quinta-feira, 19 de maio de 2011

PS (feminismo e imagem da nudez)

Coisa que uma amiga me mandou depois de ler o post de ontem:
A cantada de pedreiro é uma coisa TÃO OPRESSIVA que me dá nos nervos quando alguns homens (ou mesmo mulheres) não percebem! Eu, esses dias, estava tirando aquelas fotos pra um trabalho da Luiza e tal, e depois fui com elas comer temaki perto de casa. Fomos sem mudar de roupa, porque não há motivo pra mudar de roupa, oras. Bem, alguns homens perto do Pão de Açúcar não concordaram e acharam que usarmos roupa xis ou y dava a eles o direito de falar o que bem entendiam para nós.
Nenhuma cantada de pedreiro visa elogiar uma mulher, nem mesmo tentar ganhar afeto dela: serve só para colocá-los na posição de dominadores, de donos, de senhores, etc. Meio na vibe "mulher tem que saber seu devido lugar, que é de objeto, que é sem direito", etc...
Se o objetivo fosse mesmo ganhar afeto, atenção, etc, as falas seriam feitas de maneira mais cuidadosa, mais particular, menos jogadas e não em situações de maioria, oras.


A propósito, muita gente está comentando que nudez feminina pode objetificar a mulher. É claro que pode. Nundez masculina também pode. Aliás, pessoas vestidas também podem. E histórias em quadrinhos sobre cachorros também podem. Qualquer meio pode ser usado para objetificar a mulher, ou o homem, ou o ser humano, ou que que quer que se queira denegrir sem um om motivo.

Mas a nudez não é em si má. É o olhar objetificador, que associa diretamente a nudez feminina a Playboy, que é obsceno. O obsceno é a idéia de que homem não agüenta ver mulher de pouca roupa sem atacá-la. O obsceno é não saber lidar com isso de ser um bicho sexual. Acho que o mundo seria muito menos objetificado se a gente pudesse ficar pelado sem se converter num pedaço de carne suculento e obsceno. Sabe?

Aqui onde começou esta discussão.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Feminismo e afins (tentatively)

Ultimamente tenho tido dificuldade de parar, pensar, escrever alguma coisa, falar com o mundo, fazer sentido. Estou sempre trabalhando, criando, desenvolvendo, falhando, levando gatos no veterinário, tentando namorar, me sentindo afogada e et cetera.

Vamos parar com isso, eu quero fazer e falar. Qual o tema de hoje?

Ultimamente os temas que tenho discutido têm sido: feminismo, computação, matemática, natureza, rpg, sexo, liberdade sexual, poliamor, lógica, respeito. É, têm sido meio limitado. Tenho saído pouco com a galera, e acho que isso me afasta do nosso ciclo normal de pokémon, biologia, sexo, comida, psicologia, sociologia, religião, rpg, 4chan e fantasia. Mas sobre o que vamos falar hoje?

Tem uma coisa que eu queria falar faz um tempo, que ainda não reuni a coragem e o tempo pra discutir. É essencialmente sobre vocês.

E, sim, eu vou usar "vocês" porque eu sei que vocês vão ler e eu sei que vocês vão saber que é pra vocês. Vocês vão saber, mas leiam sem levantar defesas, da mesma forma que eu leio e ouço vocês mesmo quando vocês falam e escrevem e pensam essas coisas absurdas.

Eu entrei em muitas discussões a respeito de feminismo ultimamente, levantadas pelo contato com gente muito feminista, ora via blogs que na verdade estavam falando de Cups (a propósito, meninas, experimentem usar cups. sério.), ora via #SlutWalk, ora porque alguém no mundo foi estuprado e as pessoas ficaram com dó dos estupradores, ora porque alguém estava irritado com os pedreiros, e pelo menos uma vez porque eu estava irritada com gente que brinca que eu vou fazer greve de sexo, e algumas vezes porque essa discussão começou em quadrinhos como PREACHER ou WalkingDead. E simultaneamente entrei em muitas discussões sobre homofobia e liberdade sexual e afins e todas essas coisas meio que se misturam pra mim.

(obs.: tenho preguiça de pôr links, e vcs sabem o usar o google)

Mas aí eu estou conversando com amigos íntimos meus, e enquanto uma se revolta com uma coisa divertida como Ateímo&Peitos, outro defende que mulher gosta de cantada de pedreiro, e enquanto um praticamente incita a própria namorada a caçar um outro cara, outro sugere que bater na mulher que o traiu não é tão ruim quanto a própria traição que o motiva. Let's get on the same page here.

Quero ressaltar que não estou falando de gente que eu conheço da vida mas que não tem tanto assim a ver comigo. Estou falando de vocês. Vocês inclusive devem saber quem é cada um dos mencionados. Claro que não há apenas um exemplo de cada coisa.

Mas eu quero dizer o seguinte: fotos de mulher pelada não me ofendem. Por que deveriam? Isso não tem tanto a ver com eu gostar de ver mulheres bonitas peladas quanto com o fato de que o corpo humano é uma coisa bela e deve mesmo ser cultuado. Por que não? Um amigo meu entendeu o conceito de academia como uma forma de construir a beleza do próprio corpo, e perdeu os preconceitos. O corpo não é nosso inimigo. O culto à beleza do corpo não é um problema em si. Quando um cara põe fotos de mulheres mais ou menos nuas no seu blog sobre ateismo e peitos, ele não está dizendo que a forma de atrair homens para uma causa é incluir mulher-pelada. Ele só está dizendo "peitos são legais, ateísmo é legal, vou sobrepôr os dois". Você não se ofenderia com "atheism & cute animals". Qual o problema com peitos?

E vocês me conhecem e devem imaginar que está me comendo por dentro essa história de fazer piada com feia ser estuprada, defender o espancador, fazer apologia à cantada de pedreiro, considerar que "slutwalk" só dá mais armas aos machos. Mas vamos separar o material rafinhabastos e o material ciúmes.

Não é novidade que eu considero ciúmes uma coisa idiota, horrível e que sempre acaba em coisa ruim. A literatura me ensinou assim. Mas quando eu cheguei à conclusão de que a lei Maria da Penha não devia ser discutida dessa forma, meu pensamento não foi apenas que "gente ciumenta tem mais é que se fuder". Até porque eu não posso pensar isso quando eu conheço tanta gente de quem eu gosto e que não pode evitar. Meu pensamento foi que, francamente, se uma mulher trai seu marido, e ele se sente traído e sofre com isso, é porque esse casamento tá numa situação totalmente absurda e que não deveria existir. E se o marido se sente tão horrivelmente maltratado que a única solução que ele vê é espancar a esposa, é porque eles deixaram a coisa chegar num estado em que palavras não adiantam nada, em que não há acordo comum, em que quem manda na casa é o mais forte. Isso é considerado machismo, porque o homem costuma ser mais forte que a mulher. E isso costuma estar associado a machismo, porque num casamento patriarcal a mulher tem que ficar quieta e aceitar as ordens do homem, e como pode haver diálogo nesse caso, e como um casal pode se entender se não há diálogo, e como um casal pode estar unido se não se entende? E é claro que a desunião leva a distanciamento, a trapaça, a traição, e quando uma pessoa trai quem não é mesmo do seu time, será que é mesmo traição? E quando um homem espanca a esposa pela sua traição, ele não está apenas sendo um idiota, ele está cumprindo seu papel de homem numa situação em que uma criatura que não é sua aliada tem de qualquer jeito que permanecer sua esposa. Porque ele a ama, é claro, mas não é um tanto infantil ele evocar o seu amor em sua defesa quando, convenhamos, eles não estão lutando lado a lado? Esse amor ciumento é um amor unilateral, um amor que não entende o outro, que não espera pelo outro, que apenas assume, que pretende possuir o outro.

Eu quero confessar uma coisa, pra botar um pouco de peso na discussão. Peço desculpas a todos os envolvidos. Eu briguei com um homem uma vez. E saí machucada. E, porque eu não deixei de gostar do cara depois disso, depois dele me mechucar fisicamente, eu meio que saí acreditando que ele podia fazer o que ele quisesse comigo. Isso durou pouco tempo, porque no dia seguinte eu fui revelar esses sentimentos pra ele e no meio da frase eu mudei prum xingamento e pra raiva e ele começou a chorar e a gente meio que inverteu os papéis e acabou chegando num acordo. Acho que se eu não tivesse me tocado do absurdo do que eu estava falando, eu teria me destruído completamente por causa de um homem. Nós, humanos, somos capaz disso.

Esse foi um dos muitos turning points da minha vida em que eu decidi que não aceitaria nenhum namorado que quisesse me controlar (sim, eu vivo tomando essa decisão). Aquele sentimento de que minha liberdade não tinha a menor importância me deixou tão assustada! Mais do que isso, eu me impressionei com como eu pensei em anular justamente a parte de mim que importa, a parte de mim que luta, que quer ser alguém, que quer mudar o mundo, que é capaz de conquistar alguém e não apenas ser conquistada. Acho que minha conclusão disso tudo é o seguinte: se uma mulher trai seu marido, ou ela não o ama, e aí o casamento é sem sentido, ou a culpa é dele também. Ninguém machuca quem ama sem motivo. E o motivo, bom, você vai saber quando acontecer com você, se você conhecer quem você ama. Amor sem conhecimento nem merece ser chamado de amor. É claro que o motivo pode ser que um vê problema onde o outro não vê, mas isso é um motivo muito forte porque pode ser resolvido com conhecimento. E, aah, como eu sou pouco eloqüênte.

Me estendi muito nesse tema, mas não quero me estender tanto nos outros:

Sobre a piada do RafinhaBastos, alguém devia sugerir pra ele repetir a mesma piada só que trocando estupro de mulher feia por molestação de garotinhos. Eu entendi o humor do cara: sexo é uma coisa boa, mas estupro, que é um tipo de sexo, é ruim; vamos jogar com isso. Faz muito sentido, do ponto de vista humorísco. Exceto que estupro está tão distante de sexo bom quanto tomar veneno está de beber água. Gostei dessa, vamos fazer essa piada: "Um homem do deserto devia agredecer quando recebe veneno pra beber, já que ele tem tão pouca chance de beber alguma coisa" Ou então: "um pobre faminto da somália tem que agradecer se eu o obrigar a comer merda, porque afinal ele quase nunca tem a chance de comer" Ou ainda: "Aquele cara feio devia agradecer por ter sido obrigado a chupar um pau, afinal, ele nunca tem chance de chupar nada". Oh wait. (mas talvez as pessoas riam disso tudo se você for irreverente o suficiente).

Enfim, o que me deixou enojada ao ler a reportagem é o quanto esse idiota se parece com você, que acha ele engraçado. Mas eu não gosto de você menos por isso, só me assusta um pouco. Enfim, espero que pelo menos ele tenha a decência de fazer piadas sobre a sua avó que tem câncer e o seu filho que morreu e todas as outras coisas abomináveis da vida.

Agora, eu estou apoiando a SlutWalk, e acho que se alguma mulher acha que homem que apoia também só quer ver mulher pelada, então essa mulher tem que virar lésbica imediatamente, porque obviamente nenhum homem no mundo presta na cabeça dela. Mais do que isso, se uma mulher acha que se vestir como uma piranha é ridicularizar as putas e fazer piada com assunto sério, então essa mulher provavelmente nunca teve o prazer de se olhar no espelho e achar o próprio corpo bonito e querer deixá-lo à mostra, e ela tem muitos problemas com quem já teve. Estou falando muito sério aqui. E isso não tem nada a ver com se você está dentro dos padrões da moda, só tem a ver com gostar de corpo humano. Porque, embora você talvez não acredite, eu acho o seu corpo bonito. E gostoso, mesmo. E, olha, eu quero que me achem gostosa, então quando eu digo isso, não se ofenda. Não é que eu não tenha critérios, eu sou só uma dessas pessoas que realmente gosta de gente. E, se eu gosto de você, você também deve poder gostar. E você pode sair vestindo sunga ou biquíni ou terno ou vestido ou uniforme de go-go boy, porque o corpo é seu e quem realmente importa é quem te curte.

Estou lembrando agora da revolta que eu senti quando me dei conta de que milhares de mulheres estão num dia quente usando calças compridas unicamente para esconder os pêlos das pernas. Isso me deixou triste, em parte, porque eu quero ter o direito de ver as pernas dos outros. Por acaso pêlo é obsceno?

