cantigas de acordar. Não havia melhor forma de acordar que o amanhecer de Raéa! O sol entrava por todas as janelas e fazia brilhar as torres imaculadamente brancas. As casas baixas, feitas de blocos mais rudes das pedras claras das montanhas, estavam cobertas de flores delicadas que se abriam ao toque do sol. Cada porta, esculpida na mais nobre madeira jovem que crescia timidamente abaixo das nuvens, se abria, e cada janela, apenas para deixar o vento entrar. Logo todos estariam despertos, e a cidade estaria cantando com o prazer de um novo dia. Era por essas manhãs que Lyserh vivia. Ele adorava saltar para a rua e sentir o ar correndo por sua pele enquanto abrandava a queda. O azul do céu e o branco brilhante das casas e das flores o preenchia , como o calor do sol. Ele cumprimentava os pássaros ao caminhar pela praça. Era sua vez de ser feliz. Era tudo o que tinha na vida.
Neste dia, Ly também estava feliz porque ia conseguir uma coisa a mais, uma coisa a mais a que se agarrar nos momentos em que a luz parecia distante. Ele não tinha a menor dúvida de que a partir de então ele seria feliz! Ali, em Raéa, onde cada dia era perfeito, ali ele ia encontrar seu lugar do lado direito de Deus. Era impossível parar de sorrir. Ali ele ia encontrar aquilo que daria sentido à sua vida.
Ele atravessou mais algumas praças cobertas de lírios, e algumas ruas estreitas e floridas, saltitando de pedra em pedra e cantarolando para acompanhar as Almas. Antigamente ele costumava pensar com freqüência em como seria, depois da morte, é claro, ser um pássaro e passar seus dias planando e chilreando por aí; mas hoje esse pensamento sequer lhe ocorreu -- a vida parecia tão bela assim do jeito que estava! Era difícil pensar em coisas tristes ou mesmo coisas imperfeitas neste dia alegre.
---------------------------------------------
Minha idéia é contar como Lyserh entrou para a força de elite dos Anjos. É muito importante para a história que ele entre nela. Na verdade é essa a fundação do personagem. Mas eu não consigo fazer acontecer.
Direitos [23-25/9/2005]
Nem todo coração
tem direito a ficar em paz
Nem toda paixão
tem direito a um final feliz
Nem toda amara vida
tem direito de voltar atrás
Nem toda alma perdida
tem direito de ser o que quis
Mas por favor não desista, que a vida é muito maior
que esse pedaço de vida ao qual você se amarrou
Mas por favor não insista, que a vida tem mais sabor
que esse pedaço de vida o qual você não largou
Pois se amarrar
a um amor que morreu
é ainda contar
com o que já se perdeu
Além disso, veja bem, não adianta chorar
Isso não fará o alguém que você ama te amar
----------------------------------------------------
.... é, sei lá. Eu precisava convencer ao pessoas a desistirem de seus amores impossíveis com freqüência... Tentei mudar pouco este poema (só uma alteração de rtmo aqui e ali) porque ele é ruim demais pra ser melhorado. E tem umas quatro melodias diferentes que nem se encaixam tão bem assim. Ora!
tem direito a ficar em paz
Nem toda paixão
tem direito a um final feliz
Nem toda amara vida
tem direito de voltar atrás
Nem toda alma perdida
tem direito de ser o que quis
Mas por favor não desista, que a vida é muito maior
que esse pedaço de vida ao qual você se amarrou
Mas por favor não insista, que a vida tem mais sabor
que esse pedaço de vida o qual você não largou
Pois se amarrar
a um amor que morreu
é ainda contar
com o que já se perdeu
Além disso, veja bem, não adianta chorar
Isso não fará o alguém que você ama te amar
----------------------------------------------------
.... é, sei lá. Eu precisava convencer ao pessoas a desistirem de seus amores impossíveis com freqüência... Tentei mudar pouco este poema (só uma alteração de rtmo aqui e ali) porque ele é ruim demais pra ser melhorado. E tem umas quatro melodias diferentes que nem se encaixam tão bem assim. Ora!
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Faelyn
O dragão surgiu de repente depois de uma curva, e assomava enorme, quase batendo em todas as paredes da imensa galeria. Era um dragão magnífico, de escamas verdes cobrindo as costelas e placas vermelhas por todo o dorso, brilhando intensamente mesmo na pouca luz da caverna. Suas garras eram do tamanho da espada de Roder, cinzentas e muito mais fortes do que a lâmina. Toda a couraça do dragão reluzia em tonalidades detalhadamente distintas, colorindo as paredes e o chão como um caleidoscópio. Seus chifres eram grandes como árvores, e seus olhos tinham a intensidade de um caçador. Era o dragão perfeito, o monstro de todas as lendas, o inimigo dos sonhos de Roder, Aquele era o dragão definitivo, o dragão com que ele sonhava quando sua irmã lhe contava histórias antes de dormir.
- Nahär! - gritou Roder o nome de seus ancestrais enquanto desembainhava a espada. O dragão levantou a cabeça num susto e se encolheu contra o fundo da galeria, contorcendo o longo pescoço escamoso para virar os olhos para o invasor. Roder, vendo aquela carne enorme se virando e movendo com estradalhaço, ergueu a espada que tinha matado cem ogros e se lançou em corrida para fincar sua lâmina entre as escamas da barriga do monstro. Mas não é tão fácil penetrar o couro de um dragão, e este, tentando espantar o incômodo cutucador, abriu a bocarra cheia de dentes pontudos e rugiu na cara de seu agressor. Mas Roder, em vez de de se assustar com os presas imensas e o rugido ensurdecedor se revigorou com eles e e, convencido de que aquele era o mais terrível e formidável monstro que um herói já enfrentara sem ser devorado, estendeu o braço e enfiou sua espada no fundo da enorme garganta. E o dragão caiu.
Como eu disse, o problema está sempre nos ouvintes. vejo que você me ouve com olhos arregalados e emoção renovada a cada frase, sem imaginar o que acontece a seguir. Também Roder acreditava estar vivendo a estória de sua vida, e nesse momento seu coração batia rápido e sua mente viava pelos cenários do triunfo e das canções dos menestréis. Mas nesse mesmo momento sua visão se desfez.
A bocarra do dragão caíra sobre o herói e o mantinha preso entre as presas e a espada, um dente enorme enfiado no braço desarmado. De repente o espeto dos dentes desapareceu e Roder se desequilibrou e caiu sentado no chão, atordoado mas sem largar a espada. Uma névoa com cor de dragão volteava e revolvia em torno dele, parecendo querer se reunir no centro da galeria logo à sua frente. Entretanto Roder via nitidamente através da névoa, que não tinha cheiro, e não havia vento. Era uma ilusão! Não havia dragão, mas seu braço estava ferido e a espada, suja de sangue. O herói ficou no chão, confuso e paralizado pela percepção de que estivera lutando contra um dragão de mentira. Entretanto, devia haver alguém, quem sabe um demônio ou um vil feiticeiro por trás dessa névoa, pois alguém raptara a donzela, alguém o chamar através da caverna, alguém causara o ferimento no seu braço, e mais - alguém deixara seu sangue sobre sua espada. Roder ficou de pé e avançou lentamente para onde a névoa começava a se compactar numa forma humana, determinado a garantir sua vitória contra quem fosse o vilão de sua história. Ele se postou altivo e ameaçador diante do homem que a névoa formava; mas o homem era na verdade Faelyn, caída e agonizante aos seus pés, numa poça de sangue que saía de sua garganta - e ele desfez a pose e tentou desesperado ajudá-la, mas a garota se esquivou dele apavorada, e seus últimos movimentos neste mundo foram para fugir de seu suposto salvador.
Imagino Roder tentando ajudar a garota, tentando entender onde ele tomara o caminho errado, como era possível que o dragão cruel se tornasse a dozela inocente. E principalmente, como a donzela fôra parar dentro da caverna se ela estava esperando por ele lá fora? Mas não, Roder não parou para pensar nessas coisas, porque era jovem e estava apenas em busca de monstros, não de respostas. A única pergunta que ele fez era onde encontraria o feiticeiro que trocara a vida da donzela pela do dragão, e o que teria que fazer para trazê-lo até o fio de sua espada. E, com seus sonhos de triunfo derramados com o sangue de Faelyn, ele foi buscar seu feiticeiro pelos túneis mais profundos na caverna, que levavam para longe desta cidade.
- Nahär! - gritou Roder o nome de seus ancestrais enquanto desembainhava a espada. O dragão levantou a cabeça num susto e se encolheu contra o fundo da galeria, contorcendo o longo pescoço escamoso para virar os olhos para o invasor. Roder, vendo aquela carne enorme se virando e movendo com estradalhaço, ergueu a espada que tinha matado cem ogros e se lançou em corrida para fincar sua lâmina entre as escamas da barriga do monstro. Mas não é tão fácil penetrar o couro de um dragão, e este, tentando espantar o incômodo cutucador, abriu a bocarra cheia de dentes pontudos e rugiu na cara de seu agressor. Mas Roder, em vez de de se assustar com os presas imensas e o rugido ensurdecedor se revigorou com eles e e, convencido de que aquele era o mais terrível e formidável monstro que um herói já enfrentara sem ser devorado, estendeu o braço e enfiou sua espada no fundo da enorme garganta. E o dragão caiu.
Como eu disse, o problema está sempre nos ouvintes. vejo que você me ouve com olhos arregalados e emoção renovada a cada frase, sem imaginar o que acontece a seguir. Também Roder acreditava estar vivendo a estória de sua vida, e nesse momento seu coração batia rápido e sua mente viava pelos cenários do triunfo e das canções dos menestréis. Mas nesse mesmo momento sua visão se desfez.
