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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Fingir por um instante que estamos em 2003

Derp, eu escrevi esse título pq queria escrever como se fosse o LiveJournal, mas sem perceber o título é exatamente uma descrição do que eu quero falar sobre. Daquilo sobre o que eu quero falar. Isso.

Eu tenho perguntado pros meus amigos se isso é normal. Tenho feito muito isso. Acho que é importante fazer e eu passei os primeiros 25 anos da minha vida praticamente nunca perguntando, e simplesmente supondo ou que eu sou a pessoa difirentona ou que eu sou perfeitamente normal.

Mais ou menos assim:
"Ah, nossa, eu gosto de escrever histórias sangrentas e cheias de gente morrendo e sofrendo, ninguém nunca vai entender por que eu faço isso, todo mundo vai me odiar se ficar sabendo que eu escrevo histórias darks tarde da noite"
"Poxa vida, eu sinto tanta dor antes de dormir, será que todos os adolescentes e jovens adultos sentem dor desse jeito? Provavelmente né, não é como se tivesse algo que eu pudesse fazer a respeito..."

Enfim minha adolescência foi muito besta porque por um lado eu me achava super ~outsider~ por fazer coisas que tipo metade dos adolescentes fazem, e ao mesmo tempo sofrendo pacas com coisas que não são normais e que eu deveria ter ido num médico resolver, e pensando bem acho que é assim com todo mundo porque a gente não se conversa direito.

A coisa da vez é que eu sinto que é meio que um absurdo que eu esteja aqui, agora. Eu fico confuso a respeito de em que ano estou. Meus amigos acharam um pouco bizarro quando descrevi as coisas nesses termos, mas não sei em que outros termos descrever. Eu tenho dificuldade de aceitar que eu esteja morando nesta casa e não na casa que eu morava antes. Ou na anterior. Ou na casa dos meus pais. Às vezes eu tenho uns sonhos como se estivesse em 2010, ou 2008, ou 2006, ou 2003. E é bizarro pensar nisso porque 2010 e 2008 parecem tão próximos em números mas foram tão completamente diferentes, e ao mesmo tempo eu nem sei dizer direito o que aconteceu nos últimos 7 anos. Os anos começaram a se fundir uns aos outros, e eu não consigo entender como. Tudo o que aconteceu parece misturado e ao mesmo tempo parece mentira. Como eu posso ter me afastado dos meus amigos do ginásio? Eu fico sonhando com eles, e às vezes eu acordo de manhã e penso que eu vou pra escola, e aí eu lembro que eu não vou pra escola faz mais de dez anos, e que o tempo que eu fui realmente próximo dessas pessoas foi mais curto do que o tempo que passou desde então. Às vezes o passado parece que foi hoje, ou que é amanhã, e às vezes parece que nunca aconteceu. Não pode ter acontecido. Principalmente tudo o que aconteceu depois desse passado. Eu não acredito que eu perdi a virgindade. Que eu aprendi a derivar. Que eu estou pagando as minhas próprias contas.

O pior de tudo é que parece que estou cada vez mais adulto. Cada vez mais eu meio que sei me comportar, e os problemas das vidas das pessoas parecem coisas que eu já lidei antes. Mas a enormidade de estar morando na minha própria casa, quer dizer, numa casa que eu estou pagando aluguel, junto com uma pessoa que eu conheci depois de grande já, isso não pára de me surpreender. Eu não consigo aceitar que eu pago as minhas próprias contas, que eu decido o destino da minha vida, que eu decidi sair da cidade e eu de fato saí. Ok que eu nunca teria conseguido sozinho, mas eu fiz. Eu que decidi. Eu não sei lidar com isso. Com a enormidade dessas decisões. Parece que eu cheguei no fim, ou no cume da vida: pronto, é isso, chegamos, eu sou uma pessoa adulta que paga suas contas, mora na sua casa, tem as suas coisas, toma suas decisões. O que mais tem pra conquistar na vida? Eu fico tendo impulsos de conquistar riqueza, dinheiro, conforto, mas no fundo acho que é só um desejo de conquistar mais coisas, de não estar aqui ainda, de não ter chegado.

E ao mesmo tempo eu me sinto tão dissociado disso. No começo eu queria jogar video-game todos os dias, pra saber que eu estava curtindo aquilo que eu gosto, que faz parte de mim. Faz meses que eu não jogo video-game. O impulso da novidade vai se perdendo, e eu vou me afogando debaixo de tudo isso, dessa constância, de estar na mesma casa faz um dia, dois dias, uma semana, uma vida. O tempo fica dilatado. Eu morei nesta casa desde sempre. Eu não consigo lembrar do tempo antes disso. Ou eu estou vivendo no passado. Eu perdi tanta coisa, e eu não consigo mais me lembrar de todos que eu perdi. E ao mesmo tempo eu não quero esquecer. E mais que isso, tenho mêdo de mudar, porque depois da mudança sei que o passado vai ser mais uma coisa confusa, que não vou conseguir deixar pra trás, mais umas casa que eu não vou conseguir aceitar que não moro mais, mais uma lembrança que vai parecer que foi hoje, ou amanhã, uma coisa encrustrada que não vai sair e que eu vou ter mêdo de esquecer, até o ponto em que eu vou duvidar das minhas próprias memórias, e não vou conseguir lidar com o quanto eu vou ter esquecido. Mais uma cidade que eu não vou reconhecer direito do quanto vai ter mudado. Eu tenho mêdo de me apegar a pessoas novas porque parece que isso sempre vem com esquecer pessoas antigas, ou que vai ser uma amizade fulgaz, e aí eu vou esquecer essas pessoas.

Às vezes é tão ruim. Às vezes eu não consigo sair de casa e não consigo dormir, e não consigo comer, e tudo vai se embolando. E existem dias bons, dias em que parece que há coisas novas, que existe um futuro, que a vida não é só um presente estático num mar de passado wibbly-wobbly timey-wimey. Que existe uma ordem na qual o futuro vem depois do passado. Só que é tão fulgaz. Tudo acaba, e parece que nunca vai continuar, que nunca vai se encaixar numa trama que faça sentido. Eu não consigo nem escrever direito. Tudo parece tão fútil. Não é como se existisse sucesso.

Pelo menos em 2003 eu conseguia sonhar com um futuro. Agora que estou nele, não, agora que estou muito depois dele, não sei o que fazer a respeito.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Livros debaixo dos livros

Li uma newsletter da Olivia Maia hoje, e eu devia estar escrevendo um e-mail pra ela, mas de qualquer forma que coisa boba imaginar que uma pessoa quer receber um e-mail comigo falando bobagens da minha cabeça e de como os pensamentos dela me impacaram (era pra ter um t ali entre o c e o a, mas não foi e acho que vai ficar assim mesmo, me empacaram), afinal eu sou só uma pessoinha meio boba que constantemente sente que não está conseguindo mergulhar num mar de histórias.

Ultimamente eu tenho lido pouco, e às vezes passado meses sem ler nada. Pra pessoas como eu (e, eu acho, Olivia), que meio que se construíram a partir de livros, isso é um pouco como... Passar dias e dias sem sair de casa, sem olhar pela janela. Você engana, vive, faz outras coisas, mas com o tempo começa a se sentir vazio por dentro, e percebe que naquela parte de você em que costumava haver uma floresta tropical de histórias e cenários e momentos e personagens, agora há uma seca brutal e quase que um deserto... Com o tempo a vida fica parecendo menos, e as palavras vão faltando, e as emoções ficam inacessíveis... 

O que me perturba é que ultimamente eu tenho evitado ler. Há livros e livros na minha estante que eu não li, e eu não pego nenhum deles. Eu leio webcomics, em momentos de cansaço ou tristeza ou quando o vazio fica muito grande eu leio um quadrinho inteiro de cabo a rabo, mas aí acaba e eu fico mordiscando as migalhas de webcomic que saem toda semana, e eu tenho que acompanhar uns vinte ao mesmo tempo pra conseguir sobreviver. Não tenho comprado quadrinhos porque é caro, e não tenho lido livros porque... Bom, muitas coisas.

