sábado, 24 de abril de 2010

Dormir ou escrever?

Eu quero desabafar, eu acho.

Mas desabafar o quê?

Não estou sofrendo de amor, não estou brigando com ninguém.

Eu sei lá.

Eu queria estar lá fora, bebendo num bar com uns amigos, mas não.

Eu não poderia movimentar tantas peças pra depois ficar me contorcendo num canto, me sentindo enjoada e cansada.

Não sei como não bati o carro (aliás acho que quase bati o carro).

Não sei como me deixaram dirigir.

Olho pras coisas e não entendo nada.

Se pá a vida passa muito depressa e eu me distraio com uma borboleta e quando me dou conta perdi o fio da meada.

Estranho como a vida passa depressa e toda vez que algo novo acontece eu sinto como se cada vez menos fosse a minha vida.

Mas de que me importa de quem é esta vida? Eu estou vivendo, as coisas acontecem, as coisas mudam, é só isso.

Pequenas chaves estão mudando do impossível para o possível, com freqüência.

Algumas coisas mudam de importância.

Qual será a próxima surpresa?

Às vezes eu me surpreendo tanto com uma coisa que acontece que não consigo lembrar direito do que aconteceu a menos que eu pare pra pensar.

A sensação é essa: se isso não aconteceu, então como eu posso ter essas lembranças?

Ou então (depois de um tempo) aquilo vira tão natural que tudo o que acontecia antes parece bizarro.

Você se lembra de mamãe vestindo suas meias? Eu sim. Eu lembro.

Talvez os dias anteriores tenham sido tão bizarros que este dia relativamente normal me pareceu totalmente estranho.

Ou talvez tenha sido um dia estranho mesmo, dada toda a espera, a fome, meu corpo se recusando a fazer o que deveria, o Alex indo com a gente pro CM, o Dr. Horrible, a minha inesperada disposição para romper a sutileza, etc.

Se: e se?

Eu não sei, eu não quero ter mêdo, mas sempre tem alguma coisa.

Eu queria que as coisas de repente estalassem e começassem a fazer sentido.

Tudo parece tão certo e tão errado.

Eu deito na cama e vem aquele monte de dúvidas (que a gente tem quando trabalha como artista)

Talvez hoje tenha sido um dia estranho, ou talvez o dia tenha sido normal e eu tenha me cansado dessa normalidade. Tudo pode ser tão mais inexplicável. Tudo pode desaparecer. É fácil.

Não foi um dia ruim, tive momentos adoráveis, até me diverti. Mas sei lá. Alguns momentos foram mais incríveis que outros, mas alguns foram bem pouco interessantes.

Eu fiz tudo errado? Eu dei valor às coisas erradas? Eu me distraí?

Quem sou eu?

Um comentário:

Tito Peçanha Leitão disse...

tem dias que eu vou dormir tranquilo e tem dias que eu vou dormir angustiado.
nunca sei muito bem porque.
geralmente eu até sei porque, mas nunca sei porque aquilo define meus sentimentos.

às vezes vou dormir nervoso porque tenho a impressão de que disse alguma coisa estúpida no meio do dia e fico me sentindo mal. eu sei que é aquilo, mas não sei porque aquilo sobrepuja todas as outras coisas, às vezes até boas, que aconteceram naquele dia.
às vezes também é não ter dito uma coisa que ficou na cabeça, ou ter dito e ter dito algo que parecia antes muito inteligente mas soou idiota.
quando me sinto bem também não sei muito como explicar. ontem fui dormir tranquilo, e não sei bem porque.

enfim, acho que entendo quase completamente o espírito no qual você escreveu esse post.

abraço