segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Perguntas (e uma Maldição)

De novo estou publicando provisoriamente. Lembrem que o resto da história está aqui.

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Ainda me lembro claramente da revolta que senti naquele momento, com os olhos antigos da velha observando o efeito que suas palavras tinham em mim. Ela terminou a história com um tom tão solene que eu decidi que ela só podia ser estúpida ou louca. Eu era uma criança que acrediatava no certo e no errado, e pra mim era uma coisa errada você contar uma história que não fizesse sentido. Que tipo de história era aquela, em que o herói deixa a donzela pra trás e depois a mata, e nem se sente mal? Na arrogância infinita que os meninos aventureiros tem, eu levantei a voz e exigi que ela pelo menos admitisse sua vergonha.

- Essa não é a história de Roder, sua velha louca! Achei que a senhora ia me contar uma versão nova e melhor porque a senhora é daqui, mas essa história é pior que as que a Lilinha, que tem três anos, conta! Não tem pé nem cabeça! Como que a Faelyn podia estar dentro da caverna, se ela tava esperando pelo herói por meses e anos?! Como que Faelyn podia ser o dragão, se o dragão tinha aprisionado Faelyn um primeiro lugar?! Como que...

Mas nessa hora a velha não estava mais séria e tinha começado a sorrir de um jeito maroto, um jeito mau, como se estivesse tirando sarro de mim, se divertindo como se eu tivesse caído direitinho em sua armadilha. Eu ainda tentei insistir mais um pouco mais, mas minha imaginação estava trabalhando mais rápido do que eu podia contê-la, e atribuindo sentido à história toda.

- Sabe o que que eu acho? Eu acho que você é Faelyn, e que você inventou essa história porque você queria ser a princesa que o Roder salvou, mas não foi, e ele matou o dragão e depois fugiu com uma outra princesa, uma princesa que não chamava Faelyn, e que era muito mais bonita e mais delicada e mais jovem que você, que é só uma velha coroca que nenhum herói gosta e que nem sabe contar história!

Eu estava revoltado e tinha perdido toda a delicadeza. Quando me dei conta do que havia dito, de quão gravemente eu havia insultado aquela senhora, aquela mulher apavorante que provavelmente também era uma bruxa, eu gelei, certo de que viria uma grande punição. O sorriso dela tinha diminuído, e eu senti que havia uma certa dose de desagrado naquele sorriso duro, que parecia forçado, e no jeito como os olhos verdes estavam fixados tão intensamente em mim. Eu estava com mêdo e queria procurar uma rota de fuga, queria escapar daquela mulher, mas também não podia desviar os olhos dela. E havia um pouco de orgulho ali também, porque eu não queria virar as costas para uma mulher tão baixa que podia destruir uma história nobre como a de Roder apenas por sua própria vaidade. Felizmente, antes que eu criasse coragem de fazer alguma coisa, ela tornou a falar:

- Você comete o mesmo erro de sempre, menino, mesmo depois que eu lhe avisei. O problema não está nas histórias, está nos ouvidos de garotinhos como você, que acham que só os que as avós deles contaram é verdade. Que acham que os heróis são grandes e apaixonados por lindas donzelas, que são frágeis e só querem ser resgatadas. Garotinhos como você nada sabem de dragões. Eu lhe dei uma história de grande poder, uma história que é verdadeira e fala sobre verdades, e você vai aprender o valor dela com o tempo. Essa história é sobre como Roder matou sua primeira donzela por ser apaixonado por dragões. Você encontrará, em sua vida, outras histórias que sua avó não poderia lhe contar, histórias que não são grandiosas e não falam sobre conquistas, e sim sobre derrotas. E você mesmo também viverá suas próprias histórias, e você entenderá que nem tudo é o que parece, e que nem sempre e fácil entender de que tipo de história você está participando...

A velha não estava mais sorrindo, só estava me olhando enquanto a sua voz melodiosa me enfeitiçava outra vez, e ela de novo parecia uma mulher jovem e bonita. Eu estava coberto de calafrios.

- Por exemplo, - ela continuou - a história do ogro que você matou. Será que ele era mesmo um monstro terrível raptor de donzelas? Ou será que monstro não é você, que entrou em sua casa e o agrediu, você, que começou, como Roder, querendo salvar donzelas, e que no final só tinha pensamentos para o sangue de monstro lhe cobrindo?!

Eu não podia mais me mexer, e tinha certeza agora de que ela era uma bruxa, que sabia tudo sobre mim e que ia me transformar em alguma coisa horrível, talvez um ogro. Conforme ela falava essas coisas, seu olhar ia ficando mais intenso e assustador, embora a voz continuasse calma e agradável. Mas, de uma hora para outra, ela estava vociferando, dizendo coisas que me perseguiriam pelo resto da vida.

- Você é amaldiçoado, Meranael! Você tem a maldição do matador de monstros e do contador de histórias, e você seguirá os passos dos grandes heróis, mas não os que você imagina, e sim os que eles realmente deram. Você enfrentará desafios, e conhecerá mais pessoas e lugares do que você espera conhecer, mas você terá sede pela verdade, e ela sempre escapará por entre seus dedos. Você contará muitas histórias, mas nenhuma história verdadeira jamais estará completa, e muitas vezes as histórias verdadeiras não farão sentido como você espera. Mas, enquando sua alma humana permanecer neste mundo, você não se desviará do seu caminho."

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Puta merda.

Eu não sei porque, eu só me sinto ofendida. Não sei bem o quê. A presença de você me ofende. A palavra, o gesto, a existência. De tudo, se pá. Era pra ser mais bonito, o sonho ainda é bonito, meus olhos na realidade vêem tudo desagradável. Mesmo o que é lindo, tudo parece que me exclui. Eu tenho o que nunca mais tivera: raiva. E eu não quero ter raiva.

Eu quero ser controlada e calma e saber o que fazer na hora certa. Eu quero andar com você. Eu quero ser respeitada, eu quero me respeitar. Eu quero merecer, mas talvez no fundo eu não me ache merecedora. É muito difícil.

Eu lembro do dia em que você me empurrou para frente e me deu a oportunidade de ser o líder do bando. Eu queria agradecer a você. Eu não sabia o que fazer naquela hora, mas agora eu quero saber. Eu não quero ser aquela pessoa que não consegue tomar decisões por conta própria, eu não quero ser apenas uma observadora. Agora eu quero ser.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Manhã em Raéa

