Estou aqui porque uma pessoa postou um comentário no meu último post, dizendo que gosta do que eu escrevo desde O Pato Está na Ratoeira. Gente. O Pato foi uma piada interna entre eu, Yuri e Artur, que virou um blog onde postávamos coisas esquisitas, que o Artur abandonou alguns anos depois de ir para Campinas porque afinal aquilo era parte de um passado compremetedor. Eu quase não escrevia nO Pato. Eu me lembro da gosmificação dos olhos, e de Deus morrendo na fila de espera do hospital público, e de pouco mais. Meu relacionamento com Artur e Yuri era uma coisa muito estranha e muito íntima... diferente de todos os relacionamentos que eu já tive eu acho. No final uma coisa que ficou no passado, como tudo o mais. Às vezes até bate uma saudade. Ou um vazio impreenchível.
O post no qual apareceu esse comentário era sobre Zuzu. Oliver. Meu sobrinho. Hoje Tali mandou uma foto e disse que Oli já pega objetos com as mãos, amassa e joga para longe. Eu fico me arrependendo de cada oportunidade de vê-los que eu perco (que são muitas).
Eu tenho tanta coisa pra fazer e quase não vejo minha irmã e meu sobrinho. Eu sonhei com eles noite passada, sonhei que morávamos todos num mesmo condomínio, e que chamávamos a família inteira pra uma festa na piscina (inteira quer dizer todas as primas e tias avós). Eu ficava brincando com Oli. Adoro brincar com Oli, segurar no colo, passear com ele, dar banho. Pessoa fofa.
Não conseguia lembrar que eu tinha postado neste blog no último ano. Li a postagem de baixo, e era sobre meu relacionamento com minha mãe, como ela evita falar sobre certos assuntos, como ela fica brava que eu sumo, como ela quer discutir gênero e sexualidade comigo mas ao mesmo tempo não quer(emos). Semana passada eu decidi contar pra ela que eu estava saindo com uma pessoa... com uma menina, meio que. Eu estava me sentindo mal de guardar segredo, sabendo que se fosse um homem eu talvez já tivesse contado antes. Seguiu uma conversa esquisita na qual minha mãe me falou que eu não era trans e mais um monte de coisas sobre gênero, porque de alguma forma ela conectou todos os assuntos como se eles fossem uma coisa só. Não, sério.
Ela disse que sabia que eu não era trans porque eu era muito feminina, e ela acrescentou que "eu não sei de onde você herdou essa feminilidade, porque não foi de mim". Aí eu falei pra ela que ela era muito mais feminina, mas ela falou que ela se achava super masculinizada e nada feminina. Eu falei que eu é que era masculinizade, e ela é que era feminina, que usava vestidos, e pintava as unhas, e se arrumava e gostava dessas coisas "de mulher", e inclusive ela estava me dizendo que usar vestido era uma delícia como se ela estivesse preocupada com o fato de eu não querer usar. Aí a gente ficou nesse "é você!", "não, é você!" por mais algumas iterações até a gente abandonar o assunto. Mas eu fiquei pensando que é engraçado que ela se veja como masculinizada e eu como feminina. Talez a questão seja que ela de fato quer ser mais feminina, que ela de fato gostaria disso, embora pra ela não seja muito natural, enquanto eu estou na situação oposta, porque isso que ela vê como "feminilidade" em mim é algo que está fora do meu controle, é algo que eu tento evitar mas não consigo, eu detesto o quanto eu me esforço pra ser macho e mesmo assim todo mundo me diz que eu sou fofa e delicada e feminina e blargblargblarg. Talvez a gente se incomode mais com aquilo que a gente não consegue controlar. Se bem que ultimamente eu tenho refletido sobre como eu não tenho também a coragem de deixar a fofura e delicadeza de lado. Elas são como muralhas altas, impedindo as pessoas de chegarem perto. São coisas seguras, coisas que no máximo vão levar as pessoas a me verem como um pouco boba e inferior e incompetente como acontece quando você é lida muito estereotipicamente como mulher, mas elas implicam pouco risco... Se eu tento me impôr, me colocar, deixar a "feminilidade" de lado, eu também tenho que me provar. Eu posso jogar no easy e nunca ganhar muitos pontos, ou eu poderia me arriscar a talvez ser completamente destruíde, mas com uma chance de ganhar um highscore, como algumas pessoas muito mais fodelantes do que eu fazem. Eu tenho mêdo demais. E toda vez que eu exponho meu lado menos fofinho, vem alguém e me destrói... até eu aprender que o que eu considero foda e sério e adulto em mim são coisas que outras pessoas (homens) consideram noob e infantil. Eu sou um garoto de treze anos. Deixa eu repetir isso porque é importante.
Eu sou um garoto de treze anos. Eu cansei desse jogo de ser fofinha e de pelúcia e de ajudar os outros com seus problemas impossíveis de resolver e etc. Mas eu não tenho nada mais. Eu não sei me impôr eu não passei a adolescência levando xingamento escroto dos meus amigos pra saber que isso é tudo na boa fé. Na real, eu passei a adolescência recebendo diminutivos pejorativos dos meus amigos, e me defendi guardando dentro de mim tudo o que era grande e perverso e... associando tudo isso a sexo eu acho.
Na verdade tudo isso é uma metáfora pra todas as minhas outras inseguranças. Eu vou parar por aqui porque eu já sei que falar sobre as minhas inseguranças não me ajuda em nada a diminuí-las e efetivamente só me faz me sentir mais idiota por estar "me expondo", como minha mãe disse.pas
palavra por palavra, procuro chegar, devagar, ao lugar de La Loba.
"O silêncio", disse o griot,"só é escuro no começo..."
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sábado, 14 de fevereiro de 2015
A Diminuta Rainha Dragão-Dourado
Havia uma floresta densa, escura, onde inúmeras orquídeas e cipós e bromélias coloridas cresciam sobre grossos troncos de árvores velhas, e jovens palmeiras atravessavam as copas em busca do sol. O solo era úmido e cheio de vida em constante transformação, folhas secas se desfazendo e plântulas brotando e raízes se estendendo e cobrindo o início dos muros antigos de um pequeno forte de pedra, quadrado e sólido e coberto de musgo desde o portão baixo até desgastadas almeias. Ali perto, num galho retorcido, perto de um ninho vazio, pousou a diminuta rainha que chamo de Dragoa-Dourada. Vinda escapada de uma família controladora num reino deconectado, a fada-feiticeira, nessa forma minúscula de inseto-fada, viajara em busca de conhecimento, poder e uma base de operações. A floresta de Galilud e o pequeno forte abandonado serviriam aos seus propósitos, cheia que era a floresta de plantas e bichos e coisas diversas e interessantes. Em poucas horas arrumou sua casa -- a princípio quase um acampamento, enquanto as maravilhas da floresta chamavam sua atenção e impediam que se concentrasse em fazer do forte um castelo. Passava dias fora perseguindo ora um rebanho de capivaras, ora uma correição, ou então tentando estimar até onde iam as raízes de determinada árvore enorme, habitada por certa espécie de vagalumes que às vezes pareciam segui-la, atraídos por sua magia que se assemelhava à deles; quando voltava, lembrava-se de súbito de suas obrigações reais, e se dedicava a inspecionar a estrutura das paredes de pedra, ou a reconstruir o portão apodrecido, ou a mobiliar o interior do forte para que finalmente parecesse um castelo digno da dona daquelas terras. Quando o forte finalmente começava a parecer com um castelo (bandeiras hasteadas, tapeçarias penduradas, lustre aceso, portão instalado), a Rainha também já havia explorado em todas as direções vários quilômetros ao redor de sua nova casa, e alguns meses haviam se passado. A Rainha começou a sentir falta de companhia, não o tipo de companhia que os ratos e as minhocas lhe faziam, mas companhia falante, com quem conversar sobre todas as suas descobertas. Sendo uma mulher de ação, a rainha convocou uma montaria e partiu em uma direção qualquer, procurando por sinais de gente.
Mais alguns meses depois, a rainha Dragão-Dourado reapareceu em suas terras acompanhada de um homem, que acontecia de ser anão e medir apenas um metro e doze centímetros, e que vinha com seu cavalo ser o esposo da rainha e o cuidador do castelo. Para uma melhor relação com seu marido, a Rainha passou a usar uma forma de maior tamanho, ficando inclusive vários centímetros maior do que ele (na verdade, ela era uma rainha bastante alta). Juntos eles passeavam pela floresta, conversando sobre as árvores e os bichos, discutindo as antigas descobertas da Rainha e as novas descobertas que o marido e os outros novos habitantes que iam chegando observavam, coisas que haviam escapado ao primeiro olhar. Também faziam jantares, luais e bailes, quando não se reuniam apenas para trocar histórias, que a Rainha adorava ouvir, pois lhe ensinavam sobre todo o mundo que ela ainda não visitara. Nenhum deles, porém, estudava a Magia, e aos poucos a Rainha decidiu que o que ela queria era conhecer os grandes magos e aprender do mundo todos os feitiços. A dificuldade era que, já naquela época, os magos todos eram muito desconfiados uns dos outros, e ciumentos de seus conhecimentos, e se recusavam a compartilhar o que aprendiam a menos que fossem ganhar qualquer coisa com isso. A Rainha tinha apenas seu reino pequeno, e na verdade nada a oferecer a nenhum mago poderoso. Ficou sabendo, porém, que num reino vizinho havia uma rainha muito, muito influente, jovem e rica, com grande potencial, que tinha o amor e o respeito de todos, e de alguma forma conseguira convencer alguns dos maiores magos a lhe mostrarem seus talentos. A rainha Dragão ficou empolgada, mas se desesperou ao ouvir que esse reino vizinho também abominava feitiços e feiticeiras e toda forma de fada ou bruxa como ela mesma. Sabendo-se incapaz de se passar como maga, e muito pouco nobre para acompanhar a outra rainha, a Rainha Dragão elaborou um plano engenhoso: enviaria seu marido em seu cavalo ao o rico reino vizinho para oferecer de presente à jovem rainha um belíssimo e muito delicado colar dourado, de um ouro que reluzia em uma gama de cores, e cuja forma sugeria um dragão com chifres pontudos e uma longa cauda. O ponto chave do plano era que o colar de dragão na verdade era a própria Rainha Dragão transformada em dragão, e depois em colar - e enquanto a outra rainha a usasse em seu pescoço, a Rainha Dragão poderia ouvir todas as conversas que ela tivesse, e poderia aprender tudo sobre o reino vizinho, e outros reinos além, e todas as magias que todos os magos lhes mostrassem, sem temer ser queimada por feitiçaria.
Assim, seu marido partiu, com um pequeno séquito, e chegou sem incidentes ao reino vizinho, onde ocorreu uma pequena festa para apresentar hospitalidade aos viajantes. Porém, enquanto as belezas do castelo eram apresentadas aos hóspedes, surgiu um batalhão de monstros voadores, inimigos vindos de um país mais além, recomeçando uma guerra em um momento de despreparo. Começou uma batalha. Os monstros atacaram justamente o rei, a rainha e seus nobres mais próximos, e eles se defenderam como puderam, mas seus soldados mais treinados estavam espalhados pelas muralhas, e não conseguiam chegar para ajudar, pois os inimigos soltavam bafos de fogo que mantinham todos à distância. Pois então no meio da batalha um grande clarão cegou a todos por um instante, e depois, um grande dragão, com escamas douradas que brilhavam em muitas cores, surgiu. O dragão, ou devo dizer, dragoa, rugiu e cuspiu fogo e desorganizou a tropa inimiga, fazendo com que os monstros se desesperassem e batessem em retirada. A dragoa fez que ia perseguir os monstros, cuspiu mais um jato de fogo dourado, e então mais um clarão colorido, e de repente surgiu na destrambelhada multidão de costesões, hóspedes e soldados uma hóspede nova, estrangeira, alta, que de repente estava vestida com roupas muito comuns e sorria meio desconfortável, tentando desviar a atenção e parecer tão comum que ninguém jamais a confundiria com uma feiticeira! No meio da confusão, ela conseguiu se disfarçar por um tempo, conversar com algumas pessoas, e conforme as coisas iam se organizando, até trocar cumprimentos desajeitados com a outra rainha, que ainda estava tentando entender o que se passara. Porém aos poucos o grupo de pessoas foi se dando conta de que a estranha mulher não estivera ali um segundo antes, e uma suspeita foi se alastrando. A sorte foi que a essa altura a Rainha Dragão já conseguira recompôr suas magias e reencontrar seu marido, e assim, sutilmente, ela passou por trás de algumas pessoas e -- desapareceu. E de novo seu marido tinha um presente para oferecer à sua anfitriã, quando ela se recompusesse. Dada a confusão e a vergonha que era ter seus hóspedes atacados, a rainha aceitou o presente com exagerada gratidão, prometendo nunca tirá-lo do pescoço, em nome de uma prolongada amizade entre os reinos. Assim o marido da rainha Dragão voltou para casa trazendo alguns presentes e transformado temporariamente no novo rei do castelo de Galilud, e como novo Rei ele cuidou do castelo, das pessoas, dos bichos, das bromélias e das árvores por vários bons anos (ainda que um pouco solitários em alguns momentos) enquanto sua Rainha presenciava encontros e cerimônias, viagens diplomáticas e visitas de lazer, e, ainda mais importante, conferências com magos de todos os lugares, que lhes mostravam segredos e maravilhas que nenhum outro mago na terra haveria de ver.
Mais alguns meses depois, a rainha Dragão-Dourado reapareceu em suas terras acompanhada de um homem, que acontecia de ser anão e medir apenas um metro e doze centímetros, e que vinha com seu cavalo ser o esposo da rainha e o cuidador do castelo. Para uma melhor relação com seu marido, a Rainha passou a usar uma forma de maior tamanho, ficando inclusive vários centímetros maior do que ele (na verdade, ela era uma rainha bastante alta). Juntos eles passeavam pela floresta, conversando sobre as árvores e os bichos, discutindo as antigas descobertas da Rainha e as novas descobertas que o marido e os outros novos habitantes que iam chegando observavam, coisas que haviam escapado ao primeiro olhar. Também faziam jantares, luais e bailes, quando não se reuniam apenas para trocar histórias, que a Rainha adorava ouvir, pois lhe ensinavam sobre todo o mundo que ela ainda não visitara. Nenhum deles, porém, estudava a Magia, e aos poucos a Rainha decidiu que o que ela queria era conhecer os grandes magos e aprender do mundo todos os feitiços. A dificuldade era que, já naquela época, os magos todos eram muito desconfiados uns dos outros, e ciumentos de seus conhecimentos, e se recusavam a compartilhar o que aprendiam a menos que fossem ganhar qualquer coisa com isso. A Rainha tinha apenas seu reino pequeno, e na verdade nada a oferecer a nenhum mago poderoso. Ficou sabendo, porém, que num reino vizinho havia uma rainha muito, muito influente, jovem e rica, com grande potencial, que tinha o amor e o respeito de todos, e de alguma forma conseguira convencer alguns dos maiores magos a lhe mostrarem seus talentos. A rainha Dragão ficou empolgada, mas se desesperou ao ouvir que esse reino vizinho também abominava feitiços e feiticeiras e toda forma de fada ou bruxa como ela mesma. Sabendo-se incapaz de se passar como maga, e muito pouco nobre para acompanhar a outra rainha, a Rainha Dragão elaborou um plano engenhoso: enviaria seu marido em seu cavalo ao o rico reino vizinho para oferecer de presente à jovem rainha um belíssimo e muito delicado colar dourado, de um ouro que reluzia em uma gama de cores, e cuja forma sugeria um dragão com chifres pontudos e uma longa cauda. O ponto chave do plano era que o colar de dragão na verdade era a própria Rainha Dragão transformada em dragão, e depois em colar - e enquanto a outra rainha a usasse em seu pescoço, a Rainha Dragão poderia ouvir todas as conversas que ela tivesse, e poderia aprender tudo sobre o reino vizinho, e outros reinos além, e todas as magias que todos os magos lhes mostrassem, sem temer ser queimada por feitiçaria.
