Esses dias eu estava pensando sobre sacrifício animal, por causa da discussão a respeito de macumba, cabeça de bode, tourada. Assim até fica parecendo que nossa sociedade considera um absurdo imperdoável matar animais inocentes. É claro que isso não é verdade. Consideramos (bem, vocês, eles, consideram) perfeitamente aceitável matar animais em muitos casos.
Acham perfeitamente normal matar porco, frango, boi, veado, alce, camarão, peixe, tubarão, carangueijo, e muitos outros tipos de bicho, com métodos que às vezes são dolorosos, para que possam comer uma parte de seus corpos. Inclusive comem alguns animais ainda meio vivos.
Aliás come-se peru assassinado no Natal, mata-se o peru, jogam-se fora os pedaços menos apetitosos do corpo dele e come-se algumas partes da carne. Esse tipo de ritual pode, deve, é amplamente aceito por todos. Usa-se o discurso de que "pode porque é de comer", mas vamos lembrar de toda a carne que já jogamos fora na vida, de toda a carne que apodrece no supermercado, que apodrece no caminho, que não é comprada porque o preço da carne não é baixo o suficiente, nós sabemos que isso existe e muito.
É engraçado como pessoas que comem carne de boi, porco e frango, que acham normal matar rato e gambá, e que vão pra Europa comer carne de veado, às vezes ficam horrorizadas quando vêm alguém comendo coelho ou cachorro ou algum bicho que eles acham bonitinho. Enquanto isso muitos veganos vêm a mesma cena e dão de ombros. Estamos acostumados a sentir aflição ao ver animais sendo mortos por motivos que consideramos absurdos. Hoje mesmo apareceu na minha timeline uma foto de ratinhos mortos, falando de um novo método "ecológico" de matar ratinhos. Eu não quero ver foto de bicho fofo morto, entendeu?
Vocês acham que é certo e necessário, e matam com as próprias mãos ou com venenos de todo tipo barata, rato, gambá, guaxinim, morcego, pombo, abelha, vespa, marimbondo, lesma, caracol, mariposa e qualquer outro animal que cometa o crime hediondo de fazer um ninho nas paredes de um prédio habitado por humanos, ou na terra abaixo dele, ou no terreno ao lado, ou dentro dele, e que ouse mostrar sua cara!
Acham normal matar animais o tempo todo por mil razões diferentes.
Acham normal matar, com venenos que afetam todas as formas de vida do lugar, animais que querem comer as plantas que produzimos para nos alimentar, ou para nos dar prazer, ou para alimentar nossos animais, ou para qualquer outro fim.
Acham necessário e piedoso matar animais domésticos e mesmo de estimação se constraírem alguma doença contagiosa perigosa, ou alguma doença terminal, ou se cometerem alguma violência contra humanos. No caso de animais rurais, uma pata quebrada já é às vezes suficiente para que sejam "sacrificados".
Acham normal e inevitável matar diversos animais para treinamento e pesquisa em diversas áreas, especialmente na área de saúde.
Acham aceitável matar TODAS as espécies de seres vivos (animais, plantas, fungos, microoosganismos, etc) indiscriminadamente para fazer represas para gerar energia para a indústria, ou para abrir espaço para pastos e plantações de monocultura, ou para o cultivo de madeira, ou para a instalação de indústrias, ou para a construção de moradia, ou para a construção de portos ou estradas, por outra razão qualquer que pareça importante na hora para quem pode tomar essa decisão.
Matam com armadilhas e armas de fogo raposas, lobos, onças, jacarés, tubarões e outros animais considerados "maus" e "perigosos", mesmo enquanto entidades ambientalistas tentam proteger estes animais da extinção (matam estes animais de forma não muito diferente da que mata-se índios, aliás, e por motivos semelhantes também).
E aí, dado tudo isso, eu acho muito suspeito que venham me falar em resgatar galinhas de macumba. Não que eu queira que galinhas morram, mas porque estamos atacando esse ritual de fundo de quintal, esse ritual de religião invisível afro-brasileira, e não os massacres que estão acontecendo agora mesmo, de milhões de espécies nativas, muitas vezes apenas para nosso prazer e conforto e lucro do capital?
palavra por palavra, procuro chegar, devagar, ao lugar de La Loba.
"O silêncio", disse o griot,"só é escuro no começo..."
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quinta-feira, 8 de agosto de 2013
sábado, 21 de abril de 2012
Shut down
Nada prende a minha atenção
Eu quero aprender, mas não quero usar a internet
Eu quero viver, mas não quero destruir
I don't wanna be a part of it
eu quero fazer parte de um mundo que nunca mais vai existir
Eu quero aprender, mas não quero usar a internet
Eu quero viver, mas não quero destruir
I don't wanna be a part of it
eu quero fazer parte de um mundo que nunca mais vai existir
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
O Fim do Chão.
E um dia vamos andar por ruas completamente cobertas de construção. Então as últimas praças verdes terão sido tomadas pelos mais importantes prédios do mundo, e as periferias terão devorado os entornos até se conurbarem com as das outras cidades, e as reservas terão sido consumidas pelas comunidades locais, e os corações das florestas estarão cheios de usinas elétricas.
Ultimamente eu tenho me sentido com raiva, impotente e desesperada em relação ao futuro do mundo com muito mais freqüência do que o razoável. Qual o problema dessas pessoas, porra?!
Ultimamente eu tenho me sentido com raiva, impotente e desesperada em relação ao futuro do mundo com muito mais freqüência do que o razoável. Qual o problema dessas pessoas, porra?!
terça-feira, 4 de agosto de 2009
A Morte (II)
(ou: a morte dos ritos)
Se fosse Jack, e não eu, naquele dia, teria ficado provavelmente louco e destruído tudo o que seus braços humanos pudessem. Se fosse a Lôhba, não eu, teria engolido o cemitério inteiro com o poder dos diamantes que purificam. Adulta, a Lôba teria convocado as plantas a consumirem toda aquela parte da cidade. Esse era o poder que eu mais queria ter.
Mas não era um personagem, porque não era ficção; mas era tão incrível quanto se fosse. Apenas mais estúpido. Menos significado.
Em São Paulo, quando uma pessoa morre, chamam-se os familiares e os familiares chamam os amigos. Todos se encontram no lugar da morte, vestindo as roupas de sempre, e falando coisas triviais como se fosse um dia trivial. O corpo é lavado e vestido por membros da comunidade que se dedicam a isso ou pelos familiares mais próximos. Vestem-no com suas roupas favoritas ou com roupas de festa, como a criar um personagem no qual fixar a imagem do morto. Escolhem um caixão entre os vários produzidos por outros membros dedicados da comunidade. Deitam o corpo, vestido e perfumado, dentro dele, e o cobrem com flores e véus, e o rodeiam com conjuntos enormes de flores com faixas onde estão pintadas as frases tradicionais. Alguns se despedem do morto beijando sua testa, outros o evitam. Põe-se a tampa no caixão e se a lacra com sete chaves, para evitar que algum dia seja aberta. Acredita-se que o morto está ali naquele corpo, que deve dormir seu sono eterno junto à sua família, e que deve dormir lacrado, trancado, cimentado, sob a terra. Guardemos os mortos. Temamos os mortos. Um grupo de pedreiros carrega o caixão sobre um veículo primitivo de rodas e tubos de ferro, pelas ruas da cidade miniatura, entre as plaquetas de bronze, entre caixas de pedra, até a que tem o nome da sua família. Abrem uma porta minúscula na caixa de pedra. Um pedreiro desce, joga para fora as ferramentas, recebe dos outros o caixão, eincaixa-o numa prateleira, pega de volta a colher-de-pedreiro, recebe uma porção de cimento, uma porção de tijolos. Outro pedreiro entra, juntos os dois controem uma parede entre o morto e os parentes junto aos quais ele deve permanecer. Conversam enquanto trabalham, sobre o trabalho, o cimento, a chuva. Quando terminam, devolvem para o túmulo as caixas onde estão os ossos da família. Saem e fecham a porta. Cumprimentam os familiares e vão embora. Apenas mais um dia de trabalho.
Existe um velho mito Ibo segundo o qual o Grande Espírito, Chuku, manda o cachorro dizer aos homens como reviver os que morrem. Porém o cachorro se distrai pelo caminho, e Chuku envia então o carneiro para passar a mensagem. O carneiro diz aos homens para enterrar os mortos, e é isso que os homens fazem. Mas o carneiro havia confundido a mensagem. Quando o cachorro chega, diz que o corpo de um homem morto deve ser deitado sobre a terra e coberto com cinzas, e então ele reviverá. Os homens não acreditam porque acreditaram no carneiro. E assim os homens conhecem a morte.
Nunca entendi porque os Ibo, que conheciam a lenda, não espalharam a mensagem verdadeira do cachorro, por que continuaram enterrando seus mortos e não os cobriram com cinzas. De modo geral nunca entendi a idéia de sepultar os mortos, de guardá-los sob a terra. Uma grande cidade de mortos. Pra mim é um grande mistério.
Por via das dúvidas, quando eu morrer, não me enterrem. Não guardem meu corpo - se quiserem, destruam-no.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Um texto sem nenhuma validade política, mais inda inevitavelmente moral
E agora? A gente vai pra casa? A gente pára por aqui mesmo? A gente senta e chora? A gente se bate, se debate, se espanca dentro da nossa própria casa?
Pra mim, o fim do mundo é isto aqui.