Na cidade de Raéa tudo era tão bonito! As praças estavam cobertas de lírios e as torres dos palácios se erguiam claras e majestosas em direção ao céu azul e límpido lá em cima. Em Raéa nunca chovia, nunca ficava nublado, talvez porque a cidade estava acima da maioria das nuvens, no topo dos picos fantásticos que o povo comum chamava de Heaven. É claro que o nome original do lugar era Haven, mas quem discordaria do nome que o povo dava, quer dizer, haveria um lugar mais próximo de se chamar de Céu? Os enormes pássaros de Raéa se agitavam e cantavam para despertar a cidade. Os habitantes de Raéa, como qualquer povo de boa fé, veneravam a Quemi, o Pássaro das Cores, e a Quehy, a Fênix de Luz. Exemplares jovens das duas espécies saltitavam aqui e ali, colorindo e iluminando o ar em que dançavam; mas o pássaro mais presente da cidade era o que eles chamavam de Alma dos Ventos, uma ave imponente que parecia nunca parar de crescer e que viajava distância inacreditável para fazer seus ninhos nas torres dos palácios. E, como era bem cedo, os parapeitos das janelas estavam apinhados de Almas das Manhãs, os menores pássaros de Raéa (ainda um pouco maiores que um sabiá de peito laranja), que tinham penas macias como as plumas de um bebê e que se reuniam ao nascer do sol para se aquecer, conversar com seus irmãos em trinados baixos e graves e entoar adoráveis cantigas de acordar. Não havia melhor forma de acordar que o amanhecer de Raéa! O sol entrava por todas as janelas e fazia brilhar as torres imaculadamente brancas. As casas baixas, feitas de blocos mais rudes das pedras claras das montanhas, estavam cobertas de flores delicadas que se abriam ao toque do sol. Cada porta, esculpida na mais nobre madeira jovem que crescia timidamente abaixo das nuvens, se abria, e cada janela, apenas para deixar o vento entrar. Logo todos estariam despertos, e a cidade estaria cantando com o prazer de um novo dia. Era por essas manhãs que Lyserh vivia. Ele adorava saltar para a rua e sentir o ar correndo por sua pele enquanto abrandava a queda. O azul do céu e o branco brilhante das casas e das flores o preenchia , como o calor do sol. Ele cumprimentava os pássaros ao caminhar pela praça. Era sua vez de ser feliz. Era tudo o que tinha na vida.
Neste dia, Ly também estava feliz porque ia conseguir uma coisa a mais, uma coisa a mais a que se agarrar nos momentos em que a luz parecia distante. Ele não tinha a menor dúvida de que a partir de então ele seria feliz! Ali, em Raéa, onde cada dia era perfeito, ali ele ia encontrar seu lugar do lado direito de Deus. Era impossível parar de sorrir. Ali ele ia encontrar aquilo que daria sentido à sua vida.
Ele atravessou mais algumas praças cobertas de lírios, e algumas ruas estreitas e floridas, saltitando de pedra em pedra e cantarolando para acompanhar as Almas. Antigamente ele costumava pensar com freqüência em como seria, depois da morte, é claro, ser um pássaro e passar seus dias planando e chilreando por aí; mas hoje esse pensamento sequer lhe ocorreu -- a vida parecia tão bela assim do jeito que estava! Era difícil pensar em coisas tristes ou mesmo coisas imperfeitas neste dia alegre.
Uma sombra passou por sua cabeça; a sombra do pórtico que separava seu bairro, cheio de jardins, do centro de Raéa, onde as construções altas de pedra antiga e acinzentada deixavam todo o espaço fresco e sombreado. A rua em frente era longa, estreita e cheias de portas dos dois lados, numa parede de sobrados interrompida a cada dezena de metros por vielas laterais. Mais adiante, a rua se inclinava em direção ao cume da cidade, e os topos das construções da região mais alta apareciam por trás dos telhados dos sobrados.
Lysere pôr os pés no chão e correu pelos próximos quarteirões, ansioso agora que podia enxergar a ponta do prédio ao qual se dirigia. As ruas estreitas e sinuosas do centro estavam apenas acordando, e o menino, que conhecia Raéa com a planta dos pés, corria através das primeiras barracas montadas nos mercados, e cortava caminho por dentro das galerias que acabaram de abrir, e se enfiava em ruelas esmagadas entre casarões para atravessar pracinhas nos fundos dos quarteirões. Em Raéa, conforme se chegava mais perto do cume, mais as construções tinham ornamentos e torres e balaustradas, e mais eram feitas de pedras coloridas e inclusive mais escuras, e aqui algumas delas tinham também gárgulas pretas sobre os balaústres, beirais e cumeeiras, com formato de dragão mostrando os dentes, e mais para cima ainda haveria gárgulas de pedra clara, com formato de grifo ou de águia, e nos pés e nas costas das gárgulas as Almas das Manhãs faziam seus ninhos, equilibrados.
Mas a rua que Lysere procurava era uma curta e um pouco mais larga, escondida no meio das ruas amontoadas do centro, ainda na região onde as gárgulas eram pretas e as construções eram de pedra cinza mais escura que em todo o resto da cidade. Para chegar nessa rua era preciso passar por galerias e vielas e caminhos que nem todos conheciam, e ela estava fora de todas as rotas da vias grandes, e por isso era muito vazia e tranqüila, e a essa hora da manhã parecia deserta. Essa era a rua dos mestres do conhecimento, que viviam reclusos com seus discípulos em suas torres estreitas. Cada torre era cercada por um muro baixo, com portões vazados e ornamentados que davam para a rua, e muitas delas tinham jardins ou sacadas, onde às vezes era possível ver um aprendiz dormitando, lendo ou apreciando a manhã. Algumas das torres eram apenas prédinhos quadrados de três ou quatro andares, outras eram circulares e iam afinando nos andares mais altos; algumas delas tinham portões grandes no andar térreo, outras tinham portas pequenas de madeira, e algumas ainda tinham apenas uma escada exterior que levava a uma porta-balcão no meio do segundo-andar. Muitas delas tinham os andares superiores feitos de pedra branca, como as casas das periferias da cidade. A Rua dos Mestres era uma das mais antigas da cidade, e quando Liserh corria por ela ele sentia o cheiro das madeiras e pedras escuras e das trepadeiras que cobriam todos os muros e quase fechavam as grandes janelas, e sentia o olhar das gárgulas monstruosas vigiando-o em seu caminho, o mêdo que toda criança tinha daquela parte da cidade se somando ao nervosismo pelo que ia acontecer com ele hoje. Quando chegou ao seu destino, Liserh parou para recuperar o fôlego e a calma, querendo parecer controlado e respeitável ao entrar.
Era apenas por um acaso histórico que a pena de Raéa do Braço do Grande Anjo, a força militar de elite que servia à defesa de Heaven, tinha sua sede na Rua dos Pensamentes. O prédio da sede se destacava de longe porque suas paredes eram impecavelmente brancas, livres de trepadeiras, ao invés de ter gárgulas negras e assustadoras espalhadas pelos beirais, tinha um único Grifo branco e dourado alçando vôo de cima da grande janela do terceiro andar, sobre um telhado ornamentado apenas com telhas em forma de penas. O terreno era maior do que os outros da rua, e o portão era mais alto, e o próprio prédio era mais largo, e embora não fosse um dos mais altos, ele se destacava por seu uma construção inteiriça, diferente das outras torres que tinham pedaços construídos em época diferentes. Desde a primeira vez em que vira aquele prédio, Liserh sentira que ele era especial, e quando aprendera na escola que aquela era a sede do Braço do Grande Anjo, se tornara seu sonho um dia ser chamado para entrar naquele lugar.

(estou publicando provisóriamente, deixem comentários)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Explanação

Yeah, ok, eu vou explicar what was that all about.
Hoje tivemos uma reunião pra discutir o que vamos fazer com a nova casa, o que comprar, quanto vamos gastar, yatta yatta yatta. E eu meio que fui convencida de que meus gastos regulares vão subir consideravelmente, e eu ainda não estou convencida de que vou conseguir ganhar o dinheiro necessário, e isso me assusta. É claro que tem outras coisas envolvidas, mêdo de mudar de vida, mêdo de sair de casa, a dor de abandonar coisas familiares, a insegurança perante o futuro, etc etc. Mas a questão objetiva que mais me apavora é que eu simplesmente não sei se eu consigo grana suficiente.