Em parte porque eu sinto falta de ler em português, porque eu tenho lido demais em inglês e eu sinto que estou me expressando melhor em inglês que em português e quantas vezes eu fico tentando traduzir do inglês pro português alguma frase ou sentimento sem conseguir de verdade. Em parte porque eu não tenho mais saco pra livro mal traduzido, me dá umas ganas, incomoda, o livro tem que ser fenomenalmente bom pra eu conseguir continuar lendo. Em parte porque ás vezes eu começo a ler um livro e descubro o quanto ele é horrivelmente machista, e aí eu largo o livro no meio, e quão horrível é largar um livro no meio? Em parte é porque dos meus dezoito anos pra cá eu me esforcei mais e mais pra viver no mundo real e tentar impactar o mundo real e conviver com pessoas reais e fazer alguma diferença, sabe? E sabe o quê? Em algum lugar nos últimos anos eu comecei a me arrepender disso. Sério. No começo eu já questionava se tinha sido uma boa idéia, porque eu ainda não tinha ganhado nada e já estava perdendo muito. Depois por um tempo eu comecei a viver coisas incríveis que faziam tudo valer a pena. Mas depois de um tempo eu comecei a sentir mais e mais falta de quem eu era, e menos orgulho de quem eu sou. E eu comecei a passar por coisas estranhas como tédio e falta do que fazer, quando antes eu sempre teria coisas em que pensar e histórias para descobrir. E parte disso é que eu não tenho vontade sequer de ler livros... Não é que eu não leia livros, mas eu leio eles todos de uma vez e depois fico evitando ler livros porque "esse é um tempo que eu não tenho pra perder". Mas eu sinto um vazio brutal que vem diretamente de não estar lendo um livro... E ao mesmo tempo fica cada vez mais difícil escrever, desenhar e criar em geral.

Me ocorreu agora que também eu tenho quase que não assistido filmes e nem TV. Parece bobo, mas eu acho que talvez eu esteja sentindo os efeitos de não ter a oferta de séries e filmes, mesmo que bobos, histórias mesmo que bobas, todos os dias, o tempo todo. Em
Compensação, eu me regozijo com cada artigo bem escrito, científico ou jornalíslico, cada livro didático ou tutorial que me interessa. Eu tenho jogado pouco também, e dado cada vez mais importância aos jogos. Estou me agarrando às migalhas que me dou.

É isso, só.
Estou me sentindo bastante vazio por dentro, mas posso me obrigar a me alimentar melhor.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Pilha de papéis

Estou tendo um acesso de filosofia adolescente, porque esta pilha de papéis está parecendo uma metáfora pra minha vida. Essa coisa no fundo da pilha, enterrada e inacessível, é meu diário da adolescência, cheio de histórias, reflexões, poemas, desenhos, viagens. Em cima estão listas de exercícios, cadernos de estudo, apostilas de cursinho, etc etc etc, simbolizando o tanto de conhecimento que eu tento obter e como eu sinto que aprendo tudo de forma rasa e desconeca, como num cursinho, e não como num livro aprofundado sobre o assunto. Eu sou uma apostila de cursinho, não um livro autoral que reúne todo o conhecimento novo e aprofundado num tema. Mais pra cima na pilha tem um bloco de papéis em branco, que simbolizam justamente a quantidade de papéis em branco que eu tenho, resultado de tentativas de preenchê-los com muitos projetos que eu demonstro não ser competente o bastante para realizar. Resumindo, eu tento cobrir a minha falta de profundidade com projetos novos que eu nunca consigo terminar a acabam se tornando mais provas da minha falta de aprofundamento; e no fim a coisa de que eu mais me orgulho são as minhas lembranças da adolescência, quando eu era capaz de mais profundidade, e de preencher folhas em branco. 

Este post em si apenas reitera o que estou falando.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Undertoe

Eu penso muito em ti, sabe, por mais inapropriado que isso seja. Tentando avaliar o erro e o acerto, o bom e o mau, o lógico e o ilógico, e o como saídos de lá viemos parar aqui.

Uns tempos atrás tu me disseste que a diferença entre nós era que tu se sentias confortável sendo homem, e que eu sempre quisera ser um homem. Às vezes eu me lembro e me deleito com o absurdo dessa idéia. Para mim, essa era justamente a semelhança entre nós. Nós dois queríamos viver grandes aventuras, capitanear navios, lutar contra dragões (ou a favor deles, talvez), subir a montanha correndo... Mas para ti isso era o teu papel designado, e o meu era lutar por isso usando um vestido longo, e no final rasgar esse vestido e mostrar que além de princesa eu era também guerreira. Estavas errado, sabe? Porque eu queria ser exatamente o mesmo que tu, sem vestidos, sem tiaras, nada de "princesa", "dama", "madame". Mas para ser o mesmo que tu eu precisava ser ainda mais selvagem do que eras, mais violento, mais rápido em provar o meu valor e defender minha honra. Quando nos separamos, eu me senti um pouco mais à vontade para ser tudo aquilo que querias tão insistenmtemente que eu fosse e que justamente por isso eu não podia ser. Mas logo a novidade passou e eu voltei aos meus modos adolescentes, mas agora sem ti, sem meus rivais e inimigos e principalmente demônios.

A vida do lado de cá é tão estranha e faz tanto sentido. É quase como se eu vivesse no mundo real. Mas ainda é estranho, e eu ainda sinto aquela falta, aquela desconexão, como se eu fosse apenas uma pessoa que aconteceu de ser, aconteceu de estar aqui, caída de paraquedas nesta vida, nesta história, e as lembranças, e mesmo os sentimentos, pertencessem a uma outra pessoa, uma outra versão de mim que eu tenho que me esforçar muito para imaginar que sou eu.

Às vezes eu penso que tudo aquilo era uma grande máscara e uma farsa, uma coisa que eu criei para enganar a eles, e a ti também; talvez para ludibriar-te e te fazer pensar que eu poderia talvez cumprir as tuas fantasias, porque te tendo eu tinha todo um universo, e ao te perder eu perdi parte de mim. Eu sinto que parte de mim, a maior parte de mim, ficou do lado de lá, rascunhado talvez em antigos cadernos e folhas soltas, mas em grande parte preso através de um portal que eu não consigo mais alcançar. Me tornei gente, talvez demais. E agora as farsas de esgarçam muito mais cedo, e a idéia de enganar alguém, ainda mais alguém como ti, por tanto tempo... Às vezes eu percebo que éramos tão semelhantes que apenas nossas máscaras e mêdos e mentiras nos separaram. Mas agora nos perdemos um pouco; eu me perdi; e aquilo que nos conectava não nos conecta mais. Ou será que foi uma máscara tua que me fez acreditar que éramos tão próximos? Não importa também, porque ao menos aqui eu posso ter uma parte de mim, e tê-la inteira, sem máscaras; ter tudo aquilo e me submeter aos teus desejos absurdos era uma traição que acabava por me desintegrar. Viver no mundo real tem seus benefícios.

Pelo menos agora somos ambos humanos, e temos uma chance qualquer de nos encontrarmos realmente. Duas pessoas, e não duas fantasias. Mas... eu também tenho a impressão de que pessoas não se dão tão bem quanto é tão fácil se darem as fantasias.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Estrutura

Eu estou num momento da vida em que eu estou mais ou menos satisfeita com as coisas como estão, num âmbito pessoal, é claro, e com minhas perspectivas de futuro. Tem problemas, tem dificuldades, e certamente não é o meu sonho de criança --- mas quando criança eu nunca teria imaginado que matemática era tão legal, e eu não sabia de tanta coisa que existe; e embora tenha sonhos que eu ainda gostaria de cumprir, eu percebo que para investir neles eu teria que abrir mão de outras coisas. Eu consigo decidir e escolher fazer o que estou fazendo.

Apesar de eu ainda ter consciência do quanto a vida é feita de coincidências, acasos e pormenores, agora eu sinto que eu tenho controle sobre minhas decisões, e que estou escolhendo entre as opções o que realmente me agrada e me faz sentido. Eu comecei a sentir isso muito recentemente, e talvez isso esvaia novamente, mas por enquanto é isso -- as coisas se encaixam de um jeito que faz sentido até demais. E as coisas caminham tranqüilamente, coisas interessantes acontecem, tudo é novo e empolgante, e aos poucos eu tenho conseguido me ligar a coisas mais externas a mim, e começar novos projetos e conhecer cada vez mais novas pessoas.

