terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Ei, maninho,

Feliz aniversário,
Que tudo esteja azul,
'Cê é muito gente fina,
Bacana pra xuxu!


Enfim, hoje é o dia do seu aniversário e eu pensei em fazer uma homenagem a você. Você sabe e eu sei que já fizemos muitas homenagens um ao outro em nossos blogs - é que é assim que a vida funciona, nós dialogamos, nós nos alimentamos um do outro, nós fazemos uma canção em conjunto, nos criamos o mesmo mundo - mas este ano nós ficamos meio distantes, e eu lembro na praça do pôr do sol quando você me abraçou e pediu pra não sumir de novo, e agora eu estou aqui fora da cidade, longe de você e de mais um monte de gente, e pensando se isso é certo, se é certo eu ficar aqui longe, aqui onde eu não posso te abraçar e falar sobre a vida com você.

Sabe, maninho, de todas as pessoas que eu conheço você é a que eu mais vi mudar. Eu vi meus irmãos, meus pais e meus primos mudando, mas meus primos estavam meio distantes, meu pai está se assentando sobre o que ele sempre foi, minha mãe está lutando contra algo que só ela pode enfrentar, e meus irmãos talvez estejam até perto demais pra eu conseguir entender a mudança, ou talvez eles sejam muito suaves, muito tranqüilos, e estejam apenas se tornando o que eles já prometiam ser de qualquer forma. Você não.

Não, Ugo, você mudou radicalmente, bruscamente e muitas vezes desde que eu te conheci. E eu também, contigo. Começamos como o Squick e a Ma, tímidos e meio perdidos em meio a todas aquelas pessoas determinadas, exageradas, da ação comunitária. Eu estava começando a descobrir que podia ter meus próprios amigos, mas ainda estava meio deslumbrada por aqueles nerds maconheiros que fizeram a gente decorar legião-urbana... E você era um garotinho minúsculo (menor do que eu!), de voz fina e parecido com um ratinho, mas eu nunca vou esquecer o dia eu que você ficou puto com as crianças e começou a vociferar e a dar ordens e todo mundo ficou com mêdo de você - pra provar que o que veio depois estava só esperando pra aflorar. Também não consigo esquecer o dia em que você propôs que a gente fosse na sua casa ler, e como todos nós rimos de você, e como eu me envergonho disso, porque hoje em dia me pareceria uma ótima idéia a qualquer momento.

Depois passou um ano em que estivemos separados, e foi o ano em que eu aprendi a me apaixonar e em que mudei completamente de amigos, e pra você foi um ano de ficar longe dos amigos que você tinha, e não consigo imaginar como foi pra você - mas sei que quando te encontrei de novo, 20cm mais alto e de voz grossa, nós dois éramos pessoas muito diferentes, e ainda assim fomos nós que voltamos a ser amigos quando todo o resto do antigo bando tinha se esfacelado. Pois é! Nada mais de Bruno Azem, nada mais de nerds maconheiros, quase nada tinha restado daquele grupo que acumulou tantas lendas na minha memória. E também, agora éramos colegiais, e nossos interesses mudaram. E no começo foi um pouco estranha a forma como você nos seguia como se fôssemos heróis, só porque tínhamos ficado tanto tempo longe e eu e meus amigos éramos um pouco mais velhos e talvez um pouco mais arrogantes. E alguns dos nossos amigos eram pessoas pentelhas que ficavam pegando no nosso pé ininterruptamente, e eu me tornei a Mali minúscula de se pegar e morder e você virou o Ches, que as meninas apertavam como um brinquedo e os moleques zoavam, e acho até que eu fiquei aliviada quando eles começaram a pegar no seu pé porque eu já estava de saco cheio. Mas a gente passou por isso, eu porque estava apaixonada por eles, e você em parte por isso, em parte porque você podia aturar algumas pessoas de quem você não gostava pra ficar com a parte de que você gostava, o que é admirável. E houve momentos em que nós ficamos sozinhos e pudemos brincar das velhas coisas de que a gente sempre brincara sem interferência de quem queria achar a gente ridículo.

É claro que essa fase valeu a pensa: teve o pirate's tale, viagem pra fazenda, nossas história de vampiros e lobisomens, e tudo o mais que a gente inventou e trocou e imaginou e viveu. Foi legal pra caralho! Mas acho que essa fase teve que passar e a gente teve que sair daquela muvuca que era o colegial pra eu poder virar Marina e você, Ugo. E eu lembro que de repente você deixou de ser um garoto doce e divertido pra ficar revoltado e agressivo. Muito agressivo! Por vários meses eu fiquei com mêdo de você, porque você estava bravo com tudo, e odiava tudo, e queria que todo mundo te respeitasse mas não sabia como merecer esse respeito, e você queria ser um grande psicólogo mas ainda não sabia nada de psicologia. E aí você entrou na faculdade, começou a estudar e a ler mais, fez kung-fu, e começou a entrar nos eixos e levar as coisas mais na boa, e foi inevitável que nos tornássemos melhores amigos. Sabe o quê, maninho, você conseguiu o respeito que você queria.

Acho que é por ter visto todas essas mudanças que eu me orgulho tanto de você. Sabe, você já disse e pensou tanta merda na vida, já acreditou em tanta coisa errada, e já foi tão ignorante de tanta coisa! Mas agora você tem seu chão pra defender, e é um belo chão. Eu ainda discordo pra caralho de você, mas agora ninguém pode achar que você é bobo pelas coisas nas quais você acredita.

Você se tornou um belo homem, maninho. Estou curiosa para ver como mais você vai mudar - como nós vamos nos transformar - daqui em diante.

2 comentários:

Bruno disse...

uau. belas palavras. belo elogio. belo desenvolvimento de vocês se aproximando da humanidade. não a humanidade que existe hoje em dia, mas o ideal de humanidade.

Hita disse...

Sem duvidas, um texto com carinho senti muita emoção nas palavras.

Imagino como seria tudo diferente se vocês não tivesem um ao outro pra compartilhar eses momentos.

Ainda bem que se conheceram.