Assim, seu marido partiu, com um pequeno séquito, e chegou sem incidentes ao reino vizinho, onde ocorreu uma pequena festa para apresentar hospitalidade aos viajantes. Porém, enquanto as belezas do castelo eram apresentadas aos hóspedes, surgiu um batalhão de monstros voadores, inimigos vindos de um país mais além, recomeçando uma guerra em um momento de despreparo. Começou uma batalha. Os monstros atacaram justamente o rei, a rainha e seus nobres mais próximos, e eles se defenderam como puderam, mas seus soldados mais treinados estavam espalhados pelas muralhas, e não conseguiam chegar para ajudar, pois os inimigos soltavam bafos de fogo que mantinham todos à distância. Pois então no meio da batalha um grande clarão cegou a todos por um instante, e depois, um grande dragão, com escamas douradas que brilhavam em muitas cores, surgiu. O dragão, ou devo dizer, dragoa, rugiu e cuspiu fogo e desorganizou a tropa inimiga, fazendo com que os monstros se desesperassem e batessem em retirada. A dragoa fez que ia perseguir os monstros, cuspiu mais um jato de fogo dourado, e então mais um clarão colorido, e de repente surgiu na destrambelhada multidão de costesões, hóspedes e soldados uma hóspede nova, estrangeira, alta, que de repente estava vestida com roupas muito comuns e sorria meio desconfortável, tentando desviar a atenção e parecer tão comum que ninguém jamais a confundiria com uma feiticeira! No meio da confusão, ela conseguiu se disfarçar por um tempo, conversar com algumas pessoas, e conforme as coisas iam se organizando, até trocar cumprimentos desajeitados com a outra rainha, que ainda estava tentando entender o que se passara. Porém aos poucos o grupo de pessoas foi se dando conta de que a estranha mulher não estivera ali um segundo antes, e uma suspeita foi se alastrando. A sorte foi que a essa altura a Rainha Dragão já conseguira recompôr suas magias e reencontrar seu marido, e assim, sutilmente, ela passou por trás de algumas pessoas e -- desapareceu. E de novo seu marido tinha um presente para oferecer à sua anfitriã, quando ela se recompusesse. Dada a confusão e a vergonha que era ter seus hóspedes atacados, a rainha aceitou o presente com exagerada gratidão, prometendo nunca tirá-lo do pescoço, em nome de uma prolongada amizade entre os reinos. Assim o marido da rainha Dragão voltou para casa trazendo alguns presentes e transformado temporariamente no novo rei do castelo de Galilud, e como novo Rei ele cuidou do castelo, das pessoas, dos bichos, das bromélias e das árvores por vários bons anos (ainda que um pouco solitários em alguns momentos) enquanto sua Rainha presenciava encontros e cerimônias, viagens diplomáticas e visitas de lazer, e, ainda mais importante, conferências com magos de todos os lugares, que lhes mostravam segredos e maravilhas que nenhum outro mago na terra haveria de ver.
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Sonho dahora
Hoje eu tive um daqueles sonhos animais que só acontecem quando a pessoa escritora dentro de mim resolve acordar e escrever meus sonhos. Obrigado, Ho-w.
Na primeira cena de que me lembro, eu e alguns amigs estávamos invadindo uma mega-mansão, dessas com salas do tamanho de duas casas, muitos quartos, tapetes, sofás enormes, TVs enormes e móveis de madeira maciça e tal, além de uma área externa fantástica, com varandas, cadeiras de sol, e uma piscina do tamanho de mais uma casa ou duas. Nós entramos quebrando as fechaduras e sem nenhuma preocupação com os alarmes, e exploramos o primeiro e o segundo andar (onde ficavam as suítes luxuosas com camas king-size e banheiros do tamaho do quarto) antes de decidirmos só nos jogarmos na piscina. Claro que o alarme começou a tocar, mas continuamos nadando e nos divertindo porque a água estava ótima. A piscina ficava do lado de um jardim lateral e depois dele tinha um portão gigantesco de grade, de onde dava pra ver a rua tranqüila. Eu entrei na cozinha pra pegar uma água ou algo assim e o telefone começou a tocar -- era a dona da casa, e ela logo percebeu que eu não era da família e chamou a políca.
Eu voltei pra piscina pra chamar a galera pra ir embora, mas a galera tava se divertindo demais. Eu dei mais um mergulho na piscina (eu queria atravessar a piscina por baixo dágua como sempre faço, mas no meio do pulo lembrei que estava com minhas roupas secas na mão e isso atrapalhou tudo), e a polícia chegou, vestida de verde e boné como no exército, correndo e gritando pra pegar a gente. Todos saímos correndo e fugindo da piscina - eu saí pelo fundo, correndo em direção ao portão, e consegui pular no portão e estava atravessando entre as grades, mas o cara que estava me perseguindo me pegou nessa hora. Aí tudo ficou diferente. O cara que estava me perseguindo, um policial todo bonito e gostoso e que já tinha perdido o boné, era um velho conhecido meu e em vez de me prender, ele deu um sorriso pra mim (wtf?), eu beijei ele na boca e perguntei o que ia rolar agora, ele me mandou segurar bem minhas mochilas e me puxou pelo braço, correndo tão rápido que eu literalmente não conseguia encostar no chão (essa coisa do bad-guy ser meu velho amigo e amante me lembra muito as histórias que eu inventava aos treze anos. Ho-w, vc não mudou em nada, gats).
Nessa parte acho que tinha dois "policiais" me puxando, e as mochilas que eu carregava tinham cada uma uma espada animal com uma bainha muito loca que tinha o mesmo padrão do cabo. Aconteceram umas coisas confusas, nós nos perdemos, quase perdi as mochilas várias vezes, acho que um doa policiais se perdeu tb, e o sonho foi ficando bizarro.
Aí eu estava procurando por um dos caras (n tenho certeza se eram ainda os "policiais") que tinha se perdido da gente, o Bryan, que era um cara bonitinho com rosto redondo e cabelo preto meio no rosto assim. E ele tinha superpoderes, mas n lembro quais. Eu fui pedir ajuda pro outro bróder (que talvez fosse o policial bonitão?) que (usem sua imaginação de anime aqui) era color-coded cinza, e tinha cabelos compridos e cinzas, ou talvez fossem grandes orelhas cinzas pq eu fico pensando nele como um coelho apesar de supostamente ser humano. Ele tava num lugar que era uma loja de quadrinhos ou antro nerd ou restaurante japonês com aquelas salinhas com mesas baixas e almofadas, e ele tinha uma vibe de Japão de modo geral. Eu pedi ajuda pra ele e passamos na frente de uma mesinha cheia de miniaturas e uma parecia um super-saiajin nível 3 Vegeta com aquele cabelo compridão cinza e eu perguntei "Isso aqui era pra ser você?" e ele meio que riu e deu de ombros pq era sim, mas fazer o quê.
Então ele disse que eu precisava ir conversar com aqueles cachorros vadios que estavam dormindo ao longo da calçada do outro lado da rua, e que pra me ajudar ele ia me dar os poderes dele (ôbaaa adoro quando me dão mais poderes!). Ele fez alguma coisa, acho que soprou na minha boca ou algo assim, e eu ganhei os poderes dele; mas também ganhei outras características dele, por isso agora eu precisava fumar um charuto estorado cujo gosto não parecia em nada com o de charutos ou coisas de fumar em geral.
Eu fiquei de quatro e galopei até os cachorros, que agora eu enxergava como se fossem pessoas, provavelmente pq eu tinha virado um cachorro. Andar de quatro ela confortável. Os cachorros estavam todos batendo papo uns com os outros e quando eu perguntei do Bryan eles falaram pra eu ir falar com aquele grupinho ali do lado, mais pro canto do grupo de cachorros; eu olhei pra lá e vi que tinha uma rodinha de meus amigos, Erica, Pizza, Iara, Renex, Lulão estavam lá, assim como um guri que parecia o Bryan! Eu corri até eles e batemos um papo, eles me perguntaram sobre o charuto e eu expliquei, mas o cara que parecia o Bryan na verdade era o Oka, ou o Cid, ou uma mistura dos dois. De qualquer forma OkaCid não era o Bryan, mas agora eu sabia que Bryan parecia o OkaCid.
Nessa hora eu acho que acordei e voltei a dormir, por isso o sonho não tem continuidade e eu esqueci um bom pedaço no qual eu lutava com pessoas e usava meus poderes lupinos e tal.
De repente nós estávamos numa escola (minha escola de primário) e precisávamos aprender os poderes, que eram sete, ou nove, algum número mágico assim. Um dos caras que tinham poderes era o cara cinza, inclusive. Mas eu tinha uma vantagem porque eu já tinha os meus poderes inatos de lobo (que é só uma coisa que eu tenho, não pergunte).
Só que os poderes eram muito diferentes do normal, eram mais poderes de invocação do que de transformação, que é mais normal. Por exemplo, quando estávamos no nosso bote que andava pelas ruas da cidade e uns caras do mal tentaram pegar a gente, eu invoquei uns lobinhos que pularam em cima deles. Quando o normal obviamente seria eu virar um lobão e pular em cima deles.
O primeiro professor que ia ensinar poderes pra gente era o do poder de eletrônica. Eu não sei por que tinha um poder de eletrônica, acho que porque eu passei os últimos dias completamente imerso em eletrônica (no mundo real, não no sonho). Então esse cara tinha o poder se invocar uns circuitos elétricos e uns robozinhos, que às vezes ficavam invisíveis quando ele meio que parava de invocar eles completamente. Ele quis fazer um teste com a turma e eu me voluntariei, e seguiu-se uma luta entre eu e ele, na qual ele criava e adaptava seus robozinhos voadores (eles tinham umas hélices na cabeça) e eu me defenda e atacava os robozinhos com aquela minha espada dahora e com meus dedos transformados em garras e com lobinhos invocados.
Eu não me lembro muito do final do sonho, mas acho que acordei antes do final da luta.
Na primeira cena de que me lembro, eu e alguns amigs estávamos invadindo uma mega-mansão, dessas com salas do tamanho de duas casas, muitos quartos, tapetes, sofás enormes, TVs enormes e móveis de madeira maciça e tal, além de uma área externa fantástica, com varandas, cadeiras de sol, e uma piscina do tamanho de mais uma casa ou duas. Nós entramos quebrando as fechaduras e sem nenhuma preocupação com os alarmes, e exploramos o primeiro e o segundo andar (onde ficavam as suítes luxuosas com camas king-size e banheiros do tamaho do quarto) antes de decidirmos só nos jogarmos na piscina. Claro que o alarme começou a tocar, mas continuamos nadando e nos divertindo porque a água estava ótima. A piscina ficava do lado de um jardim lateral e depois dele tinha um portão gigantesco de grade, de onde dava pra ver a rua tranqüila. Eu entrei na cozinha pra pegar uma água ou algo assim e o telefone começou a tocar -- era a dona da casa, e ela logo percebeu que eu não era da família e chamou a políca.
Eu voltei pra piscina pra chamar a galera pra ir embora, mas a galera tava se divertindo demais. Eu dei mais um mergulho na piscina (eu queria atravessar a piscina por baixo dágua como sempre faço, mas no meio do pulo lembrei que estava com minhas roupas secas na mão e isso atrapalhou tudo), e a polícia chegou, vestida de verde e boné como no exército, correndo e gritando pra pegar a gente. Todos saímos correndo e fugindo da piscina - eu saí pelo fundo, correndo em direção ao portão, e consegui pular no portão e estava atravessando entre as grades, mas o cara que estava me perseguindo me pegou nessa hora. Aí tudo ficou diferente. O cara que estava me perseguindo, um policial todo bonito e gostoso e que já tinha perdido o boné, era um velho conhecido meu e em vez de me prender, ele deu um sorriso pra mim (wtf?), eu beijei ele na boca e perguntei o que ia rolar agora, ele me mandou segurar bem minhas mochilas e me puxou pelo braço, correndo tão rápido que eu literalmente não conseguia encostar no chão (essa coisa do bad-guy ser meu velho amigo e amante me lembra muito as histórias que eu inventava aos treze anos. Ho-w, vc não mudou em nada, gats).
Nessa parte acho que tinha dois "policiais" me puxando, e as mochilas que eu carregava tinham cada uma uma espada animal com uma bainha muito loca que tinha o mesmo padrão do cabo. Aconteceram umas coisas confusas, nós nos perdemos, quase perdi as mochilas várias vezes, acho que um doa policiais se perdeu tb, e o sonho foi ficando bizarro.
Aí eu estava procurando por um dos caras (n tenho certeza se eram ainda os "policiais") que tinha se perdido da gente, o Bryan, que era um cara bonitinho com rosto redondo e cabelo preto meio no rosto assim. E ele tinha superpoderes, mas n lembro quais. Eu fui pedir ajuda pro outro bróder (que talvez fosse o policial bonitão?) que (usem sua imaginação de anime aqui) era color-coded cinza, e tinha cabelos compridos e cinzas, ou talvez fossem grandes orelhas cinzas pq eu fico pensando nele como um coelho apesar de supostamente ser humano. Ele tava num lugar que era uma loja de quadrinhos ou antro nerd ou restaurante japonês com aquelas salinhas com mesas baixas e almofadas, e ele tinha uma vibe de Japão de modo geral. Eu pedi ajuda pra ele e passamos na frente de uma mesinha cheia de miniaturas e uma parecia um super-saiajin nível 3 Vegeta com aquele cabelo compridão cinza e eu perguntei "Isso aqui era pra ser você?" e ele meio que riu e deu de ombros pq era sim, mas fazer o quê.
Então ele disse que eu precisava ir conversar com aqueles cachorros vadios que estavam dormindo ao longo da calçada do outro lado da rua, e que pra me ajudar ele ia me dar os poderes dele (ôbaaa adoro quando me dão mais poderes!). Ele fez alguma coisa, acho que soprou na minha boca ou algo assim, e eu ganhei os poderes dele; mas também ganhei outras características dele, por isso agora eu precisava fumar um charuto estorado cujo gosto não parecia em nada com o de charutos ou coisas de fumar em geral.
Eu fiquei de quatro e galopei até os cachorros, que agora eu enxergava como se fossem pessoas, provavelmente pq eu tinha virado um cachorro. Andar de quatro ela confortável. Os cachorros estavam todos batendo papo uns com os outros e quando eu perguntei do Bryan eles falaram pra eu ir falar com aquele grupinho ali do lado, mais pro canto do grupo de cachorros; eu olhei pra lá e vi que tinha uma rodinha de meus amigos, Erica, Pizza, Iara, Renex, Lulão estavam lá, assim como um guri que parecia o Bryan! Eu corri até eles e batemos um papo, eles me perguntaram sobre o charuto e eu expliquei, mas o cara que parecia o Bryan na verdade era o Oka, ou o Cid, ou uma mistura dos dois. De qualquer forma OkaCid não era o Bryan, mas agora eu sabia que Bryan parecia o OkaCid.
