segunda-feira, 19 de julho de 2010

Sem saber

Pra falar a verdade acho que ninguém mais se importa com o que eu escrevo sobre os meus pensamentos íntimos sobre a vida. Mas eu continuo mesmo assim? Ou talvez eu só sinta que ninguém se importa porque eu me sinto mal por não ter mandado aquele sobre desenhos que o Márcio pediu e eu realmente queria escrever, na época. Ainda estou com ele no drafts. Mas, sobre isso, é estranho, eu nunca falo sobre o Márcio mas por muito tempo sempre que eu escrevia eu imaginava ele lendo. Acho que eu escrevia metade pra ele. Sei lá.

E agora a gente vai pra Paíba, há que se ir para Paúba, ver o mar e o vento, jogar conversa fora, mas hoje eu tão não queria viajar, eu não queria fazer porra nenhuma, ultimamente tudo tem parecido tão fora de lugar. Recebi um e-mail chamando pra sair, pensei que droga que hoje eu vou viajar, mas pensei depois, se eu não tivesse que viajar eu não estaria aqui disponível para sair, eu estaria em outro lugar, com outra pessoa, talvez a grande técnica que eu preciso aprender na vida seja essa de estar disponível, quando tudo o que as pessoas ao redor querem é me reservar com antecedência, e eu me sinto tão indisponível porque sempre tem algum compromisso, algum combinado, eu nunca posso realmente parar e pensar, nossa, o que eu quero fazer agora?

Que saco. E quase sempre tudo é um sacrifício mas eu tenho uma escala de prioridades, pena que ela deixa todo mundo que importa desconfortável! E eu vou organizando a vida em grupos, a turma do Santa, a turma do RPG, a turma do Márcio (quem cunhou esse nome? o márcio foi o penúltimo da turma que eu conheci!), a turma da física, a turma do Bairro... e cada vez mais as pessoas se perdem e se desencontram, e eu tenho a sensação forte de que quando o semestre começar e eu não voltar pra Usp eu vou ficar tão louca que eu vou fugir pra, sei lá, timbuktu.

Na verdade esse pensamento me deixa tão apavorada que eu tenho vontade de dar meia volta agora mesmo, fazer a matrícula, dizer foda-se pro vestibular, eu tento transferência ano que vem, tudo pra chegar agosto e eu poder voltar pra casa. Como estou odiando estas férias! E como me irrita a idéia de que eu poderia ter evitado isso tudo se eu fosse um pouco mais responsável!

Que desespêro!

E ao mesmo tempo eu quero ir pra Paúba, eu quero viajar, só me deixa tão insegura essa história de sair de São Paulo, de sair pra longe de quem eu quero mais perto, de quem eu não consigo de forma alguma evitar querer, e ficar mais uma vez sem muita forma de voltar, de controlar meu próprio destino, como me desespera não conseguir pegar a vida nas mãos, dizer não mesmo ao que eu quero só porque eu sei que vai me limitar, é a festa no btco tudo de novo, o mêdo de estar num lugar sem ter como sair, não importa que está divertido, agora eu estou morrendo de mêdo de chegar lá e querer sair. O que estou fazendo? Por que prometi ontem ir np RPG? Por que prometi ir pra Paúba? Eu devia dizer não a isso tudo. Só fazer o que estivesse dentro do meu poder. É claro, talvez isso me levasse a nunca fazer nada legal.

Mas eu faço isso porque eu precisava encontrar a turma do RPG, eu sentia falta deles, e porque eu curto parar pra conversar com essa turma de Paúba. E sexta eu fui pra Itu porque eu quero conhecer mais a turma do Bairro, e um mês atrás eu queria ir na festa da física porque eu quero manter os laços com a galera de lá, e provavelmente eu toparia qualquer programa com a turma do CM porque eles parecem estar sempre escorregando por entre os meus dedos.

Se pá todas as minhas inseguranças se resumem a eu não ter nenhuma renda e estar indo viajar imbecilmente, e eu estar me propondo a passar um semestre sem fazer o que eu mais gosto que é viver na usp. Eu não sei muito o que fazer de mim. Quem sabe um dia eu aprendo.

Por enquanto, eu vou cumprir a promessa e ir pra Paúba, porque é tudo o que eu posso fazer.

2 comentários:

Anônimo disse...

Oi Marina!!!
A vida é complicada mesmo. Essa questão de sentido da vida é muito pessoal.Depende muito do que cada pessoa acredita. Somos realmente muito complexos. Muitos dão prioridade a carreira, outros aos relacionamentos amorosos e cada um busca a sua própria felicidade... eu, de acordo com as minhas crenças pessoais, estou vivendo para ter minha última vida no sansara.
Vou deixar aqui um trecho de um livro (No Self No Problem)By Anam Thubtem:

"As human beings we are deeply insecure and we do not know who we truly are. Of course this problem does not show on the surface of our lives.We are always telling ourselves who we are, based on this notion that we are separate from everything else.This sense that ""I am separate"" is the ground of our sense of self."

Um beijo

Guigo(primo de São José)

Tito Peçanha Leitão disse...

não se preocupe com o que você me prometeu. Sou um adepto convicto da desocupação dispositiva e realmente não gostaria de ser uma fonte de preocupaçõs na vida de ninguém.
As únicas situações nas quais peço para que as pessoas confirmem e se reservem são aquelas que exijem planeamento. é bem chato dedicar seu tempo a alguma coisa e depois levar o cano. tipo organizar uma viagem da qual todo mundo desiste na última hora por que não está disposto. e a minhaa disposição?
A verdade é que o custo da liberdade de disposição é uma certa solidão. a liberdade é até certo ponto incompatível com a confiança. se todos são livres não se pode contar com ninguém.
tem horas que eu sinto que gostaria intensamente de encontrar alguém. a pessoa só poderá ser livre para fazer o que ela quiser se o valor que ela dá à liberdade for superior ao que ela dá a meus sentimentos. nesse sentido os encontros só ocorreriam se ambos estivessem dispostos. é ótimo quando ambos podem e se sentem dispostos, mas ruim quando só alguém quer.
entendeu?
é por uma lado bonito abrir mão da sua liberdade, ou da liberdade das suas vontades íntimas, em nome de uma amizade. o ideal é encontrar um equilíbrio. talvez você esteja querendo ser confiável para pessoas demais. o sentimento é bonito, mas pelo jeito restringe sua liberdade além do ponto no qual você se sentiria confortável.
um problema complexo.

fico feliz em saber que você me considera um interlocutor. eu realmente leio tudo o que você publica aqui. não me importo em não aparecer muito. aparecer quando você tem vontade de me citar já é ótimo.

turma do márcio? não sabia disso. quem somos? estavamos justamente falando que era a "turma que foi para pauba em 2009". rsrsrs. é essa?

achei ótimo que você foi para paúba.
espero que tenha gostado.
abraço.