quinta-feira, 30 de abril de 2009

Danger

Eu me sinto irritada. Simplesmente irritada. Eu não tenho vontade de fazer nada. Eu quero brincar e dormir. A luz do sol me compele a fazer muitas coisas alegres, como catar limões e brincar com os gatos. Mais uma vez eu ajo irresponsavelmente. Por que não posso colocar brincar com os gatos entre minhas responsabilidades? Por que não ganho créditos por escrever no blog?

Preciso abandonar umas responsabilidades. Vou desencanar de ler aquele texto. Vou comprar todos os textos de história e guardá-los em casa, para referência. Vou fazer uns desenhos e uns filmes, mas não tenho a menor vontade. Estou com mêdo de não saber por onde começar. Eu tenho mêdo de tudo.

Acho que vou reler os textos e tentar começar mesmo assim. Eu queria fazer um bom semestre para variar. Eu me sinto angustiada por todas as coisas que não posso fazer. Eu estou com raiva.

Chega. Vou tirar a sexta-feira pra... Não; vou fazer esses filmes na sexta. Vou? Estou com muito mêdo. De não saber fazer nada. Droga de filmes. Tem dias que me dá vontade de gritar.

Talvez algum dia a gente possa, sabe? passar o dia inteiro perdendo tempo...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Minha mãe e um orc.

O Diogo e o Ugo vieram me contar as histórias do jogo de RPG de sábado, algo sobre uma clériga de Lena, um orc bárbaro, um elfo perdido e um pseudo dragão contra um mago malvado. Bem. Aí contaram a parte em que o dragãozinho tentava tirar a concentração do mago, e ele gritava umas coisas tipo:

"Imagina um orc pelado! Agora imagina sua mãe pelada! Imagina um orc comendo sua mãe pelada!"

Estou dizendo isso tudo porque depois de ouvir isso algumas vezes foi umpossível não visualizar (mas sem muitos detalhes — uma mãe genérica com mais ou menos o mesmo tipo físico da minha e um orc genérico com cara de orc genérico fazendo sexo), mas eu meio que não tive nenhuma repulsa particular pelo pensamento, nenhuma esperada resposta emocional capaz de realmente me tirar do sério com uma imagem dessas. Por um lado, isso me pareceu normal, afinal, imagens não têm nada de especial e a gente não deveria mesmo ficar muito impressionados com as coisas que a nossa imaginação produz, seja o que for. Por outro lado, achei o fato de essa ser uma imagem que teoricamente deveria me causar qualquer coisa, e o fato de não ter causado nada, meio curioso, e resolvi elaborar uma explicação. A minha explicação é a seguinte:

Em primeiro lugar, eu até entendo a dificuldade de imaginar que os pais sejam seres humanos e façam sexo, mas eu não tenho essa dificuldade. Pra começar porque meus pais não dão a menor abertura para idealizações infantis — já faz anos que eles nos tratam como adultos exatamente no mesmo nível deles, inclusive pedindo conselhos (e inclusive muitas vezes só nós filhos conseguimos manter calma suficiente para resolver algumas questões familiares); depois, porque meus pais falam de antigos namorados, dos nossos namorados, de sexo e do que eles pensam sobre todas essas questões sem grandes tabus, sabe? mas sem entrar em detalhes, também, porque no fundo ninguém quer fazer o papel de melhor amigo com os pais enquanto isso puder ser evitado. É uma questão de manter as funções separadas. E em segundo lugar, sexo é uma coisa natural, bacana e que em geral traz mais bem do que mal, e na real acho que todos deveríamos fazê-lo. Apesar de eu não gostar de pornografia eu não acho que sexo seja uma coisa nojenta. (*na verdade, eu só acho nojento mesmo coisas que não combinam: por exemplo, boca e bile não devem ser combinadas. definitivamente.)

Por outro lado, eu também não imagino orcs como bichos nojentos. Desde que houve a reversão dos conceitos de bem e mal, e se abriu a possibilidade de considerar qualquer criatura como fundamentalmente neutra, ou como uma possibilidade biologicamente plausível, os monstros clássicos se tornaram menos monstruosos para virarem apenas criaturas um pouco grande, um pouco feias, um pouco más, mas não conceitualmente horrendas como eram antes. O que quero dizer é que o orc não é intrìnsecamente feio. Ele só é um orc. Eu imagino o orc como um homem grande, gordo, muito musculoso, de pele preta ou cinza (a menos, é claro, que eu passe muito tempo jogando warcraft...), como aqueles grandes porcos de criadouro, com uma fuça meio estranha, narinas maiores que o normal, uns dentes de javali e orelhas de porco apontando para cima. No geral, um porcão bípede, mas não necessariamente feio. Até porque os porcos não são feios, eles só são porcos. E eu convivi com homens musculosos minha vida inteira (eles não são especialmente raros) e sei que eles podem ser bonitos. É só olhar pros super-heróis da DC. Ou pra um vilão. De qualquer forma, eles estão por aí. Então, se pra mim o orc é só um homem grande, ele pode ser legal também. Eu não imagino um Uruk-hai, nem uma criatura diabólica, eu imagino um homem-porco. Acho que um orc tem até potencial para ser sexy. Por isso, também não tenho problemas pra imaginar um orc fazendo sexo.

Cheguei a pensar que talvez, como isso dos pais tem a ver com complexo de Édipo e tal, eu deveria pensar pelo lado de "meu pai e uma orca"... Bem, não sei, ainda não é o tipo de coisa que me deixaria perturbada, ainda mais se fosse uma orca bonitinha.

Estou dizendo isso porque o orc é uma criatura típicamente masculina, ele é meio que o estereótipo do homem sem características femininas, o bruto que aparece nas histórias pra beber, quebrar cadeiras, urras, cheirar mal, e usar sua força para estuprar mocinhas descuidadas. Ok, não quero ofender os homens, mas estou dizendo que ele é uma criatura sem leveza, sem suavidade, sem delicadeza, sem sentimentalismos. Ele só tem características 'masculinas', as características mais brutas, dos homens que não querem ser chamados de viados, do machismo violento. Nada a ver com o "homem moderno", o "homem sentimental", que tenta encontrar equilíbrio entre razão e emoção. Não, o orc é um homem duro, sem palavras doces, que acha que emoção é coisa de donzela e de poeta. E que não respeita ninguém, quer dizer, só respeita o orc mais forte.

