quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Naquela noite eu fui dormir com mêdo.
Naquela noite eu acordei com mêdo.
Mesmo com seus braços me envolvendo
Eu estou apavorada
Mesmo com seu coração batendo perto do meu
Eu acordo no final da noite
em uma das nossas camas
com o seu despertador
e penso em todas as coisas que podiam ter sido diferentes
de forma a não me trazer a onde estou agora.
Você ainda está dormindo
E eu me sinto tão segura aqui
entre os seus livros, seus brinquedos antigos,
e essa janela sem grades que dá prà rua.
Eu acordo no meio da noite
e me pergunto como eu posso ver você dormindo com esse dragão dentro de mim
acordado.
Você se revira na cama e eu sei
que vou enfrentar o mêdo para escapar da dor.
Não há nada de bravo ou de forte nisso
- eu sou só a água que corre pelas depressões do solo -
mas eu tenho mêdo de perder esta cama, estes livros, a paz deste refúgio.
Eu deito do seu lado e tento fechar os olhos
Eu te abraço, meu gato pelado, e me pergunto
Por que é que não podemos permanecer crianças?

Um comentário:

Tito Peçanha Leitão disse...

"gato pelado"
rsrsrsrs
que fofo

;)