E sobre a cantada de pedreiro, bom, acho que nem precisa dizer que se uma mulher acha ruim não receber cantada de pedreiro, é porque já se tornou tão comum que as mulheres nem pensam mais na possibilidade de viver sem isso. Mas, quando uma mulher consegue vislumbrar um mundo sem cantadas de pedreiro, acredite, ele é muito, muito melhor. É tipo um mundo em que os caras meio que se importam com qual vai ser a sua reação quando você ouvir o que eles dizem! Isso é tão, tipo, UAU!

'nuff said.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Amor Livre - ~~

Sabe aquela sensação de que nada mais importa? Então. Não é o que eu quero. Não quero ficar preso a uma pessoa, acorrentado a uma esperança de que vamos nos ver de novo. Não quero ser refém de uma promessa, mesmo que tácita, de que devemos algo um para o outro. Eu preciso saber que, a qualquer momento, eu posso decidir nunca mais ligar, nunca mais ver, nunca mais falar - e se eu ligo, vejo e falo é exclusivamente porque eu quero. E isso tudo exige um tremendo esforço. É tão fácil se acostumar com as outras pessoas (e eu não quero que você se acostume comigo). E me pergunto, será que eu vou me acostumar? Será que eu vou querer me acostumar um dia? Será que vai começar a fazer parte da minha vida, cada dia um pouquinho mais, até que não tenha mais volta?

Sim. E isso me assusta, todos os dias. Eu estou tão acostumada com você, mas eu não quero te ver só porque está estabelecido que será assim. Eu não quero que você tome cada decisão pensando em mim. Tudo mudou, é claro, tudo sempre muda, mas as palavras do último outono ainda têm cheiro de mato e de mar, e nós nunca cumprimos aquelas promessas de vento, de se perder, de caçar. E antes do próximo outono eu quero viver com você pelo menos mais um sonho. E eu quero saber que embarcamos nessa não só porque é confortável, mas porque é Awesome.

Sabe o que eu quero? Eu quero que você diga que tudo o mais importa, e que todos nós vamos fazer o que for melhor, em cada circunstância, e que a gente não vai se sacrificar pelas coisas chatas, e sim pelas coisas que realmente vão mudar o nosso mundo. Entende?

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Sex is so NOT JUST sex.

"Sex is just sex. I mean, cats do it, dogs do it. Only humans can fuck up something like fucking!"

Que piada verbal mais imbecil. Gatos e cães fazem sexo porque os instintos deles mandam e pq eles querem se reproduzir. Sexo animal está muito associado a filhotes e à posição hierárquica dentro de grupos onde existe hierarquia. Cães e gatos brigam por status pra mostrar que podem cruzar com quem eles quiserem, e em alguns grupos animais fazem sexo pra mostrar que eles são fodões também. E passam a vida brigando por fêmeas e territórios, no caso dos gatos de forma bem violenta, de forma que cada território tenha apenas um gato macho. Perdi inúmeros gatos pra brigas de telhados. E no caso dos cachorros, o pênis é espinhoso e machuca as fêmeas, de forma que elas não queiram cruzar de novo por algum tempo (se bem que minha experiência pessoa diz que esse tempo pode ser de poucas horas). De qualquer forma deve ser uma merda ser um bicho, sexualmente falando. Uma das coisas legais a respeito de ser humano é que a gente pode fazer sexo socialmente. Tipo com gente de quem a gente gosta. Acho que sexo casual ainda não tem nada a ver com sexo de bicho, acho que é o oposto: desenvolver essa socialização do sexo ao ponto em que você pode fazer sexo sem compromisso. Mas é como dançar ou ir no cinema ou discutir filosofia sem compromisso. Não tem nada a ver com cães e gatos e essa besteira toda de "sexo é só sexo". Nós somos seres culturais, nós falamos e nos conhecemos nos rituais de côrte. O que suas opiniões filosóficas têm a ver com seu comportamento sexual? Bom, tudo. Sexo desvinculado da interação social me parece uma coisa de sociedade degenerada. Mas me convença do contrário.

(PS.: este texto é uma resposta a um comentário num post antigo. Estou postando aqui pq achei que ninguém ia ler otherwise)

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Afeto (rascunho)

Will you understand that even when I don't talk to you, knowing that you're there still makes me smile?
Quando o dia está difícil, quando tudo está pesado, quando não consigo parar pra te dar um oi
Quando estou super confusa, quando toda me atraplaho, quando não consigo me organizar só pra dizer "oi"
Will you understand that even when I don't talk to you, I still adore you?
When everything puts me down, when I can't concentrate, when everything is telling me I worth nothing
But you're still there, and you'll always be there, and everytime you talk to me you make it a little better
Will you understand that even though I don't talk to you, you're still so very important?

terça-feira, 3 de maio de 2011

Vamos falar de Computação - Algoritmos

Sexta passada o Charles me perguntou o que eu fazia, e como funcionava o que eu fazia, e eu me atrapalhei muito na resposta porque não é exatamente fácil de explicar, e porque no fundo eu não sei todos os princípios que regem a computação (eu não sei como funciona a máquina de turing!), e também porque eu aprendi umas coisinhas lá no design, outras ali no ime, outras conversando com a galera (especialmente o chalom), outras aqui na netpoint, e isso tudo me deu uma visão mais ou menos global, mais ou menos intuitiva de como é a computação, como funcionam os computadores, como essa coisa toda se amarra e se articula e no final das contas funcionam (ou não, mas isso é outra história).

O Charles me fez duas perguntas, uma bem complicada, e outra formalmente complicada mas informalmente simples de responder.
- Então você escreve um texto e aí ele faz aparecer aquelas coisas na tela? Como?
e
- O que as pessoas querem dizer quando falam em "algoritmo"?

Foi bem ele ter perguntado isso, porque algoritmos são a base do trabalho de um programador. Bom, pelo menos de um que faça qualquer coisa de interessante.

Essencialmente, um algoritmo é um método, ou uma máquina, que recebe alguma coisa como entrada (input), processa essa coisa e devolve uma determinada saída (output). Imagine por exemplo um moedor de carne como um algoritmo que recebe carne e devolve carne moída. Ou, muito mais apropriadamente, o 'modo de fazer' de uma receita de bolo como um algoritmo que recebe determinados ingredientes e devolve um bolo. Na verdade algoritmos se parecem muito com receitas de bolo porque eles são receitas para se conseguir uma coisa a partir de outra. A diferença básica é que os algoritmos foram definidos por matemáticos, o que significa que neles não há nenhuma abertura para "a gosto" ou "até parecer bom". Se um algoritmo é bom e correto, você pode provar formalmente que ele funciona, e mais uma porção de coisas a respeito dele.

Vou dar uns exemplos, só porque entender o que é um algoritmo é útil de modo geral pra entender como qualquer programa funciona. Imagine, por exemplo, que eu quero pegar vários números e elevá-los ao quadrado. Então, eu vou executar, para cada um deles, um algoritmo que recebe um número n e devolve n^2. Eu vou escrever esse algoritmo assim:

quadrado(numero n) {
   devolve n*n;
}

(o padrão da computação é que * represente multiplicação)
Esse é um exemplo meio idiota, mas imagine que em vez disso eu quero executar uma função f(x) para vários valores de x. Imagine que eu estou, por exemplo, querendo desenhar um gráfico. Digamos que eu queira um gráfico para a função f(x) = 2x^2 + 4x +5. Então posso escrevê-la assim:

f(numero x) {
   devolve (2*x*x) + (4*x) + 5;
}

E escrever um algoritmo que usa essa função para obter os valores de f(x) a partir de uma lista de valores de x:

valores(função f, lista X) {
   nova lista Y;
   para cada Xi em X
      Yi recebe o valor de f(Xi);
  
   devolve Y;
}

Ou outro que recebe essas lista e desenha um gráfico:

gráfico(função f, lista X) {
   para cada x em X
      desenha no gráfico ponto (x,f(x));
  
}

Eu não sei o quão claro isso soa para pessoas que não estão acostumadas com essa linguagem. Existem várias formas de dizer a mesma coisa, vários níveis de rigor e tal. Na matemática, estamos muito acostumados a usar diversos algoritmos. Por exemplo, todo mundo aprendeu a usar o algoritmo de arme-e-efetue de, por exemplo, multiplicação. Eu poderia escrever ele no meu pseudo-código aqui, e acho que vocês reconheceriam:

multiplica(número x, número y) {
   novo número resultado;
   para cada algarismo x(i) de x (com i de 0 a log(x)
      novo número resultado_parcial(i);
      para cada algarismo y(j) de y
         soma (x(i)*y(j)) em resultado_parcial(i);
      soma (10^i)*resultado_parcial(i) em resultado;
   devolve resultado;
}

Esses algoritmos estão ficando muito esqusitos. Talves eu devesse escrevê-los mais assim:

multiplica(número x, número y){
   denote cada algarismo de x por x(i), com i variando de 0 a log(x)-1, de acordo com a posição da direita para a esquerda;
   denote cada algarismo de y por y(j), com j variando de 0 a log(j)-1, de acordo com a posição da direita para a esquerda;
   tome i = 0 e o algarismo da unidade de x (x(0)) como x(i);
   LOOP1:
      tome j = 0 e o algarismo da unidade de y (y(0)) como y(i);
      LOOP2:
         multiplique x(i) por y(j) por 10^i e some ao resultado parcial(i);
         acresça j de um e tome por y(j) o próximo algarismo de y e repita a partir de LOOP2;
      acresça i de um e tome por x(i) o próximo algarismo de x e repita a partir de LOOP1;
   some todos os resultados parciais em um Resultado Final;
   devolva o Resultado Final;
}

(esta versão ficou muito parecida com uma função em Assembly, pra quem se interessa)

Observem como o arme-e-efetue da multiplicação faz exatamente isso, com apenas uns detalhes irrelevantes de ordem de diferença! Dá pra fazer o mesmo com o algoritmo da divisão, da soma, da subtração, da potenciação, do fatorial, de resolver algumas equações e também com aqueles métodos dos gregos (em especial Euclides e Pitágoras) para descobrir se um número é primo, para encontrar máximo divisor comum, etc.

Enfim, me dêem um feedback (quem é das humanas, vai) se isso fez algum sentido pra vocês. Vou parar por aqui antes de me afundar mais.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Livro Dois: Música (rascunho)

Acordamos às sete da noite
depois voltamos a dormir.
Saímos de casa, estava escuro
estava chovendo, as pistas molhadas,
o som tocava um Doors ou um Stones
E a gente não sabia aonde podia ir.

Durante toda a noite cantamos e bebemos
Durante toda a manhã nós dormimos.

No dia seguinte nós esquecemos da vida.
Acordamos às cinco da tarde,
depois voltamos a dormir
Estávamos tão cansados de cantar e de beber
E eu estava tão cansada de ser feliz!

Quando abri os olhos estava na beira da praia,
As ondas fazendo um barulho que eu não sabia mais ouvir.
Depois o sol aqueceu meus ombros
e nós andamos em ruas tão vivas
e fomos pessoas na rua
na vida de uma cidade, por um dia.

Durante toda a noite nós ouvimos e falamos,
nós jogamos jogos e nós nos abraçamos
E com passos miúdos nós andamos pela cidade
E pelas idéias loucas dos nossos pares
E com bocas comedidas nós devoramos.

Quando acordamos às dez horas da manhã
Nós nos arrastamos para os nossos compromissos
Felizes de termos passado a noite
Cantando, dançando, bebendo e beijando.

Nós rimos sozinhos quando nasceu o dia
O mundo era o quintal da nossa casa
E tinha gosto de leite morno e cereal com gotas de chocolate.

domingo, 24 de abril de 2011

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Esses dias eu me dei conta de que esta semana (bem a semana em que você está longe, porra) fez um ano de várias das nossas primeiras vezes. A primeira vez que nós trocamos olhares cúmplices. A primeira vez que nós trocamos sms. A primeira vez que nós saímos juntos sem nossos respectivos namorados. A primeira vez que saímos a sós. Etc.

Então eu te mandei um sms e você respondeu, sim, vamos comemorar? E eu pensei, Sim, vamos dar uma festa! Depois a idéia me pareceu tão estranha, porque dois dias antes eu estava falando pra Carol que eu acharia estranho se alguém me ligasse no meu aniversário de casamento ou algo assim, porque parece uma data íntima. Nessa hora eu me toquei que eu não sou assim.