Nessa hora eu acho que acordei e voltei a dormir, por isso o sonho não tem continuidade e eu esqueci um bom pedaço no qual eu lutava com pessoas e usava meus poderes lupinos e tal.
De repente nós estávamos numa escola (minha escola de primário) e precisávamos aprender os poderes, que eram sete, ou nove, algum número mágico assim. Um dos caras que tinham poderes era o cara cinza, inclusive. Mas eu tinha uma vantagem porque eu já tinha os meus poderes inatos de lobo (que é só uma coisa que eu tenho, não pergunte).
Só que os poderes eram muito diferentes do normal, eram mais poderes de invocação do que de transformação, que é mais normal. Por exemplo, quando estávamos no nosso bote que andava pelas ruas da cidade e uns caras do mal tentaram pegar a gente, eu invoquei uns lobinhos que pularam em cima deles. Quando o normal obviamente seria eu virar um lobão e pular em cima deles.
O primeiro professor que ia ensinar poderes pra gente era o do poder de eletrônica. Eu não sei por que tinha um poder de eletrônica, acho que porque eu passei os últimos dias completamente imerso em eletrônica (no mundo real, não no sonho). Então esse cara tinha o poder se invocar uns circuitos elétricos e uns robozinhos, que às vezes ficavam invisíveis quando ele meio que parava de invocar eles completamente. Ele quis fazer um teste com a turma e eu me voluntariei, e seguiu-se uma luta entre eu e ele, na qual ele criava e adaptava seus robozinhos voadores (eles tinham umas hélices na cabeça) e eu me defenda e atacava os robozinhos com aquela minha espada dahora e com meus dedos transformados em garras e com lobinhos invocados.
Eu não me lembro muito do final do sonho, mas acho que acordei antes do final da luta.
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Disforia é quando tem um dragão saindo do nosso peito e devorando as almas das pessoas imortais à nossa volta?
O jantar está servido e eu só tenho olhos olhos olhos
Minhas mãos afagam meu coração tem pêlos.
Por que os senhores atiraram suas palavras frias contra mim?
O branco gelo engole minhas panturrilhas
Eu não sou gay, eu não sou viado, eu não sou sapatão, eu não sou mulher
Suas raposinhas são demais pra mim
Cale a sua boca seu menino lindo femme fofo, tão jovem tão... Eu nunca poderia usar raposinhas assim
Eu acho seu vestido lindo em você, não em mim
Eu não sou você, eu não sou dos seus
Eu não sou bofinho, eu jamais serei
Eu não sou bi, eu não sou gay, eu não sou "heterossexual" eu nem sei o que são essas coisas
Às vezes eu sinto tesão olhando o céu, o mar, o tronco de uma árvore, os pelos de um cachorrinho
Eu nem sei do que vocês estão falando
--- Parece que nós somos a minoria aqui, né?
--- Ahn... "nós"? Quem somos nós?
Quem somos "nós"? Nós o quê? Quando você diz "nós", o que é que você vê em mim? Quem eu sou? Quem eu sou? Eu arranco seu coração com as tripas seu coração com os dentes mas é o meu coração e é você quem arranca
Eu quero meter as garras em algum pedaço muito violento de você
Sua boca
Seus olhos
Eu sentei de frente para eles e elas e roí todas as minhas unhas
Eu preciso saber, eu preciso saber
Deixa eu me recompôr, deixa eu me recompôr
No meu sonho minha mãe sabia.
No meu sonho minha mãe sabia.
No meu sonho minha mãe sabia.
No meu sonho minha mãe sabia.
No meu sonho minha mãe sabia.
Ela sabia. Eu contei. Ela sabia sim.
Ela achava que tudo bem.
Ela aceitava naturalmente.
Ela não fazia nenhuma objeção.
Nenhum "é só uma fase"
Nenhum "eu também já senti isso mas"
Nenhum "mas"
Nenhuma objeção.
Cada letra que eu escrevo e eu escrevo letra por letra me faz me sentir um pouco menos dragão demônio violência assassinado dentes
No meu sonho ela achava tudo bem.
Catarse-desabafo.
No meu sonho tava tudo bem.
Só é importante pra mim.
Hoje eu encontrei duas velhinhas que me cederam lugar na mesa delas que tinha menos espaço que todas as outras mesas mas elas eram duas velhinhas muito gente-boas e uma delas tinha problemas nos rins e por isso uma artérias ligada numa veia que fazia um zunido como uma máquinha e eu disse que o meu nome era Marina porque elas eram velhinhas e velhinhas são como se fossem famílias e eu quero família como se fosse família minha família não precisa se envolver com a minha identidade sexualidade e toda a verdade da minha vida e minha família pode me chamar pelo meu nome de família que minha mãe me deu mas eu também não
não quero me esconder.
e mas
Hoje eu encontrei um garoto e ele me perguntou qual era o meu nome pra saber se ele já tinha ouvido falar de mim e eu disse "
meu nome costumava ser Marina
"
E eu digo sempre assim, costumava ser, por favor não me chamem mais por esse nome, a menos que você seja tipo família, ou alguém que já me conheceu com esse nome antes como se fosse família mas pessoas novas simplesmente não podem me chamar assim.
"marina"
As pessoas ficam me perguntando "qual seu nome de verdade" e eu tenho vontade de dar respostas atravessadas mas eu nunca dou.
Uma vez aconteceu de:
--- Meu nome é Oz (e estendi a mão)
--- Mas esse é seu nome de verdade?
--- Bem... meus pais me chamam de Marina. Mas só meus pais, eu prefiro que me chame de Oz.
--- Muito prazer, Marina.
E eu aqui remoendo essa raiva, como se fosse invisível essa gressão medida, deliberada, eu quero mais é mandar você... Mas minha voz se cala porque todos os insultos são errados, eu quero é cagar no seu Deus, cuspir em você, derrubar seu Deus como você sem dúvida derruba o meu. Um dragão que nasce da minha garganta mas não consegue sair e se volta pra dentro devorando as minhas entranhas eu te odeio eu te odeio mas violência gera mais violência mas eu te odeio tanto eu quero tanto que você morra.
Malditos peitos e florzinhas nessa camisa linda que são só o suficiente pra vocês não aceitarem quando eu digo que EU NÃO SOU CIS, pare de me tratar como se fosse minimamente razoável me tratar como você não trataria o seu bróder pára de me tratar como se eu achasse minimamente razoável esse ridículo tratamente diferencial nos seus ridículos gêneros definidos socialmente por ridículas diferenças de uma biologia social que não passa de uma imposição sobre as verdades pessoas das vivências pessoais não acadêmicas de pessoas reais, como se fosse necessário ter um diploma e falar "português correto" e concordar com pelo menos uma escola de autores consagrados e de preferência mortos pra ser capaz de dizer uma coisa que seja verdade e não seja uma tautologia.
Tire as mãos do meu corpo, tire a sua bocas do meu corpo; Tire a sua língua nojenta de dois mil anos de cultura ocidental normatizante generificada impositiva do meu corpo vivo, real, animal, feito da mesma madeira dessa terra fértil que você esterilizaria se pudesse controlar, porque no fundo você não consegue aceitar um mundo que não possa ser contido pela sua cultura científica dentro dessa estrutura de poder intelectual, bom newsflash seu babaca, isso não é ciência, ciência não é saber explicar apenas o que você se digna a ver, ciência é saber aceitar mesmo a magia, o milagre, o absurdo, e explicar mesmo isso, e nunca rejeitar uma coisa que foi de fato observada. Mas meu corpo não é seu objeto de estudo, meu corpo é o meu corpo, meu corpo existe e é real e eu quero mais é que você suma daqui com seus olhos estúpidos que só conseguem me enxergar através do que a sua cultura generista é capaz de identificar no corpo que você só consegue explicar através dos seus ridículos livros de psicosóciobiologia que são só uma faceta, uma redução do real, e induzem ao erro na sua simplicidade. Você diria que a luz do sol está caindo na terra, atraída pela gravidade? Uma única teoria não explica tudo. Mas eu sei que a questão aqui não é científica, é política.
Tire seus olhos desavisados e desconhecidos e normatizados do meu corpo.
Desabafo.
Tautologia.
Catarse.
Hoje o menino me pergunto "E qual é o seu nome hoje?" e eu respondi "Oz. No facebook tá Ozzer". Mas era o menino que estava lá, que tinha ido atráz, um que tinha se disposto minimamenta e entender. Eles são tão raros.
Disforia é quando a gente sente raiva por umas coisas estúpidas tipo não acreditarem quando a gente fala o próprio nome? É quando a gente sente monstros invisíveis devorando todas as partes do nosso corpo por causa de um simples olhar, um jeito de falar, ou perguntar, ou sugerir?
Eu me sinto cansado. Eu mal nasci e já me sinto cansado. Get your act together, Ozzer, stop fooling around.
É assim que a gente se sente? Quando a máscara cai e as pessoas enchergam através de nós, não o que somos de verdade mas os pedaços nus que nos compões e que entretando não nos definem, e são sempore menos que nós? Quando a performance falha e as pessoas enchergam não o que somos mas o que falhamos em ser? Quando o personagem se desmonta e se desmancha numa pilha de entranhas e ossos no chão, um sem sentido, um desconstruído, quando enchergam aquém de nós, e deixamos de ser um todo coeso para sermos um não-ser, uma máquina-monstro-carne que anda e fala apenas por desígnio de um acaso biológico? Quando deixamos de ser um indivíduo para nos tornarmos uma peça num sistema cistêmico onde o que somos é determinado meramente pelas propriedades físicas que apresentados nas mentes proto-científicas de nossos pares que disparam seus olhares contra nos? É assim que a gente se sente, quando se deixa de existir?
(Also, por que bofinhos depilam as pernas?)
Minhas mãos afagam meu coração tem pêlos.
Por que os senhores atiraram suas palavras frias contra mim?
O branco gelo engole minhas panturrilhas
Eu não sou gay, eu não sou viado, eu não sou sapatão, eu não sou mulher
Suas raposinhas são demais pra mim
Cale a sua boca seu menino lindo femme fofo, tão jovem tão... Eu nunca poderia usar raposinhas assim
Eu acho seu vestido lindo em você, não em mim
Eu não sou você, eu não sou dos seus
Eu não sou bofinho, eu jamais serei
Eu não sou bi, eu não sou gay, eu não sou "heterossexual" eu nem sei o que são essas coisas
Às vezes eu sinto tesão olhando o céu, o mar, o tronco de uma árvore, os pelos de um cachorrinho
Eu nem sei do que vocês estão falando
--- Parece que nós somos a minoria aqui, né?
--- Ahn... "nós"? Quem somos nós?
Quem somos "nós"? Nós o quê? Quando você diz "nós", o que é que você vê em mim? Quem eu sou? Quem eu sou? Eu arranco seu coração com as tripas seu coração com os dentes mas é o meu coração e é você quem arranca
Eu quero meter as garras em algum pedaço muito violento de você
Sua boca
Seus olhos
Eu sentei de frente para eles e elas e roí todas as minhas unhas
Eu preciso saber, eu preciso saber
Deixa eu me recompôr, deixa eu me recompôr
No meu sonho minha mãe sabia.
No meu sonho minha mãe sabia.
No meu sonho minha mãe sabia.
No meu sonho minha mãe sabia.
No meu sonho minha mãe sabia.
Ela sabia. Eu contei. Ela sabia sim.
Ela achava que tudo bem.
Ela aceitava naturalmente.
Ela não fazia nenhuma objeção.
Nenhum "é só uma fase"
Nenhum "eu também já senti isso mas"
Nenhum "mas"
Nenhuma objeção.
Cada letra que eu escrevo e eu escrevo letra por letra me faz me sentir um pouco menos dragão demônio violência assassinado dentes
No meu sonho ela achava tudo bem.
Catarse-desabafo.
No meu sonho tava tudo bem.
Só é importante pra mim.
Hoje eu encontrei duas velhinhas que me cederam lugar na mesa delas que tinha menos espaço que todas as outras mesas mas elas eram duas velhinhas muito gente-boas e uma delas tinha problemas nos rins e por isso uma artérias ligada numa veia que fazia um zunido como uma máquinha e eu disse que o meu nome era Marina porque elas eram velhinhas e velhinhas são como se fossem famílias e eu quero família como se fosse família minha família não precisa se envolver com a minha identidade sexualidade e toda a verdade da minha vida e minha família pode me chamar pelo meu nome de família que minha mãe me deu mas eu também não
não quero me esconder.
e mas
Hoje eu encontrei um garoto e ele me perguntou qual era o meu nome pra saber se ele já tinha ouvido falar de mim e eu disse "
meu nome costumava ser Marina
"
E eu digo sempre assim, costumava ser, por favor não me chamem mais por esse nome, a menos que você seja tipo família, ou alguém que já me conheceu com esse nome antes como se fosse família mas pessoas novas simplesmente não podem me chamar assim.
"marina"
As pessoas ficam me perguntando "qual seu nome de verdade" e eu tenho vontade de dar respostas atravessadas mas eu nunca dou.
Uma vez aconteceu de:
--- Meu nome é Oz (e estendi a mão)
--- Mas esse é seu nome de verdade?
--- Bem... meus pais me chamam de Marina. Mas só meus pais, eu prefiro que me chame de Oz.
--- Muito prazer, Marina.
E eu aqui remoendo essa raiva, como se fosse invisível essa gressão medida, deliberada, eu quero mais é mandar você... Mas minha voz se cala porque todos os insultos são errados, eu quero é cagar no seu Deus, cuspir em você, derrubar seu Deus como você sem dúvida derruba o meu. Um dragão que nasce da minha garganta mas não consegue sair e se volta pra dentro devorando as minhas entranhas eu te odeio eu te odeio mas violência gera mais violência mas eu te odeio tanto eu quero tanto que você morra.
Malditos peitos e florzinhas nessa camisa linda que são só o suficiente pra vocês não aceitarem quando eu digo que EU NÃO SOU CIS, pare de me tratar como se fosse minimamente razoável me tratar como você não trataria o seu bróder pára de me tratar como se eu achasse minimamente razoável esse ridículo tratamente diferencial nos seus ridículos gêneros definidos socialmente por ridículas diferenças de uma biologia social que não passa de uma imposição sobre as verdades pessoas das vivências pessoais não acadêmicas de pessoas reais, como se fosse necessário ter um diploma e falar "português correto" e concordar com pelo menos uma escola de autores consagrados e de preferência mortos pra ser capaz de dizer uma coisa que seja verdade e não seja uma tautologia.
