Então, tipo, esta semana eu tava dando aula e apareceu um exercício de vestibular que tinha umas funções logarítmicas deslocadas, com as assíntotas verticais em tracejado. Aí eu pensei "poutz, é melhor eu explicar pressas pessoas o que que é uma assíntota!"
Eu falei pra turma que eu ia explicar isso pra elas, e imediatamente a menina super dedicada que quer prestar poli me pergunta:
--- E pra quê eu preciso saber isso?
Hm.
Olha, eu entendo que com o vestibular se aproximando é normal a gente começar a ficar na pira de não querer estudar nada que não for ser imediatamente útil. Mas acho que a questão é mais profunda aqui, é uma questão que eu sinto mais forte, que é a questão de querer sempre justificar o aprendizado de matemática. Sempre. Quantas vezes eu já não ouvi gente reclamando que estudar essa ou aquela matéria de matemática era inútil, por que nunca ia usar aquilo na vida?
Imagina que eu estivesse dando aula de biologia, e eu começasse a falar sobre o ornitorrinco, e eu começasse a descrever como ele é, onde ele vive, que tipo de bicho ele é. Alguém na turma ia perguntar pra que saber do ornitorrinco ia servir? Ou imagina que eu começasse a falar de, sei lá, de quelíceras, que é essa parte do corpo das aranhas, sabe, que vários artrópodes têm, que elas usam por exemplo pra te picar. Alguém ia perguntar "mas pra quê que isso serve?". Ou imagina que eu desse aula de história, e eu quisesse explicar sobre relações de servidão, ou eu quisesse contar a história da Alsácia-Lorena. Ou mais ainda, imagina que eu desse aula de artes, e que eu quisesse explicar que existe essa cor, que chama azul.
Pra quê servem assíntotas? Sei lá, possívelmente pra nada, pra que serve azul? Assíntota é uma coisa que algumas funções têm; algumas funções têm comportamento assintótico, é algo que acontece, é interessante em alguns casos, é legal, funções assintóticas representam bem alguns tipos de idéias, por exemplo a idéia de se aproximar de um ponto de equilíbrio; sem contar que boa parte das funções mais comuns que tem são assintóticas. Pra que serve estudar assíntotas? Bom, em primeiro lugar, serve pra você ler a palavra "assíntota" em algum lugar e saber o que significa. Também serve pra você ver uma linha tracejada num gráfico e saber o que aquela linha é. Serve pra você identificar que aquela função super conhecida tem uma assíntota vertical no zero, e ver um gráfico de função com essa assíntota deslocada, e perceber que teve um deslocamento da função. Pra que serve saber o que é uma pata, uma orelha, um estômato? Pra que serve saber o que significa "antípoda"?
Eu fico pensando por um lado que matemática deve ser um saco absoluto pras pessoas, claro, que ninguém tem a menor vontade de estudar curvas, funções, transformações, derivadas, assíntotas, limites. Quando a minha professora de história começou a falar da história das termópilas, no colegial, ninguém interrompeu ela pra perguntar por quê ela achava que ela tinha que contar aquela história. Mas ao mesmo tempo isso é porque a história era interessante.
Por outro lado a gente devia mesmo parar o tempo todo e se perguntar "mas o que que eu tô fazendo aqui? Por que eu tô fazendo isso?"... Só que assim, é preciso se perguntar, mais do que "por quê aprender isso?", é preciso se perguntar "o que eu quero aprender?". Então eu não sei o que eu tenho que falar quando eu tô dando uma aula de cursinho e uma pessoa vem me perguntar o que eu tô fazendo ali. Eu penso: bom, eu tô tentando mostrar os comportamentos de funções pra vocês, pra fazer elas parecerem menos assustadoras, prelas fazerem um pouco mais de sentido, porque vocês vão precisar saber manipular essas coisas na prova que vocês vão fazer, e porque algumas de vocês vão inclusive usar um monte de funções ao longo da vida de vocês porque vocês vão estudar engenharia, física, essas coisas. Não é o sistema de ensino do qual eu gostaria de estar fazendo parte, e nem é o sistema de ensino que vocês querem, tb. Mas eu tava pensando que ultimamente o vestibular tem ficado cada vez mais dahora, cada vez mais misturando as disciplinas e fazendo perguntas inteligentes que exigem que a gente pare e pense e manipule os conhecimentos. E que o vestibular está mais dahora que o sistema de ensino das escolas. E que eu não tenho o menor saco pra dar uma aula enciclopedista, e nem eu acho que isso vai ajudar com porra nenhuma.
Além do mais, eu sou uma dessas pessoas que acha matemática uma das coisas mais lindas do mundo, e eu não ia conseguir mutilar completamente essa coisa que eu estudo.
palavra por palavra, procuro chegar, devagar, ao lugar de La Loba.
"O silêncio", disse o griot,"só é escuro no começo..."
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quarta-feira, 15 de outubro de 2014
quarta-feira, 2 de abril de 2014
Eu existo.
Eu sempre me impressiono com a freqüência com que eu tenho que olhar pruma pessoa e tentar convencê-la de que eu sou uma pessoa humana de carne e osso. Isso acontece em todos os ambientes, em todas as bases, exceto talvez aquelas em que eu me sinto tão debaixo de uma pilha de pedras que não enho a força pra falar qualquer coisa sobre mim.
Eu existo.
Algumas coisas eu sou, outras eu faço, mas além disso eu sou uma pessoa real, eu estou na sua frente, falando com você. Você não precisa me olhar com essa cara, não precisa me tratar como um objeto, como uma curiosidade, nem com nojo.
É isso o que as pessoas fazem, por exemplo, quando eu falo que estudo matemática. Vocês deviam ver a cara e as reações das pessoas! Olha, eu já estive em três cursos diferentes, eu sei que não é assim sempre. Quando eu fazia Design, as pessoas ficavam animadas, me perguntavam mil coisas, queriam saber o que eu fazia, o que eu estudava, do que eu gostava mais, me pediam pra contar coisas sobre o curso e etc. Quando eu fazia computação, as pessoas me olhavam com admiração, comentavam como computação é importante, me tratavam como uma pessoa superior que sabia das coisas, me pediam ajuda (exceto os homens de TI, que tentavam me convencer de que nós tínhamos "algo em comum"); quando eu dizia que eu estava me aprofundando mais na parte teórica, as pessoas me olhavam com confusão, com um olhar vazio de quem não conseguia entender, como assim uma pessoa tem a oportunidade de ter uma profissão tão promissora e a joga fora pra estudar uma coisa tão inútil quanto teoria? Agora que eu faço matemática, eu recebo apenas a última parte, mas mil vezes pior. As pessoas me olham com raiva, com desgosto, com nojo, com incompreensão --- no melhor dos casos elas se esforçam pra não deixar transparecer muito o quanto elas acham matemática horrível, o quanto nossa amizade sempre será entravada pelo fato de eu gostar dessa coisa repulsiva que é a matemática.
Eu em geral sustento o olhar, respiro fundo, e tento manter a postura. Estou trabalhando cada vez mais na minha poker-face. Eu já entendi que todo mundo odeia matemática, que é um trauma na vida de todo mundo, mas eu quero mais é que se foda. Eu quero que seus preconceitos imbecis que você adquiriu nas suas aulas (péssimas, tenho certeza) da escolinha sejam completamente obliterados. Eu sou real. Eu estou aqui. E eu não me encaixo em nenhum dos seus preconceitos idiotas. Olha pra mim! (eu digo na minha mente enquanto eu sustento o olhar horrorizado da última pessoa); eu não sou homem, eu estou usando três brincos diferentes hoje, eu tenho cabelo curto com uma mecha comprida de um lado e penteado pra cima, eu não sou japonês, eu não uso camisa de gola nem óculos, eu tenho pernas peludas, eu uso roupas coloridas, e até um minuto atrás nós estávamos conversando sobre alguma coisa altamente política ou queer. Eu não sou uma pessoa maluca que por algum motivo decidiu se torturar, e eu também não tenho a intenção de torturar criancinhas com a horribilidade da matemática. Eu só amo ela. Eu amo a matemática que você nem conhece, a matemática que é lógica, que se expande, que revela coisas inesperadas, que torna iguais coisas diferentes, que se entrelaça, gerando técnicas novas, construindo-se. Eu gosto da matemática porque ela me conta histórias, porque ela é um grande livro de contos borgescos que se relacionam, se aproximam e se afastam. E ela tem muito pouco a ver com aquilo que você estudou na escolinha.
Então é isso, eu sustento o olhar, admirando a mais nova pessoa que me olha como se eu fosse subitamente me metamorfosear em um monstro. Eu agüento enquanto ela demonstra que ela acha que tudo no mundo é mais legal do que o que eu faço. Eu não quero que ela ache que isso me abala. Eu não quero que ela imagine que isso machuca. Eu só quero que ela perceba que eu não vou virar um monstro, que eu continuo sendo uma pessoa. E então podemos prosseguir com o diálogo.
Eu aplico mais ou menos a mesma técnica em todos os muitos outros casos em que as pessoas olham pra mim com repulsa.
Eu existo.
Algumas coisas eu sou, outras eu faço, mas além disso eu sou uma pessoa real, eu estou na sua frente, falando com você. Você não precisa me olhar com essa cara, não precisa me tratar como um objeto, como uma curiosidade, nem com nojo.
É isso o que as pessoas fazem, por exemplo, quando eu falo que estudo matemática. Vocês deviam ver a cara e as reações das pessoas! Olha, eu já estive em três cursos diferentes, eu sei que não é assim sempre. Quando eu fazia Design, as pessoas ficavam animadas, me perguntavam mil coisas, queriam saber o que eu fazia, o que eu estudava, do que eu gostava mais, me pediam pra contar coisas sobre o curso e etc. Quando eu fazia computação, as pessoas me olhavam com admiração, comentavam como computação é importante, me tratavam como uma pessoa superior que sabia das coisas, me pediam ajuda (exceto os homens de TI, que tentavam me convencer de que nós tínhamos "algo em comum"); quando eu dizia que eu estava me aprofundando mais na parte teórica, as pessoas me olhavam com confusão, com um olhar vazio de quem não conseguia entender, como assim uma pessoa tem a oportunidade de ter uma profissão tão promissora e a joga fora pra estudar uma coisa tão inútil quanto teoria? Agora que eu faço matemática, eu recebo apenas a última parte, mas mil vezes pior. As pessoas me olham com raiva, com desgosto, com nojo, com incompreensão --- no melhor dos casos elas se esforçam pra não deixar transparecer muito o quanto elas acham matemática horrível, o quanto nossa amizade sempre será entravada pelo fato de eu gostar dessa coisa repulsiva que é a matemática.
Eu em geral sustento o olhar, respiro fundo, e tento manter a postura. Estou trabalhando cada vez mais na minha poker-face. Eu já entendi que todo mundo odeia matemática, que é um trauma na vida de todo mundo, mas eu quero mais é que se foda. Eu quero que seus preconceitos imbecis que você adquiriu nas suas aulas (péssimas, tenho certeza) da escolinha sejam completamente obliterados. Eu sou real. Eu estou aqui. E eu não me encaixo em nenhum dos seus preconceitos idiotas. Olha pra mim! (eu digo na minha mente enquanto eu sustento o olhar horrorizado da última pessoa); eu não sou homem, eu estou usando três brincos diferentes hoje, eu tenho cabelo curto com uma mecha comprida de um lado e penteado pra cima, eu não sou japonês, eu não uso camisa de gola nem óculos, eu tenho pernas peludas, eu uso roupas coloridas, e até um minuto atrás nós estávamos conversando sobre alguma coisa altamente política ou queer. Eu não sou uma pessoa maluca que por algum motivo decidiu se torturar, e eu também não tenho a intenção de torturar criancinhas com a horribilidade da matemática. Eu só amo ela. Eu amo a matemática que você nem conhece, a matemática que é lógica, que se expande, que revela coisas inesperadas, que torna iguais coisas diferentes, que se entrelaça, gerando técnicas novas, construindo-se. Eu gosto da matemática porque ela me conta histórias, porque ela é um grande livro de contos borgescos que se relacionam, se aproximam e se afastam. E ela tem muito pouco a ver com aquilo que você estudou na escolinha.
Então é isso, eu sustento o olhar, admirando a mais nova pessoa que me olha como se eu fosse subitamente me metamorfosear em um monstro. Eu agüento enquanto ela demonstra que ela acha que tudo no mundo é mais legal do que o que eu faço. Eu não quero que ela ache que isso me abala. Eu não quero que ela imagine que isso machuca. Eu só quero que ela perceba que eu não vou virar um monstro, que eu continuo sendo uma pessoa. E então podemos prosseguir com o diálogo.
Eu aplico mais ou menos a mesma técnica em todos os muitos outros casos em que as pessoas olham pra mim com repulsa.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Hoje
Hoje foi um dia bom.
Bom mesmo.
Daqueles que tem, tipo, felicidade.
Na verdade foi tão bom que estou contando tim-tim por tim-tim: essas são coisas que me trazem felicidade.
Pra começar hoje eu acordei cedo. Eu tomei outro banho, tomei café com calma, me preparei psicologicamente pra sair de bike sem casaco no vento gelado, e fui. O trânsito estava tranqüilo, ninguém tentou me matar, nem me ultrapassou coladinho, nem decidiu que era engraçado me dar um susto. As pessoas me deram passagem quando eu precisava.
Cheguei pra minha aula das oito às nove, o que é ok dado que é Cálculo IV. Mas encontrei um aluno mais velho (talvez monitor da matéria, não sei) e me avisou que o professor não vinha. Então fomos tomar um chá, pra esquentar as mãos que estavam já meio rígidas de tanto frio. O Ime estava quentinho, troquei umas moedas pequenas na máquina de café, o sofá estava gostoso, conversamos sobre perspectivas, objetivos, a computação, etc.
Fui estudar. Estudei, até, um pouco, mas estava com sono e cansada. Aí chegou o Michel (meu bom amigo matemático), conversamos, fomos tomar um café. Conversamos muito, encontramos o Rafael (outro importante amigo do Ime, da aplicada), conversamos mais. Fui pra minha aula das dez às dez-e-quinze, o que me parece ok porque eu não entendo o propósito nem a dificuldade do que estamos estudando. Fiquei estudando álgebra durante a aula.
Saí da aula e dei de cara com o Michel e o Rafael. Chamei pra almoçar, e o Rafael chamou a Giuli (da T19, computóloga-matemática). O Lucas Colucci apareceu do nada e me deu um abraço e um sorriso cheios de amor. Fomos encontrar a Giuli no CM e encontramos um grande grupo de bichos felizes e fomos almoçar todos juntos (bom, em duas mesas separadas), e depois fomos bater papo no favo. Em particular o Louis e a Jú sentaram na nossa mesa, o Louis que depois vi que tinha me chamado pra almoçar pelo facebook, a Jú com quem combinei que quando nossas vidas estiverem menos loucas a gente vai arranjar tempod, e o Guióda, que eu não vejo desdeq, me deu um abraço apertado (e eu achando tudo o máximo porque eu estava saindo com cm-icos e matemáticos ao mesmo tempo).
