segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Estilhaços do meu Único Tremor

It may not be that I don't love this path, but only that I cannot stand the thought of suffering another defeat — my heart is blank, weakened by the many times it has been beaten. To hold on enduring what has only given me honorless pain, even if I deserved it, would be to deny the instinct of survival — and therefore to spit in Nature's eyes. I will go, probably, but I won't go quietly. I don't care where to, if I can just get out of here.



Quando estávamos andando pelo bairro apagado e fantasmagórico sob a lua cheia, perguntou-me porque eu via tanta beleza nas árvores; eu respondi que que elas me agradavam, e só. Mas ontem, no apartamento asseado e sem espaço para fantasmas, teria dado meu sangue por uma árvore. Abri a janela apenas para olhá-la, e quase chorei ao ver seus galhos se bifurcando e ondulando para dentro de pequenas nuvens de folhas!

O Diogo diz que a gente não deve escrever com palavras épicas, porque isso deixa tudo meio ridículo. Mas de que outra forma eu poderia transmitir o que eu estou sentindo, que não se passa através de simples palavras? Naquela hora, meu coração se apertou ao ver os galhos da árvore, mais ou menos como ele se aperta ao ver você, e eu percebi que eu não quereria viver num mundo que não tivesse árvores. Se todas as árvores morressem, se eu não tivesse nenhuma forma de trazê-las de volta, eu provavelmente me mataria. Eu realmente não sei se a morte pode ser interessante, eu sou o tipo de pessoas que gostaria de viver para sempre, mas de que me valeria viver para sempre sem árvores? Naquela hora, eu entendi que árvores são a coisa mais importante.

Que tipo de pessoa sou eu se eu vivo sem lutar por aquilo que é mais importante? Matar para comer não me incomoda, matar insetos sem motivo me causa um certo desprezo frio que em geral eu ignoro, matar pessoas me provoca nojo e uma certa esperaça compassiva dolorosa; matar árvores me provoca ódio, puro, simples e inútil. No meu coração uma pessoa que mata qualquer ser vivo e não sente nada em relação a isso é uma espécie de psicopata. Eu suspeito que já tenha me afastado de uma pessoa inconscientemente depois que ela confessou ter matado um gato na inocência da crueldade infantil. A morte, mesmo que de um mosquito, é uma coisa séria. A morte de uma árvore é um pecado tão grande que apenas a vida de outras árvores podem pagar aquela que foi tomada. A pessoa que corta árvores, assim como a pessoa que mata os bois, precisa ter consciência de que seu trabalho é assunto de Deus.

E digo Deus mesmo, para bater de frente com o ateísmo de vocês, porque pra mim a vida é uma coisa tão sagrada que se torna fútil negar a religiosidade. Que me importa que eu não acredite em um velho barbudo que nos dá leis e punições, se eu acredito na vontade intrínseca das coisas, na diferença entre o certo e o errado, no sagrado? Se eu não teria coragem de derrubar uma árvore grande nem que fosse para construir minha casa no lugar?

Eu vivo perguntando às pessoas se elas acham mais certo fazer o que eu gosto, fazer o que eu faço bem ou fazer o que eu acho importante. Em geral elas dizem que eu devo fazer o que eu gosto. Ultimamente eu tenho me perguntado se eu poderia ser feliz fazendo o que eu não considero importante. Eu não estou feliz agora, mas agora eu não estou fazendo nada. Como eu posso saber como eu posso fazer o que é importante?

Nos últimos meses o futuro tem me parecido cada vez mais negro.

6 comentários:

Bruno K disse...

você vai encontrar suas respostas.

Rafael disse...

Se experiência pessoal quer dizer alguma coisa, eu diria que você parou de tentar. Em vez de ir atrás do que quer encontrar passou a ir atrás de novas formas de se questionar e limitar.
O mundo é de quem faz as coisas, não de quem fica se perguntando o que fazer. Não precisa sempre saber pra onde está indo, especialmente se a idéia é procurar coisas novas.
Vai ver o mar.

Lobz Wolblood disse...

Eu nunca tentei, eu não sei o que significa tentar. Mas é verdade, não é?

Tito Peçanha Leitão disse...

eu gosto MUITO de árvores.
a árvore tem muitas camadas de vida, muito mais camadas do que alguém pode imaginar. Não sei, tem tronco, galho, folhas, flores, frutas, formigas e outros insetos, pássaros, casca, seiva, sei lá.

talvez seja por isso que eu esteja tão inconformado em morar em um apartamento. Na minha antiga casa tinha uma pitangueira gigantesca no jardim, e era meio que ela que marcava a passagem do tempo. Não sei, agora os dias e os meses são como que todos iguais.

Rafael F. disse...

Tentar é só acordar um dia, escolher alguma coisa que você nunca fez e ir atrás. A gente acha que tem alguma coisa que a gente precisa achar, algum talento escondido que a gente ainda não descobriu, mas a palavra não é achar nem descobrir, é construir. Lembra como era difícil guardar todas aquelas letras e depois juntar elas em palavras quando você tinha 5 anos? Vale pra tudo, nada é fácil de primeira, a graça tá em entender coisas novas e desenvolver elas dentro de você. Cada habilidade é um jeito de pensar a mais na sua cabeça não?

Lobz Wolblood disse...

Não lembro. Não lembro de quase nada que tenha sido difícil pra mim. Lembro de jogar handball, que eu abandonei pouco depois e nunca consegui voltar, e de correr na quadra de basquete. O resto é meio confuso, meio sem sentido porque ou eu conseguia de primeira ou não conseguia nunca. Se eu tivesse vencido alguma vez antes na vida seria mais fácil. Do jeito que está, não entendo.

Talvez seja uma dessas coisas que ninguém pode explicar, e você tem que descobrir sozinho.