Quer dizer, eu planejo conseguir bolsas de IC e monitoria, eu planejo conseguir dar aulas particulares, mas tudo isso é tão inseguro, é tanta coisa que eu nunca consegui antes e que eu não sei se eu estou simplesmente sonhando alto demais de novo... Meu mêdo é de ser obrigada a arranjar emprego, o que me obrigaria a deixar a faculdade meio em segundo plano. No fundo, meus irmãos estão empregados, meu namorado está formado, e eu me sinto a caçula, dando passos maiores do que o razoável para acompanhar o andar de gente mais velha, mais estabelecida, mais confiante. Eu estou apavorada, e eu não sei como encarar esse mêdo. Eu não sinto que exista nenhuma boa opção, eu não me sinto capaz de fazer o que é preciso, eu não acho que nada vai dar certo só porque tem que dar, de alguma forma. Eu não acho que as coisas vão se acertar.

Eu estou apavorada, e eu sei que a solução seria eu ser forte e eficiente e mostrar serviço e conquistar as coisas certas, mas eu estou tão assustada e confusa que só está mais difícil do que nunca fazer a coisa certa. E eu nunca fui boa nisso de qualquer forma. Eu sempre fui ligeiramente incompetente. E eu sinto que de repente eu não vou ter mais espaço pra isso, e que eu não vou mais conseguir acompanhar. Que eu vou simplesmente parar de conseguir bancar as coisas. Que pra mim vai ser consideravelmente mais difícil que pros outros, e que talvez eu acabe desistindo. Você não é tudo o que eu preciso, e eu não sei se eu tenho o que eu preciso pra sobreviver.

Eu estou apavorada, e eu não sei ainda se esse pavor é fundamentado.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Fear

Take me with you when you face the world
When the world begin to fall apart
Take me with you to the darkness's heart
Take me to the end of all I know

When the voice of hope become a whisper
When the horror overtake the land
Take me with you, guide me by the hand
Through the path of firestorm and blister

Take me through the tempest and the cold
Take me with you when you leave your shelter
When the wings of dream lose all their feathers
Lead me through the nightmares that unfold

Take me with when you face our doom
Through the thunders of the unforeseen
Leave me there, where all the fears begin
Make me watch the reckless future bloom

Essa coisa de ter amigos

Tenho lido o blog da Hita, porque parece que ele está sendo muito intenso ultimamente. Acho impressionante como seu blog é diferente de todos os outros, garota. Você fala com todas as palavras, você briga, expõe, não tem mêdo de mostrar a realidade como ela é. Algo que eu nunca poderia fazer. E eu já sou muito mais expositora que algumas pessoas, como a Cacau, ou o Brunok. Eu relevo sentimento, mas você dá nome aos bois. E você fala diretamente com seus leitores, enquanto eu me recuso a direcionar, eu deixo as pessoas se perguntando.

Quando eu voltei do curso de verão, a primeira coisa que vi foi seu blog. Estava rolando uma comoção, a Hita reclamando que seus amigos não tinham entendido que ela precisava de ajuda, os amigos se sentindo injustiçados porque eles não conseguiam ver como entender. Isso sempre acontece, né, nossos amigos nunca são exatamente tão bons quanto a gente quer. Eles nunca nos conhecem de verdade, tão profundamente quanto a gente gostaria. E eles nos decepcionam quando a gente mais precisa de ajuda, porque quando a gente mais precisa de ajuda é justamente quando a gente menos consegue pedir ajuda.

Provérbio chinês: "Ofereça ajuda quando seu amigos menos merece, porque é nessa hora que ele mais precisa". Amizade é uma coisa complicada. A gente é ruim em pedir ajuda.

Pra falar a verdade, eu acho que com meu Gato, consegui chegar muito perto de ter alguém que me entende, alguém que está comigo o tempo todo e que me enxerga. Mas mesmo ele não percebe quando eu estou realmente mal. Tem dias em que eu simplesmente falo que eu tô mal. Outras vezes eu não consigo. Eu me esforço muito, e hoje em dia eu até consigo pedir colo na maior parte das vezes em que é necessário, mas às vezes só o colo de certa pessoa vai resolver, e quem é essa pessoa varia muito, não é necessariamente uma das pessoas mais próximas de mim. Eu me esforcei muito e consegui conquistar uma vaga compreensão de como pedir colo quando é necessário, mas nem sempre funciona. E meus amigos não têm a menor chance de descobrir isso por mim. Eles não são capazes de enxergar através da minha carapaça, e acho que nunca vão ser. Alguns até conseguem perceber quando precisam ficar quietos. O foda é que freqüentemente os que percebem melhor também são os menos capazes de ajudar. Não sei bem por quê.

Acho que foi importante pra mim ter tido um namorado totalmente tapado, que nem percebeu quando eu estava infeliz e deprimida. Quando eu me dei conta disso, eu comecei a me esforçar pra falar mais o que eu sinto, e pra não guardar tanto pra mim as coisas que eu acho que podem machucar. Pra falar a verdade, provavelmente também foi importante ter estado deprimida e precisando de ajuda o tempo todo. Acho que foi importante também ter namorado um cara mais racional e direto, com quem eu me sentia à vontade mas que tinha dificuldade de entender o que eu sentia a menos que eu falasse claramente. Eu me forcei a aprender a falar as coisas em língüa de humano para que ele pudesse me ajudar, e com o tempo isso realmente funcionou. Mas no final eu prefiro o cara com quem eu me sinto à vontade pra me comunicar por ganidos, porque it doesn't come naturally. Falar ainda é um pouco difícil pra mim. Quando eu tô realmente mal, eu não consigo me expressar verbalmente.

E a gente quer muito, sempre, que os nossos amigos nos entendam. Que alguém nos entenda, porra, não pode ser tão difícil. Não é possível que eu seja um monstro, não é possível que eu seja incompreensível. Mas perguntava a Clarice, "sou um monstro, ou isto é ser uma pessoa?". Eu cheguei à conclusão de que eu sou um monstro. Tão poucas pessoas são realmente parecidas comigo. Com o tempo eu meio que me conformei e parei de esperar que qualquer um me entendesse. Eu decidi que eu não me importava, que foda-se, eu vou ser isto que eu quero ser, e você sejam o que vocês quiserem, e eu não vou nem tentar ser parecida com um ser humano. Eu vou ter pernas peludas e usar saia, eu vou uivar no meio da tarde, eu vou subir em árvores de vestido, eu vou ser bissexual, eu vou estudar matemática e biologia e computação depois de ter feito design, eu vou gostar de cerveja e de balada e de karaokê e de jogos de mesa e de correr no parque e andar de bicicleta, eu vou rosnar e gritar e rugir e morder e deixar roxos e passar halls e ganir e conversar por miados e ouvir folk e rolar na terra e me molhar inteira na água de chuva de sampa e gostar de cheiro de bosta de cavalo e de corpo de gente e de pêlo de gato e me atrair por gente velha ou feia ou andrógina e não sentir vergonha de ser uma combinação estranha. Talvez você tenha nojinho de mim, mas não é realmente justo. Eu não sou suja. Eu não sou sem noção. Eu só avalio os prós e os contras, e tomo decisões, como todo mundo. Os meus prós só são um pouco diferentes dos seus. E eu confio bastante no poder purificador de um banho no final do dia.

Ninguém é parecido de verdade comigo, então eu me apego às pequenas coisas. Você rosna, e eu te amo por isso. Você curte matemática, então vamos bater muito papo. Você tem questões parecidas com as minhas, então vamos tentar nos ajudar. Eu passei muito tempo procurando por alguém como eu, mas eu não acredito mais nisso. I'll take what I can get, e ficar contente. E se ninguém é parecido comigo, como eu posso esperar que alguém entenda?



