Savvy, há alguns meses atrás eu escrevi um texto em minha agenda (e consegui, com muito esforço, lê-lo em voz alta para a pessoa de quem o texto falava) em que eu dizia que seria sincera. Sinceridade... Acho, na verdade, que cometi uma falta: quando amamos sem restrições, quando sabemos o que queremos, é fácil ser sincero. Mas e quando não sabemos? E quando estamos em dúvida, quando pensamos coisas que nunca deveríamos pensar?
Liberdade de pensamento? Hoje?
Ontem à noite eu escrevi um post tão sincero... Me dói saber que nunca o lereis, leitores. Falei, mesmo que apenas nas entrelinhas, tudo o que de terrível me corroía a alma e o coração (mais o coração do que a alma). Falei de tudo, de todos, sem dizer nada a ninguém. Traí-me, lembrei de dias antigos, cantei os sonhos e os risos de outras pessoas. Pela primeira vez, decidi contar o que me afligia. Mas então, numa tremenda sacanagem do destino, o computador deu erro, fechou o programa sem me dar tempo de salvar o texto. Assim, pá-pum. 'Cabou.
Sabe... A palavra sincero me lembra de uma das pessoas mais sinceras que eu conheço... Não a que diz mais verdades, mas a que transpira mais verdades... As pessoas normalmente não deixam que seus verdadeiros sentimentos venham à tona. Isso é tão chato. Tão feio. Tão triste. Uma prisão de sentimentos. Difícil dizer. Mas eu realmente nunca tinha reparado que a palavra sincero me lembra de uma pessoa sincera. Na verdade, ela apenas me lembra Chinchero, que é um lugar que nunca conheci (e talvez nunca conheça).
Acho que eu gosto dessas pessoas... pragmáticas... que conheço... Essas que sabem que não adianta nada ficar refletindo sobre as coisas, que o melhor é agir, simplesmente. Essas pessoas simples, que convivem com o complicado. Eu sou mesmo complicada. Não me incomoda muito. Eu posso pensar, fazer e sentir muitas coisas ao mesmo tempo, mesmo que elas se contradigam. Vou além do duplipensar - chego a um dupliquerer, duplisentir. Me contradigo, sim. O tempo todo. Tento ser racional, e não consigo. Acho que é por isso que é tão difícil ser sincera.
Pausa.
Mas isso não significa que eu tenha dito que não gosto de chocolate. Isso foi invenção de vocês, roedores, lhamas e outros seres estranhos, que ficaram subvertendo o que eu dizia. ¬¬''
Despausa.
Oh, sim, eu sou mesmo Labwa, a rainha-leoa, ou Raksha, a demônia-loba. Oh, sim. No fundo, quem me rege é o medo, a fome e o amor. O resto, realmente, não importa.
Até segunda-feira, quando eu voltar de viagem. Amo todos vocês.
palavra por palavra, procuro chegar, devagar, ao lugar de La Loba.
"O silêncio", disse o griot,"só é escuro no começo..."
quinta-feira, 21 de julho de 2005
quarta-feira, 13 de julho de 2005
Sem Olhar para Trás
O mais incômodo é que eu vejo os posts antigos e ler mesmo seus títulos já me traz tal agonia que quero fechar os olhos e desligar o computador. Não consigo ler nada que seja anterior ao dia 2 de julho (que foi quando saí de São Paulo).
Quando chegou na casa da Clara, uma das primeiras coisas que a Mysa disse foi "Você está mudado"... Ela disse isso para o Charles, sem conseguir explicar direito o quê. Depois, quando foi me cumprimentar repetiu singelamente a frase - porém no feminino - e eu me senti bastante confundida.
É verdade. Mudei muito.
Mudei tanto que nem posso dizer precisamente quanto mudei. Não consigo, não posso explicar tudo o que sinto de diferente em mim. Antes de receber a terrível notícia, já diria que o mundo havia morrido para mim, e que eu não sabia em que terras pisava. Tudo muito confuso. Muito confuso.
"Não vou dizer que foi ruim
Também não foi tão bom assim..."
Eu diria que parte de mim nunca será encontrada. Estou vazia o suficiente para decidir para onde quero ir. Tenho uma vaga noção do meu destino. Quero aprender e ensinar. Quero meus amigos. Quero ver minha mãe sorrir. Quero a Cajaíba. Quero conviver com a família.
Acho que vou para o sítio. Vai me fazer bem.
Mas não descarto a possibilidade de pegar um ônibus e passar a tarde numa cidadezinha pequena e desconhecida...
Quando chegou na casa da Clara, uma das primeiras coisas que a Mysa disse foi "Você está mudado"... Ela disse isso para o Charles, sem conseguir explicar direito o quê. Depois, quando foi me cumprimentar repetiu singelamente a frase - porém no feminino - e eu me senti bastante confundida.
É verdade. Mudei muito.
Mudei tanto que nem posso dizer precisamente quanto mudei. Não consigo, não posso explicar tudo o que sinto de diferente em mim. Antes de receber a terrível notícia, já diria que o mundo havia morrido para mim, e que eu não sabia em que terras pisava. Tudo muito confuso. Muito confuso.
"Não vou dizer que foi ruim
Também não foi tão bom assim..."
Eu diria que parte de mim nunca será encontrada. Estou vazia o suficiente para decidir para onde quero ir. Tenho uma vaga noção do meu destino. Quero aprender e ensinar. Quero meus amigos. Quero ver minha mãe sorrir. Quero a Cajaíba. Quero conviver com a família.
Acho que vou para o sítio. Vai me fazer bem.
Mas não descarto a possibilidade de pegar um ônibus e passar a tarde numa cidadezinha pequena e desconhecida...
Blargh
Eu não tenho muito o que falar, mas eu preciso postar alguma coisa para que alguém comente. Então aí vai:
Não fiquem com dó de mim. Como bem disse um grande amigo meu, "dó é um sentimento que não devia existir". Eu não quero apenas ser consolada e abraçada, eu quero acima de tudo voltar ao mundo real e combater como Tikshi que sou. Ele também disse que "a inocência é um crime", que é outra coisa com a qual eu concordo. Nunca poderemos estar livres de todos os pecados. Alguém disse que a união mais forte e eterna é o ódio, e eu achei bastante lógico, mas sem importância.
Comentem.
PS.: Eu acabei de me dar conta de que Raksha, em hindu, é demônio. Estou começando a achar que fui corrompida, oras...
Não fiquem com dó de mim. Como bem disse um grande amigo meu, "dó é um sentimento que não devia existir". Eu não quero apenas ser consolada e abraçada, eu quero acima de tudo voltar ao mundo real e combater como Tikshi que sou. Ele também disse que "a inocência é um crime", que é outra coisa com a qual eu concordo. Nunca poderemos estar livres de todos os pecados. Alguém disse que a união mais forte e eterna é o ódio, e eu achei bastante lógico, mas sem importância.
Comentem.
PS.: Eu acabei de me dar conta de que Raksha, em hindu, é demônio. Estou começando a achar que fui corrompida, oras...
terça-feira, 12 de julho de 2005
Num momento tão confuso, você me vem com essa de ir embora...
Meus sentimentos em ebulição.
Meus sentimentos fervendo, fervendo; e no meio dessa ebulição, no meio dessa sublimação, de repente, de repente...
Minha mãe chorando, meu vô chorando, todos eles. A Tamy. O Clayton. O Ma, o Gabi e o Pedro irmãos de luto. E eu luto. "Não segure nada", diz a Rê me abraçando; às vezes eu posso ter muitas mães. E eu preciso. Saudades da Ada (olhos vermelhos), do Max (abraço forte), do Urso (sorrindo, a vida). Inúmeras flores. Filhos. A vida inteira.
Ainda não entra na minha cabeça.
Acho que entendi porque a morte é tão absurda e misteriosa. Ninguém consegue aceitar quando algo muda tão brusca e irreversivelmente a nossa vida. A gente não consegue entender, nem atinar com nada. Se eu acordar amanhã, posso achar que foi tudo um sonho. então vou olhar pro meu calendário, e saber que não. Ninguém consegue compreender que certas coisas não podem se repetir.
O que a Giu e a Carol vão dizer? E pensar e sentir?
O anel que tu me deste era ouro e se quebrou.
...
"Ela está na liberdade", disse a Vó (agora vocês já sabem qual), e eu pensei na liberdade e o sol e céu iluminado e azul e flores e árvores e o gramado e pensei que ela estava num rio no Pantanal. A liberdade, o que mais ela poderia querer?
...
Minha vó morreu ontem de manhã.
Uma porção de netos (nem todos de sangue). Uma borboleta voa livre. Heróis árabes atravessam o deserto dos meus pensamentos em camelas velozes brandindo cimitarras furiosas; um cavaleiro negro conquista vales e montanhas e pedras como as de Minas.
Na verdade a Vó era mineira.
Um lobo pela noite persegue e devora a caça que grita, Grita, GRITA! Seus dedinhos quadrados, suas histórias pra dormir e de repente, de repente...
E a Carminha? E o Tute? E os cachorros? E todos os que dependiam dela?
"Tem dias em que o mundo fica escuro
Tem dias em que o céu,
por mais que azul profundo,
Pára, estanca, acinza e fica mudo
Cála quieto.
Tem dias em que o vento não ousa balançar as àrvores
e elas apenas soluçam com a brisa, num murmúrio.
Tem dias em que a gente morre.
Todo dia gente morre.
Mas às vezes dói.
Dói muito mais.
Tem dias em que Deus,
por mais que céu e mundo,
é aquele que segura a mão
que estendemos.
E o tempo não corre."
Meus primeiros pensamentos quando olhei pela janela do hospital.
E a gente ri porque a vida continua. O Ennzo brincando com a vaca.
Eu não sei porque a Vovó estendeu a mão a Deus, deixando-nos no chão. Acho que ela sabia que a gente era forte. Que ela podia... Acho que ela nunca se importou tanto com ela mesma. Ela vivia para os outros. Acho que "alguém lá em cima sabe o que está fazendo. Tem que saber", disse minha mãe. Agora eu sei que a família vai estar em volta dela. Minha mãe sempre foi assim.
Meus olhos doem.
Essa onda não volta mais.
Meu coração não sabe onde bater; estou perdida. No meio dessa ebulição, dessa sublimação, alguma coisa me faz perder meu norte e me agarrar à Terra. Promessas, rezas, nada foi em vão.
A bem da verdade, minhas últimas rezas foram de negação do que o coração já sabia. Antes de sair de casa, o último pedido a Deus foi de que desse forças à minha mãe e aos meus tios para cuidar de minha vó e para sobreviver, a isso, a ela.
Dedos de demônio apertando minhas costelas no desejo de um pecado.
Uma canção de ninar.
Um chocolate; O Mágico de Oz, jogo do palito, xadrez, valsa, tudo o que ela me ensinou.
Um Pégaso voando no vento, tocando as músicas da rádio Eldorado.
Uma voz doce que eu nunca mais ouvirei, chamando nossos nomes...
Meus sentimentos fervendo, fervendo; e no meio dessa ebulição, no meio dessa sublimação, de repente, de repente...
Minha mãe chorando, meu vô chorando, todos eles. A Tamy. O Clayton. O Ma, o Gabi e o Pedro irmãos de luto. E eu luto. "Não segure nada", diz a Rê me abraçando; às vezes eu posso ter muitas mães. E eu preciso. Saudades da Ada (olhos vermelhos), do Max (abraço forte), do Urso (sorrindo, a vida). Inúmeras flores. Filhos. A vida inteira.
Ainda não entra na minha cabeça.
Acho que entendi porque a morte é tão absurda e misteriosa. Ninguém consegue aceitar quando algo muda tão brusca e irreversivelmente a nossa vida. A gente não consegue entender, nem atinar com nada. Se eu acordar amanhã, posso achar que foi tudo um sonho. então vou olhar pro meu calendário, e saber que não. Ninguém consegue compreender que certas coisas não podem se repetir.
O que a Giu e a Carol vão dizer? E pensar e sentir?
O anel que tu me deste era ouro e se quebrou.
...
"Ela está na liberdade", disse a Vó (agora vocês já sabem qual), e eu pensei na liberdade e o sol e céu iluminado e azul e flores e árvores e o gramado e pensei que ela estava num rio no Pantanal. A liberdade, o que mais ela poderia querer?
...
Minha vó morreu ontem de manhã.
Uma porção de netos (nem todos de sangue). Uma borboleta voa livre. Heróis árabes atravessam o deserto dos meus pensamentos em camelas velozes brandindo cimitarras furiosas; um cavaleiro negro conquista vales e montanhas e pedras como as de Minas.
Na verdade a Vó era mineira.
Um lobo pela noite persegue e devora a caça que grita, Grita, GRITA! Seus dedinhos quadrados, suas histórias pra dormir e de repente, de repente...
E a Carminha? E o Tute? E os cachorros? E todos os que dependiam dela?
"Tem dias em que o mundo fica escuro
Tem dias em que o céu,
por mais que azul profundo,
Pára, estanca, acinza e fica mudo
Cála quieto.
Tem dias em que o vento não ousa balançar as àrvores
e elas apenas soluçam com a brisa, num murmúrio.
Tem dias em que a gente morre.
Todo dia gente morre.
Mas às vezes dói.
Dói muito mais.
Tem dias em que Deus,
por mais que céu e mundo,
é aquele que segura a mão
que estendemos.
E o tempo não corre."