A bocarra do dragão caíra sobre o herói e o mantinha preso entre as presas e a espada, um dente enorme enfiado no braço desarmado. De repente o espeto dos dentes desapareceu e Roder se desequilibrou e caiu sentado no chão, atordoado mas sem largar a espada. Uma névoa com cor de dragão volteava e revolvia em torno dele, parecendo querer se reunir no centro da galeria logo à sua frente. Entretanto Roder via nitidamente através da névoa, que não tinha cheiro, e não havia vento. Era uma ilusão! Não havia dragão, mas seu braço estava ferido e a espada, suja de sangue. O herói ficou no chão, confuso e paralizado pela percepção de que estivera lutando contra um dragão de mentira. Entretanto, devia haver alguém, quem sabe um demônio ou um vil feiticeiro por trás dessa névoa, pois alguém raptara a donzela, alguém o chamar através da caverna, alguém causara o ferimento no seu braço, e mais - alguém deixara seu sangue sobre sua espada. Roder ficou de pé e avançou lentamente para onde a névoa começava a se compactar numa forma humana, determinado a garantir sua vitória contra quem fosse o vilão de sua história. Ele se postou altivo e ameaçador diante do homem que a névoa formava; mas o homem era na verdade Faelyn, caída e agonizante aos seus pés, numa poça de sangue que saía de sua garganta - e ele desfez a pose e tentou desesperado ajudá-la, mas a garota se esquivou dele apavorada, e seus últimos movimentos neste mundo foram para fugir de seu suposto salvador.
Imagino Roder tentando ajudar a garota, tentando entender onde ele tomara o caminho errado, como era possível que o dragão cruel se tornasse a dozela inocente. E principalmente, como a donzela fôra parar dentro da caverna se ela estava esperando por ele lá fora? Mas não, Roder não parou para pensar nessas coisas, porque era jovem e estava apenas em busca de monstros, não de respostas. A única pergunta que ele fez era onde encontraria o feiticeiro que trocara a vida da donzela pela do dragão, e o que teria que fazer para trazê-lo até o fio de sua espada. E, com seus sonhos de triunfo derramados com o sangue de Faelyn, ele foi buscar seu feiticeiro pelos túneis mais profundos na caverna, que levavam para longe desta cidade.
Poema Triste II [22/9/2005]
Queria escrever um poema triste.
Um que fosse mais triste do que eu
Que fosse mais escuro do que o breu
P'r'eu achar que sou vívida e feliz.
Queria escrever um poema triste
Que fosse mais vazio do que um deserto
E mais que a bruma fosse escuro e incerto
P'r'eu achar que sou o que você me diz.
Queria escrever um poema triste.
Um que fosse mais frio que a solidão
E mais que uma miragem, ilusão
Fosse de que sou eu quem quer chorar
Queria escrever um poema triste
Que fosse mais incômodo que a fome
Que de tão tolo não mereça um nome
Mas me convença de que eu sei amar.
-----------------------------------
Conforme eu anotei no canto da folha, eu também queria escrever um poema resignado, um poema sem esperança, como eu escrevi, "resignado como a chuva"... para que eu pudesse ver o brilho da minha própria esperança. Mas é difícil rimar com chuva, não é? Enfim, acho que este poema é muito menos triste e mais bonito que o anterior. A gente não vê realmente beleza na tristeza desesperançada, é justamente a esperança e o amor que tornam a tristeza uma coisa bela. Uma coisa triste e murcha e pantanosa como a que escreveu esse poema, mas que ainda quer se expressar, que ainda quer fazer parte da beleza do mundo - amar! - é bonita de certo modo, por mais que distorcida.
Mas ainda há uma certa dor, porque por mais que haja uma certa expressão no sentido de dizer "oi! estou doendo! quero ser feliz! quero amar!", ainda assim... ainda assim esse poema não pode expressar a tristeza de verdade que existia por trás. A Mali de 2005 sabia disso. Ela sabia que seu amor era um amálgama incerto de sonho e crueldade, e que eventualmente tudo ia desmoronar com ela embaixo. A pergunta que eu me faço agora é: essa esperança superficial serviu para alguma coisa?
Mas no fundo o que eu preciso saber é: será que eu aprendi a chorar depois disso?
Queria escrever um poema triste
Que fosse resignado como a chuva
E estúpido como um vinho sem uva
Que me desse esperança de sonhar
Um que fosse mais triste do que eu
Que fosse mais escuro do que o breu
P'r'eu achar que sou vívida e feliz.
Queria escrever um poema triste
Que fosse mais vazio do que um deserto
E mais que a bruma fosse escuro e incerto
P'r'eu achar que sou o que você me diz.
Queria escrever um poema triste.
Um que fosse mais frio que a solidão
E mais que uma miragem, ilusão
Fosse de que sou eu quem quer chorar
Queria escrever um poema triste
Que fosse mais incômodo que a fome
Que de tão tolo não mereça um nome
Mas me convença de que eu sei amar.
-----------------------------------
Conforme eu anotei no canto da folha, eu também queria escrever um poema resignado, um poema sem esperança, como eu escrevi, "resignado como a chuva"... para que eu pudesse ver o brilho da minha própria esperança. Mas é difícil rimar com chuva, não é? Enfim, acho que este poema é muito menos triste e mais bonito que o anterior. A gente não vê realmente beleza na tristeza desesperançada, é justamente a esperança e o amor que tornam a tristeza uma coisa bela. Uma coisa triste e murcha e pantanosa como a que escreveu esse poema, mas que ainda quer se expressar, que ainda quer fazer parte da beleza do mundo - amar! - é bonita de certo modo, por mais que distorcida.
Mas ainda há uma certa dor, porque por mais que haja uma certa expressão no sentido de dizer "oi! estou doendo! quero ser feliz! quero amar!", ainda assim... ainda assim esse poema não pode expressar a tristeza de verdade que existia por trás. A Mali de 2005 sabia disso. Ela sabia que seu amor era um amálgama incerto de sonho e crueldade, e que eventualmente tudo ia desmoronar com ela embaixo. A pergunta que eu me faço agora é: essa esperança superficial serviu para alguma coisa?
Mas no fundo o que eu preciso saber é: será que eu aprendi a chorar depois disso?
Queria escrever um poema triste
Que fosse resignado como a chuva
E estúpido como um vinho sem uva
Que me desse esperança de sonhar
Poema Triste [22/9/2005]
Eu queria escrever um poema triste
que doesse assim tanto quanto a maldade,
que fosse lúgubre como a saudade
e, como a dor do amor, não redimisse
Para que todos lessem ou ouvissem
e então chorassem, de mágoa ou de dó
ou de lembrança, pra eu não ficar só,
e a desrazão, enfim, me permitissem
Mas as palavras, como a poesia,
por si não trazem dor, pois são vazias,
então jamais terão, em si, tristeza
Por isso esse meu desejo egoísta
vai se calar, ficar fora de vista,
pois ele contraria a natureza
Mas ainda quer ser triste o meu poema
e novamente eu entro num dilema
pois eu mesma não sei me dar certeza
-------------------------------------
Acho que o que eu quero dizer aqui, essencialmente, é que escrever não me faz me sentir melhor quando eu estou triste. Os fantasmas que eu descrevo não são receptáculos para os meus sentimentos. Eles sequer podem expressar a minha tristeza.
que doesse assim tanto quanto a maldade,
que fosse lúgubre como a saudade
e, como a dor do amor, não redimisse
Para que todos lessem ou ouvissem
e então chorassem, de mágoa ou de dó
ou de lembrança, pra eu não ficar só,
e a desrazão, enfim, me permitissem
Mas as palavras, como a poesia,
por si não trazem dor, pois são vazias,
então jamais terão, em si, tristeza
Por isso esse meu desejo egoísta
vai se calar, ficar fora de vista,
pois ele contraria a natureza
Mas ainda quer ser triste o meu poema
e novamente eu entro num dilema
pois eu mesma não sei me dar certeza
-------------------------------------
Acho que o que eu quero dizer aqui, essencialmente, é que escrever não me faz me sentir melhor quando eu estou triste. Os fantasmas que eu descrevo não são receptáculos para os meus sentimentos. Eles sequer podem expressar a minha tristeza.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Hellblazer - The Devil You Know

E pra alegrar o meu dia eu descubro que o Glenn Fabry também fez Sláine no começo da carreira.
Hell yeah. All falls into place.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Saudades [1/8/2005]
Não sei se você concorda
Se discorda
Se acorda
e de manhã o mundo sempre é outro
Mas eu sei
e sinto por saber
que hoje
só hoje
agora
eu quero chorar por não te ter
eu sinto saudades, juro que sinto.
Quero um abraço seu.
Quero um doce, um maracujá, um sorvete.
Quero você de volta
quase quero brigar com Deus.
Se discorda
Se acorda
e de manhã o mundo sempre é outro
Mas eu sei
e sinto por saber
que hoje
só hoje
agora
eu quero chorar por não te ter
eu sinto saudades, juro que sinto.
Quero um abraço seu.
Quero um doce, um maracujá, um sorvete.
Quero você de volta
quase quero brigar com Deus.
Sem nexo [20/7/2004]
Abro os olhos:
nada vejo
Nada sinto
nada falo
sou um pedaço de corda
môrto, rôto, amordaçado
Calado com ferro ardente
Não tenho boca, mas dente,
dente, ah, eu tenho de sobra
Sou uma loucura indecente
Um desespero fremente
Um nada acorrentado.
Quem irá calar a voz que não consente o tempo,
que se esvai tão vagarosamente...
Nem sempre o canto é uma desforra,
pode ser a hora
pode ser agora
pode ser perfeito mas não tenho nada; ,
Portas fechadas, todas!
Calai as vozes.
Fecho os olhos.
Sou azul por dentro.
Azul porque, se não fosse,
seria qualquer outra coisa.
Cálo-me diante de seu mêdo.
Fecho a janela,
fecho cada fresta,
cada espiadela,
uma cena sinistra,
uma lógica antiética,
antitésica, morfética,
ilógica, sem nexo
sem lexo, sem sexo
Como aliás, todas as coisas
menores.
Morro de sono.
Tua poesia vai
além das minhas saudades...
---------------------------------
Estou me divertindo com esses poemas antigos, escritos com as vozes de baixo do pensamento, as vozes do fundo da cabeça que não estão preocupadas em alinhavar um sentido. Por exemplo, eu não acho que todas as coisas menores sejam morféticas (uau, tirei essa do fundo do baú da tia... hm, qual tia era mesmo?) nem ilógicas, mas podem ser virgens com vocabulário ilimitado, acho que sim. Não sei se isso tem algum significado, acho mesmo que é só poesia bruta.