Acho que eu divergi um pouco do meu assunto inicial, que era a discussão no blog da Hita. As pessoas se sentiram muito ofendidas com a idéia de que elas tentaram ajudar, mas não conseguiram, e ainda levaram bronca por isso. Eu não saquei muito porque ficar ofendido. Sim, é chato quando você tenta ajudar e leva patada, mas péraí, as pessoas quando estão mal sempre têm esse direito fundamental de ficarem decepcionadas com a inabilidade dos amigos de ajudar. Quero dizer, quem nunca? Talvez seja meu hábito achar sempre que eu poderia ter feito melhor, que se eu fosse melhor, tudo teria sido melhor. Eu sou meio egocêntrica nesse sentido. Eu acredito de verdade que eu poderia ser mais perceptiva e mais capaz de ajudar. Eu fico muito triste com não conseguir atravessar a carapaça de alguém. E também, eu não acredito muito nessa história de dar bronca de volta. Péra, deixa eu recomeçar este raciocínio:

A Hita tem esse blog no qual ela escreve o que ela pensa, sem meias-palavras. Ela escreve o que ela sente, na lata, por inteiro. De vez em quando, como todo mundo, ela desabafa. De vez em quando, como todo mundo, ela está puta com seus amigos porque eles não foram bons o suficiente (pelo menos me parece que todo mundo deve ser assim). Ok, vamos conceder, nenhum amigo é perfeito, e você poderia ter dito na cara deles que eles estavam falhando. Ou na nossa cara, enfim. Mas a pessoas frequentemente são ruins em falar as coisas na hora certa, aí elas guardam pra elas e depois desabafam. É assim que é. Eu não entendi muito bem por que, nesse contexto, alguém se ofenderia. Mas, pensando bem, acho que possivelmente você mesma, Hita, se ofenderia se falassem isso pra você. Mas ninguém é realmente um amigo tão bom quanto seria ideal. Eu pelo menos nunca tive um amigo que conseguisse me ajudar de verdade nos piores momentos. Que percebesse quando eu preciso de ajuda de verdade. É nessas horas que a gente fica mais recluso e difícil de entender. E eu sei que não sou capaz de entender as outras pessoas nessas horas, e isso me dói. Mas eu também tenho raiva dos meus amigos porque eles não são bons o suficiente; talvez por isso eu não consiga me ofender. Mas depois passa, eu não posso ficar muito tempo com raiva de alguém só porque essa pessoa não me entendeu quando eu fui enigmática. Só aquela desilusão fica, aquela decepção de perceber que as piores coisas a gente acaba enfrentando sozinho.

Aquela decepção de perceber que as piores coisas a gente acaba enfrentando sozinho, sim. A gente se sente muito solitário.

Sabe o quê, eu ainda espero ter amigos nos momentos difíceis. Eu vou até eles e falo "tô carente, me dá um abraço". Ou eu só pulo na piscina e choro sozinha. Mais freqüentemente, eu peço mais algumas cervejas e tento me distrair. Ou eu saio correndo e deixo todo mundo preocupado. Eu acho meio chato que eles não saibam como me ajudar, e às vezes, se alguém fala a coisa errada, eu nunca mais volto a confiar. Mas eu ainda espero, um pouquinho. Alguém que beba comigo, que cante comigo, que corra comigo. De vez em quando. Cada pessoa tem uma habilidade especial. Que jogue video-game. É tão difícil, e não tem ninguém que seja bom o tempo todo. Tem algumas pessoas que parecem que são ruins em tudo, e entretanto são ótimos amigos pros momentos felizes. No fundo eu uso as pessoas, a habilidade de cada uma, quando eu consigo identificar o que eu preciso. Mas é uma habilidade que eu demorei pra adquirir. Apenas dois anos atrás eu ficava chorando e pedindo ajuda pras pessoas erradas, e me decepcionando com a inabilidade delas.

Acho que saber passar pelos momentos defíceis é muito, muito mais fácil quando a sua vida é feliz. Quando você está desanimado e desesperado com a vida, você acaba sendo incompetente em sair da fossa também. Ou talvez seja uma questão de amadurecimento. Mas é preciso ter muito desprendimento, e muita desconfiança. Pra mim essa foi uma habilidade nascida da desilusão. Bom, disso, e do amor também, de ter mais amigos do que eu consigo aproveitar, de ter pessoas muito diferentes em quem eu consigo confiar, de estar apaixonada por algumas delas. Mas principalmente saber as falhas das pessoas. Às vezes os defeitos são o que fazem um amigo melhor nas horas ruins. Principalmente os defeitos te fazem saber o que contar e o que não contar para uma pessoa, e quando contar com ela, e quando não. No fundo as pessoas não sabem o que você precisa, elas só sabem o que elas conhecem, e às vezes elas não precisam entender o que você precisa pra te ajudar. Na verdade, acho que elas não tem como saber. Por isso acho que a pior parte a gente faz sozinho, que é a parte de descobrir o que vai nos fazer melhor. Se ao menos a gente soubesse, seria fácil pedir ajuda. Mas a gente não sabe, e ninguém sabe. Por isso eu acabo pedindo mais umas cervejas, tentando perder a timidez e agir por instindo. Por isso eu rolo na terra molhada e me molho na chuva. Nenhum de vocês entende o que está acontecendo, mas talvez se eu fizer o que meus instintos mandam, eu consiga expressar, ou me ajudar. Talvez.

Existe uma coisa que acontece quando a vida vai engrenando, que é que as coisas vão ficando mais fáceis de aguentar. Você consegue achar motivação pra seguir em frente, mesmo quando tudo parece ruim e escuro. Você tem um senso de identidade, abstrato mas presente, em senso de objetivo ao qual recorrer. Às vezes parece que tudo vai colapsar, mas aí você descobre um livro novo, ou um teorema novo, ou uma pessoa nova, ou uma bebida nova, ou seu professor vem te perguntar se você quer trabalhar com ele, ou você se apaixona, ou um jogo novo, ou um curso de verão, ou alguma coisa. Você cria uma rede de segurança, que cria novas linhas pra te segurar. Aos poucos você começa a confiar que sempre vai ter alguma coisa nova, que você nunca vai cair. Aí, mesmo quando você está caindo, você consegue manter a calma. Você já passou por isso antes, e sempre conseguiu voltar.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A Lot of Thoughts

These last two weeks I've been somewhere else. Living with different people, speaking a different language. Laughing at different jokes. There's much on my mind, from the last two years. It seems that everything has changed. I want to sing this song right now, before this dream is forgotten. I want to whisper this on your year. I just wished somehow I could be more sincere. There's much to tell, and I want you to know.

The Rabbit-Skin


But you're so young
And your skin is so smooth
And when I'm near enough
you smell so good
And you're so young
And you're so proud
And you look at me
as if

But you're so young
And you smell so good
But your skin's so smooth
As that of children
And you make us laugh
And you want to speak
Want to be at ease
But you're just too young
To be it

But you're so bright
And you're such a kid
And you're so mature
And you're such a nice company
But you're so young
If you look at me
Makes me feel as if
I was a woman

The Buckskin, Dyed Red


So when I met you I had no expectations of you, and then with time, as I saw you looking up to me, I started to think of you as someone who would battle in my name. And then you disappointed me. Now I have no expectations again.

Of course I expect you to have some minimal virtue, but now I don't expect you to express it in any particular way. And I don't expect you to be one of the best. Slightly above average will do.

You must know how much you hurt yourself, and how much damage you've caused to someone else. But I don't think you realize how much you've hurt me. I feel like a mother whose children are never what she dreamed for them. Is that what this is about? Were my expectations as overwhelming as a mother's?

Well, much like a mother, I will probably never lose hope. I should watch you carefully, and wait, not daring to trust you, not believing your words when they are of pride and glory, but waiting, expecting, untill the moment (and I'm certain it will come) when you finally show undenyable worth.