E a orc fêmea seria o quê? A mulher do orc? Mas a mulher do homem forte pode ser tanto a dona de casa com fibras de aço fazedora de filhos quanto a gostosona destruída. A mulher do orc ou é um orc ela mesma, ou é um nada. Mas tentemos imaginar o orc não como conceito, mas como espécie possível: o homem musculoso, de cor esquisita e com nariz de porco, só isso. A mulher-porca é uma imagem usada sempre para personagens feias, gordas de seios caídos que se vestem de modo a ressaltar seus defeitos, têm cabelo desgrenhado, são sujas e dentuças (com exceção da super-pig, é claro). Mas imaginemos uma porca limpa, uma porca asseada, bonitinha. Não é adorável? Agora imagine um orc sorrindo e uma orc mulher-porca sorrindo de volta, e nós temos um lindo casal monstruoso! Oh yes! E eles vão formar uma linda família numa linda casinha na Improbable Island até que um herói venha derrubar sua porta, cortar suas gargandas com uma motosserra e roubar todos os seus bens. Mas isso é outra história.

Aflição

De tempos em tempos acontece um desses momentos jogados fora. Tento me concentrar mas só consigo pensar em balança em frente, sem sentido, sem motivação. São dias completamente perdidos, desperdiçados, ofendendo a clara noção de valores que diz: "você tem que ser mais!"

Eu tenho que ser mais, é? Mais do que quem? Melhor do que o quê? Para formar que tipo de inequação M > V*f(d) ? Eu tenho que ser melhor? Que ser forte e conseguir tudo para dar os louros do meu suor àqueles que merecem meu esforço? Fazer sacrifícios da alma, domar minhas vontades, meus espíritos, para seguir as regras de um jogo que dura a vida? Eu tenho que superar esse dias e ir além da mediocridade, da inutilidade, da pessoa sem grandes conquistas? Eu tenho que cumprir metas e promessas para merecer o meu lugar no mundo?

Hoje foi um dia desperdiçado e não sei se devo sentir raiva ou culpa. Eu não sou uma pessoa pequena, apenas uma pessoa dispersa. Vou tirar o pc da tomada, sim, em breve, vou trancar os vícios num armário e dar um tempo, e dedicar os dias a esse ideal maior da funcionalidade. E tudo vai girar em torno de um objetivo. Mas será o meu objetivo? Como num jogo de video-game, precisamos fazer todo tipo de missão idiota para conseguir crescer o personagem. O que estou fazendo agora não passa de uma quest?

E por que cada vez mais se me revela a falta de sentido? Por que até a linguagem se vai desconstruindo? Por que se torna impossúvel efetivamente comunicar, se não através de guinchos primitivos? Por que não nos podemos mais compreender?

terça-feira, 28 de abril de 2009

Comentário à filosofia do Yuri.

Eu vou me distanciando lentamente de mim (como me vejo) e de vez enquando preciso me retomar. É tipo um update. Aliás essa talvez seja a única importância do passado: a noção de si (e do resto). O presente é meio que o indefinido, aquele instante em que você se pergunta o que diabos você está fazendo esperando na fila do médico se na verdade tudo pode ser nada, você pode ser um caracol no próximo instante, as pessoas podem ser sua imaginação, podem ser robôs, podem ser qualquer coisa, e você pode não ter nenhuma semelhança com elas, porque você se vê através dos seus olhos e as vê de frente através do mundo, do ar, do vidro. Então, você se mantém distraído dessas estranhas possibilidades, fingindo que tudo é assim mesmo e que a realidade é o que é e não o que pode ser, você faz isso mantendo as suas noções baseadas no passado e não no presente, porque o presente, fora do passado, é a sensação do absurdo. O futuro é o que realmente importa (o futuro, claramente, também é sempre futuro do pretérito, porque o presente não tem futuro, o presente é e ponto, o presente é absoluto e o futuro é relativo ao passado, e quando algo acontece o futuro é congelado e quando algo vira memória o futuro é atualizado), porque é só no futuro que poderemos ser de qualquer maneira produtiva. Então... a grande questão é o que é o EU de verdade. Alguns diriam que é o conceito de eu, ou seja, o passado. Outros diriam que é o ideal de eu, ou seja, o futuro. E alguns falariam de essência e aí teríamos que resolver aquele problema complexo do presente.

O mundo, o mundo, sempre a mesma história...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Sonho

I

De estar num seu abraço
Quente e confiável
De estar entre seus braços
confortada
pelo teu calor amável
Sério e companheiro
Do que antes inconsolável
apartada

II

Apenas meus pensamentos é que são vis;
meu coração é fulvo.
É que em malvados momentos, ou infantis,
meu mundo fica rubro;
Não temas que estes lamentos não são ardis:
apenas meus pensamentos é que são vis
e se sem ressentimentos nos encontrarmos
verás pelos sentimentos que nós trocarmos
que o coração é fulvo.

III

Por estar ao seu lado
Como conversamos simplesmente
Como trocamos idéias verdades sementes
Por estar ao seu lado
Como é fácil existir tão plenamente
Como evitamos segredos maldades serpentes
Por olhar em seus olhos
Como devo consentir em ser somente
Como aceitar as correias os atos as lentes
Por olhar em seus olhos
Como caminharmos sempre em frente?
Como agüentar o vazio a saudade e a nascente
Por sentir sua alma
Como?

terça-feira, 21 de abril de 2009

II

Há ainda muita coisa, bem, esperando para fazer sentido.
Algumas coisas cansam e desistem depois de um tempo.
Algumas coisas crescem e coçam e incomodam terrivelmente depois de um tempo.
Algumas coisas dão um tempo e acabam aparecendo anos depois.

Outras se resolvem.
Rápido.
Como um homem com sede que simplesmente bebe água.
Simples.
Como dar uma volta pra esticar as pernas.
Lógico.
Como um exercício de matemática.
Como acender a luz quando começa a ficar escuro.
Como a gravidade.

Sem uma grande e confusa variedade de opções.

Coisas doces

Quando cheguei em casa ontem à noite (por volta de uma da manhã) os filhotes estavam especialmente carentes. Eles me seguiram até o quarto e eu os pus para fora. Eles voltaram, e o Ugo os assustou para fora. Quando levamos o computador para o carro, eles nos seguiram até a porta e eu os mandei de volta para dentro. Quando fui dormir, os pequenos se esgueiraram atrás de mim pela fresta da porta. Como meu coração não é exatamente de pedra, eu tive que ir brincar com eles. Caindo de sono, deitei no sofá e deixei eles brincarem com minha mão no chão. Afastei Fumaça do meu sapato algumas vezes antes de adormecer. Quando acordei, os dois estavam aninhados no sofá ao meu lado.

Acho que nunca me senti tão próxima de uma mãe. Eles só queriam se sentir seguros e aquecidos como na barriga de sua mãe gata. Passei horas dormindo mal e acordando a toda hora, quase caindo do sofá (que não é tão confortável assim...), totalmente cativada pelas duas coisinhas pretas. Finalmente, às cinco da manhã não agüentei mais o sono e as cores nas costas que começavam a surgir, e deixei os gatinhos dormindo para ir para minha própria cama. Quando acordei, a primeira coisa que quis fazer foi brincar com eles. Hoje Penumbra (é esse o nome que quero dar para ela) deitou no meu colo durante o café da manhã.

