domingo, 12 de abril de 2009

Sobre mim

Agora há pouco eu meio que estava relendo uns posts antigos do meu blog. A princípio pra ver se tinha qualquer poema que prestasse aqui. E também para verificar umas alterações de layout. É confuso tentar manter os posts coloridos quando se muda as cores do layout.


Eu acho estranho ler esses textos antigos. Estranhos pra caramba.
Acho triste ler os de 2007, 2008, porque nunca sei do que eles estão falando, e, quando sei, não é coisa boa.
Acho perturbador ler os de 2006, porque eles são dolorosos, apaixonados, cheios de cilpa e segredos, de pecados, de tentativas de libertação e afinal de uma liberdade insegura. Mas eu me identifico com essa pessoa de 2006. Acho que ela se parece muito comigo.
Acho confuso demais ler um texto de 2005... confuso mas delicioso, porque no início de 2005 eu já estava apaixonada por todos os garotos e você pode ver nos textos como eu me sentia em relação a cada um deles... e também porque, incrivelmente, apesar disso eu estava completamente feliz. Mais pro meio do ano, as coisas estão mais difíceis e os textos estão repletos de emoção e aventura, conforme os conflitos (a respeito de garotos, mainly) vão se fazendo representar por cenas épicas de cavaleiros, monstros, demônios, anjos, criaturas místicas, batalhas, animais selvagens, gatos, pégasos. Ou pelo menos eu consigo ler isso, hehehe. 2006 tem um pouco disso também. Mas não me identifico muito com a infantilidade, o cansaço e o desespero que transparecem nesses textos. Mesmo então, suspeito que eu estivesse me divertindo mais do que podia demonstrar (não que eu mentisse nos posts — mas eu em geral escrevia apenas quando movida por sentimentos exageradamente intensos).

Mas o mais estranho é ler textos de 2004. Os textos de 2004 não têm uma unidade clara. Como muita, mas muita coisa mesmo aconteceu nesse ano, a impressão que dá é que a autora era esquizofrênica (obs.: don't sue me, squick). A parte mais estranha é ler os textos de amor (que são a maioria, por razões óbvias: eu tinha quinze anos nessa época). Eu tinha quinze anos e estava vivendo o meu primeiro amor de verdade. E tudo o mais girava em torno disso. Nada mais tinha a menor importância. Eu estava louca e me sentia já metade de dois (diferente de um), e me lembro realmente de agir como metade de dois, aliás, eu me lembro de tudo, todos os momentos, todos os carinhos, as partes confusas, as partes boas, tudo. Para mim não faz o menor sentido.

Não consigo me identificar com aquela pessoa. Pra mim parece estranho ter sentido aquelas coisas por aquelas pessoas. Quer dizer -- eu ainda adoro o Yuri e até hoje acho ele um gato (:þ -- mas ele é mesmo), mas me parece meio surreal a gente ter vivido juntos todas aquelas maluquices, aquelas viagens, aqueles erros óbvios, aquelas idéias doidas, que hoje em dia eu nem sonharia ter. Parece tão estranho ter sido tão infantil! Eu não me lembro de ser assim, nem antes, nem depois. Acho que só naquele primeiro ano de amor e loucura foi assim, mesmo. Depois ficou difícil demais pra tanta inocência. E antes também. Mas... acho que era bom. Muito bom. Até porque eu dizia em meus escritos que eu vivia em dor e escuridão antes de "te conhecer". Essa é a parte mais estranha de se ler. Estranha porque eu parte eu sei que é verdade, e emparte eu sei que é mentira. Estranha também porque eu me sinto assim hoje em dia, eu tenho vontade de usar exatamente as mesmas palavras, mas tudo, absolutamente tudo, parece diferente — inclusive as partes iguais.

Eu meio que não consigo evitar ler todas essas coisas como um complexo e sujo relato da minha viagem por uma porção de homens (pelo menos oito — mas posso contar uns dezessete (#%*) se for realmente precisa) até chegar à libertação. Posso até dar nomes para eles:

o Primeiro Mestre
o Namorado
o Grande Mestre
o Parceiro
o Inalcansável
o Colega-Modelo
o Encontro Casual
o Amigo

Ok, agora que eu escrevi isso eu me sinto muito idiota por ter escrito isso. Mas ainda faz muito sentido. Eu poderia preencher as lacunas com

o garoto da escola
o absurdo
o amigo irmão
o beijo sem importância
os amigos-do-amigo (2)
o abraço sem compromisso
o que ganhou uma chance
o vizinho

Mas seria difícil tirar o sentido disso
Não sei porque eu faço essas coisas
Porque eu penso sobre isso
Mas é que pra mim o sentido é muito importante
Eu só estou tentando encontrar um sentido.

2 comentários:

Utak disse...

Won't sue you. Se você fosse esquizofrênica, eu já teria te avisado.

Eu gosto de dar nome as coisas também. Ajuda a deixar as coisas mais claras na cabeça, mas ai é de cada um.

Fico pensando em quem sao quais.

Yuri disse...

Meu papaizinho, que delícia esse post (e não é [só] pela parte que me toca).
Você vê como a gente se sentia em 2007, 2008, sem saber do que você estava falando também!
Mas eu acho muito bacana, incrível essa nossa visão em retrospectiva, que muda tanto, a cada momento.
Em 5 anos, você falará coisas completamente diferentes sobre esses mesmos anos, aposto.

E melhor ainda: não é porque você vai ter uma noção do que eles foram mais verdadeiramente, mas porque eles ainda são.
Quer dizer, ainda mais nesse meio internético, que tanto me excita, todos os textos ficam guardados e nada impede que você ou eu ou o psico aí em cima, voltem aos textos e crie nós e comentários, também no tempo.

E: também você pode apagar tudo isso e reescrever como você se "lembra" hoje. Eu acho esse negócio do tempo e da memória - e da net - algo fascinante!

Já que estamos nessa temática, mando uma frase que passeou no tempo e me veio lendo isso aí. Marina, você é genial.