But what I do is, I treat you as a friend. I pretend to accept you for who you are, and, to be honest, I try. I try to look at you with new, unaccustomed eyes, I try to see whatever else you are that is in itself worthy and not what I took you for when you actually fooled me. I try to see you with the eyes of the rest of the clan, the ones who were not being fooled (I hope). You are, after all, family. Everyone has accepted you.

But it is not easy. Ever since that time, I feel like I don't really know you. And just as a mother must let her children grow and become something different from what she expected, I must let you be yourself, and I must stop hoping and start accepting that you won't follow my lead. But, like my mother, I have no idea of how to let you be your own adult. I have no idea of how to let you follow your own rules, when, to me, they would be obviously wrong. I have no idea of how to stop judging your every step.

The Furs of The Wolf and The Winter-Fox


I saw her across the room and instantly recognized her as the handsomest woman there was. Not the most beautiful, no, because there were those who were out of our leagues, so confident, so competent, so beatiful, and there were girls who actually looked like beautiful girls, and her, she looked like a boy. She looked so much like him, and I had wanted him so bad for so long that it scared me, how I wanted that girl across the room, how I decided that no other was as pretty as her, I wondered if it was just a projection.

The next day, she wore female clothes, a tight shirt and a black skirt, and she just wasn't as pretty anymore. But the days passed and I stared at her, unable to avoid staring, unable to understand how she could look like that. Slowly the wish to approach her and tell her how hot she was returned, and she was wearing pants again, these tomboy-ish pants that said a lot more about her body than a boring skirt.

There's something amazingly attractive about a handsome woman, or a beautiful man. I realize that sometimes I'm the only one who sees it. And sometimes it happens that a woman is at once beautiful and handsome, and I noticed that even though many men want her, only a few seem to want her as bad as I do.

Or maybe I should just say: shut up, I like your hands.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Índice

Eu sempre quero contar pras pessoas quais labels (cadernos) elas devem escolher pra começar a ler. Eu tenho essa vontade de criar um índice, para que as pessoas possam ler as partes certas d que eu escrevo. Acabei me inspirando pela Lu, que não queria ler o blog inteiro, e acabou lendo só os zaforitos. Não é assim, também. Alguns dos cadernos foram criado para serem lidos como um filtro para pessoas específicas que iam se encher o saco com este ou aquele tipo de texto. Então vou fazer um pequeno índice dos que existem hoje:

Zaforitos - Era para ser "os 10% melhores", mas eu sempre acabo enchendo demais. Estes são os melhores textos, os que são mais bonitos e mais cheios de significados. Como ninguém se pronuncia muito, a seleção acaba sendo quase só minha.

Preciosos - Tem uns poucos textos que eu tenho vontade de guardar separado.

La Cantadora, verso e poética - Eu decidi dividir a parte mais ficcional e artística da minha escrita em três classificações que se referem principalmente à forma: prosa, verso e prosa poética. La Cantadora são todas as narrativas, todas as cantações de histórias. A maior parte das histórias está em formato de prosa, que não recebe um label especial. Verso são todos os poemas (na minha classificação um pouco indecisa) e Poética são todas aquelas prosas extremamente líricas e sensoriais e preocupadíssimas com a forma que vocês gostam tanto. Não sei porque, mas todos os posts que mais recebem elogios estão em poética. Deve ser a minha especialidade.
Estes cadernos são a parte importante do blog, pra mim. A parte que me separa de uma garotinha que só quer expôr todos os seus sentimentos. Eu quero construir algo a mais com eles! Eu faço questão absoluta de que todos os meus leitores tenham lido pelo menos um pouco de pelo menos um deles.

Coisas que eu penso - eu criei este label para o Diogo, porque achei que ele não ia se interessar muito pelos poemas e contos. Aqui há discussões políticas, filosóficas, sociolágicas interessantes. Alguns textos são quase dissertações. Acho um dos melhores cadernos, e um dos que mais revela sobre a minha visão de mundo. Eu gostaria de levar os leitores a pensar um pouco.

O que tenho feito - se você estiver interessado nos fatos da minha vida real. Como eu não escrevo muito sobre os fatos objetivos, é um pouco misturado com outros assuntos.

Aprendi Hoje - coisas curiosas que aprendi, pequenos pedaços de informação que achei interessante e tive vontade de compartilhar com vocês.

Dois - neste caderno ficam referência de coisas que eu vejo e leio e ouço, recomendações culturais e coisas assim. Se eu vejo uma coisa e gosto e quero que vocês vejam, ponho aqui.

Toca da Lôba - Criei este caderno quando resolvi mudar o nome do blog pela primeira vez na história do blog. Pra falar a verdade, o nome oficial deste blog ainda é Toca da Lôba, embora eu mude o título e o endereço não seja mais a ver com o título. Todos os posts daquela época ou que por algum motivo ainda pertencem àquela época estão marcados assim. Na verdade, este marcador não tem muita utilidade.

unlabeled - são coisas que eu tive preguiça de classificar. Algumas são só de antes de eu começar a classificar, mas entre as mais recentes existe uma correlação com posts deprimidos ou desesperados.

Fomos expulsos do Éden - É uma coletânea de textos que expressam a dor de estarmos separados da Natureza. Ultimamente não tenho escrito muito sobre isso, mas ainda é um dos temas importantes na minha vida. Mas acho que ultimamente tenho conseguido maior aceitação na minha paixão.

Acho que as outras labels não precisam realmente de um explicação.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Duas Mulheres

Todas as coisas fenecem.




Todos os seus olhos me acompanham. Há uma luz entre nós, uma discordância. Minhas mãos acariciam a sua, levemente; talvez eu ainda tenha um pouco de mêdo. Uma vontade muito grande de te abraçar, sem saber como te fazer se sentir amada.

Elogios. Eu sou a mulher das sombras, com sombras vermelhas cobrindo meu corpo. Os olhos dos homens me seguem quando eu passo. Eles sorriem, eles comentam e elogiam. Eles não entendem que não sou eu que passa, é a Mulher das Cores que passa. A mulher das sombras. É outras, é a Máscara que eu vesti ontem, a fantasia que escolhi. Eu não sou Lady, tanto quanto o Ítalo não é um travesti. Eles não entendem que eu nunca me vestiria daquela forma. Mas Lady sim.

Eu sou a mulher das cores, com cores vermelhas cobrindo meu corpo. Meu corpo feminino ressalta a feminilidade do personagem, e eu sou uma flor, por uma noite. Os olhos dos homens me seguem quando eu passo, mas eu conheço os olhares dos homens, e o olhar de hoje é apenas um olhar de apreciação. Eles sabem que não sou eu que passo, é a Dama que passa, a Mulher das Cores. Não é esse olhar dos homens que eu procuro, é o seu olhar que eu quero. Você atrai os meus olhos, mesmo quando você esconde os seus olhos, em dias como este em que você é um gato, mais que uma garota. Você não precisa ser sempre uma garota; você se dá ao luxo de às vezes ter uma beleza masculina, e outras vezes ser extremamente feminina. Esses mesmos homens que me olham quando eu passo, eles não conseguem te entender. Sua insegurança não é a mesma que a timidez das outras mulheres. Você nunca olha pro chão.