Meus primeiros pensamentos quando olhei pela janela do hospital.
E a gente ri porque a vida continua. O Ennzo brincando com a vaca.
Eu não sei porque a Vovó estendeu a mão a Deus, deixando-nos no chão. Acho que ela sabia que a gente era forte. Que ela podia... Acho que ela nunca se importou tanto com ela mesma. Ela vivia para os outros. Acho que "alguém lá em cima sabe o que está fazendo. Tem que saber", disse minha mãe. Agora eu sei que a família vai estar em volta dela. Minha mãe sempre foi assim.
Meus olhos doem.
Essa onda não volta mais.
Meu coração não sabe onde bater; estou perdida. No meio dessa ebulição, dessa sublimação, alguma coisa me faz perder meu norte e me agarrar à Terra. Promessas, rezas, nada foi em vão.
A bem da verdade, minhas últimas rezas foram de negação do que o coração já sabia. Antes de sair de casa, o último pedido a Deus foi de que desse forças à minha mãe e aos meus tios para cuidar de minha vó e para sobreviver, a isso, a ela.
Dedos de demônio apertando minhas costelas no desejo de um pecado.
Uma canção de ninar.
Um chocolate; O Mágico de Oz, jogo do palito, xadrez, valsa, tudo o que ela me ensinou.
Um Pégaso voando no vento, tocando as músicas da rádio Eldorado.
Uma voz doce que eu nunca mais ouvirei, chamando nossos nomes...
em
alarara,
mãe,
passado,
poética,
sentido da vida,
toca da lôba,
verso,
zaforitos
quinta-feira, 30 de junho de 2005
Cavalos Negros
Você já teve aquela sensação de que quem comanda a sua vida não é você? Pois é. Nestes últimos dias, tenho tido a impressão de que a consciência e a razão não me servem de nada. Quem controla minhas ações durante o dia não são vontades razoáveis do intelecto nem lógica nem sensibilidade. Sou, é verdade, dominada por substâncias químicas. Quem me controla agora é o corpo.
Na verdade apenas obedeço aos impulsos autoritários do estômago (e dos outros sentimentos da região abdominal, com o qual dividem espaço): meu corpo diz Coma carne! e eu como carne; meu corpo diz Durma! e imediatamente dormir é a única coisa da qual me acho capaz de fazer.
Ultimamente meu corpo tem dito para eu encher menos o prato (talvez um reflexo de estar fazendo menos esportes e, conseqüentemente, gastando menos energia), mas é dificílimo lutar contra hábitos alimentares... Mas estou tentando, estou tentando...
O curioso é que nunca eu realmente considerei uma coisa ruim essa inversão de papéis. De modo geral meu corpo tem consciência de quanto tempo eu posso ficar fazendo trabalho da madrugada quando deveria estar dormindo - se eu apenas seguisse as ordens da minha mente metódica e racional, perderia preciosas horas de descanso e não conseguiria manter-me em pé durante o dia seguinte... Meu corpo também sabe que às vezes eu simplesmente preciso comer folhas brancas de alface, às outras é mister um café da manhã reforçado, periodicamente é indispensável alguma atividade física, etc.
Mas nem tudo são flores neste mundo ventral: outro dia, sentia uma fome quase despropositada, e tão intensa que não conseguia pensar em pegar pratos ou qualquer outra coisa, via a comida e agarrava-a em minha boca como um macaco em jejum; quando tento me dedicar a aprender, exaspero-me fàcilmente e só uma força de vontade sobrenatural faz-me persistir na empreitada; ler não consigo, quando começo paro de frio ou fome ou sono. Como se não bastasse não contenho irritação, raiva, desânimo, inquietação, distração e desespero sem sentido (pelos quais, aliás, gostaria de pedir algumas desculpas...)!
Minhas emoções estão mais vagas que nuvens, mas intensíssimas: não raro choro vendo filmes toscos ou seriados repetitivos. Apenas fico feliz que eu possa ver o Yuri quase todo dia, porque ficar sem ele verdadeiramente dói, e dói mesmo, uma coisa totalmente diferente do que eu estava acostumada.
Minha única explicação para isso é alguma desregulagem total dos hormônios - ou talvez (e essa possibilidade me assusta um pouco), talvez tudo isso seja um pouco normal, dada a minha idade, o meu estilo de vida e a minha situação atual (tudo o que está acontecendo no momento...)
Seja como for, o corpo e a mente se batem furiosamente tentando realizar cada um o seu ideal. Meu coração de criança continua incansável a bombear sangue, alheio à zorra total... Mas, às vezes, um de seus impulsos mais profundos confunde-se com algum sentimento ventral e desabo em reflexos e mágoas que o espírito humano não pode conceber. E o espírito, o vento soprando nas rodas deste carro romano? Não sei, não o vejo. Não vejo nada.
Open eyes.
Na verdade apenas obedeço aos impulsos autoritários do estômago (e dos outros sentimentos da região abdominal, com o qual dividem espaço): meu corpo diz Coma carne! e eu como carne; meu corpo diz Durma! e imediatamente dormir é a única coisa da qual me acho capaz de fazer.
Ultimamente meu corpo tem dito para eu encher menos o prato (talvez um reflexo de estar fazendo menos esportes e, conseqüentemente, gastando menos energia), mas é dificílimo lutar contra hábitos alimentares... Mas estou tentando, estou tentando...
O curioso é que nunca eu realmente considerei uma coisa ruim essa inversão de papéis. De modo geral meu corpo tem consciência de quanto tempo eu posso ficar fazendo trabalho da madrugada quando deveria estar dormindo - se eu apenas seguisse as ordens da minha mente metódica e racional, perderia preciosas horas de descanso e não conseguiria manter-me em pé durante o dia seguinte... Meu corpo também sabe que às vezes eu simplesmente preciso comer folhas brancas de alface, às outras é mister um café da manhã reforçado, periodicamente é indispensável alguma atividade física, etc.
Mas nem tudo são flores neste mundo ventral: outro dia, sentia uma fome quase despropositada, e tão intensa que não conseguia pensar em pegar pratos ou qualquer outra coisa, via a comida e agarrava-a em minha boca como um macaco em jejum; quando tento me dedicar a aprender, exaspero-me fàcilmente e só uma força de vontade sobrenatural faz-me persistir na empreitada; ler não consigo, quando começo paro de frio ou fome ou sono. Como se não bastasse não contenho irritação, raiva, desânimo, inquietação, distração e desespero sem sentido (pelos quais, aliás, gostaria de pedir algumas desculpas...)!
Minhas emoções estão mais vagas que nuvens, mas intensíssimas: não raro choro vendo filmes toscos ou seriados repetitivos. Apenas fico feliz que eu possa ver o Yuri quase todo dia, porque ficar sem ele verdadeiramente dói, e dói mesmo, uma coisa totalmente diferente do que eu estava acostumada.
Minha única explicação para isso é alguma desregulagem total dos hormônios - ou talvez (e essa possibilidade me assusta um pouco), talvez tudo isso seja um pouco normal, dada a minha idade, o meu estilo de vida e a minha situação atual (tudo o que está acontecendo no momento...)
Seja como for, o corpo e a mente se batem furiosamente tentando realizar cada um o seu ideal. Meu coração de criança continua incansável a bombear sangue, alheio à zorra total... Mas, às vezes, um de seus impulsos mais profundos confunde-se com algum sentimento ventral e desabo em reflexos e mágoas que o espírito humano não pode conceber. E o espírito, o vento soprando nas rodas deste carro romano? Não sei, não o vejo. Não vejo nada.
Open eyes.
sábado, 25 de junho de 2005
Eu não sou poeta
Eu sou poeteira
Eu sou cã de rua
ave poedeira
O que o poeta faz
é poetizar
Eu faço poema
sem romantizar
Poeteiros pôem
idéias no chão
pra nascer no barro
sua motivação
Eu não sou poeta
mas sei poetar
Sei pôr vida em verso
por verso falar
Faço rima sim
Ritmo qual baião
pra gente guardar
como uma canção
Mas faço também
verso livre, louco
Para desvairar
ao menos um pouco
Aqueles que acham
que todo poema
é só poesia
e independe o tema
verão-me na vida
latindo faceira:
Poetas do mundo,
eu sou poeteira!
Para todos aqueles que poetam sem discrição.
Eu sou cã de rua
ave poedeira
O que o poeta faz
é poetizar
Eu faço poema
sem romantizar
Poeteiros pôem
idéias no chão
pra nascer no barro
sua motivação
Eu não sou poeta
mas sei poetar
Sei pôr vida em verso
por verso falar
Faço rima sim
Ritmo qual baião
pra gente guardar
como uma canção
Mas faço também
verso livre, louco
Para desvairar
ao menos um pouco
Aqueles que acham
que todo poema
é só poesia
e independe o tema
verão-me na vida
latindo faceira:
Poetas do mundo,
eu sou poeteira!
Para todos aqueles que poetam sem discrição.
sexta-feira, 24 de junho de 2005
Ahem
Agora que eu já li muitos blogs, e enchi a cabeça de idéias e frases pra lá de esquisitas, acho que convém falar alguma coisa. Falar? Falar da boca. As palavras escorrendo lânguidas através da língua, dos dentes e dos lábios. Descubram a diferença entre farpa e pharpa, por favor. Mas não sobre isso. Pela primeira vez entendi a idéia de navegar na internet. Quer dizer, antes do advento dos blogs não havia lá muito sentido em ficar saltando de um site para outro, sem rumo, sem objetivo, até a conexão cair. Mas agora, ah, sim, agora tudo faz sentido!
É realmente uma pena que a moça de Osasco que eu acompanhei da Fonseca Rodrigues até o colégio (ela queria chegar no shopping) não possa absolutamente participar desse ciclo. É terrível que pessoas tão, assim, semelhantes a nós, não possam juntar-se a nós no nosso coro cacofônico a favor da liberdade... Liberdade? De novo a pergunta: "Democracia, hoje?" Parece piada. Acho que é. Somos todos rês desgarradas. Terrivelmente o grupo que pode se exprimir por letras virtuais não é um retrato ideológico da sociedade, mas um retrato imbecil da ideologia.
Preciso deixar a Klu dormir. Pensaremos nisso depois.
Para os inconformados: Sim, eu acho que minha opinião É importante.
Debaixo da frondosa castanheiraAgora sim. Como deve ser. Existencialistas com suas existências, absurdistas com seus absurdos, dadaístas com seus cachorros, mas todos conectados através da fala, do pensamento, da importância de suas vozes unilaterais dialogando eventualmente com seus inimigos. A blogosfera é um lugar deveras fascinante: é só entrar num site e seguir os links de citações (isso foi uma tentativa de evitar um anglicismo dispensável) e chegamos ao seu exato oposto. Curiosíssimo.
Eu te vendi e tu me vendeste
Nós aqui estamos e eles aqui estão
Debaixo da frondosa castanheira
É realmente uma pena que a moça de Osasco que eu acompanhei da Fonseca Rodrigues até o colégio (ela queria chegar no shopping) não possa absolutamente participar desse ciclo. É terrível que pessoas tão, assim, semelhantes a nós, não possam juntar-se a nós no nosso coro cacofônico a favor da liberdade... Liberdade? De novo a pergunta: "Democracia, hoje?" Parece piada. Acho que é. Somos todos rês desgarradas. Terrivelmente o grupo que pode se exprimir por letras virtuais não é um retrato ideológico da sociedade, mas um retrato imbecil da ideologia.
Preciso deixar a Klu dormir. Pensaremos nisso depois.
Para os inconformados: Sim, eu acho que minha opinião É importante.
segunda-feira, 20 de junho de 2005
Relembrando
19/5/2004
Foi um fim-de-semana perfeito. E eu sei que eu não sou a única que pensa assim. Sexta-feira foi tudo. Nunca vi. Foi dia santo, fora de série, desses que compensa e justifica o resto do bimestre inteiro. A hora do almoço foi, indubitavelmente, uma zona. Confusão dos diabos. Erros, desencontros, milhares de mal-entendidos. Finalmente uma decisão, daquelas tomadas dopando metade do cérebro. Corrupção no mundo sem lei do inconsciente humano...
A pati daí foi sussa. Fomos almoçar na cantina, e o Pedro Lopes apareceu com a namorada dele, Raquel(que btw é muito, tipo, 'Par Perfeito' dele... ); convesamos com uma pá de gente... Fomos para o Comênius, e foi muito divertido, fizemos pão, brincamos, falamos bobagens até; na volta sentamos no fundo da perua, idioticamente. Chegando, corremos(ou melhor, eu corri — não vejo como o Yuri faria isso tb, dadas as cicunstâncias) por cima do Artur, que estava me segurando, fomos meio correndo até a marginal, andamos apressados até o cinema do Villa, ligando para o Pedro no caminho, pegamos nossas entradas e entramos no começo do filme, ouvindo um resumo resumido do que havia acontecido. Diários de Uma Motocicleta... Filme animal! Saindo de lá encontramos o Paulo, por acaso, e ficamos meio sem rumo, Pedro e Raquel foram-se embora, andamos muito, fomos na Hi-Happy, conversando sobre brinquedos de infância, Pica-Pau e outras bobagens; rodamos várias vezes o primeiro andar antes de pararmos na Gelateria Parmalat(cara mas deliciosa... hmmm... — a Lubs encontrou um amigo, o Márcio e a Lygia surgiram do nada, junto com o MF e mais alguém. E ficamos ali, enrolando, eu não tinha dinheiro mas o Yuri me emprestou uma Taça(três bolas com direito a cobertura por R$6,75), e ficamos os quatro — Diogo, Dobby, Yuri e Eu — jogando conversa fora e tomando sorvete devagar, tínhamos a vida inteira pela frente mas nenhum momento parecia mais perfeito para tão simplesmente desfrutar da amizade como uma coisa pura, excessivamente risonha, no meu caso.
