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terça-feira, 10 de maio de 2011

Amor Livre - ~~

Sabe aquela sensação de que nada mais importa? Então. Não é o que eu quero. Não quero ficar preso a uma pessoa, acorrentado a uma esperança de que vamos nos ver de novo. Não quero ser refém de uma promessa, mesmo que tácita, de que devemos algo um para o outro. Eu preciso saber que, a qualquer momento, eu posso decidir nunca mais ligar, nunca mais ver, nunca mais falar - e se eu ligo, vejo e falo é exclusivamente porque eu quero. E isso tudo exige um tremendo esforço. É tão fácil se acostumar com as outras pessoas (e eu não quero que você se acostume comigo). E me pergunto, será que eu vou me acostumar? Será que eu vou querer me acostumar um dia? Será que vai começar a fazer parte da minha vida, cada dia um pouquinho mais, até que não tenha mais volta?

Sim. E isso me assusta, todos os dias. Eu estou tão acostumada com você, mas eu não quero te ver só porque está estabelecido que será assim. Eu não quero que você tome cada decisão pensando em mim. Tudo mudou, é claro, tudo sempre muda, mas as palavras do último outono ainda têm cheiro de mato e de mar, e nós nunca cumprimos aquelas promessas de vento, de se perder, de caçar. E antes do próximo outono eu quero viver com você pelo menos mais um sonho. E eu quero saber que embarcamos nessa não só porque é confortável, mas porque é Awesome.

Sabe o que eu quero? Eu quero que você diga que tudo o mais importa, e que todos nós vamos fazer o que for melhor, em cada circunstância, e que a gente não vai se sacrificar pelas coisas chatas, e sim pelas coisas que realmente vão mudar o nosso mundo. Entende?

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Cerveja

Eu estou escrevendo um post sobre cerveja. Sim, cerveja é tão importante pra mim assim (você poderia dizer, "Lobz, você escreve sobre coisas totalmente irrelevantes", mas você perceberia que não é realmente isso o que acontece: é que muita coisa é importante pra mim). O que eu poderia dizer é que talvez caipirinha e cuba-libre sejam tão importantes quanto cerveja. Não sei avaliar sem pensar muito, mas, de qualquer forma, acho que posso enquadrar todos eles numa categoria só. Então:

Cerveja, caipirinha e cuba-libra

Outro dia (acho que foi ontem) tive uma conversa mais ou menos assim com o @andrechalom:

-- (...) Não sei por que dou tanta importância a isso. Mas, por outro lado, antes eu não sabia por que eu dava tanta importância a cerveja, e agora faz todo o sentido!
-- Do que você tá falando?
-- Antes de você, eu dava uma importância imensa a cerveja. Eu quase não bebia, porque ninguém próximo a mim bebia, e eu achava isso uma droga, mas eu não sabia por que isso me incomodava tanto! Eu pensava "é só uma bebida!" ---
-- Mas cerveja não é sobre cerveja, não é só uma bebida. Cerveja é toda uma cultura!
-- É isso mesmo. Por isso eu fiquei tão feliz quando a gente bebeu cerveja na praia de Santos! E hoje em dia beber cerveja me faz feliz e eu entendo porquê!
-- Então precisamos desenvolver uma cultura de (...)

(obs.: não quero entrar no assunto que estávamos de fato discutindo na hora)

Hoje em dia eu tenho uma relação muito amorosa com a cerveja. Eu não tenho a menor dúvida de que ela é mais gostosa do que qualquer variedade de refrigerante ou suco comprável (suco caseiro pode ser bem melhor). E nem é só porque o álcool diminui minhas dores de cabeça (ok, ok, eu preciso resolver isso logo ~.~). Acho que eu de fato gosto do gosto, do cheiro, e de todas as coisas legais que eu associo a cerveja. Por exemplo, aquela praia de Santos. Várias @KaraokeKnights. Noites em Pubs, ou na casa do Rê, ou saindo com o Fê, ou em happy hours com o passoal da Gommo ou da NetPoint, churrascos, festas, ou simplesmente beber cerveja com a Talita e o Alex.

Pra falar a verdade, tem uma certa carga que vai diretamente contra aquela de quando nenhum dos meus amigos bebia. Meus amigos, e talvez eu também em alguma época, não bebiam porque pessoas bêbadas são idiotas, porque as bebidas eram meio amargas ou ardentes e beber uma coisa ruim é idiota, e eu sempre tive a sensação de que quando somos muito jovens e não bebemos, não fumamos, não nos drogamos nem fazemos nada de idiota, nos consideramos muito melhores que os outros. Talvez nós tenhamos acreditado em tudo o que nossas professoras do ginásio diziam. E eu detestava essa sensação toda. Eu queria beber e ficar idiota. Eu queria experimentar coisas que não necessariamente seriam boas. Eu queria fazer coisas imbecis. E eu achava que as outras pessoas legais da vida que por acaso adoravam se embebedar pra caralho podiam ter algo de bom pra oferecer.

Acho que pode ser que quem bebe se dá o direito de ser muito mais idiota que o normal. Porque no colegial nós éramos todos bastante estúpidos e insanos, e era muito divertido, mas estávamos sempre conscientes de tudo, e não estávamos realmente interessados em ir além os nossos limites. Nós éramos felizes, e era isso (mesmo quando estávamos tristes, eu acho). Mas eu queria viver uma vida diferente. Eu queria uma vida em que a gente pudesse estar sempre experimentando algo diferente. E uma das coisas que eu queria experimentar era ficar completamente bêbada. E eu queria fazer isso sem um monte de gente totalmente sóbria ao meu redor fazendo coisas que estariam já em outro plano de consciência. Eu queria saber por que isso podia ser divertido.

E eu descobri. Demorou um pouco, de fato, mas hoje eu acho que eu descobri. Eu descobri que muita coisa pode mudar, que o mundo pode ser diferente, e que podemos nos divertir com todo um pacote diferente de coisas. Talvez eu goste de cerveja porque me lembra de todas as mudanças que aconteceram na minha vida desde que eu comecei a conviver mais com pessoas que gostavam de beber. Todas as portas que de repente se abriram. E todas as vezes em que estávamos todos meio bêbados, ou só alguns de nós, e mesmo assim ninguém pensaria em julgar o outro pelas bobagens que estava fazendo. Talvez eu goste de me lembrar do momento em que me dei conta de que eu não precisava me esforçar para impressionar ninguém.

Ou talvez eu só realmente goste muito do gosto.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Aqui.

Eu te amo. Mas eu não apenas te amo como eu amo todas as outras pessoas que eu amo. Eu estou disposta a sacrificar milhões de futuros pelo meu futuro com você. Os filhos que eu teria com outros amantes, as festas de natal com outras famílias, as bibliotecas compartilhadas, as casas, as canecas e os sofás e todas aquelas madrugadas e manhãzinhas e conversas antes de dormir quando a gente está dormindo junto só porque a gente dorme junto sempre e é tão mais gostoso do que dormir sozinho. E vários tipos de aventuras românticas loucas, e várias descobertas profundas e vários momentos cotidianos e outras coisas que só acontecem numa convivência tão íntima e tão intensa que é não dá pra ter de verdade com mais de uma ou talvez umas poucas pessoas.

Eu quero viver a vida com você. Todas as madrugadas e viagens longas na chuva, e cafés da manhã a almoços no fim da tarde e todas as pequenas mazelas e todos os grandes desafios, e eu quero poder te contar todos os dias das coisas legais e chatas que aconteceram comigo, e ouvir você se emocionar com elas e se revoltar com as coisas que são erradas e rejubilar com as que são felizes, e ficar preocupado com as que são perigosas porque assim eu não estou sozinha. E eu quero ouvir você contar suas pequenas aventuras e as formas incríveis como você lida com tudo o que te acontece, porque eu nunca me canso de aprender sobre você e com você.

E, enquanto nós crescemos juntos, enquanto nós andamos juntos pelo mundo, pela vida, eu quero nossas vidas misturadas. Eu quero nossos irmãos tomando conta dos nossos filhotes, discutindo coisas improváveis em volta de uma grande mesa de piquenique, ou algo assim. Eu imagino sua irmã contando histórias para os meus sobrinhos, possivelmente enquanto todos nós subimos numa árvore e nossas mães e tias compartilham histórias de quando nós éramos pequenos, e eu quero todos nós juntos cantando samba e choro em alguma festa de família e nossos amigos contando histórias embaraçosas sobre nós para as crianças (se nós não tivermos filhos, eles ainda contarão para nossos sobrinhos).

E, sabe, eu quero isso devagar, minuto por minuto, cada aluno que não entende direito o que você ensina, cada lista de matemática que eu não consigo terminar, cada noite que a gente passa em claro porque o jogo ou o papo ou o mundo estão muito bons ou porque pelo menos um de nós está distraído demais com alguma pessoa incrível, cada improviso de fantasia, de viagem, de apresentação, cada entrevista de emprego, cada procura por orientador, cada pessoa nova que surge em nossas vidas ou pessoa velha que muda. Eu quero todas as viagens impulsivas no meio da noite só porque faz muito tempo que a gente não vê Minas, ou o Mar; eu quero todas as experiências transformadoras com você; eu quero cada partida de cada jogo em que a gente vicia, cada brinde, cada pote de sucrilhos e garrafa de cerveja; eu quero cada pôr do sol que nos emociona, e cada beijo, e cada transa, e cada arrepio diante da potência de uma tempestade, e cada abraço que podia nunca mais largar; e cada toque entre as nossas peles, e cada brincadeira sua com o meu gato, e eu quero construir um trecho de universo nosso, que seja um pouco mais do nosso jeito, e que seja por isso um pouco mais feliz.