Quando eu estava meio indo embora dois amigos tentaram me chamar pra encontrá-los, mas não dava mais. Meio chato, mas, ao mesmo tempo, eu não teria encontrado esse grupo tão pouco usual se estivesse saindo com esses outros amigos queridos.
No caminho pra Vésper esbarrei, por total coincidência, na Hita. Conversamos brevemente, mas o sorriso dela foi tão brilhante que até agora está me alegrando.
Minha aluna nova tinha inesperados 11 anos e precisava de ajuda com frações, mmcs e mdcs. E durante uma das aulas eu cheguei a usar sistema de numeração com bases 13, 20 e 2 pra explicar porque 55 não tem nada a ver com 5x5 (!). Eu adoro essas pessoas pequenas, que gostam das matérias e demonstram o tempo todo o quanto estão interessadas em aprender; e entre as aulas da Júlia eu dei aula pra minha aluna regular, a Sophia, que está prestando uma prova pra 6o ano e que é a melhor aluna que eu já tive (sério, dar aula pra ela - ou melhor dizendo ajudá-la a se dar aula - alegra minha vida, vou sentir falta quando acabar).
Afinal, atravessei os tipo seis quarterões gélidos e de vista linda que separam a Vésper da minha casinha. Cheguei aqui e tive mais uma surpresa boa: você estava em casa! (obs.: qualquer outro jeito de escrever isso soa ou muito impessoal ou muito pessoal - so there you have it, é por isso que eu uso tanto "você")
Além do mais, depois de chegar aqui eu até consegui fazer 2 ou 3 exercícios de álgebra II. Ou seja: \o/
Bom mesmo.
Daqueles que tem, tipo, felicidade.
Na verdade foi tão bom que estou contando tim-tim por tim-tim: essas são coisas que me trazem felicidade.
Pra começar hoje eu acordei cedo. Eu tomei outro banho, tomei café com calma, me preparei psicologicamente pra sair de bike sem casaco no vento gelado, e fui. O trânsito estava tranqüilo, ninguém tentou me matar, nem me ultrapassou coladinho, nem decidiu que era engraçado me dar um susto. As pessoas me deram passagem quando eu precisava.
Cheguei pra minha aula das oito às nove, o que é ok dado que é Cálculo IV. Mas encontrei um aluno mais velho (talvez monitor da matéria, não sei) e me avisou que o professor não vinha. Então fomos tomar um chá, pra esquentar as mãos que estavam já meio rígidas de tanto frio. O Ime estava quentinho, troquei umas moedas pequenas na máquina de café, o sofá estava gostoso, conversamos sobre perspectivas, objetivos, a computação, etc.
Fui estudar. Estudei, até, um pouco, mas estava com sono e cansada. Aí chegou o Michel (meu bom amigo matemático), conversamos, fomos tomar um café. Conversamos muito, encontramos o Rafael (outro importante amigo do Ime, da aplicada), conversamos mais. Fui pra minha aula das dez às dez-e-quinze, o que me parece ok porque eu não entendo o propósito nem a dificuldade do que estamos estudando. Fiquei estudando álgebra durante a aula.
Saí da aula e dei de cara com o Michel e o Rafael. Chamei pra almoçar, e o Rafael chamou a Giuli (da T19, computóloga-matemática). O Lucas Colucci apareceu do nada e me deu um abraço e um sorriso cheios de amor. Fomos encontrar a Giuli no CM e encontramos um grande grupo de bichos felizes e fomos almoçar todos juntos (bom, em duas mesas separadas), e depois fomos bater papo no favo. Em particular o Louis e a Jú sentaram na nossa mesa, o Louis que depois vi que tinha me chamado pra almoçar pelo facebook, a Jú com quem combinei que quando nossas vidas estiverem menos loucas a gente vai arranjar tempod, e o Guióda, que eu não vejo desdeq, me deu um abraço apertado (e eu achando tudo o máximo porque eu estava saindo com cm-icos e matemáticos ao mesmo tempo).
Quando eu estava meio indo embora dois amigos tentaram me chamar pra encontrá-los, mas não dava mais. Meio chato, mas, ao mesmo tempo, eu não teria encontrado esse grupo tão pouco usual se estivesse saindo com esses outros amigos queridos.
No caminho pra Vésper esbarrei, por total coincidência, na Hita. Conversamos brevemente, mas o sorriso dela foi tão brilhante que até agora está me alegrando.
Minha aluna nova tinha inesperados 11 anos e precisava de ajuda com frações, mmcs e mdcs. E durante uma das aulas eu cheguei a usar sistema de numeração com bases 13, 20 e 2 pra explicar porque 55 não tem nada a ver com 5x5 (!). Eu adoro essas pessoas pequenas, que gostam das matérias e demonstram o tempo todo o quanto estão interessadas em aprender; e entre as aulas da Júlia eu dei aula pra minha aluna regular, a Sophia, que está prestando uma prova pra 6o ano e que é a melhor aluna que eu já tive (sério, dar aula pra ela - ou melhor dizendo ajudá-la a se dar aula - alegra minha vida, vou sentir falta quando acabar).
Afinal, atravessei os tipo seis quarterões gélidos e de vista linda que separam a Vésper da minha casinha. Cheguei aqui e tive mais uma surpresa boa: você estava em casa! (obs.: qualquer outro jeito de escrever isso soa ou muito impessoal ou muito pessoal - so there you have it, é por isso que eu uso tanto "você")
Além do mais, depois de chegar aqui eu até consegui fazer 2 ou 3 exercícios de álgebra II. Ou seja: \o/
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
O que vier à mente
Porque tenho sentido falta de escrever.
Tenho gostado de matemática. Muito. Tenho me envolvido com isso e me aprofundado e mergulhado nisso.Às vezes acordo de manhã e penso "ah, então o que aquela frase daquela demonstração queria dizer era isso...". Lembro de quando eu decidi, no ano passado, que minhas coisas favoritas de estudar eram computação e matemática. Oh well. Agora minha lista de preferências começa com matemática, seguida por biologia, seguida por computação. Mas acho que é assim mesmo, e não tem por que eu mudar de idéia. Eu sempre tive consciência de que escolhi Ciências da Computação apenas porque Matemática Aplicada e Computacional era noturno. E Computação é uma coisa que pode te dar mais emprego e etc. Sei lá, não tenho estado afim de ter um emprego. Quero estudar pra caralho e passar o resto da vida estudando. Hoje resolvi ocupar meu tempo livre com uma aula de Álgebra. E me sinto terrivelmente feliz.
E como nada pode ser perfeito eu tenho me sentido ao mesmo tempo meio solitária. Meio vazia. Sinto falta de algo que não sei bem o que é. Pessoas, caçadas, eu acho. Faz alguns meses desde a última vez em que conheci alguém novo ou tive vontade de caçar alguém específico, e às vezes acho que essas coisas são necessárias para a minha paz de espírito. Hoje tive um sonho muito divertido em que eu tentava seduzir duas lésbicas adoráveis. Mas eu tenho um pouquinho de mêdo de lésbicas, alguns de vocês podem imaginar porquê. No final do sonho eu saía da tal festa e ia de bicicleta para a faculdade junto com o Renex. No fim das contas eu sou uma pessoa feliz.
Mas não feliz demais. Me sinto inquieta, como se algo estivesse se dirigindo para uma condição errada, como se eu estivesse subindo na montanha russa e precisasse descobrir como sair do carrinho antes que chegue a descida. Mas talvez não haja nada além do carrinho neste trilho e eu não tenha opção além de descer escorregando. Ou talvez eu já tenha pulado fora do carrinho e esteja tentando voltar para dentro dele. De qualquer forma, acho que os últimos quatro anos me ensinaram a ser terrivelmente desconfiada em relação às minhas próprias decisões.
Mas não estou realmente afim de estudar bioinformática, não ainda, e não consigo me convencer a parar e retomar os teoremas de àlgebra que o Agozzinni sugeriu que eu estudasse. Isso requer muita concentração. E é tão gostoso gastar essas horas lendo o Murray ou o Spivak, destrinchando equações diferenciais ou tentando provar propriedades óbvias das operações com números reais usando apenas as definições...
Tenho gostado de matemática. Muito. Tenho me envolvido com isso e me aprofundado e mergulhado nisso.Às vezes acordo de manhã e penso "ah, então o que aquela frase daquela demonstração queria dizer era isso...". Lembro de quando eu decidi, no ano passado, que minhas coisas favoritas de estudar eram computação e matemática. Oh well. Agora minha lista de preferências começa com matemática, seguida por biologia, seguida por computação. Mas acho que é assim mesmo, e não tem por que eu mudar de idéia. Eu sempre tive consciência de que escolhi Ciências da Computação apenas porque Matemática Aplicada e Computacional era noturno. E Computação é uma coisa que pode te dar mais emprego e etc. Sei lá, não tenho estado afim de ter um emprego. Quero estudar pra caralho e passar o resto da vida estudando. Hoje resolvi ocupar meu tempo livre com uma aula de Álgebra. E me sinto terrivelmente feliz.
E como nada pode ser perfeito eu tenho me sentido ao mesmo tempo meio solitária. Meio vazia. Sinto falta de algo que não sei bem o que é. Pessoas, caçadas, eu acho. Faz alguns meses desde a última vez em que conheci alguém novo ou tive vontade de caçar alguém específico, e às vezes acho que essas coisas são necessárias para a minha paz de espírito. Hoje tive um sonho muito divertido em que eu tentava seduzir duas lésbicas adoráveis. Mas eu tenho um pouquinho de mêdo de lésbicas, alguns de vocês podem imaginar porquê. No final do sonho eu saía da tal festa e ia de bicicleta para a faculdade junto com o Renex. No fim das contas eu sou uma pessoa feliz.
Mas não feliz demais. Me sinto inquieta, como se algo estivesse se dirigindo para uma condição errada, como se eu estivesse subindo na montanha russa e precisasse descobrir como sair do carrinho antes que chegue a descida. Mas talvez não haja nada além do carrinho neste trilho e eu não tenha opção além de descer escorregando. Ou talvez eu já tenha pulado fora do carrinho e esteja tentando voltar para dentro dele. De qualquer forma, acho que os últimos quatro anos me ensinaram a ser terrivelmente desconfiada em relação às minhas próprias decisões.
Mas não estou realmente afim de estudar bioinformática, não ainda, e não consigo me convencer a parar e retomar os teoremas de àlgebra que o Agozzinni sugeriu que eu estudasse. Isso requer muita concentração. E é tão gostoso gastar essas horas lendo o Murray ou o Spivak, destrinchando equações diferenciais ou tentando provar propriedades óbvias das operações com números reais usando apenas as definições...
terça-feira, 3 de maio de 2011
Vamos falar de Computação - Algoritmos
Sexta passada o Charles me perguntou o que eu fazia, e como funcionava o que eu fazia, e eu me atrapalhei muito na resposta porque não é exatamente fácil de explicar, e porque no fundo eu não sei todos os princípios que regem a computação (eu não sei como funciona a máquina de turing!), e também porque eu aprendi umas coisinhas lá no design, outras ali no ime, outras conversando com a galera (especialmente o chalom), outras aqui na netpoint, e isso tudo me deu uma visão mais ou menos global, mais ou menos intuitiva de como é a computação, como funcionam os computadores, como essa coisa toda se amarra e se articula e no final das contas funcionam (ou não, mas isso é outra história).
O Charles me fez duas perguntas, uma bem complicada, e outra formalmente complicada mas informalmente simples de responder.
- Então você escreve um texto e aí ele faz aparecer aquelas coisas na tela? Como?
e
- O que as pessoas querem dizer quando falam em "algoritmo"?
Foi bem ele ter perguntado isso, porque algoritmos são a base do trabalho de um programador. Bom, pelo menos de um que faça qualquer coisa de interessante.
Essencialmente, um algoritmo é um método, ou uma máquina, que recebe alguma coisa como entrada (input), processa essa coisa e devolve uma determinada saída (output). Imagine por exemplo um moedor de carne como um algoritmo que recebe carne e devolve carne moída. Ou, muito mais apropriadamente, o 'modo de fazer' de uma receita de bolo como um algoritmo que recebe determinados ingredientes e devolve um bolo. Na verdade algoritmos se parecem muito com receitas de bolo porque eles são receitas para se conseguir uma coisa a partir de outra. A diferença básica é que os algoritmos foram definidos por matemáticos, o que significa que neles não há nenhuma abertura para "a gosto" ou "até parecer bom". Se um algoritmo é bom e correto, você pode provar formalmente que ele funciona, e mais uma porção de coisas a respeito dele.
Vou dar uns exemplos, só porque entender o que é um algoritmo é útil de modo geral pra entender como qualquer programa funciona. Imagine, por exemplo, que eu quero pegar vários números e elevá-los ao quadrado. Então, eu vou executar, para cada um deles, um algoritmo que recebe um número n e devolve n^2. Eu vou escrever esse algoritmo assim:
quadrado(numero n) {
   devolve n*n;
}
(o padrão da computação é que * represente multiplicação)
Esse é um exemplo meio idiota, mas imagine que em vez disso eu quero executar uma função f(x) para vários valores de x. Imagine que eu estou, por exemplo, querendo desenhar um gráfico. Digamos que eu queira um gráfico para a função f(x) = 2x^2 + 4x +5. Então posso escrevê-la assim:
f(numero x) {
   devolve (2*x*x) + (4*x) + 5;
}
E escrever um algoritmo que usa essa função para obter os valores de f(x) a partir de uma lista de valores de x:
valores(função f, lista X) {
   nova lista Y;
   para cada Xi em X
      Yi recebe o valor de f(Xi);
  
   devolve Y;
}
Ou outro que recebe essas lista e desenha um gráfico:
gráfico(função f, lista X) {
   para cada x em X
      desenha no gráfico ponto (x,f(x));
  
}
Eu não sei o quão claro isso soa para pessoas que não estão acostumadas com essa linguagem. Existem várias formas de dizer a mesma coisa, vários níveis de rigor e tal. Na matemática, estamos muito acostumados a usar diversos algoritmos. Por exemplo, todo mundo aprendeu a usar o algoritmo de arme-e-efetue de, por exemplo, multiplicação. Eu poderia escrever ele no meu pseudo-código aqui, e acho que vocês reconheceriam:
multiplica(número x, número y) {
   novo número resultado;
   para cada algarismo x(i) de x (com i de 0 a log(x)
      novo número resultado_parcial(i);
      para cada algarismo y(j) de y
         soma (x(i)*y(j)) em resultado_parcial(i);
      soma (10^i)*resultado_parcial(i) em resultado;
   devolve resultado;
}
Esses algoritmos estão ficando muito esqusitos. Talves eu devesse escrevê-los mais assim:
multiplica(número x, número y){
   denote cada algarismo de x por x(i), com i variando de 0 a log(x)-1, de acordo com a posição da direita para a esquerda;
   denote cada algarismo de y por y(j), com j variando de 0 a log(j)-1, de acordo com a posição da direita para a esquerda;
   tome i = 0 e o algarismo da unidade de x (x(0)) como x(i);
   LOOP1:
      tome j = 0 e o algarismo da unidade de y (y(0)) como y(i);
      LOOP2:
         multiplique x(i) por y(j) por 10^i e some ao resultado parcial(i);
         acresça j de um e tome por y(j) o próximo algarismo de y e repita a partir de LOOP2;
      acresça i de um e tome por x(i) o próximo algarismo de x e repita a partir de LOOP1;
   some todos os resultados parciais em um Resultado Final;
   devolva o Resultado Final;
}
(esta versão ficou muito parecida com uma função em Assembly, pra quem se interessa)
Observem como o arme-e-efetue da multiplicação faz exatamente isso, com apenas uns detalhes irrelevantes de ordem de diferença! Dá pra fazer o mesmo com o algoritmo da divisão, da soma, da subtração, da potenciação, do fatorial, de resolver algumas equações e também com aqueles métodos dos gregos (em especial Euclides e Pitágoras) para descobrir se um número é primo, para encontrar máximo divisor comum, etc.