Acho que estou completamente apaixonada.

domingo, 12 de abril de 2009

Sobre mim

Agora há pouco eu meio que estava relendo uns posts antigos do meu blog. A princípio pra ver se tinha qualquer poema que prestasse aqui. E também para verificar umas alterações de layout. É confuso tentar manter os posts coloridos quando se muda as cores do layout.


Eu acho estranho ler esses textos antigos. Estranhos pra caramba.
Acho triste ler os de 2007, 2008, porque nunca sei do que eles estão falando, e, quando sei, não é coisa boa.
Acho perturbador ler os de 2006, porque eles são dolorosos, apaixonados, cheios de cilpa e segredos, de pecados, de tentativas de libertação e afinal de uma liberdade insegura. Mas eu me identifico com essa pessoa de 2006. Acho que ela se parece muito comigo.
Acho confuso demais ler um texto de 2005... confuso mas delicioso, porque no início de 2005 eu já estava apaixonada por todos os garotos e você pode ver nos textos como eu me sentia em relação a cada um deles... e também porque, incrivelmente, apesar disso eu estava completamente feliz. Mais pro meio do ano, as coisas estão mais difíceis e os textos estão repletos de emoção e aventura, conforme os conflitos (a respeito de garotos, mainly) vão se fazendo representar por cenas épicas de cavaleiros, monstros, demônios, anjos, criaturas místicas, batalhas, animais selvagens, gatos, pégasos. Ou pelo menos eu consigo ler isso, hehehe. 2006 tem um pouco disso também. Mas não me identifico muito com a infantilidade, o cansaço e o desespero que transparecem nesses textos. Mesmo então, suspeito que eu estivesse me divertindo mais do que podia demonstrar (não que eu mentisse nos posts — mas eu em geral escrevia apenas quando movida por sentimentos exageradamente intensos).

Mas o mais estranho é ler textos de 2004. Os textos de 2004 não têm uma unidade clara. Como muita, mas muita coisa mesmo aconteceu nesse ano, a impressão que dá é que a autora era esquizofrênica (obs.: don't sue me, squick). A parte mais estranha é ler os textos de amor (que são a maioria, por razões óbvias: eu tinha quinze anos nessa época). Eu tinha quinze anos e estava vivendo o meu primeiro amor de verdade. E tudo o mais girava em torno disso. Nada mais tinha a menor importância. Eu estava louca e me sentia já metade de dois (diferente de um), e me lembro realmente de agir como metade de dois, aliás, eu me lembro de tudo, todos os momentos, todos os carinhos, as partes confusas, as partes boas, tudo. Para mim não faz o menor sentido.

Não consigo me identificar com aquela pessoa. Pra mim parece estranho ter sentido aquelas coisas por aquelas pessoas. Quer dizer -- eu ainda adoro o Yuri e até hoje acho ele um gato (:þ -- mas ele é mesmo), mas me parece meio surreal a gente ter vivido juntos todas aquelas maluquices, aquelas viagens, aqueles erros óbvios, aquelas idéias doidas, que hoje em dia eu nem sonharia ter. Parece tão estranho ter sido tão infantil! Eu não me lembro de ser assim, nem antes, nem depois. Acho que só naquele primeiro ano de amor e loucura foi assim, mesmo. Depois ficou difícil demais pra tanta inocência. E antes também. Mas... acho que era bom. Muito bom. Até porque eu dizia em meus escritos que eu vivia em dor e escuridão antes de "te conhecer". Essa é a parte mais estranha de se ler. Estranha porque eu parte eu sei que é verdade, e emparte eu sei que é mentira. Estranha também porque eu me sinto assim hoje em dia, eu tenho vontade de usar exatamente as mesmas palavras, mas tudo, absolutamente tudo, parece diferente — inclusive as partes iguais.

Eu meio que não consigo evitar ler todas essas coisas como um complexo e sujo relato da minha viagem por uma porção de homens (pelo menos oito — mas posso contar uns dezessete (#%*) se for realmente precisa) até chegar à libertação. Posso até dar nomes para eles:

o Primeiro Mestre
o Namorado
o Grande Mestre
o Parceiro
o Inalcansável
o Colega-Modelo
o Encontro Casual
o Amigo

Ok, agora que eu escrevi isso eu me sinto muito idiota por ter escrito isso. Mas ainda faz muito sentido. Eu poderia preencher as lacunas com

o garoto da escola
o absurdo
o amigo irmão
o beijo sem importância
os amigos-do-amigo (2)
o abraço sem compromisso
o que ganhou uma chance
o vizinho

Mas seria difícil tirar o sentido disso
Não sei porque eu faço essas coisas
Porque eu penso sobre isso
Mas é que pra mim o sentido é muito importante
Eu só estou tentando encontrar um sentido.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Entre outras coisas — quem devemos proteger?

Eu estou afim de escrever, ultimamente. Só isso. Não vou escrever nada terrível. Mas vou pensar sobre isso. Porque preciso parar de ter medo de tudo. Porque preciso parar de proteger as pessoas.

Vocês já sentiram a emoção única de proteger alguém? A emoção ainda mais única que a de ser protegido? Já deram seu agasalho a alguém numa noite fria, ou seguraram as mãos de alguém que tentava subir numa pedra ou num tronco? Já se jogaram entre alguém e algum objeto que poderia ferir-lhe? Já serviram de apoio para alguém? Já deram colo para um amigo que estava fraco, triste ou desesperado? Já abriram espaço na cama para alguém que não conseguia dormir? Já tentaram devolver a razão a pessoas que se machucavam? Já transmitiram segurança a quem sofrera um acidente? Já aceitaram sofrer para que outra pessoa não sofresse? Já sentiram o cólo ou o ombro molhado de lágrimas?

Acho que não há nada tão doce quanto proteger alguém. Lembro muito claramente do momento em que uma pessoa que amo se machucou, de como corri até ele sem mêdo nenhum além do de que ele estivesse ferido de verdade, de como tive que ser forte para segurá-lo enquanto estávamos ambos muito assustados. Lembro-me também de outro amigo que me confiou todas as suas dores, e de como sacrifiquei muitos momentos tranquilos para poder estar ao lado dele, partilhar suas dores e entender suas lágrimas. Por fim, resguardo um momento sagrado em que uma pessoa muito doce e muito forte revelou ter mêdos, e chorou me pedindo um ombro, quando era sempre eu a pessoa que entrava em desespero.

