sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Dentro.

Eu estava jogando RPG, e tem gente bebendo na minha casa, e eu me sinto mal. Eu não devia me sentir mal depois de jogar RPG. Deveria ser divertido e alucinante e só isso. Eu não deveria me sentir fraca e pequena e culpada. Mas...

O foda é que 32% das vezes em que eu jogo RPG eu acabo me sentindo mal. Uma outra porção das vezes eu me sinto muito bem, uma outra porção eu me sinto meio x, mas tem essa porção do tempo em que me faz me sentir mal, e é uma droga, e a culpa é só minha, e eu não quero me sentir assim.

Eu não devia me sentir mal jogando RPG.

Mas é que o RPG me faz tomar decisões rápido e elas têm conseqüências violentas e imediatas e não há segunda chance e o que a gente está fazendo é sempre absurdo e impossível e nós não temos idéia de como proceder e a gente comete tantos erros!

Não, péra. O problema é que eu cometo erros. O problema é que eu deixo as coisas acontecerem e eu não quero que elas aconteçam e elas acontecem e eu fico me sentindo mal depois. E eu não sei o que fazer. E eu não sei quem eu devo ser. Eu não quero brigar, mas eu gostaria de ser uma pessoa melhor. Eu gostaria de ser uma pessoa boa, de vez em quando. Eu gostaria de ter a menor idéia de como proceder.

Eu não sei. Eu me sinto infeliz.

E tem gente dentro da minha casa que eu nem conheço direito, gente bebendo por beber e gente que não é amigo meu, e eu fico pensando que eu não tenho mais vontade de viver nessa baderna. Eu não quero mais ter gente na minha casa quando eu quero ficar sozinha e eu não quero ter gente de quem eu não gosto dentro da minha casa. Chega.

Eu quero parar de escrever e eu gostaria que houvesse um lugar pra ir, mas eu estou sozinha e está tudo tomado. E hoje o Zed vai dormir infeliz e eu vou dormir infeliz e me sentindo incompleta e incomodada com o fato que eu podia ter mudado alguma coisa, mas eu não mudei nada. E nós somos incompetentes sim, e nós sabemos que nós somos incompetentes. Nós só não sabemos como não ser.

Eu sei que eu não devia levar tudo tão a sério, mas é que pra mim é tudo real.

4 comentários:

Utak disse...

Pessoas chatas: eu te entendo. Eu não fui ai exatamente porque eu prefiro ficar sozinho a estar com pessoas fazendo baderna e bebendo (vulgo roots) Acho que a época de baderna está passando e estamos ficando mais velhos e mais carrancudos... Ou sempre fomos velhos carrancudos, mas hoje estamos ficando menos tolerantes.
Sobre erros, não sei o que dizer. Não foi você mesmo que me disse que devemos conviver com os nossos erros? aceitá-los? torná-los acertos? é normal errar, enquanto não somos mestres daquilo que fazemos. treino, talvez, seja necessario para evitar o erro... enfim, é difícil interpretar com fidelidade uma pessoa desconhecida.
Você podia tentar fazer um personagem que nunca erra! hahaha
:D
:P
beijos

lobz disse...

mas no rpg as decisöes säo mais difíceis que na vida real...

~~ disse...

O erro no caso foi deixar o player psicopata matar 5 pessoas desacordadas e kneecap a outra refém. Eu, pessoalmente, espero nunca passar por decisões remotamente parecidas com essa na vida real...

Diogo disse...

Em alguns momentos da minha vida quando não tinha nada para fazer eu ia para casa de algum amigo e ficava lá.

Estou falando isso tudo ignorando o post como um todo e pensando naquele 7º parágrafo e começo de 8º.

Em algumas épocas ao chegar lá eu simplesmente sentava ao sol na janela e observava as folhas, o céu, e essas coisas que juntas a gente chama de paisagem. Enquanto isso o anfitrião ficava por ali lendo um livro, vadiando no PC, ou fazendo alguma dessas coisas que normalmente são introspectivas de mais para se fazer quando se tem visita em casa. Porque a vibe não era bater altos papos, ou jogar, ou sei lá. Era mais estar em paz, pensar na vida, fazer essas coisas que normalmente faria sozinho, mas nesse caso com alguém para pensar junto, para dividir o momento, para quebrar o frio da solidão, e esporadicamente comentar o que está pensando ou ver o que a outra pessoa está fazendo. Assim, um pouco de papo, um tanto de silêncio.

Eu era muito feliz fazendo isso, não sei o quanto as outras pessoas achavam legal, mas eu gostava muito de ter um lugar fora de casa onde eu podia ir, não estar sozinho, e curtir. Curtir no sentido vinho na madeira, ou repolho no vinagre (Como chucrute é incrível!), não baladeiro na festa.

Acho que o Sacha e o Carlos pensam assim também, algumas vezes os vi em festas, viagens, ou coisas assim meio quietos em algum lugar, perto das pessoas mas interagindo aos poucos, meio que esporadicamente.

Sinto falta de fazer essas coisas. Tem uma padaria a 2 metros da minha casa e ultimamente tenho lido os contos do Neil Gailman que comprei na festa do livro e jogando Zelda Twilight. Estou começando a ficar com medo da imensidão desse jogo, já joguei 12 horas corridas e há alguns indícios de que ele esteja muito longe de um fim. Hoje passei o dia sozinho. Sinto que não tenho mais a liberdade de antes que me deixava colar na casa dessas pessoas e não fazer nada lá.

Sei lá, nessa janela magra de comentários parece que eu escrevi um romance. E meu comentário está ficando do tamanho do seu post. Desculpa se me prolonguei, mas o ponto é que se quiser pode passar por aqui dia desses e não fazer nada, ou ler um livro, ou fazer um bolo. Não sei se é isso que você quer, mas é meio que o oposto de beber por beber e badernar.