Tire as mãos do meu corpo, tire a sua bocas do meu corpo; Tire a sua língua nojenta de dois mil anos de cultura ocidental normatizante generificada impositiva do meu corpo vivo, real, animal, feito da mesma madeira dessa terra fértil que você esterilizaria se pudesse controlar, porque no fundo você não consegue aceitar um mundo que não possa ser contido pela sua cultura científica dentro dessa estrutura de poder intelectual, bom newsflash seu babaca, isso não é ciência, ciência não é saber explicar apenas o que você se digna a ver, ciência é saber aceitar mesmo a magia, o milagre, o absurdo, e explicar mesmo isso, e nunca rejeitar uma coisa que foi de fato observada. Mas meu corpo não é seu objeto de estudo, meu corpo é o meu corpo, meu corpo existe e é real e eu quero mais é que você suma daqui com seus olhos estúpidos que só conseguem me enxergar através do que a sua cultura generista é capaz de identificar no corpo que você só consegue explicar através dos seus ridículos livros de psicosóciobiologia que são só uma faceta, uma redução do real, e induzem ao erro na sua simplicidade. Você diria que a luz do sol está caindo na terra, atraída pela gravidade? Uma única teoria não explica tudo. Mas eu sei que a questão aqui não é científica, é política.
Tire seus olhos desavisados e desconhecidos e normatizados do meu corpo.
Desabafo.
Tautologia.
Catarse.
Hoje o menino me pergunto "E qual é o seu nome hoje?" e eu respondi "Oz. No facebook tá Ozzer". Mas era o menino que estava lá, que tinha ido atráz, um que tinha se disposto minimamenta e entender. Eles são tão raros.
Disforia é quando a gente sente raiva por umas coisas estúpidas tipo não acreditarem quando a gente fala o próprio nome? É quando a gente sente monstros invisíveis devorando todas as partes do nosso corpo por causa de um simples olhar, um jeito de falar, ou perguntar, ou sugerir?
Eu me sinto cansado. Eu mal nasci e já me sinto cansado. Get your act together, Ozzer, stop fooling around.
É assim que a gente se sente? Quando a máscara cai e as pessoas enchergam através de nós, não o que somos de verdade mas os pedaços nus que nos compões e que entretando não nos definem, e são sempore menos que nós? Quando a performance falha e as pessoas enchergam não o que somos mas o que falhamos em ser? Quando o personagem se desmonta e se desmancha numa pilha de entranhas e ossos no chão, um sem sentido, um desconstruído, quando enchergam aquém de nós, e deixamos de ser um todo coeso para sermos um não-ser, uma máquina-monstro-carne que anda e fala apenas por desígnio de um acaso biológico? Quando deixamos de ser um indivíduo para nos tornarmos uma peça num sistema cistêmico onde o que somos é determinado meramente pelas propriedades físicas que apresentados nas mentes proto-científicas de nossos pares que disparam seus olhares contra nos? É assim que a gente se sente, quando se deixa de existir?
(Also, por que bofinhos depilam as pernas?)
segunda-feira, 18 de março de 2013
Heart's Desire?
Isto foi quinta ou sexta passada... Depois de você me dar um bolo, e de eu procurá-la para me consolar e de ela me procurar por sua causa. Depois de conversar com ela. Eu tive dois ou três sonhos com ela, cada um mais interessante que o anterior. No primeiro sonho, duas semanas atrás, logo depois de conhecê-la, eu decidia que eu não me interessava mais por homens, por causa dela. Neste sonho...
Era uma casa de praia ou algo assim. Havia várias garotas, amigas de amigos, que haviam me sido apresentadas naquele dia. Lindas (como as garotas que você me apresenta costumam ser, não?). Eu queria seduzi-las, queria tocá-las, todas ou uma de cada vez, enquanto nós estávamos sentadas no chão dessa espécie de cabana num sítio. Elas... não sei, talvez elas refutassem meus sinais. Ou talvez elas aceitassem-nos, mas levemente, sem compromisso, sem -- sem darem-se, entende? Frustrada, eu me afastei, alguém -- um homem, talvez ele, talvez você -- me chamou. Esse homem me chamou debaixo do batente da porta, um lugar escuro, entre a sala e a varanda, e, das sombras, me ofereceu algo para tomar -- um beijo, talvez -- e me disse: "Com isto, você vai sair deste sonho e sonhar com aquilo que você mais deseja." Eu sorvi (um beijo?) cheia de dúvidas, curiosa, queria mesmo descobrir meu maior desejo, mas será que essas coisas mágicas funcionam? Saí da cabana, lá fora fazia sol, era bonito, minha mãe e meus irmãos -- ainda meio crianças -- conversavam alegres e despreocupados ao redor de uma daquelas mesas de madeiras pesadas que meu avô (foi mesmo meu avô?) fez a partir de caixotões tirados de navios (ou era outra a história?). Ao lado de minha mãe, que vestia aquele vestido de flores rosas que ela ainda tem, estava meu primo, o Urso. Meu coração se apertou um pouco com a visão, saudades, compreensão, mas que sonho mais óbvio.. É claro que ao lado deles, sentada em cadeira de praia, usando biquíni desconjuntado de tecidos engruvinhados (um sutiã com um motivo complexo, verde escuro, uma calcinha preta, por exemplo) e um chapéu de palha, estava minha tia, jovem, magra, meio vermelha de sol e coberta de pintas, com o cabelo castanho comprido e ondulado, falando alguma coisa naquela voz dela -- aquela Voz que ela tinha. Do lado dela a Puca com cara de senhora, aquele cabelo comprido de Branca de Neve, um vestido longo sério e primaveril, nada parecida com a imagem que eu tenho de verdade dela. Que grande mágica, esta, eu pensava meio amargurada, enquanto iam aparecendo os outros personagens desta cena idílica, Max, Sé, Rita... Mêdo e saudade -- que previsível! -- virei a cara e fui na outra direção. O sonho atrás de mim silenciou, eu sabia que estava acordando, quando vi a moto na minha frente meu primeiro pensamento foi "Agora não, estou acordada, não vou mais conseguir descobrir meu maior desejo de verdade!"
Montei na moto -- uma moto grande para mim, com tinta metalizada, design agressivo e... e uma cestinha de bicicleta, dessa que nossas bikes tinham quando a gente era pequeno e ia passear em Santo Amaro, ficar dando voltas no campinho de futebol. Montei na minha moto linda e disparei, saltando da varanda, descendo a escada, atravessando um jardim suspeitamente parecido com o da minha avó morta, subindo uma ladeira que era mais um muro para sair no caminhozinho (que de fato existia na casa da minha avó) que ia levar a (a casinha de telhado em V onde dormia a empregada) o Castelo.
Eu ri comigo mesma agora que eu sabia que eu estava num sonho, e mais que isso, que eu era A Lôba, que meus poderes super-heróicos me permitiriam vencer qualquer desafio, salvar todos os meus amigos, e ser admirada, reconhecida e às vezes respeitosamente temida. O Caminho era reto, estreito e longo, dentro de uma Mata Atlântica escura, como numa trilha que fazemos por lugares bonitos e conservados. Por essa estrada passavam umas pessoas tristes, do lado direito, em fila única, mas afastadas em intervalos irregulares, porque caminhavam sozinhas. A pessoa logo à minha frente, eu vi quando decidi ultrapassá-la, era ela. Ela usava um capuz, mas por baixo do capuz eu vi seu cabelo tão loiro que brilhava como num quadro do Rembrant. Mas não era ela, ela. Ela estava triste, mas eu não. Eu sou invencível. Eu chamei-a para subir na moto comigo, trocamos algumas palavras, na minha frente, pelo lado esquerdo, vinha um caminhão pela outra mão. Urgi; ela subiu, de túnica mesmo, e disparamos, desviando das pobres pessoas que tinham que aguentar o caminho e o aperto do caminhão. Disparamos, e no final daquela trilha reta estava O Castelo, alto, cheio de torres imponentes, um castelo Disney só que negro, numa perspectiva estranha como num quadrinho, para ressaltar o portão enorme na frente (aliás, falando em portões, me lembre de contar a história do jogo dos Pôneis). Na frente do portão, estavam os Guardas, um vestindo uma armadura de placas lisas de madeira, e o outro usando uma armadura estranha, que tinha bolas ocas como seios no peito, e no cinturão tinha uma tora de madeira que queria significar um pênis gigante. Tive a impressão de que esse guarda tinha peitos, mas não achei que fosse uma mulher.
Estávamos numa casa de campo de algum tipo, com quartos de visita e armários vazios. Fomos lutando com os guardas, usando paus contra os bastões e a armadura deles, casa adentro. Eu e ela nos separamos, havia um terceiro homem, e ela estava lutando com ele enquanto eu lutava com os dois guardas -- uma luta estranha, ritual, que foi misturando danças sexuais envolvendo a estranha armadura-arma que ele usava, aquele pênis gigante ora servia como um bastão ou um porrete, ora como um pau. Até que o outro guarda, o do peito plano, apareceu gritando e fazendo um escarcéu, que eu era uma vadia, que queria roubar o homem dele (acho que então eram um casal gay), e querendo me bater, me matar, briguei com ele (eu sou invencível) enquanto o convencia de que não, seu maluco, é só uma dança-luta-ritual, não estamos fazendo sexo, puxa vida. Subjuguei o casal de guardas e fui procurar por ela, que estava tentando assassinar um homem, batendo nele e jogando coisas de vidro na cabeça dele. Tentamos impedi-la, eu e -- outro homem -- tentamos convencê-la de que ela não precisava matar, nós nem estávamos entendendo o que estava acontecendo. Ela jogou um aquário gigante na cabeça do moço desacordado, e a cabeça dele rolou pelo chão. Eu me desesperei por um momento, mas ela começou a chorar de novo, disse que era de mentira, o moço de verdade estava escondido (desacordado) debaixo da cama, ela nem coragem de matá-lo tinha, que merda ter tanto ódio e sequer conseguir dar o troco que merece.
E como costuma acontecer com os sonhos interessantes, esse também nem acabou, e eu acordei.
Era uma casa de praia ou algo assim. Havia várias garotas, amigas de amigos, que haviam me sido apresentadas naquele dia. Lindas (como as garotas que você me apresenta costumam ser, não?). Eu queria seduzi-las, queria tocá-las, todas ou uma de cada vez, enquanto nós estávamos sentadas no chão dessa espécie de cabana num sítio. Elas... não sei, talvez elas refutassem meus sinais. Ou talvez elas aceitassem-nos, mas levemente, sem compromisso, sem -- sem darem-se, entende? Frustrada, eu me afastei, alguém -- um homem, talvez ele, talvez você -- me chamou. Esse homem me chamou debaixo do batente da porta, um lugar escuro, entre a sala e a varanda, e, das sombras, me ofereceu algo para tomar -- um beijo, talvez -- e me disse: "Com isto, você vai sair deste sonho e sonhar com aquilo que você mais deseja." Eu sorvi (um beijo?) cheia de dúvidas, curiosa, queria mesmo descobrir meu maior desejo, mas será que essas coisas mágicas funcionam? Saí da cabana, lá fora fazia sol, era bonito, minha mãe e meus irmãos -- ainda meio crianças -- conversavam alegres e despreocupados ao redor de uma daquelas mesas de madeiras pesadas que meu avô (foi mesmo meu avô?) fez a partir de caixotões tirados de navios (ou era outra a história?). Ao lado de minha mãe, que vestia aquele vestido de flores rosas que ela ainda tem, estava meu primo, o Urso. Meu coração se apertou um pouco com a visão, saudades, compreensão, mas que sonho mais óbvio.. É claro que ao lado deles, sentada em cadeira de praia, usando biquíni desconjuntado de tecidos engruvinhados (um sutiã com um motivo complexo, verde escuro, uma calcinha preta, por exemplo) e um chapéu de palha, estava minha tia, jovem, magra, meio vermelha de sol e coberta de pintas, com o cabelo castanho comprido e ondulado, falando alguma coisa naquela voz dela -- aquela Voz que ela tinha. Do lado dela a Puca com cara de senhora, aquele cabelo comprido de Branca de Neve, um vestido longo sério e primaveril, nada parecida com a imagem que eu tenho de verdade dela. Que grande mágica, esta, eu pensava meio amargurada, enquanto iam aparecendo os outros personagens desta cena idílica, Max, Sé, Rita... Mêdo e saudade -- que previsível! -- virei a cara e fui na outra direção. O sonho atrás de mim silenciou, eu sabia que estava acordando, quando vi a moto na minha frente meu primeiro pensamento foi "Agora não, estou acordada, não vou mais conseguir descobrir meu maior desejo de verdade!"
Montei na moto -- uma moto grande para mim, com tinta metalizada, design agressivo e... e uma cestinha de bicicleta, dessa que nossas bikes tinham quando a gente era pequeno e ia passear em Santo Amaro, ficar dando voltas no campinho de futebol. Montei na minha moto linda e disparei, saltando da varanda, descendo a escada, atravessando um jardim suspeitamente parecido com o da minha avó morta, subindo uma ladeira que era mais um muro para sair no caminhozinho (que de fato existia na casa da minha avó) que ia levar a (a casinha de telhado em V onde dormia a empregada) o Castelo.
Eu ri comigo mesma agora que eu sabia que eu estava num sonho, e mais que isso, que eu era A Lôba, que meus poderes super-heróicos me permitiriam vencer qualquer desafio, salvar todos os meus amigos, e ser admirada, reconhecida e às vezes respeitosamente temida. O Caminho era reto, estreito e longo, dentro de uma Mata Atlântica escura, como numa trilha que fazemos por lugares bonitos e conservados. Por essa estrada passavam umas pessoas tristes, do lado direito, em fila única, mas afastadas em intervalos irregulares, porque caminhavam sozinhas. A pessoa logo à minha frente, eu vi quando decidi ultrapassá-la, era ela. Ela usava um capuz, mas por baixo do capuz eu vi seu cabelo tão loiro que brilhava como num quadro do Rembrant. Mas não era ela, ela. Ela estava triste, mas eu não. Eu sou invencível. Eu chamei-a para subir na moto comigo, trocamos algumas palavras, na minha frente, pelo lado esquerdo, vinha um caminhão pela outra mão. Urgi; ela subiu, de túnica mesmo, e disparamos, desviando das pobres pessoas que tinham que aguentar o caminho e o aperto do caminhão. Disparamos, e no final daquela trilha reta estava O Castelo, alto, cheio de torres imponentes, um castelo Disney só que negro, numa perspectiva estranha como num quadrinho, para ressaltar o portão enorme na frente (aliás, falando em portões, me lembre de contar a história do jogo dos Pôneis). Na frente do portão, estavam os Guardas, um vestindo uma armadura de placas lisas de madeira, e o outro usando uma armadura estranha, que tinha bolas ocas como seios no peito, e no cinturão tinha uma tora de madeira que queria significar um pênis gigante. Tive a impressão de que esse guarda tinha peitos, mas não achei que fosse uma mulher.