Como eu sou: eu mantenho meus relacionamentos em segredo por um bocado de tempo, até eu começar a desejar intensamente compartilhar cada aspecto da vida. Inevitavelmente eu passo a querer compartilhar os amigos, as turmas, os lugares, as atividades, os pensamentos. Eu passo a querer união total. Comunhão total de vivências. E parte disso é querer compartilhar contigo o meu lugar na hierarquia da minha alcatéia particular. Isso não é realmente possível - você tem que conquistar o seu lugar nela - mas eu passo a querer considerar que somos um centro único ao redor do qual acontecem algumas das coisas do bando. Quando eu estava com o Diogo eu tinha certeza que éramos o coração de um grupo que se estruturara ao nosso redor. Talvez houvessem outros corações, mas eu sentia poder nisso, nessa coisa de ser um casal de anfitriões, de ligações entre as pessoas. Com você agora, bem, nós não somos o centro de nada, somos uma articulação entre vários componentes fortemente conexos, mas eu ainda mantenho alguma espécie de posto na minha alcatéia (que é um dos mencionados componentes), e eu ainda sinto que somos um casal público, e eu quero que, dentro desse meu bando (do qual você agora faz parte), nossas alegrias e empolgações sejam compartilhadas.

Eu quero mesmo dar uma festa. Comemorar todas as coias incríveis que aconteceram comigo, todas as vitórias sobre meus próprios demônios. Eu quero que meus amigos estejam presentes nos momentos importantes da minha vida.

Quando eu me perguntava se eu ia viver pra sempre com o Diogo (é impossível não falar dessa época, já que foi então que esse sentimento de alcatéia realmente de engastou em mim) eu imaginava que a gente ia dar uma festa de "casamento" (acho que usar essa palavra é um pouco stretching it) em que íamos estar temáticos do séc XVII (eu queria tanto ver o di de casaca vermelha) e nossos amigos iriam cada um oferecer um brinde, um desejo ou um conselho, simbolizados por elos de uma grande corrente que iria nos amarrar, ornar e segurar (pronto, agora vocês sabem que eu tenho fantasias de casamento, como toda garota estereotípica ¬¬). Mas era importante que cada amigo fizesse parte disso. Agora não é mais bem assim que eu me sinto, mas ainda quero que façamos parte das vidas uns dos outros. Não é como se eu pudesse sequer existir sem vocês. Vocês são parte de mim. Vocês são meus irmãos, meu bando, de uma forma muito intensa. Quando imagino que sou a capitã de um navio, mesmo que eu tente não consigo imaginar uma outra tripulação.

Eu sinto uma vontade sincera de dar uma festa. Acho que eu tenho uma certa esperança de que nas minhas festas o mundo possa ser um pouco mais da forma como eu o vejo (although, acho que isso não funciona tão bem quanto nas festas do Pizza). Eu fico tão feliz ao ver como estamos crescendo e mudando, e eu quero mostrar a minha parte disso também. Eu quero fazer com que vocês entendam do que se trata. Eu quero comemorar com vocês, porque eu sou filhote do seu bando (de repente estou me perguntando qual a intersecção entre as pessoas a quem estou me referindo e meus leitores).

Ok, eu acabei de ouvir Bor This Way (e acho que foi a primeira música da Lady Gaga que eu ouvi inteira) e acho que está bom de blog por hoje.

Rés [julho 2005]

Cheiro de sangue
de dengue
de mangue
Cheiro de carniça no deserto
Cavalo de rumo incerto
Corta o campo
Cheiro de morte
O rosnado
O campo o mundo
O cheiro.










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Acho que este é um dos primeiros poemas que eu escrevi com um tema tão corporal, animal. E ao mesmo tempo o tema é abordado quase que totalmente pela sonoridade das palavras e pela sensação das metáforas. Acho que deve ter representado um grande passo para mim, deixar que a linguagem fizesse o papel dela e não ficar querendo clarificar tudo a cada passo. Não tenho nenhuma observação engraçadinha sobre uma palavra ou verso que tenha sido por acaso.

O que dá pra tirar desse poema, relendo-o tanto tempo depois? Acho que para a Lobz de 2005, cheiro tem a ver com sílabas longas, arrastadas, que trescalam ao fundo da garganta: san, den, mas, car, ser, rum, cer, cor, cam, mor, ros, mun. A única palavra que foge do padrão é 'cavalo', mas o que pode ser mais mundano e animal que uma besta suada e recendente? Além, acho que complementa essa idéia de sertão e tal. Pus o título tentando encontrar um substantivo para "recender", mas acho que não tem.

Acho que existe também um animal selvagem, carnívoro, observando a lida suja do cavalo e da morte (embora o cavalo possa ser lido como uma metáfora), nos últimos versos. Observe como a visão dele é altamente simplificada, rosnado-campo-mundo-cheiro.

É divertido reler meus próprios poemas e tentar enxergar os possíveis fios de pensamentos. Espero que seja divertido para vocês também.

À Deriva [jul 2004 - fev 2006]

Ando sem rumo
no mar, sem prumo,
no rio à baila
à deriva
sem cor, sem sumo
ando perdida.
O amor, a vida
o mar do mundo
me deixa à margem
ao fundo
sem dar guarida
a um vagabundo.
Ando por nada
estou recortada
do meu papel
meu cais
do porto-seguro
o escuro
esconde a enseada
com névoas em véu
ando deserdada.

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T) Este é outro tema recorrente, e não me impressiona muito que eu tenha passado um ano e meio escrevendo esse poema. Digo isso de uma forma poética: não me impressiona que eu tenha passado um ano e meio me sentindo assim. Também não me impressiona nada que o mar seja a metáfora base, já que ele representa quase naturalmente esse sentimento de falta de caminho. Gosto bastante das metáforas deste poema.

L) Vocês repararam que eu usei a palavra "guarida", que acho que nunca mais usei na vida? Acho que era só porque tinha acabado de aprender e queria aplicar em alguma coisa.

obs.: me dei conta de que quase sempre faço uma avaliação do tema e do desenvolvimento e depois alguma observação sobre um detalhe da linguagem. Achei que eu podia institucionalizar isso.

Renúncia [4/4/2004]

Cála
Não quero mais saber
talvez seja só você
e talvez apenas eu
mas cála
pois não sei qual é o que há
eu não quero acreditar
que a vida é só esse breu
Eu não sei se canto ou choro
Eu só quero esquecer
as palavras de outro tempo
E eu abdico dos direitos
Sei que não será perfeito
mas não quero ficar só
no peito aberto e dentro, perto
o som caindo em si no sol
em sentimento
único neste momento
no deserto em prol do tempo
E eu só queria esquecer
a razão desse tormento
e será ela você?
Eu abdico da certeza
eu quero só amar você.

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Acho que este na verdade é meio que uma música, sort of. Mas não muito. Alguns versos têm melodia, outros não, acho esquisito. Acho interessante como eu volto de tempos em tempos a esse tema do "talvez você esteja me fazendo mal, mas eu prefiro não descobrir isso, eu prefiro continuar na ignorância pra poder te amar". Afinal, ignorance is bliss, não é mesmo? Eu gosto do verso "eu não sei qual é o que há". Mas me incomoda todo esse tema de ficar em silêncio, não encarar as coisas. Ainda bem que fiquei mais forte desde então.

obs.: eu alterei os 'cala's do começo, acentuei-os. Hoje em dia isso parece importante pra mim, por algum motivo. Fica mais, sei lá, imperativo. E a gramática não gosta de mim mesmo, por que eu deveria ligar pra se ela tem regras ou não?

Em outro assunto, quando estava pegando esse poema eu considerei rapidamente mudar a ordem de publicação para cronológica, ao invés de alfabética no nome do arquivo (que é mais próxima de 'aleatória'). Descartei a idéia muito rápido porque me pareceu que isso significaria períodos de fases ruins alternados com períodos de fases boas, enquanto eu acho mais tolerável misturar completamente os poemas ruins com os bons. Imagine, vários poemas seguidos da minha sétima série? brrr!

ABC [21/03/2002 20:55]

A de bolA
B de aBelha
C de nunCa
D de anDar
E de nascEr
F de aFago
G de castiGo
H de olHar
I de demônIo
J de anJo
K de oKulta?
L de péroLa
M de âMago
N de iNerte
O de espOrte
P de’samParo
Q de enQuanto
R de hoRRível
S de aSSombro
T de má sorTe
U de astUto
V de ouVir
W de reW
X de eXcuso
Y de vYr?
Z de aZul.

-------------------

Eu queria escrever, mas não sabia bem sobre o quê, então resolvi retomar minha retomada poética. Infelizmente (ou felizmente pra quem tem senso de aventura), revirar meus arquivos antigos de poemas envolve reencontrar coisas bizarras como esta o.o observação: acho que "rew" de fato já significou alguma coisa pra mim. Mesmo assim, acho que foi meio contraproducente da minha parte colocar K, Y e W no alfabeto.

sábado, 23 de abril de 2011

Reler (amor)

Às vezes eu releio coisas que escrevi há mais do que alguns meses e fico muito impressionada com a força das palavras e com a minha capacidade de não perceber o sentido real delas. Estou falando sério: acho que as palavras expressam melhor o que eu sentia na hora do que o que eu achava que pensava quando as escrevi. Digo isso com base em várias coisas que pensei e senti e fiz na mesma época, das quais me lembro. Às vezes encontro coisas como, por exemplo, isto:
Sinto que já se passaram meses e eu continuo estremecendo a qualquer menção do seu nome. Já se passaram meses e você ainda é a minha obcessão. Por mais que eu me distraia com outras coisas (e outras fomes) você ainda sempre volta, você está sempre perto, tão perto e logo além do alcance das minhas mãos. Como eu queria te ver, como eu queria te tocar e te ouvir tocar. E se você estiver pra sempre além, será que um dia minha vida estará completa sempre sem você?
Eu me pergunto como eu não percebi que estava apaixonada? Se bem que, pensando bem, quando escrevi esse trecho específico eu estava imediatamente além do ponto em que fazia sentido dar atenção a isso. Acho que foi justamente quando eu me dei conta de que estava apaixonada. Mas é muito estranho pensar que minha única atitude foi escrever essas linhas e esquecer. Guardar os sentimentos numa coisa e deixar pra lá. E tem várias outras coisas que eu leio que me impressionam muitíssimo. Às vezes tenho vontade de chacoalhar aquela Marina do passado e obrigá-la a ler o que escreve. O pior é quando estou lendo coisas que enviei para outras pessoas. É estranho pensar, mas por um momento essas pessoas podem ter entendido mais de mim do que eu mesma. Uma ou outra pessoa pode inclusive ter descoberto que eu a queria muito antes que eu descobrisse! Me sinto muito vulnerável ao pensar nisso, em como eu não consigo avaliar o quanto de mim estou revelando com palavras que eu escrevo sem conseguir conter. Inclusive neste blog! Como sou explícita às vezes sobre assuntos que a maioria das pessoas sequer comenta! Mas me incomoda um pouco que eu faça isso sem sequer perceber. É como se ao escrever eu estivesse abrindo mão de qualquer reserva ou privacidade. Eu me pergunto se neste post eu já disse coisas que no futuro eu me impressionarei por ter dito em um lugar tão público.

Não que eu me arrependa, de modo geral, do que eu digo. Acho que só me arrependo do que faço quando as conseqüências são ruins, e até agora de modo geral escrever só tem proporcionado conseqüências boas. Acho que isso é a bottom-line. Vou continuar escrevendo inconseqüentemente, porque eu gosto de saber que não tenho lá muitos segredos.

Carinho

Hoje eu me peguei querendo alguém pra dormir comigo. Literalmente. Não pra nada sexual nem nada assim. Alguém pra abraçar intimamente, alguém quente e confortável em quem se enrolar à noite, e só isso.

Eu sempre fui uma pessoa de pessoas. Eu sempre queria dormir no quarto da muvuca e defendia que a gente tinha que dormir numa verdadeira pilha. Eu lembro nitidamente de quando isso começou a ficar difícil porque eu tinha namorado e às vezes parecia inconveniente dormir com a galera. Mas naquela última viagem para a Ilha todos nós dormimos bagunçados numa grande cama, alguns abraçados ou ou apoiados em outros, e acho que fiquei feliz como em raras outras camas.