O que eu gosto é aquele trecho da primeira estrofe - dente, ah, eu tenho de sobra! - e o fim dessa mesma estrofe, que é uma referência rítmica ao poema que eu fiz pro livro do Azem no ginásio (Lua Nova). Aliás,
não faço idéia do que é a última estrofe.
nada vejo
Nada sinto
nada falo
sou um pedaço de corda
môrto, rôto, amordaçado
Calado com ferro ardente
Não tenho boca, mas dente,
dente, ah, eu tenho de sobra
Sou uma loucura indecente
Um desespero fremente
Um nada acorrentado.
Quem irá calar a voz que não consente o tempo,
que se esvai tão vagarosamente...
Nem sempre o canto é uma desforra,
pode ser a hora
pode ser agora
pode ser perfeito mas não tenho nada; ,
Portas fechadas, todas!
Calai as vozes.
Fecho os olhos.
Sou azul por dentro.
Azul porque, se não fosse,
seria qualquer outra coisa.
Cálo-me diante de seu mêdo.
Fecho a janela,
fecho cada fresta,
cada espiadela,
uma cena sinistra,
uma lógica antiética,
antitésica, morfética,
ilógica, sem nexo
sem lexo, sem sexo
Como aliás, todas as coisas
menores.
Morro de sono.
Tua poesia vai
além das minhas saudades...
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Estou me divertindo com esses poemas antigos, escritos com as vozes de baixo do pensamento, as vozes do fundo da cabeça que não estão preocupadas em alinhavar um sentido. Por exemplo, eu não acho que todas as coisas menores sejam morféticas (uau, tirei essa do fundo do baú da tia... hm, qual tia era mesmo?) nem ilógicas, mas podem ser virgens com vocabulário ilimitado, acho que sim. Não sei se isso tem algum significado, acho mesmo que é só poesia bruta.
O que eu gosto é aquele trecho da primeira estrofe - dente, ah, eu tenho de sobra! - e o fim dessa mesma estrofe, que é uma referência rítmica ao poema que eu fiz pro livro do Azem no ginásio (Lua Nova). Aliás,
não faço idéia do que é a última estrofe.
Sem te desfazer [7/4/2005]
Pela estrada
esse caminho longo
que não me diz nada
Os sóis irão se pôr
todos
e ao mesmo tempo
E eu irei aonde fôr
sempre
seguindo o vento
e o vento não vai correr
morrer
não faz mais sentido
E se for para morrer
sofrer
com que objetivo?
E por que então não sofrer?
Sorrir
por que não vencer?
Que gosto tem o prazer?
sentir
Pra quê vens dizer
Que eu tenho gosto de céu
de sol
de mar
sem (cem) ondas pra navegar
seguir
Pra te conquistar?
Pra te alcançar?
Nesse mundo sem rumo
sem mêdo
sem esse mundo
O que você quer
que eu posso te dar
Sem te machucar...
Sem te desfazer?
-------------------------
Eu dei uma limpada nesse poema, pra dar a ele um pouco mais de independência do tempo e das cirscunstâncias em que ele foi escrito. O que tirei foram uns entre-parênteses, dizendo que o vento ora sopra para o norte, ora para o sul e, afinal, por que morrer, se amamos?
A mali-chan que escreveu esse poema estava sentindo que odiava tudo o que a fazia oensar, porque pensar dói, ou talvez porque pensar é se propôr a procurar uma conclusão entre todas as possibilidades antagônicas de sentido que se pode atribuir a uma observação e de escolhas que se pode fazer. Dá pra perceber que é um poema essencialmente sobre a dificuldade de se tomar decisões?
A propósito, alguém mais tem a sensação de que talvez o verso "por que então não sofrer?" tem um sentido oposto ao que parece? Fiquei muito tentada a mudá-lo para "e então, por que não sofrer?" ou "e por que não não sofrer?"... No final não cheguei a uma conclusão a respeito de qual deles era melhor. Acho que é um ponto fraco desse poema, que poderia ser melhorado se eu não achasse ele meio medíocre de qualquer forma.
Eu também coloquei um ou outro acento diferencial porque a falta de tônica estava me incomodando (e, sim, faz diferença).
esse caminho longo
que não me diz nada
Os sóis irão se pôr
todos
e ao mesmo tempo
E eu irei aonde fôr
sempre
seguindo o vento
e o vento não vai correr
morrer
não faz mais sentido
E se for para morrer
sofrer
com que objetivo?
E por que então não sofrer?
Sorrir
por que não vencer?
Que gosto tem o prazer?
sentir
Pra quê vens dizer
Que eu tenho gosto de céu
de sol
de mar
sem (cem) ondas pra navegar
seguir
Pra te conquistar?
Pra te alcançar?
Nesse mundo sem rumo
sem mêdo
sem esse mundo
O que você quer
que eu posso te dar
Sem te machucar...
Sem te desfazer?
-------------------------
Eu dei uma limpada nesse poema, pra dar a ele um pouco mais de independência do tempo e das cirscunstâncias em que ele foi escrito. O que tirei foram uns entre-parênteses, dizendo que o vento ora sopra para o norte, ora para o sul e, afinal, por que morrer, se amamos?
A mali-chan que escreveu esse poema estava sentindo que odiava tudo o que a fazia oensar, porque pensar dói, ou talvez porque pensar é se propôr a procurar uma conclusão entre todas as possibilidades antagônicas de sentido que se pode atribuir a uma observação e de escolhas que se pode fazer. Dá pra perceber que é um poema essencialmente sobre a dificuldade de se tomar decisões?
A propósito, alguém mais tem a sensação de que talvez o verso "por que então não sofrer?" tem um sentido oposto ao que parece? Fiquei muito tentada a mudá-lo para "e então, por que não sofrer?" ou "e por que não não sofrer?"... No final não cheguei a uma conclusão a respeito de qual deles era melhor. Acho que é um ponto fraco desse poema, que poderia ser melhorado se eu não achasse ele meio medíocre de qualquer forma.
Eu também coloquei um ou outro acento diferencial porque a falta de tônica estava me incomodando (e, sim, faz diferença).
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Ser [1/4/2005]
Ser ou não ser?
Não ser um ser
Ser um não ser
Não ser
Entretanto ser um não-ser
É ser
E tudo o que é é um ser.
------------------------
Que divagação mais curiosa. Puta análisa semântica de uma construção que só é possível sintaticamente. Paradoxo derivado de definição completa, incoerente.
Não ser um ser
Ser um não ser
Não ser
Entretanto ser um não-ser
É ser
E tudo o que é é um ser.
------------------------
Que divagação mais curiosa. Puta análisa semântica de uma construção que só é possível sintaticamente. Paradoxo derivado de definição completa, incoerente.
O Amante da Estrela
Seus olhos encontraram uma estrela
na profunda escuridão do infindo céu.
Aquela estrela brilhava intensamente
ofuscando seus olhos cor de mel...
Seus olhos encontraram uma estrela,
e desta estrela tirou forças para lutar,
para se levantar e vencer seus medos,
para se erguer das sombras de tantos segredos
e permitir que a luz a iluminasse...
A estrela longe no céu, a brilhar...
Seus olhos tão profundos, penetrantes,
a estrela tão distante admiraram
e a estrela respondeu com um sorriso terno,
eterno, etéreo, lúcido, insano e escuro.
Olhos brilhantes que a estrela amaram.
Seu corpo vacilou no azul do espaço,
sua mente despertou de um sono longo,
seu coração bateu num baque fraco.
Mas seus olhos não deixaram sua estrela,
mas seus olhos foram fiéis, apenas eles...
Perderam a cor do mel, e um brilho opaco
marcou para sempre seus olhos escuros, perenes.
----------------------------
Que poema bizarro. Não tinha nenhuma lembrança dele e o li como se nem fosse meu. acho que eu era muito pouco rigorosa com a pontuação nessa época, e hoje isso me incomoda absurdos!
na profunda escuridão do infindo céu.
Aquela estrela brilhava intensamente
ofuscando seus olhos cor de mel...
Seus olhos encontraram uma estrela,
e desta estrela tirou forças para lutar,
para se levantar e vencer seus medos,
para se erguer das sombras de tantos segredos
e permitir que a luz a iluminasse...
A estrela longe no céu, a brilhar...
Seus olhos tão profundos, penetrantes,
a estrela tão distante admiraram
e a estrela respondeu com um sorriso terno,
eterno, etéreo, lúcido, insano e escuro.
Olhos brilhantes que a estrela amaram.
Seu corpo vacilou no azul do espaço,
sua mente despertou de um sono longo,
seu coração bateu num baque fraco.
Mas seus olhos não deixaram sua estrela,
mas seus olhos foram fiéis, apenas eles...
Perderam a cor do mel, e um brilho opaco
marcou para sempre seus olhos escuros, perenes.
----------------------------
Que poema bizarro. Não tinha nenhuma lembrança dele e o li como se nem fosse meu. acho que eu era muito pouco rigorosa com a pontuação nessa época, e hoje isso me incomoda absurdos!
Changing [17/9/2008]
Sabe, resolvi olhar uma coisa no meu flog e fiquei impressionada com como tem umas coisas legais l[a. E como a galera respondia, mesmo quando as coisas eram uns desabafos náo táo legais! Al[em do mais boa parte do que eu li foi de uma fase bem interessante da minha vida. Bom, náo resisto {a tenta;áo de publicar aqui um poema tirado de l[a1
-------------------------------------
I used to be something different,
something made of something else;
My feelings were dealt with differently,
perhaps exquisitly felt;
My dreams developed strangely;
my loves would bizarely melt.
Did anyone rearrange me?
Or did I reshape myself?
I once had a different accent,
wore different clothes and hairs;
And different friends presented me
unique unusual dares;
I had other inspirations,
I performed a different act.
What is it with transformations?
How can I deal with this fact?
This former me, was it good or bad?
This former me, was it joyful or sad?
This present me, is it wise enough
to pay respect to what's buried beneath?
This former me, is it gone for good?
This former me, would it live if it could?
This present me, is it strong enough
to carry the legacy trusted to it?
-------------------------------------
I used to be something different,
something made of something else;
My feelings were dealt with differently,
perhaps exquisitly felt;
My dreams developed strangely;
my loves would bizarely melt.
Did anyone rearrange me?
Or did I reshape myself?
I once had a different accent,
wore different clothes and hairs;
And different friends presented me
unique unusual dares;
I had other inspirations,
I performed a different act.
What is it with transformations?
How can I deal with this fact?
This former me, was it good or bad?
This former me, was it joyful or sad?