Enfim, me dêem um feedback (quem é das humanas, vai) se isso fez algum sentido pra vocês. Vou parar por aqui antes de me afundar mais.
O Charles me fez duas perguntas, uma bem complicada, e outra formalmente complicada mas informalmente simples de responder.
- Então você escreve um texto e aí ele faz aparecer aquelas coisas na tela? Como?
e
- O que as pessoas querem dizer quando falam em "algoritmo"?
Foi bem ele ter perguntado isso, porque algoritmos são a base do trabalho de um programador. Bom, pelo menos de um que faça qualquer coisa de interessante.
Essencialmente, um algoritmo é um método, ou uma máquina, que recebe alguma coisa como entrada (input), processa essa coisa e devolve uma determinada saída (output). Imagine por exemplo um moedor de carne como um algoritmo que recebe carne e devolve carne moída. Ou, muito mais apropriadamente, o 'modo de fazer' de uma receita de bolo como um algoritmo que recebe determinados ingredientes e devolve um bolo. Na verdade algoritmos se parecem muito com receitas de bolo porque eles são receitas para se conseguir uma coisa a partir de outra. A diferença básica é que os algoritmos foram definidos por matemáticos, o que significa que neles não há nenhuma abertura para "a gosto" ou "até parecer bom". Se um algoritmo é bom e correto, você pode provar formalmente que ele funciona, e mais uma porção de coisas a respeito dele.
Vou dar uns exemplos, só porque entender o que é um algoritmo é útil de modo geral pra entender como qualquer programa funciona. Imagine, por exemplo, que eu quero pegar vários números e elevá-los ao quadrado. Então, eu vou executar, para cada um deles, um algoritmo que recebe um número n e devolve n^2. Eu vou escrever esse algoritmo assim:
quadrado(numero n) {
   devolve n*n;
}
(o padrão da computação é que * represente multiplicação)
Esse é um exemplo meio idiota, mas imagine que em vez disso eu quero executar uma função f(x) para vários valores de x. Imagine que eu estou, por exemplo, querendo desenhar um gráfico. Digamos que eu queira um gráfico para a função f(x) = 2x^2 + 4x +5. Então posso escrevê-la assim:
f(numero x) {
   devolve (2*x*x) + (4*x) + 5;
}
E escrever um algoritmo que usa essa função para obter os valores de f(x) a partir de uma lista de valores de x:
valores(função f, lista X) {
   nova lista Y;
   para cada Xi em X
      Yi recebe o valor de f(Xi);
  
   devolve Y;
}
Ou outro que recebe essas lista e desenha um gráfico:
gráfico(função f, lista X) {
   para cada x em X
      desenha no gráfico ponto (x,f(x));
  
}
Eu não sei o quão claro isso soa para pessoas que não estão acostumadas com essa linguagem. Existem várias formas de dizer a mesma coisa, vários níveis de rigor e tal. Na matemática, estamos muito acostumados a usar diversos algoritmos. Por exemplo, todo mundo aprendeu a usar o algoritmo de arme-e-efetue de, por exemplo, multiplicação. Eu poderia escrever ele no meu pseudo-código aqui, e acho que vocês reconheceriam:
multiplica(número x, número y) {
   novo número resultado;
   para cada algarismo x(i) de x (com i de 0 a log(x)
      novo número resultado_parcial(i);
      para cada algarismo y(j) de y
         soma (x(i)*y(j)) em resultado_parcial(i);
      soma (10^i)*resultado_parcial(i) em resultado;
   devolve resultado;
}
Esses algoritmos estão ficando muito esqusitos. Talves eu devesse escrevê-los mais assim:
multiplica(número x, número y){
   denote cada algarismo de x por x(i), com i variando de 0 a log(x)-1, de acordo com a posição da direita para a esquerda;
   denote cada algarismo de y por y(j), com j variando de 0 a log(j)-1, de acordo com a posição da direita para a esquerda;
   tome i = 0 e o algarismo da unidade de x (x(0)) como x(i);
   LOOP1:
      tome j = 0 e o algarismo da unidade de y (y(0)) como y(i);
      LOOP2:
         multiplique x(i) por y(j) por 10^i e some ao resultado parcial(i);
         acresça j de um e tome por y(j) o próximo algarismo de y e repita a partir de LOOP2;
      acresça i de um e tome por x(i) o próximo algarismo de x e repita a partir de LOOP1;
   some todos os resultados parciais em um Resultado Final;
   devolva o Resultado Final;
}
(esta versão ficou muito parecida com uma função em Assembly, pra quem se interessa)
Observem como o arme-e-efetue da multiplicação faz exatamente isso, com apenas uns detalhes irrelevantes de ordem de diferença! Dá pra fazer o mesmo com o algoritmo da divisão, da soma, da subtração, da potenciação, do fatorial, de resolver algumas equações e também com aqueles métodos dos gregos (em especial Euclides e Pitágoras) para descobrir se um número é primo, para encontrar máximo divisor comum, etc.
Enfim, me dêem um feedback (quem é das humanas, vai) se isso fez algum sentido pra vocês. Vou parar por aqui antes de me afundar mais.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Dica do quotidiano - vidro embaçado
Aprendi ontem no cursinho uma técnica bastante simples para impedir o vidro de embaçar: basta passar detergente na superfície e limpar a seco, com pano ou de preferência papel absorvente. O vidro é um composto iônico de sílica, sódio e potássio, que atrai fortemente a água. O detergente se liga a ele por sua ponta polar e cria uma camada apolar, ou seja, hidrofóbica. Estou pensando em experimentar usar isso nos vidros dos carros aqui, embora seja um processo um pouco demorado limpar todo o detergente excedente sem usar água (a água dissolve o detergente o remove completamente do vidro).
Aparentemente, um dos alunos do psor de química usou esse recurso para escrever mensagens secretas no espelho do banheiro, que só apareciam quando o espelho embaçava. Ah, a criatividade =)!
Aparentemente, um dos alunos do psor de química usou esse recurso para escrever mensagens secretas no espelho do banheiro, que só apareciam quando o espelho embaçava. Ah, a criatividade =)!
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Aprendi hoje: alto forno
Hoje (ou ontem, sei lá) tive uma aula sobre obtenção de metais puros e o professor contou a história fantástica de como descobriram como funciona o alto-forno. Para quem não lembra, alto-forno é aquele forno gigantesco usado para transformar minério de ferro (óxido de ferro) em ferro metálico. O protótipo desse forno foi inventado na Idade do Ferro, mas hoje em dia eles são bastante complexos. Enfim, um dia um grupo de pesquisa decidiu descobrir o que acontecia de verdade dentro dele, e teve uma idéia brilhante: dissecação.
Eles desligaram o forno ao mesmo tempo em que derramavam sobre ele uma quantidade colossal de nitrogênio líqüido, congelando tudo o que estava dentro dele mais ou menos no lugar em que estava, e depois fatiaram o forno congelado para estudar cada uma das fases separadamente!
Eles desligaram o forno ao mesmo tempo em que derramavam sobre ele uma quantidade colossal de nitrogênio líqüido, congelando tudo o que estava dentro dele mais ou menos no lugar em que estava, e depois fatiaram o forno congelado para estudar cada uma das fases separadamente!
sábado, 24 de abril de 2010
Uma Puta Semana Dahora
Se eu olhar com olhos otimistas, foi sim. Pra começar o fim de semana foi incrível! Eu não sentia tanto prazer em wakear fazia muito tempo! E eu rio pra caramba com Friends tb. E é bastante tranqüilo passar um fim de semana em Ibiúna com o Ugo. Até conseguimos encontrar algumas explicações pra gente se dar tão bem. Uma ou duas, talvez não o suficiente.
Depois eu realmente me diverti domingo. Não sabia que tv de madrugada podia ser tão divertido. Eu teria ficado louca sem aquilo. E... Bem, há tanta coisa pra se dizer. Mas eu quero falar só das melhores coisas!
Eu consegui a matrícula em Estrutura de Dados, e, embora eu tenha perdido uma prova dessa matéria, isso me faz instensamente feliz. Não é possível que eu não consiga fazer esses tipo 12 créditos a que me propus. Eu vou dar um jeito. Eu estou mais confiante do que nunca estive.
E já falei de como a festa da Ixa foi o máximo?! A cara dela quando a gente pulou e gritou "Surpresa! Jogo! Êêêê!" Hahahahaha! Conversamos sobre mil coisas e foi tudo muito divertido, eu não me lembrava de como aquele grupo de pessoas podia ser legal (técnicamente, foi a primeira vez que aquela configuração específica de pessoas se reuniu). Eu só queria ter estado com menos sono.
Teve um momento nessa festa em que eu olhei ao redor e percebi o quão intensamente eu amava aquelas pessoas. Não como quando eu me apaixonei por cada uma delas, quando eu passava o dia pensando nelas e pensando em formas de nos aproximarmos. Dessa vez foi aquele amor que só deseja o bem ao próximo, que deseja que possamos rir juntos mais vezes. Eu queria sentir isso por todo mundo. Pra mim é isso que é ter um amigo.
Então eu fui até a Ixa e a abracei. Eu precisava que ela soubesse que eu gosto dela de verdade de verdade. Que eu queria que ela sentisse de verdade o quanto a gente queria dar de aniversário pra ela a felicidade de ter bons amigos.
Mesmo que semana retrasada eu quisesse xingar e dizer porra larga do meu pé, eu quero sair com outras pessoas de vez em quando, quando eu escolho encontrar essas pessoas eu escolho de verdade. Eu me diverti infinito.
Quinta teve muita coisa boa, eu estava já me sentindo bem pior mas consegui notícias boas que me fizeram pular de alegria, resolvi uns problemas que estavam consumindo toda a minha energia, e além disso o almoço com o Tássio foi legal — eu sempre me surpreendo com as coisas que temos em comum, e as diferenças gritantes do outro lado.
Ele me lembrou de uma outra alegria de escrever: essa que as palavras nos dão quando escolhem trabalhar com a gente para criar algo bonito. Eu lembrei de como eu queria escrever livros infantis e livros de poemas para celebrar a beleza das palavras.
Havia uma árvore incrível em cima de mim.
Também foi um dia de mudança e descoberta.
Finalmente, assistimos Dr. Horrible SingAlong Blog e demos umas risadas. A aula de Estatística, com meu professor gaúcho fantástico, não foi nada ruim também.
— Fatorial de menos-um é que nem gaúcho viado: não existe! Agora deixa eu pegar esse rosa macho... Não é qualquer rosa, não... pra escrever a conclusão...
E outra coisa também: estou começando a me entender com a minha Lôba. Por enquanto só o que consigo é alternar uma agressividade intensa com uma calma quanse depressiva, mas em um ou outro momento eu consigo algo mais... Algo como a Criadora.
Preciso me estender mais nesse assunto.
Quem sabe em outro post.
Depois eu realmente me diverti domingo. Não sabia que tv de madrugada podia ser tão divertido. Eu teria ficado louca sem aquilo. E... Bem, há tanta coisa pra se dizer. Mas eu quero falar só das melhores coisas!
Eu consegui a matrícula em Estrutura de Dados, e, embora eu tenha perdido uma prova dessa matéria, isso me faz instensamente feliz. Não é possível que eu não consiga fazer esses tipo 12 créditos a que me propus. Eu vou dar um jeito. Eu estou mais confiante do que nunca estive.
E já falei de como a festa da Ixa foi o máximo?! A cara dela quando a gente pulou e gritou "Surpresa! Jogo! Êêêê!" Hahahahaha! Conversamos sobre mil coisas e foi tudo muito divertido, eu não me lembrava de como aquele grupo de pessoas podia ser legal (técnicamente, foi a primeira vez que aquela configuração específica de pessoas se reuniu). Eu só queria ter estado com menos sono.
Teve um momento nessa festa em que eu olhei ao redor e percebi o quão intensamente eu amava aquelas pessoas. Não como quando eu me apaixonei por cada uma delas, quando eu passava o dia pensando nelas e pensando em formas de nos aproximarmos. Dessa vez foi aquele amor que só deseja o bem ao próximo, que deseja que possamos rir juntos mais vezes. Eu queria sentir isso por todo mundo. Pra mim é isso que é ter um amigo.
Então eu fui até a Ixa e a abracei. Eu precisava que ela soubesse que eu gosto dela de verdade de verdade. Que eu queria que ela sentisse de verdade o quanto a gente queria dar de aniversário pra ela a felicidade de ter bons amigos.
Mesmo que semana retrasada eu quisesse xingar e dizer porra larga do meu pé, eu quero sair com outras pessoas de vez em quando, quando eu escolho encontrar essas pessoas eu escolho de verdade. Eu me diverti infinito.
Quinta teve muita coisa boa, eu estava já me sentindo bem pior mas consegui notícias boas que me fizeram pular de alegria, resolvi uns problemas que estavam consumindo toda a minha energia, e além disso o almoço com o Tássio foi legal — eu sempre me surpreendo com as coisas que temos em comum, e as diferenças gritantes do outro lado.
