quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Dúvidas de apaixonados

Como é difícil falar com você sem você saber que eu te amo. Como me tortura quando trocamos olhares e você não sabe o quanto o meu é desejoso. Toda vez que falamos tenho vontade de gritar, de confessar minha paixão de uma vez por todas, de me livrar desse segredo e dessa dor. E me deliciaria ver, mesmo que só por um instante, a resposta relampejar nos seus olhos, a verdade por um instante, seus sentimentos, surpreendidos antes que a máscara das atitudes os cobrisse para mostrar a Resposta Adequada. Seria incrível, e esse desejo quase me leva à ação, mas me contecnho, não posso. Tenho mêdo demais: uma previsão me apavora. Não é que eu tenha mêdo da sua rejeição - de fato já estou prevendo que meu amor será rejeitado, ou então haveria aquele lampejo de esperança que acabaria por subjugar os meus temores. Sim, se fosse possível que você me amasse como eu a amo, eu poderia criar coragem, e um dia, quando por sorte ou por engenharia nos encontrássemos a sós, eu sussurraria para seus olhos a verdade de tudo o que vejo neles. Sim, mas... Mas eu poderia viver com a rejeição se minha confissão fosse feita na esperança de um final contigo. Mas assim como estamos, queria te contar tudo o que penso e sinto apenas porque me aflije tanto guardar estes segredos de você. Por que não posso ser sincera? É que tenho mêdo da Máscara, aquela que você provavelmente vestirá para me explicar que não pode, que não é isso que você quer comigo. É esse o meu mêdo? A mentira convencional que pairará entre nós toda vez que eu a vir sabendo que você sabe, sabendo que se apenas as coisas fossem um pouco diferentes, talvez pudesse dar certo? Será que tenho mêdo de arruinar tudo entre nós? Não, não é isso ainda. No fundo eu sei do que tenho mêdo. Na verdade o que me aflije é prever que, você sabendo, e mais que isso, eu tendo contado em voz alta e visto a sua reação e aquele lampejo de veracidade em seus olhos, eu não seria capaz de conter por mais nem um segundo a torrente de afeto que quer jorrar em você. Eu sei que posto assim parece até um pouco nojento - e é assim mesmo que me sinto quando penso que depois de me abrir com você eu nunca mais conseguiria falar contigo sem falar de amor, ou caminhar contigo sem querer segurar tua mão, ou estar do seu lado sem te envolver em meus braços, porque é como se eu tivesse uma válvula segurando tudo isso, e segurando forte, mas que uma vez aberta não vou conseguir fechar. E eu não quero: eu não posso destruir o que existe entre nós, mesmo que não seja quase nada; eu não quero destruir o nosso respeito, essa nossa distância, que permite que vivamos vidas separadas, e que permite, e talvez isso seja o mais importante, que eu possa viver minha vida sem precisar de você.

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