This present me, is it wise enough
to pay respect to what's buried beneath?
This former me, is it gone for good?
This former me, would it live if it could?
This present me, is it strong enough
to carry the legacy trusted to it?
A mesma hist[oria? [7/4/2005]
Parado.
Os olhos correndo
param
perdem correm voltam
param.
As mão abertas se fecham
as fechadas se abrem
suam
tremem tremem tremem
brincam no ar
o tempo parado corre
passa sem passar
o tempo não existe mais
o tempo, o tempo a mesma história?
o mesmo tempo
o para sempre
o todos nós.
Se somos tão absolutamente iguais
por que é então que havemos de ser diferentes?
Se estamos todos no mesmo barco,
nadamos contra a corrente,
e aí?
Somos todos diferentes.
E nós
em nós
a agonia de ser diferente
igual
a agonia
os passos imóveis
os gritos calados
se somos diferentes, por que é então que buscamos sempre a mesma coisa?
A mesma regra?
A mesma vida?
Se somos diferentes, por que então sofremos igualmente
essa impotência
essa desimportância
essa ignorância
da vida
o que é impossível?
Os olhos correndo
param
perdem correm voltam
param.
As mão abertas se fecham
as fechadas se abrem
suam
tremem tremem tremem
brincam no ar
o tempo parado corre
passa sem passar
o tempo não existe mais
o tempo, o tempo a mesma história?
o mesmo tempo
o para sempre
o todos nós.
Se somos tão absolutamente iguais
por que é então que havemos de ser diferentes?
Se estamos todos no mesmo barco,
nadamos contra a corrente,
e aí?
Somos todos diferentes.
E nós
em nós
a agonia de ser diferente
igual
a agonia
os passos imóveis
os gritos calados
se somos diferentes, por que é então que buscamos sempre a mesma coisa?
A mesma regra?
A mesma vida?
Se somos diferentes, por que então sofremos igualmente
essa impotência
essa desimportância
essa ignorância
da vida
o que é impossível?
Se n'ao fosse errado [24/7/2004 - 2008 - hoje]
Se não fosse errado, eu bateria palmas,
cantaria os salmos, eu proclamaria
todos os poemas dos quais eu lembrasse.
Se não fosse errado, eu gargalharia,
me contorceria, cairia no chão
rolando da cama de tanta alegria.
Se não fosse errado, eu sairia correndo,
eu subiria as ruas, eu te alcançaria
eu descobriria a cor da tua casa
e a invadiria, e a saquearia,
te faria esp[olio, eu te levaria
a tornar-te meu, eu te aliciaria
a cometer loucurar sem explica;'ao
se não fosse errado, ou talvez mesmo sendo.
Se não fosse errado, eu dançaria livre,
eu andaria nua, dançando nas poças
d’água fria e suja, as alegrias nossas
seriam eternas, seria uma baderna
eternamente lírica e sem discussão,
se não fosse errado, como as coisas são.
-----------------------------------------
Este poema (do qual eu escolhi mostrar uma vers'ao mais recente) est[a guardado aqui com uma frase, com a qual n'ao sei bem como ele se relaciona:
"É a última palavra que eu digo e, entretanto, é o começo de tudo. Não tenho medo de você. Tenho um desejo, um desejo profundo. Só isso."
Gosto bastante dele. Meu verso favorito [e "se n'ao fosse errado, ou talvez mesmo sendo". Acho que d[a um f"olego de possibilidade, e gosto que isso aconte;a no meio, n'ao no fim, que [e uma conclus'ao sem liberdade.
cantaria os salmos, eu proclamaria
todos os poemas dos quais eu lembrasse.
Se não fosse errado, eu gargalharia,
me contorceria, cairia no chão
rolando da cama de tanta alegria.
Se não fosse errado, eu sairia correndo,
eu subiria as ruas, eu te alcançaria
eu descobriria a cor da tua casa
e a invadiria, e a saquearia,
te faria esp[olio, eu te levaria
a tornar-te meu, eu te aliciaria
a cometer loucurar sem explica;'ao
se não fosse errado, ou talvez mesmo sendo.
Se não fosse errado, eu dançaria livre,
eu andaria nua, dançando nas poças
d’água fria e suja, as alegrias nossas
seriam eternas, seria uma baderna
eternamente lírica e sem discussão,
se não fosse errado, como as coisas são.
-----------------------------------------
Este poema (do qual eu escolhi mostrar uma vers'ao mais recente) est[a guardado aqui com uma frase, com a qual n'ao sei bem como ele se relaciona:
"É a última palavra que eu digo e, entretanto, é o começo de tudo. Não tenho medo de você. Tenho um desejo, um desejo profundo. Só isso."
Gosto bastante dele. Meu verso favorito [e "se n'ao fosse errado, ou talvez mesmo sendo". Acho que d[a um f"olego de possibilidade, e gosto que isso aconte;a no meio, n'ao no fim, que [e uma conclus'ao sem liberdade.
O Sol [fev.2004]
O sol.
Quem me compra um jardim com flores
Se o sol não lhe chega perto?
As paredes com várias cores
pintadas com a própria vida
se algo falhar, decerto
o sol não desalumia?
E se apaga o calor do dia?
Hoje eu fui à fossa
Tirei dum canto um pau-de-chuva
que eu nunca vi o sol morrer na seca
Eu vi o sol raiar e oa passarinhos cantarem
A janela estava trancada,
a lousa vazia.
Os olhos todos vazios.
Hoje ouvi o horros cantar e as almas chorarem
E os sonhos todos morrerem.
Que bom que os espíritos falam
se o coração cála.
Quem me compra um jardim com flores
Se o sol não lhe chega perto?
As paredes com várias cores
pintadas com a própria vida
se algo falhar, decerto
o sol não desalumia?
E se apaga o calor do dia?
Hoje eu fui à fossa
Tirei dum canto um pau-de-chuva
que eu nunca vi o sol morrer na seca
Eu vi o sol raiar e oa passarinhos cantarem
A janela estava trancada,
a lousa vazia.
Os olhos todos vazios.
Hoje ouvi o horros cantar e as almas chorarem
E os sonhos todos morrerem.
Que bom que os espíritos falam
se o coração cála.
Sozinho [9/3/2005]
Estou só
Inteiramente só
Precisamente só, neste poema silente
neste poente.
A fome, a dor, a pena
não encontram
procuram
a perdição oculta em minhas pequenas mãos
a árvore
a folha
a pedra fria e a minha solidão
Não incomodam
como a dor e a fome
machucam.
o céu azul não adivinha
a grama nascendo
sob meus olhos
o fluxo do sangue
paixão eterna juvenil
meteoritos, explosões de plasma, líbelulas voando infinitamente rápidas e volúveis em sua discrição perene,
uma gota
d'água.
---
Ah, esse é um dos poemas de que eu gosto de verdade! Fiquei muito feliz com a progressão rítmica dele. Além disso, as imagens são muito minhas.
Inteiramente só
Precisamente só, neste poema silente
neste poente.
A fome, a dor, a pena
não encontram
procuram
a perdição oculta em minhas pequenas mãos
a árvore
a folha
a pedra fria e a minha solidão
Não incomodam
como a dor e a fome
machucam.
o céu azul não adivinha
a grama nascendo
sob meus olhos
o fluxo do sangue
paixão eterna juvenil
meteoritos, explosões de plasma, líbelulas voando infinitamente rápidas e volúveis em sua discrição perene,
uma gota
d'água.
---
Ah, esse é um dos poemas de que eu gosto de verdade! Fiquei muito feliz com a progressão rítmica dele. Além disso, as imagens são muito minhas.
domingo, 21 de novembro de 2010
Solitude Sons (anos 2000)
They say god told us...
The world was ours....
The dream was over...
'Cause now is real...
It's our own force.
There's no desire...
And all is done.
I feel aside, despite
I never won...
No reality...
No will, no love...
It's all for none; they're gone
Who really won...
Is there someone…?
It is so wrong…
Are we alone, so long?
Solitude sons…
---
Fico até meio triste com esse poema. Acho que ainda sinto uma certa agonia quando alguém comemora uma vitória mas... eu não venci nada...
The world was ours....
The dream was over...
'Cause now is real...
It's our own force.
There's no desire...
And all is done.
I feel aside, despite
I never won...
No reality...
No will, no love...
It's all for none; they're gone
Who really won...
Is there someone…?
It is so wrong…
Are we alone, so long?
Solitude sons…
---
Fico até meio triste com esse poema. Acho que ainda sinto uma certa agonia quando alguém comemora uma vitória mas... eu não venci nada...
Sombras [11/7/03]
Sombras
São nada menos que luzes
Que morreram
E por morrerem escondem-se
Nas sombras.
Que mito sombrio se oculta
Nos cantos incertos da luz morta?
Que louco ousaria buscar
Nas incertezas do manto
Da luz vestido ao avesso
Um algo qualquer
Pelo qual valeria a pena morrer de corpo e de alma
---
Sombras são nada menos que luzes que morreram - oh yeah.
São nada menos que luzes
Que morreram
E por morrerem escondem-se
Nas sombras.
Que mito sombrio se oculta
Nos cantos incertos da luz morta?
Que louco ousaria buscar
Nas incertezas do manto
Da luz vestido ao avesso
Um algo qualquer
Pelo qual valeria a pena morrer de corpo e de alma
---
Sombras são nada menos que luzes que morreram - oh yeah.
Sonhos (28/02/1999)
Cada sono tem seu sonho
Que se sonham toda hora
Em cada sonho que se sonha
Baseia-se uma nova história
Eu nasci e eu cresci.
Cresci no mundo das nuvens e voei para o mundo dos sonhos.
E toda noite eu vou para o mundo dos sonhos.
Um lugar onde tudo é real e não existe impossível.
Onde você vê o invisível
Onde você ouve o inalditível
Onde você sente o insensível
Onde tudo pode ser possível
E se você deseja o indesejável
Ou você toca o intocável
Se o mundo dos sonhos me ensinou?
O inimaginável me mostrou
Quando o mundo dos sonhos posso ver
Vejo algo que não posso descrever
Se nesse mundo existe ódio, tristeza e dor
Também pode haver felicidade e amor.