E como eu quero te fazer feliz! Eu quero te ver conquistar os seus sonhos, e mudar a vida de muitas outras pessoas, e construir comigo esse futuro a cada passo, sem pressa, porque você é tão confiante de que tudo já está dando certo afinal. E eu quero estar do seu lado a cada mudança, a cada passagem, aprendendo sobre você, mudando junto, mandando tudo pro espaço e te puxando pra Zanzibar toda vez que a vida começar a ficar muito sem graça. E eu quero infinitas horas pra ficar enrolada com você, só curtindo o prazer de te amar tanto. E eu quero tudo isso com todas as palavras, mesmo que em gatês. Eu quero tudo isso com todas as histórias, loucuras e verdades. E eu quero viver pra sempre com você.



...Num assunto não muito relacionado, eu também quero muito levar aquele seu amigo delicioso pra casa. Se você pudesse dar tipo um passe-livre pra gente, ia ser realmente fantástico.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Observação

Tudo mudou tanto em tão pouco tempo... Nossas vidas viraram completamente em uns poucos meses. Tudo é tão diferente, mas de repente eu entendo:

Isto é viver.

Um dia eu olhei ao redor, do fundo da minha miséria e me dei conta de que era isso que eu buscava desde o início, esse descampado, a destruição total de todas as forças que me prendiam. Agora sim. Agora sim eu posso levantar e andar. Agora sim eu posso admitir que tudo o que eu tenho é minha fé e minha capacidade de seguir em frente, de lutar e vencer. E eu faço questão de vencer.

Agora é minha oportunidade verdadeira de me levantar e merecer.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Pout Pourri do meu mês de Junho

Algumas das coisas aqui eu pensei faz algum tempo. Outras são bastante recentes.

Dança


Me disseram que o princípio do tango é que o homem está sempre tentando pisar nos pés da moça, e que a moça está sempre escapando por muito pouco. É assim entre eu e você. Quando você fala de mim, eu evito falar de você. Quando você se aproxima, eu me afasto. Você vem em minha direção e eu fujo. Mas se você pára, eu volto, e te dou minhas mãos e engato numa nova dança. Nós dançamos sem nos tocar, como numa capoeira. Eu dou um chute e encontro sempre o ar porque você se abaixa. Tudo para disfarçar que na verdade é uma luta. Tudo para que ninguém saiba o que realmente estamos fazendo. Se você dá um passo para um lugar, eu dou um passo para fora. Se você diz uma palavra eu não posso mais dizê-la. Se você canta uma música, eu não posso mais dizer o quanto ela é importante pra mim. Como num jogo de gô, dividindo o tabuleiro, alguns segredos são seus, outros são meus, e os que são nossos não são sequer mencionados. Porque se de repente nós formos vistos cantando a mesma música, sonhando o mesmo sonhos, olhando pra mesma ilha, então aí todos vão entender do que estamos falando, e vai ficar tão claro! E então, acho que nós dois seremos menos nossos, e mais do mundo. E como eu poderia dividir este nós com o mundo?

Eu-você


Hoje eu me dei conta de que eu sou cada vez mais você. Eu estava no sarau, conversando sussamente, e aí eu ri. Foi o seu riso. Eu balancei a cabeça e era um movimento seu. Eu andei com os seus passos e repeti os seus trejeitos e todos os meus movimentos eram movimentos seus. E todos os meus pensamentos eram palavras suas e todas as minhas lembranças eram com os seus olhos e quando eu olhar nos olhos de alguém será cada vez mais o nosso olhar, nos olhos, sempre, para sempre.

Menina-serpente


O assunto da poligamia pega fundo, ok, mas o assunto da mulher cruel pega mais forte. Se pá assim como a gente não discute anarquismo com a Lô a gente também não devia falar de relacionamentos comigo. A gente homens (mas eu nunca falo disso com mulheres, na real). A situação é a seguinte, está acontecendo agora mesmo milhares de vezes ao redor do mundo: o garoto gosta muito da menina, mas não tem coragem de falar com ela. Talvez ele ache que ela é confusa. Talvez ele ache que falar é muito agressivo e esteja tentando ser sutil. Talvez ele já saiba que ela sabe e ache que é a vez dela de agir. Em todo caso, ele não se revela, e ela sabe dos sentimentos dele mas não faz nada a respeito. Por que isso é cruel? A questão é que é muito confortável (será?) para a menina ter um cara que gosta dela, por isso ela não quer se livrar dele. Ao mesmo tempo, ela não quer, ou acha que não pode, dar o que ele quer, por isso não o aceita. Por um lado eu entendo que isso seja cruel. Por outro lado, eu sei que eu fiz isso algumas vezes, e faria de novo, porque se a menina é folgada o garoto também é covarde, e no fundo talvez a garota também seja só covarde, ou esteja muito confusa, ou ache que se o garoto realmente quiser se livrar dessa situação, hey, é só ele falar com ela, entender a situação, e se for o caso ir embora. Se pá a questão é que eu sempre me identifico com a história, mas eu sei que não é o mesmo caso. Porque no meu caso a garota não está confortável. Nunca é confortável fazer alguém que você ama sofrer.

Mordida


Eu te quero! Eu te amo! Eu penso em você o tempo todo, o dia todo, eu penso em você quando estou com ele, eu penso em você quando estou em casa*, eu passo o dia todo pensando em te chamar, depois eu desisto e volto pra minha vida de sempre. Mas você é parte da minha vida e eu me pergunto até quando eu vou conseguir te ver e não te abraçar, te ter e não te apertar, olhar nos teus olhos e não dizer que te ouvir é uma das melhores coisas do meu mundo. Como eu posso te querer tanto e entretanto... E entretanto... Entretanto... É que há tanta coisa pra tentar entender...

* eu juro que estava pensando na usp quando escrevi esta palavra... o que isso quer dizer?

Amar


Você entrou tão rápida e intensamente na minha vida, e ontem eu estava falando desses amigos que são tão próximos que eu não hesito e não preciso pensar pra dizer que amo, e sem pensar eu coloquei você no meio dos quatro óbvios de sempre. Logo depois do Bruno, acho que é simbólico.

Nessa hora, o assunto era esta história que eu vou contar:
Estávamos conversando sobre você. Eu sei que os dois estavam falando mais porque eles gostam de você e porque queriam, sei lá, te ajudar ou te proteger, ou quem sabe porque eles gostam de mim e, eu nunca entendo essas conversas que rolam entre os homens, e eu nunca entendo o que eles esperam de mim, enfim, eles estavam falando sobre você e eu senti uma coisa muito forte, que eu não consegui expressar porque parecia errado, como eu podia estar pensando aquilo mas, mas eu pensei parem de falar assim dele, eu quis dizer eu gosto demais desse cara pra vocês falarem assim levianamente dele, eu quis dizer isso mas não consegui, eu quis dizer não falem dele como se fosse só seu amigo, eu quis dizer mas não consegui entender, qual é o problema de um cara ser seu amigo, qual é o problema de falar dele, qual é o meu problema.

Lôba


E talvez pensando agora o que eu quisesse dizer fosse "parem de falar assim de mim". Porque eu não quero ninguém se pondo entre eu e as pessoas de quem eu gosto, não me importa se quem se interpõe é minha irmã, meu namorado, meu melhor amigo, meu amantes, não me importa se quem se interpõe é alguém que eu venero que eu amo em quem eu confio a minha alma, eu não quero ninguém pondo os dedos no meu território, na minha alcatéia, na minha caçada. Não quero ninguém me protegendo, me pondo limites, me fazendo exigências. Aceito avisos, alertas, até mesmo pedidos, especialmente pedidos de cuidado, de delicadeza, nunca porém pedidos de segredo ou de mentira. Eu quero ter relações diretas, íntimas e intensas com as pessoas. E intensamente verdadeiras. Tipo falar a verdade e levar tapa na cara, é isso que eu quero fazer. Seguir meu coração etc. Correr o risco de me machucar. Talvez até mesmo correr o risco de te machucar.

E:


Tudo o que eu vou te perguntar é: você quebra?
E você tem coragem suficiente para assumir a responsabilidade pelo que você sente?

segunda-feira, 22 de março de 2010

Howl with me

"You find me sitting at this table
with my friend Fin and my friend John
My friend Murdaney tells us stories
of things long gone, long gone
And we may take a glass together
the whisky makes it all so clear
It fires our dulled imaginations
and I feel so near, so near

I feel so near
to the howling of the winds
I feel so near
to the crashing of the waves
I feel so near
to the flowers in the field
Feel so near...

The old man looks out to the island
He says this place is endless thin
There's no real distance here to mention
we might all fall in, all fall in
No distance to the spirits of the living
No distance to the spirits of the dead
And as he turned his eyes were shining
and he proudly said, proudly said

I feel so near
to the howling of the winds
I feel so near
to the crashing of the waves
I feel so near
to the flowers in the field
Feel so near...

So we build our tower constructions
There to mark our place in time
We justify our great destructions
As on we climb, on we climb
Now the journey doesn't seem to matter
The destination's faded out
But gathering out along the headland
I hear the children shout, children shout

I feel so near
to the howling of the winds
I feel so near
to the crashing of the waves
I feel so near
to the flowers in the field
Feel so near..."