Finalmente, chegaram as 19h30 e eu sabia que mamaecs estava chegando logo, então eu levantei, jogamos os copos no lixo, mas eu não queria ir embora, eu podia passar mais uma semana ali falando bobagem; aí eu atendi o telefone e falei rápido e peguei a mala e mal dei tchau para todo mundo(havia muita gente) e tive que ir sem beijo nem abraço entrar no carro, tchau, good bye, alfwiedersen, e a mãe ainda me reclama que eu não apresentei... ¬¬'' Awf...
Chegando em casa houve só banho, se arrumar quase pressa, fomos pruma festa, cover dos Beatles, na veia, música boa, coca-cola com limão e dança louca mas sem desespero, não. De novo, encontrei o Paulo(parece que eu o encontro em todo lugar, não?). Mas já estávamos da saída, aliás, o Marco e o Bruno tinham ido embora com minha mãe. Eu e a Lú saímos de lá com a Ana e o Olar, muito em ritmo de balada, torcendo para Satisfaction começar a tocar do nada...
"Curse me
and then just hurt me
till I can get my
satisfaction"
[para quem não conhece a música ou não curte balada isso deve soar como uma coisa porca, sem sentido... Mas é genial, va...]
Fomos até o Refugo Afastado conversando sobre balada, foi tudo. Chegando lá descemos para a cozinha fazer sanduba de queijo derretido e subimos para assistir The Beatles - The First U.S. Visit, e o filme parecia bom, mas o sono foi MUITO mais forte, e deixamos para outra hora.
Acordei com a imagem definitivamente inesperada de um cara fazendo snowboard na tela da TV. Fingi que 'tava dormindo, passou o Olar, conversou um pouco, o Bruno chegou a jogar uma ou duas vezes, até deixar o controle para mim. Dei-o de volta para Lú, ela estava tão empolgada! Passamos a tarde inteira nessa de 1080Snowboard. Só à noite, quando quatro mil pontos já estava realmente sem-graça para ambas, é que paramos paa ver o vídeo com a Ana Cíntia e o Olar. Foi perfeito.
Foi um fim-de-semana perfeito. E eu sei que eu não sou a única que pensa assim. Sexta-feira foi tudo. Nunca vi. Foi dia santo, fora de série, desses que compensa e justifica o resto do bimestre inteiro. A hora do almoço foi, indubitavelmente, uma zona. Confusão dos diabos. Erros, desencontros, milhares de mal-entendidos. Finalmente uma decisão, daquelas tomadas dopando metade do cérebro. Corrupção no mundo sem lei do inconsciente humano...
A pati daí foi sussa. Fomos almoçar na cantina, e o Pedro Lopes apareceu com a namorada dele, Raquel(que btw é muito, tipo, 'Par Perfeito' dele... ); convesamos com uma pá de gente... Fomos para o Comênius, e foi muito divertido, fizemos pão, brincamos, falamos bobagens até; na volta sentamos no fundo da perua, idioticamente. Chegando, corremos(ou melhor, eu corri — não vejo como o Yuri faria isso tb, dadas as cicunstâncias) por cima do Artur, que estava me segurando, fomos meio correndo até a marginal, andamos apressados até o cinema do Villa, ligando para o Pedro no caminho, pegamos nossas entradas e entramos no começo do filme, ouvindo um resumo resumido do que havia acontecido. Diários de Uma Motocicleta... Filme animal! Saindo de lá encontramos o Paulo, por acaso, e ficamos meio sem rumo, Pedro e Raquel foram-se embora, andamos muito, fomos na Hi-Happy, conversando sobre brinquedos de infância, Pica-Pau e outras bobagens; rodamos várias vezes o primeiro andar antes de pararmos na Gelateria Parmalat(cara mas deliciosa... hmmm... — a Lubs encontrou um amigo, o Márcio e a Lygia surgiram do nada, junto com o MF e mais alguém. E ficamos ali, enrolando, eu não tinha dinheiro mas o Yuri me emprestou uma Taça(três bolas com direito a cobertura por R$6,75), e ficamos os quatro — Diogo, Dobby, Yuri e Eu — jogando conversa fora e tomando sorvete devagar, tínhamos a vida inteira pela frente mas nenhum momento parecia mais perfeito para tão simplesmente desfrutar da amizade como uma coisa pura, excessivamente risonha, no meu caso.
Finalmente, chegaram as 19h30 e eu sabia que mamaecs estava chegando logo, então eu levantei, jogamos os copos no lixo, mas eu não queria ir embora, eu podia passar mais uma semana ali falando bobagem; aí eu atendi o telefone e falei rápido e peguei a mala e mal dei tchau para todo mundo(havia muita gente) e tive que ir sem beijo nem abraço entrar no carro, tchau, good bye, alfwiedersen, e a mãe ainda me reclama que eu não apresentei... ¬¬'' Awf...
Chegando em casa houve só banho, se arrumar quase pressa, fomos pruma festa, cover dos Beatles, na veia, música boa, coca-cola com limão e dança louca mas sem desespero, não. De novo, encontrei o Paulo(parece que eu o encontro em todo lugar, não?). Mas já estávamos da saída, aliás, o Marco e o Bruno tinham ido embora com minha mãe. Eu e a Lú saímos de lá com a Ana e o Olar, muito em ritmo de balada, torcendo para Satisfaction começar a tocar do nada...
"Curse me
and then just hurt me
till I can get my
satisfaction"
[para quem não conhece a música ou não curte balada isso deve soar como uma coisa porca, sem sentido... Mas é genial, va...]
Fomos até o Refugo Afastado conversando sobre balada, foi tudo. Chegando lá descemos para a cozinha fazer sanduba de queijo derretido e subimos para assistir The Beatles - The First U.S. Visit, e o filme parecia bom, mas o sono foi MUITO mais forte, e deixamos para outra hora.
Acordei com a imagem definitivamente inesperada de um cara fazendo snowboard na tela da TV. Fingi que 'tava dormindo, passou o Olar, conversou um pouco, o Bruno chegou a jogar uma ou duas vezes, até deixar o controle para mim. Dei-o de volta para Lú, ela estava tão empolgada! Passamos a tarde inteira nessa de 1080Snowboard. Só à noite, quando quatro mil pontos já estava realmente sem-graça para ambas, é que paramos paa ver o vídeo com a Ana Cíntia e o Olar. Foi perfeito.
quinta-feira, 16 de junho de 2005
De novo
Eu só estou postando aqui para inaugurar meu novo template e agradecer ao Bruno, que basicamente arrumou ele pra mim, e aos caras geniais que inventaram Blogger, Mozilla Firebird e as simpáticas cores yellowgreen e greenyellow!
Não sei se vocês notaram, mas as margens estão maiores, as cores estão diferentes (tá, isso eu sei que vocês notaram), alguns textículos foram ""traduzidos"" e eu pus uns poucos links a mais na lista de links, caso alguém se interesse.
Afinal, amanhã é sexta e o semestre "acaba" em dois dias. Boa sorte pra todos vocês!
A Lôba
Não sei se vocês notaram, mas as margens estão maiores, as cores estão diferentes (tá, isso eu sei que vocês notaram), alguns textículos foram ""traduzidos"" e eu pus uns poucos links a mais na lista de links, caso alguém se interesse.
Afinal, amanhã é sexta e o semestre "acaba" em dois dias. Boa sorte pra todos vocês!
A Lôba
terça-feira, 14 de junho de 2005
Just passing by
"Estou de saída. Sonhei hoje três horas e pensei Não, não será hoje que ficarei aqui mais um dia. O sol me enganou, meu fez pensar que era noite, mas não era: era manhã. Acordei apenas para dizer que hoje, debeixo do sol, aqui não fico mais. Se tivesses qualquer idéia do que me passa pela cabeça quando me levanto manhã bem cedo entenderia, preciso de mais água, preciso de mais ar e não preciso que me roubes todo o que respiro indecifravelmente. Vou-me agora - tua mãe pensará que tive algum bom motivo mas sabes que qualquer bom motivo seria apenas boa desculpa. Não não. Hoje não vou dar desculpa. Nenhuma, ouviste, nenhuma mesmo. Vou-me embora e é só. Passei aqui, é verdade, apenas para não deixar passar por vós que fui. Na verdade não passei aqui por motivo algum. Não me venha com tolices, minha partida nada tem a ver contigo ou com teus bedelhos. Vai e dize a alguém que estou de partida. Que nunca mais hei de voltar. Tenho no bolso o carinho que me haveis dado, estou então tranqüilo. Apenas não posso ficar. Não pedirei eu que lembres de mim mas digo ainda que sentirei de ti saudades. O mundo e o tempo me engolirão a cada vez que eu ouvir teu nome. Mas agora estou-me indo. Dize aí, alguém, que hoje eu passei por aqui e te dei um beijo, um beijo assim sincero, dize a alguém e dize que fui-me embora. Se amanhã não se souber de mim, ah se amanhã não se souber de mim, saberás então que fui feliz."
Posso falar? às vezes começo a escrever e coisas realmente estranha me vêm à mente. Esse tipo de coisa me dá um pouco de medo, porque temo que alguém resolva achar relação com a vida real. Mas acho que esse tipo de coisa eu faço, e não devia.
Bom, agora eu não tenho mesmo nada a dizer.
Boa noite, amiguinhos.
Posso falar? às vezes começo a escrever e coisas realmente estranha me vêm à mente. Esse tipo de coisa me dá um pouco de medo, porque temo que alguém resolva achar relação com a vida real. Mas acho que esse tipo de coisa eu faço, e não devia.
Bom, agora eu não tenho mesmo nada a dizer.
Boa noite, amiguinhos.
sábado, 11 de junho de 2005
Cara, como a vida é curiosa...
E extremamente divertida, note-se.
Hoje foi um dia muito bom
E eu estou muito feliz
E eu vejo um futuro engraçado nesse mundo naturalmente misterioso e sombrio
e fundue de chocolate é uma delícia...
e a vida está sempre além das nossas expectativas
o que importa é que estamos bem
stamos em pleno mar
como já dizia meu velho amigo Castro Alves
o poeta
o poeta é um fingidor
finje tão completamente
que chega a fingir que é dor
a dor que deveras sente...
quem escreveu isso?
A vida é curiosíssima
É fácil se surpreender
e ficar feliz, sorrir
apesar de tudo.
Hoje foi um dia muito bom
E eu estou muito feliz
E eu vejo um futuro engraçado nesse mundo naturalmente misterioso e sombrio
e fundue de chocolate é uma delícia...
e a vida está sempre além das nossas expectativas
o que importa é que estamos bem
stamos em pleno mar
como já dizia meu velho amigo Castro Alves
o poeta
o poeta é um fingidor
finje tão completamente
que chega a fingir que é dor
a dor que deveras sente...
quem escreveu isso?
A vida é curiosíssima
É fácil se surpreender
e ficar feliz, sorrir
apesar de tudo.
domingo, 5 de junho de 2005
Sonho de Poeira Seca
"E a gente vai levando, e a gente vai levando..."
Hoje eu tive um sonho.
Ouso dizer que foi um sonho comum. Mas comum de uma forma estranha.
Não custa dizer que é raro que sejam meus sonhos loucos agradáveis.
Eu tinha onze anos e mal sabia chutar uma bola. Não no sonho, na realidade. No sonho foi ontem. Ou hoje. Como se sabe, os sonhos estão fora da linha cronológica. A dor e a satisfação foram de agora. E o remorso, quando parei para pensar.
Eu gosto de vôlei e sou apaixonada por handball, mas o futebol é realmente a minha vida. Não que eu queira seguir carreira. Nem no basquete que eu adoro.
Foi no futebol que descobri que eu era simplesmente uma Defesa. E me orgulho muitíssimo dos dois franquíssimos gols do último jogo naquela goleira mal-começada da qual eu sentia uma inveja profunda (eu jogo bem melhor que ela, bah!).
Mas voltemos ao sonho.
Não sei bem. Lembro de um sofá no qual eu estava tricotando concentrada.
Ponto. Ponto. Ponto.
Ontem o Bruno nos convidou para ir ver Guia do Mochileiro das Galáxias. Não no sonho, na vida real. Seria estranho num sonho. Me senti meio mal por não querer ir.
Ponto. Ponto.
Mas a verdade é que não quero ir a nada.
Ponto. Ponto. Ponto Ponto Ponto Ponto Ponto.
Queria saber ficar amiga do Bruninho, do Lucas, assim, do nada.
Ponto Ponto.
Acho que do Bruno também. De novo. Vou pegá-lo no msn, perguntar "você gosta de música irlandesa? E Dishwalla?" Adoro Dishwalla. Vou rir e fingir que não te conheço. Na verdade não conheço mesmo. Tavas não existe, embora Kristalian sim. A diferença é insutil. Dizer Love ya eu não tive coragem.
Ponto.
Queria poder dizer que depois de ficarmos amigos com o olhar ficamos amigos no sentido completo da palavra, mas isso nunca aconteceu.