Eu me pergunto se você vai entender. Às vezes eu te vejo e não consigo tirar os olhos das tuas pernas, e isso me perturba, às vezes me perturba tanto quanto quando eu percebi as mudanças no corpo da minha irmã depois que ela começou a fazer academia - irmãs não deveriam ficar gostosas! E quando eu te conheci eu construí uma imagem sobre você, uma imagem nascida do embaraço de te encontrar na tarde seguinte, e do seu sorriso e da sua diversão. Mas você não é tanto um filhote como aquela mulher que nasce dos ossos do lôbo que a Mulher dos Ossos recolhe e sobre os quais ela canta. Ela canta a sua canção e você nasce, você mulher, você bruxa. Você Donii que vira fera e vira pássaro para trazer a bênção da Grande Mãe. Você nasce dos ossos e da canção e corre pelo deserto nua, as lôbas e as aves te seguem, você corre e grita jovem com longos cabelos ao vento; seu Daemon é uma criatura que dorme com você abraçado forte mas que voa longe sem precisar estar sempre do seu lado. Você engana, você esconde, você é mágica. Se me perguntassem, eu me recusaria a falar sobre você. Você é em silêncio.




Eu queria conseguir entender, e aceitar, mas meus olhos não me obedecem, e eu sinto um tipo novo de mêdo, e tudo parece tão novo e assustador e empolgante. Parece que uma nova parte da vida está começando, e eu ainda não conheço as palavras certas que eu devo usar. Você é parte de mim, e você é diferente de mim. O mundo se transforma diante dos meus olhos. Eu quero pedir a todos que não tentem entender, por ora, o que eu escrevo. Não cheguem a conclusões. Olhem nos meus olhos, e bebam do meu deleite. Eu me sinto prestes a explodir. E de uma forma nova, eu amo.

Eu amo muito! Parece que a cada dia eu amo mais, e melhor. Eu sinto dor, eu sinto saudades, eu sinto apreensão pelo futuro desconhecido. Entretanto não há saída, e haverá luta. Eu amo e a cada dia eu amo mais e com menos receio, mas há muitas barreiras a atravessar. Eu corro pelas colinas, pulando cercas e pedras, eu corro pelo pântano, eu sou um cavalo alado branco, eu sou você. A Mulher dos Ossos canta e eu sou, mas eu sou o Lôbo que levanta, eu corro nas quatro patas pela floresta, meu mundo é verde e feroz, e quando a luz me atinge eu viro luz, e uma mulher corre, e esta é você. Eu sou a Mulher dos Ossos. Talvez todas sejamos. Os tempos se misturam e nada mais é conhecido, nada mais é previsível. Eu exploro.




A luz me mostra uma onda no seu cabelo e eu me pego de novo olhando pra você, indecisa, querendo sentir o seu cheiro, explorar o seu corpo (seja a minha aventura). Algumas vezes eu sonhei com você. Eu não posso exigir nada, eu não posso esperar nada, mas eu tenho vontade de te tomar nos braços, e às vezes eu tomo e a vontade passa, e às vezes ela volta mais forte, e às vezes ninguém enxerga, e eu não consigo entender. Eu quero descobrir, eu quero entender o que está acontecendo com o meu mundo, e eu não sei ainda, mas você parece importante. Você está no vento, nos animais e na terra, ou você está ao meu lado, procurando e perguntando também? Eu não posso exigir nada, eu não devo esperar nada, mas eu posso propor, eu posso oferecer.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Halls

Porque você é minha irmã, mesmo que ainda não saiba. E diz-se que não. Não.

Eu vejo essas ondas negras caindo nos seus ombros, e me pergunto. Às vezes a gente se sente meio errado. Como, por exemplo, quando você se pergunta se deveria parar de tomar banho com meninas também. E você evita olhar para elas, e você se pergunta, porque você está na dúvida. E você trata tudo como se fosse natural, homens, mulheres, amigos, tudo é tão normal. Mas você ainda se pergunta.

E você rosnou na minha frente e por dentro eu ri de satisfação, e eu tinha acabado de te conhecer. Foi tão natural e você parecia tanto um filhote mordendo a orelha dos animais mais velhos. E eu entrei naquele bando sem saber que você estava nele, e você me mostrou boa parte do que aquelas pessoas são de verdade. Mordendo a orelha do seu irmão mais velho, como se vocês nunca precisassem deixar de ser crianças juntos. Você é minha irmã, embora eu nunca tenha te dito. Porque você é, e isso é inevitável. Tinha que acontecer. E você combina tão bem comigo. Às vezes eu me esqueço de fazer o que eu fui aí fazer porque você está lá e a conversa flui tanto. E você acredita nas mesmas coisas que eu, e tem a mesma vontade de proteger certas coisas, coisas que são importantes. Você é importante.

Feminino

Eu quero galopar pelo meio da Avenida Paulista. Montando uma égua negra, adolescente, no cio. Vestida como um caubói, de pé sobre os estribos, gritando e brandindo minha carabina vermelha.

Eu quero escalar a montanha escura e salvar uma princesa. Vou seduzir o dragão a conquistar o mundo comigo, e nós duas voaremos nas costas dele, eu de meia-armadura negra, com grandes espinhos. Encontrarei a princesa de vestido longo cor-de-rosa e uma tiara com jóias delicadas, mas para o nosso urro bestial de cima da montanha é preciso que nós três estejamos nuas. Minha princesa revelará tatuagens coloridas de roseiras em suas pernas.

Eu quero liderar o bando de leoas, garantindo a carne para o bando, tendo certeza de que dentes fortes se fechem sobre a garganta da presa. Eu urrarei para manter os machos e os rinocerontes longe dos meus filhotes. Eu ofereço um grande pedaço de caça ao leão grande e forte que ganhou todas as batalhas para merecer ser aceito no nosso bando.

Eu quero dançar no baile usando vestido de cauda. Meu par se vestirá elegantemente, e quando eu rodar nos seus braços minha saia se enrolará nas pernas dele. Nós usaremos márcaras de animais, e meu vestido terá asas de demônio, e todos perguntarão quem nós fomos, quando bater meia noite e nós desaparecermos.

Eu quero me pendurar no cordame e cantando uma canção alegre, gritando para abrirem as velas, quando a tempestade passar. Eu correrei pelo convés e mergulharei no oceano, e minha forma de sereia terá longas escamas azuis e saberá falar com a serpente do mar. Minha tripulação aguardará minha volta, mas mantendo o rumo, que será sempre a próxima ilha desconhecida. Enquanto isso eu explorarei os mistérios do mar e conhecerei uma porção de sereias magníficas que preferem viver longe da superfície. Mas eu voltarei para o veleiro para determinar o próximo rumo, e para negociar com os outros capitães, e para liderar batalhas, e para ouvir as histórias dos marinheiros e adormecer no meio dos meus homens, em forma humana, segura de quem eu sou e da minha posição.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Eu nunca deixei de te achar o máximo.

Eu tenho lido muito os blogs da Hita e da Lu, e acho que este post vai ser mais diário que o meu normal. Porque as coisas intensas da minha vida são coisas que eu não quero realmente compartilhar tão publicamente (sabe aquela coisa incrível que você quer contar pra todo mundo e não conta pra ninguém?) e as pessoas que eu amo ou já sabem disso ou não lêem meu blog.

Ultimamente os dias têm sido muito bons, quer dizer, eu tenho acordado perto do pôr do sol e curtido a noite até amanhecer. Eu passei uma semana sem ver a Turma do Bairro e vou passar mais uma semana sem ver a galera que vi esta semana, e isso é bem esquisito, mas curti muito cada dia, dancei, flertei, abracei, ri, troquei informações, troquei idéias, bebi, comi, durmi, até dormimos num quarto coletivo espontaneamente! Life is good and this IS fun.