Não há nada como se sentir necessário. Quando alguém ao nosso lado é frágil, nos tornamos imediatamente mais fortes para proteger esse alguém. Quando esse alguém tem mêdo, criamos coragem. Quando esse alguém se desespera, encontramos razões para sorrir. E mesmo que estejamos caídos e desanimados, se esse alguém cair ao nosso lado, nos ergueremos com nova força e coragem, apenas para estendermos a mão. Essa pessoa não é necessariamente mais importante que nós mesmos — é que a fraqueza dela dá um sentido à nossa força. É difícil proteger a si mesmo; o mais fácil é proteger o outro. Para proteger o outro, podemos ir muito além de nossos limites, pois não estamos preocupados em guardar um resto de nós que ainda esteja aqui quando o perigo acabar. Se é para proteger o outro, não precisamos poupar a nós mesmos; nenhum luxo e nenhum vício são necessários.

E é claro que, em geral, quando protegemos alguém lhe trazemos algum benefício. As pessoas não são sempre fortes, e muitas vezes precisam ser protegidas. Os animais, as plantas e mesmo a terra precisam ser protegidos. E mesmo as máquinas. Por outro lado, essa também é uma atitude egoísta: se você protege alguém, está impedindo que ele proteja a si mesmo — está roubando-lhe o poder de proteger a si mesmo. Quando protejo meu amigo, imponho a ele a fraqueza que deve ter para que faça sentido que eu o proteja. Eu vou impedir que meu amigo se torne mais forte e dispense a minha proteção simplesmente porque eu preciso do sentido de dever e funcionalidade que obtenho ao protegê-lo? Talvez eu não faça isso de propósito, mas, de qualquer forma, o próprio ato de me colocar entre ele e a ameaça impede que ele entre em contato com um desafio que poderia deixá-lo mais forte. E, ao mesmo tempo, conquanto me sinto mais forte por enfrentar os mêdos de um amigo fraco, quando enfrento mêdos que ele poderia enfrentar sozinho, não estou só mimando meu amigo, como também perdendo meu tempo. Ajudar quam não precisa da minha ajuda não me fará verdadeiramente feliz: os desafios não evoluirão e se tornarão fúteis com o tempo, e minha relação com meu amigo será tomada por essa futilidade, de modo que ninguém aprende nada, ninguém ganha nada, e na pior das hipóteses eu ainda perco um amigo.

De fato, eu não consigo agüentar alguém que precise de ajuda o tempo todo. Não posso respeitar verdadeiramente alguém que nunca vence nenhuma batalha contra seus próprios demônios. A pessoa precisa ter significado em si própria para que haja significado no protegê-la. Ninguém quer ficar de babá de uma pessoa desinteressante. Nós damos tudo de nós por alguém porque sabemos que aquele alguém nos dará algum retorno, como, por exemplo, nos ensinar alguma coisa, nos ajudar de alguma forma, ou ser uma pessoa legal. Não há sentido nenhum em proteger uma pessoa que não acrescenta nada à nossa vida. Eu ganharia mais com essa pessoa se pudesse observá-la se debatendo. Da mesma forma que lutamos contra nossos mêdos agora para abrirmos nossas possibilidades para o futuro, queremos lutar para que outras pessoas possam fazer grandes coisas em seus próprios futuros.

Mas, no extremo oposto, é difícil conviver com alguém que está sempre por cima. Poucas coisas são tão difíceis — acredite, eu sei — quanto conviver com uma pessoa que nunca chora, nunca se desespera, está sempre numa boa. É claro que viver com uma pessoa forte nos inspira a ficar mais fortes também! O problema é quando essa pessoa é tão forte que ela se torna inalcançável. Até porque, se você nunca pode proteger essa pessoa, você acaba se sentindo desnecessário... e, se você não é necessário, por que você está aqui?. A reação mais natural é ir embora. Ou isso, ou você se submete a essa pessoa, e rasteja atrás dela como um cachorrinho, pedindo atenção, alimento e instruções. (* é claro que existem outras formas ser necessário... acho que a mais óbvia é estar sempre ensinando coisas novas a essa pessoa)

O problema maior é sempre o desequilíbrio e o erro. As pessoas precisam ser protegidas, e também precisam proteger, mas apenas na medida certa. Não faz sentido proteger alguém que poderia se resolver sozinho. As pessoas se sentem realmente frustradas quando não conseguem proteger a si mesmas, pois estão sempre sendo protegidas. E justamente essas pessoas terão mais diciculdade de arranjar a própria força — e será especialmente difícil resistir ao impulso de protegê-las. Porém, nessas horas o mais importante é ser capaz de manter a frieza e observar a pessoa lutar por si mesma. Sem contar que muitas vezes, quando achamos que estamos protegendo alguém, percebemos que estamos protegendo-a de coisas inofensivas, e às vezes até benéficas. De novo, é nessas horar que é mais difícil mater a calma, avaliar a situação e fazer a coisa certa.

É de extrema importância que não cumpramos missões inúteis.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Descoberta da Maturidade

Este post começou como um comentário no blog do Brunok. Portanto, ele é a motivação para ei pensar nestas coisas deste jeito.



Li uma vez uma frase que era assim: nunca deixe de brilhar, pois o seu brilho inspirará outros brilhos. Quer dizer, você nunca deve temer ser melhor, você nunca pode temer ofuscar os outros, porque embora os outros possam sim ficar incomodados, eles ainda desejarão ser pessoas melhores, para brilhar mais.

Achei que podia escrever essa frase aqui. Mas acho que só brilhar não é suficiente (a menos que você queira ser uma freira). Acho que você deve ajudar os outros a se livrarem da sujeira que tolda seu brilho também. Você me entende?

Ultimamente eu só tenho repetido duas frases para mim mesma todos os dias: "Eu tenho que ser mais forte do que as dificuldades" e "Eu não vou ceder ao mêdo". Às vezes parece que fazemos coisas que não compensam, que nos machucam, que só nos causam mal. Pois é justamente nessas horas que temos que reunir toda a nossa coragem, lembrar dos motivos que temos para fazer aquelas coisas, e encontrar a força para sacrificar coisas importantes para nós para conseguirmos cumprir nossas metas.

Eu estou apavorada. Não sei se conseguirei vencer os obstáculos e também não sei se, quando conseguir cumprir meus objetivos, eles valerão todos os sacrifícios. Mas é preciso ter fé. É preciso avançar em meio à solidão, ao desespero, à falta de sentido das coisas que fazemos, em meio à insegurança, às dúvidas e a vontade de jogar tudo pro alto, e ter a coragem de fazer o que viemos fazer.

Um pistoleiro diria que precisamos lembrar das faces de nossos pais.

Um rei das feras diria que precisamos lembrar quem nós somos.

E você?

É nas horas em que o ego caiu embaixo do sofá que precisamos ter força pra levantar o sofá.