Mas tem um preço. Eu consegui uma estabilidade emocional que eu não tinha antes, mas eu também me sinto estranhamente distanciada de tudo. Eu não sinto mais uma inveja debilitante, mas eu sinto uma estranha desilusão em relação ao futuro. Parece que nada será incrível, fascinante e mágico --- será só o mundo, como ele é. Meus amigos terão vidas estáveis. Quando as vidas deles forem empolgantes demais eu me sentirei ligeiramente incomodada com a falta de empolgação que eu estou sentindo. Eu tomarei decisões racionais, e às vezes as coisas serão incríveis.

O preço é que quando eu vou escrever eu planejo a história, eu projeto os personagens. O preço é que faz meses que eu não faço um desenho. O preço é que faz meses que eu não vejo o mar. O preço é me tornar um bicho da cidade, com amigos da cidade. Eu me sinto livre para tomar minha vida nas mãos... e entretanto eu me sinto tão pouco livre.

Eu sinto o mundo como um peso, uma inevitabilidade. Como se não houvesse mais para onde fugir. Tudo é humano, tudo é controlado. Eu me emociono quando eu vejo uma erva daninha crescendo entre as pedras quebradas de um piso. Eu tenho achado difícil me descontrair, esquecer dessa prisão que me cerca. Eu tenho vontade de quebrar carros na rua. Eu me sinto permanentemente doente. Semana passada eu tirei uma barata delicadamente de dentro do banheiro. A barata, horrível e repulsiva, me repugna menos do que o piso de cimento embaixo dela.

Aos poucos o mêdo paralizante do dia em que você descobrirá a pessoa inútil que eu sou está se dissipando, mesmo enquanto você me critica pelas coisas exatas que eu temo que você me critique. Eu aos poucos tenho me sentido mais e mais competente, razoável, correta. Eu me torno isso sob uma chuva de agressões e críticas. Eu sempre me senti um tanto alienígena. Quanto mais eu exponho minha alienidade, mais eu comprovo que ela é incompreendida. Nós vivemos num extremo, e entretanto sou eu que sempre sou acusada de ser extremista. Mas eu sou sim. Eu tive que optar entre o cinismo e o sentimento, entre a curiosidade fria e a empatia desmedida. Eu não deixarei que pessoas bem-ajustadas a este mundo desajustado façam julgamento de mim. Eu não me sinto nada.

Entretanto parece-me que sentir, e ser, algo que eu sou e sinto, é por si só uma agressão. Meu corpo é subversivo, meus sentimentos são subversivos. Minha incapacidade de me conformar é subversiva. Minha capacidade de me sentir bem na verdade me perturba.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

As Gerações e os Anos

Hoje eu estava pensando em te ligar, aí comecei a me perguntar por quê, aí pensei em tudo o que a minha vida significa hoje e ontem e sempre, e porque tudo parece tão diferente.

Eu achava que eu não tinha sonhos porque os meus sonhos eram tão gigantescos que eu não conseguia ver como eles se relacionavam à realidade. Por isso nunca nenhum deles ficou mais próximo de ser tornar real.

Quando eu entrei no Design, em 2007, eu tinha 18 anos, era virgem, tinha um namoro monogâmico, tinha pavor de qualquer coisa envolvendo bancos e burocracia e conhecia umas três linhas de ônibus que eu não sabia direito onde passavam. Eu estava habituada a ser levada e buscada pelos meus pais, a fazer festinhas de videogame na casa dos meus amigos, a ficar desenhando durante a aula porque desenhar parecia importante, aula não, mas fora da aula eu assistia TV, escrevia no blog e inventava sonhos. Eu não sei se teve um bom motivo ou se foi só porque ela tinha carro e nós precisávamos de carona, mas a coisa mais próxima que eu tinha de uma amiga no Design era a Tarsila, que tinha a idade respeitável de 23 anos, tinha acabado de se formar em Direito, e era quase uma veterana ou uma irmã mais velha da turminha nerd que pegava carona com ela. Como eu estava descobrindo como ser nerd e estava empolgada com isso, eu tinha problemas com o fato de que ela era zero nerd. Hoje em dia isso me parece um pouco ridículo.

Eu lembrei da Tarsila porque ficou na cabeça uma vez que ela estava contando do peguete novo depois de anos de um namoro que tinha começado no Direito. Ela riu e disse: "É o cara que eu tô comendo! Vou falar isso sempre." Na época eu estava apenas começando a conhecer o mundo das pessoas que efetivamente conversa sobre sexo, e eu tinha acabado de descobrir a expressão "dar" aplicada a mulheres, e eu já a odiava. Eu tinha a opinião muito estrita de que era uma questão política parar de usar essa expressão. Então eu acho que fiquei feliz ouvindo a Tarsila dizer isso. O que me perturba é que eu fiquei feliz e surpresa. Pensando bem, eu provavelmente me daria melhor com a Tarsi se eu fosse um pouco menos criança.

Eu passei muito tempo no esforço de pôr a culpa de tudo no Design e nas pessoas da FAU e dizer que fazer essa faculdade foi um erro e que minha vida teria sido melhor sem esses anos tristes. Talvez eu esteja ficando velha e chegando naquela fase em que se começa a perdoar os erros do passado e admitir que "tudo tem um propósito"... Não, acho que Design não teve nenhum propósito, nem foi particularmente engrandecedor. Provavelmente eu teria sido menos infeliz se eu tivesse tido uma coragem de última hora e preenchido a ficha de inscrição para Oceano (eu estava com essa página do manual aberta, afinal). Mas ainda teria sido uma droga em muitos aspectos.

Quer dizer, minha passagem pelo Design não foi muito diferente do resto da minha vida. Eu era infeliz pra caralho no Design, mas eu era infeliz pra caralho na adolescência também. Eu me divertia com uns poucos amigos que viviam num mundo de fantasia. Eu só me divertia porque havia fantasia. E minha maior fantasia era que um dia a fantasia virasse realidade. Eu estava disposta a sofrer se fosse pra alcançar meus sonhos fantasiosos, quero dizer, se o caminho do herói aparecesse diante de mim como ele aparece para os heróis nos filmes... Durante o colegial eu sofria pra caralho com tudo, mas eu tirava uma alegria maior de estar sempre apaixonada, sempre tentando lidar com paixões avassaladoras e tentando conquistar alguém. Era difícil se preocupar com outra coisa, e ainda por cima eu tinha coragem de chorar no colo dos meus amigos. Só que quando eu saí da escola, eu tive toda essa expectativa de virar adulta, e não deixar as pessoas me diminuírem, e aprender a dirigir e a usar o banco e andar de ônibus e conhecer a cidade e fazer amigos sem ajuda de ninguém e, e, e. E é claro que além disso minhas aulas noturnas não me permitiam ver minha família nem meus amigos, de forma que eu fiquei sozinha, e aos poucos eu parei de ter amigos daquela forma que eu tinha no colegial. Ou talvez eu tenha decidido concientemente abandonar esses amigos, eu não me lembro. Eu me lembro que eu me obriguei a parar de fantasiar, porque eu precisava me tornar real, e eu me obriguei a parar de machucar as pessoas e a deixá-las sempre em dúvida. Mas no fundo o que eu me lembro mais nitidamente é que eu não confiava em ninguém, nessa época. E nenhuma dessas coisas parece ter relação com o Design.

Eu de vez em quando lembro de uma coisa que eu cantava, no auge do meu desespero por me dar conta de que eu não tinha nenhum amigo de verdade na faculdade. Era uma coisa assim:

"Don't take me back
Don't take me home
Let me stay here
a little longer
Don't take me back
To where I come from
Let me become
a little stronger
'Cause I know I can be what you want of me
I won't be lonely if only you let me be
Don't take me back
Don't take me home"


Eu odiava estar ali, é verdade. Eu era péssima naquilo e eu sabia. Eu não ia jamais cumprir o meu objetivo inicial de mudar o mundo com o Design. Meus amigos não tinham nada a ver comigo e não entendiam quem eu era. Mas, sei lá, hoje eu teria me dado bem com eles, eu acho. Hoje eu não preciso de gente que me entenda, ou se pá eu achei essas pessoas, e elas não estão no IME (talvez no CM, talvez). Eu continuo não tendo amigos na faculdade. Meus amigos de verdade da época continuam sendo pessoas incríveis, e eles teriam bastado se eu não tivesse me imposto que eu precisava ser capaz de fazer amigos incríveis onde quer que eu fosse. E se eu não tivesse me forçado a ser uma boa namorada e nunca mais machucar meu namorado (porque eu achava que eu devia isso a ele), eu poderia ter perseguido todas as minhas mil paixões da época com menos mêdo. Acho que qualquer curso que eu fizesse teria sido igualmente horrível nesse aspecto. E francamente, talvez qualquer curso me desse a mesma sensação de "eu não sou igual às outras pessoas daqui e eu não nasci pra fazer a mesma coisa que elas fazem". Na verdade, a única saída teria sido não ir pra faculdade, ir pra algum lugar onde as pessoas nem queiram ser tão iguais umas às outras. Não sei se existe um lugar abençoado assim.