De um lado, minha casa está caindo aos pedaços, meus gatos estão velhos e doentes e nervosos sujando e destruindo tudo. As pessoas começaram a morrer e não pararam. Existe fim pra isso?
De outro, eu vou pra faculdade ouvindo absurdos e mentiras, acreditar em quem? Eu acho tudo ridículo, greves e policiais, eu entendo o que estão fazendo, mas é porque não consigo enxergar instituições, só consigo enxergar pessoas, e parece que estão todos apavorados.
Não temos tempo pra nada, não temos direito a nada, nós fazemos nossas escolhas sabendo de antemão que sempre estarão erradas. Não podemos parar de estudar, não podemos deixar de sonhar, não podemos deixar a casa cair, não podemos abandonar a família, não podemos parar de lutar por um mundo melhor, não podemos deixar de ver os amigos, não podemos nos perder no meio de todas as dificuldades e atribulações da vida.
Inevitavelmente haverão mais derrotas do que vitórias?
Será que a gente enlouqueceu ou quem enlouqueceu fui eu?
Pra mim, o fim do mundo é isto aqui.
De um lado, minha casa está caindo aos pedaços, meus gatos estão velhos e doentes e nervosos sujando e destruindo tudo. As pessoas começaram a morrer e não pararam. Existe fim pra isso?
De outro, eu vou pra faculdade ouvindo absurdos e mentiras, acreditar em quem? Eu acho tudo ridículo, greves e policiais, eu entendo o que estão fazendo, mas é porque não consigo enxergar instituições, só consigo enxergar pessoas, e parece que estão todos apavorados.
Não temos tempo pra nada, não temos direito a nada, nós fazemos nossas escolhas sabendo de antemão que sempre estarão erradas. Não podemos parar de estudar, não podemos deixar de sonhar, não podemos deixar a casa cair, não podemos abandonar a família, não podemos parar de lutar por um mundo melhor, não podemos deixar de ver os amigos, não podemos nos perder no meio de todas as dificuldades e atribulações da vida.
Inevitavelmente haverão mais derrotas do que vitórias?
Será que a gente enlouqueceu ou quem enlouqueceu fui eu?
quinta-feira, 28 de maio de 2009
E essas coisas
Eu me pergunto o que estou fazendo aqui. Esperando o próximo fim de semana, a próxima aventura trivial num mundo extremamente mágico; o próximo beijo. Quem sabe se fechar os olhos haverão dragões. Os dragões estão todos mortos neste mundo. Mas quem sabe, se eu andar e andar e andar, eu consiga chegar num lugar onde há dragões. Balanço a cabeça e me concentro na próxima tarefa. Mas minha mente cheia de perguntas não se concentra em nada. Os dragões estão mortos neste mundo, e sinto tremenda saudade de haverem dragões.
E sigo: tento lembrar quem eu era, ter qualquer lembrança, qualquer vislumbre, mas a lida te endurece e rareia o cabelo e avermelha a pele e antes que tomemos conta estamos velhos — velhos como macaco velho, sabidos, antigos e maus. Se passar tempo demais, pode acontecer, morremos. Se passar tempo demais viramos poeira por dentro. Agora mesmo estou cuspindo fuligem. Agora mesmo estou procurando ajuda, e não vejo ninguém.
Deve ser assim que os velhos se sentem, sozinhos, quando todos os seus amigos estão mortos ou senis. Deve ser assim que se sentem rodeados por crianças que sabem tudo e por um mundo que não compreendem. Como um estrangeiro, como um prisioneiro, sonhando de noite e de dia com aquela casa enorme da sua infância. Eu também tenho uma casa enorme na minha infância. E eu sinto tanta saudade daquela casa...
Parece que todos os meus amigos estão mortos, só que quem foi embora fui eu. Eu não vejo casa vazia, eu não vejo casa nenhuma. As coisas que eu faço, as tarefas, as perquisas, eu sou como aquele empregado que detesta seu trabalho e trabalha pra sobreviver. Eu nunca sei por onde começar, cada vez mais eu não entendo nada, eu procuro, eu preciso de ajuda, estou cansada de estar sempre sozinha. Mas quem sabe não estamos sempre sozinhos o tempo todo, e apenas eu não perceba porque eu sou eu e vejo apenas através de meus próprios olhos. Estou tão cansada de nada nunca dar certo.
Estou como que lutando uma guerra em terra estranha, não posso voltar enquanto não vencermos, não posso abandonar essa batalha; morrer seria mais honroso; quero voltar para casa, nunca mais estive em casa, sinto falta de tudo lá, e lá sempre haverá dragões... Como tenho mêdo! Tenho mêdo de não poder voltar, tenho mêdo de lutar para sempre; e se a guerra nunca acabar? As pessoas aqui são estranhas, mas aos poucos vou fazendo amigos. Aos poucos, muito, muito devagar, eles vão entendendo que sou ao mesmo tempo como eles e completamente diferente. Aos poucos também vou pegando a manha deste modo de vida, quando não estou gritando de desespero no meu quarto, vou entendendo as sutilezas e as belezas desta terra, e vou me tornando eles, mais e mais. Quando voltar para casa quem sabe eu terei habilidades úteis para emprestar aos meus conterrâneos. Ou será que ao voltar para casa, minha mudança terá sido tamanha que mesmo lá serei apenas diferente?
Olho para trás, o caminho de casa não existe, eu haverei de andar por léguas sem fim em busca desse lugar sagrado, eu andarei o mundo à procura de mim. É preciso que o tempo dure pra sempre para que eu possa encontrar meu lugar. De onde eu venho, existem pessoas que vivem para sempre. Assim eu poderia ver tudo, encontrar tudo, eu quero conhecer tudo e estar em todos os lugares. De onde eu venho, é esse o sonho de todas as crianças. As crianças crescem para viver assim.
Aqui, não, aqui somos todos guerreiros, não posso me distrair com bobagens porque ainda tenho muito o que aprender para poder lutar bem. Essa guerra é a minha vida. Aos poucos vou começando a entender que a vida é assim mesmo, que é aqui que vivemos, que é isto o que fazemos; aos poucos vou esquecendo de anotar o caminho de casa, aos poucos vou me afastando mais e mais e mais. Depois daqui, para onde será que eu vou? O mundo é imenso, e eu não tenho mais casa, eu devo percorrer o mundo inteiro, é isso que eu sou.
Eu sinto que estou perdendo tempo. Acho que estou atrasada. Vejo meus colegas fazendo projetos, pesquisas, participando de concursos, trabalhando. Eu não posso fazer nada disso, eu me dedico inteiramente a esta guerra. Esta guerra é a minha vida. Contra quem estamos lutando? Pelo quê estamos lutando? Eu não pergunto nada, apenas sigo as ordens. Eu não posso desistir da minha batalha. Mesmo se eu nunca vencer, continuarei lutando, continuarei tentando, até que seja o fim de tudo. De nós. Mas se eu não viver para sempre, enquanto eu estou nesta guerra eu estou para sempre morta. Tenho medo de um dia estar velha e cometer suicídio. Tenho medo de um dia ficar inconsciente.
Outra coisa de que tenho mêdo é de nunca encontrar o caminho de casa...
E sigo: tento lembrar quem eu era, ter qualquer lembrança, qualquer vislumbre, mas a lida te endurece e rareia o cabelo e avermelha a pele e antes que tomemos conta estamos velhos — velhos como macaco velho, sabidos, antigos e maus. Se passar tempo demais, pode acontecer, morremos. Se passar tempo demais viramos poeira por dentro. Agora mesmo estou cuspindo fuligem. Agora mesmo estou procurando ajuda, e não vejo ninguém.
Deve ser assim que os velhos se sentem, sozinhos, quando todos os seus amigos estão mortos ou senis. Deve ser assim que se sentem rodeados por crianças que sabem tudo e por um mundo que não compreendem. Como um estrangeiro, como um prisioneiro, sonhando de noite e de dia com aquela casa enorme da sua infância. Eu também tenho uma casa enorme na minha infância. E eu sinto tanta saudade daquela casa...
Parece que todos os meus amigos estão mortos, só que quem foi embora fui eu. Eu não vejo casa vazia, eu não vejo casa nenhuma. As coisas que eu faço, as tarefas, as perquisas, eu sou como aquele empregado que detesta seu trabalho e trabalha pra sobreviver. Eu nunca sei por onde começar, cada vez mais eu não entendo nada, eu procuro, eu preciso de ajuda, estou cansada de estar sempre sozinha. Mas quem sabe não estamos sempre sozinhos o tempo todo, e apenas eu não perceba porque eu sou eu e vejo apenas através de meus próprios olhos. Estou tão cansada de nada nunca dar certo.
Estou como que lutando uma guerra em terra estranha, não posso voltar enquanto não vencermos, não posso abandonar essa batalha; morrer seria mais honroso; quero voltar para casa, nunca mais estive em casa, sinto falta de tudo lá, e lá sempre haverá dragões... Como tenho mêdo! Tenho mêdo de não poder voltar, tenho mêdo de lutar para sempre; e se a guerra nunca acabar? As pessoas aqui são estranhas, mas aos poucos vou fazendo amigos. Aos poucos, muito, muito devagar, eles vão entendendo que sou ao mesmo tempo como eles e completamente diferente. Aos poucos também vou pegando a manha deste modo de vida, quando não estou gritando de desespero no meu quarto, vou entendendo as sutilezas e as belezas desta terra, e vou me tornando eles, mais e mais. Quando voltar para casa quem sabe eu terei habilidades úteis para emprestar aos meus conterrâneos. Ou será que ao voltar para casa, minha mudança terá sido tamanha que mesmo lá serei apenas diferente?
