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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Paralelismo

Faço uma breve pausa para falar do meu recurso poético estrutural favorito, o parelelismo. Tentei achar boas referências na internet sobre isso, mas eu sou muito ruim em procurar coisas na internet na verdade.

Paralelismo sintático se constrói repetindo a sintaxe em duas orações paralelas, como por exemplo quando eu digo "Maria estuda matemática enquanto João joga vôlei". Na poesia, usa-se paralelismo entre versos e estrofes, repetindo a estrutura sintática, e às vezes também semântica, da estrofe 1 na estrofe 2, como, por exemplo, o esboço de poema sobre o qual eu estive falando:

1. You see me here, wrinkled and grey
2. I've lost my luster along the way
3. You can't see the fury, you can't see my claws
4. My fangs are hanging on a devil's walls

1. You hear me here, off-tone and coarse
2. I've lost my voice to a devil's curse
3. You can't hear the hunger, you can't hear me scream
4. But hear my tale, my devil's dream

Aqui fiz o paralelismo particularmente estrito:
see - hear
wrinkled - off-tone
grey - coarse
luster - voice
fury - hunger
along the way - to a devil's curse
claws - scream
walls - dream

Evidentemente meu ponto aqui é que eu não queria trocar "hear the hunger" por "see the hunger" por que isso ia cabar com o paralelismo. Além disso, estou falando de hunter's hunger, não de famine. You can hear the hunger in my voice. E além disso, como o Ugo comentou, eu gosto da idéia de "you can't hear this, you can't hear that, but at least hear my tale, it's the only voice I have left".

Para ilustrar melhor o conceito, saí procurando algum poema meu em português que tivesse paralelismo forte. Foi horrível; eu tinha esquecido como minha coleção de poemas é absolutamente deplorável. Enfim, achei este poema do qual eu não gosto tanto assim, mas que é praticamente um exercício em paralelismo:

Poesia.
Poesia.
Eu chamo pela poesia.
Eu clamo pela poesia.
Meu sangue!quente a rima fria -
um mangue!quente a voz vazia.
Poesia,
ai! A poesia..
Eu morro pela poesia.
Escorro pela poesia.
Beleza por si só se cria,
certeza vaga por si se irradia.
Ai!
A poesia poesia...
Eu luto pela poesia.
Eu - luto pela poesia!
Que escorre por minha alistia
e morre com minha alforria..
Poesia!
Poesia.
Eu canto pelo poesia.
Eu - canto pela poesia!
Ela, que em minha voz ria,
vela, a que m'alumia..
Poesia!
Poesia!
Eu choro pela poesia
Eu coro pela poesia
Do sangue que me vem à face fria
do mangue que me prende à voz vazia
Palavras que me trazem à alegria
mas garras que me trazem agonia
Por ti, por ti apenas, poesia.
Poesia.
Poesia!

[17/8/2004]

Pensando bem, talvez esse poema seja um exemplo meio medíocre de paralelismo porque ele não cria paralelos interessantes, mas apenas repete a estrutura over and over and over and over again (como eu um dia pude achar isso legal?!). Vou procurar um texto de outro autor que seja mais bacaninha.

Ah, que tal este do João Cabral de Melo Neto?


Alguns Toureiros

Eu vi Manolo Gonzáles
e Pepe Luís, de Sevilha:
precisão doce de flor,
graciosa, porém precisa.

Vi também Julio Aparício,
de Madrid, como Parrita:
ciência fácil de flor,
espontânea, porém estrita.

Vi Miguel Báez, Litri,
dos confins da Andaluzia,
que cultiva uma outra flor:
angustiosa de explosiva.

E também Antonio Ordóñez,
que cultiva flor antiga:
perfume de renda velha,
de flor em livro dormida.