Ele me lembrou de uma outra alegria de escrever: essa que as palavras nos dão quando escolhem trabalhar com a gente para criar algo bonito. Eu lembrei de como eu queria escrever livros infantis e livros de poemas para celebrar a beleza das palavras.
Havia uma árvore incrível em cima de mim.
Também foi um dia de mudança e descoberta.
Finalmente, assistimos Dr. Horrible SingAlong Blog e demos umas risadas. A aula de Estatística, com meu professor gaúcho fantástico, não foi nada ruim também.
— Fatorial de menos-um é que nem gaúcho viado: não existe! Agora deixa eu pegar esse rosa macho... Não é qualquer rosa, não... pra escrever a conclusão...
E outra coisa também: estou começando a me entender com a minha Lôba. Por enquanto só o que consigo é alternar uma agressividade intensa com uma calma quanse depressiva, mas em um ou outro momento eu consigo algo mais... Algo como a Criadora.
Preciso me estender mais nesse assunto.
Quem sabe em outro post.
domingo, 11 de abril de 2010
Designer
Hoje eu li o blog da minha irmã e resolvi deixar um comentário. É meio engraçado como mesmo que não nos encontremos ou conversemos tanto assim sinto que nós duas estamos sempre em sincronia. Vivemos coisas diferentes, tomamos decisões diferentes, mas eu quase sempre me identifico muito com o que ela pensa. É meio difícil isso de estar tão próxima de alguém que tem uma vida diferente. Acho que é difícil não querer às vezes estar na pele dela. É claro que sinto esse tipo de coisa em relação a todas as pessoas que admiro, mas é mais freqüente neste caso.
Bom, quando eu fui deixar o comentário eu comecei a chorar. Assim, lágrimas começaram a correr pelo meu rosto, o que eu poderia fazer. O que eu queria dizer era bem simples: eu queria sentir isso também. Eu sinto às vezes. Esse prazer de ser designer. Depois me sinto mal por isso. Porque não. Não mesmo.
O Gil, monitor de computação no Design, fez arquitetura e depois virou programador e agora é designer de software. Eu queria fazer isso. Essa formação que permite que você seja qualquer coisa. Eu quero ser qualquer coisa. Eu quero poder escolher. Deixar a vida me levar, seguir as correntes dos impulsos. Ter sempre em mente o projeto, as pessoas, perseguir a solução.
Eu sinto dor porque eu odeio o curso que eu tentei fazer pra entrar nesse caminho-não-caminho. Eu sofri lá. Eu chorei. Eu não quero mais pensar nisso, a Ixa disse "larga o design e põe uma pedra em cima", eu quero pôr uma pedra em cima e não pensar nisso, dói demais. Não quero lembrar do quanto isso me machuca. Dos piores anos da minha vida, ou pelo menos da última década. Da minha fraqueza. De todas as frustrações, os fracassos, os trabalhos que eu queria jogar no lixo ao invés de entregar, das apresentações que me fizeram me encolher de vergonha. Da inveja. De como se eu tivesse feito outra coisa eu talvez já estivesse me formando, de como eu vou demorar vários anos pra chegar perto de me formar. De como eu falhei em quase todas as matérias de projeto. Botar uma pedra em cima. Disso tudo eu não quero lembrar.
Mas uma parte de mim, a que se recusa a desistir, não quer esquecer. Eu quero lembrar de cada dor, de cada derrota, e me obrigar a ser mais forte por cada uma delas. E cada sonho: eu quero nunca esquecer minha paixão pelo design finlandês, nunca esquecer que ano passado eu tinha planos incríveis para um tcc, e nunca esquecer do que eu aprendi. Principalmente, a conclusão de que design é tudo. Design é o que faz sentido. Design é projeto. É o que separa os homens dos animais. O que quer que seja que eu faça no futuro, provavelmente vai ser um tipo de design, ou vai estar totalmente envolto em design.
Me incomoda muito que eu não esteja mais num curso voltado para o projeto. Que eu saiba que aquele não é o meu lugar. Que eu queira mais da vida que ser forçada a fazer tudo o que eu não sei. Me incomoda que eu tenha falhado nesse aspecto.
Mas quem sabe? Talvez um dia eu possa voltar, menos frágil, menos despreparada, e terminar aquele projeto que comecei.
Bom, quando eu fui deixar o comentário eu comecei a chorar. Assim, lágrimas começaram a correr pelo meu rosto, o que eu poderia fazer. O que eu queria dizer era bem simples: eu queria sentir isso também. Eu sinto às vezes. Esse prazer de ser designer. Depois me sinto mal por isso. Porque não. Não mesmo.
O Gil, monitor de computação no Design, fez arquitetura e depois virou programador e agora é designer de software. Eu queria fazer isso. Essa formação que permite que você seja qualquer coisa. Eu quero ser qualquer coisa. Eu quero poder escolher. Deixar a vida me levar, seguir as correntes dos impulsos. Ter sempre em mente o projeto, as pessoas, perseguir a solução.
Eu sinto dor porque eu odeio o curso que eu tentei fazer pra entrar nesse caminho-não-caminho. Eu sofri lá. Eu chorei. Eu não quero mais pensar nisso, a Ixa disse "larga o design e põe uma pedra em cima", eu quero pôr uma pedra em cima e não pensar nisso, dói demais. Não quero lembrar do quanto isso me machuca. Dos piores anos da minha vida, ou pelo menos da última década. Da minha fraqueza. De todas as frustrações, os fracassos, os trabalhos que eu queria jogar no lixo ao invés de entregar, das apresentações que me fizeram me encolher de vergonha. Da inveja. De como se eu tivesse feito outra coisa eu talvez já estivesse me formando, de como eu vou demorar vários anos pra chegar perto de me formar. De como eu falhei em quase todas as matérias de projeto. Botar uma pedra em cima. Disso tudo eu não quero lembrar.
Mas uma parte de mim, a que se recusa a desistir, não quer esquecer. Eu quero lembrar de cada dor, de cada derrota, e me obrigar a ser mais forte por cada uma delas. E cada sonho: eu quero nunca esquecer minha paixão pelo design finlandês, nunca esquecer que ano passado eu tinha planos incríveis para um tcc, e nunca esquecer do que eu aprendi. Principalmente, a conclusão de que design é tudo. Design é o que faz sentido. Design é projeto. É o que separa os homens dos animais. O que quer que seja que eu faça no futuro, provavelmente vai ser um tipo de design, ou vai estar totalmente envolto em design.
Me incomoda muito que eu não esteja mais num curso voltado para o projeto. Que eu saiba que aquele não é o meu lugar. Que eu queira mais da vida que ser forçada a fazer tudo o que eu não sei. Me incomoda que eu tenha falhado nesse aspecto.
Mas quem sabe? Talvez um dia eu possa voltar, menos frágil, menos despreparada, e terminar aquele projeto que comecei.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Mais um capítulo na minha epopéia
Este capítulo vai ser um apanhado de pensamentos que me ocorreram ao longo do dia:
I
Embora eu tenha decidido há muito tempo não fazer Design, por todos os lado que eu via o problema eu chegava sempre à conclusão de que ainda era aquilo o que eu queria ser e fazer, o que era o mais legal, a minha essência. Eu olhava os problemas com olhar de designer, eu olho para o mundo com esse olhar. Eu defendo o design contra todos os ataques e insisto que ele é o mais importante. Eu sempre achei que o problema não fosse o tema em si, mas o método do curso, e que no fim eu ia acabar voltando, quem sabe com um diploma ou dois, para acabar me tornando Designer.
Nos últimos dias isso vem, lentamente, mudando. Não sei que mudança é essa, nas minhas prioridades e nos meus desejos. Nos últimos dias eu tenho sentido um interesse pela física, pela química e pela biologia que eu não sentia desde o colegial, quando eu cogitava me tornar cientista. Eu tenho desejado aprender com tanto fervor quanto naquela época, e não apenas para me tornar algo maior, mas também pelo puro interesse pelo conhecimento. De repente tenho ficado em dúvida se o mais importante é salvar o mundo, trabalhar no mundo, ou antes de tudo compreendê-lo.
II
Como disse no ítem anterior, no segundo colegial eu passei por uma fase em que Física e Química me pareciam os cursos mais empolgantes. Eu queria conhecer o mundo, queria estudar matemática, queria trabalhar em laboratório e enxergar trocas de energia em tudo o que eu visse, pois é. Por muitos anos depois disso lembrei dessa empolgação como um deslize, uma paixão passageira por uma coisa que pra mim era um hobbie, uma diversãozinha que eu podia praticar na escola, um jogo para jogar com os amigos. Não: eu queria mesmo saber de tudo, perguntava para os professores sobre as folhas anômalas da grama, fazia anotações sobre os insetos, tentava imaginar as fórmulas dos ingredientes do shampoo.
Esses dias minha mãe me disse que naquela época ela achava que eu ia fazer Física, que ela nunca entendeu por que eu fui fazer Design, e aí meio que tudo voltou com tudo, todas as questões daquela época, como Design tinha me parecido a mistura certa de ciência e arte (que ingenuidade a minha, não?), como ciência e arte eram próximas para mim e como na verdade eu queria descobrir mais sobre o mundo antes de poder mudá-lo com minhas próprias mãos! Eu não lembro de como foi começar a faculdade, mas deve ter sido mesmo terrível pra mim; eu lembro da empolgação de estudar Fotografia, Desenho, história do design, editoração, técnicas visuais (sim, o curso do SENAC me empolgava bem mais que o da FAU), história da arte (que eu tinha esperado a vida toda pra estudar), técnicas de gravura, e... Bom, não sei se tinha mais.
Hoje tudo me parece uma decepção tão grande, eu descobri que não ia ter cálculo nem física, parei o SENAC com todas as suas matérias legais, não houveram mais aulas de técnicas no Design, as aulas de ergonomia eram um saco, eu acabei não aprendendo o que eu queria aprender e aprendendo bem mal o que eles achavam que eu devia aprender. Mesmo assim, naquela época eu culpava minha má interação com os colegas e veteranos, minha falta de hábito de estudar, o choque de perder o jantar com a família (acho que acabei perdendo minha família nessa), minha dificuldade de interagir com a burocracia (e minha timidez de modo geral) — enfim eu julgava que se eu crescesse, amadurecesse e aprendesse a ser como eles, tudo ia se encaixar magicamente; eu achava que só dependia de mim.
III
Hoje eu percebo o quanto eu senti falta da pesquisa — esse espírito de procurar, de investigar, de modelar e imaginar possibilidades, de construir: como isso falta! O conhecimento associado ao Design deveria ser uma Tecnologia. Assim como ao longo dos séculos se desenvolveram novas estratégias de Go, ao longo do tempo mesmo os materiais e técnicas antigos podem ser reinventados em processos e produtaos novos! Se houver um esforço de reunir o que já foi feito e construir em cima disso, quão longe podemos chegar? Talvez nada longe, visto que existe um mercado imortal do design ruim (aliás, sempre me pergunto como essa persistência do ruim funciona). Mas talvez muito longe ainda assim! Queria que meu curso tivesse menos projeto e mais estudo, que aprendêssemos uma enorme variedade de técnicas e os detalhes de cada uma delas, para que soubéssemos o que estamos fazendo quando projetamos. Design não é apenas Método! Não quero de forma nenhuma fazer o curso Deisgn FAUUSP, mas ainda acho possível que eu volte para fazer uma pós, um mestrado ou doutorado em design ^^
IV
Enfim eu lembrei que um dia eu quis com muita convicção fazer Física, e fiquei imaginando que coisas estranhas poderiam ter acontecido se eu tivesse feito essa opção. Será que eu teria vários amigos Físicos, conheceria toda a USP e teria tido um primeiro ano feliz? Será que eu teria me dado bem com os físicos que são meus grandes amigos hoje? Talvez isso tivesse sido ótimo, ou talvez fosse péssimo, não dá pra saber. Mas agora não importa muito, eu acho. Esses três anos não foram em vão, eu aprendi muita coisa neles, embora talvez eu tenha me tornado muito menos do que eu esperava.
...
... Acho que tudo está bem quando acaba bem.
I
Embora eu tenha decidido há muito tempo não fazer Design, por todos os lado que eu via o problema eu chegava sempre à conclusão de que ainda era aquilo o que eu queria ser e fazer, o que era o mais legal, a minha essência. Eu olhava os problemas com olhar de designer, eu olho para o mundo com esse olhar. Eu defendo o design contra todos os ataques e insisto que ele é o mais importante. Eu sempre achei que o problema não fosse o tema em si, mas o método do curso, e que no fim eu ia acabar voltando, quem sabe com um diploma ou dois, para acabar me tornando Designer.
Nos últimos dias isso vem, lentamente, mudando. Não sei que mudança é essa, nas minhas prioridades e nos meus desejos. Nos últimos dias eu tenho sentido um interesse pela física, pela química e pela biologia que eu não sentia desde o colegial, quando eu cogitava me tornar cientista. Eu tenho desejado aprender com tanto fervor quanto naquela época, e não apenas para me tornar algo maior, mas também pelo puro interesse pelo conhecimento. De repente tenho ficado em dúvida se o mais importante é salvar o mundo, trabalhar no mundo, ou antes de tudo compreendê-lo.
II
Como disse no ítem anterior, no segundo colegial eu passei por uma fase em que Física e Química me pareciam os cursos mais empolgantes. Eu queria conhecer o mundo, queria estudar matemática, queria trabalhar em laboratório e enxergar trocas de energia em tudo o que eu visse, pois é. Por muitos anos depois disso lembrei dessa empolgação como um deslize, uma paixão passageira por uma coisa que pra mim era um hobbie, uma diversãozinha que eu podia praticar na escola, um jogo para jogar com os amigos. Não: eu queria mesmo saber de tudo, perguntava para os professores sobre as folhas anômalas da grama, fazia anotações sobre os insetos, tentava imaginar as fórmulas dos ingredientes do shampoo.
Esses dias minha mãe me disse que naquela época ela achava que eu ia fazer Física, que ela nunca entendeu por que eu fui fazer Design, e aí meio que tudo voltou com tudo, todas as questões daquela época, como Design tinha me parecido a mistura certa de ciência e arte (que ingenuidade a minha, não?), como ciência e arte eram próximas para mim e como na verdade eu queria descobrir mais sobre o mundo antes de poder mudá-lo com minhas próprias mãos! Eu não lembro de como foi começar a faculdade, mas deve ter sido mesmo terrível pra mim; eu lembro da empolgação de estudar Fotografia, Desenho, história do design, editoração, técnicas visuais (sim, o curso do SENAC me empolgava bem mais que o da FAU), história da arte (que eu tinha esperado a vida toda pra estudar), técnicas de gravura, e... Bom, não sei se tinha mais.