Bateu uma saudade de algumas coisas da época do Design. Alguns amigos, algumas paixões. Eu me odiava, mas eu não odiava tudo. Eu queria ter, sei lá, aproveitado melhor. Bebido mais. Tido menos mêdo. Beijado aquele menino que às vezes me tirava do desespêro me chamando pra brincar de pega-pega. Eu queria ter raspado o cabelo quando eu quis, e ter ido na balada gay. Eu queria ter dito alguma coisa, pra alguém. É engraçado como eu acho que se eu tivesse os amigos que eu tenho hoje, seria diferente. Mas será que eu confiaria neles? E eles em mim?

Se pá eu só queria que eu tivesse não parado de sonhar, apenas começado a de fato tornar meus sonhos realidade, custasse o que custasse.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Aqui

("aqui, na escuridão que me cobre como um túmulo, eu conto esta história")

Achei que era apropriado começar com uma citação da peça de teatro (A Morte Trágica de Dois Amantes Muito Infelizes Que Morreram Um de Veneno e o Outro de Dor, Com Vários Incidentes, ou Romeu e Julieta) que nós apresentamos em 2004. Ah, 2004, quinze anos, estar apaixonada. Acho prazeroso estar apaixonada, e com quinze anos isso parecia natural, descomplicado, simples, até o momento em que eu me apaixonei por três pessoas ao mesmo tempo, um com namorada, um gay, um que morria de ciúmes do meu amor pelos outros dois. Vida difícil essa. Essa parte não mudou nada. No fim eu namorei o que tinha namorada, depois com o que não tinha, depois terminei com esse também e decidi não namorar nunca mais, mas meus planos foram impedidos pela existência mágica dos namoros abertos e pela minha incapacidade de não me apaixonar (infelizmente nunca namorei com o que era gay, acho que teria sido o mais feliz dos três namoros).

Ultimamente eu tenho achado tudo muito estranho, e quando eu fico pensativa eu sempre me volto para o passado. Hoje por exemplo sonhei que era colega de classe da Kiki, minha, ahm, melhor amiga de ginásio, uma líder natural forte e decidida e da qual eu nunca soube nenhum dos mêdos e desejos mais profundos. No meu sonho (como, na verdade, na realidade) eu era uma péssima aluna e ficava brincando com ela em vez de fazer a tarefa, e evidentemente quando eu ia fazer a tarefa era tarde demais. Por favor, seja mais explícito, sonho.

Nos últimos treze ou quatorze meses eu não tenho sabido direito quem eu sou. E ao mesmo tempo eu finalmente tenho entendido quem eu sou.

No começo foi confuso e doloroso, meus sentimentos me jogaram de um lado pro outro, eu senti ciúmes, ódio, repulsa, eu dei patadas no meu melhor amigo, eu quis sacanear meu irmão, eu me contive e fui fazer sexo com outra menina, mas logo depois eu já não queria mais seus beijos. Eu fui horrível, eu peço desculpas. Eu queria que eles parassem de ser tão homens, tão bonitos, eu super não sei lidar com gente que é competição mas não é presa. O foda dessa vida gay que eu tenho é que essas pessoas que são só competição são raras, e eu não aprendo a lidar. Fico me perguntando se ser hétero não é um sofrimento constante, competindo o tempo todo, tendo raiva e ciúmes. Eu lembro vagamente do quanto eu amava mais as meninas que queriam ficar com meus homens, just in case, acho que é uma defesa contra a guerra. Sisterhoods e brotherhoods, mas nunca uma siblinghood. Mas é muito mais fácil simplesmente chamá-las junto.

Este vai ser um daqueles textos dos quais eu me envergonho depois de uns meses, aposto.

Estou tomando café só pra conseguir escrever.

Enfim, competir com homens é muito difícil. Eu posso até ser mais bonita que o cara, mas, sabe, ele tem músculos, barba, pica. Não tem muito o que eu possa fazer contra uma pica. O que nos leva de volta ao assunto original do post (na minha cabeça) que é o fato de que eu realmente curto mina hétero. Não minazinha Pat, cabelo comprido e sombra, shortinho, bronzeado e luzes, mas mina macho, de coxa grossa, piercing, dessas que usa coturno com saia, tatuada, que anda de bike, que pega todo mundo, que dança rock pesado e veste sobretudo rasgado, que pinta o corpo, que é brother, que bebe, que manda, feminista, que entende das coisas que entende, que faz arte, que corta o próprio cabelo, que me pega. Mas essencialmente HT. Eu fico meio perdida com lésbicas (e aqui eu estou sendo reducionista, estou dividindo as pessoas entre as que pegam mais homem e as que pegam mais mulher). Pra falar a verdade às vezes eu vejo uma lésbica e penso "mas ela é lésbica, não vai querer ficar comigo". Acho que me perturba o fato de que mulher lésbica de fato gosta de mim como mulher. Mulher ht me pega como se eu fosse um cara, me faz me sentir um cara (enquanto eu elaboro este argumento eu estou de tênis de trilha e calça jeans, sem camisa, eu tenho cabelo curto, 1,58m, e me pergunto se eu sou mesmo diferente do meu irmão), especialmente quando elas parecem não saber muito bem o que fazer com uma mulher, mas ainda assim conseguem me pegar como, sei lá, como pessoa. Mulher lésbica às vezes é feminina demais, me perturba. Me deixa confusa. Me faz me sentir inexperiente, também, talvez isso seja um fator relevante. Talvez tudo seja uma ego-trip gigante. Mas.

Enfim, agora me desçam sua psicologia barata (ou cara, tanto faz).

Mulher que se dá bem com mulher sempre me deixa desconfortável, me faz me sentir menos mulher, menos homem também, menos tudo. Por que a vida é sempre uma competição idiota? Eu me sinto espremida no meio, não sou homem o suficiente pras hétero, não sou lésbica o suficiente pras lésbicas, de vez em quando rola, mas minha cabeça fica cheia de caraminholas. Eu visualizo a sua cara meio que rindo das minha dúvidas adolescentes. Mas você é homem, e eu não tenho grilo com homem, um homem como você não tem grilo, eu nem espero que você entenda por que eu penso essas bobagens.

Às vezes eu penso em mudar de sexo. Queria compartilhar isso aqui. Eu nunca vou fazer, eu acho, mas está constantemente na minha cabeça. Ao mesmo tempo eu não queria de verdade ser homem, ter toda essa auto-confiança excessiva ou esse excesso de auto-piedade que quase todos os homens que eu conheço têm. Eu sou mais bem resolvida que isso. Ainda assim, eu sinto prazer em fazer tudo o que eu puder pra ficar mais masculina. E no dia seguinte usar saia curta e brincos, pork; pork se eu fosse homem eu certamente iria me travestir, pork. Eu lembro de quando eu cortei o cabelo, vesti os brincos e por um momento me achei um transgender me travestindo (depois passou). Eu queria ser mais andrógina, assim como você, Lo. Eu achei tão incrível rolar com você e não saber quais de nós eram homens ou mulheres. Eu queria ter ficado nesse estágio, sentindo essa libertação fantástica. Da próxima vez, quem sabe. Eu não penso em você como um homem, not really. Eu só penso em você como você. Mrrrr.

domingo, 30 de setembro de 2012

Life On Mars

Acho que estou chegando no meu limite outra vez
Acho que quero ir embora outra vez
Mandar esta porra à merda
Parar de fazer o que eu não quero fazer
E ir viver a vida

Eu quero ir pra festa, pular e dançar e beber e brincar
Eu quero perder todos os limites
Mas acho que eu quero acordar cedo amanhã.

Acordar cedo pra ir pra aula pra tirar notas boas pra ter uma carreira
But do I really care about that?