Estávamos numa casa de campo de algum tipo, com quartos de visita e armários vazios. Fomos lutando com os guardas, usando paus contra os bastões e a armadura deles, casa adentro. Eu e ela nos separamos, havia um terceiro homem, e ela estava lutando com ele enquanto eu lutava com os dois guardas -- uma luta estranha, ritual, que foi misturando danças sexuais envolvendo a estranha armadura-arma que ele usava, aquele pênis gigante ora servia como um bastão ou um porrete, ora como um pau. Até que o outro guarda, o do peito plano, apareceu gritando e fazendo um escarcéu, que eu era uma vadia, que queria roubar o homem dele (acho que então eram um casal gay), e querendo me bater, me matar, briguei com ele (eu sou invencível) enquanto o convencia de que não, seu maluco, é só uma dança-luta-ritual, não estamos fazendo sexo, puxa vida. Subjuguei o casal de guardas e fui procurar por ela, que estava tentando assassinar um homem, batendo nele e jogando coisas de vidro na cabeça dele. Tentamos impedi-la, eu e -- outro homem -- tentamos convencê-la de que ela não precisava matar, nós nem estávamos entendendo o que estava acontecendo. Ela jogou um aquário gigante na cabeça do moço desacordado, e a cabeça dele rolou pelo chão. Eu me desesperei por um momento, mas ela começou a chorar de novo, disse que era de mentira, o moço de verdade estava escondido (desacordado) debaixo da cama, ela nem coragem de matá-lo tinha, que merda ter tanto ódio e sequer conseguir dar o troco que merece.
E como costuma acontecer com os sonhos interessantes, esse também nem acabou, e eu acordei.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Fearing, Doubting
There's only love left,
And some wonder.
There's a dream just beyond the corner
There's a fortress that refuses to be taken
And a princess that refuses to be saved
She's in love with the dragon, or so they say
But shouldn't it be the ther way around?
It's dark in here
Do light a candle
There's a bud in the cradle where the baby wolf should be.
There's a chance of saving the world, but only if we are really lost can we find ourselves.
It's lonely in here.
I had a dream once. It was here, in this very place. It was dark and eerie and your dangerous eyes were glowing. You said,
"Was it hot?"
I was a dream, once.
And some wonder.
There's a dream just beyond the corner
There's a fortress that refuses to be taken
And a princess that refuses to be saved
She's in love with the dragon, or so they say
But shouldn't it be the ther way around?
It's dark in here
Do light a candle
There's a bud in the cradle where the baby wolf should be.
There's a chance of saving the world, but only if we are really lost can we find ourselves.
It's lonely in here.
I had a dream once. It was here, in this very place. It was dark and eerie and your dangerous eyes were glowing. You said,
"Was it hot?"
I was a dream, once.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Ami (sonho)
Eu sonhei contigo outra vez.
Os sonhos estão ficando piores.
Ou melhores? Entretanto é ruim acordar e ficar triste por um momento de saber que foi apenas um sonho.
Eu fico pensando na sua voz (no meu sonho) dizendo "não esquece, tá?". Tão próximo de como você realmente se comporta quando eu te encontro.
Eu fico pensando na sua voz (inventada) perguntando "por quê?". Será que você é assim? Ou será que é completamente diferente? De alguma forma eu acho que eu gosto mais do você de verdade. O você que é mais você e menos eu.
Talvez eu precise apenas da profundidade do amor das pessoas que eu amo. E eu te amo, sem dúvida eu te amo. Pelo menos enquanto importa o fato de que você é incrível e eu estou apaixonada por você. Todo o resto é apenas uma casca, um contexto.
E é tão bom saber que nós somos amigos!
Os sonhos estão ficando piores.
Ou melhores? Entretanto é ruim acordar e ficar triste por um momento de saber que foi apenas um sonho.
Eu fico pensando na sua voz (no meu sonho) dizendo "não esquece, tá?". Tão próximo de como você realmente se comporta quando eu te encontro.
Eu fico pensando na sua voz (inventada) perguntando "por quê?". Será que você é assim? Ou será que é completamente diferente? De alguma forma eu acho que eu gosto mais do você de verdade. O você que é mais você e menos eu.
Talvez eu precise apenas da profundidade do amor das pessoas que eu amo. E eu te amo, sem dúvida eu te amo. Pelo menos enquanto importa o fato de que você é incrível e eu estou apaixonada por você. Todo o resto é apenas uma casca, um contexto.
E é tão bom saber que nós somos amigos!
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
O que vier à mente
Porque tenho sentido falta de escrever.
Tenho gostado de matemática. Muito. Tenho me envolvido com isso e me aprofundado e mergulhado nisso.Às vezes acordo de manhã e penso "ah, então o que aquela frase daquela demonstração queria dizer era isso...". Lembro de quando eu decidi, no ano passado, que minhas coisas favoritas de estudar eram computação e matemática. Oh well. Agora minha lista de preferências começa com matemática, seguida por biologia, seguida por computação. Mas acho que é assim mesmo, e não tem por que eu mudar de idéia. Eu sempre tive consciência de que escolhi Ciências da Computação apenas porque Matemática Aplicada e Computacional era noturno. E Computação é uma coisa que pode te dar mais emprego e etc. Sei lá, não tenho estado afim de ter um emprego. Quero estudar pra caralho e passar o resto da vida estudando. Hoje resolvi ocupar meu tempo livre com uma aula de Álgebra. E me sinto terrivelmente feliz.
E como nada pode ser perfeito eu tenho me sentido ao mesmo tempo meio solitária. Meio vazia. Sinto falta de algo que não sei bem o que é. Pessoas, caçadas, eu acho. Faz alguns meses desde a última vez em que conheci alguém novo ou tive vontade de caçar alguém específico, e às vezes acho que essas coisas são necessárias para a minha paz de espírito. Hoje tive um sonho muito divertido em que eu tentava seduzir duas lésbicas adoráveis. Mas eu tenho um pouquinho de mêdo de lésbicas, alguns de vocês podem imaginar porquê. No final do sonho eu saía da tal festa e ia de bicicleta para a faculdade junto com o Renex. No fim das contas eu sou uma pessoa feliz.
Mas não feliz demais. Me sinto inquieta, como se algo estivesse se dirigindo para uma condição errada, como se eu estivesse subindo na montanha russa e precisasse descobrir como sair do carrinho antes que chegue a descida. Mas talvez não haja nada além do carrinho neste trilho e eu não tenha opção além de descer escorregando. Ou talvez eu já tenha pulado fora do carrinho e esteja tentando voltar para dentro dele. De qualquer forma, acho que os últimos quatro anos me ensinaram a ser terrivelmente desconfiada em relação às minhas próprias decisões.
Mas não estou realmente afim de estudar bioinformática, não ainda, e não consigo me convencer a parar e retomar os teoremas de àlgebra que o Agozzinni sugeriu que eu estudasse. Isso requer muita concentração. E é tão gostoso gastar essas horas lendo o Murray ou o Spivak, destrinchando equações diferenciais ou tentando provar propriedades óbvias das operações com números reais usando apenas as definições...
Tenho gostado de matemática. Muito. Tenho me envolvido com isso e me aprofundado e mergulhado nisso.Às vezes acordo de manhã e penso "ah, então o que aquela frase daquela demonstração queria dizer era isso...". Lembro de quando eu decidi, no ano passado, que minhas coisas favoritas de estudar eram computação e matemática. Oh well. Agora minha lista de preferências começa com matemática, seguida por biologia, seguida por computação. Mas acho que é assim mesmo, e não tem por que eu mudar de idéia. Eu sempre tive consciência de que escolhi Ciências da Computação apenas porque Matemática Aplicada e Computacional era noturno. E Computação é uma coisa que pode te dar mais emprego e etc. Sei lá, não tenho estado afim de ter um emprego. Quero estudar pra caralho e passar o resto da vida estudando. Hoje resolvi ocupar meu tempo livre com uma aula de Álgebra. E me sinto terrivelmente feliz.
E como nada pode ser perfeito eu tenho me sentido ao mesmo tempo meio solitária. Meio vazia. Sinto falta de algo que não sei bem o que é. Pessoas, caçadas, eu acho. Faz alguns meses desde a última vez em que conheci alguém novo ou tive vontade de caçar alguém específico, e às vezes acho que essas coisas são necessárias para a minha paz de espírito. Hoje tive um sonho muito divertido em que eu tentava seduzir duas lésbicas adoráveis. Mas eu tenho um pouquinho de mêdo de lésbicas, alguns de vocês podem imaginar porquê. No final do sonho eu saía da tal festa e ia de bicicleta para a faculdade junto com o Renex. No fim das contas eu sou uma pessoa feliz.
Mas não feliz demais. Me sinto inquieta, como se algo estivesse se dirigindo para uma condição errada, como se eu estivesse subindo na montanha russa e precisasse descobrir como sair do carrinho antes que chegue a descida. Mas talvez não haja nada além do carrinho neste trilho e eu não tenha opção além de descer escorregando. Ou talvez eu já tenha pulado fora do carrinho e esteja tentando voltar para dentro dele. De qualquer forma, acho que os últimos quatro anos me ensinaram a ser terrivelmente desconfiada em relação às minhas próprias decisões.
Mas não estou realmente afim de estudar bioinformática, não ainda, e não consigo me convencer a parar e retomar os teoremas de àlgebra que o Agozzinni sugeriu que eu estudasse. Isso requer muita concentração. E é tão gostoso gastar essas horas lendo o Murray ou o Spivak, destrinchando equações diferenciais ou tentando provar propriedades óbvias das operações com números reais usando apenas as definições...
terça-feira, 23 de março de 2010
Sonho sobre o quê?
Há alguns dias, tipo uns quinze, eu tive um sonho incrível. Vou descrevê-lo rapidamente antes da aula começar:
O Jackie (/samurai/) nos mostrou seus desenhos. Eles não eram perfeitos, mas a coloração era linda, cheia de vida, e os personagens pareciam interessantíssimos! Ele descreveu cada personagem, nos contou como eles interagiam, quais eram os sonhos e temores de cada um, quais eram seus poderes. Depois explicou que tinha sido chamado para fazer um desenho animado com sua história.
Ficamos vibrantes! Aguardamos ansiosamente o lançamento do programa enquanto ele foi morar na sede da distribuidora de desenhos. Quando vimos o primeiro episódio... bem, não foi ruim. E o segundo, ah, foi meio chato. Depois de alguns dias, percebemos que as histórias eram clichés, que os personagens eram tão planos que eram quase retas, que até os poderes mais legais eram usados sem nenhuma criatividade. Ficamos revoltados e decidimos ir até a empresa interrogar o Jackie sobre isso.
Quando chegamos lá, os funcionários nos receberam muito bem, mas logo percebemos que eles faziam o possível para evitar que Jack nos atendesse! Enganamos os recepcionistas e nos esgueiramos até os fundos do edifício, onde encontramos Jackie... deitado numa rede, tomando refresco! Puxamos Jackie da rede e chacoalhamos seus ombros pra ver se ele entendia a seriedade da situação!
— Seu desenho é horrível, Jack!
— Seus personagens não tem a menor graça!
— Sua história é um lixo!
— Como você deixou isso acontecer?!
Jackie olhou super-pacífico pra gente e falou — Ué, vocês tinham gostado antes...
Aflitos, nós arranjamos uma tevê e mostramos pra ele os últimos episódios. Aí! Ele levantou num átimo e exclamou com toda aquela energia verídica do Samurai:
— Puta merda, esse desenho é um lixo!
E:
— Fui eu que desenhei isso?! Mas não era pra ser assim! Aqueles filhos da puta tão acabando com meu desenho!
Logo percebemos que os empresários estavam corrompendo o desenho do Jackie pra ele ficar menos original e mais "vendável". Nessa hora os donos da empresa nos avistaram e começaram a nos perseguir pelo edifício! Corremos, nos escondemos e montamos armadilhas pra eles, como jogar coisas escorregadias no corredor e depois atacar enquanto eles caíam. Conseguimos derrotar todos os empresários e no final fizemos uma grande festa com churrasco e piscina no edifício da empresa mesmo! O mundo dos desenhos estava à salvo!
Para comemorar, brincamos de lutar com espadas de palito de churrasco e fizemos até campeonatos.
---
Adoro esses sonhos absolutamente shonen hahaha!
O Jackie (/samurai/) nos mostrou seus desenhos. Eles não eram perfeitos, mas a coloração era linda, cheia de vida, e os personagens pareciam interessantíssimos! Ele descreveu cada personagem, nos contou como eles interagiam, quais eram os sonhos e temores de cada um, quais eram seus poderes. Depois explicou que tinha sido chamado para fazer um desenho animado com sua história.
Ficamos vibrantes! Aguardamos ansiosamente o lançamento do programa enquanto ele foi morar na sede da distribuidora de desenhos. Quando vimos o primeiro episódio... bem, não foi ruim. E o segundo, ah, foi meio chato. Depois de alguns dias, percebemos que as histórias eram clichés, que os personagens eram tão planos que eram quase retas, que até os poderes mais legais eram usados sem nenhuma criatividade. Ficamos revoltados e decidimos ir até a empresa interrogar o Jackie sobre isso.
Quando chegamos lá, os funcionários nos receberam muito bem, mas logo percebemos que eles faziam o possível para evitar que Jack nos atendesse! Enganamos os recepcionistas e nos esgueiramos até os fundos do edifício, onde encontramos Jackie... deitado numa rede, tomando refresco! Puxamos Jackie da rede e chacoalhamos seus ombros pra ver se ele entendia a seriedade da situação!
— Seu desenho é horrível, Jack!
— Seus personagens não tem a menor graça!
— Sua história é um lixo!
— Como você deixou isso acontecer?!
Jackie olhou super-pacífico pra gente e falou — Ué, vocês tinham gostado antes...
Aflitos, nós arranjamos uma tevê e mostramos pra ele os últimos episódios. Aí! Ele levantou num átimo e exclamou com toda aquela energia verídica do Samurai:
— Puta merda, esse desenho é um lixo!
E:
— Fui eu que desenhei isso?! Mas não era pra ser assim! Aqueles filhos da puta tão acabando com meu desenho!
Logo percebemos que os empresários estavam corrompendo o desenho do Jackie pra ele ficar menos original e mais "vendável". Nessa hora os donos da empresa nos avistaram e começaram a nos perseguir pelo edifício! Corremos, nos escondemos e montamos armadilhas pra eles, como jogar coisas escorregadias no corredor e depois atacar enquanto eles caíam. Conseguimos derrotar todos os empresários e no final fizemos uma grande festa com churrasco e piscina no edifício da empresa mesmo! O mundo dos desenhos estava à salvo!
Para comemorar, brincamos de lutar com espadas de palito de churrasco e fizemos até campeonatos.
---
Adoro esses sonhos absolutamente shonen hahaha!
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Sonho revelador
Tive um sonho hoje. Quer dizer, tive muitos sonhos, mas quero falar sobre um só. Os outros sonhos, bem, não escolhi lembrar deles, sabe? Não foram especialmente relevantes, foram só... sonhos. Desses que a gente tem à noite.
O que quero contar do meu sonho foi uma parte em que nos deparamos com um monstro mecânico, um clank ou um robô. Ele tinha a forma e o comportamento de um animal (eu acho) e era tão interessante quanto um animal verdadeiro. Eu não conseguia tirar os olhos dele: queria decifrá-lo, entender como suas peças se encaixavam, ler seu código-fonte, entender como ele fora feito! Enquanto todas as outras pessoas (eram meus amigos/família, ou seja, Ugo, Marco, Poro, Mãe, não sei bem quem porque tinha muita gente) queriam seguir em frente naquela espécie de Dungeon Sci-Fi de onde estávamos tentando sair (acho que tirei a imagem de Tales of Symphonia), eu queria parar e estudar aquela criatura mecânica. Então, alguém me disse que, se aquilo era tão importante assim pra mim, eu deveria largar o design e ir estudar Engenharia Mecatrônica, que tem como subárea a Robótica. Na hora isso foi uma revelação, todas as minhas dúvidas desapareceram e eu fiquei feliz de saber que eu tinha uma vocação a buscar.