Olho para trás, o caminho de casa não existe, eu haverei de andar por léguas sem fim em busca desse lugar sagrado, eu andarei o mundo à procura de mim. É preciso que o tempo dure pra sempre para que eu possa encontrar meu lugar. De onde eu venho, existem pessoas que vivem para sempre. Assim eu poderia ver tudo, encontrar tudo, eu quero conhecer tudo e estar em todos os lugares. De onde eu venho, é esse o sonho de todas as crianças. As crianças crescem para viver assim.
Aqui, não, aqui somos todos guerreiros, não posso me distrair com bobagens porque ainda tenho muito o que aprender para poder lutar bem. Essa guerra é a minha vida. Aos poucos vou começando a entender que a vida é assim mesmo, que é aqui que vivemos, que é isto o que fazemos; aos poucos vou esquecendo de anotar o caminho de casa, aos poucos vou me afastando mais e mais e mais. Depois daqui, para onde será que eu vou? O mundo é imenso, e eu não tenho mais casa, eu devo percorrer o mundo inteiro, é isso que eu sou.
Eu sinto que estou perdendo tempo. Acho que estou atrasada. Vejo meus colegas fazendo projetos, pesquisas, participando de concursos, trabalhando. Eu não posso fazer nada disso, eu me dedico inteiramente a esta guerra. Esta guerra é a minha vida. Contra quem estamos lutando? Pelo quê estamos lutando? Eu não pergunto nada, apenas sigo as ordens. Eu não posso desistir da minha batalha. Mesmo se eu nunca vencer, continuarei lutando, continuarei tentando, até que seja o fim de tudo. De nós. Mas se eu não viver para sempre, enquanto eu estou nesta guerra eu estou para sempre morta. Tenho medo de um dia estar velha e cometer suicídio. Tenho medo de um dia ficar inconsciente.
Outra coisa de que tenho mêdo é de nunca encontrar o caminho de casa...
terça-feira, 19 de maio de 2009
Cuspe
Para desvelar e descalar o mundo, o mundo que ainda é escória, (não - escória é a raiva do mundo) para desmistificar o mundo, cuspo, sem som, minha impiedade, meu nojo dessa existência imunda.
Para esquecer: uma história.
Para esquecer: uma história.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Danger
Eu me sinto irritada. Simplesmente irritada. Eu não tenho vontade de fazer nada. Eu quero brincar e dormir. A luz do sol me compele a fazer muitas coisas alegres, como catar limões e brincar com os gatos. Mais uma vez eu ajo irresponsavelmente. Por que não posso colocar brincar com os gatos entre minhas responsabilidades? Por que não ganho créditos por escrever no blog?
Preciso abandonar umas responsabilidades. Vou desencanar de ler aquele texto. Vou comprar todos os textos de história e guardá-los em casa, para referência. Vou fazer uns desenhos e uns filmes, mas não tenho a menor vontade. Estou com mêdo de não saber por onde começar. Eu tenho mêdo de tudo.
Acho que vou reler os textos e tentar começar mesmo assim. Eu queria fazer um bom semestre para variar. Eu me sinto angustiada por todas as coisas que não posso fazer. Eu estou com raiva.
Chega. Vou tirar a sexta-feira pra... Não; vou fazer esses filmes na sexta. Vou? Estou com muito mêdo. De não saber fazer nada. Droga de filmes. Tem dias que me dá vontade de gritar.
Talvez algum dia a gente possa, sabe? passar o dia inteiro perdendo tempo...
Preciso abandonar umas responsabilidades. Vou desencanar de ler aquele texto. Vou comprar todos os textos de história e guardá-los em casa, para referência. Vou fazer uns desenhos e uns filmes, mas não tenho a menor vontade. Estou com mêdo de não saber por onde começar. Eu tenho mêdo de tudo.
Acho que vou reler os textos e tentar começar mesmo assim. Eu queria fazer um bom semestre para variar. Eu me sinto angustiada por todas as coisas que não posso fazer. Eu estou com raiva.
Chega. Vou tirar a sexta-feira pra... Não; vou fazer esses filmes na sexta. Vou? Estou com muito mêdo. De não saber fazer nada. Droga de filmes. Tem dias que me dá vontade de gritar.
Talvez algum dia a gente possa, sabe? passar o dia inteiro perdendo tempo...
terça-feira, 21 de abril de 2009
II
Há ainda muita coisa, bem, esperando para fazer sentido.
Algumas coisas cansam e desistem depois de um tempo.
Algumas coisas crescem e coçam e incomodam terrivelmente depois de um tempo.
Algumas coisas dão um tempo e acabam aparecendo anos depois.
Outras se resolvem.
Rápido.
Como um homem com sede que simplesmente bebe água.
Simples.
Como dar uma volta pra esticar as pernas.
Lógico.
Como um exercício de matemática.
Como acender a luz quando começa a ficar escuro.
Como a gravidade.
Sem uma grande e confusa variedade de opções.
Algumas coisas cansam e desistem depois de um tempo.
Algumas coisas crescem e coçam e incomodam terrivelmente depois de um tempo.
Algumas coisas dão um tempo e acabam aparecendo anos depois.
Outras se resolvem.
Rápido.
Como um homem com sede que simplesmente bebe água.
Simples.
Como dar uma volta pra esticar as pernas.
Lógico.
Como um exercício de matemática.
Como acender a luz quando começa a ficar escuro.
Como a gravidade.
Sem uma grande e confusa variedade de opções.
sexta-feira, 13 de março de 2009
Sim
Sim, há muita coisa perdida
deixada de lado, esquecida
camuflada sob as nuvens de poeira
Sim, há muita coisa escondida
escorregada junto com os lençóis
permanecida entre a cama e a parede
esmagada entre o colchão e a cabeçeira
Muita coisa quebrada, caduca, casca carcomida
Muita coisa encurralada, ultrapassada
Há muita coisa perdida
Sim, há muita coisa velha
Que já saiu de moda,
que está fora da roda,
que pertence à estação passada
que já não faz sentido
que vem de um outro tempo
Há muito anacronismo que resiste
Sim, há muita coisa morta
Muitos esqueletos no fundo de armários
ali entre as meias e as luvas
esperando pelo século passado
Há muita coisa dormindo
Muita coisa que um dia despertará
para nos observar no nosso sono
Sim, há muita coisa estranha
que não serve à nossa forma, ao nosso jeito
que a gente não sabe pra quê que serve
nem o que é, nem como usar
Há muita coisa sobrando
Há muita coisa faltando
Há muita coisa no lugar errado
Sim, há muita coisa perdida
Muita coisa que perdeu a mágica
e muita coisa que virou sonho
e muita coisa que simplesmente sumiu.
deixada de lado, esquecida
camuflada sob as nuvens de poeira
Sim, há muita coisa escondida
escorregada junto com os lençóis
permanecida entre a cama e a parede
esmagada entre o colchão e a cabeçeira
Muita coisa quebrada, caduca, casca carcomida
Muita coisa encurralada, ultrapassada
Há muita coisa perdida
Sim, há muita coisa velha
Que já saiu de moda,
que está fora da roda,
que pertence à estação passada
que já não faz sentido
que vem de um outro tempo
Há muito anacronismo que resiste
Sim, há muita coisa morta
Muitos esqueletos no fundo de armários
ali entre as meias e as luvas
esperando pelo século passado
Há muita coisa dormindo
Muita coisa que um dia despertará
para nos observar no nosso sono
Sim, há muita coisa estranha
que não serve à nossa forma, ao nosso jeito
que a gente não sabe pra quê que serve
nem o que é, nem como usar
Há muita coisa sobrando
Há muita coisa faltando
Há muita coisa no lugar errado
Sim, há muita coisa perdida
Muita coisa que perdeu a mágica
e muita coisa que virou sonho
e muita coisa que simplesmente sumiu.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Pequena Incursão Filosófica
Em dias como este, em que minha mãe me manda passar veneno pra cupim num banco/mesa/revisteiro; em que eu acordo com o despertador que misteriosamente tocou às 13:34, e não às 7:34 como seria o certo; em que eu me jogo na cama bagunçada e não tenho mais vontade de levantar dela, nunca mais; em que nada do que acontece comigo parece fazer o menor sentido, eu páro e me questiono a respeito do sentido da vida.
O problema é que o sentido da vida não é algo racional, algo fixo, que você poderia escrever num livro e ensinar a seus amiguinhos numa palestra. É algo que ou há, ou não há. Em dias astim, é claro, não há; não há nada. O cinzento do céu lá fora é a única coisa que não parece completamente estúpida. Eu preciso abrir a janela, para poder enxergá-lo direito, para poder sentir seu cheiro, o cheiro do vento, o vento pra compensar o meu calor. Eu queria derrubar essas grades para não haver nada entre eu e o mundo. Acho que seria legal sublimar e me dissolver no vento.
Falta alguma coisa em que acreditar. Eu páro e, para evitar pensamentos metafóricamente suicídas, me pergunto o que na minha vida é realmente uma razão pra se viver. O que faz sentido, o que eu não jogaria fora de jeito nenhum. Agora a chuva está entrando pela janela e eu não vou fechar a janela mesmo assim, porque eu não jogaria fora a cor do céu e o vento, de jeito nenhum. A porta se fechou com um estrondo e foi um som delicioso. Eu adoro sentir. Sentir é uma razão pra se viver.
