sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Você-Lírico

Observação sobre a forma como tenho escrito os últimos posts:

Houve um tempo em que eu acreditava que as pessoas que conhecessem a história por trás everiam ser capazes de discernir pelo menos a parte que falava sobre elas. Assim, eu me esforçava para manter personagens coesos - às vezes eu dividia os parágrafos, outras eu usava pronomes diferentes. Mas afinal me dei conta de que os personagens são apenas um artifício, um recurso literário de utilidade restrita, e freqüentemente um limitante da expressividade -- e mais, que talvez a compreensão da história não seja fundamental quando o cerne do texto é a idéia, o conceito, a sensação e o sentimento. Assim, eu tenho usado um tu-lírico fluido, que pode mudar de significado sem aviso, no meio de uma frase, e às vezes se referir a diversas pessoas dentro da mesma oração. Portanto, parem de tentar imaginar "de quem" eu estou falando. Mesmo quando as histórias são verdadeiras (e elas quase sempre são), elas estão misturadas, confundidas, e toda vez que você imaginar uma pessoa real vivendo essa história (qualquer pessoa que não seja eu), lembre-se de que... bem, de que a borboleta na verdade era um dragão, e o telefonema era uma carta. É assim com tudo. A narrativa é puramente um artifício; a verdade, uma diversão.

5 comentários:

Utak disse...

Bons tempos em que eu me imaginava no teu tu-lirico. Mas eu aprendi que nunca sou eu... :)

Fábio Cabral disse...

Engraçado que eu escrevo exatamente dessa forma no meu blog, e várias várias pessoas na pretensão de se acharem representadas nos escritos... misturamos tudo, as histórias são verdadeiras mas misturamos tudo, pessoas e fatos, é proposital pra ninguém entender mesmo!

Hita disse...

A imaginação é também um artifício do leitor.

Lobz Wolblood disse...

Ugo, não seja dramático, é claro que às vezes é você. É só que você nunca conseguiria identificar quando é. Nem eu consigo.

Cacau =^.^= disse...

É divertido escrever e ler varias pessoas ao mesmo tempo, varias historias ao mesmo tempo.
Acho que agrada ao poeta, pois demonstra melhor os sentimentos, já que não somos a interação com uma pessoa só, então por falar de uma só por vez?
e agrada a mim, como leitora o gosto de pensar, agora sou eu? agora é ela? agora é algum personagem interno?
e saber que é, um pouco de tudo misturado ^^