Ontem na festa da Talis nós jogamos EuNunca (principalmente porque é preciso jogar de vez em quando e o Ju é novo pra turma e ele gosta desse jogo) e como tem acontecido ultimamente eu me diverti com todo o clima de bissexualidade, camaradagem, falta de vergonha e aceitação de que todo mundo tem história. E as pessoas começaram a contar as histórias mesmo quando não eram obrigadas, porque o mais legal do eununca são as histórias. E aí teve aquela parte em que as pessoas começaram a revelar quem, daquela mesa, elas teriam pegado. E na pergunta "Eu nunca quis pegar alguém do mesmo sexo desta mesa" muita gente bebeu e como as todo mundo começou a revelar quem queria pegar eu tive que admitir que todas elas eram muito bonitas. Mas eu não queria ter dito exatamente isso.

Eu queria ter dito diferente e dizer isso me fez me sentir meio mal. Porque é bom ser bonito e tal, mas quando eu disse isso eu senti que estava planificando uma coisa que não devia planificar, porque não é como se elas fossem todas iguais e como se eu só me atraisse por pessoas porque elas são bonitas e só isso. Minhas amigas não são Barbies. Eu gosto de cada pessoa por motivos diferentes, e mesmo quando as pessoas são muito parecidas eu acabo dando um valor especial a cada pessoa por aquelas coisas que são diferentes entre coisas parecidas, tanto da mente quanto do corpo da pessoa (que não são realmente coisas separáveis).

Então eu queria ter dito que eu queria pegar você porque você é meiga e doce e adorável e carinhosa, e que quando eu te conheci eu queria que você fosse minha irmãzinha, e que quando você cresceu você se tornou auto-confiante e parou de precisar de talismãs e agora você tem uma aura de segurança em volta de você que só complementa esse carinho e essa sua capacidade de sempre dar um abraço infinito, e ainda assim você é alegre e dá vontade de brincar com você como se fôssemos dois cachorrinhos. E na verdade na maior parte do tempo eu ainda quero te ter como minha irmãzinha, mas de vez em quando eu olho pra você e só vejo essa mulher linda e incrível.

E eu queria ter dito que você é extremamente sexy, e que eu sempre me impressiono com a sua capacidade de se vestir mostrando e escondendo partes do seu corpo daquele jeito que parece que só acontece em literatura, e se mover desse jeito que deixa todos os nossos olhos vidrados em você, e ser tão absolutamente feminina com aquele olhar de quem não está nem tentando, e nem tem idéia do que está fazendo, e ao mesmo tempo conversando séria e inteligentemente sobre qualquer assunto que caia na nossa roda (só porque alguém tem que obliterar aquele mito de que menina bonita demais não pode ser tão nerd), e você não tem mêdo de ser a única menina no meio de atividades que só tem homem, e de participar delas de verdade, e não só porque eles sào seus amigos, e isso é uma coisa que eu sempre admiro um monte.

E eu queria ter dito que você é tão bonita que às vezes eu fico descansando meus olhos nesses seus olhos que não se parecem com nada, mas que o que realmente pega em você é que você tem essa energia de pular e cantar e correr e sempre querer ser mais foda e mais incrível e não levar desaforo pra casa e não aceitar não estar em cima da caça e você me fez sentir muito mais confortável com a minha existência no universo no dia em que eu descobri que você também rosna. Você é da minha alcatéia. E ao mesmo tempo toda vez que eu estou começando a me encher o saco da sua prepotência você me mostra o quanto você também é feminina, e gentil, e maternal até. Às vezes parece que você está debochando dessas linhas toscas entre o que é feminino e o que é masculino, e entre o que esperam que você faça e não faça. E eu quero você correndo do meu lado.

E eu queria ter dito que você tem uma fluidez de não precisar de um arrimo que te sustente, de saber quem você é e de ter amigos em todos os lugares, e você cria toda uma vida própria que não é parecida com ninguém, e você tem tantos lados diferentes, tantos aspectos, e eu gosto de conviver com todas as faces que eu conheço de você, e eu te admiro e você parece sempre tão certa das suas decisões, e, eu não sei exatamente como, em alguns dias, quando você está particularmente bonita e brilhante e dançante e expansiva, essa admiração e amizade e vontade de te conhecer melhor acabam se convertendo numa vontade te agarrar e te dar um beijo (ou isso, ou eu não sei separar as coisas).



Eu fiquei muito tempo pensando em colocar outros parágrafos, para outras mulheres, só pra deixar as coisas mais confusas e menos explícitas e porque tem coisas incríveis que eu poderia dizer sobre outras pessoas. Ou talvez eu pudesse colocar uns parágrafos pros homens também. Mas eu não quero ficar aqui tanto tempo hoje, e ao mesmo tempo eu acho que é uma tentativa fútil, porque se vocês me conhecem você vão saber exatamente de quem eu estou falando, e embora me dê um pouco de mêdo revelar as coisas que eu vejo em vocês, um pouco de mêdo de que vocês se ofendam, ou não gostem, ou se sintam pressionadas a ser o que a gente vê em vocês, eu também espero que vocês enxerguem através dos meus olhos e percebam o quanto tudo isso é, de certa forma, verdade. Porque vocês podem mudar e mudar de idéia e decidir serem outras coisas ou mostrarem outros aspectos de vocês, e vocês vão mudar porque nós somos todos muito jovens pra sermos estáticos, mas neste momento é isso o que eu vejo e admiro. E de vez em quando a gente sente vontade de homenagear as pessoas, não é?

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Fearing, Doubting

There's only love left,
And some wonder.
There's a dream just beyond the corner
There's a fortress that refuses to be taken
And a princess that refuses to be saved

She's in love with the dragon, or so they say
But shouldn't it be the ther way around?

It's dark in here
Do light a candle
There's a bud in the cradle where the baby wolf should be.

There's a chance of saving the world, but only if we are really lost can we find ourselves.

It's lonely in here.

I had a dream once. It was here, in this very place. It was dark and eerie and your dangerous eyes were glowing. You said,

"Was it hot?"

I was a dream, once.

Dentro.

Eu estava jogando RPG, e tem gente bebendo na minha casa, e eu me sinto mal. Eu não devia me sentir mal depois de jogar RPG. Deveria ser divertido e alucinante e só isso. Eu não deveria me sentir fraca e pequena e culpada. Mas...

O foda é que 32% das vezes em que eu jogo RPG eu acabo me sentindo mal. Uma outra porção das vezes eu me sinto muito bem, uma outra porção eu me sinto meio x, mas tem essa porção do tempo em que me faz me sentir mal, e é uma droga, e a culpa é só minha, e eu não quero me sentir assim.

Eu não devia me sentir mal jogando RPG.

Mas é que o RPG me faz tomar decisões rápido e elas têm conseqüências violentas e imediatas e não há segunda chance e o que a gente está fazendo é sempre absurdo e impossível e nós não temos idéia de como proceder e a gente comete tantos erros!

Não, péra. O problema é que eu cometo erros. O problema é que eu deixo as coisas acontecerem e eu não quero que elas aconteçam e elas acontecem e eu fico me sentindo mal depois. E eu não sei o que fazer. E eu não sei quem eu devo ser. Eu não quero brigar, mas eu gostaria de ser uma pessoa melhor. Eu gostaria de ser uma pessoa boa, de vez em quando. Eu gostaria de ter a menor idéia de como proceder.

Eu não sei. Eu me sinto infeliz.

E tem gente dentro da minha casa que eu nem conheço direito, gente bebendo por beber e gente que não é amigo meu, e eu fico pensando que eu não tenho mais vontade de viver nessa baderna. Eu não quero mais ter gente na minha casa quando eu quero ficar sozinha e eu não quero ter gente de quem eu não gosto dentro da minha casa. Chega.