Mas eu vi Manuel Rodríguez,
Manolete, o mais deserto,
o toureiro mais agudo,
mais mineral e desperto,

o de nervos de madeira,
de punhos secos de fibra
o da figura de lenha
lenha seca de caatinga,

o que melhor calculava
o fluido aceiro da vida,
o que com mais precisão
roçava a morte em sua fímbria,

o que à tragédia deu número,
à vertigem, geometria
decimais à emoção
e ao susto, peso e medida,

domingo, 16 de setembro de 2012

Aged or Tamed

Passei algum tempo pensando sobre os comentários que vocês fizeram sobre o poema, e cheguei à conclusão de que talvez eu devesse investir mais nessa idéia de envelhecimento, de wrinkled and grey and hoarse and dry. This is what I came up with:

You see me standing, wrinkled and grey
I've lost my luster along the way
You can't see the anger, you see no claws
My fangs, they're hanging from a devil's walls

You hear me mumbling, off-tune and coarse
I'm old and cursing my final course
You can't hear the hunger, you can't hear the lust
But hear my tale, somebody must

(Eu queria dizer "my hide lost it's luster", mas achei que ficava muito comprido)
(minha primeira idéia foi "hear my tale, beneath my dust")

(By the way, a note to Ugo: how come seeing hunger is more plausible than hearing it? Está mais claro nesta versão o que eu quis fazer, ou ainda está esquisito?)

Por outro lado, achei que talvez eu devesse investir mais na idéia de "sweetened", até porque a idéia do poema é fundamentalmente "perdi minhas garras para um demônio". E saiu isto:

You see me coming, appeased and neat
I've lost my fierceness and faced defeat
You can't see the anger and I have no claws
My fangs are hanged on a devil's walls

You hear me humming, sweetened and shy
I've lost my thunderous voice, my pride
You can't see the hunger, can't hear my dream
But hear my tale, my one last scream

I was a wolfness in lives before... bla bla bla

Pra falar a verdade não curti muito essa segunda estrofe (maybe I've gone too far?). Possivelmente seria melhor a opção mais prosaica (ou ridícula) que eu tinha pensado antes:

You hear me humming, lovely and sweet
I beg you sit as I peel a beet
You can't hear the hunger, you can't hear the screams
But hear my tale, my hopeless dream

Eu estava pensando esse dias em como os rascunhos são tão importantes quanto o poema em si, em como é impossível traduzir um poema sem recriá-lo porque o produto final é irremediavelmente mais pobre que o processo de construção (é um preço a se pagar por ele se parecer com alguma coisa legível), e para reescrever o poema é preciso um novo processo de construção.

É impossível incorporar essas duas visões tão distintas tão completamente no mesmo poema, embora seja possível mesclá-las de uma forma mais fraca. Porém eu só tenho a ganhar elaborando sobre elas. É como ume exercício de improvisação no teatro. Eu também acho que posso misturar partes não tão comprometidas dos poemas e gerar resultados novos, e talvez mais interessantes. Por exemplo:

You hear me humming, lovely and sweet
I beg you sit as I peel a beet
You can't hear the hunger, you can't hear the lust
But hear my tale, somebody must

(eu gosto muito de colocar hunger e lust num poema sobre uma velha ou uma daminha fofa desse jeito, porque parece muito real, embora pra falar a verdade este poema seja uma fantasia)

Espero que vocês estejam se divertindo tanto quanto eu estou com esta discussão =)

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

(di)versão

As pessoas me convenceram de que howl na verdade rima com how (é um saco aprender uma língüa através de prosa, né?). Acho que vou desistir de usar essa palavra

Por outro lado, descobri uma outra versão dessa segunda estrofe que substitui "poison" por "fierceness". O que vocês acham?

You hear me now, saddened and sweet
I've lost my fierceness and faced defeat
You can't hear the yearning, you can't hear me snarl
But hear my tale, of old and far

("snarl" é outra palavra que não rima com nada >.<)
(Não pretendo realmente mudar o final dos dois primeiros versos, e hunger tem muito mais ferocidade que yearning, mas estava afim de me divertir)

(a internets diz que "growl" é um bom substituto pra "snarl". Mas e aí, o que rima com "growl"? Estou pensando em abandonar toda essa idéia também, fica muito mary-sue como diria a ixa...)