Enfim. Eu detesto sonhos-revelação porque na hora eles são extasiantes mas quando você acorda e pensa direito, vê que nenhuma das suas dúvidas foi sequer comentada no sonho. O que parece óbvio no sonho em geral parece estúpido no Mundo Acordado. Eu realmente prefiro realidade-revelação. Epifanias reais. Daquele tipo que não existe.
Mas, como diria o Ringo, "nothing ever happens to me".
PS.: Eu realmente estava considerando fazer engenharia mecatrônica. É claro! Combinar mecânica e eletrônica, que são coisas que eu sempre quis dominar apesar da minha ignorância total em relação a ambas, com programação, que é uma coisa que me apaixonou instantâneamente? Não parece uma resposta de sonho? Bem, justamente, parece o tipo de coisa que é feita de sonhos mesmo, e eu tenho mêdo de que uma carreira nessa área envolveria um conhecimento porco de mecânica, um conhecimento porco de eletrônica, um conhecimento porco de (controle e automação) programação (eu conheço a Poli, eu sei como as coisas podem ser porcas por lá) e muitas, mas muitas horas mesmo de trabalho ingrato, provavelmente sem nenhum apoio moral ou intelectual bem como é no Design. Eu não quero ter matérias ruins e muita exigência. Claro que parte de mim tem esperança de que eles sigam o mesmo preceito daquele curso absurdo e robado que o Diogo faz: pra aprender sobre várias áreas e não virar um generalista porco, você tem que ter três vezes mais matéria no total que uma pessoa normal. Outra coisa que me ocorre é que talvez o fato de eu me interessar por mecânica, eletrônica e computação seja um bom motivo pra eu fazer um curso técnico mas um mai motivo pra fazer uma faculdade.
Mas como qualquer coisa me parece melhor que o meu curso, eu provavelmente vou mudar pra uma dessas áreas.
O que quero contar do meu sonho foi uma parte em que nos deparamos com um monstro mecânico, um clank ou um robô. Ele tinha a forma e o comportamento de um animal (eu acho) e era tão interessante quanto um animal verdadeiro. Eu não conseguia tirar os olhos dele: queria decifrá-lo, entender como suas peças se encaixavam, ler seu código-fonte, entender como ele fora feito! Enquanto todas as outras pessoas (eram meus amigos/família, ou seja, Ugo, Marco, Poro, Mãe, não sei bem quem porque tinha muita gente) queriam seguir em frente naquela espécie de Dungeon Sci-Fi de onde estávamos tentando sair (acho que tirei a imagem de Tales of Symphonia), eu queria parar e estudar aquela criatura mecânica. Então, alguém me disse que, se aquilo era tão importante assim pra mim, eu deveria largar o design e ir estudar Engenharia Mecatrônica, que tem como subárea a Robótica. Na hora isso foi uma revelação, todas as minhas dúvidas desapareceram e eu fiquei feliz de saber que eu tinha uma vocação a buscar.
Enfim. Eu detesto sonhos-revelação porque na hora eles são extasiantes mas quando você acorda e pensa direito, vê que nenhuma das suas dúvidas foi sequer comentada no sonho. O que parece óbvio no sonho em geral parece estúpido no Mundo Acordado. Eu realmente prefiro realidade-revelação. Epifanias reais. Daquele tipo que não existe.
Mas, como diria o Ringo, "nothing ever happens to me".
PS.: Eu realmente estava considerando fazer engenharia mecatrônica. É claro! Combinar mecânica e eletrônica, que são coisas que eu sempre quis dominar apesar da minha ignorância total em relação a ambas, com programação, que é uma coisa que me apaixonou instantâneamente? Não parece uma resposta de sonho? Bem, justamente, parece o tipo de coisa que é feita de sonhos mesmo, e eu tenho mêdo de que uma carreira nessa área envolveria um conhecimento porco de mecânica, um conhecimento porco de eletrônica, um conhecimento porco de (controle e automação) programação (eu conheço a Poli, eu sei como as coisas podem ser porcas por lá) e muitas, mas muitas horas mesmo de trabalho ingrato, provavelmente sem nenhum apoio moral ou intelectual bem como é no Design. Eu não quero ter matérias ruins e muita exigência. Claro que parte de mim tem esperança de que eles sigam o mesmo preceito daquele curso absurdo e robado que o Diogo faz: pra aprender sobre várias áreas e não virar um generalista porco, você tem que ter três vezes mais matéria no total que uma pessoa normal. Outra coisa que me ocorre é que talvez o fato de eu me interessar por mecânica, eletrônica e computação seja um bom motivo pra eu fazer um curso técnico mas um mai motivo pra fazer uma faculdade.
Mas como qualquer coisa me parece melhor que o meu curso, eu provavelmente vou mudar pra uma dessas áreas.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Sobre o sonho que eu mencionei no twitter (e no blog do Bruno?)
O curioso foi que todo o sonho tinha, sim, um sentido geral. Assim: a espada, o projeto e a viagem são faces diferentes da mesma pulsão que é a luta pelo sentido da própria individualidade. O Dalprá é um símbolo, o Poro é um símbolo, o Renato e o Bruno são símbolos.
Nós estávamos sentados no escuro ao redor da mesa numa festa aqui em casa, e eu havia sentado na mesa dos amigos da Talita. Eu disse alguma coisa, eu havia feito alguma coisa e disse que o Dalprá me decapitaria por causa disso. O amigo dele (Homem Preto(cabelo curto, olhos, roupas)(pele bastante clara)) disse que eu entendera tudo errado, que ele não era o tipo de gente que arrancaria cabeças. A mesa estava na FAU, era noite e estava tudo apagado, a mesa ficava na cantina vazia e no balcão mais amigos da Talita conversavam enquanto o cara montava um rádio. Eles tinham equipamentos e logo descobri que estavam montando uma rádio (pirata) que era voltada para os jogadores de RPG. Me pareceu uma idéia fantástica! Mas então mais amigos meus chegaram, aconteceram coisas que eu não entendi direito, muitas coisas, tudo mudou, cresceu, sei lá. Ninguém agrediu ninguém, nem com motivo.
O plano era o seguinte: vinte pessoas, todas muito amigas, viajariam para outra cidade e se estabeleceriam lá, todas na mesma vizinhança, talvez até na mesma casa. Ficaríamos lá dois, três meses, trabalhando, pagando o aluguel, vivendo como as pessoas de lá, fazendo bicos, e então um belo dia levantaríamos acampamemto, todos os vinte, e iríamos para a próxima cidade. Repeat.
Eu quero muito:
perder o mêdo dessa espada que me ameaça
poder efetivamente te conhecer, depois do mêdo
assumir a tara e concretizar um projeto no que me empolga
assumir o amor e construir uma vida junto com meus amigos
expôr-nos ao risco (a partir daqui somos todos-um) e viver coisas novas
conhecer cada mundo com intensidade e entrega
É muito importante pra mim esse lance de conhecer a fundo um modo de viver a princípio desconhecido. Entrar na vida da cidade e viver como parte integrante por algum tempo. Ao mesmo tempo meus amigos são indispensáveis. Não é a primeira vez que eu sonho com algo desse tipo, mas só agora sou capaz de fazer essa interpretação. Antes os ônibus de viagem eram um elemento intrigante dos meus sonhos. Os sonhos eram mais investigativos. Os signos estavam mais confundidos. Ainda aqui os signos estão misturados. Qual a relação entre espada, Dalprá e RPG? (na verdade, eu sei qual a relação, mas não sei se posso admitir). Principalmente, qual a relação entre a viagem, a amizade, e o cenário de mêdo e insegurança que veio antes? E porque eu levava o Renato na viagem?
Na verdade essas perguntas não são difíceis de se responder, eu só me pergunto se as respostas óbvias dizem toda a verdade, ou se os símbolos estão um pouco mais pro fundo do que queremos admitir.
Ontem na aula Renato disse que como eu estava associada ao número 16 ele achava que eu devia ter importância pra vida dele. Eu sei que ele tem uma certa importância na minha vida. Por isso mesmo eu gostaria de carregá-lo com o resto do meu clã, mas. Há sempre um mas. O mas é a espada? Não, a espada é o mêdo puro, o mêdo que vem de algum lugar anterior, como o desconhecido. Se eu te conhecer, você não vai mais querer me matar. Mas e se eu não for o tipo de pessoa de quem você é capaz de gostar? É essa a questão no fundo, Não é? Quando conhecemos pessoas novas, corremos sempre o risco de sermos pessoas incrivelmente chatas.
Tive um sonho outro dia no qual eu encontrava a casa de uma Bruxa. Para que eu pudesse entrar, ela abria duas portas; uma invisível. Quando passava pela porta invisível podia ver o interior verdadeiro da casa, no qual as paredes haviam sido pintadas de outra cor. A casa era muito interessante e aconchegante e a velha era uma pessoa deliciosa, diria minha mãe. Do lado de fora dois moleques tentavam encontrar a entrada secreta na casa. Olhei pela porta e podia ver os olhos deles através das persianas. Um deles era um Poro muito jovem (mas com o cabelo que ele tem hoje). Me assustei (traição?) e me escondi das vistas deles. "Não se preocupe", disse a velha, "que eles não podem ver através da parede invisível." Nós estávamos dentro da casa invísivel e por isso éramos invisíveis para eles. Mesmo assim os deixamos entrar, e eles se sentaram para comer bolo de nozes e canela conosco. Qual o sentido de se ter uma casa invisível se você deixa todo mundo entrar?
Uma vez sonhei com o Bruno, foi uma coisa assim: nós ficávamos nos encarando. Foi um sonho muito longo, muita passagem de tempo, e só um olhar fixo. Acho que nossa amizade é um pouco assim. Menos perigosa que com o Dalprá ou o Renato, menos inquietante que com o Poro, mas, de certa forma, mais exigente.
Nós estávamos sentados no escuro ao redor da mesa numa festa aqui em casa, e eu havia sentado na mesa dos amigos da Talita. Eu disse alguma coisa, eu havia feito alguma coisa e disse que o Dalprá me decapitaria por causa disso. O amigo dele (Homem Preto(cabelo curto, olhos, roupas)(pele bastante clara)) disse que eu entendera tudo errado, que ele não era o tipo de gente que arrancaria cabeças. A mesa estava na FAU, era noite e estava tudo apagado, a mesa ficava na cantina vazia e no balcão mais amigos da Talita conversavam enquanto o cara montava um rádio. Eles tinham equipamentos e logo descobri que estavam montando uma rádio (pirata) que era voltada para os jogadores de RPG. Me pareceu uma idéia fantástica! Mas então mais amigos meus chegaram, aconteceram coisas que eu não entendi direito, muitas coisas, tudo mudou, cresceu, sei lá. Ninguém agrediu ninguém, nem com motivo.
O plano era o seguinte: vinte pessoas, todas muito amigas, viajariam para outra cidade e se estabeleceriam lá, todas na mesma vizinhança, talvez até na mesma casa. Ficaríamos lá dois, três meses, trabalhando, pagando o aluguel, vivendo como as pessoas de lá, fazendo bicos, e então um belo dia levantaríamos acampamemto, todos os vinte, e iríamos para a próxima cidade. Repeat.
Eu quero muito:
perder o mêdo dessa espada que me ameaça
poder efetivamente te conhecer, depois do mêdo
assumir a tara e concretizar um projeto no que me empolga
assumir o amor e construir uma vida junto com meus amigos
expôr-nos ao risco (a partir daqui somos todos-um) e viver coisas novas
conhecer cada mundo com intensidade e entrega
É muito importante pra mim esse lance de conhecer a fundo um modo de viver a princípio desconhecido. Entrar na vida da cidade e viver como parte integrante por algum tempo. Ao mesmo tempo meus amigos são indispensáveis. Não é a primeira vez que eu sonho com algo desse tipo, mas só agora sou capaz de fazer essa interpretação. Antes os ônibus de viagem eram um elemento intrigante dos meus sonhos. Os sonhos eram mais investigativos. Os signos estavam mais confundidos. Ainda aqui os signos estão misturados. Qual a relação entre espada, Dalprá e RPG? (na verdade, eu sei qual a relação, mas não sei se posso admitir). Principalmente, qual a relação entre a viagem, a amizade, e o cenário de mêdo e insegurança que veio antes? E porque eu levava o Renato na viagem?
Na verdade essas perguntas não são difíceis de se responder, eu só me pergunto se as respostas óbvias dizem toda a verdade, ou se os símbolos estão um pouco mais pro fundo do que queremos admitir.
Ontem na aula Renato disse que como eu estava associada ao número 16 ele achava que eu devia ter importância pra vida dele. Eu sei que ele tem uma certa importância na minha vida. Por isso mesmo eu gostaria de carregá-lo com o resto do meu clã, mas. Há sempre um mas. O mas é a espada? Não, a espada é o mêdo puro, o mêdo que vem de algum lugar anterior, como o desconhecido. Se eu te conhecer, você não vai mais querer me matar. Mas e se eu não for o tipo de pessoa de quem você é capaz de gostar? É essa a questão no fundo, Não é? Quando conhecemos pessoas novas, corremos sempre o risco de sermos pessoas incrivelmente chatas.
Tive um sonho outro dia no qual eu encontrava a casa de uma Bruxa. Para que eu pudesse entrar, ela abria duas portas; uma invisível. Quando passava pela porta invisível podia ver o interior verdadeiro da casa, no qual as paredes haviam sido pintadas de outra cor. A casa era muito interessante e aconchegante e a velha era uma pessoa deliciosa, diria minha mãe. Do lado de fora dois moleques tentavam encontrar a entrada secreta na casa. Olhei pela porta e podia ver os olhos deles através das persianas. Um deles era um Poro muito jovem (mas com o cabelo que ele tem hoje). Me assustei (traição?) e me escondi das vistas deles. "Não se preocupe", disse a velha, "que eles não podem ver através da parede invisível." Nós estávamos dentro da casa invísivel e por isso éramos invisíveis para eles. Mesmo assim os deixamos entrar, e eles se sentaram para comer bolo de nozes e canela conosco. Qual o sentido de se ter uma casa invisível se você deixa todo mundo entrar?
Uma vez sonhei com o Bruno, foi uma coisa assim: nós ficávamos nos encarando. Foi um sonho muito longo, muita passagem de tempo, e só um olhar fixo. Acho que nossa amizade é um pouco assim. Menos perigosa que com o Dalprá ou o Renato, menos inquietante que com o Poro, mas, de certa forma, mais exigente.
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Sonhos
"Não te preocupes com sonhos: pois o espírito do homem julga ver no sono como verdade o que deseja em estado de vigília." - Dionísio Catão, Dísticos
Quando sonhei com você, foi como o sol
me iluminando e me aquecendo dentro do dia
foi como a chuva grossa do verão
levantando o cheiro da grama e enchendo meu peito de vida
(por que é que a chuva me faz tão feroz, tão alegre?
por que a chuva me traz de volta a infância?
por que a chuva me torna loba, me torna vento, me torna deusa?)
como se eu chegasse naquela cabana da floresta onde eu sonhei morar
no coração da floresta que é como o seu coração
onde eu tenho uma cama, uma faca e a fonte da vida
foi como "para sempre"
foi como estar em casa
foi como ter um amigo
foi como um abraço.