E eu sinto uma saudade imensa de você, com quem nunca peguei um cinema, um sol na praia, uma rolé de bike. Na verdade eu queria ter escrito exatamente o que ele escreveu.
Ponto. Ponto.
Tive inúmeros amigos de olhar, e de certa forma sabemos que somos amigos, mas não sabemos quase nada um sobre o outro, e nunca saímos juntos, não vamos aos mesmos lugares. Aí, quando nos cruzamos e nos cumprimentamos como se sempre tivéssemos sido amigos (o que não é bem verdade), meu coração se enche de uma alegria estranha, que desvanece rapidamente quando nos afastamos sem nada a dizer. Fantástico.
Voltando ao sonho, atrás desse sofá, que era com certeza nosso velho sofá pseudo-marrom antes de inventarmos aquela capa azul (só que muito mais comprido), havia uma espécie de corredor esquisito e uma porta, que ficava meio que à minha esquerda que na verdade é a tua esquerda porque estamos vendo a cena de frente.
Atrás de mim, a Puca passou pelo corredor em direção à porta. Quando ela parou diante da porta e falou comigo eu virei para ela e a vi.
Ela tinha qualquer coisa nos braços, segurava essa qualquer coisa como um bebê, mas não acho que era um bebê, não sei o que era.
Me perguntei se ela ainda estava namorando o Rê.
"Perder brinco no carro tudo bem, o problema é perder outra coisa", dissera a Ada. Ou fora minha mãe? Não no sonho, na vida real.
Não me lembro do que a minha prima falou, no sonho. Me lembro da cara dela. Os anos de afastamento se refletiam com uma certa raiva misturada com deboche. Talvez desprezo, talvez indiferença.
Na verdade eu não faço idéia de se ela até mesmo pensa nisso.
Eu sei que eu penso.
E imagino que não seja só eu.
Às vezes esqueço que nossas vidas já foram diferentes.
O que aconteceu depois que minha prima entrou pela porta eu não me lembro. Sei que fiquei um pouco frustrada porque não podia acompanhá-la porque minhas mãos estavam ocupadas com o cachecol colorido.
Mesmo sonhando, percebi que, na verdade, eu poderia simplesmente abandonar o tricô e acompanhar aquela moça que diga-se de passagem já é tão adulta quanto minha irmã.
Me pergunto o que significará ser adulto. Será que elas o são? Acho que sim.
Será que o cachecol é uma metáfora para Yuri, Mamãe, Paulinha, Gabi, e todas essas coisas que existiam apenas de uma forma totalmente diferente no tempo em que esse primos iam conosco para Cajaíba? No tempo em que essas pessoas com quem eu quase não falo eram meus melhores amigos? No tempo em que meus irmãos eram as pessoas mais importantes da minha vida?
Eu contrariei o Artur e li O Dia do Curinga.
O mais notável disso é que ter contrariado o Artur é mais importante que ter lido o livro. E minha irmã ter achado o livro muito bom é mais importante do que eu tê-lo devorado em três dias, por aí.
Eu devia formar minhas própias opiniões.
"Um bobo da corte, que a engrenagem do tempo é incapaz de engolir, caminha pelo mundo."
Não diria que o livro levanta montanhas.
Afinal, por que todas as pessoas que crescem se tornam babacas? As pessoas que eu conheço não são assim.
Talvez seja só uma desculpa esfarrapada dos escritores adultos para finjir que existem coisas fantásticas e que só não sabemos delas porque os adultos não têm coragem de contá-las.
Quer dizer, eu nunca vivi coisas impossíveis quando era criança.
Na segunda cena que me lembro do sonho, estava com o Yuri em algum lugar árido.
Era um lugar muito seco, com uma terra vermelha como a do chão do Tangará ou do Sítio Passuaré; tenho certeza que era uma cor da minha infância. O mais estranho era que a terra se estendia nua por quilômetros em todas as direções, parecia não haver nada sobre a terra além de nós dois, a atmosfera e aquela poeira marrom-vermelha.
Sobre nós deveria haver um céu infinito azul-profundo, da cor que o céu parece ser quando faz um sol de matar e até a terra parece suar; mas acho mais provável que se estendesse aquele céu vermelho da poluição que eu vi naquele dia no Tatuapé - combinaria mais com a situação, se é que vocês me entendem.
Mas a verdade é que eu nem olhei pro céu.
Fiquei olhando pro Yuri, pro seu rosto macio, seus olhos sua boca; talvez eu esteja viajando demais, mas acho que de certa forma substituí o céu pelo Yuri. Em vez de olhar pro céu azul para me encontrar, me encontro no azul dos seus olhos. Meu Pégaso de Luz.
"Se importa se eu te chamar de Pégaso?", eu disse com um certo medo, como sempre. (Não no sonho, na realidade, há uns dias atrás). Mas poderia ter sido no sonho também, só que não teria nada a ver.
Depois aquela paisagem se modificou um pouco: primeiro apereceu o mar, escuro e profundo quente, cheio de ondas bravas. Depois as cercas de alguns campinhos de futebol, a princípio vazios e sem gols, mas isso não importa. Haviam pessoas aqui e ali, alguns jovens, algumas crianças, separados por curtas distâncias que pareciam ser infinitas (no sonho, uns quarenta, cinquenta metros - mas lembrem-se que eu não sei medir distâncias).
Em algum lugar havia um círculo de areia como aquele do parquinho do Clube Pinheiros. Pequenas famílias conversavam ou brincavam em pontos isolados.
Havia uma árvore.
Eu e minha irmã (ou pelo menos acho que era minha irmã) começamos a brincar, subir na árvore. Houve várias cenas nessa parte, mas não me lembro do que aconteceu nelas. Depois, quando deveríamos ir embora (ou pelo menos era o que nossos amigos estavam fazendo), resolvi subir mais alto ainda, e minha irmã acabou me acompanhando, quando eu mostrei que não tinha perigo, e que eu ia mesmo.
Mas havia uma parte do sonho, entre a Puca e o Yuri, que se passava num lugar estranho, estabelecimento entre casa-venda de Paraty e bar de Paraty-mirim onde bebíamos garrafas de coca-cola antes de embarcarmos num pó-pó-pó barulhento pelo água escura.
Nebuloso, misterioso, parece que uma peça importante do jogo está faltando, e vai continuar a faltar.
Acho que até a Ada estava lá.
De qualquer forma, houve uma parte do sonho em que a Ada apareceu, mas não consigo lembrar.
Subindo mais alto na árvore fomos encontrando umas plataformas esquisitas de madeira (a madeira ali era quase da cor do chão, marrom, assim, mas menos avermelhado), basicamente uma tora comprida de pé com um quadrado apoiado em cima. Elas formavam uma espécie de escada com degraus enormes, mas havia algumas com o quadrado inclinado nas quais não conseguíamos subir. Enquanto íamos para cima por aquela escada estranha, percebemos que havia paredes à nossa volta, e que estávamos entrando numa casa.
Além de plataformas e paredes, na casa de madeira marrom-vermelha também havia pneus, e ocasionalmente marcas de giz apareciam meio apagadas nos pneus, nas paredes ou nas escadas.
Chegamos na parte mais alta da casa que ficava ao lado da grande e velha árvore (muito grossa, aliás). Lá no andar de cima, encontramos uma porta meio pequena, que dava para uma sala pouco maior que meu quarto, eu acho, era uma sala de aula.
Acho que encontramos o professor, ou diretor da escola (não estou certa), dentro da sala, porque não estava conosco antes. A primeira coisa que notei ao entrar ali foi uma daquelas plataformas inclinadas que havia no canto da sala, logo ao meu lado esquerdo. Um pneu havia sido pendurado nela como uma moldura, e pequenos apagados círculos de giz em vermelho e amarelo faziam perceber que as plataformas eram usadas como uma espécie de mini-quadro-negro. A pequena sala de aula tinha dois quadros negros grandes e opacos nas paredes do fundo e da esquerda. Na parede da direita, acho que haviam algumas janelas, das quais se podia ver os galhos da árvore velha lá fora. No meio havia algumas carteiras, que acho que não chegavam a dez, viradas de costas para a janela, numa disposição meio bagunçada; e ao longo da parede mais comprida havia uma mesa longa e estreita, de frente para as mesas dos alunos, com uma ou outra coisa esquecida um cima.
Essa disposição de alguma forma me remeteu ao laboratório do médico maluco das histórias do Mickey Mouse, mas minha mente confusa não consegue se decidir sobre se havia ou não uma quantidade de vidros cheios de líquidos de cores estranhas e vivas (contrastando furiosamente com a coloração natural do lugar) sobre a mesa comprida.
Acho que seria interessante e bonitinho se esses vidros estivessem ali, mas não teria sentido nisso.
Enquanto o diretor explicava coisas a que não demos a menor importância sobre a escola, decidimos sair dali, e tenho a impressão de que nossa saída eleita foi pela janela.
Isso me deu um considerável medo, já que estávamos num lugar razoavelmente alto, mas de qualquer forma não havia como descer sem saltar de uma grande altura (uns sete metros, eu diria). Obriguei meu corpo a saltar e, como em sonho nem todas as partes da história têm de fazer sentido, caí suavemente sobre o chão como se tivesse saltado de um sétimo da altura verdadeira. Dali, fomos até uns campos de futebol, onde um grupo de rapazes morenos do sol daquela terra vermelha jogavam como os ribeirinhos da Amazônia. Queríamos jogar com eles, mas eles não pareciam muito interessados, então a Milla foi e entrou no jogo não sei muito bem como. Ninguém entendeu direito; de qualquer forma, depois de ela entrar não havia maneira de empurrar mais um sobressalente para a partida.
Continuamos ansiosos assistindo a disputa rolar agilmente entre os corpos dos jogadores. Nesse meio-tempo, alguém inventou uma bola e resolvemos começar uma partida nossa no campo em que estávamos, que era menor e mais gordinho, mas era um campo.
Dividimos nossos times sem esquema e meio por instinto. O que aconteceu é que de repente algumas pessoas estavam chutando a bola pra lá e outras para cá.
O mais estranho é que o meu time tinha três pessoas, enquanto o outro time tinha uns conco, e ninguém sequer viu qualquer problema nisso. Na verdade talvez não houvesse problema mesmo, porque nós ganhamos, assim como eu, a Marie e a Kiki sempre ganhávamos naqueles jogos contra a classe inteira, no ginásio.
O jogo começou comigo no gol, e acho que a Maria, o Marco e a Ana C tentaram me golear mas não deu certo, eu defendi. Depois, sem explicação, a Ana tomou meu lugar no gol, enquanto nós tentávamos convencer os jogadores do outro jogo a se juntarem a nós enquanto eles nos devolviam a bola, que com violência chutáramos para fora.
Disso resultou que a Camilla entrou para o time adversário, e agora minha missão de vida era impedir a Marie e a Camilla de chutar a bola no gol, como era, de modo geral, quando jogávamos futebol nas aula de E.F. do ginásio e eu e a Marie estávamos em times opostos.
Finalmente eu resolvi ir para o ataque, assim como fiz quando comecei a jogar na FUFEI e, mais tarde, no treino de futebol, e dominar a bola (coisa que nunca fiz), mas aí a gatinha começou a se mexer mais na minha cama e eu acordei.
Estou com um baita sono, e fiz mais de vinte fileiras de cachecol durante hoje... aff...
Hoje eu tive um sonho.
Ouso dizer que foi um sonho comum. Mas comum de uma forma estranha.
Não custa dizer que é raro que sejam meus sonhos loucos agradáveis.
Eu tinha onze anos e mal sabia chutar uma bola. Não no sonho, na realidade. No sonho foi ontem. Ou hoje. Como se sabe, os sonhos estão fora da linha cronológica. A dor e a satisfação foram de agora. E o remorso, quando parei para pensar.
Eu gosto de vôlei e sou apaixonada por handball, mas o futebol é realmente a minha vida. Não que eu queira seguir carreira. Nem no basquete que eu adoro.
Foi no futebol que descobri que eu era simplesmente uma Defesa. E me orgulho muitíssimo dos dois franquíssimos gols do último jogo naquela goleira mal-começada da qual eu sentia uma inveja profunda (eu jogo bem melhor que ela, bah!).
Mas voltemos ao sonho.
Não sei bem. Lembro de um sofá no qual eu estava tricotando concentrada.
Ponto. Ponto. Ponto.
Ontem o Bruno nos convidou para ir ver Guia do Mochileiro das Galáxias. Não no sonho, na vida real. Seria estranho num sonho. Me senti meio mal por não querer ir.
Ponto. Ponto.
Mas a verdade é que não quero ir a nada.
Ponto. Ponto. Ponto Ponto Ponto Ponto Ponto.
Queria saber ficar amiga do Bruninho, do Lucas, assim, do nada.
Ponto Ponto.
Acho que do Bruno também. De novo. Vou pegá-lo no msn, perguntar "você gosta de música irlandesa? E Dishwalla?" Adoro Dishwalla. Vou rir e fingir que não te conheço. Na verdade não conheço mesmo. Tavas não existe, embora Kristalian sim. A diferença é insutil. Dizer Love ya eu não tive coragem.
Ponto.
Queria poder dizer que depois de ficarmos amigos com o olhar ficamos amigos no sentido completo da palavra, mas isso nunca aconteceu.
E eu sinto uma saudade imensa de você, com quem nunca peguei um cinema, um sol na praia, uma rolé de bike. Na verdade eu queria ter escrito exatamente o que ele escreveu.