Escotismo, Árvores, Lei da Jângal e homens

"Fly me to the moon and let me play among the stars
let me see what spring is like in jupiter and mars..."


Ahn, essa música não tem nada a ver com o que estou pensando, ela só é bonita e não sai da minha cabeça. Eu pretendo aprender a tocar ela no sax, acho que vai ficar bonito, mas antes preciso praticar bem mais; aliás, eu já disse que estou praticando sax? Bem, isso não deveria ser o que eu estava pensando. O que eu estava pensando era isto:

Ele segurou os dois galhos da árvore, como se testando sua resistência e imaginando o movimento que teria que fazer para se erguer para cima deles. Naquela hora eu olhei pra ele e pensei: esse cara tem o mesmo sangue que eu.

Esse fim de semana eu fui num evento de um grupo de escoteiros chamado Interclãs, no qual os pioneiros, que têm [18,21) anos, se reúnem, se conhecem e se misturam para fazer atividades programadas pelo Grupo sediador, que no caso era o Grupo no qual o Paulo (amigo meu, da poli) é chefe (que é a única forma de participar do movimento escoteiro se você tem 21+), o Grupo São Paulo - 001SP. O tema do evento era tribos urbanas — inclusive ganhei uma caneca e uma camiseta escrito "tribalize-se" — e havia grupos de chefes fazendo atividades para representar cada uma das tribos, no que eles chamaram de bases. Resumindo, em cada base havia uma atividade e cada atividade tinha a ver com uma tribo. O Paulo me chamou para ajudar a mestrar umas aventuras de RPG na base dos Nerds e Geeks.

Aconteceu muita coisa interessante lá, eu estou achando difícil escolher o que é mais importante. O que eu queria era mostrar o que mais me impactou, o que mais transformou o que eu era no que eu sou agora, por mais que as diferenças pareçam mínimas.

A primeira coisa foi a casa do Paulo. Resumindo, eu poderia ter decorado o lugar. Embora a arquitetura seja sem graça como em qualquer apartamento e não haja jardim. Há quebra-cabeças montados em todas as paredes, bichos de pelúcia de todos os tipos (inclusive dragões e pokémons), casa-miniaturas numa coleção, animais de brinquedo nas estantes, toda umas decoração lúdica, infantil até, mas sem perda de dignidade. Eu achei aquilo estranho e fascinante. O pai do Paulo era um cara muito alegre, descontraído e — que outra palavra usar? — fofo. Não na aparência, mas no jeito. O jeito como tratava os filhos especialmente. Parecia não ter uma preocupação na vida. A mãe do Paulo, Sandra, é uma pessoa agradável, tranqüila, divertida, e com todas as características mais marcantes de uma mãe, por exemplo querer cuidar de você e contar um monte de histórias. Ela me contou como a alcatéia dos lobinhos era baseada no Livro da Jângal, como Baden Powell era amigo de Rudyard Kipling, como os chefes dos lobinhos tinham títulos como Akela, Raksha, Baloo (os lobinhos a chamavam de Baloo). Isso me deixou intensamente nervosa.

No caminho para a casa dele, Paulo me perguntou se eu tinha religião. Eu não tenho religião, eu disse. Mas acho, eu disse, que minha fé tem algo de panteísta. As coisas pra mim são sagradas. Quando eu vi as ondas explodindo contra as pedras em Paúba eu pensei, isso é Deus para mim. As pedras são minha religião, e as árvores.

Quando eu era menor, a Jângal era a minha fé. O Livro da Jangâl, completo e na voz de Monteiro Lobato ("Olhai bem, ó lobos!") era minha Bíblia. Não tive coragem de dizer isso pra eles, mesmo quando Sandra (Baloo) me perguntou como eu tivera acesso ao livro, por que eu o lera sendo que ele é difícil para crianças, nem quando eu disse que já o tinha lido várias vezes; eu queria dizer que eu provavelmente sabia mais sobre o livro que ela, eu queria dizer que eu era mais lôba que os lobinhos, essa é a verdade. Fiquei nervosa pensando se ia encontrar um monte de gente que sabia tanto sobre essa história quanto eu. Não sabia como eu ia me comportar. O assunto em questão era muito close to heart pra mim, eu me sentia ameaçada sabendo que não detinha o poder sobre ele. Baden Powel era amigo de Kipling! Era como se eu estivesse perdendo alguma prerrogativa. Até hoje ninguém nunca foi tão obcecado pela Jângal quanto eu.

Felizmente meus mêdos não se concretizaram. Os chefes e pioneiros não tinham ligação com Mowgli, e na verdade nenhuma atividade foi muito mateira. Eu tive que defender minha posição poucas vezes, uma quando tive que mostrar que eu sabia o que era um spec de barraca, outra na hora de andar à noite pelo bosque. De modo geral fiz muitos amigos, e só fiquei na defensiva com um deles, que me pareceu o tipo xavequeiro-controlador. O dia mais interessante foi a primeira noite, em que o Paulo me deixou sozinha e eu sentei na mureta que marcava o espaço das barracas e fiquei conversando com os chefes responsáveis pela organização do campo e com todos os mais que passavam. Conheci nessas um rapaz de 20 anos que em dois minutos me convidou para me juntar ao movimento, e me explicou a segmentação por idades etc. O nome dele era Caio, e se eu tivesse que escolher alguém naquele evento para ser meu amigo, teria escolhido ele. Queria tê-lo conhecido melhor.

Me sinto ligeiramente tola. Durante boa parte da minha adolescência tive vontade de ser escoteira, mas não tive a quem fazer perguntas e achei que era impossível virar escoteiro sem antes ser lobinho, e eu obviamente era velha demais pra isso. Agora eu descubro que isso não era verdade, mas o decubro justamente na idade em que se torna verdade. Me sinto ligeiramente tola, mas quem hei de culpar?

Conheci duas pessoas que me interessaram intensamente, atrás de quem eu tendia a correr como um cachorrinho fazendo perguntas (mas na minha timidez violenta eu não fazia pergunta nenhuma). Um era um contador-de-histórias, um cara sem dono que sabia um monte de coisas interessantes. Eu queria sentar do lado dele e pedir pra ele contar histórias. Assim que o cara percebeu meu interesse ele resolveu mostrar tudo o que ele tinha pra mostrar. Isso foi legal por algum tempo, por algum tempo eu achei que ele ia conseguir a minha confiança e me ajudar a vencer a timidez, até porque ele era amigo do Caio, e porque ele também estava mestrando rpg. Por algum tempo as conversas foram interessantes, todos os caras me contaram e mostraram coisas legais que eu não conhecia, mas em algum momento... Em algum momento as coisas se reverteram e eu decidi ficar meio longe desse cara. Continuei conversando com ele, até, mas não era mais minha alma falando. Não havia mais timidez, só havia a Muralha. Me perguntei por que tantos caras interessantíssimos na minha vida de repente me causavam repulsa.

O outro foi tipo amor à primeira vista, e na verdade a existência desse cara iluminou um pouco a minha vida. Em relação a ele eu realmente me sinto como o filhote animado correndo atrás do animal mais velho e sério. O cara ainda consegue ser bastante sério, o que me fez me conter bastante na presença dele. Mas parece ser um cara legal, quem pode saber? Nada disso é importante, o importante é subir em árvores. Eu conheci o Amarelo quando uma garota apontou pra ele e pediu pra eu ajudá-lo, um cara alto e magro, cabelo máquina 2, corda de alpinista no ombro, andando a passos enérgicos (e enormes) recrutando pessoas com brados decididos sem parar de andar e sem hesitação. Não foi o que ele estava fazendo, foi o espírito com que estava fazendo isso. Eu me aproximei e ele pediu pra eu segui-lo. Andava e gritava pra quem quisesse ajudar que o seguisse. A ajuda de que ele precisava era para simular a base dos esportistas, na qual pessoas seriam içadas até um galho alto de uma árvore e depois desceriam de rapel. Ele já tinha passado uma corda pelo galho e amarrado a corda em outra ;arvore de forma que ela ficasse firme. Então ele começou a subir pela corda. Mas veja, ele não subiu pela corda com apenas a força dos braço e o jeito das pernas. Se ele tivesse feito isso, eu teria olhado pra ele com aquela inveja raivosa que eu sinto por aqueles que são simplesmente muito mais fortes que eu. Em vez disso, eu olhei para ele com a admiração de um discípulo. O cara estava amarrando outra corda menor na corda principal de forma que ele fazia laços com ela, subia pelo laço, deslocava o laço e subia novamente. Não sei nem exatamente o que ele fez. Se eu fosse outra pessoa, talvez eu tivesse querido correr até ele e pedir pra ele me ensinar ali mesmo. Uma chavinha dentro de mim mudou da posição "impossível" para "possível".

Alguém perguntou: "Você é escoteiro ou alpinista?"
E ele, sem hesitar: "Alpinista."

E, dois dias depois, depois que eu já tinha ido conversar com ele e combinado de ir no Grupo subir em árvore algum dia, quando ele estava no meu lado no bosque e ele pôs as mãos nos galhos da árvore exatamente com eu estava com vontade de fazer, eu pensei: será que ele é como eu? Será que ele vê as árvores e imediatamente pensa em como vai subir nelas?

...

...

Sabe, eu preciso tomar um pouco de cuidado, porque escrevendo isto eu notei como quando eu me interesso por uma pessoa em começo a agir como se estivesse apaixonada por ela. Não é nada disso! Eu só quero achar pessoas com as quais compartilhar paixões, como subir em árvores e contar histórias. Eu quero encontrar pessoas que uivem comigo e com as quais eu possa aprender o que anseio por saber. Eu quero pessoas que me ajudem a lembrar dos trechos esquecidos da minha Lei.