Outras razões que me ocorrem são: amor, diversão, calor, árvore com folhas jovens contra o céu azul (ou: marrom-verde-azul), fazer as coisas certas, amigos, andar de bicicleta, dirigir, o Mar, transar, comida boa, ficar completamente exausto, a Noite (andar na rua à noite), chuva (mesmo a chuva tipo 17), poder imaginar o que quiser, roupas confortáveis, roupas bonitas, cabelo de homem molhado, desejo e flerte, Twix, festa à fantasia, gente bonita, paisagens imensas, work hard-work worth doing, euforia, luta, ser respeitado, andar sozinha por aí, compartilhar prazeres e lugares secretos, estar apaixonada, saber o sentido da vida, dançar, correr e brincar na chuva.
A gente tem que saber o que é importante pra poder saber o que é completamente irrelevante. Pra mim é difícil fazer essa distinção. Eu imagino muito, e aí qualquer coisa parece legal. Por exemplo: eu tenho esse velerinho da ABN-AMRO que eu não compraria nem de graça (o Diogo sugeriu que se eu estivesse em dúvida sobre o que fazer com algum objeto, eu avaliasse se eu levaria ele de graça pra casa, se eu não o tivesse), mas eu imagino que eu poderia pintá-lo de outras cores e aí ele ficaria mó bonito, mas, pensando bem, eu não tenho onde deixar esse veleiro mesmo se ele fosse bonito, ele ia ser uma dessas coisas que a gente não tem coragem de jogar fora mas não sabe o que fazer com ele, então eu penso que como ele seria legal eu poderia dá-lo pra alguém, mas aí, quem gosta de veleiros e teria espaço sobrando em casa para ter um veleiro que aliás eu nem sei se bóia, seria no máximo um brinquedo ou objeto de decoração, então eu poderia deixá-lo com os brinquedos, mas ele não caberia na caixa de brinquedos lotada, e não tem espaço no armário igualmente lotado, e de qualquer forma ninguém brincaria com ele se ele estivesse separado dos outros brinquedos de sempre, então eu penso que eu poderia pintá-lo e dá-lo de presente pros meninos da Cajaíba, que provavelmente nem gostariam dele, mas só se meus irmãos quisessem dar os deles também, e será que meus irmãos têm os mesmos problemas que eu?
(nossa, eu estou arrependida de ter escrito esse parágrafo)
Resumindo, eu sempre escolho fazer a coisa mais complicada. Acho que é porque eu tenho esperanças de poder fazer algum tipo de trabalho que não seja completamente inútil. O que me leva de volta à questão da faculdade, de como eu posso continuar fazendo um curso que não me dá nenhuma esperança de futuro, já que eu não consigo de forma nenhuma me imaginar designer, e por que me parece que meus amigos estão determinados e seguir com suas vidas enquanto eu tenho certeza de que não quero terminar a faculdade e me tornar uma sei lá o quê. E isso faz de mim uma pessoa desesperada. Se você jogar na minha cara o fato de que eu sou infeliz na minha vida acadêmica e talvez até familiar, eu provavelmente vou te agredir, então, acho que você deveria fazer isso mesmo, e a gente deveria lutar; é isso aí, eu vou abrir o Clube da Luta e voltar pra casa sangrando todos os dias. Outra coisa que faz a vida parecer mais certa é....
... hm, acabou de chegar um e-mail dizendo que as aulas vão começar só dia 26, e não 16 como estava sendo anunciado. Isso muda tudo...
enfim, outra coisa que faz a vida parecer mais certa é se machucar um monte e saber que foi por um bom motivo, e se sentir feliz com isso. Ou ser arremessado de uma bóia em alta velocidade. Ou se agarrar com todas as suas forças. Ou simplesmente tomar uma decisão e ir até o fim com ela (que é algo que eu nunca faço.)/
Enfim, eu estou tentando chegar a uma conclusão mas eu não estou conseguindo. Então vou desistir dessa bobagem e ir fazer alguma coisa de útil (sim, eu já perdi as esperanças de criar qualquer coisa através deste blog).
O problema é que o sentido da vida não é algo racional, algo fixo, que você poderia escrever num livro e ensinar a seus amiguinhos numa palestra. É algo que ou há, ou não há. Em dias astim, é claro, não há; não há nada. O cinzento do céu lá fora é a única coisa que não parece completamente estúpida. Eu preciso abrir a janela, para poder enxergá-lo direito, para poder sentir seu cheiro, o cheiro do vento, o vento pra compensar o meu calor. Eu queria derrubar essas grades para não haver nada entre eu e o mundo. Acho que seria legal sublimar e me dissolver no vento.
Falta alguma coisa em que acreditar. Eu páro e, para evitar pensamentos metafóricamente suicídas, me pergunto o que na minha vida é realmente uma razão pra se viver. O que faz sentido, o que eu não jogaria fora de jeito nenhum. Agora a chuva está entrando pela janela e eu não vou fechar a janela mesmo assim, porque eu não jogaria fora a cor do céu e o vento, de jeito nenhum. A porta se fechou com um estrondo e foi um som delicioso. Eu adoro sentir. Sentir é uma razão pra se viver.
Outras razões que me ocorrem são: amor, diversão, calor, árvore com folhas jovens contra o céu azul (ou: marrom-verde-azul), fazer as coisas certas, amigos, andar de bicicleta, dirigir, o Mar, transar, comida boa, ficar completamente exausto, a Noite (andar na rua à noite), chuva (mesmo a chuva tipo 17), poder imaginar o que quiser, roupas confortáveis, roupas bonitas, cabelo de homem molhado, desejo e flerte, Twix, festa à fantasia, gente bonita, paisagens imensas, work hard-work worth doing, euforia, luta, ser respeitado, andar sozinha por aí, compartilhar prazeres e lugares secretos, estar apaixonada, saber o sentido da vida, dançar, correr e brincar na chuva.
A gente tem que saber o que é importante pra poder saber o que é completamente irrelevante. Pra mim é difícil fazer essa distinção. Eu imagino muito, e aí qualquer coisa parece legal. Por exemplo: eu tenho esse velerinho da ABN-AMRO que eu não compraria nem de graça (o Diogo sugeriu que se eu estivesse em dúvida sobre o que fazer com algum objeto, eu avaliasse se eu levaria ele de graça pra casa, se eu não o tivesse), mas eu imagino que eu poderia pintá-lo de outras cores e aí ele ficaria mó bonito, mas, pensando bem, eu não tenho onde deixar esse veleiro mesmo se ele fosse bonito, ele ia ser uma dessas coisas que a gente não tem coragem de jogar fora mas não sabe o que fazer com ele, então eu penso que como ele seria legal eu poderia dá-lo pra alguém, mas aí, quem gosta de veleiros e teria espaço sobrando em casa para ter um veleiro que aliás eu nem sei se bóia, seria no máximo um brinquedo ou objeto de decoração, então eu poderia deixá-lo com os brinquedos, mas ele não caberia na caixa de brinquedos lotada, e não tem espaço no armário igualmente lotado, e de qualquer forma ninguém brincaria com ele se ele estivesse separado dos outros brinquedos de sempre, então eu penso que eu poderia pintá-lo e dá-lo de presente pros meninos da Cajaíba, que provavelmente nem gostariam dele, mas só se meus irmãos quisessem dar os deles também, e será que meus irmãos têm os mesmos problemas que eu?
(nossa, eu estou arrependida de ter escrito esse parágrafo)
Resumindo, eu sempre escolho fazer a coisa mais complicada. Acho que é porque eu tenho esperanças de poder fazer algum tipo de trabalho que não seja completamente inútil. O que me leva de volta à questão da faculdade, de como eu posso continuar fazendo um curso que não me dá nenhuma esperança de futuro, já que eu não consigo de forma nenhuma me imaginar designer, e por que me parece que meus amigos estão determinados e seguir com suas vidas enquanto eu tenho certeza de que não quero terminar a faculdade e me tornar uma sei lá o quê. E isso faz de mim uma pessoa desesperada. Se você jogar na minha cara o fato de que eu sou infeliz na minha vida acadêmica e talvez até familiar, eu provavelmente vou te agredir, então, acho que você deveria fazer isso mesmo, e a gente deveria lutar; é isso aí, eu vou abrir o Clube da Luta e voltar pra casa sangrando todos os dias. Outra coisa que faz a vida parecer mais certa é....
... hm, acabou de chegar um e-mail dizendo que as aulas vão começar só dia 26, e não 16 como estava sendo anunciado. Isso muda tudo...
enfim, outra coisa que faz a vida parecer mais certa é se machucar um monte e saber que foi por um bom motivo, e se sentir feliz com isso. Ou ser arremessado de uma bóia em alta velocidade. Ou se agarrar com todas as suas forças. Ou simplesmente tomar uma decisão e ir até o fim com ela (que é algo que eu nunca faço.)/
Enfim, eu estou tentando chegar a uma conclusão mas eu não estou conseguindo. Então vou desistir dessa bobagem e ir fazer alguma coisa de útil (sim, eu já perdi as esperanças de criar qualquer coisa através deste blog).
sábado, 8 de dezembro de 2007
Esconderijo
Para aqueles que nunca irão entender.
Cubra seu coração de mêdo
Cubra seu coração de mêdo
e descubra...
Se descubra...
Estou tentando entender o que não estou fazendo, o que não vejo, não sinto, não entendo. Eu não estou sequer me esforçando. Eu não sei para que lado devo olhar agora. É tão terrível assim? ficar com mêdo? não ter a menor idéia do que fazer em seguida?