Ponto. Ponto.
Tive inúmeros amigos de olhar, e de certa forma sabemos que somos amigos, mas não sabemos quase nada um sobre o outro, e nunca saímos juntos, não vamos aos mesmos lugares. Aí, quando nos cruzamos e nos cumprimentamos como se sempre tivéssemos sido amigos (o que não é bem verdade), meu coração se enche de uma alegria estranha, que desvanece rapidamente quando nos afastamos sem nada a dizer. Fantástico.
Voltando ao sonho, atrás desse sofá, que era com certeza nosso velho sofá pseudo-marrom antes de inventarmos aquela capa azul (só que muito mais comprido), havia uma espécie de corredor esquisito e uma porta, que ficava meio que à minha esquerda que na verdade é a tua esquerda porque estamos vendo a cena de frente.
Atrás de mim, a Puca passou pelo corredor em direção à porta. Quando ela parou diante da porta e falou comigo eu virei para ela e a vi.
Ela tinha qualquer coisa nos braços, segurava essa qualquer coisa como um bebê, mas não acho que era um bebê, não sei o que era.
Me perguntei se ela ainda estava namorando o Rê.
"Perder brinco no carro tudo bem, o problema é perder outra coisa", dissera a Ada. Ou fora minha mãe? Não no sonho, na vida real.
Não me lembro do que a minha prima falou, no sonho. Me lembro da cara dela. Os anos de afastamento se refletiam com uma certa raiva misturada com deboche. Talvez desprezo, talvez indiferença.
Na verdade eu não faço idéia de se ela até mesmo pensa nisso.
Eu sei que eu penso.
E imagino que não seja só eu.
Às vezes esqueço que nossas vidas já foram diferentes.
O que aconteceu depois que minha prima entrou pela porta eu não me lembro. Sei que fiquei um pouco frustrada porque não podia acompanhá-la porque minhas mãos estavam ocupadas com o cachecol colorido.
Mesmo sonhando, percebi que, na verdade, eu poderia simplesmente abandonar o tricô e acompanhar aquela moça que diga-se de passagem já é tão adulta quanto minha irmã.
Me pergunto o que significará ser adulto. Será que elas o são? Acho que sim.
Será que o cachecol é uma metáfora para Yuri, Mamãe, Paulinha, Gabi, e todas essas coisas que existiam apenas de uma forma totalmente diferente no tempo em que esse primos iam conosco para Cajaíba? No tempo em que essas pessoas com quem eu quase não falo eram meus melhores amigos? No tempo em que meus irmãos eram as pessoas mais importantes da minha vida?
Eu contrariei o Artur e li O Dia do Curinga.
O mais notável disso é que ter contrariado o Artur é mais importante que ter lido o livro. E minha irmã ter achado o livro muito bom é mais importante do que eu tê-lo devorado em três dias, por aí.
Eu devia formar minhas própias opiniões.
"Um bobo da corte, que a engrenagem do tempo é incapaz de engolir, caminha pelo mundo."
Não diria que o livro levanta montanhas.
Afinal, por que todas as pessoas que crescem se tornam babacas? As pessoas que eu conheço não são assim.
Talvez seja só uma desculpa esfarrapada dos escritores adultos para finjir que existem coisas fantásticas e que só não sabemos delas porque os adultos não têm coragem de contá-las.
Quer dizer, eu nunca vivi coisas impossíveis quando era criança.
Na segunda cena que me lembro do sonho, estava com o Yuri em algum lugar árido.
Era um lugar muito seco, com uma terra vermelha como a do chão do Tangará ou do Sítio Passuaré; tenho certeza que era uma cor da minha infância. O mais estranho era que a terra se estendia nua por quilômetros em todas as direções, parecia não haver nada sobre a terra além de nós dois, a atmosfera e aquela poeira marrom-vermelha.
Sobre nós deveria haver um céu infinito azul-profundo, da cor que o céu parece ser quando faz um sol de matar e até a terra parece suar; mas acho mais provável que se estendesse aquele céu vermelho da poluição que eu vi naquele dia no Tatuapé - combinaria mais com a situação, se é que vocês me entendem.
Mas a verdade é que eu nem olhei pro céu.
Fiquei olhando pro Yuri, pro seu rosto macio, seus olhos sua boca; talvez eu esteja viajando demais, mas acho que de certa forma substituí o céu pelo Yuri. Em vez de olhar pro céu azul para me encontrar, me encontro no azul dos seus olhos. Meu Pégaso de Luz.
"Se importa se eu te chamar de Pégaso?", eu disse com um certo medo, como sempre. (Não no sonho, na realidade, há uns dias atrás). Mas poderia ter sido no sonho também, só que não teria nada a ver.
Depois aquela paisagem se modificou um pouco: primeiro apereceu o mar, escuro e profundo quente, cheio de ondas bravas. Depois as cercas de alguns campinhos de futebol, a princípio vazios e sem gols, mas isso não importa. Haviam pessoas aqui e ali, alguns jovens, algumas crianças, separados por curtas distâncias que pareciam ser infinitas (no sonho, uns quarenta, cinquenta metros - mas lembrem-se que eu não sei medir distâncias).
Em algum lugar havia um círculo de areia como aquele do parquinho do Clube Pinheiros. Pequenas famílias conversavam ou brincavam em pontos isolados.
Havia uma árvore.
Eu e minha irmã (ou pelo menos acho que era minha irmã) começamos a brincar, subir na árvore. Houve várias cenas nessa parte, mas não me lembro do que aconteceu nelas. Depois, quando deveríamos ir embora (ou pelo menos era o que nossos amigos estavam fazendo), resolvi subir mais alto ainda, e minha irmã acabou me acompanhando, quando eu mostrei que não tinha perigo, e que eu ia mesmo.
Mas havia uma parte do sonho, entre a Puca e o Yuri, que se passava num lugar estranho, estabelecimento entre casa-venda de Paraty e bar de Paraty-mirim onde bebíamos garrafas de coca-cola antes de embarcarmos num pó-pó-pó barulhento pelo água escura.
Nebuloso, misterioso, parece que uma peça importante do jogo está faltando, e vai continuar a faltar.
Acho que até a Ada estava lá.
De qualquer forma, houve uma parte do sonho em que a Ada apareceu, mas não consigo lembrar.
Subindo mais alto na árvore fomos encontrando umas plataformas esquisitas de madeira (a madeira ali era quase da cor do chão, marrom, assim, mas menos avermelhado), basicamente uma tora comprida de pé com um quadrado apoiado em cima. Elas formavam uma espécie de escada com degraus enormes, mas havia algumas com o quadrado inclinado nas quais não conseguíamos subir. Enquanto íamos para cima por aquela escada estranha, percebemos que havia paredes à nossa volta, e que estávamos entrando numa casa.
Além de plataformas e paredes, na casa de madeira marrom-vermelha também havia pneus, e ocasionalmente marcas de giz apareciam meio apagadas nos pneus, nas paredes ou nas escadas.
Chegamos na parte mais alta da casa que ficava ao lado da grande e velha árvore (muito grossa, aliás). Lá no andar de cima, encontramos uma porta meio pequena, que dava para uma sala pouco maior que meu quarto, eu acho, era uma sala de aula.
Acho que encontramos o professor, ou diretor da escola (não estou certa), dentro da sala, porque não estava conosco antes. A primeira coisa que notei ao entrar ali foi uma daquelas plataformas inclinadas que havia no canto da sala, logo ao meu lado esquerdo. Um pneu havia sido pendurado nela como uma moldura, e pequenos apagados círculos de giz em vermelho e amarelo faziam perceber que as plataformas eram usadas como uma espécie de mini-quadro-negro. A pequena sala de aula tinha dois quadros negros grandes e opacos nas paredes do fundo e da esquerda. Na parede da direita, acho que haviam algumas janelas, das quais se podia ver os galhos da árvore velha lá fora. No meio havia algumas carteiras, que acho que não chegavam a dez, viradas de costas para a janela, numa disposição meio bagunçada; e ao longo da parede mais comprida havia uma mesa longa e estreita, de frente para as mesas dos alunos, com uma ou outra coisa esquecida um cima.
Essa disposição de alguma forma me remeteu ao laboratório do médico maluco das histórias do Mickey Mouse, mas minha mente confusa não consegue se decidir sobre se havia ou não uma quantidade de vidros cheios de líquidos de cores estranhas e vivas (contrastando furiosamente com a coloração natural do lugar) sobre a mesa comprida.
Acho que seria interessante e bonitinho se esses vidros estivessem ali, mas não teria sentido nisso.
Enquanto o diretor explicava coisas a que não demos a menor importância sobre a escola, decidimos sair dali, e tenho a impressão de que nossa saída eleita foi pela janela.
Isso me deu um considerável medo, já que estávamos num lugar razoavelmente alto, mas de qualquer forma não havia como descer sem saltar de uma grande altura (uns sete metros, eu diria). Obriguei meu corpo a saltar e, como em sonho nem todas as partes da história têm de fazer sentido, caí suavemente sobre o chão como se tivesse saltado de um sétimo da altura verdadeira. Dali, fomos até uns campos de futebol, onde um grupo de rapazes morenos do sol daquela terra vermelha jogavam como os ribeirinhos da Amazônia. Queríamos jogar com eles, mas eles não pareciam muito interessados, então a Milla foi e entrou no jogo não sei muito bem como. Ninguém entendeu direito; de qualquer forma, depois de ela entrar não havia maneira de empurrar mais um sobressalente para a partida.
Continuamos ansiosos assistindo a disputa rolar agilmente entre os corpos dos jogadores. Nesse meio-tempo, alguém inventou uma bola e resolvemos começar uma partida nossa no campo em que estávamos, que era menor e mais gordinho, mas era um campo.
Dividimos nossos times sem esquema e meio por instinto. O que aconteceu é que de repente algumas pessoas estavam chutando a bola pra lá e outras para cá.
O mais estranho é que o meu time tinha três pessoas, enquanto o outro time tinha uns conco, e ninguém sequer viu qualquer problema nisso. Na verdade talvez não houvesse problema mesmo, porque nós ganhamos, assim como eu, a Marie e a Kiki sempre ganhávamos naqueles jogos contra a classe inteira, no ginásio.
O jogo começou comigo no gol, e acho que a Maria, o Marco e a Ana C tentaram me golear mas não deu certo, eu defendi. Depois, sem explicação, a Ana tomou meu lugar no gol, enquanto nós tentávamos convencer os jogadores do outro jogo a se juntarem a nós enquanto eles nos devolviam a bola, que com violência chutáramos para fora.
Disso resultou que a Camilla entrou para o time adversário, e agora minha missão de vida era impedir a Marie e a Camilla de chutar a bola no gol, como era, de modo geral, quando jogávamos futebol nas aula de E.F. do ginásio e eu e a Marie estávamos em times opostos.
Finalmente eu resolvi ir para o ataque, assim como fiz quando comecei a jogar na FUFEI e, mais tarde, no treino de futebol, e dominar a bola (coisa que nunca fiz), mas aí a gatinha começou a se mexer mais na minha cama e eu acordei.
Estou com um baita sono, e fiz mais de vinte fileiras de cachecol durante hoje... aff...
sexta-feira, 27 de maio de 2005
A respeito da metade de um ano
"Era tão real
Era devaneio
Era meio a meio
Meio Rosa meio Lia, meio
Meio-dia mandando eu voltar com Lia
Meia-lua mandando eu partir com Rosa"
Sabe, meu ano tem duas primaveras: uma delas é em maio, mês dos sonhadores e das manhã muito frias e ensolaradas e árvores cobertas de flores cor-de-rosa lentamente desfolhando... a outra é em novembro, mês de ursos e festas e tardes quentes ensolaradas e árvores cobertas de frutas redondas ou escuras ou ambos e muito doces e deliciosas com aquele vento tranqüilo, macio, quente...
Outono, primavera, para quê a diferença?, oras, estamos sobre o trópico de capricórnio onde o inverno é quente por causa do sol e no verão faz frio devido às chuvas fortes e freqüentes (pelo menos na praia que freqüento), mas é quente o ano inteiro. Outono e primavera são estações igualmente maravilhosas, tempo de manhãs e tardes agradáveis e noites belíssimas, tempos de amor, sonhos, solidão, amizade, conquistas, diversão, aportunidades, lua lua lua lua lua... e no nosso caso tempestades, chuvas torrenciais, risos a não mais poder, beijos na boca, revelações e confidências e confianças (principalmente confianças) e sol sol sol sol sol...
Eu adoro maio. Adoro maio, mas adoro o ano inteiro. J'adore le anée du soleil...
Era devaneio
Era meio a meio
Meio Rosa meio Lia, meio
Meio-dia mandando eu voltar com Lia
Meia-lua mandando eu partir com Rosa"
Sabe, meu ano tem duas primaveras: uma delas é em maio, mês dos sonhadores e das manhã muito frias e ensolaradas e árvores cobertas de flores cor-de-rosa lentamente desfolhando... a outra é em novembro, mês de ursos e festas e tardes quentes ensolaradas e árvores cobertas de frutas redondas ou escuras ou ambos e muito doces e deliciosas com aquele vento tranqüilo, macio, quente...