Quando eu sonhei com você, foi como um pecado
fervendo meu sangue e gelando meus dedos famintos
Foi como uma guerra travada num ermo, num túmulo
sob a noite cerrada, num descampado
um cavaleiro negro, um animal negro, contra a lua minguante
seus olhos eram segredo; seus olhos brilhavam.
Foi como uma espada vertendo sangue do meu peito
um inimigo, um demônio dentro do meu peito
dizendo "foda-se o mundo, eu só quero você"
Quando eu sonhei com você, foi como uma estrada
que subia uma montanha imensa e que eu percorri
(porque vovó dizia que sua estrada contorna a montanha
minha estrada percorre a montanha e outra montanha
não há só um pico, só uma luz: há a Perdição;
o caminho para o topo é o caminhar: há só o Infinito)
No topo, no cume encontrei um fantasma brilhante de mim
ou um espírito que faltava dentro do meu próprio espírito
ou um espectro do reflexo
do reflexo do reflexo de mim
Foi como ser devorado por um urso mau
e como ser abraçado por um golem gigante
Foi como a Imensidão
e como um coração imenso batendo por mim
foi como violar minha própria castidade
foi como amar a terra, foi como DEUS.
foi como tornar-me humana a partir do barro.
foi como tornar-me Outra.
foi como o incesto.
Quando eu sonhei com você, foi como a paisagem
que vem antes e cria a linha do horizonte
foi como nascer de novo, num mundo mudado
Foi como o prazer de caminhar sobre a lama que passa entre meus dedos dos pés
foi como a brisa e o vento que carregam meus espíritos
apenas soprando bem, muito bem
foi como o prazer de descer uma ladeira de bicicleta sem segurar o guidão
Foi como a liberdade.
Quando eu sonhei com você, foi como uma mensagem
Aquela mensagem do velho da taverna
"adentre a caverna e liberte a donzela das garras do dragão
e não se esqueça de trazes seis cabeças de orcs"
Sim, foi bastante como um video-game
Foi como uma missão, um desafio, um sentido de vida
Foi como uma certeza no futuro
Cada vez mais, a cada você, foi amadurecer.
Foi como rir com você e ser seu amigo.
Foi como adorar você.
Quando eu sonhei com você, foi como a realidade
ou como se o sonho fosse a realidade
De repente verdade era mentira e mentira era verdade
Foi como se a realidade fosse um espectro do sonho
e a loucura fosse sã e a sanidade, loucura
Foi como um sonho
Foi como chegar ao horizonte
foi como o impossível
Foi como a verdade
fazer a verdade tornar-se o que a verdade é
(ou concretizar o mundo das idéias
para não idealizar o mundo concreto)
Quando eu sonhei com você, foi como uma resposta
dizendo "foda-se tudo, eu só quero saber!
a resposta para todas as coisas, todas as perguntas
eu quero me tornar o que eu quero ser"
Foi como baixar as cortinas, sair do teatro
Foi como deixar os enigmas e sair para a vida
Foi como cuspir na cara da esfinge
ou devorar a esfinge
e cuspir os ossos da esfinge no mundo ignorante
Foi como montar um cavalo descontrolado
foi como subir no alto do pédrão e me jogar de lá
(e por mais que me assuste o pédrão e a dor lá em baixo
e por mais que me aflija esse mêdo que tenho dos saltos
e por mais que nunca eu salte sem saber como será o fim do salto
esse sonho, certamente, foi um salto)
Foi como um amigo, um demônio, voando com meus espíritos
dizendo "foda-se tudo porque eu quero você"
sábado, 29 de março de 2008
O Espectro do meu Sonho em Mim
Apavorado acordo em treva...
E ontem foi um dia longo e estranho. E hoje, não sei, sinto algo que se parece muito com culpa. Não fiz nada de errado, então por quê?
Apavorado em treva acordo o mar,
sonâmbulo, patético e sem fim,
e há um manto em luz de prata a lhe velar.
Esse é o espectro do meu sonho em mim.
Ontem esperei o intervalo fora da aula, querendo dormir. E fui acolhida por funcionários preocupados. E dormi ao invés de astudar francês. E passei boa parte da tarde pelos cantos. Mas isso esqueci. Tudo isso esqueci.
Ontem discuti minha idéia de jogo com o Charles, que foi honesto de uma forma gostosa e doída. Ele me acompanhou enquanto eu fazia um trabalho, e depois se despediu, com um beijo. Mas isso eu deixei para trás. Tudo isso ficou para trás.
Ontem não me manifestei durante a aula. Ouvi e fiz um comentário, mas de certa forma me escondi. Mas isso não prendeu-me ao chão. Nada disso me prendeu ao chão.
Ontem a música tocou e fiquei indo e voltando, indecisa, procurando, evitando amigos com outros amigos e cantando baixinho a música que me fascinava. E quando a Tarsila chegou, usei seu celular para pedir permissão para ir a um bar, para o qual fui no carro dela, e onde não paguei nem uma cerveja. Será que foi isso que me aprisionou?
Não. Suspeito;
o não-pagar já se tornou rotina,
e não estou dizendo que maus costumes não doam dobrado,
mas de qualquer forma eu vou pagar,
e o que estou sentindo;
O que estou sentindo não é real.
Meu deus (eu nem acredito mais em Deus), ontem eu devo ter ficado muito bêbada para justificar o tanto de absurdos que pensei.
Não os que falei. Só o que pensei.
Sou o mar! sou o mar!...
Suspeito que essa sensação estranha, esse sentimento que parece culpa (mas por quê?), bem, suspeito que não tenha vindo do bar, mas do sonho.
Não sei porque um sonho me faria me sentir culpada, mas sinto que há algo maior nesse sonho
que não consigo pegar...
Haviam muitas mesas de jantar... Logo ao lado meu irmão jogava um jogo de video-game muito divertido num telão, e nós assistíamos. Meu primo Max havia vindo numa barraca e eu como não tinha onde dormir ia dormir com ele na barraca. Ele me abraçava protetoramente, e eu tentava dormir no colo dele enquanto assistíamos o Marco jogar videogame. Nas mesas de jantar estava toda a família — tios, tias, tias-avós, filhos de tias-avós, meus pais, minha irmã (ou será que ela assistia o videogame conosco, encostada na parede mais distante?), minhas primas Giulia e Carol, Meus primos mais velhos, minha avó Celma... Vovó sorria mais jovem do que eu me lembrava, e me dava alguma coisa (ela sempre me dava alguma coisa... este casaco verde-limão... este anel de brilhante... aquela ameixa preta que nunca parei de comer.) e minha tia ria enquanto contava alguma coisa de sua vida. Estava tudo certo, mas eu não sentava na mesa com todos eles (acho que só adultos sentavam na mesa) e eu tentava dormir, rolando para fora do abraço do meu primo (incrível que ele não deixe de ser meu primo, depois de tantos anos), eu tentava dormir longe, haviam três colchões e eu trouxera roupa de cama, eu tentava dormir para não pensar, haviam três colchões de ar como o que eu comprei a caminho do bife, eu... Talita me acordou, e eu estava pensando.
Demorei alguns segundos para interromper o raciocínio de sonho. Sentia uma forte vontade de ver meu primo (não nos vemos há vários anos). O sol entrava pela janela, e havia trabalho a fazer. Pensei na noite anterior, no bar, no sabor da cerveja, nas pessoas que conheci, nas pessoas com quem muito conversei, em como me diverti — mas não parecia nem um pouco divertido. Me arrastei então pela casa, meio sonho, meio gente; havia trabalho a fazer e a diversão de ontem desapareceu do meu peito, dando lugar a esse sentimento esquisito, parecido com culpa.
Quando a gente sonha, a gente tem consciência?
sábado, 12 de janeiro de 2008
O ser imenso abriu apenas um olho, e quase sem se mexer examinou cuidadosamente o que via.
Be yourself, no matter what they say
Eu preciso falar sobre aquelas meninas. Preciso falar sobre elas assim como preciso falar sobre o João Dante mas não ainda. Preciso falar porque algo acontece e é algo diferente de tudo o que aconteceu antes. Antes era apenas um sonho, agora... Digo que o dragão acorda de um breve sono, olha ao redor e decide que o Filho do Cão está por aqui. Ele se deita novamente e adormece, adormece aguardando o tempo (que virá) quando houverem mais dragões e quando eles puderem crescer e se multiplicar. Mas então algo acontece. Algo como um ligeiro tremor, uma vibração que suas grossas escamas mal percebem. "Ainda levará anos para que eu possa fazer uma armadura", disse-me o dragão do sonho; mas agora ele olha ao redor, até um pouco assustado, e pergunta: você acha que o futuro já chegou?
Elas tinham nomes como Mônica, Bárbara, Fernanda. Eram pequenas, como convém a pequenas meninas, pequenas como estas. Com os pratos brancos. Eram o futuro. Mariana, Bianca, Luna. Eram fortes, e apaixonadas. E deveriam aprender. E seriam o futuro. Eram três, e não sabíamos bem como encontrá-las. E teriam nomes como os nossos. E nos sucederiam. Isso na história. Mas um dia sonhei com estar conversando com três meninas e o Rafa, ou seria o Ugo? E um dia vi a cena do sonho e levei um susto (ninguém percebeu). E foi como se fossem elas mesmo. Não exatamente elas, mas alguma coisa parecida. O futuro já chegou? eu me perguntei, assustada. Tão rápido, com tanta antecedência?
Depois se tornaram meninas de verdade, deste mundo e não do outro. Mas eu olharia para elas em dúvida mais algumas vezes, por mais algum tempo. E então elas começaram a falar, como filhotes de dragão que finalmente se dão conta de seus poderes (dentro de mim, é claro. elas mesmas provavelmente já conheciam seus poderes). E alguma coisa me assustou. Naquelas meninas que não eram, pensando bem, tão pequenas. Alguma coisa entre dizer yuri-monitor e falar sobre mim em um de seus posts. Como dragões adolescentes que de repente assustam a todos com seus poderes. Como correntes, de algo maior do que ferro. E velhos jogos da verdade (perdi o Jogo) em que falamos de Amor, e de Deus, e eram a mesma coisa, no final das contas. E ler aquelas palavras foi como estar de novo com quinze anos, sofrendo uma paixão difícil, tendo sonhos acusadores, pensando em beijos proibidos, e descobrindo formas de ter amigos que eu não conhecia, e me fortalencendo cada vez mais, e abraçando, e sonhando. E eu olhei nos olhos daquele dragão jovem e falei, claramente:
— Eu achei que não existiam dragõas mães nesta era. Mesmo diante de ti, não posso acreditar que existas.
— A dragõa-mãe me carrega desde as eras antigas. Dragões mais nascerão — respondeu meu amigo, dulcíssimo. — Dragões cobrirão os céus, pois a dragõa-mãe ainda vive.
— E teu pai, meu amigo, ainda existe?
— Meu pai é o mesmo que o teu. Ele dorme no fundo dos mares; ele caça ao pé das montanhas. Mas as eras tiraram sua força.
— E os dragões que dormem escondidos?
— Nós os encontraremos, irmã. O meu cheiro os despertará, pois trago ainda o cheiro do berço. Nós os despertaremos, irmã, e os levaremos à mãe. Nós renasceremos, irmã.
sexta-feira, 11 de maio de 2007
Do I even deserve this life?
Yeah, so my life sucks — you don't have to make a big deal out of it. I just can go through with college and I feel more and more life a zombie; the kind that can't feel a thing, just do what it have always done. And I wake up every morning thinking "why the hell do I have to do anything but dream?". Yeah, all right, shut me up. I don't have the right to complain anyway. My feet are cold, my heart is icy. I want to have a friend who can make me laugh. And it feels so stupid.
Hoje eu tive uma série de sonhos, malucos, estranhos, sobre um mundo que não fazia sentido. Ontem eu senti muito, muito mêdo. Eu desci aquela rua escura e passavam pela minha mente todas as vozes que falavam de ataques, de estupros, de riscos, do mêdo justificado do escuro. E eu corri. Tinha pressa e tinha mêdo e era uma ladeira, então corri até que perdi o controle e fiquei com mêdo de não conseguir mais parar de correr, de me machucar, de sei lá. O problema do mundo é que ele faz muito sentido. Existem leis, regras, probabilidade. Mas na verdade pode ser que não. E se houver algo no meu destino que me impeça de me machucar quando tento vencer meus mêdos? E se vencer o mêdo for a coisa mais importante? No meu sonho o estranho corredor sinuoso e absurdo era uma escada rolante que passava pelas portas das salas. Havia tanta liberdade! Tanta delícia! E o cheiro do Ipê amarelo, acolhedor, do meu velho colégio (velho? mas tão recente...). Subindo as rampas da FAU encontrei a Carol, e ela não me ouviu (mas dessa vez não me senti desprezada por ela não ter ouvido — são só os fones de ouvido; os detestáveis fone de ouvido...), mas nos reencontramos na porta da sala (ambas atrasadíssimas) e abrimos a porta e entramos. Peguei uma cadeira e pus num lugar confortável. E quando o professor se aproximou, percebi que ele falava pra mim. Talvez para mim e para todos, mas foi bom sentir que ele falava para os meus olhos; que queria ensinar estes meus olhos. E mais uma vez me envergonhei por ter perdido tantas aulas dele. E anteontem, fui à aula do Giorgio apenas para me despedir dele e parar de ir àquela aula, mas pensei de novo, e se eu pedisse o conselho dele?, mas não consegui falar com ele; e a Carol me viu ali perdida (muito perdida...) e veio falar comigo, e falamos do santa cruz, e de como era difícil mudar de vida assim tão bruscamente, e de arranjar trabalho (trabalho de peão, veja bem; Deus me livre de trabalhar num bureau, com papéis, computador e a cabeça — trabalho com as mãos, com o corpo, é isso que quero), e de dificuldades, e do senac, e de se sentir fora de um grupo unido e querer fazer parte, e de fazer parte, afinal. E o tchaba veio tentar me alegrar e me convidou para um pega-pega com a classe (disse pra eu começar). E no fim da aula eu fui encontrar a Lubana e o Chicão falando pra eles que afinal eu precisava passar mais tempo com eles, que eu tinha ficado muito tempo longe. E tudo pareceu melhor. As coisas começam a parecer possíveis novamente. Difíceis, sim, mas possíveis. Talvêzes. Ainda assim, estou com mêdo da aula de hoje.