-------
Eu declamei esse poeminha para todos os pais e alunos do primário do Santa uma vez. A razão disso é mais queeu tinha escrito muitos poucos poemas do que qualquer outra. Mas acho que também eu precisava mostrar para todos a minha defesa ao mundo dos sonhos. Sabe, quando eu era pequena (há não tanto tempo assim) meu sonhar acordado era muito reprimido e discriminado. Os garotos da escola me achavam esquisita e meus pais estavam sempre me chamando de louca (mas pelo menos minha mãe não se importa em pagar a conta do psicólogo...). Então eu acho que esse poema tinha um certo valor de manifesto. Aliás acho que tudo o que eu faço é um pouco manifestoso. Nessa época todos os meus poemas estavam atestando veementemente alguma coisa - o valor dos sonhos, meu valor como contadora de histórias, a importância da natureza, a crueldade das queimadas, etc.
Que se sonham toda hora
Em cada sonho que se sonha
Baseia-se uma nova história
Eu nasci e eu cresci.
Cresci no mundo das nuvens e voei para o mundo dos sonhos.
E toda noite eu vou para o mundo dos sonhos.
Um lugar onde tudo é real e não existe impossível.
Onde você vê o invisível
Onde você ouve o inalditível
Onde você sente o insensível
Onde tudo pode ser possível
E se você deseja o indesejável
Ou você toca o intocável
Se o mundo dos sonhos me ensinou?
O inimaginável me mostrou
Quando o mundo dos sonhos posso ver
Vejo algo que não posso descrever
Se nesse mundo existe ódio, tristeza e dor
Também pode haver felicidade e amor.
-------
Eu declamei esse poeminha para todos os pais e alunos do primário do Santa uma vez. A razão disso é mais queeu tinha escrito muitos poucos poemas do que qualquer outra. Mas acho que também eu precisava mostrar para todos a minha defesa ao mundo dos sonhos. Sabe, quando eu era pequena (há não tanto tempo assim) meu sonhar acordado era muito reprimido e discriminado. Os garotos da escola me achavam esquisita e meus pais estavam sempre me chamando de louca (mas pelo menos minha mãe não se importa em pagar a conta do psicólogo...). Então eu acho que esse poema tinha um certo valor de manifesto. Aliás acho que tudo o que eu faço é um pouco manifestoso. Nessa época todos os meus poemas estavam atestando veementemente alguma coisa - o valor dos sonhos, meu valor como contadora de histórias, a importância da natureza, a crueldade das queimadas, etc.
Son of Youth
Son of youth
What is there to fear
Sing a song
Make the frightening hear
Make the evil go
Tell him "I am here
And I do not fear you"
Son of youth...
Dream a light
Make your dreams come true
In your eyes
In your soul too
If the nightmare comes
Will it frighten you?
You're not alone in the dark, dear
Son of youth!
(Run not!)
Listen to your own heart, dear
Son of youth...
Stand your ground
Nightmare's just a dream
If you lose this hound
Next time you'll surely win
There is no other way...
Why don't you simply sing?
Sing for there's nobody stronger than
A son of youth...
Son of youth
Is what you fear true?
This's your world
Here you make the rules
Here there're no evil beings
Nobody can fight you
You turn nightmares into dreams, here
Son of youth!
(Run not!)
You make the rules of the ring, here
Son of youth...
Son of youth
You should fright your fears
In the song
They will surely hear
When the evil know
---
Outro incompleto. Eu escrevi isso essencialmente pra dizer que a pessoa que sonha sempre pode usar seus poderes para transformar pesadelos em sonhos bons.
What is there to fear
Sing a song
Make the frightening hear
Make the evil go
Tell him "I am here
And I do not fear you"
Son of youth...
Dream a light
Make your dreams come true
In your eyes
In your soul too
If the nightmare comes
Will it frighten you?
You're not alone in the dark, dear
Son of youth!
(Run not!)
Listen to your own heart, dear
Son of youth...
Stand your ground
Nightmare's just a dream
If you lose this hound
Next time you'll surely win
There is no other way...
Why don't you simply sing?
Sing for there's nobody stronger than
A son of youth...
Son of youth
Is what you fear true?
This's your world
Here you make the rules
Here there're no evil beings
Nobody can fight you
You turn nightmares into dreams, here
Son of youth!
(Run not!)
You make the rules of the ring, here
Son of youth...
Son of youth
You should fright your fears
In the song
They will surely hear
When the evil know
---
Outro incompleto. Eu escrevi isso essencialmente pra dizer que a pessoa que sonha sempre pode usar seus poderes para transformar pesadelos em sonhos bons.
sábado, 20 de novembro de 2010
Patadas Tapadas
Entre patadas tapadas
e muitas risadas
e muita desilusão
Passos alucinados
e sapos guardados
no fundo de velho caixão
Como, como, como, como dizer... não?
Como, como, como, como dizer...
Que tudo foi em vão?
Tapas de patas marcadas
de garras e dentes
e presas, latentes
de sabres luzentes
de firme marfim
[20/8/02]
---
canção obviamente incompleta.
e muitas risadas
e muita desilusão
Passos alucinados
e sapos guardados
no fundo de velho caixão
Como, como, como, como dizer... não?
Como, como, como, como dizer...
Que tudo foi em vão?
Tapas de patas marcadas
de garras e dentes
e presas, latentes
de sabres luzentes
de firme marfim
[20/8/02]
---
canção obviamente incompleta.
O Sinal da Primavera (jun-jul/99)
Se o jardim florescer
Posso te prometer,
Neste azul tão profundo,
Quero ver o sol nascer!
E se o céu clarear,
Ou se o dia raiar,
E se o tempo esquentar,
Eu quero agradecer.
O sol está brilhando,
Primavera chegando,
Mas tem o mês de julho
para ela chegar.
O azul mais profundo,
Forte claro e bonito
Que em todo este mundo!
De alegre dou um grito!
Mas é frio no outro dia!
É um fio de esperança
Que o mundo nos manda,
A manhã de alegria.
Nem céu
---
ok, essa canção veio pra provar que eu já gostava muito de sol com 11 anos de idade
Posso te prometer,
Neste azul tão profundo,
Quero ver o sol nascer!
E se o céu clarear,
Ou se o dia raiar,
E se o tempo esquentar,
Eu quero agradecer.
O sol está brilhando,
Primavera chegando,
Mas tem o mês de julho
para ela chegar.
O azul mais profundo,
Forte claro e bonito
Que em todo este mundo!
De alegre dou um grito!
Mas é frio no outro dia!
É um fio de esperança
Que o mundo nos manda,
A manhã de alegria.
Nem céu
---
ok, essa canção veio pra provar que eu já gostava muito de sol com 11 anos de idade
Templo [set/2004]
Eu ergui um templo pra você.
Para aquela sua lágrima salgada
Para aquela sua vida ali roubada
Como eu espero sempre que não seja.
---
Eu desenhei um templo em volta da lágrima do Yuri, é verdade (você lembra?). Acho que quando eu cheguei no terceiro verso eu me dei conta de que "vida roubada" é uma referência a morte. Que vergonha!
Para aquela sua lágrima salgada
Para aquela sua vida ali roubada
Como eu espero sempre que não seja.
---
Eu desenhei um templo em volta da lágrima do Yuri, é verdade (você lembra?). Acho que quando eu cheguei no terceiro verso eu me dei conta de que "vida roubada" é uma referência a morte. Que vergonha!
Tempo (fev/2001 - agenda)
Tempo, tempo, infinito,
Tempo, tão bonito,
Tempo assim de ser.
Tempo, tempo, chuva, vento,
Vem-me o pensamento,
É tempo, de viver! (vencer)
Tempo, tempo, verde, lindo,
Tempo, resumindo,
Tempo de cantar.
Tempo, tempo, tenebroso,
Tempo, furioso,
É tempo, de lutar! (sonhar)
----
Nossa, eu lembro muito nitidamente (guardadas as proporções) de cantar/escrever essa canção. Eu curto o verso ", tempo, resumindo". Acho divertido. As frase entre parênteses são para serem cantadas na segunda vez.
Tempo, tão bonito,
Tempo assim de ser.
Tempo, tempo, chuva, vento,
Vem-me o pensamento,
É tempo, de viver! (vencer)
Tempo, tempo, verde, lindo,
Tempo, resumindo,
Tempo de cantar.
Tempo, tempo, tenebroso,
Tempo, furioso,
É tempo, de lutar! (sonhar)
----
Nossa, eu lembro muito nitidamente (guardadas as proporções) de cantar/escrever essa canção. Eu curto o verso ", tempo, resumindo". Acho divertido. As frase entre parênteses são para serem cantadas na segunda vez.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Apaixonada [15/9/2004]
Eu me ofereço, nua, a quem me fira.
Dou a cara pra bater, e aí encontro
quem no meu peito quente a faca insira
Rompendo o sangue a carne a própria vida.
Um olhar verde que me olha - e mata
E dou-te meu sangue, minhas lágrimas
E tudo o mais que em mim seja qual água
Toda a minha beleza e minha mágoa
Por este corpo escorre, sem tocar-te
Para não macular tua pureza
E esquecer as lágrimas que são tuas
É como estar num mundo de almas nuas
Nesse olhar verde vejo tua incerteza
Mas quem és tu? Que insiste nesse verde?
Sou eu apenas parte do teu mundo
E tu és mais que um terço do meu peito
Somente em teu olhar eu me deleito
E perco-me por esse amor sem fundo
---
Esse negócio de paixão adolescente é complicado. No meu arquivo este poema está identificado como "tua". Apaixonar-se é um pouco passar a acreditar que o amor de uma pessoa é razão de viver. Não é, na verdade. Nem naquela época era, eu acho, acho que eu só queria muito me entregar a essa paixão. Um ano depois eu já me afligia com a possibilidade de nunca me desapaixonar! Que situação ridícula. Acho que podiam fazer um filme sobre o meu colegial, que incrível é pensar que talvez muita gente tenha trechos da vida que dariam filmes! Mas... não sei, talvez ainda reste um pouco desse sentimento meio ingênuo em mim, debaixo da pele de lobo. Talvez. É difícil dizer porque eu sofro muito menos, ao muitos menos passivamente, hoje em dia.
Dou a cara pra bater, e aí encontro
quem no meu peito quente a faca insira
Rompendo o sangue a carne a própria vida.