Enfim, hoje eu estava realmente querendo dormir acompanhada. E, num assunto relacionado, eu queria que fosse um pouco mais simples se aconchegar nos outros sem ter que ter uma relação libidinosa, sabe? Acho que isso até acontece depois de anos de intimidade e amizade, mas é estranho como a intimidade física vem depois de todas as outras na amizade. É um pouco confuso pra mim lidar com pessoas novas, que ainda têm uma série de limites. Eu às vezes me distraio e erro qual o protocolo que devia usar com que pessoa.

Enfim, estou indo dormir sozinha de qualquer forma. Contando os dias até meu gato voltar e eu ter alguém com quem eu posso dormir todo dia.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Rihanna

Eu estou impressionada com você, Rihanna. Você era tão pequena quando te conheci! Chegava de um lugar distante e tinha todas essas idéias e palavras estranhas, mas tinha aquele brilho nos olhos que só se vê em algumas crianças. Lembro da nossa primeira conversa: você estava na minha casa, no corredor, cantando uma música estrangeira. Já então me pareceu que você poderia abraçar o mundo! Suas pernas eram pequenas, mas seus passos ávidos poderiam percorrer qualquer estrada. E você fez com que eu embarcasse numa viagem gostosa, e você me ajudou a abrir um pouco mais minhas asas. Mas quão pouco eu te conhecia então, Rihanna. Eu prometi te mostrar alguns dos meus lugares secretos, mas não voltamos a nos encontrar por muito tempo. Nunca achei que me sentiria assim, como quando te vi de novo, tantos anos mais tarde, e voce estava tão diferente. Você não é mais uma criança, Rihanna. Você sempre foi uma pessoa impressionante, capaz de mudar a vida das pessoas com um olhar, mas agora é como se você pudesse tomá-las para si. Você pode escolher o que quer e o que não quer. As regras e as normas do mundo não te impressionam, como nunca te impressionaram; mas agora você leva seus olhos de criança para guiar as ações de uma adulta. Meus olhos já não conseguem enxergar o que os seus enxergam...

----------------------------

Tenho que admitir que nunca vou terminar este aqui.

Onde estamos?

Onde estamos, qu estamos tão sós? Que a lua nos cobre enquanto andamos
e nos sentimos tão desprotegidos?
Onde estamos?
Que estamos tão sós?
Que nos vemos diante dos espelho e nada enxergamos?
Estamos assim tão misturados uns aos outros?
Afinal, quem somos?

Seu cheiro me persegue através dos dias, dos passos
Não é mais um cheiro reconfortante.
Seu cheiro me domina e me distrai
Mas o pensar no cheiro
me devolve

me devolve

me devolve...


Onde estão teus olhos pra eu olhar tão fundo?
Tua boca que fala como quem não quer falar?
Onde estão tuas pernas sobre as quais
escorre muito lentamente um tecido?

Estou sobre meus pés, e meu mundo é um mar infinito
Eu Vejo. Eu Sou tudo.

Estou sobre você, e você sorri.
(em algum lugar dentro de mim, de repente dói)

Como eu te odeio! Na minha mente ficou, sem querer, gravada uma imagem feia de você
Não dos seus bons momentos, não do amor, e da diversão - do nojo
Algum dia, quem sabe, isso vai esvanecer.

(mas eu queria que aquela cara não tivesse sido virada pra mim)

E entretanto eu te quero (como eu me enojo)

God, I just wanna get wasted and puke on myself. Get this fucked up me away from world.

And yet, eu acho que eu sou legal. Eu só me sinto muito perdida. É muito fácil ser legal com você do meu lado. É muito difícil ter qualquer coisa em que me agarrar otherwise.

Thanks for giving me everything.

Love;
Má.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Let's rule the world

(vamos fazer um esforço homérico e escrever em português)


Quero te ver
além do céu
o mundo é teu
Let's rule the world

Meu sangue quente
me impele adiante
O mundo é nosso
Let's rule the world

Quero te ter
no meu comando
lidere a carga
Let's rule the world!

I wanna see you
conquer the future
The world is yours
Let's rule the world

My blood of huntress
Moves me forward
The world is ours
Let's rule the world

I wanna have you
Leading my army
Make us all heroes
Let's rule the world!

Let's make it matter
I'll be one of yours
You'll be one of mine
Ours will be the world

Let's keep it simple
I don't even dig you
But you have that spirit
You prey on the world

Vamos farrear
Vamos desvairar
Tomar todo o mundo
Let's rule the world

sábado, 16 de abril de 2011

Here's to you

(estou escrevendo por pura inspiração. espero que não saia um lixo)

Here's to you, though you are away
You with your shining cavalry on the hills
Here's to you waiting on the golden field
Knowingly waiting for your glory day
And when you charge with all your primacy
I hope I'll hear the drums of your delight
Here's to you who knows for what you fight
Who's garanteed in your legitimacy

Here's to you, though worlds hold us apart
You in your prideful stance above the men
You who has confidence in what you can
You with a smile, ready for depart
Oh what more lands can you yet long to conquer?
And where more must you sound the drums of war?
Here's to you who always yearns for more
Here's to you who can't stay put no longer

Acho que estou sendo muito influenciada pelo César de Conn Igguldden...

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Cerveja

Eu estou escrevendo um post sobre cerveja. Sim, cerveja é tão importante pra mim assim (você poderia dizer, "Lobz, você escreve sobre coisas totalmente irrelevantes", mas você perceberia que não é realmente isso o que acontece: é que muita coisa é importante pra mim). O que eu poderia dizer é que talvez caipirinha e cuba-libre sejam tão importantes quanto cerveja. Não sei avaliar sem pensar muito, mas, de qualquer forma, acho que posso enquadrar todos eles numa categoria só. Então:

Cerveja, caipirinha e cuba-libra

Outro dia (acho que foi ontem) tive uma conversa mais ou menos assim com o @andrechalom:

-- (...) Não sei por que dou tanta importância a isso. Mas, por outro lado, antes eu não sabia por que eu dava tanta importância a cerveja, e agora faz todo o sentido!
-- Do que você tá falando?
-- Antes de você, eu dava uma importância imensa a cerveja. Eu quase não bebia, porque ninguém próximo a mim bebia, e eu achava isso uma droga, mas eu não sabia por que isso me incomodava tanto! Eu pensava "é só uma bebida!" ---
-- Mas cerveja não é sobre cerveja, não é só uma bebida. Cerveja é toda uma cultura!
-- É isso mesmo. Por isso eu fiquei tão feliz quando a gente bebeu cerveja na praia de Santos! E hoje em dia beber cerveja me faz feliz e eu entendo porquê!
-- Então precisamos desenvolver uma cultura de (...)

(obs.: não quero entrar no assunto que estávamos de fato discutindo na hora)

Hoje em dia eu tenho uma relação muito amorosa com a cerveja. Eu não tenho a menor dúvida de que ela é mais gostosa do que qualquer variedade de refrigerante ou suco comprável (suco caseiro pode ser bem melhor). E nem é só porque o álcool diminui minhas dores de cabeça (ok, ok, eu preciso resolver isso logo ~.~). Acho que eu de fato gosto do gosto, do cheiro, e de todas as coisas legais que eu associo a cerveja. Por exemplo, aquela praia de Santos. Várias @KaraokeKnights. Noites em Pubs, ou na casa do Rê, ou saindo com o Fê, ou em happy hours com o passoal da Gommo ou da NetPoint, churrascos, festas, ou simplesmente beber cerveja com a Talita e o Alex.

Pra falar a verdade, tem uma certa carga que vai diretamente contra aquela de quando nenhum dos meus amigos bebia. Meus amigos, e talvez eu também em alguma época, não bebiam porque pessoas bêbadas são idiotas, porque as bebidas eram meio amargas ou ardentes e beber uma coisa ruim é idiota, e eu sempre tive a sensação de que quando somos muito jovens e não bebemos, não fumamos, não nos drogamos nem fazemos nada de idiota, nos consideramos muito melhores que os outros. Talvez nós tenhamos acreditado em tudo o que nossas professoras do ginásio diziam. E eu detestava essa sensação toda. Eu queria beber e ficar idiota. Eu queria experimentar coisas que não necessariamente seriam boas. Eu queria fazer coisas imbecis. E eu achava que as outras pessoas legais da vida que por acaso adoravam se embebedar pra caralho podiam ter algo de bom pra oferecer.

Acho que pode ser que quem bebe se dá o direito de ser muito mais idiota que o normal. Porque no colegial nós éramos todos bastante estúpidos e insanos, e era muito divertido, mas estávamos sempre conscientes de tudo, e não estávamos realmente interessados em ir além os nossos limites. Nós éramos felizes, e era isso (mesmo quando estávamos tristes, eu acho). Mas eu queria viver uma vida diferente. Eu queria uma vida em que a gente pudesse estar sempre experimentando algo diferente. E uma das coisas que eu queria experimentar era ficar completamente bêbada. E eu queria fazer isso sem um monte de gente totalmente sóbria ao meu redor fazendo coisas que estariam já em outro plano de consciência. Eu queria saber por que isso podia ser divertido.

E eu descobri. Demorou um pouco, de fato, mas hoje eu acho que eu descobri. Eu descobri que muita coisa pode mudar, que o mundo pode ser diferente, e que podemos nos divertir com todo um pacote diferente de coisas. Talvez eu goste de cerveja porque me lembra de todas as mudanças que aconteceram na minha vida desde que eu comecei a conviver mais com pessoas que gostavam de beber. Todas as portas que de repente se abriram. E todas as vezes em que estávamos todos meio bêbados, ou só alguns de nós, e mesmo assim ninguém pensaria em julgar o outro pelas bobagens que estava fazendo. Talvez eu goste de me lembrar do momento em que me dei conta de que eu não precisava me esforçar para impressionar ninguém.

Ou talvez eu só realmente goste muito do gosto.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Aqui.

Eu te amo. Mas eu não apenas te amo como eu amo todas as outras pessoas que eu amo. Eu estou disposta a sacrificar milhões de futuros pelo meu futuro com você. Os filhos que eu teria com outros amantes, as festas de natal com outras famílias, as bibliotecas compartilhadas, as casas, as canecas e os sofás e todas aquelas madrugadas e manhãzinhas e conversas antes de dormir quando a gente está dormindo junto só porque a gente dorme junto sempre e é tão mais gostoso do que dormir sozinho. E vários tipos de aventuras românticas loucas, e várias descobertas profundas e vários momentos cotidianos e outras coisas que só acontecem numa convivência tão íntima e tão intensa que é não dá pra ter de verdade com mais de uma ou talvez umas poucas pessoas.

Eu quero viver a vida com você. Todas as madrugadas e viagens longas na chuva, e cafés da manhã a almoços no fim da tarde e todas as pequenas mazelas e todos os grandes desafios, e eu quero poder te contar todos os dias das coisas legais e chatas que aconteceram comigo, e ouvir você se emocionar com elas e se revoltar com as coisas que são erradas e rejubilar com as que são felizes, e ficar preocupado com as que são perigosas porque assim eu não estou sozinha. E eu quero ouvir você contar suas pequenas aventuras e as formas incríveis como você lida com tudo o que te acontece, porque eu nunca me canso de aprender sobre você e com você.

E, enquanto nós crescemos juntos, enquanto nós andamos juntos pelo mundo, pela vida, eu quero nossas vidas misturadas. Eu quero nossos irmãos tomando conta dos nossos filhotes, discutindo coisas improváveis em volta de uma grande mesa de piquenique, ou algo assim. Eu imagino sua irmã contando histórias para os meus sobrinhos, possivelmente enquanto todos nós subimos numa árvore e nossas mães e tias compartilham histórias de quando nós éramos pequenos, e eu quero todos nós juntos cantando samba e choro em alguma festa de família e nossos amigos contando histórias embaraçosas sobre nós para as crianças (se nós não tivermos filhos, eles ainda contarão para nossos sobrinhos).

E, sabe, eu quero isso devagar, minuto por minuto, cada aluno que não entende direito o que você ensina, cada lista de matemática que eu não consigo terminar, cada noite que a gente passa em claro porque o jogo ou o papo ou o mundo estão muito bons ou porque pelo menos um de nós está distraído demais com alguma pessoa incrível, cada improviso de fantasia, de viagem, de apresentação, cada entrevista de emprego, cada procura por orientador, cada pessoa nova que surge em nossas vidas ou pessoa velha que muda. Eu quero todas as viagens impulsivas no meio da noite só porque faz muito tempo que a gente não vê Minas, ou o Mar; eu quero todas as experiências transformadoras com você; eu quero cada partida de cada jogo em que a gente vicia, cada brinde, cada pote de sucrilhos e garrafa de cerveja; eu quero cada pôr do sol que nos emociona, e cada beijo, e cada transa, e cada arrepio diante da potência de uma tempestade, e cada abraço que podia nunca mais largar; e cada toque entre as nossas peles, e cada brincadeira sua com o meu gato, e eu quero construir um trecho de universo nosso, que seja um pouco mais do nosso jeito, e que seja por isso um pouco mais feliz.