Não deixe o bicho papão te pegar
Não deixe a noite cair
Pode ser que o Papai venha aqui te ninar
Se você não conseguir dormir...
Se há uma pergunta, essa pergunta não é o silêncio, essa pergunta não é a solidão, não é sequer o desamparo. Ou será o desamparo? Será que a pergunta não é somente o desespero absoluto, a desorientação, a falta absoluta de parâmetros, de tato?
Cubra seu coração de mêdo,
Enterre-o num punhado de pó
Deixe-o crescer em segredo
e o descubra quando estiver só...
Às vezes eu tenho raiva do mundo, mas não tenho como poder ter raiva do mundo, o mundo deveria é rir de mim. E eu olho ao redor de mim tentando imaginar quem é que deveria não rir de mim. Eu já não estou oferecendo nada, eu já não tenho mais o que oferecer. Estou pedindo ajuda e ninguém pode me ajudar (vocês sabem). Às vezes quando chega a sexta-feira tenho uma raiva que me faz me sentir criança outra vez... E me sinto absolutamente estúpida, porque, porra, é só uma coisa da vida, uma coisa que todos enfrentam todos os dias, isso de ter que fazer sacrifícios, de não fazer aquilo que se quer fazer, isso de ter mais coisas pra fazer do que parece possível...
Descubra o que há pra se perder
Descubra se há algo a se ganhar
Se você apenas se esconder
sua vida nunca vai mudar...
Acho que há algo mais (uma força, uma energia, uma coragem) que costumava haver na minha vida e que hoje eu não consigo encontrar. Hoje eu estou apenas apavorada, perdida, sem entender nada do que está acontecendo, presa a uma vida inconclusiva por... por uma coisa que talvez seja justamente a coisa mais importante...
Cubra seu coração de mêdo
Cubra-se de pavor...
Se afogue nesse banal enredo
e descubra...
Acho que a vida sempre foi muito fácil — sempre foi algo que eu podia desligar quando me enchesse o saco, e religar depois. Mesmo os escritos, os desenhos, os planos, grandes e pequenos: eu sempre desisti quando chegava na parte difícil... Nunca tive fé o suficiente na minha capacidade de terminar, de passar para a próxima fase. Ainda se fosse um problema matemático ou um jogo de vídeo-game, em que há sempre uma garantia de que existe uma resposta simples... (os problemas da escola eu em geral terminava, mesmo que fossem muito difíceis. dos vídeo-games eu cansava mais rápido...)
É muito difícil terminar a maratona por último.
Também é muito difícil realizar qualquer coisa para ninguém.
quarta-feira, 2 de maio de 2007
Take my frail wee heart in
Nós nos sentamos numa mesa
Nunca são todos os amigos
E contamos histórias do que se passou
E contamos histórias também do que não passou
E então não contamos mais nenhuma história.
Mas nada bebemos, e comemos lanches
que mais aprisionam a imaginação
e eu me sinto tão distante, tão distante...
Tão distante do sopro do vento,
tão distante do murmúrio do mar,
tão distante do cheiro das flores
e de tudo o mais...
E percebo que não temos mais terras para amar
E parece que tudo está fora desta terra,
que tudo está na outra ponta do infinito
Não há para onde sairmos
Nào há por onde cairmos
Estamos tão seguros e tão distantes
Não há caminhos secretos, jardins abandonados
Não há mais nenhum mistério, fantasma ou espírito
e eu me sinto tão distante, tão distante...
Tão distante do sopro do vento,
tão distante do murmúrio do mar,
tão distante do cheiro das flores
e de tudo o mais...
E vocês erguem grandes construções
marcando o nosso tempo e o seu lugar
E justificamos as destruições
para que possam escalar, escalar...
Mas agora a viagem não importa,
ninguém pode dizer para onde vamos...
E eu ouço carros apressados e acidentes
da janela do meu quarto
E eu vejo alto-falantes na catedral.
E acho que as invejo demasiado
quando vejo uma criança numa brincadeira
e eu me sinto tão distante, tão distante...
quero partir pra nunca mais voltar...
Nunca são todos os amigos
E contamos histórias do que se passou
E contamos histórias também do que não passou
E então não contamos mais nenhuma história.
Mas nada bebemos, e comemos lanches
que mais aprisionam a imaginação
e eu me sinto tão distante, tão distante...
Tão distante do sopro do vento,
tão distante do murmúrio do mar,
tão distante do cheiro das flores
e de tudo o mais...
E percebo que não temos mais terras para amar
E parece que tudo está fora desta terra,
que tudo está na outra ponta do infinito
Não há para onde sairmos
Nào há por onde cairmos
Estamos tão seguros e tão distantes
Não há caminhos secretos, jardins abandonados
Não há mais nenhum mistério, fantasma ou espírito
e eu me sinto tão distante, tão distante...
Tão distante do sopro do vento,
tão distante do murmúrio do mar,
tão distante do cheiro das flores
e de tudo o mais...
E vocês erguem grandes construções
marcando o nosso tempo e o seu lugar
E justificamos as destruições
para que possam escalar, escalar...
Mas agora a viagem não importa,
ninguém pode dizer para onde vamos...
E eu ouço carros apressados e acidentes
da janela do meu quarto
E eu vejo alto-falantes na catedral.
E acho que as invejo demasiado
quando vejo uma criança numa brincadeira
e eu me sinto tão distante, tão distante...
quero partir pra nunca mais voltar...
domingo, 25 de fevereiro de 2007
Orvalho em Pontas de Folhas de Pinheiros
(você se lembra de como era estar apaixonado?)
Aime, et tu renaítras; fais-toi fleur pour éclore,
Après avoir souffert, il faut souffrir encore;
Il faut aimer sans cesse, après avoir aimé.
Hoje estava recolhendo crônicas minhas do site dos Anjos de Prata. Digo crônicas por falta de um nome que os reúna. De fato, acho que nunca escrevi uma crônica. Nem nunca tive qualquer interesse — a literatura jornalística é o extremo oposto do tipo de literatura que sei escrever.Après avoir souffert, il faut souffrir encore;
Il faut aimer sans cesse, après avoir aimé.
O que me chamou a atenção na minha busca foi um texto de quatro anos atrás, que fala sobre a noite. Sobre como é preciso voltar para a noite, sobre como a noite também sente a minha falta.
...
... Como dói, tanto tempo de saparação...
Parece que com a gente não importa se foi bom ou ruim, é preciso voltar; viver, lembrar, sentir aqueles cheiros novamente. E mesmo que no presente eu sinta menos dores, parece até que é porque sinto tudo menos. Parece que por mais terrível que tenha sido o passado, ao menos ele foi terrível. E não entrar nessa penumbra; sexo, álcool, amigos que não se aceitam (ou não nos aceitam), faculdade, decisões importantes (e não só para nós mesmos), manter as aparências, sedução, namorados (nossos e dos outros), mêdos (também), dinheiro (dos outros), e aquele constante sentimento de impotência que é pior ainda agora que temos um pouco de poder sobre as coisas e as pessoas (ou, no mínimo, eles têm o poder de nos fazer exercer algum poder). E não consigo decidir o que me incomoda mais, talvez simplesmente porque tudo me incomoda muito.
O que eu quero, no fundo, é alguém que me ensine a viver. Quero passar as madrugadas, as manhãs e as tardes com você, e sair à noite em ruas iluminadas. Quero o mundo de novo, vê-lo por outros olhos, com novos rituais, novas liberdades. E um pouco de mim também, mas só as coisas boas ("mas não são todas boas?"...). Quero aprender a cozinhar, a dirigir e a sair pela cidade. Quero trabalhar. Estou honestamente cansada de tudo isso... Hoje de manhã quase fui até o escritória de mamãe perguntar quando íamos mudar de casa. Quando eu ia poder ter uma janela sem grades, que eu pudesse pular, na qual eu pudesse sentar. Quando haveria silêncio. No meio do caminho parei, sentei num carretel olhando a chuva. Acho que não quero mais morar aqui. Mesmo quando eu conseguir arrumar meu quarto, mesmo quando ele for reformado, sei que não chegará nem perto daquilo que eu quereria para mim. Sabe? Mal voltei de viagem e já estou pensando outra vez em como quero viajar. Amo São Paulo, mas quero mudar de quarto, de casa, de bairro. Quero esquecer as dúvidas, resolver meus problemas. Não estou preparada para ter novos problemas. Materialmente, acho que preciso passar minha vida a limpo ¬¬
terça-feira, 3 de outubro de 2006
Nem tão terrível...
Não sei bem, mas acho que sonho com uma vida simples, de bicicletas até a padaria próxima, e de volta com o saco de pãezinhos ou com o picolé geladinho. E com um gato que às vezes me acompanha, às vezes me joga no chão de grama, às vezes rouba um gole do meu copo d'água e me convida pra tomar um sundae ou pra fazer brigadeiro, se fizer frio. E de certa forma o sutil ideal que procuro se esboça para mim nos detalhes, nos pedaços da realidade que esvoaçam na minha frente, nos gestos dos meus amigos, nos sorrisos de simpáticos desconhecidos. E às vezes, quando me deparo com a minha própria realidade, me decepciono um pouco. Outras vezes, não. Mas mesmo quando não é nada disto que eu quero, tento sorrir -- porque não vou me conformar com minhas desilusões... Acho que, sim, eu mereço um pouco mais que isto...