Well the show is a bore
I've read it ten times before

And I can't focus on

Esses dias eu estava lembrando daquele eu-nunca, de quando alguém perguntou quem da roda a gente já tinha querido pegar, e eu respondi, "uai, todos". E eu podia dizer isso porque eram todos meus amigos, porque não ia ser um problema, porque mesmo se um interpretasse como razão pra me passar um xaveco raso, eu só ia precisar mostrar desinteresse uma vez pro cara se tornar mais respeitoso. E ao mesmo tempo se rolasse um clima e eu pegasse alguém não ia dar nada errado. Alguns falarm de mim e eu ri e disse "Nossa, tem mais gente do que eu imaginava me querendo, eu devia estar aproveitando melhor essa vida". E de fato eu aproveitei um pouco melhor essas vidas depois daquele dia. A vida era boa então.

Recentemente eu me dei conta de que meu "grupo de amigos", ou o que as pessoas desse grupo chamam de meu grupo de amigos, não é mais composto pelos meus amigos, e eu não acho que numa roda hoje em dia eu me sentiria confortável em ser tão aberta e honesta. Também é verdade que tem gente no grupo que não me interessa minimamente, e eu acho isso estranho porque eu sou a pessoa que se interessa por todo mundo. Então life feel's weird.

A verdade é que eu estou de saco cheio dessa farsa, eu quero parar de sair com "o grupo" e voltar a sair com as pessoas. Eu tenho outros amigos e outras turmas, mas eu não quero mais me importar com turmas, eu só quero sair com meus amigos, e dizer foda-se completamente para quem eles acham que faz parte d"o grupo".

Eu quero sair com pessoas em quem eu confio. Com pessoas com quem eu quero conversar, com quem eu quero interajir. Eu quero poder fazer o que me der na telha e ser respeitada. Eu não quero acabar fazendo o que eu não quero e não fazendo o que eu quero e ter que dar desculpas de porque eu não quero fazer uma coisa. Eu não quero me sentir mal no dia seguinte.

Eu quero ter uma vida divertida e interessante.
.
Mas hoje foi um bom dia, de verdade. Hoje tinha pessoas legais e diversão e liberdade. Eu me perturbei um pouco com meus amigos julgando e tirando sarro de pessoas exatamente iguais à gente, mas essa foi a única coisa nã0-boa que aconteceu hoje.

Mas eu voltei pra casa pra fazer um trabalho que eu não quero fazer e que eu não entendi direito.

And the show is a bore
I've writ it ten times before
It's just been written once more
As I tell me to focus on

A vida não está sendo tão incrível quanto eu acho que deveria ser.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

A Mistery Tour

Eu olhei nos teus olhos e soube imediatamente. Não disse nada, pra não quebrar o encanto.

Quando minha princesa mentiu pra mim (sem querer) eu agüentei estoicamente, porque eu não sou homem o bastante para conquistar você. E você vai estar além do alcance. Domine o mundo por mim, eu vou tentar ser sua amiga, apesar da distância.

A borboleta na verdade era um dragão.

Você sorriu e eu soube que. Você me chamou com olhos vorazes. Só de lembrar eu te quero tudo de novo. Eu te quero aqui, agora. Vocês estão longe de mim, agora.

Você descreveu o gosto da minha boca sem nunca ter me beijado, e eu quis te morder pra saber se a tua carne também tem o gosto das tuas palavras. Você não tem mêdo, mas eu sim.

O meu fundo do poço é um pouco mais fundo. O meu fundo de poço ainda chama por mim.

A tartaruga voltou para a praia afinal. Todo ano mais garotos fazem dezenove anos. Todo ano mais adolescentes perdem a virgindade. Todo ano mais pessoas de vinte e poucos começam a meioque se sentirem adultas. Mas temos que largar a pele velha, e abandonar as nóias de criança.

E abandonar as nóias dos nossos pais. Mas eu sequer consigo abandonar as nóias de 20 anos atrás, completamente.

O unicórnio na verdade era um pequeno pônei. A Mágica tinha forma de coração. Eu quero compartilhar uma coisa: eu tive um grande amor.

Eu tive dois grandes amores (alémd). Às vezes mal consigo diferenciá-los dentro de mim. Ambos me levaram às alturas. Ambos mentiram pra mim. Ambos me fizeram sofrer. Não sei dizer se ambos me amaram. Mas acho que você me amou. Acho que era tudo verdade, apesar de que.

Eu te perdoei faz mil anos, eu entendo agora que não foi culpa sua. Não só. Eu quero você de volta. Eu quero voar de novo. Viajar. Quando você se afastou o mundo ficou mais silencioso. Está quieto demais aqui.

Mas eu chego a mudar de calçada quando aparece uma flor, e dou risada do grande amor (mentira)

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Alarara/En Passant

"Somos do mesmo sangue, tu e eu"
Um dia eu acreditei nessas palavras
Mas o tempo passou e tudo mudou tanto
Será que todo mundo se sente como um extraterreste?

Quando eu era pequena, várias das minhas estórias começavam com ir para outro mundo. No outro mundo, eu era uma rainha, uma princesa, uma guerreira, uma heroína (ou talvez vocês fossem entender melhor se eu dissesse um Rei, um Príncipe, um Guerreiro, um Herói). Eu era descendente do Povo Antigo, escolhida pelos Guardiães, meu Destino era proteger o meu lugar, where I belonged.

Or do I belong there still?

Com o tempo, eu comecei a entender que se eu descendia dos Grandes Reis, só podia ser através de meus pais. Eu não poderia abdicar da veracidade da minha família, então meus irmãos, meus primos e às vezes até gente adulta começaram a aparecer nas minhas aventuras. Meus irmãos vinham para o Mundo comigo, eles eram grandes Líderes, tinham conhecimentos e habilidades que eu não tinha, e eram valorosos rivais, aliados ou inimigos. Mas fatalmente, dado alguns anos no Mundo, eles acabavam voltando para o mundo real, ou eles se envolviam com os seus próprios problemas, e eu acabava ficando só com os meus amigos de Lá, vivendo aquelas aventuras muito pessoais, construindo uma história e uma família que...

Depois, resolvi voltar para o mundo d'Aqui, mas sei lá... Eu quiz trazer meus amigos comigo, mas não sabia como apresentá-los à galera. E como explicar para minha mãe que eu ainda a amava, mesmo depois de todos aqueles anos? E como explicar que eu não era a mesma pessoa que havia saído daqui? Como explicar o que eu era? E quem eu era afinal?
Meus irmãos entenderam algumas coisas, e eu com muito esforço de ambas as partes consegui explicar uma ou outra coisa a alguns homens apaixonados (ao longo dos anos). Mas eles se afastaram (enfim, nós nos afastamos) e, bom, tantas vezes foi tão difícil traduzir as palavras de Veraki, Hatsi e Zaty para a língüa dos humanos...

Enfim...
No fundo, eu voltei para casa e tentei lutar a luta pequena (ränaki), a lida de manter a casa (honaki?) e viver a vida (maaki?). Afinal, a outra eu estava tendo um filho, e ensinando crianças. E tal. E eu estava determinada a conviver com pessoas, pra variar.

"Somos do mesmo sangue, tu e eu."
Mas nós não somos nem do mesmo mundo! No fundo, eu fui criada meio em Ziget, e eu sou meio Zaty. Por dentro, por dentro, por dentro.

Será que todo mundo se sente um extraterrestre? Será que cada pessoa veio de outro planeta? Ou será que sou só eu?

Eu estou começando a esquecer as minhas palavras... E me dói isso, eu entendo a dor de quem não pertence a lugar algum.

Será que todo mundo se sente um extraterrestre?

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A Lot of Thoughts

These last two weeks I've been somewhere else. Living with different people, speaking a different language. Laughing at different jokes. There's much on my mind, from the last two years. It seems that everything has changed. I want to sing this song right now, before this dream is forgotten. I want to whisper this on your year. I just wished somehow I could be more sincere. There's much to tell, and I want you to know.

The Rabbit-Skin


But you're so young
And your skin is so smooth
And when I'm near enough
you smell so good
And you're so young
And you're so proud
And you look at me
as if

But you're so young
And you smell so good
But your skin's so smooth
As that of children
And you make us laugh
And you want to speak
Want to be at ease
But you're just too young
To be it

But you're so bright
And you're such a kid
And you're so mature
And you're such a nice company
But you're so young
If you look at me
Makes me feel as if
I was a woman

The Buckskin, Dyed Red


So when I met you I had no expectations of you, and then with time, as I saw you looking up to me, I started to think of you as someone who would battle in my name. And then you disappointed me. Now I have no expectations again.