Eu quero parar de escrever e eu gostaria que houvesse um lugar pra ir, mas eu estou sozinha e está tudo tomado. E hoje o Zed vai dormir infeliz e eu vou dormir infeliz e me sentindo incompleta e incomodada com o fato que eu podia ter mudado alguma coisa, mas eu não mudei nada. E nós somos incompetentes sim, e nós sabemos que nós somos incompetentes. Nós só não sabemos como não ser.

Eu sei que eu não devia levar tudo tão a sério, mas é que pra mim é tudo real.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Vocês os outros, vão se fuder e saiam do meu mundo.

Estou meio desanimada hoje. E estou falando aqui porque sei que alguns de vocês são pessoas que eu amo e que me amam também. E eu quero deitar no colo de alguém e chorar e mandar o mundo à merda e virar o Tyler Durden. Eu estava triste porque não fui bem na prova e resolvi me animar na internet mas a internet é um retrato fiel de uma sociedade machista e míope e auto-centrada e escrota. E tem muita gente legal, mas uma parte tão grande da gente legal também é escrota! E ontem um amigo meu teve uma discussão escrota com uma amiga minha e ainda não passou totalmente a vontade de vomitar. E mesmo a meninanãopode que é genial também é míope e fala como se todas as mulheres fossem iguais a ela - é isso que chamam de humor, simplificar e generalizar; por que não fazem humor a respeito do fato de que somos todas diferentes? E o filho do David Thorne que é extremamente engraçado ainda é uma criança mas já acha que gays são nojentos e lésbicas são dahora. E mesmo sabendo que tem toda aquela merda às vezes eu queria ser um homem, porque eu sou muito mulherzinha e eu detesto tudo isso e eu cansei de ser tímida e medrosa e insegura e por que ninguém me pressionou e me obrigou a ser mais macho quando eu era criança mas eu sei que também acho toda essa macheza uma merda de prepotência e agressividade mas eu quero conseguir falar e fazer merda e não me sentir estúpida depois, e ter um apelido escroto qualquer porque no fundo foda-se, eu não quero que esperem de mim que eu seja delicada porque eu não sou, eu quero ser sem-noção, eu quero não ter mêdo de falar a primeira coisa que vem à minha cabeça.

Normalmente eu não uso tanto a palavra "escroto", mas é que ela é uma palavra tão feia e usada com um sentido tão apropriado para descrever todas as coisas horríveis de que eu estou falando. O Flip acha que ser mulher é bom porque ninguém espera que você faça algo da sua vida, mas isso não significa que ser mulher é horrível porque todo mundo espera que você não faça nada da vida?

Ultimamente eu não tenho estado muito afim de ser a pessoa que eu sou. Eu me sinto desconfortável dentro do meu corpo e das minhas atitudes.

Espero que isso queira dizer que eu estou mudando.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

O Fim do Chão.

E um dia vamos andar por ruas completamente cobertas de construção. Então as últimas praças verdes terão sido tomadas pelos mais importantes prédios do mundo, e as periferias terão devorado os entornos até se conurbarem com as das outras cidades, e as reservas terão sido consumidas pelas comunidades locais, e os corações das florestas estarão cheios de usinas elétricas.

Ultimamente eu tenho me sentido com raiva, impotente e desesperada em relação ao futuro do mundo com muito mais freqüência do que o razoável. Qual o problema dessas pessoas, porra?!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Conversa

Agora há pouco eu encontrei o Léo no para-ciclos do ime e papeamos um pouco. Ele quis elogiar a minha camiseta (sempre me espanta o quanto as pessoas do mundo comentam esta camiseta) e disse uma coisa assim:
- Você fica meio surfista com essa camiseta e essa corrente.
- Surfista? Isso é bom ou é ruim?
- Ahm... É meio -
- Digo, camiseta colorida e veranil num dia nublado ?
- É bom. Sexualmente ambígüo, mas bonita.
E eu disse

- Bom. Ambígüo é bom. Estou indo no quinta-e-breja hoje e quero o máximo de ambigüidade sexual possível.

Não, não foi isso que eu disse. O que eu disse foi

- Acho que é bom então. Eu gosto de meninas com estilo surfista, então as pessoas devem gostar de mim assim, também.

Não, também não foi isso. Acho que eu sorri e disse "acho que é bom, então", e mudamos de assunto. Eu estive pensando naquela quinta-e-breja um ou dois menses atrás na qual os amigos do Léo acharam que eu era fancha e disseram que eu podia pegar qual menina eu quisesse e eu achei isso positivo, mas o Léo disse pra eles que eu era hétero e isso me incomodou um pouco, mas eu fiquei quieta, porque, ele deve ter razão, não? E como me incomodar com uma verdade? Mas eu queria ter dito alguma coisa, e eu preciso lembrar de dizer alguma coisa nas próximas vezes em que alguma coisa precisar ser dita.

Sexualmente ambígüo é bom. Ambigüidade é muito bom. Estou só desabafando; acho que tenho me sentido bastante desconfortável dentro da minha sexualidade (como se ela fosse uma roupa que eu não sei direito por onde vestir).

terça-feira, 25 de outubro de 2011

I want to ride it where I like

Ontem eu fui de bicicleta até a casa do Rê. Foi tão legal! Quero andar mais de bike, apesar de estar toda dolorida nas pernas... Quero viajar de bike! É tão incrível se movimentar com as próprias forças.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Ami (sonho)

Eu sonhei contigo outra vez.

Os sonhos estão ficando piores.

Ou melhores? Entretanto é ruim acordar e ficar triste por um momento de saber que foi apenas um sonho.

Eu fico pensando na sua voz (no meu sonho) dizendo "não esquece, tá?". Tão próximo de como você realmente se comporta quando eu te encontro.

Eu fico pensando na sua voz (inventada) perguntando "por quê?". Será que você é assim? Ou será que é completamente diferente? De alguma forma eu acho que eu gosto mais do você de verdade. O você que é mais você e menos eu.

Talvez eu precise apenas da profundidade do amor das pessoas que eu amo. E eu te amo, sem dúvida eu te amo. Pelo menos enquanto importa o fato de que você é incrível e eu estou apaixonada por você. Todo o resto é apenas uma casca, um contexto.

E é tão bom saber que nós somos amigos!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Sucinto

De dentro de mim, ouço um sussurro que é praticamente um choro.

"I'm empty and aching and I don't know why."

Eu sou o lobo na noite, solitário, andando lentamente por entre as árvores. Eu sou a fome e o frio, eu sou o vento uivando no centro da cidade. Eu vejo um coelho passando, desatento, mas desta vez eu sequer tenho vontade de caçá-lo. A fome já está muito próxima de mim para isso.

"Magic or love or battle or death - you'll take any of them."

Hoje eu sonhei com uma pessoa. Meia hora depois, pensar sobre o sonho tinha me levado a pensar em outra. De novo eu pensei naquela noite tanto tempo atrás, and I started crying when I started feeling that rancid smell of stale love. Fuck that. It's been too long, and my tears are only telling me to move on. I hate this part. I hate giving up on a feeling. Acho que a única saída é procurar um novo sonho. Um sonho mais... real.

Eu vou esquecer tudo deste vez. Eu vou desencanar e relaxar e parar de me importar tanto com as conseqüências. Eu vou parar de chorar sem mootivo e ir atrás daquilo que está por trás. Eu vou parar de ter mêdo de perder a dignidade. Pelo menos uma vez eu vou tentar ser algo diferente.