"Somos sempre um pouco menos do que pensamos
Raramente, um pouco mais"
- Cecília Meireles
"Somos sempre um pouco menos do que pensamos
Raramente, um pouco mais"
- Cecília Meireles
quarta-feira, 26 de julho de 2006
Pointless
It's nonsense. All pointless. Destructive and autophagic. No matter how dazzling the sunset is, I still look at it and feel... like I'm nowhere at all...
... I wished we could just remove these bars...
... I wished we could just remove these bars...
sexta-feira, 19 de maio de 2006
Para viver como no sonho
Talvez faltasse um pouco mais de esperança, um pouco mais de delícia nesse viver incansável. Talvez faltasse sentir a dor com um pouco mais de intensidade, e deixar de sofrer pelo passado na mesma medida. Talvez faltasse o desespero de todos os amores sinceros. Talvez, porém, faltasse apenas coragem...
Meu coração engole baques secos e se cála. Será que algum dia eu vou viver como nos sonhos?
Estranhamente hoje olhei para ti como se fosses meu melhor amigo... e sequer me vistes. Será que algum dia eu vou viver assim?
"O que será, será."
E boa caçada a todos!
Meu coração engole baques secos e se cála. Será que algum dia eu vou viver como nos sonhos?
Estranhamente hoje olhei para ti como se fosses meu melhor amigo... e sequer me vistes. Será que algum dia eu vou viver assim?
"O que será, será."
E boa caçada a todos!
terça-feira, 27 de dezembro de 2005
I will go down with this ship
I'm in love, and I will aways be...
It's so weird: everything is just mixed up...
Eu atravessava a sala quando vi o céu. Parecia que me chamava: o azul de um blue estonteante e lindo e profundo congelante me chamando aqui conforto sonho vem e eu ali olhando embasbacada quase que fui puxada meus pés me levando sonsos Meu Deus quando que o céu ficou assim tão bonito eu quase que não vi...
Cheguei lá fora o céu ficou mais céu menos ***... Eu olhei ao redor, o azul profundo escurecendo, o céu o céu... A noite caía como um pássaro que plana com asas feridas coberta de nuvens lúgubres e ébrias como há de ser tudo o que há na noite. O vento, ai Vento velho de guerra meu amor meu desejado...
O vento tocou minha pele como seda, sol e carinho de quem se ama. Envolveu meu corpo inteiro com a delícia da solidão das noites em que o vento é o meu único companheiro real. O mundo pareceu certo, vivo, valioso, quando ele me abraçou suavemente. Respirei fundo o seu cheiro noturno e murmurei para a noite... Noite, que saudades senti de ti. Saudades dos nossos tempos de guerra e paz, das nossas conversas... Que saudades, Vento, dos seus abraços, dos seus sussurros... Onde estão as estrelas? Perdoem-me, Noite, Vento, perdoem-me eu ter me afastado tanto. Eu preciso de vocês, sei que preciso... Noite, uma estrela apenas! Me dê uma estrela como costumava fazer antigamente...
E ela me deu. Uma estrela brilhante no céu noturno e um abraço por toda uma existência. Eu queria chorar, sorrir, não sei. A chuva garoava baixinho sobre nós e eu não queria partir. Mas aí o Luque chegou e afinal eu quis entrar. Entrar...
It's so weird: everything is just mixed up...
Eu atravessava a sala quando vi o céu. Parecia que me chamava: o azul de um blue estonteante e lindo e profundo congelante me chamando aqui conforto sonho vem e eu ali olhando embasbacada quase que fui puxada meus pés me levando sonsos Meu Deus quando que o céu ficou assim tão bonito eu quase que não vi...
Cheguei lá fora o céu ficou mais céu menos ***... Eu olhei ao redor, o azul profundo escurecendo, o céu o céu... A noite caía como um pássaro que plana com asas feridas coberta de nuvens lúgubres e ébrias como há de ser tudo o que há na noite. O vento, ai Vento velho de guerra meu amor meu desejado...
O vento tocou minha pele como seda, sol e carinho de quem se ama. Envolveu meu corpo inteiro com a delícia da solidão das noites em que o vento é o meu único companheiro real. O mundo pareceu certo, vivo, valioso, quando ele me abraçou suavemente. Respirei fundo o seu cheiro noturno e murmurei para a noite... Noite, que saudades senti de ti. Saudades dos nossos tempos de guerra e paz, das nossas conversas... Que saudades, Vento, dos seus abraços, dos seus sussurros... Onde estão as estrelas? Perdoem-me, Noite, Vento, perdoem-me eu ter me afastado tanto. Eu preciso de vocês, sei que preciso... Noite, uma estrela apenas! Me dê uma estrela como costumava fazer antigamente...
E ela me deu. Uma estrela brilhante no céu noturno e um abraço por toda uma existência. Eu queria chorar, sorrir, não sei. A chuva garoava baixinho sobre nós e eu não queria partir. Mas aí o Luque chegou e afinal eu quis entrar. Entrar...
segunda-feira, 3 de outubro de 2005
Me permita sonhar um instante
Sinceramente, vocês devem estar falando a verdade... Vocês têm que estar falando a verdade....
Mas a cada vez que dizem isso me dão menos vontade de existir. A Cláudia tem razão, vivemos num mundo profundamente trágico... Um dia, a humanidade vai diminuir por conta do alto número de suicídios, e os suicidas terão razão. Não se poderá culpá-los: o mundo como eles imaginam conhecê-lo não existirá em absoluto.
Ok, eu sou uma idiota romântica. Mas se não posso acreditar que há um pouco de bondade nos olhos das pessoas que nos indicam o caminho, então de que nos serve existir a humanidade? O que me diferencia de um assassino, além da esperança de que o sorriso que estes homens me dirigem seja sincero? No dia em que eu tiver certeza de que a rua é um lugar maligno e temível, eu vou simplesmente me trancar em casa, chorando, chorando, querendo morrer, querendo gritar... E aí... Aí vou querer que você nunca tenha existido. Vou odiar a tudo e a todos... Mas não vou poder consumar meu ódio, pois restará uma qualquer coisa de cumplicidade que me fará... que me fará achar bonitinho essas pessoas lutando pela paz e pela vida... e eu vou simplesmente me unir aos suicidas, porque, como eu disse, eles terão razão.
...
Qual é o problema com o mundo? Por que as pessoas insistem em achar que viver é mais importante que sorrir?
...
Talvez eu estivesse certa: o que você quer de mim é exatamente aquilo que eu não sei dar. Você quer que eu entre no jogo, porque é impossível vencer sem jogar de acordo com as regras. Você quer que eu pense, que eu negocie, que eu planeje, que eu raciocine, que eu acredite, que eu me esforce, que eu me esconda, que eu dissimule, que eu sorria quando estou triste, que eu seja boazinha, que eu seja politicamente correta, que eu coma e ainda diga que a comida está boa.
Tudo o que eu quero é dar o fora. Eu quero chutar o balde. Eu quero rosnar pro lobo, quero brigar de faca. Não me importa mais o que é que você pensa. Eu não quero que você me dê abrigo.
Porque tudo o que eu queria era te trazer pro meu mundo, mas eu desisti, que se foda.
Eu perdi um amigo essa semana, mas ainda o amo, mesmo riscando-o da minha vida, e meus amigos de verdade simplesmente não percebem que eu quero chorar e eu não vou rir das suas idiotices, mas que se foda.
E eu queria que você viesse comigo, mas não dá, tudo bem, eu entendo, não é culpa sua, nem minha, a gente não se importa... mas eu não vou fazer esse jogo. Politicagem não é comigo. Eu quero explodir tudo, sabe? Você não sabe. Você tem raiva e chora. Eu não preciso achar que o mundo é pior ainda do que o que eu vejo. E eu não preciso fingir que está tudo bem, preciso?
Saco, perdi a hora.
Eu sei que não adianta a gente fechar os olhos... Mas então eu quero uma faca ou que seja uma arma (sim, uma arma de fogo) pra poder matar o cara que vai me dar o tiro que dizem que eu vou levar se sair na rua de madrugada. De que me vale ter medo da morte? Já não me importa, sabe? Vocês não podem ouvir meu coração, porque falam tão alto com seus automóveis e celulares... De que me vale ser filha da santa? E minha mãe nem é santa... É só mãe. É só amor.
Mas de que me valho eu mesma? Somos apenas burgueses! Nós comemos! E não gostamos ou desgotamos do que comemos; apenas comemos. Não temos qualquer outra utilidade no mundo, nossa existência é uma conseqüência, jamais uma razão. Nós comemos. Comemos. Devoramos. Até que por fim devoraremos uns aos outros. Ou a nós mesmos, tão cheios de nós que somos. Gulosos.
Um dia o Partido saberá ler os pensamentos das pessoas. Então a história terá estagnado para sempre. Até lá, me deixem acreditar que o mundo não desmoronou completamente.
Eu espero que um dia nós peguemos em armas. Mas enquanto isso não acontecer, deixem que eu devolva a minha frustração com inconseqüência! Alguém disse que acabar com a própria vida deveria ser um direito inalienável. Eu não concordo mais com isso, mas ainda acho que dar a vida por um sonho e arriscar a vida por um ideal são coisas muito diferentes, aliás opostas.
Mas enquanto o mundo é este, dá pra simplesmente me dar um abraço às vezes, e me segurar às vezes? Será que dá pra ser meu amigo às vezes? Eu não espero mais nada da vida... Nem alegria nem dificuldade... Nem nada. Só um vazio e um grito contido.