Um olhar verde que me olha - e mata
E dou-te meu sangue, minhas lágrimas
E tudo o mais que em mim seja qual água
Toda a minha beleza e minha mágoa
Por este corpo escorre, sem tocar-te
Para não macular tua pureza
E esquecer as lágrimas que são tuas
É como estar num mundo de almas nuas
Nesse olhar verde vejo tua incerteza
Mas quem és tu? Que insiste nesse verde?
Sou eu apenas parte do teu mundo
E tu és mais que um terço do meu peito
Somente em teu olhar eu me deleito
E perco-me por esse amor sem fundo
---
Esse negócio de paixão adolescente é complicado. No meu arquivo este poema está identificado como "tua". Apaixonar-se é um pouco passar a acreditar que o amor de uma pessoa é razão de viver. Não é, na verdade. Nem naquela época era, eu acho, acho que eu só queria muito me entregar a essa paixão. Um ano depois eu já me afligia com a possibilidade de nunca me desapaixonar! Que situação ridícula. Acho que podiam fazer um filme sobre o meu colegial, que incrível é pensar que talvez muita gente tenha trechos da vida que dariam filmes! Mas... não sei, talvez ainda reste um pouco desse sentimento meio ingênuo em mim, debaixo da pele de lobo. Talvez. É difícil dizer porque eu sofro muito menos, ao muitos menos passivamente, hoje em dia.
Mais um sobre a passagem do tempo [16/7/2004]
Tudo pára.
Tudo córre.
Tudo sófre,
Tudo cála.
Tudo ampára,
Tudo morre.
Sempre pára.
Rareia, corróe, dara.
Qualquer coisa que se sonhara.
---
Acho que este é um poema otimista. Se pá em 2004 eu achava bom que tudo fosse efêmero. Hoje eu não escreveria isto, nem o Vai e Volta. A passagem do tempo me incomoda, tanto quanto a estagnação. Talvez eu esteja me sentindo velha, achando que como meus planos vão não vai dar tempo de fazer o que eu quero. Um dia ainda vou fugir dessas concepções.
Tudo córre.
Tudo sófre,
Tudo cála.
Tudo ampára,
Tudo morre.
Sempre pára.
Rareia, corróe, dara.
Qualquer coisa que se sonhara.
---
Acho que este é um poema otimista. Se pá em 2004 eu achava bom que tudo fosse efêmero. Hoje eu não escreveria isto, nem o Vai e Volta. A passagem do tempo me incomoda, tanto quanto a estagnação. Talvez eu esteja me sentindo velha, achando que como meus planos vão não vai dar tempo de fazer o que eu quero. Um dia ainda vou fugir dessas concepções.
E a chuva [25/9/2005]
Uma coisa qualquer que me move além das estrelas
me carrega para além do mundo e do seu olhar
Não vejo nada, mas sei que se pudesse vê-lo
eu não o amaria menos, nem mais, do que sei amar
Uma coisa qualquer me carrega, me tira do mundo
eu apenas escorrego nestas gotas de luar
Se é lembrança, saudade, presença, distanciamento
não temo nada, nem devo - hei de andar e andar
Uma coisa qualquer me consome, muda meu intento
eu não falo nada, eu deixo ela vir me levar
são nuvens e estrelas, dragões e sereias, e a chuva
lá fora tão doce, no escuro, ela cai sem parar
----
Eu gosto de poemas que falam por si mesmos. Este foi publicado aqui?
me carrega para além do mundo e do seu olhar
Não vejo nada, mas sei que se pudesse vê-lo
eu não o amaria menos, nem mais, do que sei amar
Uma coisa qualquer me carrega, me tira do mundo
eu apenas escorrego nestas gotas de luar
Se é lembrança, saudade, presença, distanciamento
não temo nada, nem devo - hei de andar e andar
Uma coisa qualquer me consome, muda meu intento
eu não falo nada, eu deixo ela vir me levar
são nuvens e estrelas, dragões e sereias, e a chuva
lá fora tão doce, no escuro, ela cai sem parar
----
Eu gosto de poemas que falam por si mesmos. Este foi publicado aqui?
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Unânime Erro [3/6/2004]
As portas se fecham
Segredos se lacram
Verdades se sacram
Um coração flecham
O sangue que escorre
manchando o chão frio
percorre um vazio
no peito que morre
Os livros já falam
de tempos felizes
e gritos terríveis
no peito se calam
As vozes se unem
unânime erro
marcado com ferro
nas vidas que ruem.
Segredos se lacram
Verdades se sacram
Um coração flecham
O sangue que escorre
manchando o chão frio
percorre um vazio
no peito que morre
Os livros já falam
de tempos felizes
e gritos terríveis
no peito se calam
As vozes se unem
unânime erro
marcado com ferro
nas vidas que ruem.
Mais um [26/11/2005]
1 2 3
um, dois, três
um dois três
um
dois
três
1. 2. 3.
--------------
Esse poema é infernal de diagramar corretamente ¬¬
Acho que a idéia básica é estudar o ritmo.
um, dois, três
um dois três
um
dois
três
1. 2. 3.
--------------
Esse poema é infernal de diagramar corretamente ¬¬
Acho que a idéia básica é estudar o ritmo.
Ser [1/4/2005]
Ser ou não ser?
Não ser um ser
Ser um não ser
Não ser
Entretanto ser um não ser
É ser
E tudo o que é é um ser.
---------------
Mais um poema construtivista. Super não me identifico com a pessoa que escreveu essa coisa, embora eu saiba como deve ter sido importante pra minha formação. Já passei dessa fase.
Não ser um ser
Ser um não ser
Não ser
Entretanto ser um não ser
É ser
E tudo o que é é um ser.
---------------
Mais um poema construtivista. Super não me identifico com a pessoa que escreveu essa coisa, embora eu saiba como deve ter sido importante pra minha formação. Já passei dessa fase.
Unfair [29/8/2006]
This is so unfair
You just standing there
Asking me to tell you you could have done it better
And blaming yourself
This is so unfair
You waiting for me
And expecting me to say how my life now is better
When I'm lost in Hell
Babe haven't you noticed I am unreachble?
Babe, I'm way out of reach when I'm in my Hell...
[29/8/2006 - qquercoisa - urso de pelúcia]
------
Sem comentários pra esse. É um fragmento.
You just standing there
Asking me to tell you you could have done it better
And blaming yourself
This is so unfair
You waiting for me
And expecting me to say how my life now is better
When I'm lost in Hell
Babe haven't you noticed I am unreachble?
Babe, I'm way out of reach when I'm in my Hell...
[29/8/2006 - qquercoisa - urso de pelúcia]
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Sem comentários pra esse. É um fragmento.
Poemas
Estou meio frustrada de não ter conseguido publicar nos últimos dias. Achei que ia render mais. Agora estou escrevendo do trabalho porque tem pouquíssimo trabalho para fazer.
Ontem tentei escrever um poema e não deu muito certo. Mas vou continuar tentando.
Outra coisa que me ocorreu ontem: os gráficos de Avatar já estão começando a me parecer velhos e toscos. Talvez ele só funcione em 3D.
Ontem tentei escrever um poema e não deu muito certo. Mas vou continuar tentando.
Outra coisa que me ocorreu ontem: os gráficos de Avatar já estão começando a me parecer velhos e toscos. Talvez ele só funcione em 3D.
Uns pés [12/8/2005]
Uns pés na estrada
Uns meninos
Umas folhas ao vento
Uma floresta
Um veleiro no lago - vários destinos
Numa caverna escura, uma fresta
para uma nesga de luz.
Tocam o chão as folhas
e através do tempo
A mão que me conduz
que transcende o momento
persiste em movimento
perde o meu rumo - e o seu.
Perdidos em nós mesmos
nós procuramos
Confiando em nossos pés
nos arrumamos
Se nós lutamos pelo mundo inteiro
nosso norte é o céu.
-------
Esse poema na verdade foi composto para abrir um livro do Krystalian do Charles. Acho que o Charles tem uma relação com seus livros que é meio parecida com a que eu tenho com os meus. Ou tinha. Ou tínhamos, não sei. Tive que mudar a diagramação porque o blogger não entende indentação e eu não sei como resolver isso. Acho que perde muito, mas fazer o quê. (se pá eu devia postar uma imagem com o poema?)
Eu gosto bastante deste poema, mas acho que ele deve fazer mais sentido combinado com o livro, do qual lembro muito pouco. No mais, vocês que me expliquem.
Uns meninos
Umas folhas ao vento
Uma floresta
Um veleiro no lago - vários destinos
Numa caverna escura, uma fresta
para uma nesga de luz.
Tocam o chão as folhas
e através do tempo
A mão que me conduz
que transcende o momento
persiste em movimento
perde o meu rumo - e o seu.
Perdidos em nós mesmos
nós procuramos
Confiando em nossos pés
nos arrumamos
Se nós lutamos pelo mundo inteiro
nosso norte é o céu.
-------
Esse poema na verdade foi composto para abrir um livro do Krystalian do Charles. Acho que o Charles tem uma relação com seus livros que é meio parecida com a que eu tenho com os meus. Ou tinha. Ou tínhamos, não sei. Tive que mudar a diagramação porque o blogger não entende indentação e eu não sei como resolver isso. Acho que perde muito, mas fazer o quê. (se pá eu devia postar uma imagem com o poema?)
Eu gosto bastante deste poema, mas acho que ele deve fazer mais sentido combinado com o livro, do qual lembro muito pouco. No mais, vocês que me expliquem.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Ciclo [dez/2002]
Vai e Volta.
(não pára, não fica)
Vai e Volta.
(a noite, o dia)
Vai e Volta.
(a água, o carbono)
Vai e Volta.
(a fome, o sono)
Vai e Volta.
(o sangue, as lágrimas)
Vai e Volta.
(ainda bem)
---
Isso deve ser da época em que eu ficava à toa à tarde no colégio e pra passar o tempo escrevia poesia nuns arquivos de texto no CEI (eu adorava ter esse tempo livre, e acho que minha escrita se beneficiou muito disso). Meio curioso, bem impessoal esse poema, fora a referência a sangue e lágrimas, díade que foi uma obsessão pessoal na época do ginásio.
(não pára, não fica)
Vai e Volta.
(a noite, o dia)
Vai e Volta.
(a água, o carbono)
Vai e Volta.
(a fome, o sono)
Vai e Volta.
(o sangue, as lágrimas)
Vai e Volta.