Of course I expect you to have some minimal virtue, but now I don't expect you to express it in any particular way. And I don't expect you to be one of the best. Slightly above average will do.

You must know how much you hurt yourself, and how much damage you've caused to someone else. But I don't think you realize how much you've hurt me. I feel like a mother whose children are never what she dreamed for them. Is that what this is about? Were my expectations as overwhelming as a mother's?

Well, much like a mother, I will probably never lose hope. I should watch you carefully, and wait, not daring to trust you, not believing your words when they are of pride and glory, but waiting, expecting, untill the moment (and I'm certain it will come) when you finally show undenyable worth.

But what I do is, I treat you as a friend. I pretend to accept you for who you are, and, to be honest, I try. I try to look at you with new, unaccustomed eyes, I try to see whatever else you are that is in itself worthy and not what I took you for when you actually fooled me. I try to see you with the eyes of the rest of the clan, the ones who were not being fooled (I hope). You are, after all, family. Everyone has accepted you.

But it is not easy. Ever since that time, I feel like I don't really know you. And just as a mother must let her children grow and become something different from what she expected, I must let you be yourself, and I must stop hoping and start accepting that you won't follow my lead. But, like my mother, I have no idea of how to let you be your own adult. I have no idea of how to let you follow your own rules, when, to me, they would be obviously wrong. I have no idea of how to stop judging your every step.

The Furs of The Wolf and The Winter-Fox


I saw her across the room and instantly recognized her as the handsomest woman there was. Not the most beautiful, no, because there were those who were out of our leagues, so confident, so competent, so beatiful, and there were girls who actually looked like beautiful girls, and her, she looked like a boy. She looked so much like him, and I had wanted him so bad for so long that it scared me, how I wanted that girl across the room, how I decided that no other was as pretty as her, I wondered if it was just a projection.

The next day, she wore female clothes, a tight shirt and a black skirt, and she just wasn't as pretty anymore. But the days passed and I stared at her, unable to avoid staring, unable to understand how she could look like that. Slowly the wish to approach her and tell her how hot she was returned, and she was wearing pants again, these tomboy-ish pants that said a lot more about her body than a boring skirt.

There's something amazingly attractive about a handsome woman, or a beautiful man. I realize that sometimes I'm the only one who sees it. And sometimes it happens that a woman is at once beautiful and handsome, and I noticed that even though many men want her, only a few seem to want her as bad as I do.

Or maybe I should just say: shut up, I like your hands.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Duas Mulheres

Todas as coisas fenecem.




Todos os seus olhos me acompanham. Há uma luz entre nós, uma discordância. Minhas mãos acariciam a sua, levemente; talvez eu ainda tenha um pouco de mêdo. Uma vontade muito grande de te abraçar, sem saber como te fazer se sentir amada.

Elogios. Eu sou a mulher das sombras, com sombras vermelhas cobrindo meu corpo. Os olhos dos homens me seguem quando eu passo. Eles sorriem, eles comentam e elogiam. Eles não entendem que não sou eu que passa, é a Mulher das Cores que passa. A mulher das sombras. É outras, é a Máscara que eu vesti ontem, a fantasia que escolhi. Eu não sou Lady, tanto quanto o Ítalo não é um travesti. Eles não entendem que eu nunca me vestiria daquela forma. Mas Lady sim.

Eu sou a mulher das cores, com cores vermelhas cobrindo meu corpo. Meu corpo feminino ressalta a feminilidade do personagem, e eu sou uma flor, por uma noite. Os olhos dos homens me seguem quando eu passo, mas eu conheço os olhares dos homens, e o olhar de hoje é apenas um olhar de apreciação. Eles sabem que não sou eu que passo, é a Dama que passa, a Mulher das Cores. Não é esse olhar dos homens que eu procuro, é o seu olhar que eu quero. Você atrai os meus olhos, mesmo quando você esconde os seus olhos, em dias como este em que você é um gato, mais que uma garota. Você não precisa ser sempre uma garota; você se dá ao luxo de às vezes ter uma beleza masculina, e outras vezes ser extremamente feminina. Esses mesmos homens que me olham quando eu passo, eles não conseguem te entender. Sua insegurança não é a mesma que a timidez das outras mulheres. Você nunca olha pro chão.




Eu me pergunto se você vai entender. Às vezes eu te vejo e não consigo tirar os olhos das tuas pernas, e isso me perturba, às vezes me perturba tanto quanto quando eu percebi as mudanças no corpo da minha irmã depois que ela começou a fazer academia - irmãs não deveriam ficar gostosas! E quando eu te conheci eu construí uma imagem sobre você, uma imagem nascida do embaraço de te encontrar na tarde seguinte, e do seu sorriso e da sua diversão. Mas você não é tanto um filhote como aquela mulher que nasce dos ossos do lôbo que a Mulher dos Ossos recolhe e sobre os quais ela canta. Ela canta a sua canção e você nasce, você mulher, você bruxa. Você Donii que vira fera e vira pássaro para trazer a bênção da Grande Mãe. Você nasce dos ossos e da canção e corre pelo deserto nua, as lôbas e as aves te seguem, você corre e grita jovem com longos cabelos ao vento; seu Daemon é uma criatura que dorme com você abraçado forte mas que voa longe sem precisar estar sempre do seu lado. Você engana, você esconde, você é mágica. Se me perguntassem, eu me recusaria a falar sobre você. Você é em silêncio.




Eu queria conseguir entender, e aceitar, mas meus olhos não me obedecem, e eu sinto um tipo novo de mêdo, e tudo parece tão novo e assustador e empolgante. Parece que uma nova parte da vida está começando, e eu ainda não conheço as palavras certas que eu devo usar. Você é parte de mim, e você é diferente de mim. O mundo se transforma diante dos meus olhos. Eu quero pedir a todos que não tentem entender, por ora, o que eu escrevo. Não cheguem a conclusões. Olhem nos meus olhos, e bebam do meu deleite. Eu me sinto prestes a explodir. E de uma forma nova, eu amo.

Eu amo muito! Parece que a cada dia eu amo mais, e melhor. Eu sinto dor, eu sinto saudades, eu sinto apreensão pelo futuro desconhecido. Entretanto não há saída, e haverá luta. Eu amo e a cada dia eu amo mais e com menos receio, mas há muitas barreiras a atravessar. Eu corro pelas colinas, pulando cercas e pedras, eu corro pelo pântano, eu sou um cavalo alado branco, eu sou você. A Mulher dos Ossos canta e eu sou, mas eu sou o Lôbo que levanta, eu corro nas quatro patas pela floresta, meu mundo é verde e feroz, e quando a luz me atinge eu viro luz, e uma mulher corre, e esta é você. Eu sou a Mulher dos Ossos. Talvez todas sejamos. Os tempos se misturam e nada mais é conhecido, nada mais é previsível. Eu exploro.




A luz me mostra uma onda no seu cabelo e eu me pego de novo olhando pra você, indecisa, querendo sentir o seu cheiro, explorar o seu corpo (seja a minha aventura). Algumas vezes eu sonhei com você. Eu não posso exigir nada, eu não posso esperar nada, mas eu tenho vontade de te tomar nos braços, e às vezes eu tomo e a vontade passa, e às vezes ela volta mais forte, e às vezes ninguém enxerga, e eu não consigo entender. Eu quero descobrir, eu quero entender o que está acontecendo com o meu mundo, e eu não sei ainda, mas você parece importante. Você está no vento, nos animais e na terra, ou você está ao meu lado, procurando e perguntando também? Eu não posso exigir nada, eu não devo esperar nada, mas eu posso propor, eu posso oferecer.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Pausa para um postinho

Eu estou aqui porque minha cabeça está zunindo com todas as letrinhas mágicas que não formam nenhuma palavra conhecida que acabei de encontrar na minha pequena jornada para tentar entender melhor a mesoderme do multiverso digital (aaah, justaposição de metáforas!). Eu acabei sendo lançada do Javascript para o Ajax com uma certa violência e, francamente, não é fácil entender quando a galera começa a falar de Ajax - a menos que o assunto tenha começado na área de limpeza, é claro. Pra descansar - porque estou num lugar estranho e me sinto meio acanhada de simplesmente ir dar uma volta - vou escrever alguma coisa.