Vocês, que são meus amigos, são meus amigos porque já uivaram comigo.

Mas...

resumindo, o resto dos caras costuma se distrair demais com seus respectivos pênises pra conseguir ouvir este Chamado.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Essência

Estou na FAU, todos os meus amigos estão em aula, estou dividida entre filosofar, passear no sol, ler um livro ou estudar. Bem, aqui eu estou.

Há pouco tempo eu estive lendo Fight Club (que tem aspectos melhores e outros piores que o filme — notadamente o fato de o narrado não se chamar Tyler Durden) e tem aquela parte em que o narrador tem que dizer o que ele gostaria de mudar em sua vida antes que o carro batesse de frente, quer dizer, seu desejo final antes da morte, aquela coisa que você diria pro padre na hora da extrema unção se o seu padre só se sentisse vivo enquanto espanca outro homem no porão de um bar ou se esforça para destruir o mundo.

"Drunk drivers against mothers", kind-a-thing.

Eu estava no jardim, tinha um dia lindo na minha frente (é preciso observar que meu jardim em si é lindo) e minha vida parecendo escorrer das minhas mãos como um chumaço de plumas e me perguntei: o que eu quero, o que eu responderia ao mecânico dirigindo meu carro em direção à morte quando ele me fizesse essa pergunta?

— Eu quero escrever meus livros.

Sabe, não aquelas coisas amadorísticas que eu mostro pra vocês, eu quero escrever a história de Shaer, a guerra dos três demônios, a viagem de Aragorn. Eu quero mostrar a força da lida deles, eu quero declarar a que conclusão cheguei.

Tudo isso me parece impossível, como me parecia impossível velejar, me parece impossível eu um dia saber escrever e ter coragem de macular essas histórias com minhas palavras. Mas eu faço um esforço, embora débil, para que um dia isso se torne possível.

Eu sou uma escritora, uma Cantadora em essência? Nâo sei. Não tenho a mesma seiva criativa do Charles, e não há grandiosidade em meus poemas nem sabedoria em minha prosa, tudo que me resta é minha paixão, que se dilui no tempo conforme eu falho em escrever o próximo capítulo. Por exemplo, quando comecei as Histórias Sem Fim, pretendia escrever um capítulo por semana, e já se passou um ano e escrevi talvez quatro folhas.

Espero entretanto que ao menos a história seja interessante.

A Bia da Biblioteca um dia me disse "Não deixe os números confundirem você: você nasceu para as letras". Sim, sim, as letras, as palavras me encantam, mas a matemática também me encanta, tudo o que é linguagem me encanta, talvez nasça daí minha paixão por computação, mas meus interesses vão muito além desse encanto. Talvez a ciência, a arte, a fábera, e todas as coisas da vida sejam apenas hobbies, coisas do coração, coisas que são alimento mas que não são o objetivo final. Todo esse amor que eu tenho pelo mundo, talvez seja apenas a forma de devorá-lo.

Quem pode saber? Eu quero ter cento e dezoito anos e ser velha, forte e sábia. Eu quero levantar o mundo (me dêem uma alavanca!), eu quero acima de tudo enxergar. Entretanto, toda vez que me distraio do mundo e tento me concentrar no eu, eu sei que a forma como Eu gostaria de existir no mundo seria através das histórias.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Denise (mas não só)

Sei às vezes que a melhor parte de nós é aquela que mesmo nós não conhecemos. Aquela parte oculta. Imaginamos durante toda vida uma forma de chegar até essa reserva de nós que está fora de nosso alcance. Tentamos tudo, procuramos resolutos o portão despercebido que nos leva ao jardim secreto de nós mesmos.
Imagina como seria esse jardim se fosse povoado e habitado como as nossas outras construções, se fosse limpo e asseado com manutenção constante? Imagino esse lugar drenado de todas as marcas de seu abandono, imagino esse lugar sendo apenas uma parte de mim pela qual eu passo sem olhar. A beleza mesmo está nessa vegetação selvagem que nasce sobre uma camada sedimentar de mistério. A beleza são os fantasmas, a vida que povoa o desconhecido. A beleza é os monstros marinhos que figuram nas bordas dos mapas das grandes navegações. Eu busco aquele lugar inseguro, aquele lugar invisito, um lugar onde Há Dragões.
E como chegar a ele, quando não pisamos num solo envolto nas pegadas de um Deus Desconhecido?

Eu o procuro através das pessoas. Das palavras também, mas nas palavras que vêm das pessoas. Porque no Outro encontro o que desconheço do Eu. O melhor de mim, sem dúvida, é aquilo que vejo quando conheço alguém novo — alguém que me toca e liberta, que me traz algo verdadeiramente novo. Estou tão desgastada pelo tempo, entretanto quando olho em olhos novos vejo tudo outra vez: o barulho das árvores no vento, o cheiro das folhas molhadas, a textura peculiar do líquem et cetera. O novo é a minha memória. A experiência é o meu passado. Sei às vezes que o que mais espero de mim é o meu futuro que é também meu passado, Ou talvez os sonhos do passado que só podem existir num botão de esperança. É tudo assim; se esperarmos demais, tudo vira literatura e música, mas se lutarmos demais, nos tornamos... como dizer? Nos tornamos apenas lutadores. E na luta da vida esquecemos talvez que o que realmente nos move são as raízes daquele Eu desconhecido. Esquecemos que temos sob a superfície uma cidade de construções abandonadas. É impossível viver sempre no presente, é impossível dar manutenção a tudo isso. Mais que isso — é falso, é inútil. A beleza pra mim é percorrer esses salões vazios. É ouvir o canto dos pássaros que embalaram civilizações passadas.

Nas pessoas encontro as passagens secretas que levam ao outro lado do Eu. Nas experiência novas me crio e recrio e descubro mundos além dos que eu já vivia. Ergo torres sobre torres, torres sobre descampados, castelos sobre florestas em homenagem a reinos que se fazem num átimo quando uma frase me descreve. Queria poder dar a devida importância a essa cidade-palavra; levar seus inocentes fundadores a conhecer as vielas, os mirantes, os pombais. Toda vez que alguém me conhece queria... queria poder abrir as portas de mim! Mas não queria mostrar o tosco, o sujo, sabe? os fios elétricos os auditórios os dvds piratas nas calçadas os carros branco-preto-pratas as locadoras o bilhete único o telemarketing os filmes b os joguinhos de flash os romancetes júlia-sabrina os efeitos especiais o congestionamento o sabor artificial idêntico ao original as embalagens de biscoito as pessoas que correm os trabalhadores de escritório engravatados sozinhos em carros quatro-portas na hora do rush a comida da cantina os prédios provisórios sem manutenção cheios de pessoas a burocracia as matérias em que não aprendemos nada e a iluminação noturna fluorescente que deixa a noite parecida com shopping-center. Não!, eu queria mostrar as florestas, as grandes obras arquitetônicas, os lugares desabitados, o Mar! Eu queria poder tirar tudo o que é tolo e passageiro, e deixar só o âmago pulsante da poesia viva. Eu queria poder mostrar só o que realmente vale a pena em mim. Só as melhores músicas. Só palavras verdadeiras, escritas na Língua Antiga.

Mas eu não posso. Na verdade não posso tanto que nem consigo mostrar a reverberação que nossas conversas têm no meu passado. Não posso porque tudo se cobre por um véu de trivialidade. Mas nada é trivial. Nada é. Ouço dedos dançando numa rapsódia húngara, minha vida toda eu procurava sem saber algumas notas de Liszt, mas quando as encontro nos dedos de uma conversa banal eu sei de repende que tudo de vazio que acontece tem um significado profundo nesse mundo abaixo do meu mundo, esse río-abajo-río de mim. Coisas idiotas como uma barata de repente se tornam estranhas e sagradas e assustadoras. O mundo dentro de mim tem constantes revoluções. E eu, que mal as vejo, que as sinto mas não as noto, tão cheios estão meus olhos das mil coisas que vejo sobre o mundo, eu que percorro a vida a contra-pêlo, não posso ser uma boa guia para essa viagem.

Eu queria poder ir além disso. Ir aos melhores filmes e aos melhores livros. Construir um templo que revele quem eu deveria ser respeitosamente. Dançar como dedos no início da Sonata ao Luar. Deslizar sobre uma paisagem de inverno. Haver comunicação verdadeira entre eu e você. Trocarmos os nomes dos nossos amantes junto com passagens de Cortázar. Queria chegar mais perto da magia de tudo isso.

Queria chegar com você ao lugar de La Loba.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Desânimo

Mas não é só isso. Quer dizer, não é só a frustração dos trabalhos que não dão mais prazer, das aulas em que não se faz nada nem se aprende, da rotina que gira em falso, que não significa nada, nem a dificuldade filha da puta de se ter amigos que no mínimo apareçam numa festa de aniversário (uma vez por ano, porra, com garantia de diversão), nem a resistência interna cada vez maior de se considerar uma designer que é cada vez mais parecida com dor, nem apenas também o horário noturno que que torna o sacrifício muito maior. É tudo isso, sempre foi, ainda é, mas eu sei agora que é algo mais, algo que vem não apenas da vontade de realizar os sonhos de infância mas também do outro lado, do lado que quer vencer, do lado que quer chegar ao fim de alguma coisa, que não agüenta mais estar alheio a tudo isso. Não é só isso — é que agora cada vez que eu vejo uma pessoa feliz com suas conquistas, uma pessoa se formando, uma pessoa fazendo iniciação, uma pessoa estudando ou trabalhando (na verdade, mesmo se a pessoa não estiver feliz) eu sinto uma dor no peito, um desejo de ser assim também, de estudar, de trabalhar, de ir em frente, de fazer grandes coisas.

