domingo, 30 de maio de 2010

Tsc

Ontem escrevi mais algumas coisas que achei melhor não publicar.

Não estou tão preocupada agora, só... Não sei o que fazer. Mesmo.

Não sei o que fazer.

Tudo me parece tão confuso.

Eu não quero estar aqui, eu quero estar fazendo alguma coisa.

Mas eu não sei o quê.

Me parece que nada disso me dá prazer nem me faz uma pessoa melhor.

Eu preciso...

Eu preciso de alguém que me ajude a enxegar uma forma de crescer, eu cansei de ficar parada. Eu estou tão pequena, eu sou tão criança, e por outro lado eu não me considero mais criança, acho que isso é parte do conflito. Eu quero sempre dizer não, eu não sei, eu não sei nada, eu não faço a menor idéia, me ensina. Quase sempre eu não entendo nada. Eu sou tão pequena, eu me agarro às suas pernas, me conta do seu trabalho, dos seus alunos, dos seus planos de vida, me faz imaginar o que é ser adulta outra vez. Eu sento no tapete da sala, eu abraço meu gato, o que eu faço agora, eu nem sei o que estudar, nem que trabalho eu posso fazer, não tenho a menor idéia de como chegar mais perto do meu futuro. As pessoas ao meu redor estão sempre estudando, trabalhando, pesquisando, procurando, sempre falam dos seus projetos, das suas dificuldades, da falta de tempo, da exigência da vida, do próximo desafio, dos percalços, de um trabalho do ano passado, de uma iniciação científica, de uma entrevista de emprego, de....

Um, acabei de descobrir que na minha prova de estrutura de dados eu reinventei um algoritmo bastante respeitado para resolver uma questão... e depois apaguei tudo porque interpretei errado um conceito e dei uma resposta bem menos interessante (e menos válida talvez). Que saco, eu preferia fazer menos esse tipo de coisa.

Enfim, o problema é que eu não entendo nada disso. Eu não entendo nada de viver a vida. Eu me envergonho da forma como eu vivo a vida, como eu não trabalho, não estudo, não faço porra nenhuma. Eu não sei como mudar. Eu não sei o que fazer. Eu queria adotar alguém de mestre, implorar ensina-me a viver!

E aí eu recebo doses minúsculas de ajuda, de conhecimento, de sentido da vida, pra me levar por mais um dia, mais uma noite, mais alguns segundos pra quem sabe um dia conseguir alguma coisa.

Você é quem gostaria de ser? Pelo menos um pouco?

Às vezes eu me dou conta de que quase todos os meus amigos estão mais próximos do que eu do que eu gostaria de ser, nos âmbitos profissional e acadêmico. Tão pouca coisa precisava ter sido diferente para eu ter essas coisas também. Mas enfim.

Eu não vou fugir. Eu posso continuar tendo fé.

6 comentários:

Tito Peçanha Leitão disse...

ninguém sabe muito bem o que está fazendo.
as pessoas que eu conheci que sabiam muito bem o que estavam fazendo eram ou completamente loucas ou inacreditavelmente desinteressantes.

sinto que tudo o que eu faço são sopros no vento.
A entrega (planagem) tem me parecido a melhor resposta.
Quem sabe um dia a gente se encontra e tudo faz sentido,
sei lá,
até lá a gente continua meio planante mesmo.

Pioux's disse...

Humm...
Acho que decidir não é muito o seu forte =p.... Mas não quer dizer que você não possa fazer!
Escolhe alguma coisa que você admira um pouco e tem vontade e faça! Mas ponha todo o seu esforço nisso em determinado tempo! Pelos menos um mes ou coisa assim.... Isso te mostra um pouco como é viver e conviver com aquilo....
As vezes agente não sabe o que buscar.... Mas se agente parar um pouco e se dedicar a qualquer coisa vai procurar coisas para buscar dentro dessa primeira coisa.... Isso ajuda...
Eu acho! Boa sorte com isso... =)

aline disse...

acho que ninguem sabe, de verdade. só posso falar por mim. eu nao consigo nem entender o que esta acontecendo comigo. enho a impressao de que tudo esta acontecendo a meu redor, mas eu continuo parada, standing still. nao sei.. além disso, é muito mais facil falar dos seus planos, dos seus projetos ficticos do que admitir que voce esta totalmente entregue. eu sinto que tenho vivido em algumn romance da virginia woolf. só espero nao ter o mesmo fim. talvez o de orlando, mas nao sei.

Tássio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tássio disse...

Uma criança, em casa, se deixa ficar amuada porque não quer brincar do que outros (que estão longe, em suas próprias casas) querem? Acho que ela prefere criar as brincadeiras dela, dado que ela tenha espaço para isso. Se as coisas que as pessoas fazem não nos apetecem, vamos inventar coisas para fazer, seja novas coisas, seja coisas esquecidas. Vamos brincar.

Iann Gabriel disse...

Está no caminho acredite..
Não vou falar o que penso.. muito merchan.. "A grama do vizinho está mais verde".. hum.. "o seu copo está meio vazio".. humm.. É.. acho que um sorvete de chocolate pode te ajudar a achar a engrenagem. =)