Hoje tudo me parece uma decepção tão grande, eu descobri que não ia ter cálculo nem física, parei o SENAC com todas as suas matérias legais, não houveram mais aulas de técnicas no Design, as aulas de ergonomia eram um saco, eu acabei não aprendendo o que eu queria aprender e aprendendo bem mal o que eles achavam que eu devia aprender. Mesmo assim, naquela época eu culpava minha má interação com os colegas e veteranos, minha falta de hábito de estudar, o choque de perder o jantar com a família (acho que acabei perdendo minha família nessa), minha dificuldade de interagir com a burocracia (e minha timidez de modo geral) — enfim eu julgava que se eu crescesse, amadurecesse e aprendesse a ser como eles, tudo ia se encaixar magicamente; eu achava que só dependia de mim.
III
Hoje eu percebo o quanto eu senti falta da pesquisa — esse espírito de procurar, de investigar, de modelar e imaginar possibilidades, de construir: como isso falta! O conhecimento associado ao Design deveria ser uma Tecnologia. Assim como ao longo dos séculos se desenvolveram novas estratégias de Go, ao longo do tempo mesmo os materiais e técnicas antigos podem ser reinventados em processos e produtaos novos! Se houver um esforço de reunir o que já foi feito e construir em cima disso, quão longe podemos chegar? Talvez nada longe, visto que existe um mercado imortal do design ruim (aliás, sempre me pergunto como essa persistência do ruim funciona). Mas talvez muito longe ainda assim! Queria que meu curso tivesse menos projeto e mais estudo, que aprendêssemos uma enorme variedade de técnicas e os detalhes de cada uma delas, para que soubéssemos o que estamos fazendo quando projetamos. Design não é apenas Método! Não quero de forma nenhuma fazer o curso Deisgn FAUUSP, mas ainda acho possível que eu volte para fazer uma pós, um mestrado ou doutorado em design ^^
IV
Enfim eu lembrei que um dia eu quis com muita convicção fazer Física, e fiquei imaginando que coisas estranhas poderiam ter acontecido se eu tivesse feito essa opção. Será que eu teria vários amigos Físicos, conheceria toda a USP e teria tido um primeiro ano feliz? Será que eu teria me dado bem com os físicos que são meus grandes amigos hoje? Talvez isso tivesse sido ótimo, ou talvez fosse péssimo, não dá pra saber. Mas agora não importa muito, eu acho. Esses três anos não foram em vão, eu aprendi muita coisa neles, embora talvez eu tenha me tornado muito menos do que eu esperava.
...
... Acho que tudo está bem quando acaba bem.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
O Engenheiro e o Cientista
Ontem enquanto estudava na Física, tive uma conversa interessante com o Jesus e o Léo. Como era de se esperar a princípio os dois tentaram me dissuadir de fazer Poli, mas no final me deram bons conselhos e me ajudaram a ver a coisa pelo meu lado. Durante a discussão sobre a diferença entre os cursos da Poli e os cursos científicos como Física e CM, ocorreram os seguintes diálogos:
I
— O que mais te fazia falta no Design?
— Bem, — eu comecei, ganhando tempo para pensar com cautela. — Eu sentia muita falta da parte técnica dos projetos. Na verdade eu sentia falta da matemática — descobri que não consigo ficar sem matemática na minha vida — e também de pesquisa: pesquisávamos um pouco sobre alguns projetos e outros designers, isso é legal, mas não é incrível. Acima de tudo, eu sentia falta de entender como as coisas funcionam. Eu queria trabalhar mais na estrutura das coisas.
— ... Você ainda tá matriculada no Design, né?
— Sim, por quê? — eu perguntei. Será que ele ia dizer que eu devia mesmo era continuar no Design, que eu o amava apesar dos defeitos do curso?
— Por que aí quando você finalmente perceber que você quer fazer CM, vai ser só fazer a transferência!
É claro! O pessoal do CM sempre me diz que eu devia ir pra lá, o que eu esperava! Mas será que ele tinha razão? Pensei um pouco, e lembrei: que a estrutura, para um cientista, é a ciência, a física. Repliquei:
— Não sei se você entendeu: eu fazia um projeto de máquina, eu me envolvia, queria mudar a posição do motor para abrir um espaço aqui, e transferir aquela alavanca pra lá que é melhor para a mão, e acho que vou ter que mudar o sistema de transmissão para isso... Mas eu não sei se o peso do motor aqui atrás vai ser demais para essa coluna que o sustenta, ou se vai desalinhar a correia de transmissão, e afinal que outros tipos de transmissão são possíveis pra resolver o problema da alavanca?
(Nota: quando finalmente resolvemos ir atrás dessas informações, lembro que o professor reclamou que estávamos focando apenas na mecânica da máquina. "E o design? Cadê o design?" E eu pensando: pode haver design sem mecânica? Porra, como eu guardo raiva desse dia...)
II
— Vamos esquecer os fins por enquanto e pensar nos meios. Você fez cálculo, não fez?
— Sim, mas não passei. Vou ter que fazer de novo e--
— Mas você lembra do Teorema do Valor Médio, por exemplo?
— Lembro. Por quê?
— Quando você aprende um teorema como esse, você prefere que ele seja demonstrado e provado ou que seja só apresentado como verdade e aplicado exaustivamente para que seja fixado na sua cabeça?
Passei vários segundos pensando nessa pergunta. Por um lado, se o teorema não é muito usado, ele acaba sendo esquecido. Por outro lado, se ele é demonstrado com cuidado, ele pode ser relembrado pela sua demonstração.
— Acho que eu prefiro que haja demonstração. Não me lembro de quase nenhuma demonstração, na verdade, mas lembro que nas aulas da escola eu ficava fascinada pela história do conhecimento: como foi inventado o Teorema de Pitágoras, de onde veio a Fórmula de Báskhara, quem primeiro pensou na idéia de Índice de Refração...
— Se você vê uma demonstração uma vez, e a entende, ela fica pra sempre em algum lugar da sua mente — disse o Jesus.
— Se você gosta de entender de onve vêm as coisas, você vai odiar o Cálculo da Poli.
III
— Eu não quero fazer Cálculo de novo agora, mas estava pensando em pegar a matéria de Física da Poli.
— Por que vai fazer Física e não Cálculo?
— Bom, eu dei uma olhada nas matérias do primeiro semestre, e Física me pareceu a mais "engenheira" depois de Introdução à Engenharia.
— Mas Cálculo é que é a essência da Poli.
No fim das contas, vou fazer o máximo possível de matérias na Poli, quer dizer, todas que eu puder sem sacrificar as duas de computação. Não sei o quanto eu vou amar ou odiar o lugar. Espero que no final eu saiba exatamente o que eu amo e o que eu odeio.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
O Bom, o Ótimo e o Necessário
Ultimamente eu tenho tido umas dúvidas mais objetivas que as de sempre. Por exemplo: será que eu devo fazer cursinho? (não é uma merda que eu tenha que decidir isso até no máximo amanhã?) Ou então: eu devo estudar matemática? A sensação que eu tenho é que qualquer opção sem poréns que eu escolher vai me manter insatisfeita. Por exemplo, se eu estudar só computação vou me incomodar por não estudar mecânica, se eu for fazer mecânica vou odiar ter aulas toscas de computação, e se acabar chutando o balde e indo fazer cm (talvez seja uma idéia boa, não sei) eu vou ficar aflita por não estudar nenhum dos dois direito, mas pelo menos eu vou estar estudando biologia pra compensar. (e química também, mas isso é irrelevante).
A longo prazo talvez essas dúvidas sejam esquecidas, porque eu vou ter muito tempo pra fazer uma porção de matérias extras. Mas eu me pergunto se em cinco ou dez anos eu não vou estar aflita por não estar me especializando. Não que isso seja importante agora. Eu evito pensar a longo prazo porque a incerteza é muito grande; prefiro tentar sobreviver por agora, e pensar em prazos de no máximo três anos.
Eu não sei, três anos atrás a idéia de que eu poderia ficar três anos num curso que não me faz nem um pouco feliz era uma coisa vaga e absurda; eu achava que se não gostasse ia perceber em apenas seis meses e que ia sair logo do curso pra fazer outro. Acho que eu esqueci de levar em conta a minha estupidez natural; acho que esqueci que eu ia evitar a qualquer custo tomar uma decisão que pudesse não ser a certa, ou que não escolher é escolher que não. Eu tenho um pouco de mêdo dessa dor nunca mais passar, sabe? Hoje o que me dói e envergonha não é ter feito design, é não ter saído assim que as coisas começaram a dar errado, é ter insistido quando o melhor era desistir; eu e minha absoluta incapacidade de desistir! Eu poderia ter feito tantas coisas, biologia, pedagogia, artes plásticas, física, eu poderia ter conquistao o mundo se eu tivesse me dado o direito de abrir mão. Que raiva agora! Que arrependimento cruel! Quando eu era pequena, eu detestava a tal ponto o arrependimento que decidi não me arrepender mais, e lacrei esse sentimento. Lacrei tão bem que ele só voltou na faculdade, e com força total — de quantas coisas terríveis eu me arrependo! Como dói por dentro! Como anseio por esquecer esses erros, esquecer as dores e viver numa espécie de sonho de que todas as coisas deram mais ou menos certo! Como odeio a dor de ter me causado (de ter lhe causado) tão intenso sofrimento!
Eu queria mesmo estudar matemática e física suficientes para poder estudar computação e engenharia. Não! O que eu queria mesmo era estudar computação e engenharia, a física, a matemática etc são legais mas acho que não são realmente incríveis, são mais como meios para um fim pra mim. Ou melhor, eu não estou tão incrivelmente interessada assim nas partes mais legais delas. Biologia é outra coisa incrívelmente legal, mas acho que já me afastei demais dela para conseguir voltar atrás e ir atrás dela. É isso que eu acho, que não tenho mais todas as opções, agora eu sinto que o que eu tenho é o design, a mecânica, a eletrônica e a programação. Eu sinto dor nesse pensamento, eu me sinto encurralada.
Eu queria fazer só as matérias de programação do bcc, mas acho que isso é uma armadilha, eles têm uma matemática fudida e superespecífica e acho que eles provavelmente usam ela nos programas. Um dos problemas é que cada instituto tem sua própria matemática e sua própria física, eu não vou conseguir realmente estudar cada coisa uma vez só sem perder um monte de coisa. Eu não sei o que fazer em relação a isso. Eu me dei bem com a computação porque as matérias que eu fiz eram bem introdutórias e eu conseguia entender tudo, mas a maior parte das matérias da poli eram ou muito fáceis ou completamente impossíveis de se entender, então eu ainda não sei se eu posso gostar de estudar na poli, na verdade. Eu espero descobrir, mas por outro lado sinto que vou pegar todas as matérias legais e deixar as chatas, o que é uma merda.
Eu queria não fazer cursinho pra ter tempo pra estudar mais as coisas que me interessam. Mas não vou conseguir me decidir a tempo. E o que meus pais vão dizer se eu começar o cursinho e depois desistir no meio depois de pagar três mensalidades? Eu imagino minha família franzindo a testa pra metade das minhas opções, a pior delas seria fazer CM nesse sentido, e também seria um saco passar dois anos sem poder estudar mecânica e eletrônica e computação direito, o que são bons motivos pra não fazer, os motivos pra fazer seriam que como as matérias lá são fudidas talvez eu conseguisse ter que fazer menos matérias depois, economizar umas matérias se pá (e eu poderia estudar biologia) (e, pensando bem, é um lugar legal).
A vurto prazo, eu fico pensando será que eu devo estudar cálculo? Ou álgebra? Ou física? Ou estatística? Todas essas coisas seriam úteis no futuro, e se eu não fizer agora talvez não consiga fazer depois, mas ao mesmo tempo todas dariam muito trabalho. Será que eu devo fazer todas as matérias legais dos cursos que eu quero, pra ver como é? Laboratório de física para engenharia? Estrutura de dados? O que eu faço? Cursinho? Eu acho que vou odiar o cursinho; será que eu desisto e faço só em agosto?
A longo prazo talvez essas dúvidas sejam esquecidas, porque eu vou ter muito tempo pra fazer uma porção de matérias extras. Mas eu me pergunto se em cinco ou dez anos eu não vou estar aflita por não estar me especializando. Não que isso seja importante agora. Eu evito pensar a longo prazo porque a incerteza é muito grande; prefiro tentar sobreviver por agora, e pensar em prazos de no máximo três anos.
Eu não sei, três anos atrás a idéia de que eu poderia ficar três anos num curso que não me faz nem um pouco feliz era uma coisa vaga e absurda; eu achava que se não gostasse ia perceber em apenas seis meses e que ia sair logo do curso pra fazer outro. Acho que eu esqueci de levar em conta a minha estupidez natural; acho que esqueci que eu ia evitar a qualquer custo tomar uma decisão que pudesse não ser a certa, ou que não escolher é escolher que não. Eu tenho um pouco de mêdo dessa dor nunca mais passar, sabe? Hoje o que me dói e envergonha não é ter feito design, é não ter saído assim que as coisas começaram a dar errado, é ter insistido quando o melhor era desistir; eu e minha absoluta incapacidade de desistir! Eu poderia ter feito tantas coisas, biologia, pedagogia, artes plásticas, física, eu poderia ter conquistao o mundo se eu tivesse me dado o direito de abrir mão. Que raiva agora! Que arrependimento cruel! Quando eu era pequena, eu detestava a tal ponto o arrependimento que decidi não me arrepender mais, e lacrei esse sentimento. Lacrei tão bem que ele só voltou na faculdade, e com força total — de quantas coisas terríveis eu me arrependo! Como dói por dentro! Como anseio por esquecer esses erros, esquecer as dores e viver numa espécie de sonho de que todas as coisas deram mais ou menos certo! Como odeio a dor de ter me causado (de ter lhe causado) tão intenso sofrimento!
Eu queria mesmo estudar matemática e física suficientes para poder estudar computação e engenharia. Não! O que eu queria mesmo era estudar computação e engenharia, a física, a matemática etc são legais mas acho que não são realmente incríveis, são mais como meios para um fim pra mim. Ou melhor, eu não estou tão incrivelmente interessada assim nas partes mais legais delas. Biologia é outra coisa incrívelmente legal, mas acho que já me afastei demais dela para conseguir voltar atrás e ir atrás dela. É isso que eu acho, que não tenho mais todas as opções, agora eu sinto que o que eu tenho é o design, a mecânica, a eletrônica e a programação. Eu sinto dor nesse pensamento, eu me sinto encurralada.