E como eu quero te fazer feliz! Eu quero te ver conquistar os seus sonhos, e mudar a vida de muitas outras pessoas, e construir comigo esse futuro a cada passo, sem pressa, porque você é tão confiante de que tudo já está dando certo afinal. E eu quero estar do seu lado a cada mudança, a cada passagem, aprendendo sobre você, mudando junto, mandando tudo pro espaço e te puxando pra Zanzibar toda vez que a vida começar a ficar muito sem graça. E eu quero infinitas horas pra ficar enrolada com você, só curtindo o prazer de te amar tanto. E eu quero tudo isso com todas as palavras, mesmo que em gatês. Eu quero tudo isso com todas as histórias, loucuras e verdades. E eu quero viver pra sempre com você.



...Num assunto não muito relacionado, eu também quero muito levar aquele seu amigo delicioso pra casa. Se você pudesse dar tipo um passe-livre pra gente, ia ser realmente fantástico.

quarta-feira, 23 de março de 2011

n formas de se atravessar um rio com uma corda

  1. Prender uma ponta da corda num galho alto sobre o rio e balançar até o outro lado.
  2. Amarrar uma ponta em alguma coisa do outro lado do rio e se puxar para o outro lado
  3. Amarrar do outro lado e passar por cima da corda bamba
  4. Fazer uma ponte de corda, amarrar do outro lado e atravessar
  5. Usar a corda pra fazer uma jangada e navegar até o outro lado
  6. Prender a corda em alguma coisa alta deste lado, se balançar e se lançar para o outro lado (é diferente de 1 porque você larga a corda)
  7. Prender uma pedra na ponta, usar a corda pra verificar a profundidade e, se for raso, atravessar andando
  8. Pescar um peixe muito grande e ir cavalgando-o até a outra margem (estou usando uma ordem mais ou menos cronológica, acho que essa foi a primeira das absurdas)
  9. Queimar a corda pra fazer sinal de fumaça e chamar alguém que tenha um barco
  10. Usar a corda como cabresto e atravessar a cavalo
  11. Amarrar a corda numa pedra no meio do rio e se lançar no rio pra fazer um pêndulo horizontal usando a corrente no lugar da gravidade (essa foi apelidada de "pêndulo relativístico" pq segundo o Chalom seria necessária velocidade próxima de c pra fazer o péndulo subir)
  12. Amarrar a corda em alguma coisa na cordenada z da outra margem e se jogar no rio sem nadar, de forma que a correnteza faça um meio-pêndulo horizontal e te leve para a outra margem (uma variação mais possível de 11)
  13. Amarrar a corda num objeto voador (pássaro/avião/super-man) e deixar ele te levar para a outra margem
  14. Amarrar a corda na Lua e... esperar que ela te leve?
  15. Amarrar a corda na ponta de uma árvore alta e puxá-la de forma a derrubar a árvore, formando uma ponte
  16. Usar a corda para fazer um estilingue e se lançar sobre a água!
  17. Vender a corda e comprar um barco
  18. Girar a corda bem rápido para se levantar como um helicóptero (como a Gabi, engenheira aeronáutica do grupo, destacou, seria necessário girar ortogonalmente a outra ponta da corda para controlar o movimento)
  19. Construir uma hélice movida a corda (com aquele sistema de enrolar-desenrolar)
  20. Se a corda for suficientemente grande, assorear o rio com ela e passar por cima
  21. Usar a corda para contruir uma catapulta ou trebuchet
  22. Com a corda amarrada numa árvore na mesma margem, correr em semi círculo e esperar que a inércia te leve em MCU até a outra margem
  23. Amarrar a corda numa madeira balsa e atravessar nadando
Tenho certeza de que discutimos algumas outras, mas não estou lembrando no momento.

sexta-feira, 18 de março de 2011

comentário sobre garotas de pernas peludas

(eu acho que de todos os assuntos pelos quais eu me interesso este talvez seja o menos interessante para os outros. não dá pra ter certeza, já que ninguém nunca comenta nada sobre uma grande parte deles)

Uma coisa curiosa a respeito de deixar as pernas peludas por muito tempo é que aos poucos você começa a notar nitidamente até que ponto essa idéia de que pernas sem pêlos são mais bonitas e atraentes é cultural. O que quero dizer é que aos poucos a gente vai deixando de achar a pele nua mais bonita. Na verdade, ontem eu fiquei algum tempo olhando para minhas canelas, horrorizada com aquela pele branca pelada cheia de pontonhos onde os folículos pilosos ainda existiam sem nada de pêlo por cima. Que coisa esquisita. Parece pele de bebê, e quem em sã consciência quereria ter pele de bebê? Estou dignamente cansada de ser neotênica; por favor, me permitam ser apreciada como uma espécime adulta.

Ás vezes ainda tenho momentos nos quais eu olho pros meus joelhos e penso "AAAAAAHHH! PÊLOS!! O.O!!", e foi por isso que eu raspei as canelas ontem, mas faz algum tempo já que tive que me conformar com o fato de que eu gosto de ter coxas felpudas, gosto tanto que me desagrada tê-las completamente lisas.

Pernas peludas podiam entrar na moda, e aí as pessoas não ficariam reparando tanto, e me enchendo tanto o saco, e eu podia parar de me preocupar com isso. Na verdade, se eu fosse um pouco menos peluda, eu provavelmente já teria abdicado completamente dessa preocupação. Mas é claro que a pessoa que mais vai se incomodar com uma obrigação social é justamente a que é mais obrigada. E não me digam que não é uma obrigação social.

É um pouco mais do que achar que as minhas pernas ficam melhores com pêlos. Estou começando a achar que as outras garotas ficam melhores com pêlos também.

(numa nota vagamente relacionada, continuo pensando a respeito do que o Carlos disse ("eu gosto de garotas peludas" + "eu acho que pêlos são um símbolo de virilidade") e o pensamento dele está fazendo cada vez mais sentido pra mim. Dependendo da sua definição de virilidade, e do aspecto envolvido, não me incomoda você querer suas mulheres viris.)

(eu estou numa vibe de não ver contradição nas coisas hoje, não?)

Enfim, que explodam todas as convenções sociais! Meu cavalo por um pouco mais de liberdade!

De fato, estou meio cansada

Este estágio me deixa cansada. É pior quando não estou fazendo nada e fico enrolando, como agora. Isso não é justo. Eu deveria ser capaz de aproveitar meu tempo. Ou isso ou ir pra casa. Tenho mais o que fazer!

Tenho lido o twitter enquanto espero. E xkcd. Li essa tirinha hoje e twitei sobre ela, mas acho que é um pouco estúpido twittar pq acredito que ninguém presta atenção. Mas eu sempre acho que ninguém se interessa pelo que eu digo. Mesmo agora, estou apenas começando a acreditar quando o meu gato diz que se interessa por tudo o que eu digo. Eu achava que isso era impossível. Eu estou sempre preocupada demais comigo mesma, com coisas que parecem só interessar a mim, com a minha visão de mundo que discorda de tudo o mais e etc. Não sei porque alguém não me dá um tapa. Não, sei sim. É que não sou mais criança.

Não sou mais criança e por isso as pessoas devem achar que eu posso ser quem eu quiser. A pessoa que discorda disso é minha mãe, mas não tem como argumentar com ela. Mães têm o hábito de ser assim, de não saberem diferenciar a vida dos filhos da própria. Eu faço questão de não acreditar na visão de mundo da minha mãe. Somos simplesmente diferentes demais.

Mas, já que estamos nisso, mamãe me protegeu outro dia quando minha tia disse que eu era mais irresponsável que a Talita (não é muito difícil, mas foi o modo como ela disse isso). Mamãe disse "Ela não é irresponsável! Todo mundo entende mal a Marina. Ela não é irresponsável," - e aqui a coisa começa a degringolar - "ela é distraída, muito distraída, por isso que eu não quero que..." - Eu não lembro o que ela disse depois, talvez porque a Nanala a interrompeu, mas acho que talvez ela tenha falado mais coisas e eu simplesmente não quis ouvir. Eu não quero ouvir, mãe. Cale a boca.

É muito ruim eu não querer que minha mãe fique me criticando irrequisitadamente?

Mas gostei do que ela disse, "Todo mundo entende errado a Marina". E eu gostar disso é péssimo, significa que além de tudo eu gosto de achar que ninguém me entende, que eu ainda tenho que brigar e chutar e rosnar pra defender a minha visão do mundo. Que merda, eu estou lutando não por um mundo, mas por uma forma de enxergá-lo. Será que vale a pensa dedicar minha vida a isso?

Acho que eu só quero ter algo pelo que lutar. Talvez eu só queira saber que tem pelo menos uma coisa pela qual eu posso lutar e não ser derrotada nos primeiros cinco minutos. Alguma coisa que importa. Alguma coisa que não vai me fazer me sentir completamente inútil dentro de uma semana quando eu perceber que não faço nenhuma diferença. Behold me, a widely frustrated person.

Agora eu vou parar de me lamentar como um emo e falar de alguma coisa imbecil pela qual só eu me interesso.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Link

Eu só queria dizer que achei isso muito bonito.

My Silevered Lady Moon, R. F.

"O Boi tem a fazenda inteira dentro dele!"

Situação: Maria (ou qual seja o nome dela) é uma sul-rio-grandense que veio trabalhar como empregada doméstica em São Paulo.

— Maria, vai no açougue e traz um lagarto pra fazer assado.
— Lagarto?! Come-se lagarto aqui em São Paulo?!
— Não, lagarto, a parte do boi, assim-assim-etc...
— Ah, quer dizer tatu!

(história contada pela avó do André)

quinta-feira, 10 de março de 2011

Silêncio

I still have it somewhere.

Ainda tenho em algum lugar aquele velho caderno de lembranças. Mas está escuro aqui.

Seus olhos brilharam na escuridão, dois faróis amarelos refletindo os faróis do carro.

I still have it somewhere.

Ossos de gato debaixo da terra, com cada vez menos carne em volta.

Ou isto: duas crianças num galho de árvore, a sede da Sociedade, chamada de Spectri.

Às vezes me pego pensando naquela garota numa cama flutuando no mar. Não consigo lembrar de onde vem essa referência da cama, mas lembro da garota, da música, das ondas pintadas com lápis de cor. Lembro dos seus olhos, de vinho, de uma peça que não me tocou, de um desenho, etc, lembro de você. E entretanto nada de ti conheço.

Às vezes me ocorrem grandes desapontamentos. Mas é só a expectativa, sabe? Às vezes conheço gentes incríveis e rapidamente perco a oportunidade de ter melhores amigos. Às vezes dói, às vezes não, às vezes mais ou menos. Às vezes vivemos um romance intenso, às vezes tudo não passa de um sonho, cartas trocadas mas nunca nem um beijo. Às vezes não lembro sequer de ter tocado suas mãos.

Acho que vai chegar o dia. Acho que temos que ser paciente. Acho que se eu me encontrasse, diria pra mim mesma: cut the crap.

But I still have it here somewhere.

Eu abri os ouvidos e tentei ouvir, mas aos poucos suas palavras param de fazer sentido. Acontece tanto! Às vezes são meses pensando que nos entenderemos perfeitamente, e depois nada mais parece se juntar. Você queria me mudar? Todas as vezes em que eu quis mudar alguém, acabei ferindo a mim mesma. As pessoas mudam, mas não faz sentido querer mudá-las.

Mas você, ainda consigo imaginar que poderíamos conversar um dia. Mas não sei se saberíamos ser amigos. Não sei... não sei.

Por um lado, sinto que é cada vez mais difícil manter as pessoas interessantes por perto. Manter as pessoas que não já são parte do bando por perto.

But surely it is still here, and we can still find it?

sexta-feira, 4 de março de 2011

Rapaz,

eu me sinto meio triste, porra. E com vontade de falar apalvrão. Ultimamente eu tenho falado porra caralho merda sem nenhum motivo. Como se fizesse parte do meu vocabulário, e acho que faz.