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Writers Block

Tem um poema que estou tentando escrever há mil anos que parece que nunca consigo. Na verdade, tem três poema relevantes nesse estado (e mais ou menos todos os meus livros, que são dezenas), dois deles da época do colegial, e um de dois anos atrás.Com um deles tive a dificuldade extra de ter tido meu caderno roubado com metade das anotações sobre ele.

Recentemente resolvi rever como começa um dos meus poemas, mas não está ficando bom. Eu queria pedir ajuda. É meio difícil porque esse poema precisa ser em inglês (só porque eu estou escrevendo ele principalmente por causa do ritmo e das rimas, que não são traduzíveis), e eu conheço poucas pessoas que escrevam bem de verdade, tenham contato comigo e gostem de escrever em inglês. Mas eu vou pedir aqui, mesmo assim.

A minha primeira versão dessas primeiras estrofes reescritas, para apreciação:

------

You see me here, wrinkled and grey
I've lost my shine along the way
You can't see the fury, you can't see the claws
My fangs, they're hanging on a devil's walls

You hear me here, sweetened and sad
I've lost the poison that I once had
You can't hear the hunger, you can't hear me howl
But hear my tale, ...

(estou tentando colocar alguma coisa aqui, pensei em mold, mas tá difícil de construir, unfold é muito brega, old já usei na estrofe seguinte de um forma melhor, e não consegui pensar em nada que rime com howl - talvez seja o caso de trocar esse terceiro verso)

----EDIT-edit- decidi separar em vários posts, é mais natural.

domingo, 15 de abril de 2012

Dentro de mim

Um dia eu disse "Chega" e "Vá-se embora". Fechei os olhos e mandei você parar de me fazer sofrer. Você foi embora. E eu não te amo mais.

Está tão vazio aqui. É verdade que minto, porque eu te amo pra sempre, mas eu não sinto mais dor como também não sinto a elação e o júbilo. Porque mesmo sem ter teu amor eu ainda tinha o meu amor por ti me elevando acima dos mortais. E através do meu amor desmesurado, cada sorriso e palavra que me jogavas me colocava num pódio de ouro, e o teu prazer em estar comigo me elevava acima dos gigantes.

Eu sinto falta de você dentro de mim, me enchendo de sonhos e pesadelos, me dando belas imagens com as quais sonhar. Eu sinto falta de ficar tonto com o seu cheiro, de ligar pra você no meio da noite porque ninguém mais parecia capaz de me tirar do fundo do meu poço. Eu sinto saudades do nervoso de te ver online e não conseguir decidir o que escrever na mensagem de texto. Eu sinto falta da certeza de que eu poderia te fazer infinitamente feliz.

domingo, 25 de março de 2012

En Passant nº3

Eu vejo você sorrindo com palavras
(através de listas de Cálculo)
Eu sinto você limpando as minhas lágrimas com palavras
(através da minha frustação com a graduação)
Eu ouço você se enfurecendo com palavras
(através de um livro do Cálculo)
Eu quero você jogando video-game comigo, com muitas palavras
(no meu sonho, eu estudo porque preciso aprender)
Ah, como eu quero jogar tudo pro alto e rir com você, com palavras.

quinta-feira, 22 de março de 2012

En passant nº 2

De perto nos poros sinto saudade de um mar que se apega à pele
De perto dentro das minhas narinas guardo o cheiro dele
De perto minha garganta se aperta sem motivo aparente
De perto, o cheiro das folhas e o gosto da terra que sinto através dos poros
Bem perto, o calor do sol e o seu sorriso me chamam para mais um dia dentro do mundo

quarta-feira, 21 de março de 2012

Rápido, en passant!

Teus olhos através do vidro através do vidro,
(eu sei, é acrílico)
no lugar que é teu e não é meu, mas é
meu para estar na altura de te olhar nos olhos
meu para tomar o teu café e comer o teu doce
Teus olhos meio que me recebendo, eu sem expectativas.

Eu gosto de você.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Halls

Porque você é minha irmã, mesmo que ainda não saiba. E diz-se que não. Não.