Mas eu não posso ser assim na FAU. Eu não sei ser assim. Eu não posso trabalhar sozinha e eu também não tenho o pique para acompanhar o ritmo do resto da turma. Eu não posso vencer na FAU. Eu nunca vou vencer. Eu continuo me perguntando por que eu escolhi justamente um dos poucos cursos que ia me fazer me sentir amarrada ao mesmo tempo que ofereceria os maiores de todos os desafios. Não há como eu honestamente acreditar que eu vou conseguir me formar nesse curso. Mesmo se eu conseguisse fazer umas sete ou oito matérias por semestre (sem optativas) eu me formaria em no mínimo seis anos. Ou talvez o mínimo, contando os conflitos de horário e whatnot, já tenha chegado em sete. E aí, mesmo me esforçando ao máximo ou desistindo de todas as optativas, eu teria que pedir por favor pra comissão não me jubilar. Mas eu não quero mais me esforçar ao máximo para aprender quase nada, eu não quero ter que convencer a comissão de nada. Eu quero estudar mecânica, programação, didática, arte, história; eu quero conseguir tirar um sentido disso tudo. O design na verdade faz sentido. O que não faz sentido é este curso de design.

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PS.:
Meus sonhos de infância são:
. viver na selva
. ser um animal selvagem
. lutar muito bem
. construir brinquedos
. fazer brinquedos de controle remoto
. escrever livros
. fazer histórias em quadrinhos
. fazer jogos de videogame
. saber muitas coisas
. ensinar
. velejar
. viajar
. viver com muitos bichos e muitas plantas
. andar a cavalo
. jogar bola bem

Acho que o design é uma boa forma de amarrar tudo, sem problemas.
Bem, o problema é que eu não tenho nada pra amarrar.

sábado, 26 de setembro de 2009

Liberdade e Libertação II

— Eu te odeio
— Eu sei que você me ama
— Eu sou mau
— Não, você é bom

Eu não sei a resposta para minha pergunta

Libertação passa sempre pela destruição do eu? Ou é a destruição das coisas acessórias ao eu? Ou a libertação é justamente esse movimento de negar, de ultrapassar os limites impostos da vida mas também do ego? O eu é um limite, o eu pode ser preservado ou destruído, o meu eu está integrado a essa barreira, essa rede indissociável que me amarra, que me define, que me aprisiona. Liberdade é a ausência do eu?

Como você reage àquele beijo? Grita, se enfurece, agride, bate, machuca? Ou o mundo pára por um instante, aquele tipo de instante em que todas as lágrimas misteriosamente convertem-se em todos os sonhos reais? Abandona a dor e a raiva? Entrega-se, abandona-se, liberta-se da derrota mas também perde qualquer chance de vitória, isto é, se é que há um caminho para a vitória? Se é que há verdade? Será que há? Será que não é tudo uma rede de ilusões, de imagens, uma rede de apropriações que concebemos, que construímos? Imaginar é definir-se, falar é definir; As coisas sequer existem antes que as chamemos? Existe qualquer coisa anterior à nossa história? A narrativa não é o que define nossa trajetória? E se sim, então somos apenas personagens, que fazem isto ou aquilo dependendo basicamente do que aconteceu antes; tudo que é causa tem efeito, tudo o que é efeito tem causa? Mas então, o que é o eu? Existe eu? Ou somos apenas um apanhado de memórias, uma construção a partir de acontecimentos, somos personagens bem construídos mas certamente desprovidos de alma? Temos eu? Somos? Nesse caso libertar-se não é justamente fazer o inesperado? Agir como um louco? A liberdade não é em último caso a loucura? Então, que relevância têm as situações em que estamos? Qual a importância da forma como vivemos? Um personagem é melhor ou pior que o outro? Mas se nos libertamos das memórias, se largamos a máscara, então o que somos, e que diferença faz o que fazemos? Existe qualquer princípio que reja nossa verdade? Existe qualquer sentido para se dar à liberdade?

Liberdade e Libertação

Eu não sei mais o que estou fazendo.

Eu não sei mais o que estou fazendo, gritou Will puxando a espada e e batendo na mesa, Não tenho mais controle sobre nada, não sei mais para onde estamos indo! Então liberdade é isso, essa deserção, essa vida que se parece tanto com Morte?! — Júlia, Lúcia e Pedro olhavam pra ele assustados, os corações fracos para tanta ferocidade, as mentes nervosas diante do desespero — Não tenho mais parâmetros, metas, formas de saber se vou para frente ou para o lado; como posso imaginar se estou fazendo o Certo ou o Errado; como posso imaginar se estamos vencendo ou sendo mais uma vez derrotados, disse Will, chutando a cadeira, Me sinto tão derrotado agora, a cada nova vitória, como se o mar da derrota tivesse engolido nossa frágil corrente de vitória.

Estou tentando me libertar?

Estamos nos libertando, perguntou Will, estamos realmente nos libertando ou mergulhando mais fundo em uma nova prisão? Estamos nos libertando ou simplesmente fugindo para nos tornarmos peixes num mar de tubarões? O que você acha, Lúcia?
Will tinha se aproximado e seu rosto estava a dois centímetros dos olhos dela. Pedro e Júlia estavam apavorados. Nada disso parecia bom, nada disso parecia normal. Eles só queriam desamarrar as velas e percorrer o mar, aproveitando o vento, quem sabe vivendo algumas pequenas aventuras. O mundo não era um playground? Lúcia, confusa, deu um beijo na boca de Will. Esperava que isso cortasse o efeito do desespero? ou simplesmente estava cedendo a um impulso?

Entretanto sinto que mais que libertação estou causando minha própria destruição. Não é possível mais parar, não há mais espaço para descansar, e rir, e perder tempo. Estou me tornando um amontoado de fazeres. De impulsos. Estou cortando as relações com qualquer parte da minha tomada de decisões. Tenho os braços e mãos atados, tenho os olhos vendados, estou seguindo sem saber o quê, estou seguindo tudo, como uma brisa, Uma brisa se espalha por onde houver lugar. Ou isso é que é libertação? Esse viver tão parecido com sobreviver? Essa alegria tão parecida com morte? Libertação é destruição? Libertar-se é sempre abdicar?

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Como uma parede atrás de uma porta aberta

Quase todos os dias Zacharias encontra uma porta nova em sua casa. Uma porta ou um canto novo. Ou um risco no vidro da janela. Ele passa pela porte e se impressiona muito com as coisas lá dentro. Não com a mesa, com o computador ou com a estante de livros. Ele se impressiona com aquele bloco de pedra que é um pouco menor do que os outros, deixando uma linha de cimento um pouco mais grossa. Ele passa horas admirando uma mordida de rato na base do pé da cadeira. Quando fecha uma porta que permanece sempre aberta, sempre se assusta com a parede que de repente existe. Quando Ilina lhe perguntou se ele gostava mais da sua casa no rancho, ele respondeu rapidamente:
— Como, se, no rancho, atrás das portas não há nenhuma parede!


Hoje durante a aula de cálculo eu súbito levei um susto ao perceber algo completamente inesperado. O que eu percebi é que eu estava acordada. Mais que isso, eu estivera acordada desde o começo da aula. Eu não ficara sequer com sono! Eu não fora para a cama especialmente cedo (na verdade, ficara assistindo TV até a uma da manhã) nem dormira mais do que o normal (na verdade, sexta-feira eu tenho a aula mais cedo da semana, e eu acordara às sete da manhã), nem tomara o mate com guaraná que muitas vezes me permitiu assistir à primeira metade da aula. O dia fora como qualquer outro dia, entretanto em qualquer outro dia eu teria dormido na aula pelo menos até as nove horas, enquanto hoje às nove da manhã eu olhava no relógio e me assustava com o fato de que eu estava completamente desperta.

Nos outros dias também eu estaria extremamente mau-humorada e pensaria para mim várias vezes em como eu detesto a minha vida; hoje, essa frase parecia absurda, e nada mais me incomodava, e eu estava entendendo a matéria, e tudo parecia bom e feliz. Além disso, quando eu saí de casa eu não estava atrasada, ou com preguiça de pegar a bicicleta, e enquanto eu pedalava para a Física eu sentia dores horríveis nas pernas e o buraco na minha boca latejava, mas eu não me sentia miserável por ter que agüentar as dores e os incômodos e seguir em frente com as minhas missões impossíveis. E quando eu voltava para casa eu lembrei das coisas que eu costumo pensar enquanto faço aquele mesmo caminho, e em como eu costumo andar devagar, e tive vontade de rir de mim e pedalar mais rápido apesar da dor e me tornar mais forte e fazer o melhor caminho possível. E acho que foi mais ou menos aí que eu entendi o significado da palavra "estresse".