Acho que ultimamnte eu tenho trocado muitas letras de lugar também.

Rapaz, eu estou tão desanimada. Não sei se é sono, maus hábitos alimentares e o diabo a quatro ou se é só saco cheio mesmo. Vontade de ir estudar na praia. Vontade de mandar tudo isso à merda. Vontade de me apaixonar perdidamente pelo que eu fizer. Estou horrivelmente cansada. Devem ser os hábitos alimentares.

De fato tenho perdido um número surpreendente de jantares. E quase não tomo mais café da manhã. Não dá tempo de fazer tudo o que preciso e ainda comer. Não consigo administrar minhas necessidades. Esta semana ainda nem fui no aikidô, e não sei se vou amanhã. Acho que eu devia, só pra exercitar um pouco.

E ao mesmo tempo estou desanimada com outras coisas, com a faculdade que mal começou, com ter que trabalhar, com o meu enfado com a matemática, e por que eu não posso continuar gostando da mesma coisa por mais de seis meses?

...

Eu sinto falta de algo.
Eu sinto falta de conquistar o mundo, eu acho, mas não é só isso.
Eu sinto falta de um monte de coisas que eu nunca tive, e que hoje em dia eu não sei se é possível ter. Tipo um apelido de faculdade, algo assim. Somewhere to belong, or somewhere to begin. All I can see around me are endings and goals and I don't feel like I have a home.

terça-feira, 1 de março de 2011

KIDSREAD: Are there any plans to make a movie about The Keys to the Kingdom?

GARTHNIX: There has been continual interest. It just has not been the right interest. I am very protective of the rights to my books, as the only thing you have control over is who you sell them to. And I would happily sell them to the right individuals with the right backing instead of selling them to a studio and allowing them to do whatever they want with them. I would rather have no movie than a bad movie. It is quite possible that there is someone who is 15 or 16 years old now who in ten years will be a director and they will do these movies since they are in love with the books and not just because fantasy is the flavor of the month, which it is now. I want someone with a genuine passion for the book, individuals with the right corporate backing.

The Coin Shower


"A man went outside
... it started raining coins
... ... he picked them up"

- Garth Nix, age 6

Nowhere

I feel like nowhere.
Maybe I could write to you

ask how have you been

ask you bout the snow
and polar bears
and yellow bees
maybe I could sing you out my fears
maybe you would have me.

I am living outside my head

I feel like nowhere.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Desabafo

Disclaimer: Admito que estou escrevendo só porque estou péssima e preciso desabafar e estou sozinha. Se você acha isso um saco, não leia.

Então passar na fuvest me deixou feliz por mais ou menos cinco minutos. Durante o resto da semana eu até me diverti um pouco, saí com uns amigos que se tornaram meus veteranos, etc. Aí passou. Quando fui fazer matrícula estava me sentindo um lixo. Estar na usp não me fez nada feliz. Ao meu redor tinham bixos de todos os lugares, totalmente pintados, parecendo se divertir, e veteranos se esforçando pra ficarem mais limpos que os bichos, e me pareceu que a maior parte deles estava na usp a menos tempo que eu, e todos estavam felizes demais pra mim. Conversei com o Davi e com o Reverbel, e isso foi legal, e encontrei a Ana, o Rafa, o Tomáz, a Rita e mais umas pessoas e isso também foi legal. Depois eu fiquei na fila um tempão antes de descobrir que estava ali à toa porque eu não tinha levado os documentos necessários, e isso foi bem chato. Depois fomos acompanhar a Rita no seu trote, e isso foi bem horrível.
Por que foi horrível? Não sei bem, acho que foram todas aquelas pessoas tão animadas, alunos e professores, e ficar esperando sabendo que eu tinha pisado na bola e ia ter que perder metade do dia pra resolver, e a Rita saindo e dizendo que tinha assinado um papel assumindo responsabilidade se ela morresse em alto-mar me fez morrer de inveja (não de morrer, de ir pra alto-mar) e o trote que ela recebeu foi umas mil vezes mais empolgado que o meu, e eu tive vontade de ser bixete, ou ao menos de um dia ter sido bixete. Não é a mesma coisa quando todos os seus veteranos conhecem muito menos da usp que você. Quando você já teve bixos e mesmo assim nunca os tratou como bixos. E quando seus 'veteranos' estão todos totalmente desligados e desanimados.

No final eu acabei desistindo de me comportar como bixete. Estava ficando irritada com a quantidade de veteranos incompetentes, que me davam informações erradas e não sabiam de nada. Infelizmente eu não estava com a minha carteirinha, senão teria usado a técnica de apontar pra meu número usp e mandá-los me buscar cerveja.

O final do dia foi menos ruim porque encontrei o Ademar, conversamos um monte e ele me pagou cervejas e coca-cola com vodka (chamar de cuba-libre me pareceu forçação de barra...), e eu conversei com umas pessoas até que bacanas, mas fiquei desapontada de não conseguir encontrar mais meus amigos que estavam comigo antes porque eles foram para casa, enquanto eu quis ficar para a festa no IME (a festa incluía IF, IO e IME, mas o que tinha era 60% IF, 20% IME e 20% avulsos (Poli, Eca, etc). Acho que não veio ninguém do IO). No fim o Chalom veio nos encontrar e ficamos mais um tempo bebendo cerveja e papeando antes de ir pra casa.

Não lembro direito o que aconteceu depois. Acho que fiquei um tempo conversando com Talita e Alex em casa, como de costume, mas não tenho nenhuma lembrança disso. André conseguiu me convencer, com muito esforço, a tomar banho antes de dormir. Acordei às sete e meia precisando muito de água e toda dolorida. Voltei pra cama e dormi profundamente. Acordei de novo ás onze e meia, bem mais inteira.

Quando cheguei aqui, minha vida ainda parecia um lixo.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Realidade e ficção

A propósito, estou me esforçando muitíssimo para compartilhar o pouco de sabedoria que tenho, na forma de dúvidas e proposições, tentando manter a ficção enquanto crio pelo menos um pouco de verdade.

Dúvidas de apaixonados

Como é difícil falar com você sem você saber que eu te amo. Como me tortura quando trocamos olhares e você não sabe o quanto o meu é desejoso. Toda vez que falamos tenho vontade de gritar, de confessar minha paixão de uma vez por todas, de me livrar desse segredo e dessa dor. E me deliciaria ver, mesmo que só por um instante, a resposta relampejar nos seus olhos, a verdade por um instante, seus sentimentos, surpreendidos antes que a máscara das atitudes os cobrisse para mostrar a Resposta Adequada. Seria incrível, e esse desejo quase me leva à ação, mas me contecnho, não posso. Tenho mêdo demais: uma previsão me apavora. Não é que eu tenha mêdo da sua rejeição - de fato já estou prevendo que meu amor será rejeitado, ou então haveria aquele lampejo de esperança que acabaria por subjugar os meus temores. Sim, se fosse possível que você me amasse como eu a amo, eu poderia criar coragem, e um dia, quando por sorte ou por engenharia nos encontrássemos a sós, eu sussurraria para seus olhos a verdade de tudo o que vejo neles. Sim, mas... Mas eu poderia viver com a rejeição se minha confissão fosse feita na esperança de um final contigo. Mas assim como estamos, queria te contar tudo o que penso e sinto apenas porque me aflije tanto guardar estes segredos de você. Por que não posso ser sincera? É que tenho mêdo da Máscara, aquela que você provavelmente vestirá para me explicar que não pode, que não é isso que você quer comigo. É esse o meu mêdo? A mentira convencional que pairará entre nós toda vez que eu a vir sabendo que você sabe, sabendo que se apenas as coisas fossem um pouco diferentes, talvez pudesse dar certo? Será que tenho mêdo de arruinar tudo entre nós? Não, não é isso ainda. No fundo eu sei do que tenho mêdo. Na verdade o que me aflije é prever que, você sabendo, e mais que isso, eu tendo contado em voz alta e visto a sua reação e aquele lampejo de veracidade em seus olhos, eu não seria capaz de conter por mais nem um segundo a torrente de afeto que quer jorrar em você. Eu sei que posto assim parece até um pouco nojento - e é assim mesmo que me sinto quando penso que depois de me abrir com você eu nunca mais conseguiria falar contigo sem falar de amor, ou caminhar contigo sem querer segurar tua mão, ou estar do seu lado sem te envolver em meus braços, porque é como se eu tivesse uma válvula segurando tudo isso, e segurando forte, mas que uma vez aberta não vou conseguir fechar. E eu não quero: eu não posso destruir o que existe entre nós, mesmo que não seja quase nada; eu não quero destruir o nosso respeito, essa nossa distância, que permite que vivamos vidas separadas, e que permite, e talvez isso seja o mais importante, que eu possa viver minha vida sem precisar de você.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Pausa para um postinho

Eu estou aqui porque minha cabeça está zunindo com todas as letrinhas mágicas que não formam nenhuma palavra conhecida que acabei de encontrar na minha pequena jornada para tentar entender melhor a mesoderme do multiverso digital (aaah, justaposição de metáforas!). Eu acabei sendo lançada do Javascript para o Ajax com uma certa violência e, francamente, não é fácil entender quando a galera começa a falar de Ajax - a menos que o assunto tenha começado na área de limpeza, é claro. Pra descansar - porque estou num lugar estranho e me sinto meio acanhada de simplesmente ir dar uma volta - vou escrever alguma coisa.

Que tal uma história?

Proposição: o herói, no começo da história, nunca sabe que vai ser herói. Uma vez eu tentei contar uma história sobre um garoto chamado Davi. Eu gostava dele porque ele não era apenas um joguete nas mãos do acaso como todos os outros heróis. Ele um dia decidia que ia sair de casa e viver uma aventura, e assim ele saía de casa e vivia uma aventura. Mas agora vejo que caí numa armadilha assim que comecei a escrever sua história - não pude evitar inserir uma princesa e uma infância solitária, o desamor de sua casa e o amor de algo distante que iam sem dúvida fomentar no menino a disposição para partir em aventura. É difícil; acho que não consegui combater satisfatòriamente o impulso de explicar porque eu mesma não havia tomado minha vida nas mãos e partido numa aventura. E o motivo poderia ser o mêdo ou o conforto, mas acho que o argumento verdadeiro (acho mesmo) é que eu amo minha família. Eu amo cada um deles, e nunca consegui trocar a amizade de meus irmãos e o carinho de meus pais pela imprevisível descoberta do mundo. Além disso, eu sempre pensei em minha mãe, que se preocupa tanto comigo. Talvez, quando eu era muito pequena, fosse mesmo a noção de que eu não saberia o que fazer lá fora. Mas esse mêdo deixou de me incomodar há muito tempo.

Afinal estamos sempre fazendo o que não sabemos fazer. Estamos todos completamente perdidos. Ou talvez alguém aí saiba o que está fazendo; eu admito que não faço a menor idéia. Estou nadando num pântano, avançando muito lentamente e sem saber direito para onde. Mas lentamente estou começando a confiar que posso correr riscos. Isso de correr riscos é muito importante - é difícil evoluir de uma posição de confiança. E precisamos correr sem saber para onde. E precisamos vislumbrar.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Grunf

às vezes eu acho que nunca vou ter paciência pra trabalhar a sério. E olha que eu nem estou trabalhando. Estou num ambiente de trabalho, estudando javascript porque eu achei que ia conseguir fazer coisas divertidinhas com ele, mas até agora eu só consegui me frustrar infinito! nada minimamente legal está funcionando e a droga do tutorial sequer menciona essas possibilidades! Gronf!

Ah well. Pelo menos eu olho pela janela e tem uma grande pedra me olhando; onde mais eu poderia ter isso? Eu fico me lembrando dessas coisas pra não me arrepender de estar aqui. Afinal... Afinal, tuddo passa, os dias, os meses, não é, e eu sou obrigada a confiar que o futuro me dará oportunidades para não me arrepender muito amargamente de ter recusado as opções que recusei. Estou tentando não pensar nisso. Estou realmente me esforçando para não pensar...

Enfim, aqui estamos, Vitória, na parte da cidade que parece que fecha os olhos no reveillon, a cidade aqui em volta está vazia, não tem nada de interessante, e eu estou feliz porque hoje vamos no cinema e amanhã vamos à praia, e parece que isso vai ser muito melhor do que ficar aqui onde nada acontece.