Outono, primavera, para quê a diferença?, oras, estamos sobre o trópico de capricórnio onde o inverno é quente por causa do sol e no verão faz frio devido às chuvas fortes e freqüentes (pelo menos na praia que freqüento), mas é quente o ano inteiro. Outono e primavera são estações igualmente maravilhosas, tempo de manhãs e tardes agradáveis e noites belíssimas, tempos de amor, sonhos, solidão, amizade, conquistas, diversão, aportunidades, lua lua lua lua lua... e no nosso caso tempestades, chuvas torrenciais, risos a não mais poder, beijos na boca, revelações e confidências e confianças (principalmente confianças) e sol sol sol sol sol...
Eu adoro maio. Adoro maio, mas adoro o ano inteiro. J'adore le anée du soleil...
quinta-feira, 26 de maio de 2005
O mundo, o mundo a mesma história bla bla bla
Desculpem, gentes, é que realmente eu não ando lá muito afins de escrever... Sabe como é, o pôr do Sol... O céu começa a ficar vermelho, vermelho no Tatuapé bairro de gente divertida, pra jogar futebol como aqui na terra do samba, show e rock and roll mamonas contra o Everest um homem, mamãe, um homem para viver! Um homem para sonhar o mundo, mamãe! um homem só, nu, com os olhos de fogo pintando as estrelas pois diante de seu olhar sonhador não existem nuvens, mamãe; apenas para chover como choveu, irmão, choveu carregando barracões e melancias o rio transbordou como não fazia desde mais ou menos quando eu nasci, há uns dezesseis anos e meio, meu amigo, dezesseis anos e meio como tens também tu e teus iguais de sangue de gente, gente que é gente que ri e gargalha e gorgulha e divaga e critica, sim, meu amigo, tudo o que vivo sobre a crosta terrestre Meninos, eu vi! E tinha dentes e uns olhos tremendos o focinho peludo uns olhos tristes chorava Edoardo-nee-san e tremia, tremia na noite quente resistindo um gosto de sol!
Cada gota.
Cada uma.
A Chuva
sobre os telhados de todas as casas
do mundo; o sol despontando
Máxima de 20 graus Celsius
A água escorre; corres
corremos e encontramos apenas ossos
O sangue de nossos amigos
Transbordando
Sim, irmãozinho, tu és humano,
nada pode te intornar humano
e por isso choras, irmãozinho
pois não estás morrendo, estás vivendo...
Teu olhar é tão insuportável a nós, inhumanos
Porque tu, rãzinha nua de cabelos negros
tu choras antes de ir-te embora
em boa hora
"Sei que nada será como antes, amanhã..."
Resistindo na boca da noite um gosto de sol.
Seis meses, por Tutatis! Seis meses desde aquela tarde de sol, em que convenci-te do que já sabias: eu te amava ainda, apesar do ódio que perdurou muito além daquele dia, da frustração, da raiva... Cheguei em casa e não lembro porque escuridão de motivos respondi à minha mãe "Não se preocupe, que eu tenho certeza: há tempos, mãe, que não me encontro tão feliz assim. Outro, mãe, não me traria o sorriso sincero que trago no rosto."
"Quando você me entendeu, eu não entendia nada;
Minha vida renasceu, e amei 'tar sendo amada"
Amar é pertencer.
Claro que sim; amar é pertencer a quem se ama. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Por isso, muito cuidado ao deixar que alguém se apaixona por você. Essa pessoa pertencerá a você, e não perdoará facilmente se você a maltratar. Ora essa, cervejo! Odeio, odeio, odeio!
(Às vezes penso que preciso de um analista)
Amar é pertencer; namorar é pertencer um pouquinho declaradamente. Minha barriga (onde estão alguns dos meus sentimentos), meu peito (onde estão outros), meu pescoço (onde estão mais alguns), minha pele, todos pertencem a quem eu verdadeira e profundamente amo, sem resguardas. E partes aleatórias de mim pertencem a quem eu amo um pouco, só (nota: aleatório significa "escolhido a dedo com critérios complicados").
Por isso às vezes agonia; por isso às vezes desprezo, nojo, medo. Por isso, realmente, às vezes me sinto um pouco incomodada com essas pessoas pegajosas que são meus grandes amigos, e temo ser muito como eles. Meu corpo é meu, é meu, é meu, entendem?
Boa noite, caras pálidas como os poemas de Álvares de Azevedo.
domingo, 8 de maio de 2005
Diálogo Longo
Maritaca! diz:
oi!
Y³, periquito diz:
oi!!
Maritaca! diz:
como você está, Y-kun?
Y³, periquito diz:
Estou muito bem, Mali-mali. E a senhorita?
Maritaca! diz:
Estou bem também, apesar de cansada(com s!!) Melhor agora ^^
Y³, periquito diz:
Qual foi a do s?
Maritaca! diz:
é que eu costumava escrever cançada, e estou feliz porque aprendi a escrever com s
Y³, periquito diz:
Isa.... diz: : o yu fla para a marina q eu quero conhecer ela q ela parece ser mtu legal
Maritaca! diz:
=^^=
Y³, periquito diz:
Então... qual foi a do s?
Maritaca! diz:
buh... es já expliquei, seu bobinho... ^^ Bobobobobobobobobolabolabolabolabolabolaboladebalão
Y³, periquito diz:
a gente se ilude em dizer que já não há mais coração!
Maritaca! diz:
sabe, eu nunca me iludi com uma coisa assim boba...
Y³, periquito diz:
Ainda bem. A gente perde tempo demais com essas coisas.
Y³, periquito diz:
Esqueci!
Y³, periquito diz:
FELIZ DIA DAS MÃES!!!
Y³, periquito diz:
Então, como foi o seu dia das mães?
Maritaca! diz:
foi bom...
Maritaca! diz:
as tartarugas pareciam felizes vi meus primos mais velhos assistimos loveactually almoço gostoso na casa da vó conversamos muito na casa da outra vó love actually is all around
Maritaca! diz:
mas estou com um pouco de dor de cbabeça
Maritaca! diz:
e o seu, como foi?
Y³, periquito diz:
Dar presente para a mamãe Ouvir o CD junto com a mamãe. almoço na casa da Vó Primos/prima Visita surpresa à minha tia-avó Tocar a música que ia tocar no casamento dela e fazê-la ficar muito contente. Fazer caca com o gabriel no telhado da casa da vó. Resgatar perna-de-pau velha feita por mim e tentar andar Brincar de pega-pega. Ir na casa da outra vó e comer pizza.
Maritaca! diz:
hum... seu dia das mães parece tão mais divertido que o meu... Mas acho que é mesmo, afinal, sua família parece mais .. familiar .. que a minha
Y³, periquito diz:
Não... não acho que seja...
Y³, periquito diz:
E eu estou com saudade de você.
Maritaca! diz:
Não fique. Pensa que amanhã a gente vai se ver....... que vamos ficar conversando por horas...
Y³, periquito diz:
Fico sim! Desde quando a certeza de te ver amanhã me faz ficar com menos saudades hoje??
Maritaca! diz:
não sei, não sei... Mas é o que eu digo para mim mesma quando você vai viajar... "Só mais um dia , Marina, só mais um dia"... E aí no outro dia tem um problema qualquer e a gente não se vê, e eu simplesmente me distraio com outra coisa qualquer...
Y³, periquito diz:
É assim mesmo. Só que sentir saudade não é uma coisa ruim. Deixa eu ficar com saudade de você!
Maritaca! diz:
Pode ficar ^^
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
estou mesmo cansada. como todos os outros dias, eu acho.
Y³, periquito diz:
Vai descansar um pouco.
Y³, periquito diz:
[Meia?]
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
a luda deu o nome das meias dela de marina.
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
mas não estou me sentindo inteira mesmo
Y³, periquito diz:
Juazeiro, Juazeiro Me arreponda por favor Juazeiro, meu amigo Onde anda o meu amor?
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
Ninguém sabe do seu paradeiro
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
Ninguém sabe pra onde ele foi Pra onde ele vai
Y³, periquito diz:
Stephen may be feeling all alone
Y³, periquito diz:
Stephen never do that again Come back home
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
Come and take me home Leave me to your door Take me where you are
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
yuri?
Y³, periquito diz:
Marina?
Y³, periquito diz:
Você está viva?
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
estou, aparentemente oO
Y³, periquito diz:
Por que você sumiu?
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
eu não sumi, Estive sempre aqui, esperando uma resposta tua.
Y³, periquito diz:
Na verdade eu fiquei esperando uma resposta sua.
Y³, periquito diz:
Algo me diz: que a conexão entre os nossos messengers está falha.
Y³, periquito diz:
a última coisa que eu recebi de você foi isso: Ninguém sabe pra onde ele foi Pra onde ele vai
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
acho que sim
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
não é certo nós dois ficarmos esperando um pelo outro.
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
jh
Y³, quigombó diz:
Não, não é. Eu normalmente respondo rápido...
Y³, quigombó diz:
jh?
Y³, quigombó diz:
Marina?
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
que é? desculpa-me, não me acho...
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
now it's only you
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
even tough it's never just only.
Y³, quigombó diz:
Eu não sei se há continuidade nas nossas frases?
Y³, quigombó diz:
esse ponto de interrogação não devia estar aí.
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
não nas minha, sei que não há. Eu devia ir dormir. Na verdade já estou dormindo.
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
really horrorshow
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
eu te amo.
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
porque essa é a única frase que digo que soa cálida, límpida, verdadeira?
Y³, quigombó diz:
Eu gosto dela. Tire o ponto de interrogação e não separe o porquê. Eu te amo.
Y³, quigombó diz:
Me faz um favor?
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
talvez seja por isso que eu a repita tanto. sempre.
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
faço tudo.
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
apenas peça
Y³, quigombó diz:
dê um sorriso?
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
...
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
claro que dou
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
e ao dá-lo, vejo as lágrimas correndo por minha face, mas estranhamente me sinto mais leve, e endireito-me na cadeira, sob este corpo pesado. Dispo-me de tudo o que me prende, mas minhas costelas ainda estão lá.
Y³, quigombó diz:
Eu queria saber o porquê das suas lágrimas. Mas não precisa, se não quiser. Apenas durma. As costelas te prendem, mas sem elas você ficaria imóvel.
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
Pois é, o que me prende, me sustenta. Mas eu também não sei o porquê das minhas lágrimas. Acho que é o preço justo de um sorriso...
Y³, quigombó diz:
(A gente sempre sabe o porquê das nossas lágrimas...) Vai dormir, passariha preta.
Mali-mali diz:
Às vezes eu queria que você parasse de falar... É mais difícil desmentir a verdade quando ela vem de alguém que a gente ama mais que...
Y³, quigombó diz:
então me manda calar a boca. Eu não vou te amar menos por isso. Agora vai.
Mali-mali diz:
Boa noite, Pégaso.
Y³, quigombó diz:
Boa noite, meu amor...
Mali-mali diz:
(acho que se se eu te mandasse calar a boca, me sentiria uma menina mimada)
Y³, quigombó diz:
(faça isso se esse sentimento for mais confortável que ouvir)
Y³, quigombó diz:
(não que eu ache que ele seja...)
Mali-mali diz:
Boa noite, meu amado Pégaso. Com um beijo-nota musical, abro minhas asas para o céu: salto pela janela e desapareço na distância.
Mali-mali diz:
E até amanhã.
Y³, quigombó diz:
sol
Y³, quigombó diz:
E você vai sumindo... Boa noite... (sussurro)
oi!
Y³, periquito diz:
oi!!
Maritaca! diz:
como você está, Y-kun?
Y³, periquito diz:
Estou muito bem, Mali-mali. E a senhorita?
Maritaca! diz:
Estou bem também, apesar de cansada(com s!!) Melhor agora ^^
Y³, periquito diz:
Qual foi a do s?
Maritaca! diz:
é que eu costumava escrever cançada, e estou feliz porque aprendi a escrever com s
Y³, periquito diz:
Isa.... diz: : o yu fla para a marina q eu quero conhecer ela q ela parece ser mtu legal
Maritaca! diz:
=^^=
Y³, periquito diz:
Então... qual foi a do s?
Maritaca! diz:
buh... es já expliquei, seu bobinho... ^^ Bobobobobobobobobolabolabolabolabolabolaboladebalão
Y³, periquito diz:
a gente se ilude em dizer que já não há mais coração!
Maritaca! diz:
sabe, eu nunca me iludi com uma coisa assim boba...
Y³, periquito diz:
Ainda bem. A gente perde tempo demais com essas coisas.
Y³, periquito diz:
Esqueci!
Y³, periquito diz:
FELIZ DIA DAS MÃES!!!
Y³, periquito diz:
Então, como foi o seu dia das mães?
Maritaca! diz:
foi bom...
Maritaca! diz:
as tartarugas pareciam felizes vi meus primos mais velhos assistimos loveactually almoço gostoso na casa da vó conversamos muito na casa da outra vó love actually is all around
Maritaca! diz:
mas estou com um pouco de dor de cbabeça
Maritaca! diz:
e o seu, como foi?
Y³, periquito diz:
Dar presente para a mamãe Ouvir o CD junto com a mamãe. almoço na casa da Vó Primos/prima Visita surpresa à minha tia-avó Tocar a música que ia tocar no casamento dela e fazê-la ficar muito contente. Fazer caca com o gabriel no telhado da casa da vó. Resgatar perna-de-pau velha feita por mim e tentar andar Brincar de pega-pega. Ir na casa da outra vó e comer pizza.
Maritaca! diz:
hum... seu dia das mães parece tão mais divertido que o meu... Mas acho que é mesmo, afinal, sua família parece mais .. familiar .. que a minha
Y³, periquito diz:
Não... não acho que seja...