Sim, a vida é dura, a vida é um inferno, e às vezes parece que não importa o quanto nós queiramos sorrir nós ainda somos obrigados a fazer cara séria e meter a cara naquilo que depois de um tempo nós passamos a odiar. Às vezes tudo dá errado e o tempo é muito curto e a gente perde todas as esperanças de fazer a coisa certa e nossas responsabilidades nos afogam e nos parece impossível cumprir todas as obrigações e satisfazer todas as expectativas. Sim, às vezes nós somos fracos, e tolos, e incapazes, e sacrificamos tudo o que não é urgente e indispensável para cumprir nossas metas que nunca sabemos se um dia poderemos conquistar. E em todos os momentos em que tentamos descansar, sentimos pressa, e ânsia e culpa por não estarmos nos esforçando para fazer o que não teremos tempo para fazer depois. E tudo é muito justificável, e tudo faz muito sentido, e nós gostaríamos de poder investir toda a nossa energia em cada coisa que fazemos. Pelo menos a minha vida é assim.

Mas isso não é motivo para se transformar num escravo de si mesmo. A culpa na verdade só existe porque além de tudo nós sentimos raiva e frustração e não conseguimos fazer tudo o que queremos, e por tudo isso nos sentimos péssimos mesmo achando que estamos fazendo a coisa certa. Esse não é um bom jeito de se viver.

O jeito bom de se viver é se esforçar
em primeiro lugar pra ser feliz
e em segundo lugar para ser capaz.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Bom, então...

Eu li um blog que nasceu hoje e fiquei um pouco envergonhada com o meu. Mais que isso, eu vi meu próprio blog muito tempo atrás e fiquei envergonhada com o meu presente. Além disso, hoje um cara me mandou um e-mail dizendo que a existência de pessoas como eu, meu amigos, meus colegas e o retso de nós, é bastante medíocre. E eu me sinto medíocre. E isso me dá raiva. A gente precisa passar pelos momentos chatos para chegar ao fim das coisas. Eu não estou feliz com viver assim, mas eu tenho uma fé inabalável no futuro.

Mas eu admito que preferia ter continuado seis meses atrás.

Por outro lado, eu nunca estive tão apaixonada.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Coisas doces

Quando cheguei em casa ontem à noite (por volta de uma da manhã) os filhotes estavam especialmente carentes. Eles me seguiram até o quarto e eu os pus para fora. Eles voltaram, e o Ugo os assustou para fora. Quando levamos o computador para o carro, eles nos seguiram até a porta e eu os mandei de volta para dentro. Quando fui dormir, os pequenos se esgueiraram atrás de mim pela fresta da porta. Como meu coração não é exatamente de pedra, eu tive que ir brincar com eles. Caindo de sono, deitei no sofá e deixei eles brincarem com minha mão no chão. Afastei Fumaça do meu sapato algumas vezes antes de adormecer. Quando acordei, os dois estavam aninhados no sofá ao meu lado.

Acho que nunca me senti tão próxima de uma mãe. Eles só queriam se sentir seguros e aquecidos como na barriga de sua mãe gata. Passei horas dormindo mal e acordando a toda hora, quase caindo do sofá (que não é tão confortável assim...), totalmente cativada pelas duas coisinhas pretas. Finalmente, às cinco da manhã não agüentei mais o sono e as cores nas costas que começavam a surgir, e deixei os gatinhos dormindo para ir para minha própria cama. Quando acordei, a primeira coisa que quis fazer foi brincar com eles. Hoje Penumbra (é esse o nome que quero dar para ela) deitou no meu colo durante o café da manhã.

Acho que estou completamente apaixonada.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Reencontro

Aos meus melhores amigos.


O tempo, em minhas mãos, é uma serpente alada. Ela me leva e me mostra o fim do universo. Eu sou apenas criança.
Já fui grande, depois pequena — hoje sou deusa.
Já fui guerreira, estudante, artista — hoje sou mulher.
Já fui adulta, adolescente, velha — hoje sou, enfim, criança.

Como esperei por isso! Por ser jovem e ser eu! Como lutei contra mim!

Pois não estou mais num poço. Os poços se desfizeram como se nunca houvessem existido. Agora o mundo se torna infinito. Agora o universo se dissolve! Como sonhei com isso.

Chegamos ao fim e ao começo, onde todas as portas se abrem. Os demônios que me perseguiram até aqui, os demônios param e olham. Nada é o mesmo, e as metáforas lentamente perdem seu sentido. Sólido se torna líqüido e líqüido se torna luz! Eu enfim abandono e retorno, com um único passo, ao meu lugar de origem dentro de mim. Os cervos levantam suas cabeças e olham. Os dragões levantam as pálpebras e olham. Balthazar levanta a ponta de seu chapéu. O Róque levanta uma pena de sua asa. O Sonho infla suas velas negras. O mundo pára e recomeça. Não pensemos mais em poços. Eu sou, outra vez, o vento. Voltemos a cantar como quando éramos crianças. Tudo o que um dia nos feriu, agora é só um espinho caído no chão da vida. Sob nossas pegadas. Nós, não.

Não sei explicar o canto que enche meu peito. O que fiz, o que houve para que eu perdesse o mêdo. Não sou mais eu, somos todos. O universo parece mais alegre. O universo nasce ao meu redor. Estou tudo de novo. Tudo sempre. Infinito.
Cheguei a pensar em muros, em reviver velhas dores, mas tudo perde o sentido. Não há mais muros, nem cercas, nem qualquer um desses objetos metaforicamente limitantes. Estamos livres? Ou éramos livres desde o primeiro instante?

Não sei, mas eu também me sinto como a terra. Também me sinto velha e verdadeira. Parece que não sei nada, e tudo está ao alcance das mãos. O universo urra como uma besta, e eu urro de volta em resposta ao desafio. Sempre achei que eu ia viver pra sempre, mas agora suspeito que também possa viver feliz.

Vamos viver uma grande aventura?!


,
amor,
Marina.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Across the Universe

Olho para Sebastian, correndo atrás de mim com seu brinquedo pingando baba. Será que algum dia poderei amá-lo?



Encarava o monstro diante de mim. Ele não era feio. Não era mau. Só era velho e forte e irascível. Eu encarei o monstro, mas por pouco tempo. Depois, saí correndo. Saí correndo e me perguntei por que quisera encará-lo afinal. Saí correndo e me escondi nas sombras. Mas ele veio atrás de mim.

Às vezes, pra ser sincera, gosto de pedalar até a exaustão, e depois pedalar de volta, apenas para ficar tão cansada que isso se torne a única coisa que importa. Você me perguntou o que faz sentido, e isso é uma coisa que faz sentido: descansar, quando se está cansado.

Hoje quando Flor veio pedir meu colo, reparei que sua testa estava, na parte que deveria ser branca, rubra. Quis cuidar dela, mas ela não deixou. Ela está certa. Limpar a ferida agora faria pouca diferença. Há muitas outras feridas debaixo do pêlo. Eu quero proteger minha gata, mas não sei o que posso fazer.

Você entende?

Outra vez, eu encarei o monstro, lutei contra ele, sacrifiquei tudo o que podia sacrificar para dominá-lo. E quando o vi ferido, caído no chão, me afastei, cansada; voltei ao meu mundo sacrifeito. Acreditando-o victo, o mostro meu inimigo. Ai.
Me envergonha, até, crê-lo meu inimigo. Mas lutei, lutei e então parti. Mas não estava ele morto. E quando saí de meu catre, o monstro exibiu as presas; o monstro me abocanhou. Só por magia não sucumbi. Desde então, não ouso encará-lo, mais.

Também gosto de acumular tarefas e de executá-las todas no mesmo dia, de preferência emendando-as sem pausas. Hoje, por exemplo, foi assim, apesar de minha tarefa #1 ter sido adiada para amanhã e de eu ter me exaurido completamente durante a tarefa #3, o que me fez desistir da tarefa #4, que de qualquer forma ia ser bastante complicada.
Acho que o objetivo disso é não ir para casa, e não ter que esperar. Se eu passar o dia inteiro fora de casa, fazendo coisas, não vou desperdiçar nenhum minuto do meu dia. E vou viver esse dia como eu quiser, livre, independente. Estar a céu aberto também me deixa mais forte. Isso, e estar longe.

Em geral, o que mais facilmente faz sentido são as coisas simples: o mêdo, a fome, o calor do sol, o cheiro do mato. Há também coisas menos simples, mas indiscutíveis... como a ternura que desperta um bichano adormecido, ou o amor de um cão pelo seu dono. Há coisas essenciais, como respirar, como sentir a si mesmo... sentir o outro também. Há coisas revigorantes, como enxergar uma imensa paisagem, como ver o horizonte. Há as que dominam nossos sonhos, nossos desejos, nossas nossos objetivos, antes e depois de as experimentarmos... para mim, coisas como velejar e cavalgar. E há coisas fundamentais, como trabalhar. Work hard, work worth doing.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Vamos Fugir?

É a vontade terrível de perseguir o que realmente vale a pena. Uma vela se inflando no meio do mar. Uma vela surgindo por trás de uma ilha; uma praia surgindo por trás de uma ilha. Vontade terrível de esvaziar os bolsos, de descobrir o que é que me prende à esta fraqueza e impotência. Me disseram uma vez que eu tinha o poder para conquistar o mundo... Eu não sorri. Será que não acreditei?
Fiz planos, sabe?
Sairia todos os dias, até um dia não poder voltar. O tipo de coisa que não se planeja, se faz. Minha falta de portifólio me incomoda, mas eu não penso em reclamar. Penso naquele trampo que não fui garimpar. Pensar me perturba. Às vezes sento na cama e leio, leio até que seja tarde demais. O objetivo é justamente cometer erros, para que eu me declare estúpida mais tarde. Não é realmente estupidez. Não é sequer preguiça. É pura e simples falta de interesse. Às vezes me imagino terminando a faculdade e acho engraçado, absurdo, até. Depois tento imaginar o que vai acontecer de verdade. E me assusto. Não sei se o que me assusta mais é a possibilidade de o absurdo se concretizar, ou o fato de eu não ter a menor idéia de o que mais poderia acontecer. Acho que toda essa questão de nunca ter realmente pensado no futuro está pegando agora. Crescer às vezes pode ser parecido com amnésia.