Ok, preciso debelar o mau-humor.

É que eu queria tanto estar em casa... Mas vou fingir que não, vamos fechar os olhos, tudo vai dar certo no final, tudo vai dar certo, e, à propósito, eu te amo, e eu queria muito que você fizesse parte da minha vida pra sempre.

Que saco, estou emotiva de repente.

Testes

Preciso dar uma pausa nos meus atuais estudos de html, css e javascript (eu sei, eu sei, mas eu não consegui me forçar a estudar pra fuvest ainda, droga! e isso é tão mais interessante...) e vou aproveitar pra fazer alguns testes aqui no blogger.

Essencialmente, eu quero saber o quanto disso pode ser usado aqui. Vamos tentar? Vou começar com um form:


Legal, parece que funciona (e, bom, essa é a coisa mais complicada que eu aprendi a fazer em html até agora). A questão agora é se o javascript funciona também... apesar de eu não ter entendido lhufas de como essa coisa funúncia... enfim.

Aliás, alguém sabe onde eu posso aprender javascript a sério?

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Ei, maninho,

Feliz aniversário,
Que tudo esteja azul,
'Cê é muito gente fina,
Bacana pra xuxu!


Enfim, hoje é o dia do seu aniversário e eu pensei em fazer uma homenagem a você. Você sabe e eu sei que já fizemos muitas homenagens um ao outro em nossos blogs - é que é assim que a vida funciona, nós dialogamos, nós nos alimentamos um do outro, nós fazemos uma canção em conjunto, nos criamos o mesmo mundo - mas este ano nós ficamos meio distantes, e eu lembro na praça do pôr do sol quando você me abraçou e pediu pra não sumir de novo, e agora eu estou aqui fora da cidade, longe de você e de mais um monte de gente, e pensando se isso é certo, se é certo eu ficar aqui longe, aqui onde eu não posso te abraçar e falar sobre a vida com você.

Sabe, maninho, de todas as pessoas que eu conheço você é a que eu mais vi mudar. Eu vi meus irmãos, meus pais e meus primos mudando, mas meus primos estavam meio distantes, meu pai está se assentando sobre o que ele sempre foi, minha mãe está lutando contra algo que só ela pode enfrentar, e meus irmãos talvez estejam até perto demais pra eu conseguir entender a mudança, ou talvez eles sejam muito suaves, muito tranqüilos, e estejam apenas se tornando o que eles já prometiam ser de qualquer forma. Você não.

Não, Ugo, você mudou radicalmente, bruscamente e muitas vezes desde que eu te conheci. E eu também, contigo. Começamos como o Squick e a Ma, tímidos e meio perdidos em meio a todas aquelas pessoas determinadas, exageradas, da ação comunitária. Eu estava começando a descobrir que podia ter meus próprios amigos, mas ainda estava meio deslumbrada por aqueles nerds maconheiros que fizeram a gente decorar legião-urbana... E você era um garotinho minúsculo (menor do que eu!), de voz fina e parecido com um ratinho, mas eu nunca vou esquecer o dia eu que você ficou puto com as crianças e começou a vociferar e a dar ordens e todo mundo ficou com mêdo de você - pra provar que o que veio depois estava só esperando pra aflorar. Também não consigo esquecer o dia em que você propôs que a gente fosse na sua casa ler, e como todos nós rimos de você, e como eu me envergonho disso, porque hoje em dia me pareceria uma ótima idéia a qualquer momento.

Depois passou um ano em que estivemos separados, e foi o ano em que eu aprendi a me apaixonar e em que mudei completamente de amigos, e pra você foi um ano de ficar longe dos amigos que você tinha, e não consigo imaginar como foi pra você - mas sei que quando te encontrei de novo, 20cm mais alto e de voz grossa, nós dois éramos pessoas muito diferentes, e ainda assim fomos nós que voltamos a ser amigos quando todo o resto do antigo bando tinha se esfacelado. Pois é! Nada mais de Bruno Azem, nada mais de nerds maconheiros, quase nada tinha restado daquele grupo que acumulou tantas lendas na minha memória. E também, agora éramos colegiais, e nossos interesses mudaram. E no começo foi um pouco estranha a forma como você nos seguia como se fôssemos heróis, só porque tínhamos ficado tanto tempo longe e eu e meus amigos éramos um pouco mais velhos e talvez um pouco mais arrogantes. E alguns dos nossos amigos eram pessoas pentelhas que ficavam pegando no nosso pé ininterruptamente, e eu me tornei a Mali minúscula de se pegar e morder e você virou o Ches, que as meninas apertavam como um brinquedo e os moleques zoavam, e acho até que eu fiquei aliviada quando eles começaram a pegar no seu pé porque eu já estava de saco cheio. Mas a gente passou por isso, eu porque estava apaixonada por eles, e você em parte por isso, em parte porque você podia aturar algumas pessoas de quem você não gostava pra ficar com a parte de que você gostava, o que é admirável. E houve momentos em que nós ficamos sozinhos e pudemos brincar das velhas coisas de que a gente sempre brincara sem interferência de quem queria achar a gente ridículo.

É claro que essa fase valeu a pensa: teve o pirate's tale, viagem pra fazenda, nossas história de vampiros e lobisomens, e tudo o mais que a gente inventou e trocou e imaginou e viveu. Foi legal pra caralho! Mas acho que essa fase teve que passar e a gente teve que sair daquela muvuca que era o colegial pra eu poder virar Marina e você, Ugo. E eu lembro que de repente você deixou de ser um garoto doce e divertido pra ficar revoltado e agressivo. Muito agressivo! Por vários meses eu fiquei com mêdo de você, porque você estava bravo com tudo, e odiava tudo, e queria que todo mundo te respeitasse mas não sabia como merecer esse respeito, e você queria ser um grande psicólogo mas ainda não sabia nada de psicologia. E aí você entrou na faculdade, começou a estudar e a ler mais, fez kung-fu, e começou a entrar nos eixos e levar as coisas mais na boa, e foi inevitável que nos tornássemos melhores amigos. Sabe o quê, maninho, você conseguiu o respeito que você queria.

Acho que é por ter visto todas essas mudanças que eu me orgulho tanto de você. Sabe, você já disse e pensou tanta merda na vida, já acreditou em tanta coisa errada, e já foi tão ignorante de tanta coisa! Mas agora você tem seu chão pra defender, e é um belo chão. Eu ainda discordo pra caralho de você, mas agora ninguém pode achar que você é bobo pelas coisas nas quais você acredita.

Você se tornou um belo homem, maninho. Estou curiosa para ver como mais você vai mudar - como nós vamos nos transformar - daqui em diante.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Meaw

And I feel lonely. Been with you for so long that I don' know how to be alone anymore. All around me are ghosts - of far away loves, of dreams andreamt. I miss having you who knows all about me by my side. I miss who I am when I have this world you build around me. And we're just going about with our businesss and I... wait, what is my business again?

I feel so lonely and empty. Suddenly my friends feel so distant. Suddenly I feel like my world is another. I'm in for a different game. I don't know where you are anymore.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Como dizer?

Estava pensando em escrever um poema, mas não sei ainda qual. Queria que ele girasse em torno da idéia da Leoa, como uma Deusa. A Leoa pra mim sempre foi um símbolo de um certo tipo de poder, é ela que protege a cidade de Levante que muda de nome toda vez que é conquistada... A Leoa é Labwa, é a Devoradora, é o animal fêmea que mata e dá vida. Será que esse símbolo pode sustentar sozinho o meu poema? Ou será que preciso do meu amor para sustentá-lo? Acho que é um bom símbolo.

Leoa dos infinitos mundos
Persegues tuas presas pelas savanas
Em compasso com tuas irmãs, mães de teus sobrinhos
E amantes do pai dos teus filhos
Tuas presas, fera, manténs ocultas
Até o momento fatal do bote
Mas quem duvidaria de tua ferocidade?
Tuas garras manténs dentro dos dedos
Nas patas que pisam suavemente a relva
Tua caçada, Labwa, é silenciosa
Mas corações disparam quando vêem teus olhos cheios de morte
E tu lhes trazes a última dor que sentirão sobre a terra
E derramas o último sangue.
Teus lábios ensanguentados limpas com a língua áspera
Tua boca que mata leva a carne aos filhotes
Leoa, em dadas tardes te deixas caçar pelo violento e cabeludo macho
Cujo rugido que afasta inimigos tu admiras
E cujo corpo enorme e quente tu desejas
Leoa, em teu corpo esculpido para matar surge a vida
Tuas patas parecem pequenas quando carregam a futura caçada.


Acho que não há mais o que ser dito.

Agora já sei quem você é, minha leoa: você é a Esfinge.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Inquietação

Quero escrever alguma coisa, quero desabafar, mas não posso, não posso.

Acho que está na hora de eu conversar com alguém ao vivo.

Onde estão meus amigos?

Procuro um homem [?]

Procuro um homem que não seja como todos
os outros homens que até hoje conheci
Que seja incômodo e imprestável como os outros
Mas um que saiba o quanto deve dar de si

Eu não procuro um homem que seja perfeito
mas um que seja livre e siga com coragem
Que tenha a cara de reclamar seus direitos
sem hesitar e sem se perder na linguagem

Procuro um homem que se guie por seus sonhos
e, perseguindo-os, não se acanhe de ir além
Um que consiga subjugar os seus demônios
mas que seja um pouco demônio ele também

Procuro um homem que não caia do cavalo
ou que, caindo, também saiba levantar
Que, como um gato, às vezes venha de mansinho
e às vezes pule sobre a presa pra matar

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Achei isso numa pilha de anotações antigas... Acho que deve ser de 2006, mas não posso garantir; talvez seja de antes, talvez de bem depois. Acho que eu tenho muito poemas descrevendo o amor que eu quero... Mas acho esquisito, acho que hoje em dia eu não escreveria uma coisa assim, "procuro um homem"... Eu não procuro mais um homem, eu procuro a mim, a você, a quem possa saciar essa fome, à origem da fome. Minha forma de pensar, de enxergar essa questão, mudou radicalmente.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Ao Cara da Bicicleta [24-25/9/2005]

Estou andando pela rua e vem
Você, que me coloca muito bem
Uma palavra doce no caminho.
Eu olho pra você, penso na vida
De que me vale estar assim perdida?
Em tantos colos quero fazer ninho...

Eu vinha andando meio solitária
Na sociedade me sentindo pária
E vem você chamar-me de gatinha.
Talvez não seja bom pensar assim,
Mas peço que não venha atrás de mim
Pois isso eu tenho que vencer sozinha

E, se vier, posso não ser legal
Vou ser cruel, posso te deixar mal
Se você não se despedir agora
Mas você não me ouvira o não amaro
Eu disse então que tinha namorado
Pra você desistir e ir embora


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Sim, existem pessoas que às vezes tiram algo de bom de encontrar um cara idiota te xavecando na rua. Esse cara de fato apareceu de bicicleta me chamando de gatinha. às vezes essas coisas imbecis são importantes pra quem está totalmente perdido.

Alerta [set/2005]

Não pule no lago, eu te disse, vai se machucar
mas a água do lago era linda como a água do mar
Tinha ondas que iam e vinham, para te atrair
e eram ora cruéis ora doces, pra te consumir
Pois eu disse: não pule no lago - você não me ouviu
Se afastou de mim (sou também água) e em frente seguiu
Foi largando no caminho roupas, armas e armaduras
Mas eu acho que suas intenções não eram seguras
Você foi, pois, andando sem mêdo mas meio hesitante
mas então viu o dragão do lago - foi desconcertante!
e tão surpreendido qual gato no meio do pulo
você veio pedindo socorro, tateando no escuro
E eu pensava, ao ver você assim, voltando do errado
que eu dissera, e você não me ouvira, "não pule no lago"

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Ah, eu gosto tanto do ritmo deste poema! Eu gosto também de algumas das metáforas dele. Algum dia eu preciso explicar o que é o lago =)

Rascunhos

"Não faça rascunhos. Leve cada desenho a sério." - Peçanha


Sabe, eu tenho dois rascunhos quase permanente no meu blog, além de um rascunho rotativo de Histórias Sem Fim. São começos de histórias que eu queria escrever, que começaram muito naturalmente, mas que eu não consigo continuar! É tão difícil continuar. Particularmente esta sobre o Lay, o Anjo do Relâmpago (é a primeira vez que o chamo assim, em português), é difícil porque eu comecei querendo escrever com leveza e beleza, mas a vida do Lay não é bonita, e eu não consigo dar o passo do lirismo para a narrativa. Acho narrativas muito difíceis, me dou muito melhor com as descrições. Bem, acho que nunca serei um contador de histórias como o Garth Nix, mas talvez eu possa almejar um pouco do fascínio do Tolkien... Enfim, vou publicar esse rascunho para vocês terem uma idéia do que estou falando.


