quarta-feira, 24 de agosto de 2005

Fome

No momento, não quero sentir mais nada.
Não sei do que posso falar agora.
Não quero falar de amor. Nem sei se amo ou se quero amar. Estou apenas raivosa, desenganada. Mas não quero falar de amor.
Não quero falar de política. Estou pouco me lixando pra porra de redação que eu vou tirar um puto dum D. Não quero falar de leviandades.
Não quero falar da morte, que morte e vida é tudo a mesma coisa. Não quero falar do que sempre falo.
Não quero falar de Evanael, Mara ou Melishkaro. Vocês já devem ter entendido todo o princípio das histórias que vos conto. Chuvas de sangue, destinos trágicos, a coisa toda. Não quero falar de morte.
Não quero falar do passado. O passado me lembra do quão estúpida eu sou, e de como achei que era forte apenas para poder chorar. Não quero falar de suposições erradas, ilusões e desilusões.
Não quero falar de conquistas. Acho que é porque não conquistei nada nos últimos meses. O que conquistei, sinceramente não precisava ter conquistado. Não quero falar do que há além do vazio, não quero abrir os olhos.
Não quero falar de planos. E sonhos não os tenho, nenhum. Não quero falar do que não existe.
Não quero falar da escola. Preciso estudar e isso me tira do sério. Não quero falar de frustrações, do inexorável.


Há qualquer coisa corroendo-me por dentro. Por que dói? Sempre a mesma história idiota. Hoje me sinto bem idiota. O mundo está de ponta-cabeça. Quero atirar-me num rio lamacento. Qualquer coisa que me impeça de existir esta existência fútil amanhã. Quero fugir, ir para uma cidadezinha no interior onde dê pra respirar e, principalmente, ninguém me conheça. Onde eu não tenha motivo pra ser feliz.

Afinal, aparentemente a única coisa capaz de me fazer feliz é ver meus amigos felizes.
Mas não sempre.

Sempre. Idiota. Droga. Raiva. Queria deixar aquele cachorro roer minha mão, que saísse sangue! Perturvador, absolutamente perturbador. Amar, por exemplo, é idiota. Na verdade só para mim e mais umas meias dúzias de céticos. Não sou cética. Apenas, como disse um grande amigo uma vez, eu amo demais, mas não consigo ser feliz com isso.

Mas também, como disse a Cláudia, a felicidade é histórica. Fosse eu inteligente procuraria algo melhor. Destino. Existencialissimamente porém eu escolho meu próprio destino e não há como fugir disso. Existencialismo. Não é difícil lidar com qualquer uma das escolhas, mas, vejam bem, como escolher qual o sentido da vida? A vida não tem sentido, nós é que dizemos o sentido que queremos que ela tenha. Qual destino eu quero perseguir?

Será que quero, como Marwa, viver e morrer na busca por um reencontro no infinito com o amor verdadeiro e o que quer que seja felicidade? Será que quero jogar tudo para o alto e ser feliz apesar dos outros? Será que quero me sacrificar para ver os outros sorrirem? Será que...















Esquece.













Eu não sei muito bem porquê estou chorando. Acho que é essa porra de vida que eu construí com minhas mãos fracas de goleira que deixa a bola entrar mesmo quando acerta a bola. Acho que é essa vida de mentiras. Acho que... não aconteceu nada... nunca... mesmo.













Acho que eu poderia dar uma explicação, se você me perguntasse. Mas seria uma explicação que mudaria a sua vida e a minha, inevitavelmente. Qualquer coisa que mataria o dragão, o príncipe e o lobo mau. Acho que, quando eu choro, é porque penso "droga! fiz de novo".

Mas, afinal, não é a vida apenas a conseqüência de nossas escolhas imbecis?

Qualquer que seja a verdade, eu preferia que....




.
.
.



É, tem razão, não vamos pensar mais nisso.

Nenhum comentário: