quarta-feira, 27 de abril de 2005

A Respeito das Palavras

Confuso. Falar sobre as palavras. Mas diria Iris Murdoch, eu acho, as palavras fazem o mundo ser mundo. "How do you think without words?" Evidentemente há uma certa discórdia a respeito da definição de pensamento. Eu posso afirmar certamente que penso sem palavras, entretanto, de que isso me vale, se algumas pessoas não considerariam isso um pensamento?
Por outro lado, de que me vale um pensamento que não pode ser traduzido em palavras?

Estou ficando com sono. Isso significa que logo estarei dormindo. Em verdade, não pensei isso conscientemente logo de cara: a sensação do sono foi analisada por meu cérebro num círculo inferior de pensamento (para quem não sabe, meu pensamento é circular), formando uma espécie de raciocínio prático, sem palavras mas com muito significado. Logo porém o pensamento emergiu para uma esteira mais superficial na minha mente, em que encontrou as palavras "sono" e "dormir" associadas a uma série de lembranças, cheiros, imagens, gostos, temperaturas, e outras sensações diversas, que combinavam com a sensação inicial, tornando meu sono mais complexo e intolerável. Evidentemente isso fez com que o pensamento saltasse dessa vez para esteiras cada vez mais altas de pensamentos frasais como "estou com sono" e "quero dormir", cujas* significâncias reverberavam cada vez mais alto, até que enfim a frase chegou compreensível e boba a um nível audível na minha mente, numa forma refinada de pouco significado mas muito interessante do ponto de vista da interpretação e absolutamente registrável em palavras, infelizmente para vocês, que podiam estar lendo coisas mais interessantes que eu poderia estar escrevendo agora.

Porém todo esse processo complexo nem sempre acontece. Muitas frases, especialmente as poéticas, são formadas meramente pelo ajuntamento de palavras, pela associação de um verbo e um adjetivo segundo o texto de Machado de Assis, mas sem nenhum significado mais profundo: elas não reverberam, mas remetem a situações tão diversas que são fantasticamente interpretáveis e até certo ponto idiotas, por não significarem nada mais do que você quer que signifiquem. Tornam-se por vezes extremamente vagas, por terem múltiplos sentidos, ou sem sentido, por serem muito absolutas.

E, realmente, eu estou com sono. Boa noite.

*eu estou realmente insegura quanto ao uso desta palavra...

terça-feira, 26 de abril de 2005

Pensamento do Dia:

Why is it that I am attracted to weird people?

sexta-feira, 22 de abril de 2005

Pássaro-Preto

Oh if I was a blackbird, could whistle and sing
I'd follow the vessel my true love sails in
And in the top rigging I would there build my nest
And I'd flutter my wings o'er his broad golden chest


Quando criança, eu queria ser um pássaro-preto. Tão lindos eles eram, cantando escuros brilhantes nas árvores, voando... Achava-os mais belos que os sabiás e os bem-te-vis (e eu sabia diferenciá-los todos), tão pequeninos e doces como rolinhas negras de penas brilhantes e olhos ainda mais escuros.

Lindos.
Escrevi inclusive uma canção na qual ele aparecia.
Imagino que, quando comecei a criar personagens de nome corvo (raven), estava continuando minha fascinação por estes pequenos seres voadores de penagem negra. E agora, quando ouço essas músicas célticas, vejo que verdadeiramente os pássaros negros transpiram poesia. Quantas músicas não falam sobre eles!

Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arive.


É isso o que vejo de tão belo nestas canções: o pássaro-preto a voar pela noite, o ferreiro construindo o mundo, o marujo navegando esse mundo. O mundo, o mundo inteiro...

Boa tarde, meus amigos.

quarta-feira, 20 de abril de 2005

Nota

Sabe o que é pior?
Eu tenho certeza que se o Yuri lesse o post de baixo ele pensaria "você pensa coisas tão burrinhas às vezes, Mali..."

Eu gosto quando o Yuri me chama de Mali.

Outono

O mundo está todo esquisito. O tempo, meus caros amigos, está todo confuso.
O tempo não. Está apenas irrelevante. Na verdade tudo é irrelevante. Tudo, Cada pedacinho.

O Yuri me mandou um e-mail ontem. Um e-mail no qual ele dizia que não entendia essa coisa com a guerra e o sangue que eu tenho. Eu odeio a guerra. Parece-me uma corrupção de tudo o que é belo e justo. A guerra não tem beleza. A única vantagem da guerra é que ela dá bons filmes, e tristes.

Brasileiro é um povo meio pacifista, quando não tá de arma na mão e não tá na fissura, na paranóia. E o Yuri é brasileiro, assim como todo brasileiro deveria ser: gosta de futebol (torça pro Palmeiras), toca trenzinho do caipira, conversa com qualquer um que se apresente, fala brasileiro, é super boa praça, ouve MPB, gosta de rock nacional e de música clássica, se dedica a aprender, a ser meio criança, ri da vida, é generoso, é simpático, é desonvolto, é alegre. Só não sabe jingar com jeito, mas aí... Dança também, sabendo ou não dançar. O Yuri é fofo. É lindo.
Parece que ele sempre vai ser criança. Que ele sempre foi criança. Eu, quando tinha sete ou oito anos, achava normal me chamarem de criança mas não me considerava mais na infância. Era uma menina esquisita. As pessoas costumam me chamar de fofa, de bonitinha, de pequena, de alegre, de dançante, de viajante, de burrinha, de poeta, de distraída, de má, de doida, de esquisitinha, mas acho que eu não acharia muito estranho se me chamassem apenas de esquisita. Acho que eu tento ser uma pessoa ideal, mas falho nesse aspecto, tirando D, perdendo meus amigos ou abandonando-os no recreio, me irritando por coisas idiotas, não entendendo as coisas, estando sempre aquém do que acho que quero ser. E o pior é que eu sei que, quanto mais sincera eu tentar ser, mais as pessoas vão virar para mim com aquele olhar de quem me ama e dizer que eu falo coisas muito tolinhas às vezes; e tudo que eu sinto é uma letárgica e tola inveja, dessas pessoas que não são tolinhas como eu, essas pessoas que sabem pensar, que sabem responder às perguntas da Antonieta e não têm medo de falar bobagem (até porque não têm que ter). Da próxima vez eu escrevo na prova "Não sei, eu sou idiota", mas, porra! eu não sei quem é Chico César, eu não sei jogar futebol, eu não sei lidar com as pessoas nem fazer amigos, eu não sei manter amigos eu nem sei o que diabos é a amizade, tudo o que eu sei é que as abelhas são animais haplóides-diplóides e e=mc² e no romantismo as personagens se assemelham aos estereótipos e as cordas do violino emitem um som bonito quando o yuri toca...

Os dias estão ficando mais frios, e meus coração não sabe a diferença entre o dentro e o fora, o passado e o presente, o amor e a indiferença. As pessoas vão viajar mas eu só percebo no dia, depois esqueço, porque as pessoas sempre vão viajar, e quando elas voltam é como se houvesse se passado apenas mais um domingo, não me importa mais o quanto você me ame, eu simplesmente vou lembrar de você um dia, um segundo, depois vou esquecer de novo... O mundo está tão estranho...

as pessoas falam coisas para dizer que me amam, e evidentemente eu me sinto muito digna desse amor, mas às vezes não acho motivo pra me convencer de que é um amor com respeito (não digo que não seja...). Parece que me amam porque me amam, mas o Artur simplesmente me ataca como se simplesmente eu fosse mais burra e feliz do que o que ele esperava de mim ( e eu não o culpo...); a Chris que vive dizendo que me adora diz que todos os caras por quem eu me apaixono ou que se apaixonam por mim são iguais, mas não é verdade, eles não são iguais e não são os únicos, e no tempo em que os boys se apaixonarem pelas freaks (como bem diz a dédé) o meu mundo vai ser mais feliz mas eu sinceramente sinto falta da liberdade, das idiotices, o mundo é idiota, convencido, rude. E o Yuri diz que eu penso umas idiotices às vezes quando eu falo que me sentia inútil mesmo o time perdendo de 12 a 2 ou sei lá e o quê eu poderia fazer, eu nem sei jogar futebol, nem basquete, nem porra nenhuma, nem pensar ou lembrar das coisas; deixo isso pra vocês, Yuris, Diogos, Artures. Eu sei que eu tinha que ser útil porque o meu time estava perdendo, mas eu não sabia como, eu mal sei roubar bola e chutar que são coisas fáceis, quanto mais conduzir e driblar que é difícil e parar a bola que é meu verdadeiro fraco... Então eu tive que pensar e me convencer de que eu podia fazer alguma coisa, eu tinha que fazer alguma coisa, e fui lá e atrapalhei um pouco pra não dar tempo de elas fazerem gol antes do tempo acabar. E aí o tempo acabou, mas acho que elas só não fizeram gol porque a gente tava sem goleiro.

Está escurecendo. Hoje o mundo estava meio silencioso.
Eu estou chorando. Chorando.
Não sou mais poeta pra você me admirar, não sei tocar, não sei jogar.
Acima de tudo não sei mais quem são meus amigos, e acima de tudo não quero saber.
Cartas de amor não me causam qualquer comoção, mas talvez seja apenas porque o amor agora não existe mais, posso dizer que o que sinto agora é amizade[o que provavelmente é uma coisa boa, já que eu sou uma menina comprometida, sinceramente eu amo meu namorado, mas às vezes minha própria insensibilidade quanto ao sofrimento alheio me incomoda...]
Tenho medo de conversar com as pessoas.
Tenho medo.
Eu já disse que uma pessoa verdadeiramente fel9z devia ser capaz de dar um sorriso sincero e pensar ao mesmo tempo...
Chega. Vou fazer alguma coisa de útil.

sexta-feira, 1 de abril de 2005

Frase do Dia

"eu baixei no kazaa um arquivo chamado Iron maiden, que tem como autor The cramberries, mas na verdade é uma musica do AC/DC" - Diogo

Uma nota musical

Às vezes eu queria saber um pouco mais do mundo. Saber porque nós não devemos apoiar o Hugo Chávez contra os EUA, saber como os pintores renascentistas conseguiam atravessar suas telas e pintar o espaço, saber o que diabos é efeito de Coriollis. Queria conhecer as entrelinhas de Saramago, as linhas de Goethe e as palavras de Guimarães Rosa. Apontar num mapa onde fica Tubarão, saber qual é a capital da Austrália, descobrir qual rua me leva aonde eu quero ir, saber nomear cada cabo de um veleiro. Doferenciar Botticelli de Da Vinci, reconhecer a mão de Rafael, admirar as pedras de Michelângelo e descobrir as obras de Donatello. Queria saber diferenciar Tchaikovski de Mozart de Beethoven, queria saber contar as músicas do Chico e do Tim e do Tom e do Milton, queria saber o que é uma escala menor e maior.
Não queria muito, não. Se você parar pra pensar, não é nem o suficiente. Eu queria também saber quem é Champollion, e assistir aos filmes do Kubrick e do Kurosawa. Queria ler mais García Marques, queria amar as palavras de Iris Murdoch, queria decifrar os originais de Poe, queria ler as antologias de Kipling, de Camões e de Pessoa. Queria conhecer a arte contemporânea. E a mim mesma. Principalmente a mim mesma.

Hoje a Bia me fez ter vontade de ser alguém outra vez. sair dessa vida de formiga esquisita. E eu nem falei nada! Falei que o Yuri era meu namorado, ela chamou ele e ele disse que eu tinha medalaha de bronze e ela disse "Física?! Mas seu negócio são a letras, não deixa os números confundirem você!" E aí eu percebi porque não valeu a pena, raios! A construçào do carrinho até valeu, eu precisava do trabalho manual... mas a física em si foi só obrigação, sem prazer nenhum. Quando acabou eu fiquei feliz porque acabou, não porque concluiu.

Então eu quero escrever. Muito, tudo, sempre, como eu sempre quis. Vou atrás. Vou para trás. Vou seguir em frente. não importa. Quero a veracidade das vozes do samba rasqueado. E mostrar meu olhar, meu olhar, meu olhar...

"O tato encontrava dor e o medo o desesperava"

"quem não gosta de samba..."

"eu quero o silêncio das línguas cansadas"

Sambar
pra dizer que eu não sou samba
pra dizer que eu não sei sambar
Pra dizer que não sou eu que vou buscar
Correr
e sambar pra iluminar
pra dizer que eu sou de samba
Pra dizer que eu posso me entreter
só de cantar, cantar
cantando assim um samba
Dizer que eu sou de samba
Dizer que eu posso alumiar
Sambar...

sexta-feira, 25 de março de 2005

Olhar para Trás

Sabe... Eu acabei de perceber alguma coisa meio assustadora. Meio cruel. Não sei.

Estava lendo minhas conversas antigas com o Yuri. Quando a gente finjia que não namorava. Quando eu achava que não sabia se ele me amava (não cheguei a ler a parte de quando eu achava que ele não me amava). Por que as conversas em si foram provavelmente a coisa mais linda que nos aconteceu. Mas não a melhor. Não a melhor. '

Mas a questão é. Naquele tempo naquele tempo nós éramos mais saudáveis. Ríamos mais. Sonhávamos mais. Exigíamos menos. Fazíamos o que queríamos e as outras pessoas ficavam felizes com isso. Pois bem. Pois é. Nossas despedidas eram longas e deliciosas, nossos devaneios abraçavam o mundo inteiro! Às vezes íamos dormir às 2hoo da manhã, quando a internet desligava (ou, segundo o Y-kun, meu computador explodia), mas eu não estava com sono, apenas tinha de ir dormir porque, no fundo, estava lá só por causa dele. O resto todo não importava. Não fosse por ele, eu nem entrava. Eu chegava a pensar "para quê ligar o computador, se ele não estará lá"... Fiquei insensível?

Naquele tempo a internet desligava às 2h00 da manhã. Claro que ninguém estaria no PC às duas. Talvez eu e meus irmãos, conversando e escrevendo. Mas aí, quando não podíamos resistir ligávamos de novo. Por vezes em vão. Por outras, não. Por que hoje em dia isso não acontece? Será que meus pais vão dormir tão tarde que esse horário não se aplica mais?

Deliro sorrindo com lembranças felizes e um futuro pela frente... Eu não sei. Felizes os vencedores, eu acho. Nós, que lutamos demais, vamos descansar se for o caso.

quinta-feira, 17 de março de 2005

A Potência do vento que passa por uma certa área se dá por P=1/2(rô)v³A

(eu tive que escrever (rô) porque não tenho símbolo de rô(densidade) aqui...)

Agora, considerando que o vento incida em ângulo, será que eu devo separar as conpoentes xy da velocidade?

quarta-feira, 16 de março de 2005

Ah-Gabba-Gabba-Gabba

Olha aí.

Me vê aí
cantando, andando
correndo na chuva
sem ser eu
Sabendo, sofrendo, jingando
rolando na rua
à procura de Deus
Não sei aonde vou
ou onde irei parar
Não sou onde estou
sou qualquer lugar
sou seu sou

Vamos cair
na lama, na cama
rindo sem frescura
eu sou meu
Sentindo, latindo, brincando
vivendo a loucura
que o mundo viveu
Não sei o que quero
onde quero chegar
Nada mais espero
só quero esperar
ser seu ser

A vida que irei viver
me espera
A luta que irei vencer
é guerra
Terra que irá nascer
que irei plantar...
O mundo que irá sentir
a lida
Gente que irá fruir
a vida
Chuva que irá cair
pro sol se por...
ser seu a!mor...
Ser seu amor...

Me vê aí
cantando, andando
correndo na chuva
sem ser eu
Sabendo, sofrendo, jingando
rolando na rua
à procura de Deus
Vamos cair na lama, na cama
rindo sem frescura
eu sou meu
Sentindo, latindo, brincando
vivendo a loucura
que o mundo viveu

A vida que irei viver
me espera
A luta que irei vencer
é guerra
Terra que irá nascer
que irei plantar...
O mundo que irá sentir
a lida
Gente que irá fruir
a vida
Chuva que irá cair
pro sol se por...
ser seu a!mor...
Ser seu amor...


É, eu ainda tenho a cara de pau de escrever música a essa hora da noite, apesar de tudo. Sim, sim, eu sou uma idiota, eu sei. Tee-hee

Acho que algumas das coisas que eu descobri sobre mim mesma são assustadoras e negras. Como as minhas prioridades estranhas, individualistas, que envolvem postar no blog antes de fazer a redação pra sexta, a refacção pra semana retrasada e a outra refacção pra semana que vem, além dos desafios de física, de arrumar meus cadernos (que estão uma zona), arrumar o quarto (...), ler os livros que tenho que devolver (tipo La Dame Aux Camélies), fazer lição de casa, etc. etc. etc.

Mas tudo bem porque a música ficou boa, vai...
Reflete bem o que estou pensando...
Sentindo, sei lá...

Outra coisa é que a bagunça me incomoda intelectualmente, mas viver no meio dela não me incomoda muito. E que eu faço muita bobagem para ser gentil com as pessoas. E eu confio um pouco em mim.

Atrito com líqüidos... Hm...

Mas em fim...

A vida que irei levar
me leva
sempre sem direção
me cega
Quero saber porque
sem perguntar
ser seu par....

sexta-feira, 11 de março de 2005

Outra Coisa

Alguma coisa fora do lugar.
Mas pelo menos eu sei que ela está lá

Estou tão cansada...
Hoje eu estava desenhando uma coisa que a Ana Lúcia professora de Artes chamou de esquisito, e era esquisito mesmo. Não, não foi o desenho que ela chamou de esquisito, foi eu. Mas foi bom ela ter falado isso. Porque agora pelo menos eu sei.

Céus como estou cansada! Canso-me por anos e anos e realmente meus ombros parecem sempre estar carregando peso e eu nem sei porquê.
Olhei ao redor invadida por um terrível vontade de chorar, de esquecer tudo, tudo... Alguém quer minhas folhas de papel, acho que vou acabar jogando-as fora, não agüento mais.

Não agüento mais estas coisas belas.

Quero as linhas daquele pintor holandês, qual era o nome mesmo? Quero buscar um mundo perfeito de verticais e horizontais.

- - -

Tenho descoberto coisas assustadoras sobre mim nos últimos tempos. Minha submissão dolorosa aos valores da minha mãe que infelizmente são diferentes dos meus. O mundo seria tão mais tranqüilo se todas as mães conseguissem transmitir perfeitamente seus valores para suas filhas... Mas é verdade, eu não interajo, não avanço, não ajo no desenho, estou muito passiva.

Acima de tudo, estou com sono. Quero dormir por eras, esquecer que um dia estive viva. E de repente acordar, sorrir, brincar um pouco. Abrir os olhos.

[to be continued]

Que nasce não sei onde

Curioso complementar algo sem relacionar as duas partes.

Mas eu porecisava de um título
para dizer...

Que eu estava errada: devia ter percebido que estou falando bobagens mesmo e o tempo todo. O ano passado foi, até hoje, o melhor ano de que me lembro em minha vida. e virão melhores, pode crer... Além disso, foi altamente produtivo! Meu deus, eu não havia notado como o curso de redação foi irado ano passado! Gosto mais da Teresa, mas não da Carolina. Depois de conhecer corretores bons, este ano, não me conformo com a mediocridade dos comentários dela.

By the way, preciso estudar química. Química do 2o ano não é tão sussa e gostosa quanto no primeiro, mas talvez mesmo por isso seja tão empolgante. Quero dizer, o Zink se preocupa conosco, sabe que não podemos mais esperar que as tabelas chegem... E eu, por não notar isso, fui mal, tenho certeza. Bem mal. Talvez eu pegue recuperação. Talvez.

Aussi, j'ai besoin de faire mon rédation sur la socialitée consumiste et cetera.
Preciso ler um livro em francês.
Preciso ir na Aliança Francesa pegar meu diplome d'études de la langue francaise.

E eu cheguei em 79o lugar na OBF, com medalha de bronze!

Preciso descobrir como se faz a experiência da água com sal.
Preciso arrumar meu quarto.
Preciso dormir.
Preciso estudar física (na verdade não, mas seria bom).
Preciso terminar Alice no País do quantum
Preciso dar um jeito de assistir La Traviata
Preciso começar a fazer lição de casa.

Mas agora parece tão mais fácil!
Esse desespero de não chegar a lugar nenhum me vem não sei como, e dói nào sei porquê.

quarta-feira, 9 de março de 2005

Pergunta do Dia:

Por que eu me ofendo com elogios?

'Till it be morrow

Estou só
Inteiramente só
Precisamente só, neste poema silente
neste poente.
A fome, a dor, a pena
não encontram
procuram
a perdição oculta em minhas pequenas mãos
a árvore
a folha
a pedra fria e a minha solidão
Não incomodam
como a dor e a fome
machucam.
o céu azul não adivinha
a grama nascendo
sob meus olhos
o fluxo do sangue
paixão eterna juvenil
meteoritos, explosões de plasma, líbelulas voando infinitamente rápidas e volúveis em sua discrição perene,
uma gota
d'água.

[escrito hoje à tarde enquanto o colégio anoitecia silencioso e abandonado)

Pensamento do Dia:

Eu tinha esquecido de como computador é irritante....
I ssooo could learn to live without it...

domingo, 27 de fevereiro de 2005

Androfobia

Eu descobri algumas coisas terríveis sobre mim esses dias. Mas esta, claro, me surpreendeu de certa forma, porque eu devia ter me tocado, eu devia ter percebido, e não percebi.

Não percebi que eu tenho medo.

Muito medo.

Depois de dois dias não pegou mais a desculpa de que eu fugi daqueles beijos porque achei que fossem mordidas. Embora, talvez, fosse mesmo só isso. Talvez não. De qualquer forma. Eu virei para o Charles e murmurei baixinho tanto que todos ao redor ouviram, "Por que é que eu tenho tanto medo?"

Por que eu tenho tanto medo, mãe?

Não é de todos os homens que eu tive medo. Não tenho medo dos meus parentes, nem dos amigos da Tali, nem do Gio, do Victor, do Nando, do Bruno, do Dan, do Pedro, do Márcio, do Squeeck, do Nelson, do Ed, do MF, do Paulo... O Paulo. Na última vez que nos vimos, numa festa aqui em casa, ele me perguntou se eu tinha namorado. Enquanto eu respondia Não, estranhamente senti uma certa pena. Pena porque ele parecia querer ser meu namorado, mas ele ia viajar e dificilmente eu não teria namorado quando ele voltasse. Pena que ao mesmo tempo não foi de mim, porque eu não namoraria com ele de qualquer forma (eu estava apaixonada, po!), mas também não foi dele, porque, sei lá, ele parecia tão mais tranquilo, e por mais solitário que fosse não parecia tão problemático quanto a maior parte dos meus amigos...

Não, acho que você está errado, big Tortuga. Eu não senti pena de você. Tanto não senti pena de você que não me submeti ao que achei que fosse te fazer bem. Não me sacrifiquei por você. Na verdade, apenas te tratei como um ser humano normal, até que no seu enésimo


...


Eu não vou terminer isso.
[9/3/2005]

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005

O Sangue caindo em gotas na terra

Esta vontade estranha de morrer aos teus pés. Olhos ao redor e só vejo terra, sangue, minhas lágrimas dissolvendo a terra escura tão linda porque no fundo eu só queria me fundir à terra, me dissolver na terra, dispersar em todas as raízes de árvores e me fundir à Terra para sempre, sem que vocês percebam minha existência. Viajar o mundo inteiro via pássaros e tartarugas, seres humanos e máquinas, e até correntes de vento e de mar.

Quero esquecer tudo...
Quero descansar...


Mesmo que você entenda o que eu falo sobre você, tudo isso parece ter acontecido há muito, muito tempo... Parece-me até que a terra engoliu nossas brincadeiras no tempo em que não era você que me machucava. No tempo em que nem éramos tão amigos. Mas faça o que você quiser, desperte, resplandeça num mundo fantástico, alce vôo. Eu estarei do seu lado a maior parte do tempo. Apenas peço que não se apaixone por mim, se não for pedir demais. Acho que eu preferia que nenhum outro homem se apaixonasse por mim. Acho que eu preferia não falar sobre isso, também.

Acho que eu preferia ficar muda.

Acho que eu preferia ficar muda, eternamente muda, profundamente muda: nenhum som deformaria-se em meus lábios e só rugidos guturais nasceriam de minhas cordas vocais. E a humanidade, incapaz de decifrar meus urros, finalmente desinteressar-se-ia de mim, e passaria a ouvir canções menos felizes e perigosas... Você estava certa, Ludi, e, como Sartre, tendo a achar que esta afirmação é tão mais verdadeira quanto mais dor ela vem a causar-me. Eu também achei que só poderia fazer as pessoas felizes quando eu fosse feliz, mas no fundo as pessoas não estão felizes de qualquer forma. E eu me policio para não me empolgar, para não falar demais, para não despertar nos outros sentimentos perigosos como o amor. Eu odeio o amor. Eu amo o amor. Eu queria compreender o amor como algumas pessoas compreendem: um amor único, dedicado a uma só pessoa, quando todos os outros sentimentos são de amizade ou companheirismo. Ágape, Filia e Eros. Meu irmão, meu filho e meu amante. Desta forma, você sabe que eu amo apenas você, né?

Queria não saber mais nada.

"Teatro é apenas teatro", eu tive de repetir para mim mesma, tive de me convencer e devia tê-lo dito em voz alta para que todos ouvissem, mas não disse. Um beijo amoroso, mas não entre ele e eu, e sim entre Romeu e Julieta. Porque eu não o amo, não assim. E odeio cada instante desse beijo porque me faz lembrar de que, se ele não me ama, pode voltar a me amar. E mesmo assim naquela cena o amo porque não sou eu nem ele, somos Romeu e Julieta e eu me esforço pra dizer que não é nossa culpa, a peça é assim, e tento me convencer de que todos sabem que é apenas uma peça e de que aquilo não tem nada a ver com os atores, porque eu quero que isso acabe. Eu já tinha medo desse momento. I'm beyond you, and I don't want to return ever again. E por favor não volte, eu não quero isso também. Fiquem longe de mim, que eu mordo sim.

Mas "Teatro é apenas teatro" como "música é apenas música" e "literatura é literatura" e nem tudo o que eu escrevo é sobre mim, embora as pessoas nunca entendam isso.

O Sangue cainda em gotas na terra....

Pela primeira vez estou feliz porque quase ninguém vai ler isto aqui.
As pessoas ficam dizendo para eu me abrir, para não guardar mágoas, etc., mas falar parece pior, parece que cada detalhe a mais vai ferir alguém de quem eu gosto ou causar alguma reação desagradável, parece que cada palavra pode despertar um sentimento perigoso, parece que tudo vai dar sempre errado! Parece que quanto menos eu falar sobre isso, menos preocupante será. E não é culpa de vocês, deixem disso. Talvez eu não acredite mais que existe solução.

O que é horrível porque tira toda a função deste mundo vil.

Acontece que eu fiquei feliz porque o Artur parecia melhor mas fiquei ao mesmo tempo triste porque de certa forma eu não estava. Não sabia que pesava tanto. Não sabia que era tão difícil. E eu te agradeço por me mostrar, big Tortuga. Porque quando mais difícil parece ser ser forte, mais a força converte-se em ação e se concretiza, passando a existir. Não posso manter-me imóvel pois tenho medo de cair.

Então aqui este estranho desejo de adormecer em teus braços e perecer aos teu pés. De escorrer em gotas por rios imensos para chegar ao mar, meu divino mar. Para velejar para sempre e viajar. Mas enquanto isso eu não posso desistir. Eu quero qualquer coisa que não existe.

Espero que agora tenha sido mais claro.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2005

Mesmo calada a cuca restam as mãos

Vamos começar assim meu olhos cheios de lágrimas e eu pensando Paulo Ed Yuri Utak Marie Chello Marco Luque Artur Paulinha parem de falar bobagens vocês que não compreendem nem acham que compreendem não digam o que não acharem que seja verdade ou que saia do imo -- pulmão! Escorrendo sangue não morra! Não morra que eu te amo eu te amo e eu sei que no fundo mesmo que você não saiba você me ama porque pelo menos eu sou vagamente importante para você ou você não seria assim como você é entào pelo menos desta vez me deixa dizer que eu te amo e isso no momento é a base da nossa relação, big Tortuga. Sim, eu vou te chamar de big Tortuga.

Pais e mães são criaturas com percepção limitada dos relacionamentos dos filhos. Percebem algumas coisas que não só não são óbvias como também não sào necessariamente verdade, e ao mesmo tempo não percebem coisas muito básicas, mas não importa, porque naquele tempo eu também era bastante idiota e aquela sua pele lisa me causava uma estranha repulsa porque não: eu não te amei, nunca, nem por um momento, até que eu pude amar de verdade outro alguém alegremente e aí já não era mais uma opção (então esqueça -- mesmo que você não cumpra o combinado, esqueça, e finja que você também não queria nada comigo, só um amigo, um amigo, um grande amigo, eu te amo mas na verdade eu não quero nada mais que isso).

Essas pessoas que não sabem que são gente...

Mesmo aquela barriga quente umbigo do mundo, acho que até foi você Tortuga que despertou meu instindo de devorar quente sangue bocas embora ele tenha sido o primeiro cara dde quem eu gostava que me deu um beijo e sua boca tivesse bolo gosto de sangue e no fundo eu fico feliz porque "uma coisa que você pode ter certeza é que você pode confiar em mim" e eu espero que ele possa confiar em ti também, milord, porque sabes que eu não faria isso, na verdade eu te odiaria mais do que me odiaste, e não adiantaria nada porque eu ainda te amo, sempre te amei, só que nem de longe tanto quanto me amaste ou do quanto eu o amo, milord. Pondo todas as cartas na mesa

às vezes tenho a impressão de que meu coração é tão grande que cade o mundo inteiro lá dentro. Eu te amo intensamente, e ainda assim o amo ainda mais. Devia mudar de 2a pessoa porque não lerás mesmo o que eu escrevo, graças a Deus, imagine-te lendo-me dizer que te amo que catástrofe não posso deixar que esse tipo de coisa aconteça.

Afinal o terceiro na verdade foi o primeiro desde o início. Meu pai tão galante revelando-se aos poucos Me joga no chão? Aquele É a minha cena favorita, melhor mesmo talvez até que o final que também é muito bom. Meu irmão que arranhou meu coração não era caçador, era um coitado por natureza mas não vou xingá-lo aqui porque no fundo foi bom que ele tivesse feito isso, nunca teria dado certo, por mais que bolo de sangue seja uma iguaria e não não era sobre sexo seu chato era sobre... Deixa pra lá, não vou contar meu diário pra vocês, vocês nunca entenderiam, além do mais eu não vou fazer você lembrar, mais uma vez, aquele Acho que sim nunca viraria um Sim que bom que você fez como eu com aquela menina que eu sei que não conheço e não acreditou

E aí a Paulinha me diz com aquela cara triste que "no final a gente sempre varre a poeira para baixo do tapete" e eu queria que não fosse verdade...

Porque eu sei. Eu sei.
E eu te amo mais por isso. E eu queria que você fosse feliz mas neste pé não sei se vai rolar. Talvez seja mesmo melhor pra você que haja bananeira pra pentear, porque as bananeiras são partenocárpicas e os cachos realmente não sei pra quê. Não entenda o que eu digo, não vai ajudar.

Eu esperava que sua história fosse mais surpreendente, não sei porquê.
Eu esperava que as razões fossem mais diferentes das minhas.
A Gabi disse que tinha contado toda a terrível verdade e que você não quis acreditar, mas a verdade não é tão terrível. Porque eu também fui dogmática. E o resto você já sabe. Só posso dizer que chovia, chovia sempre, e eu estava sempre com medo. De todos os quatro, cinco, seis. Doze. De todos os homens. De mim mesma.

Obrigada.
Muito abrigada.

Eu queria começar este post dizendo que te amo mais.
E que as pessoas deviam calar a boca.
E que obrigada por confiar em mim.
E que obrigada por me dar confiança.
E que obrigada por me amar assim.
E que eu te amo.

E que eu tenho um computador.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005

A Fraqueza

Sem nada a dizer, cruzei o campo de olhos meio fechados
morrendo de medo.

Por quê? a pergunta murmurada em meus pensamentos Por quê? Se tudo parecia tão bem, tão promissor e tão tranqüilo, eu chorava daquela forma desiludida sem ter me desiludido? Por que, quando parecia que eu iria em frente sem pestanejar, uma tolice daquelas me jogou no chão e amarrou minhas mãos me impedindo de prosseguir? Por que essa dor, por que essa mágoa? Apagada, fria, deslavada, envenenando meus sentidos, por que essa raiva?

Por que de repente, Por que quando tudo dava certo e a vida era boa, de repente a fraqueza me pega de jeito, e sou fraca, frágil, menina moça desamparada infelizmente

Eu sabia que n ão era de verdade

Amo-vos incondicionalmente
mas inda assim me convença de que vale a pena

curiosidade e medo de não ser feliz

Por que essa fragilidade se no fundo, eu só queria que me abraçasses e dissesses que sou tua amiga
mesmo não sendo ou quase sendo
Eu queria ser
Me dá uma chance
Eu não posso ser perfeita
Me dá um tempo
Todos os dias quando acordo não sou mais eu
Mas os meus desejos inda são os mesmos

desejo rir com você, sabendo que não tem problema
e que vai me perdoar se eu não estiver aí
preciso de mim

Mas preciso de vocês também
para não ser fraca
e frágil
e amar sem medo.

domingo, 13 de fevereiro de 2005

Talgvez eu devesse parar de escrever no pato, também.

O problema é que eu ligo o computador que nem é meu e fico achando que minhas idéias imprecisas são dignas do pato; Mas aí não escrevo as idéias realmente boas poque o texto vai sair ruim de qualquer forma com essas teclas esquisitas.

E não escrevo aqui. Que de certa forma é um lugar do qual eu sou obviamente digna.
As pessoas se acostumaram a dizer que tudo o que eu escrevo é maravilhos (em média, pelo menos), mas quando o tempo passa e meu ego desinfla um pouco e eu consigo escrever alguma coisa vejo que eu não sei mais escrever. São os outros que têm idéias boas -- o Yuri, o Digo, os outros -- eu só tenho idéias banais e entediadas. Escrever poesia parece mais fácil porque as coisas podem apenas ser bastante sonoras. Mas eu não quero mais.

Eu não quero mais, porra!
Não quero mais achar escrever uma coisa enfadonha.
Não quero mais ficar lendo livros sem sequer me interessar por eles.
Não quero mais ir ao shopping pra ficar lá fazendo nada!
Não quero mais racionalizar tudo tudo tudo
Não quero mais viver do passado, nas mesmas histórias de sempre
Não quero mais me achar o máximo porque aos doze anos escrevi um poema que ficou realmente muito bom, mas não consigo azer outro tão bom quanto.

Não quero mais nada disso.

Quero qualquer coisa que valha a pena!

Eu cheguei a pensar em desencanar de tudo e aproveitar a vida, jáque afinal eu tenouma porção de amigos e um namorado e uma família, mas,sabe, eu não agüento. Eu preciso jogar! Eu preciso lutar.

Eu preciso de algo que valha a pena.
Porque, aproveitara vida sem saber de si um só talento, sem lutar por nada, não valhe a pena.

Eu quero cair fora. No fogo. No Fogo.