Eu queria fazer só as matérias de programação do bcc, mas acho que isso é uma armadilha, eles têm uma matemática fudida e superespecífica e acho que eles provavelmente usam ela nos programas. Um dos problemas é que cada instituto tem sua própria matemática e sua própria física, eu não vou conseguir realmente estudar cada coisa uma vez só sem perder um monte de coisa. Eu não sei o que fazer em relação a isso. Eu me dei bem com a computação porque as matérias que eu fiz eram bem introdutórias e eu conseguia entender tudo, mas a maior parte das matérias da poli eram ou muito fáceis ou completamente impossíveis de se entender, então eu ainda não sei se eu posso gostar de estudar na poli, na verdade. Eu espero descobrir, mas por outro lado sinto que vou pegar todas as matérias legais e deixar as chatas, o que é uma merda.
Eu queria não fazer cursinho pra ter tempo pra estudar mais as coisas que me interessam. Mas não vou conseguir me decidir a tempo. E o que meus pais vão dizer se eu começar o cursinho e depois desistir no meio depois de pagar três mensalidades? Eu imagino minha família franzindo a testa pra metade das minhas opções, a pior delas seria fazer CM nesse sentido, e também seria um saco passar dois anos sem poder estudar mecânica e eletrônica e computação direito, o que são bons motivos pra não fazer, os motivos pra fazer seriam que como as matérias lá são fudidas talvez eu conseguisse ter que fazer menos matérias depois, economizar umas matérias se pá (e eu poderia estudar biologia) (e, pensando bem, é um lugar legal).
A vurto prazo, eu fico pensando será que eu devo estudar cálculo? Ou álgebra? Ou física? Ou estatística? Todas essas coisas seriam úteis no futuro, e se eu não fizer agora talvez não consiga fazer depois, mas ao mesmo tempo todas dariam muito trabalho. Será que eu devo fazer todas as matérias legais dos cursos que eu quero, pra ver como é? Laboratório de física para engenharia? Estrutura de dados? O que eu faço? Cursinho? Eu acho que vou odiar o cursinho; será que eu desisto e faço só em agosto?
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Notas
Outro dia eu tive uma disputa por notas com o Diogo. Ele disse que a média dele era X e eu falei, "nossa, sua média é pior que a minha". Todo mundo riu porque era pra eu ter uma nota muito baixa com o número de reprovações que eu carrego... Na verdade meu estórico escolar é uma vergonha, mas enfim... Aí eu fui olhar no Jupiter e descobri que minha nota tinha caído do semestre passado pra esse. Mas como, se eu ainda não tinha reprovado nenhuma matéria?? Olhei de novo e vi que eram as notas baixas, 5.0, 5.6, por aí... Por algum motivo eu sempre acho bem mais chato tirar um monte de notas baixas-mas-passa dessas que tirar zero em umas e nove em outras. Desde o começo da faculdade eu tava conseguindo melhorar sempre as minhas notas escolhendo umas matérias pra abandonar na hora do desespêro (no fim eu sou meio covarde na faculdade). No último semestre eu consegui trancar várias matérias pra evitar reprovações, mas mesmo assim fui meio mal e minha média baixou pelo menos meio ponto.
Depois o Diogo falou que a média dele considerando só o cm é bem mais alta, mas eu argumentei que a comparação é inválida porque eu não amo meu curso que nem ele e meu curso não tem game-shark que nem o dele.
Depois o Diogo falou que a média dele considerando só o cm é bem mais alta, mas eu argumentei que a comparação é inválida porque eu não amo meu curso que nem ele e meu curso não tem game-shark que nem o dele.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Sonho revelador
Tive um sonho hoje. Quer dizer, tive muitos sonhos, mas quero falar sobre um só. Os outros sonhos, bem, não escolhi lembrar deles, sabe? Não foram especialmente relevantes, foram só... sonhos. Desses que a gente tem à noite.
O que quero contar do meu sonho foi uma parte em que nos deparamos com um monstro mecânico, um clank ou um robô. Ele tinha a forma e o comportamento de um animal (eu acho) e era tão interessante quanto um animal verdadeiro. Eu não conseguia tirar os olhos dele: queria decifrá-lo, entender como suas peças se encaixavam, ler seu código-fonte, entender como ele fora feito! Enquanto todas as outras pessoas (eram meus amigos/família, ou seja, Ugo, Marco, Poro, Mãe, não sei bem quem porque tinha muita gente) queriam seguir em frente naquela espécie de Dungeon Sci-Fi de onde estávamos tentando sair (acho que tirei a imagem de Tales of Symphonia), eu queria parar e estudar aquela criatura mecânica. Então, alguém me disse que, se aquilo era tão importante assim pra mim, eu deveria largar o design e ir estudar Engenharia Mecatrônica, que tem como subárea a Robótica. Na hora isso foi uma revelação, todas as minhas dúvidas desapareceram e eu fiquei feliz de saber que eu tinha uma vocação a buscar.
Enfim. Eu detesto sonhos-revelação porque na hora eles são extasiantes mas quando você acorda e pensa direito, vê que nenhuma das suas dúvidas foi sequer comentada no sonho. O que parece óbvio no sonho em geral parece estúpido no Mundo Acordado. Eu realmente prefiro realidade-revelação. Epifanias reais. Daquele tipo que não existe.
Mas, como diria o Ringo, "nothing ever happens to me".
PS.: Eu realmente estava considerando fazer engenharia mecatrônica. É claro! Combinar mecânica e eletrônica, que são coisas que eu sempre quis dominar apesar da minha ignorância total em relação a ambas, com programação, que é uma coisa que me apaixonou instantâneamente? Não parece uma resposta de sonho? Bem, justamente, parece o tipo de coisa que é feita de sonhos mesmo, e eu tenho mêdo de que uma carreira nessa área envolveria um conhecimento porco de mecânica, um conhecimento porco de eletrônica, um conhecimento porco de (controle e automação) programação (eu conheço a Poli, eu sei como as coisas podem ser porcas por lá) e muitas, mas muitas horas mesmo de trabalho ingrato, provavelmente sem nenhum apoio moral ou intelectual bem como é no Design. Eu não quero ter matérias ruins e muita exigência. Claro que parte de mim tem esperança de que eles sigam o mesmo preceito daquele curso absurdo e robado que o Diogo faz: pra aprender sobre várias áreas e não virar um generalista porco, você tem que ter três vezes mais matéria no total que uma pessoa normal. Outra coisa que me ocorre é que talvez o fato de eu me interessar por mecânica, eletrônica e computação seja um bom motivo pra eu fazer um curso técnico mas um mai motivo pra fazer uma faculdade.
Mas como qualquer coisa me parece melhor que o meu curso, eu provavelmente vou mudar pra uma dessas áreas.
O que quero contar do meu sonho foi uma parte em que nos deparamos com um monstro mecânico, um clank ou um robô. Ele tinha a forma e o comportamento de um animal (eu acho) e era tão interessante quanto um animal verdadeiro. Eu não conseguia tirar os olhos dele: queria decifrá-lo, entender como suas peças se encaixavam, ler seu código-fonte, entender como ele fora feito! Enquanto todas as outras pessoas (eram meus amigos/família, ou seja, Ugo, Marco, Poro, Mãe, não sei bem quem porque tinha muita gente) queriam seguir em frente naquela espécie de Dungeon Sci-Fi de onde estávamos tentando sair (acho que tirei a imagem de Tales of Symphonia), eu queria parar e estudar aquela criatura mecânica. Então, alguém me disse que, se aquilo era tão importante assim pra mim, eu deveria largar o design e ir estudar Engenharia Mecatrônica, que tem como subárea a Robótica. Na hora isso foi uma revelação, todas as minhas dúvidas desapareceram e eu fiquei feliz de saber que eu tinha uma vocação a buscar.
Enfim. Eu detesto sonhos-revelação porque na hora eles são extasiantes mas quando você acorda e pensa direito, vê que nenhuma das suas dúvidas foi sequer comentada no sonho. O que parece óbvio no sonho em geral parece estúpido no Mundo Acordado. Eu realmente prefiro realidade-revelação. Epifanias reais. Daquele tipo que não existe.
Mas, como diria o Ringo, "nothing ever happens to me".
PS.: Eu realmente estava considerando fazer engenharia mecatrônica. É claro! Combinar mecânica e eletrônica, que são coisas que eu sempre quis dominar apesar da minha ignorância total em relação a ambas, com programação, que é uma coisa que me apaixonou instantâneamente? Não parece uma resposta de sonho? Bem, justamente, parece o tipo de coisa que é feita de sonhos mesmo, e eu tenho mêdo de que uma carreira nessa área envolveria um conhecimento porco de mecânica, um conhecimento porco de eletrônica, um conhecimento porco de (controle e automação) programação (eu conheço a Poli, eu sei como as coisas podem ser porcas por lá) e muitas, mas muitas horas mesmo de trabalho ingrato, provavelmente sem nenhum apoio moral ou intelectual bem como é no Design. Eu não quero ter matérias ruins e muita exigência. Claro que parte de mim tem esperança de que eles sigam o mesmo preceito daquele curso absurdo e robado que o Diogo faz: pra aprender sobre várias áreas e não virar um generalista porco, você tem que ter três vezes mais matéria no total que uma pessoa normal. Outra coisa que me ocorre é que talvez o fato de eu me interessar por mecânica, eletrônica e computação seja um bom motivo pra eu fazer um curso técnico mas um mai motivo pra fazer uma faculdade.
Mas como qualquer coisa me parece melhor que o meu curso, eu provavelmente vou mudar pra uma dessas áreas.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Fazendo Matrícula (2)
Finalmente recebi a resposta do meu professor de MAC para a pergunta "e aí, o que eu faço agora?"
A resposta foi a seguinte:
Deixem eu contextualizar essa matéria "Laboratório de Programação I": semestre passado eu queria fazer coisas muito legais e me inscrevi nela, mas não peguei, e na minha ingenuidade não fiz requerimento nem nada disso. Teria sido legal porque eu teria feito junto com o Nando, mas isso não vem ao caso. Semestre que vem essa disciplina não existe. É o que acontece quando você consegue ser idiota por uma ano e meio, e não só um ano, e acaba fazendo as matérias todas nos semestres errados. Pelo menos eu conheci o Paulo, que é um cara legal, e tive a mesma matéria que o Diogo, mas, bem, acho que nada disso compensa. Estou bastante irritada. E não quero ficar pra trás de jeito nenhum.
Então: eu mandei um e-mail pro cara responsável pela matéria perguntando se é sussa eu fazer Lab 2 sem ter feito Lab 1. Espero que sim. Uma pena é que decidir fazer essa matéria não muda nada nas minhas dúvidas e inseguranças; só deixa claro que eu não vou fazer Cálculo II.
O que é uma pena. Era a única matéria que eu tinha certeza que ia ser legal.
PS.: pensando bem, ela também deixa claro que eu não vou fazer MecFlu, pelo menos não de manhã. Mas isso acho que eu já sabia...
A resposta foi a seguinte:
Sobre outras disciplinas para continuar estudando programação. A continuação natural seria fazer as disciplinas de laboratório de programação (são duas, com nomes com terminação I e II). Elas são disciplinas interessantes pois focam em ferramentas de programação e também na confecção de projetos maiores e não apenas pequenos EPs isolados. São as disciplinas de programação feitas pelos alunos do segundo ano de computação no IME.
Deixem eu contextualizar essa matéria "Laboratório de Programação I": semestre passado eu queria fazer coisas muito legais e me inscrevi nela, mas não peguei, e na minha ingenuidade não fiz requerimento nem nada disso. Teria sido legal porque eu teria feito junto com o Nando, mas isso não vem ao caso. Semestre que vem essa disciplina não existe. É o que acontece quando você consegue ser idiota por uma ano e meio, e não só um ano, e acaba fazendo as matérias todas nos semestres errados. Pelo menos eu conheci o Paulo, que é um cara legal, e tive a mesma matéria que o Diogo, mas, bem, acho que nada disso compensa. Estou bastante irritada. E não quero ficar pra trás de jeito nenhum.
Então: eu mandei um e-mail pro cara responsável pela matéria perguntando se é sussa eu fazer Lab 2 sem ter feito Lab 1. Espero que sim. Uma pena é que decidir fazer essa matéria não muda nada nas minhas dúvidas e inseguranças; só deixa claro que eu não vou fazer Cálculo II.
O que é uma pena. Era a única matéria que eu tinha certeza que ia ser legal.
PS.: pensando bem, ela também deixa claro que eu não vou fazer MecFlu, pelo menos não de manhã. Mas isso acho que eu já sabia...
Fazendo matrícula...
É muito difícil. Talves o difícil seja conseguir especificar exatamente o que eu quero. O que eu quero da vida, do futuro, da faculdade, de mim. A minha maior dúvida atual é entre Álgebra Linear para Computação e Introdução à Manufatura Mecânica. A primeira me daria uma grande chance de fazer Computação Gráfica no futuro, me tornaria mais habilidosa para uma porção de coisas, e é a única das matérias de álgebra linear que não têm pré-requisitos ; todas as outras requerem que eu tenha feito geometria analítica ou vetores e geometria, e nenhuma dessas matérias está disponível. A segunda me ensinaria sobre processos de produção, supostamente me daria grandes conhecimentos e habilidades úteis para o projeto de produtos. De certa forma, é como se eu estivesse fazendo uma escolha entre o mundo real e o virtual. Mas apenas de certa forma.
Escolher AlgeLin também me impediria de fazer várias outras matérias, como Cálculo II (eu achei que faria sentido fazer a seqüência de uma matéria que eu gostei de fazer) e Microprocessadores e Controle Digital, que é sobre sontrole de sistemas dinâmicos.
O que mais me irrita nessa questão toda é que eu vou ter que ralar e correr atrás de um monte de coisas se eu quiser ter a menor chance de fazer qualquer coisa. Eu não sei se dá pra quebrar requisitos. Eu não sei quantos requerimentos e recursos de requerimentos eu vou ter que fazer. Por isso, eu tenho que tomar uma decisão definitiva. Eu preciso ter certeza. E eu não sei de onde tirar essa certeza.
Não seria mais fácil se estudar fosse como em jogos de computador, em que novas opções vão aparecendo à medida que você vai conseguindo os requisitos para elas, e em que você sempre pode conseguir mais níveis naquilo que você gosta até chegar ao nível máximo?
Outra dúvida minha é fazer ou não Laboratório de Desenho e Cor, na ECA. Eu acho que é o tipo de coisa que me fazria mais feliz, mais tranqüila, mesmo se fosse difícil. Mas para isso eu teria que desistir de Cálculo II, Análise de Algoritmos e Arquitetura de Computadores. Acho que neste caso a dúvida é: eu quero ser feliz ou eu quero ser foda? (a propósito, se eu decidir fazer Cálculo II, as escolhas subitamente se tornam muito simples).