Y³, periquito diz:
E eu estou com saudade de você.
Maritaca! diz:
Não fique. Pensa que amanhã a gente vai se ver....... que vamos ficar conversando por horas...
Y³, periquito diz:
Fico sim! Desde quando a certeza de te ver amanhã me faz ficar com menos saudades hoje??
Maritaca! diz:
não sei, não sei... Mas é o que eu digo para mim mesma quando você vai viajar... "Só mais um dia , Marina, só mais um dia"... E aí no outro dia tem um problema qualquer e a gente não se vê, e eu simplesmente me distraio com outra coisa qualquer...
Y³, periquito diz:
É assim mesmo. Só que sentir saudade não é uma coisa ruim. Deixa eu ficar com saudade de você!
Maritaca! diz:
Pode ficar ^^
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
estou mesmo cansada. como todos os outros dias, eu acho.
Y³, periquito diz:
Vai descansar um pouco.
Y³, periquito diz:
[Meia?]
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
a luda deu o nome das meias dela de marina.
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
mas não estou me sentindo inteira mesmo
Y³, periquito diz:
Juazeiro, Juazeiro Me arreponda por favor Juazeiro, meu amigo Onde anda o meu amor?
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
Ninguém sabe do seu paradeiro
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
Ninguém sabe pra onde ele foi Pra onde ele vai
Y³, periquito diz:
Stephen may be feeling all alone
Y³, periquito diz:
Stephen never do that again Come back home
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
Come and take me home Leave me to your door Take me where you are
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
yuri?
Y³, periquito diz:
Marina?
Y³, periquito diz:
Você está viva?
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
estou, aparentemente oO
Y³, periquito diz:
Por que você sumiu?
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
eu não sumi, Estive sempre aqui, esperando uma resposta tua.
Y³, periquito diz:
Na verdade eu fiquei esperando uma resposta sua.
Y³, periquito diz:
Algo me diz: que a conexão entre os nossos messengers está falha.
Y³, periquito diz:
a última coisa que eu recebi de você foi isso: Ninguém sabe pra onde ele foi Pra onde ele vai
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
acho que sim
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
não é certo nós dois ficarmos esperando um pelo outro.
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
jh
Y³, quigombó diz:
Não, não é. Eu normalmente respondo rápido...
Y³, quigombó diz:
jh?
Y³, quigombó diz:
Marina?
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
que é? desculpa-me, não me acho...
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
now it's only you
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
even tough it's never just only.
Y³, quigombó diz:
Eu não sei se há continuidade nas nossas frases?
Y³, quigombó diz:
esse ponto de interrogação não devia estar aí.
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
não nas minha, sei que não há. Eu devia ir dormir. Na verdade já estou dormindo.
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
really horrorshow
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
eu te amo.
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
porque essa é a única frase que digo que soa cálida, límpida, verdadeira?
Y³, quigombó diz:
Eu gosto dela. Tire o ponto de interrogação e não separe o porquê. Eu te amo.
Y³, quigombó diz:
Me faz um favor?
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
talvez seja por isso que eu a repita tanto. sempre.
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
faço tudo.
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
apenas peça
Y³, quigombó diz:
dê um sorriso?
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
...
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
claro que dou
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
e ao dá-lo, vejo as lágrimas correndo por minha face, mas estranhamente me sinto mais leve, e endireito-me na cadeira, sob este corpo pesado. Dispo-me de tudo o que me prende, mas minhas costelas ainda estão lá.
Y³, quigombó diz:
Eu queria saber o porquê das suas lágrimas. Mas não precisa, se não quiser. Apenas durma. As costelas te prendem, mas sem elas você ficaria imóvel.
Marina... apenas uma meia, tipo diz:
Pois é, o que me prende, me sustenta. Mas eu também não sei o porquê das minhas lágrimas. Acho que é o preço justo de um sorriso...
Y³, quigombó diz:
(A gente sempre sabe o porquê das nossas lágrimas...) Vai dormir, passariha preta.
Mali-mali diz:
Às vezes eu queria que você parasse de falar... É mais difícil desmentir a verdade quando ela vem de alguém que a gente ama mais que...
Y³, quigombó diz:
então me manda calar a boca. Eu não vou te amar menos por isso. Agora vai.
Mali-mali diz:
Boa noite, Pégaso.
Y³, quigombó diz:
Boa noite, meu amor...
Mali-mali diz:
(acho que se se eu te mandasse calar a boca, me sentiria uma menina mimada)
Y³, quigombó diz:
(faça isso se esse sentimento for mais confortável que ouvir)
Y³, quigombó diz:
(não que eu ache que ele seja...)
Mali-mali diz:
Boa noite, meu amado Pégaso. Com um beijo-nota musical, abro minhas asas para o céu: salto pela janela e desapareço na distância.
Mali-mali diz:
E até amanhã.
Y³, quigombó diz:
sol
Y³, quigombó diz:
E você vai sumindo... Boa noite... (sussurro)
Visão de Mundo
"Welt é mundo, e schauung é olhada, por isso Weltanschauung deve ser algo como olhada no mundo" - Mamãe
Há mais ou menos um ano, numa bela manhã cujo sol podia ser apreciado pelas amplas janelas da sala 4, nossa insubstituível professora de Filosofia (com Fi) nos deu uma intrigante lição de casa: que escrevêssemos um registro de nossas respectivas Weltanschauungs e colocássemos num envelope que só seria aberto cinco anos depois.
Eu não fiz isso, é claro. Na época eu simplesmente esqueci ou achei que os escritos neste blog ou nos meus diários seriam registro suficiente. Mas preciso reconsiderar minha escolha. The universe is shouting.
A verdade é que eu mudei muito desde aquele dia. Cresci. Amadureci, talvez. Em verdade, fiz muita coisa: participei de diversas competições, as quais de modo geral não me deixaram especialmente feliz ou triste; fui a inúmeras festas nas quais dancei enlouquecidamente; aprendi, numa festa dessas, que a dança se torna melhor e mais compensadora quando se tem um par; vivi intensamente meu primeiro amor, apegando-me a disputas irreais e verdadeiramente tolas; assisti e fiz teatro com alegria e prazer inexplicáveis; discuti temas dos quais notavelmente eu não sabia nada; chorei por horas sem saber o que fazer da vida; tentei me apegar a um mundo de mentiras e aflições e ilusões; senti muita raiva; senti muito medo; senti raiva de quem me fizera ficar com medo; reconheci meus amigos como verdadeiros; cantei músicas novas; dei meu primeiro beijo intencional; senti ciúmes; quase morri, e evidentemente não aproveitei uma oportunidade maravilhosa, por saudades; menti; feri; contrariei minha natureza (coisa que a Ana Maria Bruner nos tinha aconselhado não fazer); sofri dores que não eram minhas; etc.
Talvez se eu realmente tivesse descrito minha Weltanschauung naquele tempo, poderia notar claramente como ela fazia mais sentido do que esta que tenho agora, e que quase não existe. Mas pelo menos agora minha ortografia está melhor.
*suspiro*
E a verdade é que a vida se faz entre perdas e ganhos. Claro que em maio da 2004 eu não diria isso, mas é. As viagens... bom, às vezes são maravilhosas, às vezes são mais ou menos, mas acho que, boa parte das vezes, as melhores viagens são também as mais sofridas: dor de garganta e saudades (essa acompanhada de solidão, é claro) são o tipo de coisa que eu sempre associo a viagens absolutamente maravilhosas. sim, absolutamente. Ou festas: a festa da Amanda, por exemplo, foi fantástica. Aprendi que dançar é mais que a música, é também uma espécie de conversa entre almas. Entretanto... entretanto me lembro de fugir do meu par, e procurar meu amor, que muitas vezes sequer olhou para mim.
Por outro lado a viagem para a fazenda Gávea foi muito boa. Afora o fato do próprio Charles muitas vezes se excluir do grupo pra ficar lá longe, lendo, não consigo me lembrar de coisas ruins nessa viagem. Aliás foi nela que comecei a chamar bis (o doce, por favor) de giz. Acho que algumas coisas não abedeçam a esse princípio em absoluto. Talvez essa viagem, assim como aquela para Guadeloupe, sejam para balancear outra derrotas na minha vida. Mas não importa. Não importa porque estou feliz por exemplo pela Veri. E pela música.
Eu menti.
Estou um pouco consada de mim mesma. Tenho a impressão de que não falo francamente, e isso me incomoda. Queria voltar atrás, voltar ao tempo em que eu era incapaz de mentir. Provavelmente o tempo em que eu era sincera de verdade. Mas, por outro lado, eu nunca falava nada. Ninguém sabia quem eu era de verdade. Hoje em dia as pessoas sabem, mas não me sinto melhor. Às vezes eu queria que o mundo parasse de me fazer perguntas...
Eu queria poder ficar em silêncio. Não falar nada. Não precisar falar, nem escrever. Queria não ter perguntas a responder, e me comunicar apenas com o olhar. Assim quem sabe convenceria o mundo que é possível pensar sem usar palavras! Esquecer de tudo e descançar, acho que tudo o que sempre queremos é descançar!
Engraçado, há uns cinco meses tudo o que eu queria era que o fim de semana acabasse para eu poder voltar ao campo de batalha...
A momento of peace, my darling, that's all I want now...
Cansei das batalhas, e quanto ao resto, vocês têm razão: sou uma pessoa sem sonhos, sem ambições. Não vejo nada no futuro porque não tenho planos. Meu universo é um grande vazio... e eu no centro.
Mas tudo bem, porque nós ganhamos de 3 a 1 e eu joguei muito bem no gol... Sabe, se eu não achasse que é mister ser habilidosa para isso, quereria ser jogadora de algum esporte de bola para o resto da vida. Eu realmente pensava nisso quando praticava basquete no Pinheiros. Pode parecer estranho, mas sempre foi o que mais me fez feliz no mundo... Depois, talvez, de conquistar, de encontrar meu amor, é claro...
Mas pra falar a verdade, estou um pouco cansada das batalhas pelo mundo...
"Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
com sabor de fruta mordida
Nós na batida
no embalo da rede
afogando a sede na saliva..."
Há mais ou menos um ano, numa bela manhã cujo sol podia ser apreciado pelas amplas janelas da sala 4, nossa insubstituível professora de Filosofia (com Fi) nos deu uma intrigante lição de casa: que escrevêssemos um registro de nossas respectivas Weltanschauungs e colocássemos num envelope que só seria aberto cinco anos depois.
Eu não fiz isso, é claro. Na época eu simplesmente esqueci ou achei que os escritos neste blog ou nos meus diários seriam registro suficiente. Mas preciso reconsiderar minha escolha. The universe is shouting.
A verdade é que eu mudei muito desde aquele dia. Cresci. Amadureci, talvez. Em verdade, fiz muita coisa: participei de diversas competições, as quais de modo geral não me deixaram especialmente feliz ou triste; fui a inúmeras festas nas quais dancei enlouquecidamente; aprendi, numa festa dessas, que a dança se torna melhor e mais compensadora quando se tem um par; vivi intensamente meu primeiro amor, apegando-me a disputas irreais e verdadeiramente tolas; assisti e fiz teatro com alegria e prazer inexplicáveis; discuti temas dos quais notavelmente eu não sabia nada; chorei por horas sem saber o que fazer da vida; tentei me apegar a um mundo de mentiras e aflições e ilusões; senti muita raiva; senti muito medo; senti raiva de quem me fizera ficar com medo; reconheci meus amigos como verdadeiros; cantei músicas novas; dei meu primeiro beijo intencional; senti ciúmes; quase morri, e evidentemente não aproveitei uma oportunidade maravilhosa, por saudades; menti; feri; contrariei minha natureza (coisa que a Ana Maria Bruner nos tinha aconselhado não fazer); sofri dores que não eram minhas; etc.
Talvez se eu realmente tivesse descrito minha Weltanschauung naquele tempo, poderia notar claramente como ela fazia mais sentido do que esta que tenho agora, e que quase não existe. Mas pelo menos agora minha ortografia está melhor.
*suspiro*
E a verdade é que a vida se faz entre perdas e ganhos. Claro que em maio da 2004 eu não diria isso, mas é. As viagens... bom, às vezes são maravilhosas, às vezes são mais ou menos, mas acho que, boa parte das vezes, as melhores viagens são também as mais sofridas: dor de garganta e saudades (essa acompanhada de solidão, é claro) são o tipo de coisa que eu sempre associo a viagens absolutamente maravilhosas. sim, absolutamente. Ou festas: a festa da Amanda, por exemplo, foi fantástica. Aprendi que dançar é mais que a música, é também uma espécie de conversa entre almas. Entretanto... entretanto me lembro de fugir do meu par, e procurar meu amor, que muitas vezes sequer olhou para mim.
Por outro lado a viagem para a fazenda Gávea foi muito boa. Afora o fato do próprio Charles muitas vezes se excluir do grupo pra ficar lá longe, lendo, não consigo me lembrar de coisas ruins nessa viagem. Aliás foi nela que comecei a chamar bis (o doce, por favor) de giz. Acho que algumas coisas não abedeçam a esse princípio em absoluto. Talvez essa viagem, assim como aquela para Guadeloupe, sejam para balancear outra derrotas na minha vida. Mas não importa. Não importa porque estou feliz por exemplo pela Veri. E pela música.
Eu menti.