Uma pantera negra diria que voltaremos sempre para a nossa alcatéia.

Nós precisamos ser fortes. Nós precisamos ser aquilo que viemos ser. Nós precisamos persistir na vontade de sermos aquilo que queremos ser. Nós precisamos ser fortes.

Uma música que continuo precisando cantar para resistir ao desespero:


Don't take me back
Don't take me home
Let me stay here a little longer
Don't make me feel
like I don't belong
Let me become a little stronger
'Cause I know I can be what you want from me
I might be frightened but I am still fighting
And I know I can do what you want me to
I won't be lonely if only you'll let me stay...
Don't take me back
Don't take me back

sexta-feira, 13 de março de 2009

Sim

Sim, há muita coisa perdida
deixada de lado, esquecida
camuflada sob as nuvens de poeira

Sim, há muita coisa escondida
escorregada junto com os lençóis
permanecida entre a cama e a parede
esmagada entre o colchão e a cabeçeira

Muita coisa quebrada, caduca, casca carcomida
Muita coisa encurralada, ultrapassada
Há muita coisa perdida

Sim, há muita coisa velha
Que já saiu de moda,
que está fora da roda,
que pertence à estação passada

que já não faz sentido
que vem de um outro tempo
Há muito anacronismo que resiste

Sim, há muita coisa morta
Muitos esqueletos no fundo de armários
ali entre as meias e as luvas
esperando pelo século passado

Há muita coisa dormindo
Muita coisa que um dia despertará
para nos observar no nosso sono

Sim, há muita coisa estranha
que não serve à nossa forma, ao nosso jeito
que a gente não sabe pra quê que serve
nem o que é, nem como usar

Há muita coisa sobrando
Há muita coisa faltando
Há muita coisa no lugar errado

Sim, há muita coisa perdida
Muita coisa que perdeu a mágica
e muita coisa que virou sonho
e muita coisa que simplesmente sumiu.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Começo de ano

Não tive aulas ainda, mas estou apavorada.
Não apenas com a volta das aulas, trabalhos, colegas de quem eu não sou próxima o suficiente, essa coisa toda de tentar ser designer, procurar um estágio, o mêdo de falhar, de errar, de não saber nada de porra nenhuma e etc.
Me assusta também o que eu sou em mim mesma.

Tá certo que eu tenho passado tempo demais com o Diogo, e que é difícil viver com alguém tão ambicioso e tão pouco tímido com quem se comparar, inevitavelmente. Há algum tempo eu decidi que não seria certo, de qualquer forma, eu me formar antes dele, e por isso fazia sentido eu ter feito dois anos praticamente inválidos de faculdade enquanto ele já aprendeu um milhão de coisas no primeiro ano dele. Mas é óbvio que essa decisão é uma fuga. É uma fuga para um lugar onde eu possa ser uma criança aprendendo a engatinhar, sem medo de cair de cara no chão, de se humilhar, sem a responsabilidade tão horrivelmente pesada de ter algum passado vitorioso no qual se apoiar.
Estou passando por um processo de esquecer meu passado, não porque eu tenha medo dele ou porque ele não seja válido, mas porque ele não pode mais me ajudar. Não há nada no passado para nós, nada que possa nos dar forças, nada que possa nos segurar quando cairmos no futuro. É assim que eu me sinto, em linhas gerais. Meu novo objetivo de vida é descobrir a coragem para seguir em frente através de tudo aquilo de que não me orgulho. É descobrir a humildade para acreditar na possibilidade de alguma coisa inesperada acontecer, alguma coisa que seja um alívio para o peso insuportável de não ter um... um portfólio. E descobrir a força para poder segurar nas mãos nossas vitórias, antes que elas escapem.

É difícil também ouvir a admiração e a inveja do Diogo pelas minhas aulas de programação, e depois não me empolgar com elas, me distrair durante as aulas porque é tão devagar, tão fácil demais, que é até sem graça. E não saber direito como poder exigir mais de mim, porque sem querer acabei passando muitas semanas sem ter um dia sequer para fazer aquilo que poderiam ser as minhas coisas. Eu estava aqui pensando que eu deveria escrever minhas histórias, ou terminar de programar aquele Pong, eu montar meu portfólio, mas. Não sei nada. Não sei se devo fazer qualquer coisa. Não sei o que devo escolher e o que devo sacrificar.


Acho que descobri.

Reflexão (sim, mais uma)

Às vezes eu me sinto muito solitária
Muito sozinha como se o mundo estivesse se afastando como uma nuvem
e fosse completamente impossível se agarrar a ele
Vocês conseguem imaginar, não?
Eu me sinto assim quando vejo que não faço meis parte da vida de uma pessoa
ou que alguma grande amizade virou só lembrança, de repente
Eu tento afastar a raiva e a frustração de não poder mais compartilhar momentos e idéias com essas pessoas que por um momento me pareceram perfeitas para mim
Eu também tento não ficar com raiva delas por terem me abandonado, por não terem sequer tentado ficar um pouquinho mais perto de mim.

Eu vejo coisas que eu quero fazer, conversas que eu quero ter, emoções que eu adoraria compartilhar, mas não posso.

E me dói notar quando essas pessoas estão tão próximas de outras pessoas de quem eu nunca consegui me aproximar. E me dói também quando outras pessoas que eu não pude amar estão muito mais próximas dessas pessoas que o mais que eu já ousei estar

Eu também me pergunto se alguém sente esse tipo de coisa em relação a mim. Se alguém lamenta eu estar longe. Se alguém ainda gosta de mim e não sabe mais como me encontrar. Eu penso nisso e me pergunto o que eu estou fazendo das pessoas. O que eu estou fazendo para as pessoas.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Pequena Incursão Filosófica

Em dias como este, em que minha mãe me manda passar veneno pra cupim num banco/mesa/revisteiro; em que eu acordo com o despertador que misteriosamente tocou às 13:34, e não às 7:34 como seria o certo; em que eu me jogo na cama bagunçada e não tenho mais vontade de levantar dela, nunca mais; em que nada do que acontece comigo parece fazer o menor sentido, eu páro e me questiono a respeito do sentido da vida.
O problema é que o sentido da vida não é algo racional, algo fixo, que você poderia escrever num livro e ensinar a seus amiguinhos numa palestra. É algo que ou há, ou não há. Em dias astim, é claro, não há; não há nada. O cinzento do céu lá fora é a única coisa que não parece completamente estúpida. Eu preciso abrir a janela, para poder enxergá-lo direito, para poder sentir seu cheiro, o cheiro do vento, o vento pra compensar o meu calor. Eu queria derrubar essas grades para não haver nada entre eu e o mundo. Acho que seria legal sublimar e me dissolver no vento.