O problema é que eu não tenho nenhuma garantia de que eu vou ser feliz ou foda. Eu não sei o que eu vou aprender. Eu não sei o quanto eu vou sofrer com essas coisas. Eu tenho duas diretrizes básicas: eu quero ter aulas à tarde, eu quero ter aulas das quais eu goste, e eu quero chegar mais perto de descobrir um caminho que eu possa seguir. No fundo, não é tão ruim. É só extremamente confuso. E eu me sinto extremamente insegura.
Eu também tenho vontade de fazer aquele curso de C# que custa R$500,00 e vai tomar duas semanas das minhas férias. Eu não sei o que fazer, na verdade. Eu quero programar. Eu quero alguém que me aponte um caminho, que diga, vai por aqui, por aqui há coisas legais. Eu sinto que eu vou ficar pra sempre na faculdade. Meus amigos estão fazendo várias coisas, iniciação científica, trabalho na área, projetos diversos, e eu, bem, eu estou patinando, sem saber que tipo de vida eu posso levar.
Me parece tarde demais para coisas tão fúteis quanto "férias".
Escolher AlgeLin também me impediria de fazer várias outras matérias, como Cálculo II (eu achei que faria sentido fazer a seqüência de uma matéria que eu gostei de fazer) e Microprocessadores e Controle Digital, que é sobre sontrole de sistemas dinâmicos.
O que mais me irrita nessa questão toda é que eu vou ter que ralar e correr atrás de um monte de coisas se eu quiser ter a menor chance de fazer qualquer coisa. Eu não sei se dá pra quebrar requisitos. Eu não sei quantos requerimentos e recursos de requerimentos eu vou ter que fazer. Por isso, eu tenho que tomar uma decisão definitiva. Eu preciso ter certeza. E eu não sei de onde tirar essa certeza.
Não seria mais fácil se estudar fosse como em jogos de computador, em que novas opções vão aparecendo à medida que você vai conseguindo os requisitos para elas, e em que você sempre pode conseguir mais níveis naquilo que você gosta até chegar ao nível máximo?
Outra dúvida minha é fazer ou não Laboratório de Desenho e Cor, na ECA. Eu acho que é o tipo de coisa que me fazria mais feliz, mais tranqüila, mesmo se fosse difícil. Mas para isso eu teria que desistir de Cálculo II, Análise de Algoritmos e Arquitetura de Computadores. Acho que neste caso a dúvida é: eu quero ser feliz ou eu quero ser foda? (a propósito, se eu decidir fazer Cálculo II, as escolhas subitamente se tornam muito simples).
O problema é que eu não tenho nenhuma garantia de que eu vou ser feliz ou foda. Eu não sei o que eu vou aprender. Eu não sei o quanto eu vou sofrer com essas coisas. Eu tenho duas diretrizes básicas: eu quero ter aulas à tarde, eu quero ter aulas das quais eu goste, e eu quero chegar mais perto de descobrir um caminho que eu possa seguir. No fundo, não é tão ruim. É só extremamente confuso. E eu me sinto extremamente insegura.
Eu também tenho vontade de fazer aquele curso de C# que custa R$500,00 e vai tomar duas semanas das minhas férias. Eu não sei o que fazer, na verdade. Eu quero programar. Eu quero alguém que me aponte um caminho, que diga, vai por aqui, por aqui há coisas legais. Eu sinto que eu vou ficar pra sempre na faculdade. Meus amigos estão fazendo várias coisas, iniciação científica, trabalho na área, projetos diversos, e eu, bem, eu estou patinando, sem saber que tipo de vida eu posso levar.
Me parece tarde demais para coisas tão fúteis quanto "férias".
sábado, 20 de junho de 2009
Design e Semiótica
Vocês se importam se eu pensar em voz alta um pouco? É que eu me organizo melhor quando escrevo, e não quero sair do computador e ir efetivamente trabalhar, então pensei em escrever aqui mesmo. Tudo bem?
Tenho que fazer um trabalho de semiótica sobre qualquer objeto de design. Ou seja, qualquer coisa feita por um designer, ou que poderia ter sido feito por um. Ou seja, virtualmente qualquer coisa.
As pessoas não entendem o que é o campo do design. Ontem o Bruno se impressionou quando eu disse que design é muito amplo (eu estava tentando explicar que é possível gostar das matérias do design sem realmente querer ser designer). A verdade é que o designer não tem um campo muito definido. Um designer pode trabalhar com qualquer coisa. Trabalhar com pesquisadores (cientistas) é um pouco difícil, mas não completamente impossível. O mais fácil é trabalhar com empresas, artistas, publicitários, criadores, engenheiros, indústria, internet ou meios de comunicação, mas existem inúmeras possibilidades.
O característico do design não é o campo, mas o método. Podemos trabalhar em qualquer campo. Há restrições: o método do designer é um método de projeto. Ele até funciona para outras coisas, mas não é o ideal. Existem coisas que um designer não pode fazer. É claro que não há quem possa fazer tudo. Mas um designer poderia solucionar problemas em qualquer situação. Um designer poderia projetar qualquer produto. Se for possível ensinar a ele como as coisas funcionam, então ele é capaz de fazer seu trabalho. Obviamente, nem sempre é possível ensinar a ele como as coisas funcionam.
Outra limitação, embora nem de longe tão sólida, é que o designer é treinado para projetar para seres humanos. Não que ele saiba as medidas e proporções ideais de cor (o designer a princípio não sabe nada), mas ele está acostumado com os seres humanos, com a forma como aprendem, com as fórmulas da gestalt, com sua noção de estilo e beleza, com a forma como respondem a suas perguntas. No curso que eu faço, metade do trabalho é sempre pesquisa. Pesquisa envolve encontrar as opiniões, os tamanhos, a legislação, os desejos e as dificuldades relevantes. O designer iria ficar confuso ao projetar para máquinas. O designer iria parecer maluco ao projetar para bichos (eu acho que eu adoraria trabalhar para bichos). (nota.: isso é questionável porque as pessoas que fazem casas, coleiras e brinquedos para animais são designers... mas ainda acho que esse é um campo de baixa qualidade, e que a pesquisa feita é meio porca)
Olhem ao redor. Assumindo que vocês estejam dentro de uma casa ou na faculdade, posso dizer sem muito mêdo que quase tudo o que vocês vêem foi feito por um designer. O que não foi, foi feito por um artesão, por vocês mesmos ou pela natureza. Pode ser que as pessoas que fizeram esses objetos não se considerassem designers, e sim artistas, ou editores, ou engenheiros, ou arquitetos, ou apenas uma pessoa com um trabalho a fazer. Mas, a partir do momento em que se puseram a fazer o projeto de um abjeto, identidade ou composição gráfica, com a preocupação real de tornar a sua interação com o usuário ou sua comunicação o mais azeitada e eficiente e até mesmo agradável possível, então ele é um designer. (obs.: a gente costuma dizer que projetos que não levam em conta o usuário são "projetos de engenheiro". isso não é um preconceito, é só uma definição, já que o engenheiro não é treinado para lidar com o usuário, e sim com o mecanismo — é por isso que tantos polis vêm fazer fau-poli!)
Acho que uma das coisas que mais me incomoda no meu curso é que não nos tornamos realmente aptos a estudar qualquer campo em que queiramos trabalhar. Uma das coisas que aprendi com meu curso é que antes de fazer um projeto é preciso se tornar especialista na área correspondente. Por exemplo: para projetar uma lâmpada, eu preciso estudar iluminação. Para fazer um projeto para cegos, eu preciso entender a vida dos cegos. Para projetar carros, eu preciso entender como funciona um carro, como funciona a aerodinâmica, como o material se deforma em uma colisão. Em muitos casos é possível aprender em alguns meses o duficiente para se fazer um bom projeto. Em alguns casos, como no do carro, é necessária necessàriamente a associação com um engenheiro, mas para que haja boa comunicação com o engenheiro também é preciso entender a engenharia. No curso de arquitetura, assim como em alguns cursos de design gráfico ou desenho industrial mais especializados, existe a preocupação de ensinar ao graduando as técnicas, as características dos materiais, a matemática e a física de tudo com que esses cursos propõe que o seu graduado trabalhe. Não com muita profundidade, talvez, em direção à engenharia, mas o suficiente para que o projeto não saia absurdo demais. O meu curso não ensina isso, porque não seria possível ensinar todas as técnicas específicas de cada uma das áreas nas quais eles esperam que nós trabalhemos. Nós aprendemos uma coisinha aqui, outra ali, apenas para que não sejamos totalmente ignorantes. E o resto é por nossa conta.
Meu problema com essa estratégia é que sempre nos falta, a princípio, uma área comum de entendimento com profissionais de outras áreas. Eu gostaria que meu curso tivesse, embora numa proporção menos... absoluta, uma proposta que encontrei no curso do Diogo: a de criar uma linguagem que abranja diversas áreas do conhecimento.
(Me incomoda no curso do diogo que eles achem que estão estudando todas as áreas do conhecimento quando na verdade estão estudando apenas física, química, matemática, computação e um pouco de biologia, e me incomoda ainda mais a defesa que fazem à essa acusação porque dá a entender que o que estudam no ciclo básico é apenas o mais difícil -- e é mesmo, é o tipo de coisa que não se pode tentar explicar aos amigos como eu tento explicar a vocês o que é design, o que é semiótica, o que eu estou pensando, mas, veja bem, isso me incomoda ainda mais, porque de qualquer forma eu não posso sonhar em fazer vocês entenderem exatamente qual é a do Peirce ou a do Max Bill, e eu imagino que seria ainda mais difícil para o Yuri ou o Ugo explicarem o que estão estudando, e entretanto existe alguém que acha que é possível estudar até mesmo as sciências humanas partindo de uma base puramente científica!)
Acho que terminei o que eu queria dizer sobre design. Aproveitando o ensejo, eu queria tentar dar uma leve noção do que é semiótica. E já que estou usando bastante esse termo, o que é gestalt.
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Pensando bem, vou primeiro verificar se não estou dizendo nenhuma bobagem. Me digam, aliás, se isso realmente interessa. Até logo, amigos.
Tenho que fazer um trabalho de semiótica sobre qualquer objeto de design. Ou seja, qualquer coisa feita por um designer, ou que poderia ter sido feito por um. Ou seja, virtualmente qualquer coisa.
As pessoas não entendem o que é o campo do design. Ontem o Bruno se impressionou quando eu disse que design é muito amplo (eu estava tentando explicar que é possível gostar das matérias do design sem realmente querer ser designer). A verdade é que o designer não tem um campo muito definido. Um designer pode trabalhar com qualquer coisa. Trabalhar com pesquisadores (cientistas) é um pouco difícil, mas não completamente impossível. O mais fácil é trabalhar com empresas, artistas, publicitários, criadores, engenheiros, indústria, internet ou meios de comunicação, mas existem inúmeras possibilidades.
O característico do design não é o campo, mas o método. Podemos trabalhar em qualquer campo. Há restrições: o método do designer é um método de projeto. Ele até funciona para outras coisas, mas não é o ideal. Existem coisas que um designer não pode fazer. É claro que não há quem possa fazer tudo. Mas um designer poderia solucionar problemas em qualquer situação. Um designer poderia projetar qualquer produto. Se for possível ensinar a ele como as coisas funcionam, então ele é capaz de fazer seu trabalho. Obviamente, nem sempre é possível ensinar a ele como as coisas funcionam.
Outra limitação, embora nem de longe tão sólida, é que o designer é treinado para projetar para seres humanos. Não que ele saiba as medidas e proporções ideais de cor (o designer a princípio não sabe nada), mas ele está acostumado com os seres humanos, com a forma como aprendem, com as fórmulas da gestalt, com sua noção de estilo e beleza, com a forma como respondem a suas perguntas. No curso que eu faço, metade do trabalho é sempre pesquisa. Pesquisa envolve encontrar as opiniões, os tamanhos, a legislação, os desejos e as dificuldades relevantes. O designer iria ficar confuso ao projetar para máquinas. O designer iria parecer maluco ao projetar para bichos (eu acho que eu adoraria trabalhar para bichos). (nota.: isso é questionável porque as pessoas que fazem casas, coleiras e brinquedos para animais são designers... mas ainda acho que esse é um campo de baixa qualidade, e que a pesquisa feita é meio porca)
Olhem ao redor. Assumindo que vocês estejam dentro de uma casa ou na faculdade, posso dizer sem muito mêdo que quase tudo o que vocês vêem foi feito por um designer. O que não foi, foi feito por um artesão, por vocês mesmos ou pela natureza. Pode ser que as pessoas que fizeram esses objetos não se considerassem designers, e sim artistas, ou editores, ou engenheiros, ou arquitetos, ou apenas uma pessoa com um trabalho a fazer. Mas, a partir do momento em que se puseram a fazer o projeto de um abjeto, identidade ou composição gráfica, com a preocupação real de tornar a sua interação com o usuário ou sua comunicação o mais azeitada e eficiente e até mesmo agradável possível, então ele é um designer. (obs.: a gente costuma dizer que projetos que não levam em conta o usuário são "projetos de engenheiro". isso não é um preconceito, é só uma definição, já que o engenheiro não é treinado para lidar com o usuário, e sim com o mecanismo — é por isso que tantos polis vêm fazer fau-poli!)
Acho que uma das coisas que mais me incomoda no meu curso é que não nos tornamos realmente aptos a estudar qualquer campo em que queiramos trabalhar. Uma das coisas que aprendi com meu curso é que antes de fazer um projeto é preciso se tornar especialista na área correspondente. Por exemplo: para projetar uma lâmpada, eu preciso estudar iluminação. Para fazer um projeto para cegos, eu preciso entender a vida dos cegos. Para projetar carros, eu preciso entender como funciona um carro, como funciona a aerodinâmica, como o material se deforma em uma colisão. Em muitos casos é possível aprender em alguns meses o duficiente para se fazer um bom projeto. Em alguns casos, como no do carro, é necessária necessàriamente a associação com um engenheiro, mas para que haja boa comunicação com o engenheiro também é preciso entender a engenharia. No curso de arquitetura, assim como em alguns cursos de design gráfico ou desenho industrial mais especializados, existe a preocupação de ensinar ao graduando as técnicas, as características dos materiais, a matemática e a física de tudo com que esses cursos propõe que o seu graduado trabalhe. Não com muita profundidade, talvez, em direção à engenharia, mas o suficiente para que o projeto não saia absurdo demais. O meu curso não ensina isso, porque não seria possível ensinar todas as técnicas específicas de cada uma das áreas nas quais eles esperam que nós trabalhemos. Nós aprendemos uma coisinha aqui, outra ali, apenas para que não sejamos totalmente ignorantes. E o resto é por nossa conta.
Meu problema com essa estratégia é que sempre nos falta, a princípio, uma área comum de entendimento com profissionais de outras áreas. Eu gostaria que meu curso tivesse, embora numa proporção menos... absoluta, uma proposta que encontrei no curso do Diogo: a de criar uma linguagem que abranja diversas áreas do conhecimento.