Estou um pouco consada de mim mesma. Tenho a impressão de que não falo francamente, e isso me incomoda. Queria voltar atrás, voltar ao tempo em que eu era incapaz de mentir. Provavelmente o tempo em que eu era sincera de verdade. Mas, por outro lado, eu nunca falava nada. Ninguém sabia quem eu era de verdade. Hoje em dia as pessoas sabem, mas não me sinto melhor. Às vezes eu queria que o mundo parasse de me fazer perguntas...
Eu queria poder ficar em silêncio. Não falar nada. Não precisar falar, nem escrever. Queria não ter perguntas a responder, e me comunicar apenas com o olhar. Assim quem sabe convenceria o mundo que é possível pensar sem usar palavras! Esquecer de tudo e descançar, acho que tudo o que sempre queremos é descançar!
Engraçado, há uns cinco meses tudo o que eu queria era que o fim de semana acabasse para eu poder voltar ao campo de batalha...
A momento of peace, my darling, that's all I want now...
Cansei das batalhas, e quanto ao resto, vocês têm razão: sou uma pessoa sem sonhos, sem ambições. Não vejo nada no futuro porque não tenho planos. Meu universo é um grande vazio... e eu no centro.
Mas tudo bem, porque nós ganhamos de 3 a 1 e eu joguei muito bem no gol... Sabe, se eu não achasse que é mister ser habilidosa para isso, quereria ser jogadora de algum esporte de bola para o resto da vida. Eu realmente pensava nisso quando praticava basquete no Pinheiros. Pode parecer estranho, mas sempre foi o que mais me fez feliz no mundo... Depois, talvez, de conquistar, de encontrar meu amor, é claro...
Mas pra falar a verdade, estou um pouco cansada das batalhas pelo mundo...
"Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
com sabor de fruta mordida
Nós na batida
no embalo da rede
afogando a sede na saliva..."
sexta-feira, 29 de abril de 2005
Indeed.
Sabe, as coisas do mundo não fazem muito sentido. Todas as coisas que passam pela nossa cabeça... Então quando encontramos alguém com quem concordamos muito, murmuramos apenas baixinho um sim, um é isso mesmo, e não dizemos nada, nada. O tempo parou para olhar para aquela barriga.
Eu poderia escrever meus posts simplesmente sem colocar nomes neles, eles são tão fúteis... E entretanto os coloco, mas por quê? Por algum motivo as pessoas acham que as coisas têm mais significado se colocamos nomes nelas. Hoje o Charles me fez perceber isso de uma forma bastante cruel. Mas neste caso, especificamente neste blog, nomes só atrapalham, pois levam a interpretações absurdas dos fatos, vejam só... As pessoas não percebem que minha mente, bom, segue uma linha diferente da lógica do mundo.
"Contudo, não viva para nós, viva conosco. Compartilhe seu sofrimento, seus amores, suas dores, suas vitórias, seus fracassos."
Isto me foi escrito há tempos... E na época eu já achei isso um absurdo. Não quero contar-vos nada, droga! Não vejo porquê. Na verdade eu até vejo, mas veja bem: eu não posso. Sinto no fundo da minha alma que não devo. Meus conflitos, notadamente os mais terríveis, são meus comigo; minha consciência da fragilidade do mundo repudia as friezas que crescem sob os meus véus e máscaras de bonitinheza. Meu amor, se tiveres comigo aprendido a ser cruel, então foi o contrabalanço que esqueceste de aprender: essa consciência dolorosa de que as pessoas são frágeis.
Estranho, não? É assim que vejo o mundo, não é? Fragilidade. As pessoas são frágeis. A terra, em tempo geológico, é forte, é confusa, é bela. O mundo é valioso, quase perene, resistente a pancadas de todo o tipo; as pessoas, porém, são fragilíssimas. Pois é por causa dessa fragilidade que faço o possível para não apertá-las; ao mesmo tempo, porém, cutuco-as, procuro seus limites, encontro suas máscaras, rodeio-as, sigo-as, testando suas fendas e fraquezas, em busca do núcleo denso e intrínseco. Algumas pessoas, claro, são muito fortes - isso não significa que não desmoronam às vezes, evidentemente. Mas são fortes. Essas eu admiro. Admiro e amo. Afinal, onde está a divisão? Yuri, porque essa barreira é visível?
Refração. Evidentemente a Admiração é mais rarefeita e confusamente livre que o amor. Amor não é liberdade. Amor está além desses conceitos estranhos; dor, alegria, liberdade, alienação. Já a Admiração evidentemente liberta. Afinal, a Admiração é o impulso inicial do filosofar.
É estranho, porque as coisas todas estão ao mesmo tempo no mesmo lugar, o que prova que existem mais de quatro dimensões.
Eu poderia escrever meus posts simplesmente sem colocar nomes neles, eles são tão fúteis... E entretanto os coloco, mas por quê? Por algum motivo as pessoas acham que as coisas têm mais significado se colocamos nomes nelas. Hoje o Charles me fez perceber isso de uma forma bastante cruel. Mas neste caso, especificamente neste blog, nomes só atrapalham, pois levam a interpretações absurdas dos fatos, vejam só... As pessoas não percebem que minha mente, bom, segue uma linha diferente da lógica do mundo.
"Contudo, não viva para nós, viva conosco. Compartilhe seu sofrimento, seus amores, suas dores, suas vitórias, seus fracassos."
Isto me foi escrito há tempos... E na época eu já achei isso um absurdo. Não quero contar-vos nada, droga! Não vejo porquê. Na verdade eu até vejo, mas veja bem: eu não posso. Sinto no fundo da minha alma que não devo. Meus conflitos, notadamente os mais terríveis, são meus comigo; minha consciência da fragilidade do mundo repudia as friezas que crescem sob os meus véus e máscaras de bonitinheza. Meu amor, se tiveres comigo aprendido a ser cruel, então foi o contrabalanço que esqueceste de aprender: essa consciência dolorosa de que as pessoas são frágeis.
Estranho, não? É assim que vejo o mundo, não é? Fragilidade. As pessoas são frágeis. A terra, em tempo geológico, é forte, é confusa, é bela. O mundo é valioso, quase perene, resistente a pancadas de todo o tipo; as pessoas, porém, são fragilíssimas. Pois é por causa dessa fragilidade que faço o possível para não apertá-las; ao mesmo tempo, porém, cutuco-as, procuro seus limites, encontro suas máscaras, rodeio-as, sigo-as, testando suas fendas e fraquezas, em busca do núcleo denso e intrínseco. Algumas pessoas, claro, são muito fortes - isso não significa que não desmoronam às vezes, evidentemente. Mas são fortes. Essas eu admiro. Admiro e amo. Afinal, onde está a divisão? Yuri, porque essa barreira é visível?
Refração. Evidentemente a Admiração é mais rarefeita e confusamente livre que o amor. Amor não é liberdade. Amor está além desses conceitos estranhos; dor, alegria, liberdade, alienação. Já a Admiração evidentemente liberta. Afinal, a Admiração é o impulso inicial do filosofar.
É estranho, porque as coisas todas estão ao mesmo tempo no mesmo lugar, o que prova que existem mais de quatro dimensões.
quarta-feira, 27 de abril de 2005
A Respeito das Palavras
Confuso. Falar sobre as palavras. Mas diria Iris Murdoch, eu acho, as palavras fazem o mundo ser mundo. "How do you think without words?" Evidentemente há uma certa discórdia a respeito da definição de pensamento. Eu posso afirmar certamente que penso sem palavras, entretanto, de que isso me vale, se algumas pessoas não considerariam isso um pensamento?
Por outro lado, de que me vale um pensamento que não pode ser traduzido em palavras?
Estou ficando com sono. Isso significa que logo estarei dormindo. Em verdade, não pensei isso conscientemente logo de cara: a sensação do sono foi analisada por meu cérebro num círculo inferior de pensamento (para quem não sabe, meu pensamento é circular), formando uma espécie de raciocínio prático, sem palavras mas com muito significado. Logo porém o pensamento emergiu para uma esteira mais superficial na minha mente, em que encontrou as palavras "sono" e "dormir" associadas a uma série de lembranças, cheiros, imagens, gostos, temperaturas, e outras sensações diversas, que combinavam com a sensação inicial, tornando meu sono mais complexo e intolerável. Evidentemente isso fez com que o pensamento saltasse dessa vez para esteiras cada vez mais altas de pensamentos frasais como "estou com sono" e "quero dormir", cujas* significâncias reverberavam cada vez mais alto, até que enfim a frase chegou compreensível e boba a um nível audível na minha mente, numa forma refinada de pouco significado mas muito interessante do ponto de vista da interpretação e absolutamente registrável em palavras, infelizmente para vocês, que podiam estar lendo coisas mais interessantes que eu poderia estar escrevendo agora.
Porém todo esse processo complexo nem sempre acontece. Muitas frases, especialmente as poéticas, são formadas meramente pelo ajuntamento de palavras, pela associação de um verbo e um adjetivo segundo o texto de Machado de Assis, mas sem nenhum significado mais profundo: elas não reverberam, mas remetem a situações tão diversas que são fantasticamente interpretáveis e até certo ponto idiotas, por não significarem nada mais do que você quer que signifiquem. Tornam-se por vezes extremamente vagas, por terem múltiplos sentidos, ou sem sentido, por serem muito absolutas.
E, realmente, eu estou com sono. Boa noite.
*eu estou realmente insegura quanto ao uso desta palavra...
Por outro lado, de que me vale um pensamento que não pode ser traduzido em palavras?
Estou ficando com sono. Isso significa que logo estarei dormindo. Em verdade, não pensei isso conscientemente logo de cara: a sensação do sono foi analisada por meu cérebro num círculo inferior de pensamento (para quem não sabe, meu pensamento é circular), formando uma espécie de raciocínio prático, sem palavras mas com muito significado. Logo porém o pensamento emergiu para uma esteira mais superficial na minha mente, em que encontrou as palavras "sono" e "dormir" associadas a uma série de lembranças, cheiros, imagens, gostos, temperaturas, e outras sensações diversas, que combinavam com a sensação inicial, tornando meu sono mais complexo e intolerável. Evidentemente isso fez com que o pensamento saltasse dessa vez para esteiras cada vez mais altas de pensamentos frasais como "estou com sono" e "quero dormir", cujas* significâncias reverberavam cada vez mais alto, até que enfim a frase chegou compreensível e boba a um nível audível na minha mente, numa forma refinada de pouco significado mas muito interessante do ponto de vista da interpretação e absolutamente registrável em palavras, infelizmente para vocês, que podiam estar lendo coisas mais interessantes que eu poderia estar escrevendo agora.
Porém todo esse processo complexo nem sempre acontece. Muitas frases, especialmente as poéticas, são formadas meramente pelo ajuntamento de palavras, pela associação de um verbo e um adjetivo segundo o texto de Machado de Assis, mas sem nenhum significado mais profundo: elas não reverberam, mas remetem a situações tão diversas que são fantasticamente interpretáveis e até certo ponto idiotas, por não significarem nada mais do que você quer que signifiquem. Tornam-se por vezes extremamente vagas, por terem múltiplos sentidos, ou sem sentido, por serem muito absolutas.
E, realmente, eu estou com sono. Boa noite.
*eu estou realmente insegura quanto ao uso desta palavra...
terça-feira, 26 de abril de 2005
sexta-feira, 22 de abril de 2005
Pássaro-Preto
Oh if I was a blackbird, could whistle and sing
I'd follow the vessel my true love sails in
And in the top rigging I would there build my nest
And I'd flutter my wings o'er his broad golden chest
Quando criança, eu queria ser um pássaro-preto. Tão lindos eles eram, cantando escuros brilhantes nas árvores, voando... Achava-os mais belos que os sabiás e os bem-te-vis (e eu sabia diferenciá-los todos), tão pequeninos e doces como rolinhas negras de penas brilhantes e olhos ainda mais escuros.
Lindos.
Escrevi inclusive uma canção na qual ele aparecia.
Imagino que, quando comecei a criar personagens de nome corvo (raven), estava continuando minha fascinação por estes pequenos seres voadores de penagem negra. E agora, quando ouço essas músicas célticas, vejo que verdadeiramente os pássaros negros transpiram poesia. Quantas músicas não falam sobre eles!
Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arive.
É isso o que vejo de tão belo nestas canções: o pássaro-preto a voar pela noite, o ferreiro construindo o mundo, o marujo navegando esse mundo. O mundo, o mundo inteiro...
Boa tarde, meus amigos.
I'd follow the vessel my true love sails in
And in the top rigging I would there build my nest
And I'd flutter my wings o'er his broad golden chest
Quando criança, eu queria ser um pássaro-preto. Tão lindos eles eram, cantando escuros brilhantes nas árvores, voando... Achava-os mais belos que os sabiás e os bem-te-vis (e eu sabia diferenciá-los todos), tão pequeninos e doces como rolinhas negras de penas brilhantes e olhos ainda mais escuros.
Lindos.
Escrevi inclusive uma canção na qual ele aparecia.
Imagino que, quando comecei a criar personagens de nome corvo (raven), estava continuando minha fascinação por estes pequenos seres voadores de penagem negra. E agora, quando ouço essas músicas célticas, vejo que verdadeiramente os pássaros negros transpiram poesia. Quantas músicas não falam sobre eles!
Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arive.
É isso o que vejo de tão belo nestas canções: o pássaro-preto a voar pela noite, o ferreiro construindo o mundo, o marujo navegando esse mundo. O mundo, o mundo inteiro...
Boa tarde, meus amigos.
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