Eu vejo essas ondas negras caindo nos seus ombros, e me pergunto. Às vezes a gente se sente meio errado. Como, por exemplo, quando você se pergunta se deveria parar de tomar banho com meninas também. E você evita olhar para elas, e você se pergunta, porque você está na dúvida. E você trata tudo como se fosse natural, homens, mulheres, amigos, tudo é tão normal. Mas você ainda se pergunta.

E você rosnou na minha frente e por dentro eu ri de satisfação, e eu tinha acabado de te conhecer. Foi tão natural e você parecia tanto um filhote mordendo a orelha dos animais mais velhos. E eu entrei naquele bando sem saber que você estava nele, e você me mostrou boa parte do que aquelas pessoas são de verdade. Mordendo a orelha do seu irmão mais velho, como se vocês nunca precisassem deixar de ser crianças juntos. Você é minha irmã, embora eu nunca tenha te dito. Porque você é, e isso é inevitável. Tinha que acontecer. E você combina tão bem comigo. Às vezes eu me esqueço de fazer o que eu fui aí fazer porque você está lá e a conversa flui tanto. E você acredita nas mesmas coisas que eu, e tem a mesma vontade de proteger certas coisas, coisas que são importantes. Você é importante.

Feminino

Eu quero galopar pelo meio da Avenida Paulista. Montando uma égua negra, adolescente, no cio. Vestida como um caubói, de pé sobre os estribos, gritando e brandindo minha carabina vermelha.

Eu quero escalar a montanha escura e salvar uma princesa. Vou seduzir o dragão a conquistar o mundo comigo, e nós duas voaremos nas costas dele, eu de meia-armadura negra, com grandes espinhos. Encontrarei a princesa de vestido longo cor-de-rosa e uma tiara com jóias delicadas, mas para o nosso urro bestial de cima da montanha é preciso que nós três estejamos nuas. Minha princesa revelará tatuagens coloridas de roseiras em suas pernas.

Eu quero liderar o bando de leoas, garantindo a carne para o bando, tendo certeza de que dentes fortes se fechem sobre a garganta da presa. Eu urrarei para manter os machos e os rinocerontes longe dos meus filhotes. Eu ofereço um grande pedaço de caça ao leão grande e forte que ganhou todas as batalhas para merecer ser aceito no nosso bando.

Eu quero dançar no baile usando vestido de cauda. Meu par se vestirá elegantemente, e quando eu rodar nos seus braços minha saia se enrolará nas pernas dele. Nós usaremos márcaras de animais, e meu vestido terá asas de demônio, e todos perguntarão quem nós fomos, quando bater meia noite e nós desaparecermos.

Eu quero me pendurar no cordame e cantando uma canção alegre, gritando para abrirem as velas, quando a tempestade passar. Eu correrei pelo convés e mergulharei no oceano, e minha forma de sereia terá longas escamas azuis e saberá falar com a serpente do mar. Minha tripulação aguardará minha volta, mas mantendo o rumo, que será sempre a próxima ilha desconhecida. Enquanto isso eu explorarei os mistérios do mar e conhecerei uma porção de sereias magníficas que preferem viver longe da superfície. Mas eu voltarei para o veleiro para determinar o próximo rumo, e para negociar com os outros capitães, e para liderar batalhas, e para ouvir as histórias dos marinheiros e adormecer no meio dos meus homens, em forma humana, segura de quem eu sou e da minha posição.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Afeto (rascunho)

Will you understand that even when I don't talk to you, knowing that you're there still makes me smile?
Quando o dia está difícil, quando tudo está pesado, quando não consigo parar pra te dar um oi
Quando estou super confusa, quando toda me atraplaho, quando não consigo me organizar só pra dizer "oi"
Will you understand that even when I don't talk to you, I still adore you?
When everything puts me down, when I can't concentrate, when everything is telling me I worth nothing
But you're still there, and you'll always be there, and everytime you talk to me you make it a little better
Will you understand that even though I don't talk to you, you're still so very important?