(Me incomoda no curso do diogo que eles achem que estão estudando todas as áreas do conhecimento quando na verdade estão estudando apenas física, química, matemática, computação e um pouco de biologia, e me incomoda ainda mais a defesa que fazem à essa acusação porque dá a entender que o que estudam no ciclo básico é apenas o mais difícil -- e é mesmo, é o tipo de coisa que não se pode tentar explicar aos amigos como eu tento explicar a vocês o que é design, o que é semiótica, o que eu estou pensando, mas, veja bem, isso me incomoda ainda mais, porque de qualquer forma eu não posso sonhar em fazer vocês entenderem exatamente qual é a do Peirce ou a do Max Bill, e eu imagino que seria ainda mais difícil para o Yuri ou o Ugo explicarem o que estão estudando, e entretanto existe alguém que acha que é possível estudar até mesmo as sciências humanas partindo de uma base puramente científica!)
Acho que terminei o que eu queria dizer sobre design. Aproveitando o ensejo, eu queria tentar dar uma leve noção do que é semiótica. E já que estou usando bastante esse termo, o que é gestalt.
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Pensando bem, vou primeiro verificar se não estou dizendo nenhuma bobagem. Me digam, aliás, se isso realmente interessa. Até logo, amigos.
domingo, 31 de maio de 2009
Para a seção "A vida imita..."
Então eu comecei a pensar em tentar virar uma loremaster. Tudo o que eu preciso é de muitos ranks em knowledge, aprender a fazer alguns itens e desenvolver muitas habilidades de dedução e chute. É claro que é um pouco degradante para alguém que acredita fortemente no poder da verdade e do conhecimento verdadeiro, mas talvez eu possa chegar lá por caminhos menos, bem, sujos. Acho que saber praticamente qualquer coisa é simplesmente válido.
Eu não me incomodaria de me tornar uma velha dessas que sabem tudo e estão sempre contando histórias. Eu posso viver para sempre se for pra viver assim. Eu posso perseguir histórias e criar histórias e dominar o mundo, quer dizer, influenciar os outros a acreditarem no que eu acredito e continuar aprendendo loucamente sempre. Talvez essa seja uma espécie em extinção, mas eu não acharia chato ser assim.
Ou acharia? Eu me pergunto isso sempre, se seria chato demais me dedicar tanto assim ao conhecimento, se eu não deveria deixar isso para personagens baseados em Int em vez de tomar isso como minha responsabilidade, já que, por mais que poucas coisas me deixem tão feliz quanto aprender, eu não sei se eu poderia ser feliz se aprender fosse a coisa mais importante.
Ontem quando o Kim começou a falar sobre biblioteconomia eu lembrei que eu queria fazer esse curso porque achei que ia ser um curso de passar muito tempo em bibliotecas, mas acabei desistindo porque isso parecia idiota e eu imaginei que devia ser alguma outra coisa, mas agora que eu descobri que realmente é um curso de passar muito tempo dentro da biblioteca, aprendendo muito sobre todas as coisas sobre as quais se escrevem livros, eu comecei a considerar se teria sido mais legal se eu tivesse mesmo ido fazer esse curso.
Eu não sei. Não consigo enxergar com clareza nenhuma das possibilidades. Por enquanto me parece lógico continuar onde estou, onde tenho amigos, embora não consiga me aproximar deles (talvez eu mesma não me permita uma aproximação?), onde aprendo coisas interessantes, embora sinta que não me serão úteis senão da forma que qualquer coisa no mundo é útil (exceto, talvez, O Jogo), onde tenho desafios, que embora não me deliciem ainda assim me levam a diversos limites, e onde estou aprendendo a ser forte, embora talvez à custa da inocência, da tranqüilidade e de alguns sonhos. O importante é conseguir segurar com muita força os sonhos e não permitir que nada derrube minha determinação. Mas, por enquanto, não consigo ver como sair deste campo de batalha sem estar efetivamente fugindo com o rabo entre as pernas. É muito importante que eu possa olhar nos olhos das pessoas que me insultarão no futuro.
Não sei, às vezes eu me sinto meio ridícula... Mas como eu entendo porque eu penso e ajo assim, eu começo a achar ridículo me achar ridícula. Às vezes eu só queria ser uma bárbara no meio da savana, só pra extravasar.
Eu não me incomodaria de me tornar uma velha dessas que sabem tudo e estão sempre contando histórias. Eu posso viver para sempre se for pra viver assim. Eu posso perseguir histórias e criar histórias e dominar o mundo, quer dizer, influenciar os outros a acreditarem no que eu acredito e continuar aprendendo loucamente sempre. Talvez essa seja uma espécie em extinção, mas eu não acharia chato ser assim.
Ou acharia? Eu me pergunto isso sempre, se seria chato demais me dedicar tanto assim ao conhecimento, se eu não deveria deixar isso para personagens baseados em Int em vez de tomar isso como minha responsabilidade, já que, por mais que poucas coisas me deixem tão feliz quanto aprender, eu não sei se eu poderia ser feliz se aprender fosse a coisa mais importante.
Ontem quando o Kim começou a falar sobre biblioteconomia eu lembrei que eu queria fazer esse curso porque achei que ia ser um curso de passar muito tempo em bibliotecas, mas acabei desistindo porque isso parecia idiota e eu imaginei que devia ser alguma outra coisa, mas agora que eu descobri que realmente é um curso de passar muito tempo dentro da biblioteca, aprendendo muito sobre todas as coisas sobre as quais se escrevem livros, eu comecei a considerar se teria sido mais legal se eu tivesse mesmo ido fazer esse curso.
Eu não sei. Não consigo enxergar com clareza nenhuma das possibilidades. Por enquanto me parece lógico continuar onde estou, onde tenho amigos, embora não consiga me aproximar deles (talvez eu mesma não me permita uma aproximação?), onde aprendo coisas interessantes, embora sinta que não me serão úteis senão da forma que qualquer coisa no mundo é útil (exceto, talvez, O Jogo), onde tenho desafios, que embora não me deliciem ainda assim me levam a diversos limites, e onde estou aprendendo a ser forte, embora talvez à custa da inocência, da tranqüilidade e de alguns sonhos. O importante é conseguir segurar com muita força os sonhos e não permitir que nada derrube minha determinação. Mas, por enquanto, não consigo ver como sair deste campo de batalha sem estar efetivamente fugindo com o rabo entre as pernas. É muito importante que eu possa olhar nos olhos das pessoas que me insultarão no futuro.
Não sei, às vezes eu me sinto meio ridícula... Mas como eu entendo porque eu penso e ajo assim, eu começo a achar ridículo me achar ridícula. Às vezes eu só queria ser uma bárbara no meio da savana, só pra extravasar.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Coisas da vida universitária...
Outro dia fui no CM e o Chalom me apresentou o trabalho dele, que era basicamente um programa que pegava uma equação referente ao movimento de um fluido, fazia a transformada de fourier, resolvia a equação e transformava de volta. Obviamente eu não entendi nada, e me voltou aquele desespero tradicional de não saber mais nada de exatas e não entender o que meus amigos falam (OBS.: provavelmente era uma matéria bem complicada e o Diogo tb n deve ter entendido muit, mas com certeza ele entendeu BEM mais do que eu)!!! Isso aumentou a minha determinação em fazer optativas de exatas, mas o Jupiter só me oferecia matérias cujo programa estava em matematiquês e eu n entendi nada (me inscrevi meio aleatoriamente numas matérias como "cálculo vetorial e aplicações", "introdução à analise real" ou "equações das derivadas parciais"), por isso achei que eu devia pedir ajuda pras pessoas que falam essa língua (hm, qtas pessoas que falam matematiquês eu conheço...?) pra eu não acabar matriculada em uma matéria infernal que eu vou abandonar no meio e que vai abaixar a minha média ponderada (que, notem, é 4.895, o que é estupidamente baixo pro Design). Aliás, o Diogo sugeriu que eu fizesse requerimento de Calculo 1 na física (adoro matérias com um "1" no final) e meu psor sugeriu que eu fizesse curso de verão de programação no IME; aliás, falando em programação, eu me inscrevi para quatro matérias de programação, incluindo "Laboratório de Programação I" (lembra do que eu disse sobre o ! no final?), "Conceitos Fundamentais de Linguagens de Programação", "Desafios de Programação" e "Programação Orientada a Objetos", mas, embora esse seja um número absurdo de matérias para se fazer, como eu acho que eu não vou pegar nem metade por causa da minha média relativa baixíssima (acho que está uns três desvios padrão abaixo da média da sala), eu queria estar inscrita em bem mais matérias. Ou mais interessante seria se eles calculassem minha posição na fila com base somente nas matérias envolvendo a área de conhecimento específica (ou pelo menos dando peso maior pra elas)! Assim, como eu tirei 9.1 em Fund. Comp. I, 9.8 em Fund. Comp. II e provavelmente vou tirar uns 9 em MAC110 (intr. comp.), eu ia estar bem no começo da lista! É, mas o mundo é injusto, fazer o q... Ou eu devia ser melhor aluna nas outras matérias...
Eu tb me inscrevi em um monte de coisas nada a ver da FFLCH, mas isso é irrelevante, já que eu vou acabar de desmatriculando delas, provavelmente.
Outra coisa é que eu queria descobrir como eu posso fazer uma aplication pra virar monitora de Fundamentos da Computação II. Acho que seria bacana, e eu provavelmente sei quase tanto da matéria quanto os psores (considerando q eles n sabem mexer direito no programa q eles usam), mas n tive coragem de perguntar pra eles (o psor Agnaldo, que sempre diz que "quem pede tem preferência", ficaria desapontado) e n sei como descobrir isso, nem tenho idéia de como funciona. Alguém aí tem?
Pois essas são as minhas atuais desventuras no mundo bizarro da USP.
Eu tb me inscrevi em um monte de coisas nada a ver da FFLCH, mas isso é irrelevante, já que eu vou acabar de desmatriculando delas, provavelmente.
Outra coisa é que eu queria descobrir como eu posso fazer uma aplication pra virar monitora de Fundamentos da Computação II. Acho que seria bacana, e eu provavelmente sei quase tanto da matéria quanto os psores (considerando q eles n sabem mexer direito no programa q eles usam), mas n tive coragem de perguntar pra eles (o psor Agnaldo, que sempre diz que "quem pede tem preferência", ficaria desapontado) e n sei como descobrir isso, nem tenho idéia de como funciona. Alguém aí tem?
Pois essas são as minhas atuais desventuras no mundo bizarro da USP.
quarta-feira, 16 de agosto de 2006
De fato, o mundo vira devagarzinho...
Os dias têm sido esquisitos. Por que eu me sinto tão tranqüila... Parece que não preciso mais me preocupar, que tudo vai acontecer e que o que quer que seja vai ter seus momentos bons. Não tenho mais mêdo do futuro. Vai dar tudo certo... Todas as possibilidades são plausíveis, todas são interessantes. Não sei o que vai acontecer, mas não tenho mêdo de falhar. Mesmo que eu esteja prestes a tomar uma decisão que provavelmente vai definir como será minha vida nos próximos anos.
E sabe o quê? Não querer realmente fazer USP é um sentimento totalmente alienígena. Eu me sinto uma desertora da raça humana toda vez que me vem essa idéia esquisita. Mesmo assim, ela parece tão interessante... E na verdade eu sei que eu teria que querer isso com todas as minhas forças pra acontecer... ainda estou pesando as possibilidades...
O melhor sentimento, na verdade, é esse de que tudo está no presente, aqui, agora, assim. Nada me surpreende de verdade, porque tudo está tão equilibrado, tão perfeitamente balanceado, que não consigo sentir desespero, e não me preocupo mais. Meus pensamentos e meus problemas são todos presentes, o tempo prsente, os homens presentes. Nada no meu passado quer me engolir, e o futuro também não propõe nenhum apocalipse. E acho que mesmo o apocalipse haveria de ser divertido. Tudo está tão certo...
Só os carros ainda me torram a paciência, fazer o quê.
Estou um pouco distraída, aulas e mesmo blogs não chamam muito a minha atenção. Mesmo assim, acho que estou entendendo quase tudo. História continua sendo um problema, e o trabalho de geografia tem de ser começado, mas o resto está indo bem. Meus objetivos primários são começar a arranjar exemplos pros causos que conto e prestar vestibular. Mas não estou realmente aflita com um ou outro...
E não sinto saudades de nada. O que é estranho, porque tenho vontade de cantar, e canto músicas de saudades, mas não as sinto, não dá tempo de sentir saudade... Acho que vou ser feliz, acho mesmo. Tudo está tão bonito...
Por fim: recomendo o filme Zuzu Angel, que está nos cinemas agora. É lindo, por mais estranho que seja, é trite mas cheio de esperança, e esclarece coisas inesperadas... além do mais, aquelas roupas são o máximo :þ
Boa noitee ^^
E sabe o quê? Não querer realmente fazer USP é um sentimento totalmente alienígena. Eu me sinto uma desertora da raça humana toda vez que me vem essa idéia esquisita. Mesmo assim, ela parece tão interessante... E na verdade eu sei que eu teria que querer isso com todas as minhas forças pra acontecer... ainda estou pesando as possibilidades...
O melhor sentimento, na verdade, é esse de que tudo está no presente, aqui, agora, assim. Nada me surpreende de verdade, porque tudo está tão equilibrado, tão perfeitamente balanceado, que não consigo sentir desespero, e não me preocupo mais. Meus pensamentos e meus problemas são todos presentes, o tempo prsente, os homens presentes. Nada no meu passado quer me engolir, e o futuro também não propõe nenhum apocalipse. E acho que mesmo o apocalipse haveria de ser divertido. Tudo está tão certo...
Só os carros ainda me torram a paciência, fazer o quê.
Estou um pouco distraída, aulas e mesmo blogs não chamam muito a minha atenção. Mesmo assim, acho que estou entendendo quase tudo. História continua sendo um problema, e o trabalho de geografia tem de ser começado, mas o resto está indo bem. Meus objetivos primários são começar a arranjar exemplos pros causos que conto e prestar vestibular. Mas não estou realmente aflita com um ou outro...
E não sinto saudades de nada. O que é estranho, porque tenho vontade de cantar, e canto músicas de saudades, mas não as sinto, não dá tempo de sentir saudade... Acho que vou ser feliz, acho mesmo. Tudo está tão bonito...
Por fim: recomendo o filme Zuzu Angel, que está nos cinemas agora. É lindo, por mais estranho que seja, é trite mas cheio de esperança, e esclarece coisas inesperadas... além do mais, aquelas roupas são o máximo :þ
Boa noitee ^^
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