Enquanto estamos nisto, acho que eu vou... simplesmente... aprender a viver, sabe? Ou aprender a pedir ajuda, ou a sobreviver sozinha. Sobreviver sozinha. Porque nem sempre você estará lá, e eu sei. Você tem a sua própria vida pra viver. E sempre haverá um dia em que eu estarei completamente sozinha com meus demônios.
Então, tudo o que eu posso fazer é ser forte. Mesmo que a luta esteja perdida. Mesmo sem dobrar.
Para o Bruno: isso é mau-humor. Veja a diferença. ¬¬
Mas a cada vez que dizem isso me dão menos vontade de existir. A Cláudia tem razão, vivemos num mundo profundamente trágico... Um dia, a humanidade vai diminuir por conta do alto número de suicídios, e os suicidas terão razão. Não se poderá culpá-los: o mundo como eles imaginam conhecê-lo não existirá em absoluto.
Ok, eu sou uma idiota romântica. Mas se não posso acreditar que há um pouco de bondade nos olhos das pessoas que nos indicam o caminho, então de que nos serve existir a humanidade? O que me diferencia de um assassino, além da esperança de que o sorriso que estes homens me dirigem seja sincero? No dia em que eu tiver certeza de que a rua é um lugar maligno e temível, eu vou simplesmente me trancar em casa, chorando, chorando, querendo morrer, querendo gritar... E aí... Aí vou querer que você nunca tenha existido. Vou odiar a tudo e a todos... Mas não vou poder consumar meu ódio, pois restará uma qualquer coisa de cumplicidade que me fará... que me fará achar bonitinho essas pessoas lutando pela paz e pela vida... e eu vou simplesmente me unir aos suicidas, porque, como eu disse, eles terão razão.
...
Qual é o problema com o mundo? Por que as pessoas insistem em achar que viver é mais importante que sorrir?
...
Talvez eu estivesse certa: o que você quer de mim é exatamente aquilo que eu não sei dar. Você quer que eu entre no jogo, porque é impossível vencer sem jogar de acordo com as regras. Você quer que eu pense, que eu negocie, que eu planeje, que eu raciocine, que eu acredite, que eu me esforce, que eu me esconda, que eu dissimule, que eu sorria quando estou triste, que eu seja boazinha, que eu seja politicamente correta, que eu coma e ainda diga que a comida está boa.
Tudo o que eu quero é dar o fora. Eu quero chutar o balde. Eu quero rosnar pro lobo, quero brigar de faca. Não me importa mais o que é que você pensa. Eu não quero que você me dê abrigo.
Porque tudo o que eu queria era te trazer pro meu mundo, mas eu desisti, que se foda.
Eu perdi um amigo essa semana, mas ainda o amo, mesmo riscando-o da minha vida, e meus amigos de verdade simplesmente não percebem que eu quero chorar e eu não vou rir das suas idiotices, mas que se foda.
E eu queria que você viesse comigo, mas não dá, tudo bem, eu entendo, não é culpa sua, nem minha, a gente não se importa... mas eu não vou fazer esse jogo. Politicagem não é comigo. Eu quero explodir tudo, sabe? Você não sabe. Você tem raiva e chora. Eu não preciso achar que o mundo é pior ainda do que o que eu vejo. E eu não preciso fingir que está tudo bem, preciso?
Saco, perdi a hora.
Eu sei que não adianta a gente fechar os olhos... Mas então eu quero uma faca ou que seja uma arma (sim, uma arma de fogo) pra poder matar o cara que vai me dar o tiro que dizem que eu vou levar se sair na rua de madrugada. De que me vale ter medo da morte? Já não me importa, sabe? Vocês não podem ouvir meu coração, porque falam tão alto com seus automóveis e celulares... De que me vale ser filha da santa? E minha mãe nem é santa... É só mãe. É só amor.
Mas de que me valho eu mesma? Somos apenas burgueses! Nós comemos! E não gostamos ou desgotamos do que comemos; apenas comemos. Não temos qualquer outra utilidade no mundo, nossa existência é uma conseqüência, jamais uma razão. Nós comemos. Comemos. Devoramos. Até que por fim devoraremos uns aos outros. Ou a nós mesmos, tão cheios de nós que somos. Gulosos.
Um dia o Partido saberá ler os pensamentos das pessoas. Então a história terá estagnado para sempre. Até lá, me deixem acreditar que o mundo não desmoronou completamente.
Eu espero que um dia nós peguemos em armas. Mas enquanto isso não acontecer, deixem que eu devolva a minha frustração com inconseqüência! Alguém disse que acabar com a própria vida deveria ser um direito inalienável. Eu não concordo mais com isso, mas ainda acho que dar a vida por um sonho e arriscar a vida por um ideal são coisas muito diferentes, aliás opostas.
Mas enquanto o mundo é este, dá pra simplesmente me dar um abraço às vezes, e me segurar às vezes? Será que dá pra ser meu amigo às vezes? Eu não espero mais nada da vida... Nem alegria nem dificuldade... Nem nada. Só um vazio e um grito contido.
Enquanto estamos nisto, acho que eu vou... simplesmente... aprender a viver, sabe? Ou aprender a pedir ajuda, ou a sobreviver sozinha. Sobreviver sozinha. Porque nem sempre você estará lá, e eu sei. Você tem a sua própria vida pra viver. E sempre haverá um dia em que eu estarei completamente sozinha com meus demônios.
Então, tudo o que eu posso fazer é ser forte. Mesmo que a luta esteja perdida. Mesmo sem dobrar.
"Quando eu chego em casa nada me consola
Você está sempre aflita
Com lágrimas nos olhos, de cortar cebola
Você é tão bonita
Você traz a coca-cola eu tomo
Você bota a mesa, eu como
eu como, eu como, eu como, eu como
Você
Não está entendendo quase nada do que eu digo
Eu quero ir-me embora
Eu quero é dar o fora
E quero que você venha comigo
E quero que você venha comigo
Eu me sento, eu fumo, eu como, eu não aguento
Você está tão curtida
Eu quero tocar fogo neste apartamento
Você não acredita
Traz meu café com suita eu tomo
Bota a sobremesa eu como
eu como, eu como, eu como, eu como
Você
Tem que saber que eu quero correr mundo, correr perigo
Eu quero é ir-me embora
Eu quero dar o fora
E quero que você venha comigo
E quero que você venha comigo
E quero que você venha comigo
E quero que você venha comigo
E quero que você venha comigo"
Você está sempre aflita
Com lágrimas nos olhos, de cortar cebola
Você é tão bonita
Você traz a coca-cola eu tomo
Você bota a mesa, eu como
eu como, eu como, eu como, eu como
Você
Não está entendendo quase nada do que eu digo
Eu quero ir-me embora
Eu quero é dar o fora
E quero que você venha comigo
E quero que você venha comigo
Eu me sento, eu fumo, eu como, eu não aguento
Você está tão curtida
Eu quero tocar fogo neste apartamento
Você não acredita
Traz meu café com suita eu tomo
Bota a sobremesa eu como
eu como, eu como, eu como, eu como
Você
Tem que saber que eu quero correr mundo, correr perigo
Eu quero é ir-me embora
Eu quero dar o fora
E quero que você venha comigo
E quero que você venha comigo
E quero que você venha comigo
E quero que você venha comigo
E quero que você venha comigo"
Para o Bruno: isso é mau-humor. Veja a diferença. ¬¬
domingo, 2 de outubro de 2005
De Noite
Ontem (ou anteontem, quando caminhei do Teatro do Colégio até a portaria, à 23h00 de uma sexta-feira, até me passou pela cabeça a loucura que estava prestes a fazer. Afinal, estava tarde e escuro, as ruas estavam vazias, e eu sabia que há alpenas alguns dias um homem fora baleado logo ali do lado. Entretanto, talvez eu seja, como todo o mundo, uma dessas pessoas que não acreditam numa coisa até que ela se prove verdadeira aos meus olhos - e me parecia absurdo o perigo que eu sabia, racionalmente, existir. Foiuma certa indignação e uma certa saudade que me fizeram seguir em frente, sozinha. Levava um sorriso no rosto: afinal, andar pela cidade à noite é um dos meus grandes prazeres. Saudade eu tinha do tempo em que brincava na rua, em Santo Amaro. Seqüestro sempre me parecera coisa de Hollywood; assassinatos também. Eu inocentemente desejava um mundo que só existe em pequenas ou turísticas cidades, e olhe lá. Uma indignação profunda. Eu não agüento mais, sabe? viver prisioneira em minha prórpria casa, obrigada a conviver unicamente com gente parecida comigo porque, afinal, é perigoso demais ir para qualquer lugar onde haja gente diferente. Foi com essa dor no peito que eu fui em frente, um samba de Noel Rosa. O samba não é uma música alegre nascida da dor? A vida é assim, sofremos e entretanto dançamos. "Que se dane, que se dane..."
Por isso segui em frente cantarolando as musiquinhas do Noel. "Que se dane", pensei lá comigo mesma, "tenho tanto a perder que se perder um pouco ainda tenho muito, e perdendo muito ainda resta um pouco!"