Falta alguma coisa em que acreditar. Eu páro e, para evitar pensamentos metafóricamente suicídas, me pergunto o que na minha vida é realmente uma razão pra se viver. O que faz sentido, o que eu não jogaria fora de jeito nenhum. Agora a chuva está entrando pela janela e eu não vou fechar a janela mesmo assim, porque eu não jogaria fora a cor do céu e o vento, de jeito nenhum. A porta se fechou com um estrondo e foi um som delicioso. Eu adoro sentir. Sentir é uma razão pra se viver.
Outras razões que me ocorrem são: amor, diversão, calor, árvore com folhas jovens contra o céu azul (ou: marrom-verde-azul), fazer as coisas certas, amigos, andar de bicicleta, dirigir, o Mar, transar, comida boa, ficar completamente exausto, a Noite (andar na rua à noite), chuva (mesmo a chuva tipo 17), poder imaginar o que quiser, roupas confortáveis, roupas bonitas, cabelo de homem molhado, desejo e flerte, Twix, festa à fantasia, gente bonita, paisagens imensas, work hard-work worth doing, euforia, luta, ser respeitado, andar sozinha por aí, compartilhar prazeres e lugares secretos, estar apaixonada, saber o sentido da vida, dançar, correr e brincar na chuva.

A gente tem que saber o que é importante pra poder saber o que é completamente irrelevante. Pra mim é difícil fazer essa distinção. Eu imagino muito, e aí qualquer coisa parece legal. Por exemplo: eu tenho esse velerinho da ABN-AMRO que eu não compraria nem de graça (o Diogo sugeriu que se eu estivesse em dúvida sobre o que fazer com algum objeto, eu avaliasse se eu levaria ele de graça pra casa, se eu não o tivesse), mas eu imagino que eu poderia pintá-lo de outras cores e aí ele ficaria mó bonito, mas, pensando bem, eu não tenho onde deixar esse veleiro mesmo se ele fosse bonito, ele ia ser uma dessas coisas que a gente não tem coragem de jogar fora mas não sabe o que fazer com ele, então eu penso que como ele seria legal eu poderia dá-lo pra alguém, mas aí, quem gosta de veleiros e teria espaço sobrando em casa para ter um veleiro que aliás eu nem sei se bóia, seria no máximo um brinquedo ou objeto de decoração, então eu poderia deixá-lo com os brinquedos, mas ele não caberia na caixa de brinquedos lotada, e não tem espaço no armário igualmente lotado, e de qualquer forma ninguém brincaria com ele se ele estivesse separado dos outros brinquedos de sempre, então eu penso que eu poderia pintá-lo e dá-lo de presente pros meninos da Cajaíba, que provavelmente nem gostariam dele, mas só se meus irmãos quisessem dar os deles também, e será que meus irmãos têm os mesmos problemas que eu?

(nossa, eu estou arrependida de ter escrito esse parágrafo)

Resumindo, eu sempre escolho fazer a coisa mais complicada. Acho que é porque eu tenho esperanças de poder fazer algum tipo de trabalho que não seja completamente inútil. O que me leva de volta à questão da faculdade, de como eu posso continuar fazendo um curso que não me dá nenhuma esperança de futuro, já que eu não consigo de forma nenhuma me imaginar designer, e por que me parece que meus amigos estão determinados e seguir com suas vidas enquanto eu tenho certeza de que não quero terminar a faculdade e me tornar uma sei lá o quê. E isso faz de mim uma pessoa desesperada. Se você jogar na minha cara o fato de que eu sou infeliz na minha vida acadêmica e talvez até familiar, eu provavelmente vou te agredir, então, acho que você deveria fazer isso mesmo, e a gente deveria lutar; é isso aí, eu vou abrir o Clube da Luta e voltar pra casa sangrando todos os dias. Outra coisa que faz a vida parecer mais certa é....

... hm, acabou de chegar um e-mail dizendo que as aulas vão começar só dia 26, e não 16 como estava sendo anunciado. Isso muda tudo...

enfim, outra coisa que faz a vida parecer mais certa é se machucar um monte e saber que foi por um bom motivo, e se sentir feliz com isso. Ou ser arremessado de uma bóia em alta velocidade. Ou se agarrar com todas as suas forças. Ou simplesmente tomar uma decisão e ir até o fim com ela (que é algo que eu nunca faço.)/
















Enfim, eu estou tentando chegar a uma conclusão mas eu não estou conseguindo. Então vou desistir dessa bobagem e ir fazer alguma coisa de útil (sim, eu já perdi as esperanças de criar qualquer coisa através deste blog).

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Improbable things that happen to us:

You walk through the dappled shade of the jungle, thankful for the break from the heat, when your nose picks up the soft wafting smell of something wheaty with a tinge of tomato-saucy goodness. From around a huge vining tree, and flying with great speed at your head, is The Flying Spaghetti Monster.

The great meatballs of doom squirt out sauce of deepest red and specks of garlic.

It spies you and says, in a booming voice that shakes birds from nearby trees, "HUMANS EVOLVED FROM PIRATES. CONSIDER THAT HUMANS SHARE AROUND 95% OF THEIR DNA WITH MONKEYS, AND MORE THAN 99.9% OF THEIR DNA WITH PIRATES. IT IS ELEMENTARY, MY CHILD."

You barely have time to grab your weapon, let alone come up with arguments against the claim.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O Próximo Semestre

Então depois de meses de aflição, dúvidas e arrependimentos, eu entro no júpiter e ele me mostra que matérias optativas eu peguei. Eu vou transcrever aqui pra você poderem rir da minha situação.

obrigatórias:

AUH2810 - História do Design III
AUP2310 - Projeto Visual 5 - Mídia Eletrônica
AUP2410 - Projeto do Produto 5 - Transporte
AUT2506 - Usabilidade e Desempenho
CCA0314 - Teorias do Signo
PRO2317 - Ergonomia II
CTR0801 - Tecnologias Audiovisuais

optativas livres:

FLF0465 - Estética III
MAP0215 - Cálculo Vetorial e Aplicações
MAP0216 - Introdução à Análise Real
PTC2667 - Introdução aos Algoritmos em Automação



Isso é tão... simplesmente triste!
Estética III eu me inscrevi sem querer, achando que era Estética I. Cálculo Vetorial e Análise Real eu me inscrevi basicamente porque eu queria fazer algo de matemática mas não conseguia entender nenhum dos programas, então meio que me inscrevi em todos. As outras... (pára, pensa) 16 matérias para as quais eu me inscrevi não consegui pegar. Que coisa! Se ao menos eu não estivesse viajando em todos os momentos em que eu poderia ter alterado minha matrícula, eu poderia ter removido a inscrição para essas coisas absurdas e aumentado a prioridade para as coisas importantes... Pensando bem, se ao menos eu soubesse como o sistema de seleção para optativas funciona...