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Livro Dois: Música (rascunho)

Acordamos às sete da noite
depois voltamos a dormir.
Saímos de casa, estava escuro
estava chovendo, as pistas molhadas,
o som tocava um Doors ou um Stones
E a gente não sabia aonde podia ir.

Durante toda a noite cantamos e bebemos
Durante toda a manhã nós dormimos.

No dia seguinte nós esquecemos da vida.
Acordamos às cinco da tarde,
depois voltamos a dormir
Estávamos tão cansados de cantar e de beber
E eu estava tão cansada de ser feliz!

Quando abri os olhos estava na beira da praia,
As ondas fazendo um barulho que eu não sabia mais ouvir.
Depois o sol aqueceu meus ombros
e nós andamos em ruas tão vivas
e fomos pessoas na rua
na vida de uma cidade, por um dia.

Durante toda a noite nós ouvimos e falamos,
nós jogamos jogos e nós nos abraçamos
E com passos miúdos nós andamos pela cidade
E pelas idéias loucas dos nossos pares
E com bocas comedidas nós devoramos.

Quando acordamos às dez horas da manhã
Nós nos arrastamos para os nossos compromissos
Felizes de termos passado a noite
Cantando, dançando, bebendo e beijando.

Nós rimos sozinhos quando nasceu o dia
O mundo era o quintal da nossa casa
E tinha gosto de leite morno e cereal com gotas de chocolate.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Rihanna

Eu estou impressionada com você, Rihanna. Você era tão pequena quando te conheci! Chegava de um lugar distante e tinha todas essas idéias e palavras estranhas, mas tinha aquele brilho nos olhos que só se vê em algumas crianças. Lembro da nossa primeira conversa: você estava na minha casa, no corredor, cantando uma música estrangeira. Já então me pareceu que você poderia abraçar o mundo! Suas pernas eram pequenas, mas seus passos ávidos poderiam percorrer qualquer estrada. E você fez com que eu embarcasse numa viagem gostosa, e você me ajudou a abrir um pouco mais minhas asas. Mas quão pouco eu te conhecia então, Rihanna. Eu prometi te mostrar alguns dos meus lugares secretos, mas não voltamos a nos encontrar por muito tempo. Nunca achei que me sentiria assim, como quando te vi de novo, tantos anos mais tarde, e voce estava tão diferente. Você não é mais uma criança, Rihanna. Você sempre foi uma pessoa impressionante, capaz de mudar a vida das pessoas com um olhar, mas agora é como se você pudesse tomá-las para si. Você pode escolher o que quer e o que não quer. As regras e as normas do mundo não te impressionam, como nunca te impressionaram; mas agora você leva seus olhos de criança para guiar as ações de uma adulta. Meus olhos já não conseguem enxergar o que os seus enxergam...

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Tenho que admitir que nunca vou terminar este aqui.

sábado, 16 de abril de 2011

Here's to you

(estou escrevendo por pura inspiração. espero que não saia um lixo)

Here's to you, though you are away
You with your shining cavalry on the hills
Here's to you waiting on the golden field
Knowingly waiting for your glory day
And when you charge with all your primacy
I hope I'll hear the drums of your delight
Here's to you who knows for what you fight
Who's garanteed in your legitimacy

Here's to you, though worlds hold us apart
You in your prideful stance above the men
You who has confidence in what you can
You with a smile, ready for depart
Oh what more lands can you yet long to conquer?
And where more must you sound the drums of war?
Here's to you who always yearns for more
Here's to you who can't stay put no longer

Acho que estou sendo muito influenciada pelo César de Conn Igguldden...

sábado, 18 de dezembro de 2010

Rascunhos

"Não faça rascunhos. Leve cada desenho a sério." - Peçanha


Sabe, eu tenho dois rascunhos quase permanente no meu blog, além de um rascunho rotativo de Histórias Sem Fim. São começos de histórias que eu queria escrever, que começaram muito naturalmente, mas que eu não consigo continuar! É tão difícil continuar. Particularmente esta sobre o Lay, o Anjo do Relâmpago (é a primeira vez que o chamo assim, em português), é difícil porque eu comecei querendo escrever com leveza e beleza, mas a vida do Lay não é bonita, e eu não consigo dar o passo do lirismo para a narrativa. Acho narrativas muito difíceis, me dou muito melhor com as descrições. Bem, acho que nunca serei um contador de histórias como o Garth Nix, mas talvez eu possa almejar um pouco do fascínio do Tolkien... Enfim, vou publicar esse rascunho para vocês terem uma idéia do que estou falando.