Que tal uma história?

Proposição: o herói, no começo da história, nunca sabe que vai ser herói. Uma vez eu tentei contar uma história sobre um garoto chamado Davi. Eu gostava dele porque ele não era apenas um joguete nas mãos do acaso como todos os outros heróis. Ele um dia decidia que ia sair de casa e viver uma aventura, e assim ele saía de casa e vivia uma aventura. Mas agora vejo que caí numa armadilha assim que comecei a escrever sua história - não pude evitar inserir uma princesa e uma infância solitária, o desamor de sua casa e o amor de algo distante que iam sem dúvida fomentar no menino a disposição para partir em aventura. É difícil; acho que não consegui combater satisfatòriamente o impulso de explicar porque eu mesma não havia tomado minha vida nas mãos e partido numa aventura. E o motivo poderia ser o mêdo ou o conforto, mas acho que o argumento verdadeiro (acho mesmo) é que eu amo minha família. Eu amo cada um deles, e nunca consegui trocar a amizade de meus irmãos e o carinho de meus pais pela imprevisível descoberta do mundo. Além disso, eu sempre pensei em minha mãe, que se preocupa tanto comigo. Talvez, quando eu era muito pequena, fosse mesmo a noção de que eu não saberia o que fazer lá fora. Mas esse mêdo deixou de me incomodar há muito tempo.

Afinal estamos sempre fazendo o que não sabemos fazer. Estamos todos completamente perdidos. Ou talvez alguém aí saiba o que está fazendo; eu admito que não faço a menor idéia. Estou nadando num pântano, avançando muito lentamente e sem saber direito para onde. Mas lentamente estou começando a confiar que posso correr riscos. Isso de correr riscos é muito importante - é difícil evoluir de uma posição de confiança. E precisamos correr sem saber para onde. E precisamos vislumbrar.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Eu quero.

Eu quero dizer alguma coisa.

Não sei bem o quê.

Que eu me arrependo dos meus erros?

Que eu não aguentaria o tranco de um curso realmente fodido?

Que eu me sinto indigna de todas as esperanças que eu tive pra mim mesma?

Que eu sinto raiva dos meus erros idiotas do passado?

Não.

Nada disso expressa.

Eu queria é merecer a sua amizade.

Chamar a sua atenção.

Eu queria saber quem você é, sabe?

Às vezes acontece de a gente se sentir muito mal com algo que a gente fez no passado porque nossa visão de mundo muda.

Eu queria ter prestado mais atenção em algumas pessoas.

Você tem algo dentro de você, algo que me chama a atenção.

Eu queria chegar mais perto e olhar o que é.

Eu queria saber no que você pensa quando ninguém está te julgando.

Acho que eu devia estar fazendo EP agora também.

terça-feira, 30 de março de 2010

Não consigo parar

Eu queria escrever um pouco sobre... Sei lá.

Estou lendo Crepúsculo agora. Envolvente, o livro. Bastante mal escrito ou mal traduzido, não sei, mas envolvente. Me identifico muito com o que acontece, já senti aquilo tudo, acho que só significa que já estive apaixonada. O tal do Edward me lembra um milhão de homens insuportáveis que conheci, inclusive você. Sempre me pergunto se se eu não estivesse namorando, se eu não estaria vivendo uma história de amor como essa. Mas acho que eu sei a resposta para essa pergunta.

Sempre que me distraio lembro de velhos e intensos sentimentos. Eu gosto de sentimentos. Queria mergulhar neles.

Infelizmente agora não é hora de sentir, mas de trabalhar. Qual é a minha salvação? Conversamos por muitas horas, mas eu sequer senti seu cheiro. Algumas coisas me intrigam, como conhecer pessoas novas. A vida é um mistério. Quem poderá dizer quais das pessoas que conheço agora serão meus amigos daqui a digamos três anos? Eu sei algumas respostas. O resto mergulha na brisa.

De vez em quando me pergunto o que estou fazendo. Quando páro pra pensar, olhares doces famintos assombram meu cair no sono.

E sinto saudades de algumas pessoas. Vontades de voltar atrás, de estar mais presentes.

Se eu pudesse escolher, com quem eu quereria estar agora? Minha mente fervilha, incríveis opções. Mas hoje eu devo estar sozinha, não?

Quando fecho os olhos minha vida parece um sonho. Meu passado não parece possível. É verdade mesmo que viajamos, que choramos, que amamos? É verdade essa memória vaga do seu cheiro, dos seus dentes?

Cinco anos atrás, este futuro não existiria. Eu lutei por ele, eu o construí, eu o sofri também. Eu sou muito parecida com o que sonhei ser, na verdade. Apenas menos forte, mas... No fundo, não foi difícil falar as mesmas palavras que imaginei. Eu olho nos olhos de um homem, e freqüentemente é a Lôba que fala. Freqüentemente é Labwa. A parte de mim que ainda é humana pergunta porque essa história continua se repetindo. Porque eles continuam vindo a mim.

Sem perceber, estou de repente me comparando ao vampiro. É fácil demais. E de qualquer forma não é isso que eu busco. O que eu busco é um pouco mais difícil.

De tempos em tempos me assombram os amores que eu não pude viver e as presas que eu não matei. No resto do tempo, consigo ser um pouco mais coerente.

domingo, 23 de agosto de 2009

Nervoso

Eu fico nervosa porque não sei fazer algumas coisas. Muito nervosa. Meu /mundo está, não sei, chovendo em mim. Eu/ //olho ao redore, não sei , ão sei /o qu/e /fazer, e, que porra é essa de aparecerem barras em /tudo o que eu escrevo?

Por exemplo, eu gosto do Jack, meu personagem alegre, amigável e assassino do rpg, mas sinto cada vez mais que não tenho a força necessária para interpretá-lo. E de que adianta ter um bom personagem se não sei interpretá-lo? E de que adianta jogar se no fundo eu sempre me divirto mais com o que os outros fazem? Se nunca consigo realizar o que realmente quero? Se só depois percebo que deveria ter agido dessa ou daquela forma? Não me sinto uma jogadora de rpg, mais, não tenho vontade de fazer ficha. Me irrita isso. Hoje eu /estava pensando seriamente em começar a beber antes das sessões, para ver se eu começo a agir, não sei se melhor, mas pelo menos mais. Mas isso tudo é bem fútil . Não é?

Não sei como os outros blogueiros conseguem falar tanto de assuntos gerais se só os assuntos particulares me são sequer alcansáveis. Me pergunto coisas. As coisas que sei não me interessam. Talvez só o que me apavora me interesse. Tenho mêdo de perder o Jack, de transformá-lo num personagem vazio, sem futuro, que nunca muda.

E eu acho que eu nunca me irritaria com um personagem bom que fosse chato. Entende? Por ele ser bom. Se ele fosse ineteressante, eu ficaria interessada nele, e seria isso. Não me importa tanto o jogo. Me importa os personagens. Eu queria poder explorar mais esse lado dos personagens. Parece que num jogo de rpg o que importa mesmo é a história, não os personagens. Sei lá. Talvez eu nem goste de rpg, na verdade. Talvez eu só esteja aproveitando a mesa para ouvir algumas boas histórias. Se fosse para participar delas, eu faria tudo diferente.

Ou eu deveria fazer tudo diferente? Será que eu deveria fingir que estou numa história, jogando com meus próprios personagens? Será que deveria ser tão impulsiva e verdadeira quanto sou quando estou sozinha? Mesmo se isso me levasse à morte? Se eu adoro a morte, talvez fosse inclusive mais justo perder as estribeiras. Talvez fosse completamente justo eu correr grandes riscos.

Mas eu, jogadora, não adoro a morte.

Bem.

