sexta-feira, 27 de abril de 2007

Então, né, design...

Para que vocês saibam algumas das preocupações que um pobre estudante de Design tem.



Então, a gente estuda Marx e Sartre, passa uma semana inteira lendo Argan; discute a Revolução Industrial, os operários (e os ludistas) e os capitalistas (e principalmente os desenhistas industriais); é obrigado a entender tudo que se fala sobre Ulm e Bauhaus (e um pouco sobre a FAU), sobre Art Nouveau e Art Déco, sobre o impressionismo e o romantismo, e sobre a arte contemporânea; estuda o poder da tipografia, a teoria das cores, a Gestalt; a gente vai a exposições, a imposições, a palestras, e vê filmes, e vê quadros, e vê livros; e tem aula de desenho geométrico, e faz inúmeros trabalhos com inúmeros materiais. Mas quando vai procurar estágio... Pois é,Design não é fácil...

segunda-feira, 23 de abril de 2007

A nossa geração

De novo, eu gostaria de fazer um post sobre o que vivi, e o que me assusta.


O que me assusta na "nossa geração" não é exatamente o despudor das pessoas de catorze anos de pegar dez pessoas numa festa e deixar toda a série saber; não é a quantidade de batidas de vodka que essas pessoas bebem, nem o volume de cigarros que fumam regularmente; não é a música que ouvimos, nem sequer a libidinosidade grosseira das danças que as acompanham (nos dias de hoje, o conceito de 'sensualidade' se esgarça. até porque não há mais sutileza.) O que realmente me assusta é que as pessoas mais cheias de princípios, as mais recatadas, perdem completamente a noção do pudor. Depois do primeiro beijo, vêm centenas de outros, de inúmeras pessoas diferentes. E meu amigo vai dar uns malhos com uma amiga, algo bem sem compromisso, e ele diz isso com a boca ainda molhada de um beijo de outra menina; ao mesmo tempo, as amigas têm raiva de uma rapariga (muito gente fina, por sinal) porque o garoto com quem ela está ficando acabou de terminar com a namorada, que ainda estava em prantos na sexta passada (ou seja, ontem). E a Gabi acha que sete meses não é tempo de namoro o suficiente para que sexo seja uma das bases da relação. Me desculpe, gatinha, mas o jeito como aquele menino que você adora passou a mão na bunda daquela loirinha vai muito contra esse seu idealismo. E quer saber? Você, e muita gente igual a você, está se esforçando para ser mais como ele. O que faz sentido, já que gente como ele existe por causa de gente como você. E vai além disso. É só olhar para elas, com seus decotes relaxados, suas poses séxys, pegando-se indiscriminadamente, é tudo carne, gente. O que será que pensam? Por que será que, para eles, tudo isso é natural? Será que só eu acho esquisito? Será que estou soando como uma velha retrógrada? Mas, pensando bem, acho que seria certo eu soar assim, já que a minha turma do santa não era assim, de modo geral. Até as meninas pegadoras eram meio castas... Ou será que é só pressão, mesmo, e que eles têm tanto mêdo uns dos outros como o resto de nós?

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Fuga, Frustração e Fuga.

Will se debruçou sobre a amurada, admirando a paisagem. Entre seus olhos e o mar: duas gaivotas, marolas, sinais de paixes, e o Won-Tolla no canto do olho, içando as velas e ronronando para longe da poita. Uma brisa salgada jogava cabelos clareados pelo sol no rosto do menino. Will nem percebeu.
Passos. Suaves, mas perfeitamente audíveis sobre o sussurro marítimo. Um homem alto de cabelos negros curtos se aproximou sem qualquer encenação.
— Uma semana, William. —, disse ele.
Foi só isso. Tirou um cigarro do bolso da camisa azul e um isqueiro do bolso da calça. Pôs o cigarro na boca, as mãos em concha. Não abriu os olhos. O punho fechado de Will atingiu com força seu rosto desprevenido.
— Fuck you, Raven.
Foi tudo o que o jovem Will Grant conseguiu formular. Encarou por alguns instantes o homem estupefato, com olhos intensos que contiam algo pior do que o soco e o olhar. Depois apoiou-se outra vez na amurada, com o mesmo olhar fixado no horizonte. Entre seus olhos e o mar: cinco gaivotas, marolas, um barco pesqueiro, uma canoa; e o Won-Tolla, no centro da imagem, de velas içadas, se afastando suave da frota que sempre escoltara. Will levou a mão aos cabelos, tentou debalde prendê-los atrás das orelhas. Pouco compridos, volumosos demais. O homem atrás dele pôs o isqueiro no bolso, pegou o cigarro do chão, se levantou, guardou o cigarro no bolso, limpou com as mãos a camisa e a calça, arrumou o cabelo com as pontas dos dedos. Quando terminou, pegou outra vez o cigarro e o isqueiro, e pôs o cigarro na boca. Will, saiu andando em direção à proa. Andando primeiro, enquanto Raven guardava o isqueiro com pressa e tirava o cigarro da boca para perguntar aonde ele ia; depois, correndo, enquanto o homem tentava se aproximar. Por fim, em disparada irracional, por sobre cabos, âncoras, redes, por entre caixotes, por baixo de velas e escadas e cabos e roldanas de todos os tamanhos, sem destino ou direção; apenas queria correr, correr, fugir, e quando acabou o barco pulou tolamente para o cais, e sequer sentindo a dor da queda correu pelos píers, pelas docas, pela praia, por galpões; alcançou a cidade, percorreu ruas e ruelas, enfiou-se em becos, atravessou salas de visitas, cruzou praças, ilhas de avenidas, estacionamentos. Parou de correr quando pulou um muro sem calcular a altura e viu-se a rolar ladeira a baixo, passando ao seu lado árvores e bancos de uma praça notavelmente íngreme, até que parou num baque doloroso contra uma falsa seringueira, rodeada de grossas raízes. Seus olhos perderam o poder do foco, e os pensamentos foram ficando cada vez mais confusos. Sentiu uma dor aguda vinda de seu joelho direito, que derramava na terra rios de sangue. Seu pulmão parecia queimar, e era difícil respirar. O ritmo cardíaco foi baixando, e todo o corpo ficava mais insinsível. Entre ele e a morte, apenas: um par de gaivotas, um pingente de espada, uma tornozeleira; e o Won-Tolla, no centro de tudo, desaparecendo por trás da ponta do Farol.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

"Does it hurt?"

...

Honestly, someday we have to learn to live beyond pain.
"No mundo atual está se investindo cinco vezes mais em remédios para virilidade masculina e silicone para mulheres do que na cura do Mal de Alzheimer.
Daqui a alguns anos, teremos velhas de peitos duros e velhos de pau duro, mas eles não se lembrarão para que servem."

Dráuzio Varella

terça-feira, 3 de abril de 2007