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Na cidade de Raéa tudo era tão bonito! As praças estavam cobertas de lírios e as torres dos palácios se erguiam claras e majestosas em direção ao céu azul e límpido lá em cima. Em Raéa nunca chovia, nunca ficava nublado, talvez porque a cidade estava acima da maioria das nuvens, no topo dos picos fantásticos que o povo comum chamava de Heaven. É claro que o nome original do lugar era Haven, mas quem discordaria do nome que o povo dava, quer dizer, haveria um lugar mais próximo de se chamar de Céu? Os enormes pássaros de Raéa se agitavam e cantavam para despertar a cidade. Os habitantes de Raéa, como qualquer povo de boa fé, venerava a Quemi, o Pássaro das Cores, e a Quehy, a Fênix de Luz. Exemplares jovens das duas espécies saltitavam aqui e ali, colorindo e iluminando o ar em que dançavam; mas o pássaro mais presente da cidade era o que eles chamavam de Alma dos Ventos, uma ave imponente que parecia nunca parar de crescer e que viajava distância inacreditáveis para fazer seu ninho nas torres dos palácios. E, como era bem cedo, os parapeitos das janelas estavam apinhados de Almas das Manhãs, os menores pássaros de Raéa (ainda um pouco maiores que um sabiá de peito laranja), que tinham penas macias como as plumas de um bebê e que se reuniam no nascer do sol para se aquecer, conversar com seus irmãos em trinados baixos e graves e entoar adoráveis cantigas de acordar. Não havia melhor forma de acordar que o amanhecer de Raéa! O sol entrava por todas as janelas e fazia brilhar as torres imaculadamente brancas. As casas baixas, feitas de blocos mais rudes das pedras claras das montanhas, estavam cobertas de flores delicadas que se abriam ao toque do sol. Cada porta, esculpida na mais nobre madeira jovem que crescia timidamente abaixo das nuvens, se abria, e cada janela, apenas para deixar o vento entrar. Logo todos estariam despertos, e a cidade estaria cantando com o prazer de um novo dia. Era por essas manhãs que Lyserh vivia. Ele adorava saltar para a rua e sentir o ar correndo por sua pele enquanto abrandava a queda. O azul do céu e o branco brilhante das casas e das flores o preenchia , como o calor do sol. Ele cumprimentava os pássaros ao caminhar pela praça. Era sua vez de ser feliz. Era tudo o que tinha na vida.
Neste dia, Ly também estava feliz porque ia conseguir uma coisa a mais, uma coisa a mais a que se agarrar nos momentos em que a luz parecia distante. Ele não tinha a menor dúvida de que a partir de então ele seria feliz! Ali, em Raéa, onde cada dia era perfeito, ali ele ia encontrar seu lugar do lado direito de Deus. Era impossível parar de sorrir. Ali ele ia encontrar aquilo que daria sentido à sua vida.
Ele atravessou mais algumas praças cobertas de lírios, e algumas ruas estreitas e floridas, saltitando de pedra em pedra e cantarolando para acompanhar as Almas. Antigamente ele costumava pensar com freqüência em como seria, depois da morte, é claro, ser um pássaro e passar seus dias planando e chilreando por aí; mas hoje esse pensamento sequer lhe ocorreu -- a vida parecia tão bela assim do jeito que estava! Era difícil pensar em coisas tristes ou mesmo coisas imperfeitas neste dia alegre.



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Minha idéia é contar como Lyserh entrou para a força de elite dos Anjos. É muito importante para a história que ele entre nela. Na verdade é essa a fundação do personagem. Mas eu não consigo fazer acontecer.