Minha pergunta atual é quanto vale a minha bicicleta. Se eu sair em viagem com ela, e no meio do caminho me encher o saco, por quanto posso vendê-la para algum desconhecido no cominho? É uma pergunta idiota, mas fico pensando nela por bastante tempo. Nunca tive muita referência das coisas. Por enquanto, pelo menos, sobrevivo me aproveitando das opiniões dos outros. Por exemplo, quando me perguntam se eu bebo, digo que meus amigos não bebem. Depois peço um gole da sua cerveja. Penso comigo mesmo de que não vale a pena se enfiar na fila pra conseguir uma só pra mim. Afinal, eu quase nunca bebo. Mas as pessoas olham para mim com uma cara estranha, como se me considerassem ainda menor do que já sou. Ou será que eu é que não percebo como sou pequena? Olhar para o azul do céu já não resolve nada, e está ficando cada vez mais difícil encontrar o que eu sou. Eu decidi o que quero, e é muito maior do que eu imaginava: quero viver de modo a me orgulhar de mim, e que quando eu tiver filhos ou netos eu tenha histórias boas para lhes contar. Uma delas será a de meu bisavô, que se tornou famoso numa cidadezinha ensinando passarinhos a cantar (ou ao menos foi isso que minha avó me contou). Também posso contar histórias da minha família e de meus amigos. Mas eu quero mais que isso: Quero realmente conhecer.

Acho que vivi muito menos do que pretendia... Eu sonhava, quando menor, poder dizer aos mais velhos que eu era mais jovem mas vivera mais; porém agora sinto que vivi muito menos do que muitas pessoas mais jovens. Os obstáculos no caminho -- principalmente minha mãe -- me fizeram abandonar as coisas simples, e eu nunca cheguei a arriscar-me nas grandes empreitadas. Agora me sinto velha demais para me transformar em qualquer coisa que eu queira, como se fosse uma massinha boa que foi guardada por tempo demais, à espera de algo que merecesse seu uso, e endureceu. Como um vestido de casamento de quem nunca encontrou seu par.
Sobre as massinhas velhas, admito que ainda podem ser usadas: com um pouco de fogo se pode amolecê-las, para então rapidamente modulá-las antes que endureçam outra vez. Também os vestidos velhos podem ser usados, também os idosos se casam -- embora eu me pergunte se o casamento de um idoso é tão valioso quanto o de um jovem. Penso naqueles tempo e lugares em que uma moça de vinte anos teria dificuldade em arranjar marido; mas hoje em dia, é claro, tudo é possível. Também é possível sorrir e não temer o futuro; mas também é possível perder-se diante do futuro. Às vezes paro e pergunto, Meu Deus, o que está acontecendo? Algumas respostas são muito difíceis de achar. Outras estão bem debaixo dos nossos olhos, tão óbvias que temos vergonha de olhar para elas. Penso no pássaro Róque sobrevoando um navio de velas negras que nunca existiu. Penso em todas as vezes em que temos mêdo de coisas que não deveriam, segundo a lógica vigente, existir.

Acabei de distraindo com uma pequena formiga que passeou pela tela, às vezes se confundindo com as letras deste texto. Me veio à cabeça Mário Quintana: "Para quê? se por ali já havia passado todo o frêmito e o mistério da vida...". Vou seguir a sabedoria do poeta. Parece que nada me resta a dizer.

domingo, 5 de agosto de 2007

Por favor, deixe-me chorar.

Este não é um post sobre como eu terminei com meu namorado e estou destroçada (o que não é verdade); não é um post sobre como estou desiludida com a vida e com tudo o mais e prestes a me suicidar (o que é uma absurda hipérbole da realidade); nem é um post sobre como as coisas todas na verdade não estão fazendo muito sentido (o que é um eufemismo, talvez até uma metonímia da existência humana).


Na verdade é um post sobre algo anterior a isso. Ao menos para mim. Este será um post que eu deveria ter escrito dezesseis dias atrás, mas que não consegui. A vida é assim, cheia de nãoconseguís. Irromperam-me as lágrimas dos olhos quando era de os olhos conseguirem ver. Às vezes penso que a vida é assim, fútil, proposital, eufemística. A vida é sempre uma metáfora para algo maior. O nascimento é metáfora da Criação, e a morte é metáfora para a Perda. Ou é para o Fim, que é metáfora para a Mudança. Tudo o que mais nos perturba é metáfora para a Mudança... Alguém já dissera que "nada se cria, nada se perde; tudo se transforma". A Mudança é a transformação.

Só resta mesmo ao fim ser figura de linguagem, porque na verdade as coisas não acabam; se arrastam, persistem, silentes e talvez invisíveis. Ela, por exemplo. Ainda resiste na voz a vontade de chamar-lhe o nome. Ela se esconde dentro, fundo, em tudo. Está nas estrelas, nos gramados, na solidão. A solidão que se define por falta dela; ela mesma nunca permitiria a solidão.

Porque há algo maior que a Loli ainda está tentando me dizer.

Como se ela quisesse que eu entendesse que ela era metáfora para algo maior. Talvez, se eu conseguir entender, eu me torne também metáfora dessa mesma coisa intangível. Essa entidade. Talvez até mesmo o Amor.
Porque a Loli me ensinou a amar. Antes eu não entendia; diziam-me amor e eu pensava apenas que um dia eu deveria entender o que era que se chamava de Amor. E então eu entendi, olhando naqueles dois castanhos olhos doces. Assim, minha primeira definição de amor foi aquilo que eu sentia pela Loli, e ela por mim. E a minha primeira definição de ser-consolado foi estar triste e desanimada e poder abraçar a Loli assim muito silente e sentir o calor dela e o coração dela batendo fundo (uma coisa sobre os labradores é que eles são muito fundos, como madeira maciça), e a respiração dela, e ela muito quieta e eu muito quieta, muito triste, e pensar, tudo bem, tudo bem, e tudo de repente ficar um pouco melhor, um pouco mais leve, e ficar mais fácil respirar (e então ela se mexer e sair do abraço). E a Lolita me ensinou outras coisas também: me ensinou a brincar, quando eu havia esquecido como; me ensinou a passear em vez de ir-a, me ensinou a me perder.
Principalmente me perder, e esse é um ensinamento pelo qual sou muito grata. Quando o Argus ainda não existia, eu saía com ela na guia meio sem vontade e pedia pra ela me dizer onde ela queria ir. E deixava ela ir tomando as decisões, viramos à esquerda aqui, atravessamos a rua agora, vamos parar porque estamos ambas muito cansadas. Uma vez nos perdemos tão absolutamente que paramos à beira de um murinho para descansar e eu não sabia se havia forma de voltar para casa (estávamos tão exaustas!); até hoje não sei que lugar era aquele, nem como saímos de lá. Andando, acho. Quando se anda muito, parece-nos que a única solução é andar mais. E me lembro vagamente de pegar a guia e arrastar a Lolita para fora dali, porque ela sempre se cansou mais rápido que eu, e lembro de como eu tinha que puxar a guia com força para ela não parar no meio do caminho.
Uma vez também ficamos perdidas no meio da Vila Madalena, o que foi pior porque as ruas lá são horrivelmente íngremes — chegamos a subir na Nitingüi até a Harmonia apenas para que uma moça lá em cima (a primeira que víamos em vários minutos; estava anoitecendo) nos aconselhasse a descer tudo e seguir pela Natingüi até a Praça do Pôr-do-Sol. Para quem não conhece, isso são quatro ou cinco quarteirões de escadarias e ladeiras, e quando chegamos na praça estávamos mortas. E ainda tínhamos que subir a praça inteira. "Que caminho mais estúpido", dirão vocês. Mas por favor lembrem que eu estava completamente perdida. E aí minha amiga Larissa me ligou, perguntando porque eu não estava na festa dela, e eu fiquei sem saber o que dizer. Parecia absurdo contar para aquela menina bonita, bem educada, e nem de longe tão doidinha quanto eu, que eu estava perdida com minha cachorra num bairro desconhecido (não importa quão próximas de casa aquelas ruas sejam para mim hoje). Também não me lembro do estado em que estávamos quando chegamos em casa. Ou melhor, tenho uma lembrança vaga de nem ter energia para pegar dois copos d'água para nós, como eu sempre fazia. E nem ela ter energia para aceitar, quando peguei-os, passados alguns minutos. E de ficar bastante tempo parada, antes de sequer pensar em ir para a tal festa. Mas até hoje lembro desse dia com orgulho, até com uma pontinha de inveja, porque depois vieram os filhotes e o Argus e nunca mais eu pude me perder tão perdidamente quanto que gostava de me perder com a Loli. E depois também eu comecei a me perder sozinha voltando do cabeleleiro (o que nem é tão divertido) e afinal passei a conhecer tão bem o bairro que mesmo quando tento me perder eu sempre acabo sabendo exatamente onde estou. O que me faz pensar que talvez seja hora de mudar de bairro.