(ainda bem)
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Isso deve ser da época em que eu ficava à toa à tarde no colégio e pra passar o tempo escrevia poesia nuns arquivos de texto no CEI (eu adorava ter esse tempo livre, e acho que minha escrita se beneficiou muito disso). Meio curioso, bem impessoal esse poema, fora a referência a sangue e lágrimas, díade que foi uma obsessão pessoal na época do ginásio.
Putz
Alguma hora eu tenho que te pedir desculpas também.
É, eu sei, você nunca me pediu desculpas, mas é justamente por isso que eu preciso me desculpar. Se você tivesse pedido, se você tivesse entendido estaria tudo bem, mas você provavelmente nem sabe do que eu estou falando. É isso, você me amou tanto, você se abriu pra mim, você chorou no meu colo e eu não entendi. Você achava que tudo estava bem de novo e eu, bem, eu, eu tive tanta raiva de você por isso, mas que raiva eu tenho direito de ter, que raiva eu tenho que guardar agora, agora que eu posso olhar pra trás, tentando, tentando. Você confiou em mim, e eu muito tempo antes deixei de confiar em você. Você me contou quando não queria mais me ver, quando não sabia mais se gostava de estar comigo; eu... tentei contar. Tentei contar? E tão cedo assumi que você nunca me ouviria. E tão cedo concluí que a única solução era me afastar de você, apesar de toda a dor que sabia que isso nos traria. Putz. E era verdade, até, a gente passou do prazo, não tinha mais muito jeito, mas podia ter sido melhor, podia ter sido melhor. Eu podia ter tentado falar com você, falar a verdade, toda ela, até as partes ruins. E agora, meu, tem tanta coisa entre nós tão, tão.
Passou muito tempo, sabe; durante todo esse tempo eu culpei você. Por tudo. De uma forma injusta até. Agora, relendo cartas antigas, acho que eu entendo. Eu entendo. Não foi só você que não me entendeu: eu também não me deixei entender.
Putz; se a gente tivesse conversado, quem sabe a gente tivesse continuado amigos! Quem sabe tudo tivesse dado muito mais certo. Acho que eu me sinto mal por isso agora. Desculpa.
É, eu sei, você nunca me pediu desculpas, mas é justamente por isso que eu preciso me desculpar. Se você tivesse pedido, se você tivesse entendido estaria tudo bem, mas você provavelmente nem sabe do que eu estou falando. É isso, você me amou tanto, você se abriu pra mim, você chorou no meu colo e eu não entendi. Você achava que tudo estava bem de novo e eu, bem, eu, eu tive tanta raiva de você por isso, mas que raiva eu tenho direito de ter, que raiva eu tenho que guardar agora, agora que eu posso olhar pra trás, tentando, tentando. Você confiou em mim, e eu muito tempo antes deixei de confiar em você. Você me contou quando não queria mais me ver, quando não sabia mais se gostava de estar comigo; eu... tentei contar. Tentei contar? E tão cedo assumi que você nunca me ouviria. E tão cedo concluí que a única solução era me afastar de você, apesar de toda a dor que sabia que isso nos traria. Putz. E era verdade, até, a gente passou do prazo, não tinha mais muito jeito, mas podia ter sido melhor, podia ter sido melhor. Eu podia ter tentado falar com você, falar a verdade, toda ela, até as partes ruins. E agora, meu, tem tanta coisa entre nós tão, tão.
Passou muito tempo, sabe; durante todo esse tempo eu culpei você. Por tudo. De uma forma injusta até. Agora, relendo cartas antigas, acho que eu entendo. Eu entendo. Não foi só você que não me entendeu: eu também não me deixei entender.
Putz; se a gente tivesse conversado, quem sabe a gente tivesse continuado amigos! Quem sabe tudo tivesse dado muito mais certo. Acho que eu me sinto mal por isso agora. Desculpa.
Venha ver o pôr do sol [5/5/2005]
Venha ver o pôr do sol, meu amor,
calar a voz dos tempos esquecidos.
E unir num laço atemporal, sem calor,
nossos corações amortecidos.
Vem com passos ternos, meu amor,
irei te conduzindo com ternura
que esse seu castelo é minha dor
e esse amor é nossa sepultura.
---
Esse poema é inspirado num conto no qual o ex-namorado ciumento leva a garota pra ver uma cripta e no final a prende lá dentro. O conto chama Venha Ver o Pôr do Sol, não me lembro o autor, mas posso encontrar mais tarde. Acho que preciso procurar o texto inspirador pra mostrar qual a relação que se estabelece entre os dois. Quem fez Santa talvez se lembre.
calar a voz dos tempos esquecidos.
E unir num laço atemporal, sem calor,
nossos corações amortecidos.
Vem com passos ternos, meu amor,
irei te conduzindo com ternura
que esse seu castelo é minha dor
e esse amor é nossa sepultura.
---
Esse poema é inspirado num conto no qual o ex-namorado ciumento leva a garota pra ver uma cripta e no final a prende lá dentro. O conto chama Venha Ver o Pôr do Sol, não me lembro o autor, mas posso encontrar mais tarde. Acho que preciso procurar o texto inspirador pra mostrar qual a relação que se estabelece entre os dois. Quem fez Santa talvez se lembre.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Você [13/1/2008]
Você
Me pergunta às vezes onde tenho me escondido
Você me oferece abrigo
Você me propõe dizer...
Ai, eu não digo a pergunta com que tem me agredido
Você ainda é meu amigo
Mas tem muito o que aprender, digo
Você
Me pergunta às vezes coisas que eu já revelara
Você quer que eu mostre a cara
Você quer que eu deixe ver...
Ai, eu mostro o mundo inteiro! Já não dá pra ser mais clara
Você ainda assim não pára
Você tem muito a aprender, digo
Você
Me pergunta às vezes coisas que eu também não sei
Você quer ser o meu rei
Você quer me conhecer...
Ai, é só você me entender, e então me revelarei
Mas nada mais lhe direi
Você é que tem que aprender, digo...
Você...
[13/1/2008 -qquercoisa - porta entreaberta na panema]
---
Este é um dos poemas publicados no meu flog. Eu poderia procurar essa imagem da porta entreaberta pra colocar junto mas mó preguiça.
Eu não consigo me lembrar qual o contexto desse poema no mundo real, o que me incomoda. Fuço meus arquivos e fica cada vez mais difícil, não há nenhuma redundância, como isso me confunde! Eu imagino que eu esteja me dirigindo ao meu namorado. Mas enfim, noto como esse sentimento de "você precisa me entender melhor antes de querer ter qualquer prerrogativa" permanece. Com que freqüência eu me irrito com um rapaz só porque ele me entendeu tudo errado? Sim, eu sou uma lumlher clássica, aquela que é meio-esfinge, que diz, decifra-me para que eu te devore. Me peça pra cantar essa canção, é bonitinha. (rever coisas desse pedacinho de época (dez/2007-jan/2008) me fez ver muita coisa com outros olhos.)
Me pergunta às vezes onde tenho me escondido
Você me oferece abrigo
Você me propõe dizer...
Ai, eu não digo a pergunta com que tem me agredido
Você ainda é meu amigo
Mas tem muito o que aprender, digo
Você
Me pergunta às vezes coisas que eu já revelara
Você quer que eu mostre a cara
Você quer que eu deixe ver...
Ai, eu mostro o mundo inteiro! Já não dá pra ser mais clara
Você ainda assim não pára
Você tem muito a aprender, digo
Você
Me pergunta às vezes coisas que eu também não sei
Você quer ser o meu rei
Você quer me conhecer...
Ai, é só você me entender, e então me revelarei
Mas nada mais lhe direi
Você é que tem que aprender, digo...
Você...
[13/1/2008 -qquercoisa - porta entreaberta na panema]
---
Este é um dos poemas publicados no meu flog. Eu poderia procurar essa imagem da porta entreaberta pra colocar junto mas mó preguiça.
Eu não consigo me lembrar qual o contexto desse poema no mundo real, o que me incomoda. Fuço meus arquivos e fica cada vez mais difícil, não há nenhuma redundância, como isso me confunde! Eu imagino que eu esteja me dirigindo ao meu namorado. Mas enfim, noto como esse sentimento de "você precisa me entender melhor antes de querer ter qualquer prerrogativa" permanece. Com que freqüência eu me irrito com um rapaz só porque ele me entendeu tudo errado? Sim, eu sou uma lumlher clássica, aquela que é meio-esfinge, que diz, decifra-me para que eu te devore. Me peça pra cantar essa canção, é bonitinha. (rever coisas desse pedacinho de época (dez/2007-jan/2008) me fez ver muita coisa com outros olhos.)
Canção de Guerra
É preciso alegria pra sorrir
É preciso tristeza pra chorar
A espada de prata há de luzir
Não sobrou-me coragem de voltar
Em um sonho sombrio ei de lutar
E as luzes da vida, iluminar
Mas há muitas batalhas pela frente
Vou seguindo o curso da corrente
Nas correntes das trevas
Aprisionaram a luz
Mas nas batalhas eternas
Uma espada reluz
É preciso energia pra lutar
É preciso coragem pra vencer
Neste sonho sombrio vamos cantar
Medos e tristezas, por hora esquecer
Vamos sempre pra frente em missão
Atacarmos de frente o inimigo
Uniremos a mente ao coração
Pra vencer com coragem os perigos
Nas correntes das trevas
Aprisionaram a luz
Mas nas batalhas eternas
Uma espada reluz
---
Esquisitamente esse poema não tem datação. Talvez eu consiga encontrar o manuscrito dele e dar uma datação mais precisa, mas ele deve ser do começo dos anos 2000. Note que "a espada há de luzir" é um trecho do poema sobre a espada de Isildur, o que prova que eu tinha lido Senhor dos Anéis (sim, é assim que eu dato meus escritos). Eu acho que era pra ser uma canção, mas não tem realmente uma melodia. Estranho.
Vou publicar o que está no meu arquivo atualmente em ordem alfabética reversa. Nenhum motivo específico pra ser reversa, mas achei que era a melhor ordem pra misturar os poemas e não ficar chato. Resolvi manter os erros de ortografia, só pelo sabor da passagem do tempo.