Enfim, este semestre eu tenho o objetivo de não reprovar nenhuma matéria

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

História tradicional de matamento de ogro

um monstro enorme, feio, com tufos de pelos dispersos pelo corpo deformado, com garras nas mãos e nos pés, pele cinzenta e sem orelhas.Os irmãos de Jennie o haviam cercado, e tentavam atacá-lo com suas armas, mas o ogro respondia com patadas que lançavam longe os agressores. Quando cheguei vi o último forcado ser reduzido a pedaços pela fúria do ogro, que sacudia pelo meio da lâmina o facão tomado do irmão do meio. Os homens desarmados ora se encolhiam contra as paredes da caverna, ora avançavam tentando assustar o monstro com o fogo de suas tochas. O irmão mais velho, que tinha o machado, soltou um urro de coragem e correu para o ogro numa última investida louca. Nessa hora, eu comecei a enxergar as coisas muito claramente. Vi o ogro levantar sua mão enorme e agarrar o machado das mãos do irmão mais velho, vi o irmão mais velho levantado no ar e levando um soco do ogro que o grudava na parede do outro lado da caverna; vi o ogro rugindo vitorioso e devorando cada um dos cinco filhos do ferreiro Bart, deixando Jennie para a sobremesa. Vi tudo isso antes que acontecesse e tomei uma decisão que era quase um reflexo: saquei o bodoque do bolso e atirei na cabeça do ogro.
O ogro, já com a mão levantada para pegar o machado, levou a pedrada bem no buraco onde deveria estar a orelha, soltou um rugido de susto e dor, virando a cabeça, e soltou um urro ensurdecedor quando o machado do irmão mais velho esmigalhou os ossos do seu ombro esquerdo. Mas isso não foi suficiente: o monstro baixou a mão que estava levantada na cabeça do irmão de Jennie, e eu nem cheguei a vê-lo cair desacordado no chão, porque meu sangue gelou e e meu coração começou a bater tão rápido que doía: o ogro estava olhando diretamente para mim, e seu olhar era tão furioso que eu quase conseguia enxergar meu corpo sendo despedaçado na sua imaginação. Quando o primeiro músculo do imenso corpo cinzento do ogro começou a se mexer, minha mente perdeu o controle sobre meu corpo, e quando eu comecei a entender a situação, já estava longe dali, correndo muito mais rápido do que jamais correra na vida, completamente perdido dentro da caverna, e ainda ouvindo as passadas pesadas do monstro atrás de mim.
Corri como um louco até que o caminho se fechou à minha frente. O corredor acabava de repente numa parede de pedras que subia até uma abertura no teto. Tentei escalar a parede, mas a pedra em que me segurei soltou-se e eu caí no chão, com o ogro a poucos metros de mim. Nessa hora, encurralado, não senti mais nenhum mêdo, e de novo imagens muito claras passaram diante dos meus olhos: o ogro avançando, me pegando com suas mãos enormes e dividindo meu corpo ao meio com um puxão. Num instante desembainhei o facão de meu pai, o ogro abriu os braços para me agarrar, e enfiei a lâmina o mais fundo que podia na sua enorme barriga.
O ogro urrou e se afastou com a dor, quebrando a lâmina velha do facão com o movimento, me deixando com uma coisa quebrada e ensangüentada na mão. E quando o sangue do ogro esguichou do ferimento o me deixou completamente encharcado, eu esqueci completamente de quem eu havia sido, de meus pais, de Jennie, das machadadas que os irmãos de Jennie davam no monstro atordoado até que seus urros cessassem, dos meninos da comunidade, e até de nossas aventuras épicas, que eram o que consumia a maior parte dos meus esforços na vida. Fiquei ali parado, sem prestar atenção aos irmãos de Jennie, que corriam de um lado por outro procurando pela irmã, que não a encontravam, que recolhiam suas armas, que chutavam o corpo do ogro com raiva, que me pegavam nos ombros e me levavam para o acampamento lá fora e me punham sentado do lado do irmão mais velho desacordado. Eu tinha matado um ogro, eu era um herói, e naquela noite as únicas coisas reais do meu universo eram o sangue do ogro nas minhas roupas e o facão quebrado na minha mão.

Quando chegamos em casa, as pessoas começaram a comemorar nossa vitória, e fizeram uma festa mesmo depois que contamos que não havíamos encontrado Jennie. Logo descobrimos porquê: enquanto estávamos fora, Jennie voltara para casa, dizendo que havia apenas se perdido no bosque durante um passeio. Depois de alguns dias tudo voltou ao normal: o trabalho, as brincadeiras, as histórias, incluindo a minha nova história, que eu contava várias vezes por dia. Mas eu me sentia estranho. Agora nas brincadeiras os outros meninos sempre deixavam para mim o papel do herói, mas eu me cansava logo e ia fazer outras coisas. Logo contar minha história também perdeu a graça. Jennie era a que mais queria ouvir a história, sabendo que era para ser a história de seu resgate, e até propôs um final alternativo no qual ela estava mesmo prisioneira do ogro, e eu e seus irmãos a resgatávamos heroicamente. Mas eu não tinha mais vontade de conversar com ela. Então uma noite, Tia Ida contou uma história que eu já havia esquecido, a história da primeira aventura de Roder, na qual ele salvava uma princesa encantada das garras do ogro maligno de duas cabeças. Entendi aquilo como um sinal: o grande herói havia começado suas aventuras derrotando um ogro, assim como eu! Decidi que eu estava destinado a seguir os passos do meu ídolo. Naquela noite não consegui dormir — em vez disso, juntei todos os meus pertences e parti em direção à vila perto da qual Roder matara seu primeiro dragão.