Talvez eu jogadora tenha que me render ao meu personagem.

sábado, 25 de julho de 2009

Mood

I don't know what I am for



All around me are familiar faces
Worn out places - worn out faces
Bright and early for their daily races
Going nowhere - going nowhere
And their tears are filling up their glasses
No expression - no expression
Hide my head I want to drown my sorrow
No tommorow - no tommorow

And I find it kind of funny
I find it kind of sad
The dreams in which I'm dying
Are the best I've ever had
I find it hard to tell you
'Cos I find it hard to take
When people run in circles
It's a very, very Mad World

Children waiting for the day they feel good
Happy Birthday - Happy Birthday
Made to feel the way that every child should
Sit and listen - sit and listen
Went to school and I was very nervous
No one knew me - no one knew me
Hello teacher tell me what's my lesson
Look right through me - look right through me

And I find it kind of funny
I find it kind of sad
The dreams in which I'm dying
Are the best I've ever had
I find it hard to tell you
'Cos I find it hard to take
When people run in circles
It's a very, very Mad World

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Across the Universe

Olho para Sebastian, correndo atrás de mim com seu brinquedo pingando baba. Será que algum dia poderei amá-lo?



Encarava o monstro diante de mim. Ele não era feio. Não era mau. Só era velho e forte e irascível. Eu encarei o monstro, mas por pouco tempo. Depois, saí correndo. Saí correndo e me perguntei por que quisera encará-lo afinal. Saí correndo e me escondi nas sombras. Mas ele veio atrás de mim.

Às vezes, pra ser sincera, gosto de pedalar até a exaustão, e depois pedalar de volta, apenas para ficar tão cansada que isso se torne a única coisa que importa. Você me perguntou o que faz sentido, e isso é uma coisa que faz sentido: descansar, quando se está cansado.

Hoje quando Flor veio pedir meu colo, reparei que sua testa estava, na parte que deveria ser branca, rubra. Quis cuidar dela, mas ela não deixou. Ela está certa. Limpar a ferida agora faria pouca diferença. Há muitas outras feridas debaixo do pêlo. Eu quero proteger minha gata, mas não sei o que posso fazer.

Você entende?

Outra vez, eu encarei o monstro, lutei contra ele, sacrifiquei tudo o que podia sacrificar para dominá-lo. E quando o vi ferido, caído no chão, me afastei, cansada; voltei ao meu mundo sacrifeito. Acreditando-o victo, o mostro meu inimigo. Ai.
Me envergonha, até, crê-lo meu inimigo. Mas lutei, lutei e então parti. Mas não estava ele morto. E quando saí de meu catre, o monstro exibiu as presas; o monstro me abocanhou. Só por magia não sucumbi. Desde então, não ouso encará-lo, mais.

Também gosto de acumular tarefas e de executá-las todas no mesmo dia, de preferência emendando-as sem pausas. Hoje, por exemplo, foi assim, apesar de minha tarefa #1 ter sido adiada para amanhã e de eu ter me exaurido completamente durante a tarefa #3, o que me fez desistir da tarefa #4, que de qualquer forma ia ser bastante complicada.
Acho que o objetivo disso é não ir para casa, e não ter que esperar. Se eu passar o dia inteiro fora de casa, fazendo coisas, não vou desperdiçar nenhum minuto do meu dia. E vou viver esse dia como eu quiser, livre, independente. Estar a céu aberto também me deixa mais forte. Isso, e estar longe.

Em geral, o que mais facilmente faz sentido são as coisas simples: o mêdo, a fome, o calor do sol, o cheiro do mato. Há também coisas menos simples, mas indiscutíveis... como a ternura que desperta um bichano adormecido, ou o amor de um cão pelo seu dono. Há coisas essenciais, como respirar, como sentir a si mesmo... sentir o outro também. Há coisas revigorantes, como enxergar uma imensa paisagem, como ver o horizonte. Há as que dominam nossos sonhos, nossos desejos, nossas nossos objetivos, antes e depois de as experimentarmos... para mim, coisas como velejar e cavalgar. E há coisas fundamentais, como trabalhar. Work hard, work worth doing.

domingo, 27 de agosto de 2006

...

...Não, não.

Quer dizer, pra quê?

Postar, eu digo.

Não, não. Vou fechar a janela.

E fazer o quê? Dormir? Não estou com sono...

Amanhã, ENEM.

...

Não é que eu não consiga parar de pensar em você. Não é que eu esteja com raiva de você. Mas, de repente...

A "balada" na casa do Luque foi legal...

O Luque e a Luda são uma dupla do mal. Muito do mal. E meio tapada. Mas olha, acho que não importa muito.... Squick, você está errado, as pessoas são distraídas... elas vêem o que decidem ver... Mas, antes de tomar a decisão, elas não enxergam realmente... elas apenas desconfiam, e se sentem sagazes por causa disso... é tudo muito tolo...

... Quero miojo.

... Quero praia.

Está tão quente... só consigo pensar em nadar no mar e depois tomar ducha de água doce. Quero a areia da praia, o cheiro do sal do mar...

...de repente parece tudo muito vazio. Mesmo que fundo e longo, é tão insípido. É tão insípido que ...

... Quero árvore.

Mamãe me deu um chocolate, que quase pus num bolso sem fundo. De qualquer forma, teria derretido. Por isso, o deixei em casa.

E agora entendo porque as pessoas gostam tanto de mandar olhares insinuantes para os outros. É mesmo divertido. Mas apenas olhares, talvez alguns gestos... não gosto de invasividades...

...é impossível não desejar outros momentos como aquele...
"Não quero fazer mais nada."

Umdia, sabe, você vai me entender... Um dia você vai me conhecer a fundo, e tudo vai parecer claro... Então, eu vou te contar meus segredos, porque eu também vou te conhecer a fundo. E você vai estremecer, e me segurar, mas não vai se afastar. Um dia, nós vamos ter muito mêdo. Mas vai passar...

... Estou um pouco triste, mas acho que é de tanto não poder aproveitar o sol...

... Não sei se quero fazer faculdade à noite. Quer dizer, isso vai me levar a trocar o dia pela noite que eu sei... eu não sei se quero ser completamente notívaga... e abdicar do sol do meio-dia...

Estou amoral, apolítica, atudo. Nada parece importar. Mesmo o brilho do sol acaba no fim do dia. E o vento... o vento sopra e parece que leva embora tudo o que é efêmero...

Este mormaço por dentro me faz tão indisposta
Lá fora, lá fora... nada me diz nada...
Se eu gritar, ouvirei resposta?
Se eu gritar...

Quero pedir que me adormeça ou me acorde. E que a vida seja um destino. Que haja energia em tudo. Mas talvez seja mais certo simplesmente ir dormir e esperar que amanhã eu não me sinta assim.

... Mas olha: eu quero dançar com você.

Terminando a nossa conversa, Yuri: eu não "amo" nada. Não amo essa paz. Gosto dela, mas às vezes queria ter mais energia que isso, mais paixão, mais desejo de guerra como eu costumava ter. Queria ser capaz de revidar aos golpes que recebo, queria ser capaz de lutar, ou de ao menos enxergar meu inimigo...

... Quero chorar.

O dia parece que poderia durar pra sempre. Minha situação se inverteu: não quero mais viver apenas os fins de semana, prefiro viver apenas os dias de semana. Ou talvez apenas a sexta-feira. Porque é você quem me faz sentir mais viva, a sua presença e a sua falta... Mas...

... Quero pôr-do-sol.

I wear rubber bands around my soul... They keep me from crawling...

sábado, 26 de agosto de 2006

Hmmm....

Hoje subi numa árvore.
Era uma árvore baixinha, com um buraco onde era fácil se apoiar. Em todo caso era uma árvore. Subi, deitei num galho e fiquei lendo O Livro de Merlin, lendo sobre o Homo ferox, o Homo stultus e o Homo impoliticus (que na verdade são todos o mesmo homem), lendo sobre um rei amargurado e velho e um mago rejuvenecido e feroz. Subi e, deitada, num galho, li sobre os gansos selvagens, mais belos e mais felizes que as formigas vermelhas... Enfim, a Questão Britânica. De modo geral, algo que só um inglês do segundo quinto do século vinte poderia escrever...

Mesmo assim, cada segundo sobre aquela árvore me pareceu um segundo de paraíso... e não digo diferente dos segundos subseqüentes... Quero... quero descobrir mais formas novas de sorrir tranqüilamente...

Menina, ela mete medo
Menina ela fecha a roda
Menina não tem saída
De cima, de banda ou de lado

Menina olhe pra frente
Menina, todo cuidado
Não queira dormir no ponto
Segure o jogo, atenção (de manhã)


É sempre possível vencer o mêdo, não é? Menina, amanhã de manhã quando a gente acordar...