Por isso eu penso que talvez a culpa nem seja da Loli, e sim minha. Talvez o papel dela na minha vida tenha mesmo acabado, junto com tudo aquilo que o Santa e infância representaram pra mim. Então ela estava deixando, de qualquer forma, de ser minha cachorra. Talvez até por isso eu tenha me habituado a chamá-la de cã (cabelo branco): porque ela estava ficando velha, branca, e sequer subia nas pedras da Cajaíba, e sempre se cansava tão rápido nos passeios que o pobre do Argus voltava pra casa sem estar nem um pouco ofegante. Mas há algo mais, ou algo menos. Faz duas semanas que eu te vi pela última vez, e agora às vezes acho que você ainda está lá fora no quintal, esperando um pouco de carinho. E às vezes acho também que já faz tanto tempo, já nos acostumamos. Acho que é só isso que me permite escrever aqui, agora: não saber se você ainda vai aparecer em sonhos, não saber se eu nunca mais vou pensar em você. O que você acha, Lô? Devemos atravessar aqui, ou virar a esquina? Voltar? Visitar a Kiki e o Balto? Descansar no próximo banco? O quê, Lô? Como eu vou entender esses seus meneios de cabeça, esse seu ofegar constante, seu passo que hesita e puxa e mostra quem é que manda (eu ou você, Lô? Ainda não sei...), seus latidos para quase todos os outros cachorros (e por que não aquele labrador chocolate, aquela golden-labrador da esquina, por que com eles era tão amável?), seus cheirares os canteiros, seus puxões, corridas, pausas, andar arrastado, escolha da calçada em vez da grama, pisar na sarjeta suja em dias quentes? Eu, que sou apenas humana. E você, também, entendia quando eu te contrariava? Entendia tudo o que eu falava, contando coisas da minha vida, fazendo perguntas, comentando os lugares, os passeios, conversando até com cachorros alheios? Você entendia meu cansaço de segurar a guia firme, de gritar, minha irritação? E qual era a de ficar latindo feito louca toda vez que eu aparecia perto do quintal?! De ficar gritando por comida, sua doida?!!, logo depois do café da manhã!
Não, acho que a doida sou eu. Porque, sabe, eu te amo, Lori. E eu disse isso milhares de vezes, nos últimos meses, quando eu chegava tarde da noite em casa e encontrava você lá, deitada tão tranqüila, tão fofa, e eu pensava ela amadureceu mesmo, não está mais correndo para mim e pulando... mas será que não era já o início da doença? O que sei é que eu te abraçava, doce, quente, fundo, e era quase como chorar, mas melhor, porque não doía, e porque eu não me sentia tão só. E não era porque eu estava triste. Era só porque eu te via e queria te abraçar. Porque você era linda. Porque, sabe, você meio que foi meu primeiro amor. Não Primeiro Amor de verdade, desses que fazem o mundo girar, a gente ficar sem comer, as festas perderem a graça, e o céu ficar mais azul. Você foi meu primeiro amor amigo, assim ágape, assim (não há como explicar), assim cão. Você foi como uma irmã que não fôra sempre da família, que não era sequer minha igual. Não importa: nós duas fomos exemplos de nossas próprias espécies. Ou pelo menos você, Madame Lolita, foi. Acho que quando eu penso que quero ter um amigo para quem eu possa contar tudo, conversar sobre tudo, e que me conte tudo também, e que seja assim um melhor amigo, acho que é isso que estou procurando. Talvez seja por isso que se diga que o cão é o melhor amigo do homem.

Meu mêdo é que eu nunca consiga ter no Argus a mesma confiança que eu tinha em você.

E já que estamos nisso eu temo que nenhum outro cachorro seja tão importante para mim quanto você foi. Que outro cachorro poderia me ensinar tanto? E quando eu poderia ter tanto a aprender? Às vezes acho que a época de aprender já foi, e que agora é tempo de me tornar o que aprendi. Mas, ao mesmo tempo, vivo rezando para que tudo o que já me disseram nesse sentido seja uma grande mentira. Imagine, nunca mais poder mudar meu jeito de ser? Estar presa a essa minha criancice? Imagine nunca mais poder conscientemente alterar minha caligrafia, como fiz uma vez, aos quatorze anos. Impossível.

Mas acho que, somando os tempos bons e os ruins, nós até que tivemos um belo saldo positivo. Acho que eu posso dizer até que cuidei da minha cã, embora não tenha sido tanto quanto eu acho que deveria. Resta saber se eu conseguirei cuidar da mesma forma não apenas dos próximos cães que hão de vir mas também da minha própria vida, sem ela. Porque a presença dela sempre me lembrou de uma porção de coisas boas de lembrar, e agora parece que falta alguma coisa muito importante no meu dia-a-dia.
Inclusive eu me sinto como uma mera sombra do que sou — abalada, confusa e às avessas. Tenho a impressão de que sinto as coisas boas como se fossem ruins, e as coisas ruins me parecem boas. Mas talvez seja apenas o clima que está confuso (aliás, vocês viram que belo dia foi ontem?)
A verdade é que me pego pensando se na verdade a morte dela não foi um pouco providencial. Se não foi, como eu disse antes, algo proposital, e por isso mesmo fútil, comparado ao que seria a nobre desrazão do acaso. Eu fico pensando que nesta época nós precisávamos passar por uma grande mudança, e que a Loli cumprira sua função no mundo na etapa anterior de nossas vidas. Eu fico pensando também que quando a gente adoece a gente muda e cresce, e que talvez a morte seja a maior mudança de todas; que talvez a morte seja um passo maior de crescimento, e que portanto a minha senhora cã está seguindo na sua jornada.E também que minha família precisava mudar e crescer, e que essa morte foi a nossa doença. E que se nós conseguirmos seguir em frente, estaremos mais fortes para enfrentar os próximos desafios. Porque tudo na vida é uma metáfora para algo maior, e todo acontecimento é uma metonímia, e por isso cada coisa que existe ou acontece têm muitas formas de ser compreendida; mas me parece que nenhuma forma é completa, pois as coisas só podem ser explicadas a partir da compreensão de todas as metonímias. Acho que é por isso que é sempre tão difícil entender.

No fundo, acho que nem estou mais falando da minha cã. Porque também a Lolita se tornou agora uma metáfora para a Vida, e essa já é uma forma boa o suficiente de lembrar dela. Independente de como o homem pegou o corpo dela e o jogou dentro do carro para levar para o crematório canino, acho que o Espírito da Loli conseguiu explodir em milhões de pedacinhos e espalhar-se em todas as direções. Muito mais do que qualquer um de nós, agora a Lolita faz parte disto tudo.

A única coisa que resta, engasgada no peito e na boca, é a vontade, é a fome, de gritar, assoviar, chamar, docemente, alegremente, através do quintal ou da praia:

Loli... Lollipops... Lolita... Lolita, vem! Vem, Loli!

...

... e eu quase consigo vê-la correndo, meus olhos se enchem d'água, porque eu a vejo correndo sorrindo pra mim totalmente livre e jovem e parece impossível aceitar que eu nunca mais vou vê-la assim feliz correndo latindo sorrindo brigando gritando correndo sorrindo pra mim vindo depois que eu chamo.

O engraçado é que então eu lembro do Argus e vejo ele latindo sorridente (porque ele é um fofo, sabe?), e penso, Talvez...

E, o rosto molhado de lágrimas, no meu coração a Lolita se tornou algo mais que uma cã muito amada e querida. Algo de que, na verdade, eu nunca vou conseguir falar realmente. Algo assim secreto. Só entre eu e ela.

E só.

















terça-feira, 3 de julho de 2007

Fim de hiato - e momentânea desistência

Acabei de postar uma coisa neste blog. Mas é um post tão antigo... quando me dei conta, o post nem aparecia mais nos Ecos... A verdade é que está ficando cada vez mais difícil escrever. Cada vez mais difícil fazer qualquer coisa, na verdade. Estou ficando lenta e confusa. Me sinto uma gata velha, daquelas que passam o dia dormindo na frente da janela, que passam o dia pensando em coisas que não existem, mas sentindo apenas o que está bem aqui, estas feridas novas, que coçam, essas verdades novas, tudo o que está acontecendo e que eu não consigo compreender. Por isso a enigmática função do Diogo (e agora, de certa forma, também do Tchaba) na minha vida se torna tão fundamental. E por isso também quando eu engatei a primeira e acelerei devagarzinho pela primeira vez na minha vida, e pela primeira vez senti a dulcilidade com que aquele monstro mecânico respondeu de imediato e com precisão a cada um dos meus movimentos; por isso naquela hora tudo pareceu fazer sentido, e todas as coisas encontraram seu lugar, e eu me senti plenamente capacitada a ser aquilo que toda a minha história sempre disse que eu haveria de ser.

A questão é que eu desisti de terminar aquele post que eu comecei faz muito tempo, porque não sei mais como terminá-lo. Leiam, que vocês vão entender. Procure-no, talvez. Porque também eu não sou 'hermética'. Eu me compreendo, na maior parte das vezes. Mas, também, não faço questão de que me entendam, não sempre. Essas coisas variam de intensidade e de importância.

Enfim, fins de hiato sempre serão posts ruins e confusos. Algum dia eu vou reunir todos eles e postar todos juntos pra vocês verem como são textos ruins. Acho que é porque marcam períodos de falta do que falar, de confusão e vazio. Bem. Espero que vocês estejam felizes. Espero que tudo esteja dando certo. No momento, eu estou um pouco desanimada.

Mas hoje foi um dia maravilhoso...
Oh, well, as coisas são assim, esquisitas, mesmo.
Um grade beijo.

Marina.