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Na cidade de Raéa tudo era tão bonito! As praças estavam cobertas de lírios e as torres dos palácios se erguiam claras e majestosas em direção ao céu azul e límpido lá em cima. Em Raéa nunca chovia, nunca ficava nublado, talvez porque a cidade estava acima da maioria das nuvens, no topo dos picos fantásticos que o povo comum chamava de Heaven. É claro que o nome original do lugar era Haven, mas quem discordaria do nome que o povo dava, quer dizer, haveria um lugar mais próximo de se chamar de Céu? Os enormes pássaros de Raéa se agitavam e cantavam para despertar a cidade. Os habitantes de Raéa, como qualquer povo de boa fé, venerava a Quemi, o Pássaro das Cores, e a Quehy, a Fênix de Luz. Exemplares jovens das duas espécies saltitavam aqui e ali, colorindo e iluminando o ar em que dançavam; mas o pássaro mais presente da cidade era o que eles chamavam de Alma dos Ventos, uma ave imponente que parecia nunca parar de crescer e que viajava distância inacreditáveis para fazer seu ninho nas torres dos palácios. E, como era bem cedo, os parapeitos das janelas estavam apinhados de Almas das Manhãs, os menores pássaros de Raéa (ainda um pouco maiores que um sabiá de peito laranja), que tinham penas macias como as plumas de um bebê e que se reuniam no nascer do sol para se aquecer, conversar com seus irmãos em trinados baixos e graves e entoar adoráveis cantigas de acordar. Não havia melhor forma de acordar que o amanhecer de Raéa! O sol entrava por todas as janelas e fazia brilhar as torres imaculadamente brancas. As casas baixas, feitas de blocos mais rudes das pedras claras das montanhas, estavam cobertas de flores delicadas que se abriam ao toque do sol. Cada porta, esculpida na mais nobre madeira jovem que crescia timidamente abaixo das nuvens, se abria, e cada janela, apenas para deixar o vento entrar. Logo todos estariam despertos, e a cidade estaria cantando com o prazer de um novo dia. Era por essas manhãs que Lyserh vivia. Ele adorava saltar para a rua e sentir o ar correndo por sua pele enquanto abrandava a queda. O azul do céu e o branco brilhante das casas e das flores o preenchia , como o calor do sol. Ele cumprimentava os pássaros ao caminhar pela praça. Era sua vez de ser feliz. Era tudo o que tinha na vida.
Neste dia, Ly também estava feliz porque ia conseguir uma coisa a mais, uma coisa a mais a que se agarrar nos momentos em que a luz parecia distante. Ele não tinha a menor dúvida de que a partir de então ele seria feliz! Ali, em Raéa, onde cada dia era perfeito, ali ele ia encontrar seu lugar do lado direito de Deus. Era impossível parar de sorrir. Ali ele ia encontrar aquilo que daria sentido à sua vida.
Ele atravessou mais algumas praças cobertas de lírios, e algumas ruas estreitas e floridas, saltitando de pedra em pedra e cantarolando para acompanhar as Almas. Antigamente ele costumava pensar com freqüência em como seria, depois da morte, é claro, ser um pássaro e passar seus dias planando e chilreando por aí; mas hoje esse pensamento sequer lhe ocorreu -- a vida parecia tão bela assim do jeito que estava! Era difícil pensar em coisas tristes ou mesmo coisas imperfeitas neste dia alegre.



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Minha idéia é contar como Lyserh entrou para a força de elite dos Anjos. É muito importante para a história que ele entre nela. Na verdade é essa a fundação do personagem. Mas eu não consigo fazer acontecer.

Direitos [23-25/9/2005]

Nem todo coração
tem direito a ficar em paz
Nem toda paixão
tem direito a um final feliz
Nem toda amara vida
tem direito de voltar atrás
Nem toda alma perdida
tem direito de ser o que quis
Mas por favor não desista, que a vida é muito maior
que esse pedaço de vida ao qual você se amarrou
Mas por favor não insista, que a vida tem mais sabor
que esse pedaço de vida o qual você não largou
Pois se amarrar
a um amor que morreu
é ainda contar
com o que já se perdeu
Além disso, veja bem, não adianta chorar
Isso não fará o alguém que você ama te amar

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.... é, sei lá. Eu precisava convencer ao pessoas a desistirem de seus amores impossíveis com freqüência... Tentei mudar pouco este poema (só uma alteração de rtmo aqui e ali) porque ele é ruim demais pra ser melhorado. E tem umas quatro melodias diferentes que nem se encaixam tão bem assim. Ora!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Faelyn

O dragão surgiu de repente depois de uma curva, e assomava enorme, quase batendo em todas as paredes da imensa galeria. Era um dragão magnífico, de escamas verdes cobrindo as costelas e placas vermelhas por todo o dorso, brilhando intensamente mesmo na pouca luz da caverna. Suas garras eram do tamanho da espada de Roder, cinzentas e muito mais fortes do que a lâmina. Toda a couraça do dragão reluzia em tonalidades detalhadamente distintas, colorindo as paredes e o chão como um caleidoscópio. Seus chifres eram grandes como árvores, e seus olhos tinham a intensidade de um caçador. Era o dragão perfeito, o monstro de todas as lendas, o inimigo dos sonhos de Roder, Aquele era o dragão definitivo, o dragão com que ele sonhava quando sua irmã lhe contava histórias antes de dormir.
- Nahär! - gritou Roder o nome de seus ancestrais enquanto desembainhava a espada. O dragão levantou a cabeça num susto e se encolheu contra o fundo da galeria, contorcendo o longo pescoço escamoso para virar os olhos para o invasor. Roder, vendo aquela carne enorme se virando e movendo com estradalhaço, ergueu a espada que tinha matado cem ogros e se lançou em corrida para fincar sua lâmina entre as escamas da barriga do monstro. Mas não é tão fácil penetrar o couro de um dragão, e este, tentando espantar o incômodo cutucador, abriu a bocarra cheia de dentes pontudos e rugiu na cara de seu agressor. Mas Roder, em vez de de se assustar com os presas imensas e o rugido ensurdecedor se revigorou com eles e e, convencido de que aquele era o mais terrível e formidável monstro que um herói já enfrentara sem ser devorado, estendeu o braço e enfiou sua espada no fundo da enorme garganta. E o dragão caiu.

Como eu disse, o problema está sempre nos ouvintes. vejo que você me ouve com olhos arregalados e emoção renovada a cada frase, sem imaginar o que acontece a seguir. Também Roder acreditava estar vivendo a estória de sua vida, e nesse momento seu coração batia rápido e sua mente viava pelos cenários do triunfo e das canções dos menestréis. Mas nesse mesmo momento sua visão se desfez.

A bocarra do dragão caíra sobre o herói e o mantinha preso entre as presas e a espada, um dente enorme enfiado no braço desarmado. De repente o espeto dos dentes desapareceu e Roder se desequilibrou e caiu sentado no chão, atordoado mas sem largar a espada. Uma névoa com cor de dragão volteava e revolvia em torno dele, parecendo querer se reunir no centro da galeria logo à sua frente. Entretanto Roder via nitidamente através da névoa, que não tinha cheiro, e não havia vento. Era uma ilusão! Não havia dragão, mas seu braço estava ferido e a espada, suja de sangue. O herói ficou no chão, confuso e paralizado pela percepção de que estivera lutando contra um dragão de mentira. Entretanto, devia haver alguém, quem sabe um demônio ou um vil feiticeiro por trás dessa névoa, pois alguém raptara a donzela, alguém o chamar através da caverna, alguém causara o ferimento no seu braço, e mais - alguém deixara seu sangue sobre sua espada. Roder ficou de pé e avançou lentamente para onde a névoa começava a se compactar numa forma humana, determinado a garantir sua vitória contra quem fosse o vilão de sua história. Ele se postou altivo e ameaçador diante do homem que a névoa formava; mas o homem era na verdade Faelyn, caída e agonizante aos seus pés, numa poça de sangue que saía de sua garganta - e ele desfez a pose e tentou desesperado ajudá-la, mas a garota se esquivou dele apavorada, e seus últimos movimentos neste mundo foram para fugir de seu suposto salvador.

Imagino Roder tentando ajudar a garota, tentando entender onde ele tomara o caminho errado, como era possível que o dragão cruel se tornasse a dozela inocente. E principalmente, como a donzela fôra parar dentro da caverna se ela estava esperando por ele lá fora? Mas não, Roder não parou para pensar nessas coisas, porque era jovem e estava apenas em busca de monstros, não de respostas. A única pergunta que ele fez era onde encontraria o feiticeiro que trocara a vida da donzela pela do dragão, e o que teria que fazer para trazê-lo até o fio de sua espada. E, com seus sonhos de triunfo derramados com o sangue de Faelyn, ele foi buscar seu feiticeiro pelos túneis mais profundos na caverna, que levavam para longe desta cidade.

Poema Triste II [22/9/2005]

Queria escrever um poema triste.
Um que fosse mais triste do que eu
Que fosse mais escuro do que o breu
P'r'eu achar que sou vívida e feliz.

Queria escrever um poema triste
Que fosse mais vazio do que um deserto
E mais que a bruma fosse escuro e incerto
P'r'eu achar que sou o que você me diz.

Queria escrever um poema triste.
Um que fosse mais frio que a solidão
E mais que uma miragem, ilusão
Fosse de que sou eu quem quer chorar

Queria escrever um poema triste
Que fosse mais incômodo que a fome
Que de tão tolo não mereça um nome
Mas me convença de que eu sei amar.

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Conforme eu anotei no canto da folha, eu também queria escrever um poema resignado, um poema sem esperança, como eu escrevi, "resignado como a chuva"... para que eu pudesse ver o brilho da minha própria esperança. Mas é difícil rimar com chuva, não é? Enfim, acho que este poema é muito menos triste e mais bonito que o anterior. A gente não vê realmente beleza na tristeza desesperançada, é justamente a esperança e o amor que tornam a tristeza uma coisa bela. Uma coisa triste e murcha e pantanosa como a que escreveu esse poema, mas que ainda quer se expressar, que ainda quer fazer parte da beleza do mundo - amar! - é bonita de certo modo, por mais que distorcida.

Mas ainda há uma certa dor, porque por mais que haja uma certa expressão no sentido de dizer "oi! estou doendo! quero ser feliz! quero amar!", ainda assim... ainda assim esse poema não pode expressar a tristeza de verdade que existia por trás. A Mali de 2005 sabia disso. Ela sabia que seu amor era um amálgama incerto de sonho e crueldade, e que eventualmente tudo ia desmoronar com ela embaixo. A pergunta que eu me faço agora é: essa esperança superficial serviu para alguma coisa?

Mas no fundo o que eu preciso saber é: será que eu aprendi a chorar depois disso?

Queria escrever um poema triste
Que fosse resignado como a chuva
E estúpido como um vinho sem uva
Que me desse esperança de sonhar

Poema Triste [22/9/2005]

Eu queria escrever um poema triste
que doesse assim tanto quanto a maldade,
que fosse lúgubre como a saudade
e, como a dor do amor, não redimisse
Para que todos lessem ou ouvissem
e então chorassem, de mágoa ou de dó
ou de lembrança, pra eu não ficar só,
e a desrazão, enfim, me permitissem

Mas as palavras, como a poesia,
por si não trazem dor, pois são vazias,
então jamais terão, em si, tristeza
Por isso esse meu desejo egoísta
vai se calar, ficar fora de vista,
pois ele contraria a natureza

Mas ainda quer ser triste o meu poema
e novamente eu entro num dilema
pois eu mesma não sei me dar certeza

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Acho que o que eu quero dizer aqui, essencialmente, é que escrever não me faz me sentir melhor quando eu estou triste. Os fantasmas que eu descrevo não são receptáculos para os meus sentimentos. Eles sequer podem expressar a minha tristeza.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Hellblazer - The Devil You Know


E pra alegrar o meu dia eu descubro que o Glenn Fabry também fez Sláine no começo da carreira.

Hell yeah. All falls into place.