Às vezes, sabe, sinto um pouco de falta de morar numa casa pequena como aquelas da Lemos Conde (que aliás nem são tão pequenas assim), de ter só uma TV, só uma bicicleta... Essa imponência toda das casas de pinheiros me casa um desconforto, um certo nojo. Prepotância. Uma vez eu disse pra Calulu que eu me sentia um pouco presa quando estava na casa dela, e ela achou que eu estivesse dizendo que a casa dela era pequena... mas eu só me sentia desconfortável porque era a casa de outra pessoa, porque não era minha casa. Eu me sinto um pouco presa na minha casa também... porque mesmo com todo o espaço livre não posso correr, nem vagar, nem brincar, nem nada. Há muitas coisas que não se pode fazer em público. Talvez por isso nos restrinjamos tanto ao privado - afinal, entre amigos sou muito mais livre que entre quaisquer outras pessoas. Maas, voltando ao assunto, ao menos na minha casa eu posso deitar na cama e esquecer disso tudo. Na casa dos outros, é mais difícil.
Não se esqueçam de que sexta à tarde eu fui assistir ao filme Meu Tio, de Jacques Tatit, e em seguida participei de uma reflexão coletiva na qual a Cláudia disse (como sempre) muitas vezes (como sempre) que nós precisamos nos "apropriar do espaço público". Evidentemente eu queria encontrar um mundo que fosse público, e não apenas no plano virtual.
Não pensei em nada disso enquanto cominhava para a portaria do colégio. Pensava apenas que não valia a pena viver aprisionada pelas grades do mêdo - mesmo se fosse mêdo de um perigo real, e não mêdo do mêdo do mêdo de um dia encontrar um lobo. "Se algum dia eu morrer por causa da minha inconseqüência", pensei lá comigo, "vou me sentir meio idiota, mas pelo menos vou ter vivido a vida que quis".
Mas acho que eu não posso viver a vida que eu quero. Talvez seja mesmo absurdo querer viajar para uma vila no interior com menos dinheiro do que o necessário e tentar sobreviver por lá. Talvez eu tenha que tentar alguma coisa e falhar para chegar a esse mundo em que perder dói fisicamente. Talvez essas coisas só sejam possíveis para adultos e gente de escola pública. Talvez eu devesse tentar me dar melhor com essa gente que vive e respira Alto de Pinheiros, Alfaville, Shopping Villa-Lobos, Colégio Santa Cruz. Mas eu não agüento mais conviver sempre com gente tão... tão parecida comigo, eu acho, mas no sentido ruim. Gente que vive a mesma vida que eu. Não tenho nada que me faça me sentir especial, mas tenho muito o que me faça me sentir estranha, talvez até um pouco fora de lugar.
O que me lembra que, realmente, aquela série, The O.C., consegue atrair a atenção só por causa de quatro ou cinco personagens que vêm de uma classe mais baixa que a dos outros personagens, e que por isso se destacam ou causam desconforto. Mas eu, diferentemente da Marissa, nunca quereria ir a um mall para esquecer da idéia de lavar a louça e pagar o aluguel...¬¬
(etc.)
Mas acho que eu não posso viver a vida que eu quero. Não posso tirar as grades da janela, não posso quebrar o muro do jardim (em parte porque seria difícil dormir com o barulho dos carros), não posso fazer uma porção de coisas. Talvez eu realmente não possa também andar na rua à noite. Talvez eu nem possa lutar pelos meus sonhos, mas quem sabe? acho que eu só quero alguma coisa que dê sentido a isso tudo, que vá além do "comer hoje para poder comer amanhã". Queria que alguma coisa acontecesse na minha vida, algo que me justificasse. Pode parecer estranho, mas andar sozinha simplesmente me explica a mim mesma...
Ou talvez eu simplesmente goste de correr riscos. Afinal, como podemos saber se somos fortes se nunca saímos da nossa redoma de vidro?
Às vezes eu invejo essas pessoas que têm mêdo... mas só às vezes. Mas toda a vez em que eu ando pelas ruas de São Paulo eu acredito mais na bondade humana. Não entendo porque as pessoas preferem andar de carro ou pegar ônibus, de a pé temos oportunidades incríveis de nos comunicarmos com as pessoas!
Ou talvez eu apenas queira acreditar que o que as pessoas contam é real, mas não consiga. Eu me sinto no show de Truman. É como se as pessoas repetissem sempre a mesma mentira, e ela nunca se torne verdade. Eu preciso de algo que me prove que isso tudo não é uma invenção. Tudo o que eu quero é conhecer o mundo!
"O orvalho vem caindo, vai molhar o meu chapéu
e também văo sumindo as estrelas lá no céu
Tenho passado tăo mal, a minha cama é uma folha de jornal
Meu cortinado é o vasto céu de anil
e o meu despertador é o guarda-civil
(Que o salário ainda năo viu)
mas o orvalho vem caindo...
vai molhar o meu chapéu..."
e também văo sumindo as estrelas lá no céu
Tenho passado tăo mal, a minha cama é uma folha de jornal
Meu cortinado é o vasto céu de anil
e o meu despertador é o guarda-civil
(Que o salário ainda năo viu)
mas o orvalho vem caindo...
vai molhar o meu chapéu..."
Por isso segui em frente cantarolando as musiquinhas do Noel. "Que se dane", pensei lá comigo mesma, "tenho tanto a perder que se perder um pouco ainda tenho muito, e perdendo muito ainda resta um pouco!"
Às vezes, sabe, sinto um pouco de falta de morar numa casa pequena como aquelas da Lemos Conde (que aliás nem são tão pequenas assim), de ter só uma TV, só uma bicicleta... Essa imponência toda das casas de pinheiros me casa um desconforto, um certo nojo. Prepotância. Uma vez eu disse pra Calulu que eu me sentia um pouco presa quando estava na casa dela, e ela achou que eu estivesse dizendo que a casa dela era pequena... mas eu só me sentia desconfortável porque era a casa de outra pessoa, porque não era minha casa. Eu me sinto um pouco presa na minha casa também... porque mesmo com todo o espaço livre não posso correr, nem vagar, nem brincar, nem nada. Há muitas coisas que não se pode fazer em público. Talvez por isso nos restrinjamos tanto ao privado - afinal, entre amigos sou muito mais livre que entre quaisquer outras pessoas. Maas, voltando ao assunto, ao menos na minha casa eu posso deitar na cama e esquecer disso tudo. Na casa dos outros, é mais difícil.
Não se esqueçam de que sexta à tarde eu fui assistir ao filme Meu Tio, de Jacques Tatit, e em seguida participei de uma reflexão coletiva na qual a Cláudia disse (como sempre) muitas vezes (como sempre) que nós precisamos nos "apropriar do espaço público". Evidentemente eu queria encontrar um mundo que fosse público, e não apenas no plano virtual.
Não pensei em nada disso enquanto cominhava para a portaria do colégio. Pensava apenas que não valia a pena viver aprisionada pelas grades do mêdo - mesmo se fosse mêdo de um perigo real, e não mêdo do mêdo do mêdo de um dia encontrar um lobo. "Se algum dia eu morrer por causa da minha inconseqüência", pensei lá comigo, "vou me sentir meio idiota, mas pelo menos vou ter vivido a vida que quis".
"Live fast, dye pretty", dizia a bula daquela rapariga estranha que encontrei hoje de manhã
Mas acho que eu não posso viver a vida que eu quero. Talvez seja mesmo absurdo querer viajar para uma vila no interior com menos dinheiro do que o necessário e tentar sobreviver por lá. Talvez eu tenha que tentar alguma coisa e falhar para chegar a esse mundo em que perder dói fisicamente. Talvez essas coisas só sejam possíveis para adultos e gente de escola pública. Talvez eu devesse tentar me dar melhor com essa gente que vive e respira Alto de Pinheiros, Alfaville, Shopping Villa-Lobos, Colégio Santa Cruz. Mas eu não agüento mais conviver sempre com gente tão... tão parecida comigo, eu acho, mas no sentido ruim. Gente que vive a mesma vida que eu. Não tenho nada que me faça me sentir especial, mas tenho muito o que me faça me sentir estranha, talvez até um pouco fora de lugar.
O que me lembra que, realmente, aquela série, The O.C., consegue atrair a atenção só por causa de quatro ou cinco personagens que vêm de uma classe mais baixa que a dos outros personagens, e que por isso se destacam ou causam desconforto. Mas eu, diferentemente da Marissa, nunca quereria ir a um mall para esquecer da idéia de lavar a louça e pagar o aluguel...¬¬
(etc.)
Mas acho que eu não posso viver a vida que eu quero. Não posso tirar as grades da janela, não posso quebrar o muro do jardim (em parte porque seria difícil dormir com o barulho dos carros), não posso fazer uma porção de coisas. Talvez eu realmente não possa também andar na rua à noite. Talvez eu nem possa lutar pelos meus sonhos, mas quem sabe? acho que eu só quero alguma coisa que dê sentido a isso tudo, que vá além do "comer hoje para poder comer amanhã". Queria que alguma coisa acontecesse na minha vida, algo que me justificasse. Pode parecer estranho, mas andar sozinha simplesmente me explica a mim mesma...
Ou talvez eu simplesmente goste de correr riscos. Afinal, como podemos saber se somos fortes se nunca saímos da nossa redoma de vidro?
Às vezes eu invejo essas pessoas que têm mêdo... mas só às vezes. Mas toda a vez em que eu ando pelas ruas de São Paulo eu acredito mais na bondade humana. Não entendo porque as pessoas preferem andar de carro ou pegar ônibus, de a pé temos oportunidades incríveis de nos comunicarmos com as pessoas!
Ou talvez eu apenas queira acreditar que o que as pessoas contam é real, mas não consiga. Eu me sinto no show de Truman. É como se as pessoas repetissem sempre a mesma mentira, e ela nunca se torne verdade. Eu preciso de algo que me prove que isso tudo não é uma invenção. Tudo o que eu quero é conhecer o mundo!
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