É preciso tristeza pra chorar
A espada de prata há de luzir
Não sobrou-me coragem de voltar
Em um sonho sombrio ei de lutar
E as luzes da vida, iluminar
Mas há muitas batalhas pela frente
Vou seguindo o curso da corrente
Nas correntes das trevas
Aprisionaram a luz
Mas nas batalhas eternas
Uma espada reluz
É preciso energia pra lutar
É preciso coragem pra vencer
Neste sonho sombrio vamos cantar
Medos e tristezas, por hora esquecer
Vamos sempre pra frente em missão
Atacarmos de frente o inimigo
Uniremos a mente ao coração
Pra vencer com coragem os perigos
Nas correntes das trevas
Aprisionaram a luz
Mas nas batalhas eternas
Uma espada reluz
---
Esquisitamente esse poema não tem datação. Talvez eu consiga encontrar o manuscrito dele e dar uma datação mais precisa, mas ele deve ser do começo dos anos 2000. Note que "a espada há de luzir" é um trecho do poema sobre a espada de Isildur, o que prova que eu tinha lido Senhor dos Anéis (sim, é assim que eu dato meus escritos). Eu acho que era pra ser uma canção, mas não tem realmente uma melodia. Estranho.
Vou publicar o que está no meu arquivo atualmente em ordem alfabética reversa. Nenhum motivo específico pra ser reversa, mas achei que era a melhor ordem pra misturar os poemas e não ficar chato. Resolvi manter os erros de ortografia, só pelo sabor da passagem do tempo.
Poesias
Então eu me inscrevi, não sei bem porque, naquele concurso de poesia de clube do escritor para o qual recebo o convite todo ano.
E aí pensei, bom, quais poesias eu devo enviar? Não faço idéia.
Talvez eu pudesse pedir ajuda para o pessoal que lê o meu blog, que conhece minha poesia. Pedir uma votação ou algo assim. Um rating.
Fiquei meio impressionada com quão poucos dos meus poemas estão aqui, então resolvi que nos próximos dias vou tentar publicar mais alguns. Eu devia publicar mais uns cem, mas acho que não terei essa paciência. Depois posso pedir a ajuda de vocês pra selecionar os melhores?
Ou será que eu devia imprimir todos e fazer uma pesquisa pessoal?
E aí pensei, bom, quais poesias eu devo enviar? Não faço idéia.
Talvez eu pudesse pedir ajuda para o pessoal que lê o meu blog, que conhece minha poesia. Pedir uma votação ou algo assim. Um rating.
Fiquei meio impressionada com quão poucos dos meus poemas estão aqui, então resolvi que nos próximos dias vou tentar publicar mais alguns. Eu devia publicar mais uns cem, mas acho que não terei essa paciência. Depois posso pedir a ajuda de vocês pra selecionar os melhores?
Ou será que eu devia imprimir todos e fazer uma pesquisa pessoal?
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Tudo
Esses dias eu estava pensando naquela pergunta que as pessoas às vezes fazem, indignadas, como assim vocês não sabem há quanto tempo estão namorando?! e eu me pergunto, bom, é que é complicado, você quer que eu comece a contar a partir de quando? Eu estava pensando em que data a gente poderia querer comemorar. O primeiro beijo? Ou o primeiro encontro, o primeiro xaveco? O primeiro karaokê? A primeira vez que você quis me jogar na parede; a primeira vez que eu quis te fincar minhas presas? A primeira cheirada, a primeira mordida, o primeiro roçar de lábios, a primeira transa? Ou devemos contar a partir do primeiro olhar mais duradouro? Ou a partir da primeira confissão de amor; ou do primeiro pedido? Ou da primeira vez que dormi na sua casa, ou ainda a primeira vez em que nos beijamos em público? Ou a primeira vez em que você veio aqui? Ou do dia em que eu finalmente admiti que queria ser sua namorada?... Acho que entre umas e outras dessas datas se passaram meses. Por isso sempre me parece mais simples chutar um período ou outro, e aliás não façam contas, eu não as faço de modo geral. Mas esses dias eu estava pensando em todas essas coisas, e em como dizem que faz bem ter um ritual, uma data para comemorar, e embora me pareça que poderíamos comemorar todas, se eu tivesse que escolher uma acho que eu escolheria aquele dia em que deixamos a vida de lado e fomos ver o mar. Sim, eu escolheria a primeira vez em que nós realizamos um sonho juntos, o dia em que você me fez mudar minha vida. Parece uma boa data.
Do som que sai dos teus lábios
texto: Marina Salles
ilustração: Márcio Zamboni
música: Carl Orff
Então eu abro os olhos e meus olhos se enchem de música. Aí está você: nesse som, nesse verde que enche meus olhos quando eu vejo a paz que me invade quando eu ouço esta melodia, estas vozes. Neste momento, eu te amo. Neste momento eu sou o que eu quero, um cavaleiro voando sobre os campos, nada me pára, nada me contém, há coisas que eu salto e há coisas sob as quais me abaixo, mas nada se interpõe à minha vista do céu, porque neste momento eu sou livre, e neste momento eu alcanço o que você quis me dar. Eu alço vôo e o mundo é realmente tão grande!, como você disse... Uma guerra uma poesia se desenrola debaixo de mim. E de repente há silêncio. Acabou uma música.
Você concordou que dizer eu-te-amo era muito complicado e eu tive que me explicar: o que estou dizendo é: (eu te amo é:)

É que você chegou a mim
E num instante você viveu em mim
E sem perceber você entendeu uma parte de mim
Você estendeu a mim a sua chama
Você alegrou meu coração e mudou minha vida
E agora...
E agora eu te dou um passe
Para que entre e saia livremente dessa terra
Um passe-livre por meu coração.

E agora é esta a paisagem dentro de mim: há tapetes vermelhos dentro de um castelo, uma fortaleza, que assoma no topo de uma encosta, eu eu sou o pássaro que circunda a torre mais alta, e eu sou o homem que entra com passos pesados na sala do trono. Tudo é um sonho e tudo se desfaz. A música muda e as faces dos homens mudam. Tudo é energia, um tambor que bate regendo o coração dos homens. E eu estou aqui, eu sou as paredes e os cascos dos navios, eu sou o couro dos tambores, eu estou aqui tentando sentir e entender, procurando a resposta, procurando através dessa música, procurando a lembrança do som que saiu dos teus lábios. Eu procuro (e eu sei que é em vão) o som da tua voz através das trombetas, o som da tua voz cantando pra mim, a lembrança de você olhando nos meus olhos. Tudo é tão suave, e tão pesado, e entretanto de repente eu sou uma pomba, eu vôo sem destino, meus olhos são lágrimas, minha boca é um gosto passado, eu sou um anjo perdido procurando a resposta, procurando o sentido do som que saiu dos teus lábios.

Quem eu sou? Você me pergunta e eu sou a sua pergunta. Mas agora não importa. Quando sair de mim, deixe aberta a porta -- há muito lá fora que eu quero convidar a entrar; há muito no mundo que eu quero habitar, mas que também quero que me habite. Eu devo ser a terra e o viajante (eu devo ser a estrada e o violeiro) e eu devo ser a fonte e o sedento, e eu quero ser bem boi como berrante. Me guia e eu te guio! Eu sou o céu e a estrela. Eu não ouço as palavras desta música, mas pra mim é como o céu cantando, eu ouço a voz dos astros e eu flutuo entre eles. E eu ouço a voz da vala das estrelas. E eu lembro da sua história, e eu tento imaginar a beleza -- como será acenderem-se as estrelas?

Então as estrelas disparam e o mundo vira uma torrente uma avalanche, eu páro no meio da música, olho ao redor, suspiro, respiro fundo e me pergunto: onde estou? Esta é a minha casa, hoje é dia das mães. Mas não significa nada. Minha alma não entende nada de casas e calendários. E eu não entendo nada de música. Eu sou um joguete nas mãos dessa melodia. Finalmente eu lembro da tua voz, a tua voz cantando, a tua voz dizendo declamando com tom grave a thousand kisses deep. Mas eu devo te ouvir, cada canção, cada palavra, e enxergar cada emoção que teu olhar transparece. Eu rio. Porque te leio tão fácil e mesmo assim desconheço. Quem você é? Eu pergunto e eu sou a minha pergunta. Mas só por muito pouco tempo. Num instante eu pisco como uma estrela e eu sou outra coisa, eu sou uma outra vida. Minha alma é uma coisa dispersa, um vento, uma torrente que se divide e volta a se unir. Eu rio, porque eu sou leve agora. Agora eu não posso te ouvir, mas sei o que você fala. Porque através dessa música é você que fala, e é você no meio do mundo de vozes que é o universo. Eu ouço tudo, mas muito pouco eu entendo. E como quero entender! Por isso continuo buscando, eu estou buscando a pergunta, e eu busco todas as coisas através das vozes de todas as bocas.

E como a tua boca me morde, eu enxergo no clarão da dor o grito de todas as coisas. A tua voz nem existe agora, só existe esse terror, esse rosnado. Meu coração dispara e meu sangue urra, no fogo do teu veneno e na explosão dum sors salutis -- e de repente minha alma é fogo, meu mundo é fera, meu sangue é fúria e eu devoro o mundo e nada mais é anjo nada mais é água nada mais é calmaria porque tudo é pura loucura! Eu me levanto contra o frio da noite eu sou o Sol, invicto e irremovível, iluminando e queimando as retinas de todas as coisas eu sou a Luz cuspida de teus lábios eu sou o teu sangue e meu peito cresce num rosnado-desejo que fagocita o mundo e num instante eu sou completamente um tudo demoníaco -- e então minha alma voa.

Do alto do vôo da minha alma eu estou ouvindo palmas, e isso quer dizer que a música acabou. Mas eu me sinto leve, a música me liberta, eu fecho os olhos e a noite me carrega para onde eu quero estar, onde a música é nectar, onde a tua voz existe dentro de mim, no ímpeto de um raio e na candura de uma vela. Eu abro os olhos e você está me olhando, mas já não são olhos de fera. Então eu abro os olhos e estou aqui novamente, e eu estou sozinha.

Eu apoio o rosto nas mãos, e meus olhos são lágrimas, e meu coração ressona e tudo é silêncio através dos pequenos barulhos do dia. Eu caio em mim. Eu olho para o céu, e eu estou buscando a pergunta que eu sei que não existe, e eu queria ser o ar para poder me encher desses sons que saem de todos os lábios
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