domingo, 25 de janeiro de 2009

A História do garoto que queria ser herói

Para contar a história da minha voz, é preciso antes contar a história de como conheci o dragão Rolaf, ou seja, a história de como resolvi seguir os passos de Roder, o Grande Herói, quando eu era apenas um menino.
Eu nasci no campo, exatamente como aquela mulher. Acordava cedo para ajudar minhas irmãs no trabalho, e sempre que podia me juntava a outros meninos para explorar lugares perigosos, correr atrás de cachorros e brincar de heróis e vilões. Cresci vendo histórias desenhadas dos grandes cavaleiros matadores de monstros, e recriando nos bosques perto de casa as aventuras que Tia Ida, a irmã velha de meu pai, nos contava nas noites frias. As melhores histórias eram as do grande herói Roder, o fabuloso guerreiro que matara oito dragões e desaparecera dentro da caverna de um nono. Em todas as brincadeiras havia briga para ver quem seria Roder, e eu sempre brigava mais do que todos, porque queria ser um herói de verdade, e não apenas nas brincadeiras. Havia para mim uma única coisa que parecia tão importante quanto viver grandes aventuras e derrotar monstros terríveis — essa coisa era Jennie, a filha do ferreiro, por quem eu era tão apaixonado que até nas brincadeiras com os outros meninos eu sempre jurava lutar em honra dela. Eu lhe dava flores todos os dias e até já havia decidido nosso casamento, quando Jennie desapareceu misteriosamente numa noite sem lua.
Vivíamos numa comunidade muito pequena, e todos ficaram muito preocupados. As tias de Jennie convenceram todas as outras tias de que a garota fora raptada por raposas, em cujo caso seria preciso suborná-las com presentes para que a devolvessem. Os amigos do pai de Jennie, inclusive o meu pai, achavam mais provável que ela tivesse fugido com algum rapaz desconhecido que passara pela região recentemente. Porém a opinião que realmente importava era a dos irmãos de Jennie, e eles logo decidiram que isso era coisa do ogro que vivia no coração da floresta escura atrás da qual o sol sempre se punha. Organizaram-se para uma missão de salvamento sem demora, e eu, que não podia perder aquela aventura, juntei minhas coisas (uma camisa velha, o facão de meu pai, algumas frutas que mamãe deixara madurando num cesto, um estilingue) e fui escondido atrás deles. A caverna do ogro ficava bem mais longe do que eu imaginava. Enquanto os homens armavam barracas de acampamento, eu dormi no chão de folhas úmidas, coberto por galhos quebrados. A floresta era muito mais hostil que os bosques nos quais eu costumava brincar, e era muito difícil acompanhar os irmãos de Jennie sem que eles me percebessem. Depois de três dias chegamos a uma caverna enorme, uma abertura na terra que parecia uma boca aberta, e os irmãos de Jennie largaram suas trouxas, acenderam tochas e pegaram suas foices, machados, forcados e facões para atacar o monstro. Assim que eles entraram, peguei o facão e o bodoque e me esgueirei atrás deles.
A entrada da caverna era uma galeria enorme, que depois ia afinando e afundando e se enchendo de enormes estalagmites. Eu me escondia atrás delas, perto das paredes, para não ser percebido. Quando o corredor ficou muito estreito me deixei ficar para trás, mas em seguida o caminho se dividiu em vários, e eu não sabia mais por onde eles haviam seguido. Segui somente minha intuição, ou minha sorte, e me meti num corredorzinho estreito e sinuoso. Logo percebi que estava sozinho naquele caminho, e ja estava pensando em voltar quando ouvi um urro medonho, que fez todos os pêlos do meu corpo se arrepiarem, e entendi que eles haviam dado de cara com o ogro. Ouvi gritos, urros e barulho de coisas quebrando, e saí correndo na direção deles, para o fundo da caverna. O corredor ficava cada vez mais escuro e úmido, mas afinal eu vi o brilho das tochas dos irmãos de Jennie, e logo depois, vi o que eu esperava ver com o coração pulando e segurando a respiração:

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Seqüela

Voltei de viagem ontem, infelizmente esqueci de acessar o jupiter (o que me obriga a ir na usp fazer um monte de coisa chata), tive uma noite boa apesar de ter dormido pouco, acordei cedo, tudo está meio... normal. Demais.

Aí fui ler blogs e tal, li o blog do Yuri, e li o texto ao qual ele se referia e pensei... que estranho ler aquilo, fazia tempo que eu não parava pra pensar naquele dia mas.

Às vezes é estranho pensar que aquele tempo de começo do colegial realmente aconteceu e foi daquele jeito. É o que eu estava pensando. Hoje somos todos tão diferentes, crescemos tanto, aprendemos tanto, mudamos tanto, que algumas coisas não fazem sentido, parecem impossíveis, alguns sentimentos que lembramos de ter sentido não têm mais nada a ver, e é assim que é estranho o fato de o tempo passar e as coisas ficarem diferentes do que eram antes. Muitas vezes eu nem entendo coisas que eu ou você escrevemos naquele tempo; tudo parece completamente esquisito. Mas são coisas que ainda me fazem sentir alguma coisa quando me lembro. Aquilo ainda faz parte de mim, de alguma estranha forma.

Em Brasília descobri que aquela queda da cachoeira ainda me assusta também. Descobri isso quando o diogo resolver pular num barranco bastante íngreme e muito alto que terminava logo antes de um laguinho raso, e eu a princípio achei legal, mas fui ficando com mêdo, muito mêdo de que ele se machucasse, muito mêdo mesmo, e de repente eu precisava gritar com ele e tantar dissuadi-lo daquilo, pra que ele também não pensasse algo como "eu não morro, só me machuco muito".

Mas ele me ignorou e pulou de cabeça, e assim que ele tocou na grama eu percebi que estava tudo bem, e parei de me preocupar. Detestei aquele mêdo. Me senti desmoronar completamente.

Pouco tempo depois, estávamos correndo na chuva e pulando cerquinhas pra aproveitar as vistas de cima de alguns monumentos.

Gostei de Brasília. É uma cidade bonita, com poucos muros (mas todos estão pichados), monumentos interessantes, algumas construções fascinantes, um pombal feito por niemeyer, preços baixos e muitas, muitas mangueiras (a árvore, não o objeto). Por outro lado, não gostei de Brasília! Nessa época do ano, e em dia de semana, é uma cidade imensa e vazia, sem gente na rua, com gramados demais, arrumada demais, a grama aparada demais, espaço demais, sem nada pra ocupar aquela imensidão de, bem, de grama. Preciso voltar a Brasília numa época em que ela esteja menos cidade-fantasma.

Preciso receber as fotos da viagem pra ilustrar o que estou dizendo.

Fatos interessantes dessa viagem:

- Numa das nossas cavalgadas meu cavalo tropeçou três vezes. Pouquíssimas vezes senti um pavor tão instantâneo quanto no momento em que o corpo da minha montaria começou a cair para o lado.

- Atirei com uma Winchester .44 que parecia tirada diretamente de um filme antigo de faroeste. A arma era deliciosamente balanceada e sensação do disparo, incluindo o recuo e o estampido, foi incrível. É claro que eu errei o alvo, mas isso realmente não importou muito.

- No meio da viagem descobri que vários dos amigos colegas do diogo são mais novos que o ugo! Isso é tão esquisito! Bom, agora oficialmente eu não posso mais considerar o Ugo como mais novo.

- Fizemos um jogo muito legal em que todos fecham os olhos e uma pessoa anda até uma das outras, e essa pessoa tem que perceber que aquela está na frente dela e falar "eu". Quero ensinar esse jogo pra todo mundo e jogá-lo muito mais vezes!

- Cortei o cabelo do diogo ^^ Não vou dizer que ficou lá muito bom, mas ficou melhor do que o que estava, e foi divertido pacas!