Hoje eu tive uma série de sonhos, malucos, estranhos, sobre um mundo que não fazia sentido. Ontem eu senti muito, muito mêdo. Eu desci aquela rua escura e passavam pela minha mente todas as vozes que falavam de ataques, de estupros, de riscos, do mêdo justificado do escuro. E eu corri. Tinha pressa e tinha mêdo e era uma ladeira, então corri até que perdi o controle e fiquei com mêdo de não conseguir mais parar de correr, de me machucar, de sei lá. O problema do mundo é que ele faz muito sentido. Existem leis, regras, probabilidade. Mas na verdade pode ser que não. E se houver algo no meu destino que me impeça de me machucar quando tento vencer meus mêdos? E se vencer o mêdo for a coisa mais importante? No meu sonho o estranho corredor sinuoso e absurdo era uma escada rolante que passava pelas portas das salas. Havia tanta liberdade! Tanta delícia! E o cheiro do Ipê amarelo, acolhedor, do meu velho colégio (velho? mas tão recente...). Subindo as rampas da FAU encontrei a Carol, e ela não me ouviu (mas dessa vez não me senti desprezada por ela não ter ouvido — são só os fones de ouvido; os detestáveis fone de ouvido...), mas nos reencontramos na porta da sala (ambas atrasadíssimas) e abrimos a porta e entramos. Peguei uma cadeira e pus num lugar confortável. E quando o professor se aproximou, percebi que ele falava pra mim. Talvez para mim e para todos, mas foi bom sentir que ele falava para os meus olhos; que queria ensinar estes meus olhos. E mais uma vez me envergonhei por ter perdido tantas aulas dele. E anteontem, fui à aula do Giorgio apenas para me despedir dele e parar de ir àquela aula, mas pensei de novo, e se eu pedisse o conselho dele?, mas não consegui falar com ele; e a Carol me viu ali perdida (muito perdida...) e veio falar comigo, e falamos do santa cruz, e de como era difícil mudar de vida assim tão bruscamente, e de arranjar trabalho (trabalho de peão, veja bem; Deus me livre de trabalhar num bureau, com papéis, computador e a cabeça — trabalho com as mãos, com o corpo, é isso que quero), e de dificuldades, e do senac, e de se sentir fora de um grupo unido e querer fazer parte, e de fazer parte, afinal. E o tchaba veio tentar me alegrar e me convidou para um pega-pega com a classe (disse pra eu começar). E no fim da aula eu fui encontrar a Lubana e o Chicão falando pra eles que afinal eu precisava passar mais tempo com eles, que eu tinha ficado muito tempo longe. E tudo pareceu melhor. As coisas começam a parecer possíveis novamente. Difíceis, sim, mas possíveis. Talvêzes. Ainda assim, estou com mêdo da aula de hoje.
domingo, 11 de março de 2007
I have a confession to make
(but it's not possible)
You know, the hard thing is, I never chose you. I never even wanted to get closer to you. When I met you, it was already determined that we were to be friends; and our mindless chit-chats were a proof of how much we mingled already. But back then I could hardly see you — and to be honest I couldn't care less. Those were years when I was happy to know my best friend's thought's before he said anything. Do you remember that? No, wait — you weren't there. You couldn't be.
I remember once I dreamt I was a bit older and could therefore be in your class. But that dream didn't bother me. Back then, dreaming about you was not something I could worry about. I hadn't yet discovered the most complicates and yet the most simple things in this our world: love, lust, trust, betryal, all that jazz. There was pain before, but pain was different. Pain was not something I'd like to feel. And it hurt so much...
But then we chatted, we ran, we danced, we played, and thrice I heard those words that still eventually haunt me — though the last time was just a dream. And I made you so many promisses in the end no one knows if they meant anything.
But then I denied this love, I said — let's pretend it's only lust — and perhaps it wasn't just pretending; one day grew apart, and one day we spoke again, and the friendship didn't last, you know? And one day you made me depend on you and now I just live without you: When I hear your voice denying everything I believe, boy, I wanna hurt you so bad, I want you to disappear, but then I just wanna hold you, and I hate you, but perhaps, I think, I love you. And you're such a fool, you're everything I'd never want for me, but still, I think, I love you.
...
...
Não, olha: eu nunca vou te entender. Nunca.
sábado, 9 de setembro de 2006
Tolice, como toda súbita paixão...
De repente, no meio da noite, quandoa festa está boa e o mundo parece completo, eu olho pro céu escuro e bate uma tristeza... Danço, canto, rio, converso, é meu jeito de lidar com a saudade... E talvez só a solidão me faça ser assim tão sociável. É meu jeito de lidar com a solidão: durmo tarde, acordo cedo, sonho muito, cochilo, ando no sol, ando sem falar, com os animais mudos, com as árvores - comunicação gestual - e fantasio novas possibilidades, que às vezes, como hoje (ou ontem), acabam virando sonho... E quando esfria, procuro amigos, ou mesmo desconhecidos, e converso, brinco, danço, pulo, procuro novas árvores entre aquelas nas quais subiste comigo...
Na verdade eu estaria só mesmo se não te tivesse para não estar aqui, e por isso me alegro por poder pensar em ti sem não-poder... Parece tanta tolice, tanta tolice te dar minhas mãos desse jeito, assim te dar meu coração, te me dar (e agora não faz mais sentido manter silêncio...), mas... Mas hoje sonhei que olhava nos olhos do dragão, e brincava com seus cabelos, e ele sorria e me puxava para perto, dele e dela (a menina dos olhos dourados - sabes?), porém tu aparecias e... Eu me afastei do Dragão sem sequer roubar-lhe um beijo...
Bobagens: nunca sonho com beijos. Porém...
Queria saber parar de falar de ti...
Na verdade eu estaria só mesmo se não te tivesse para não estar aqui, e por isso me alegro por poder pensar em ti sem não-poder... Parece tanta tolice, tanta tolice te dar minhas mãos desse jeito, assim te dar meu coração, te me dar (e agora não faz mais sentido manter silêncio...), mas... Mas hoje sonhei que olhava nos olhos do dragão, e brincava com seus cabelos, e ele sorria e me puxava para perto, dele e dela (a menina dos olhos dourados - sabes?), porém tu aparecias e... Eu me afastei do Dragão sem sequer roubar-lhe um beijo...
Bobagens: nunca sonho com beijos. Porém...
Queria saber parar de falar de ti...
domingo, 13 de agosto de 2006
"Agora eu lembro porque eu tenho que dizer que te odeio"
As aspas são porque o que eu ia escrever não tem nada a ver com o que vou escrever.
Estou triste... Eu sei que essa tristeza vai embora quando eu sair lá fora e ver o céu azul, mas isso não me deixa menos triste agora... Não, me deixa ainda mais triste, porque tudo parece tão sem sentido... E nem posso te culpar...
Este ia ser um daqueles posts em que eu tento explicar prà minha mãe porque ela não pode me dar conselhos... Era um texto bonito, eu ia me orgulhar de escrevê-lo; daqui há um ano eu ia estar lendo posts antigos e pensaria "que post bonito" e ia me orgulhar de mim. Eram palavras bonitas, bem colocadas, quase um poema - mas não era verdade. A culpa... a culpa não é sua...
A razão dos seus conselhos doerem tanto, não é só que eu acredito em qualquer coisa que você disser. É que eu já estava pensando naquilo antes. O tempo todo. Eu fui assim, me perdendo por entre olhares cativantes, e quando cheguei no olhar dele apenas havia um companheirismo que eu queria reconquistar... Pra você talvez não faça sentido, mas você nào sabe a história toda, mãe. Nem eu posso te contar...
Olha, hoje eu acordei de um sonho estranho. Foi como uma adaga sem fio entrando no meu peito. Hoje acordei chorando. Com raiva, de mim, de você, de todos. Agora também eu não estou dizendo a verdade, porque eu sei que não foi apenas carência que me fez fazer o que fiz. Se fosse, eu teria que acreditar que eu cometi um grande erro.
"E quado eu digo grande erro eu quero dizer um erro imenso
Um erro tão monstruosamente grande
Que me faz me sentir tão insensível
Quanto Mara, que matou seus dois amores
Que matou seus dois anjos com as próprias mãos."
Hoje eu acordei e pensei que não estava feliz. Que aquilo era apenas tranqüilidade, era apenas contentamento. Hoje eu acordei chorando. No meu sonho, a Clarinha ria porque eu e o Charles não conseguíamos explicar pra ela a história da China, enquanto subíamos nas rochas pela praia. No meu sonho, um navio maravilhoso era levado pela tempestade até dentro da caverna onde tentávamos nos esconder, e quase nos esmagava. Todos iam embora pela tempestade, saindo temerosamente da caverna segura. A Lori ria, quando na caverna vazia uma onda mais forte me jogava em cima de você. Mas você não era quem eu esperava...
Você disse que o melhor talvez fosse o mais difícil. Mas não é apenas difícil, mãe, é praticamente impossível, insuportável.
Estou triste... Eu sei que essa tristeza vai embora quando eu sair lá fora e ver o céu azul, mas isso não me deixa menos triste agora... Não, me deixa ainda mais triste, porque tudo parece tão sem sentido... E nem posso te culpar...
Este ia ser um daqueles posts em que eu tento explicar prà minha mãe porque ela não pode me dar conselhos... Era um texto bonito, eu ia me orgulhar de escrevê-lo; daqui há um ano eu ia estar lendo posts antigos e pensaria "que post bonito" e ia me orgulhar de mim. Eram palavras bonitas, bem colocadas, quase um poema - mas não era verdade. A culpa... a culpa não é sua...
A razão dos seus conselhos doerem tanto, não é só que eu acredito em qualquer coisa que você disser. É que eu já estava pensando naquilo antes. O tempo todo. Eu fui assim, me perdendo por entre olhares cativantes, e quando cheguei no olhar dele apenas havia um companheirismo que eu queria reconquistar... Pra você talvez não faça sentido, mas você nào sabe a história toda, mãe. Nem eu posso te contar...
Olha, hoje eu acordei de um sonho estranho. Foi como uma adaga sem fio entrando no meu peito. Hoje acordei chorando. Com raiva, de mim, de você, de todos. Agora também eu não estou dizendo a verdade, porque eu sei que não foi apenas carência que me fez fazer o que fiz. Se fosse, eu teria que acreditar que eu cometi um grande erro.
"E quado eu digo grande erro eu quero dizer um erro imenso
Um erro tão monstruosamente grande
Que me faz me sentir tão insensível
Quanto Mara, que matou seus dois amores
Que matou seus dois anjos com as próprias mãos."
Hoje eu acordei e pensei que não estava feliz. Que aquilo era apenas tranqüilidade, era apenas contentamento. Hoje eu acordei chorando. No meu sonho, a Clarinha ria porque eu e o Charles não conseguíamos explicar pra ela a história da China, enquanto subíamos nas rochas pela praia. No meu sonho, um navio maravilhoso era levado pela tempestade até dentro da caverna onde tentávamos nos esconder, e quase nos esmagava. Todos iam embora pela tempestade, saindo temerosamente da caverna segura. A Lori ria, quando na caverna vazia uma onda mais forte me jogava em cima de você. Mas você não era quem eu esperava...
Você disse que o melhor talvez fosse o mais difícil. Mas não é apenas difícil, mãe, é praticamente impossível, insuportável.
terça-feira, 11 de julho de 2006
Sonhos
De certa forma, dá um medo quando os sonhos se tornam assim tão fascinantes.
Tenho de contar-vos uma história. Conto, porque segredo é coisa de quem gosta de sofrere. Conto, porque acho que pode ser uma bela história. Conto porque tenho medo. Ou desejo. Ou porque aquele calor era quase tão real quandoo calor que sinto agora, porque aquele carinho era quase tão confortante. Conto porque foi importante.
Nara, Nara, Nara. Eu não queria acordar...
Tudo começou de uma forma bastante estranha. Admito que foi tolice entrar naquela arena sem atentar para as conseqüências, mas quem diria que nós não poderíamos mais sair? Depois, como saímos, atraímos a pena de morte de todos os lados. Ainda não sei se escapamos.
Então, quem nos poderia culpar por termos nos aliado ao Crestomanci e seus subordinados? E de quem foi a culpa por eles terem usado magia numa hora tão imprópria? Se Hitler nos pegou naquela hora, ouso dizer que não foi por nossa incompetência. De qualquer forma, não havia muito o que fazer.
As coisas voltaram atrás depois daquele confronto. Fomos de novo crianças brincando com bexigas coloridas. O velho carro de um tio ou tio-avô estava parado na garagem e nós não podíamos resistir a colori-lo. Foi tudo uma seqüência de ações acorrentadas como as peças do Rali. Teria sido melhor se o vô estivesse conosco. Houve uma estranha cerimônia familiar, a qual me deixou muito irrequieta, e em todos os olhares eu via uma certa perda, talvez até uma hostilidade nos olhares dos tios dos meus tios, dizendo que eu não era neta deles. Foi horrível. Fizemos uma baderna para acabar com tudo.
Crescemos um pouco. O colégio era ainda mais bonito no sonho. Havia árvores floridas e labirintos, e colinas verdes alegres nas quais nos perdíamos sempre. Levei as criancinhas para passear num recanto cheio de coníferas e animaizinhos. Conversei novamente com o pequeno Dione. E a Leidinha. E a Môniquinha. O Paulo. Perdemos e encontramos muitas coisas. Materialmente, fomos feridos de morte. A dor foi embalada com boas lembranças.
Chegou finalmente o tempo da faculdade. O campus universitário era um lugar bastante estranho: moradias de diversos níveis, pessoas sempre muito diferentes, e em um lugar os alunos fizeram casas de pau-a-pique, de bambu, casas tão porcas que viver nelas parecia como viver num charco. O próprio chão era lama. Mas não nos intimidamos. Fomos em frente, perante os olhares de todos aqueles astranhos. Fomos armados. E nadamos na mesma água da praia deles.
Acho que o tempo passou. Várias foram as batalhas. As mortes. As aventuras. Voltei ao colégio, conversei com a Bia da Biblioteca, lemos novos livros com as crianças. Lavando o rosto no bebedouro do corredor, porém, eu ainda me sentia vigiada por aqueles olhos pequenos. Convivi. As histórias eram demasiado belas. Um dia, meu irmão me chamou. Entramos num ônibus estranho, e começamos a finjir. Finjimos que eu era tão grande guerreira e tão nobre quanto ele e os outros. Finjimos que eu era do seu clã, e não uma andarilha solitária, nem uma professora de escolinha de crianças. O velho nos deixou entrar depois de um exame minuscioso. Tinha cabelos grisalhos compridos e um estranho silêncio. Seus parceiros eram mais jovens e menos joviais; suas peles lisas não compensavam o cansaço e o pavor de todo aquele desconhecimento. Iríamos fazer armaduras. Uma pra mim, uma para ele. Eu queria que fosse azul, mas o velho devia ter decidido que seria rubra como a de Maccaly. Fazer o quê? Eu tinha bastante consciência do que ele estava fazendo. "Foque na realidade", eu disse. Decidira que a realidade era o meu sonho.
No sonho de hoje, porém, lutei sem armas. Estava de volta ao colégio, e encontrava novos e velhos amigos. Alguns nunca tinha visto antes. Como ele. Foi um sonho estranho. Talvez eu tenha conversado com Chihiro, ou Sen, talvez eu tenha discutido com a Gabi, lutado com o Cham, cumprimentado a Lori. A verdade é que me lembro mais claramente dele que de tudo o mais. Minto. Lembro melhor ainda dela.
O nome dele era Thomas. Como Thomas de Hookton, mas não tão bonito. Tinha uns cabelos comprido encaracolados como os do Eduzinho, mas mais escuros. Também os olhos eram escuros. E todo o corpo. Ou as roupas. Não sei como nos conhecemos, ou o que ele estava fazendo no colégio. Essas coisas não importam muito, seja na vida real, seja num sonho. Sei que ele foi na minha casa, quando dei uma espécie de festa. E quando chegou, apresentou-me aquele felino fantástico. A gata tinha três pares de patas. Quando sentava, ficava enclinada para frente ou para trás, incapaz de ficar ereta como um gato comum. Era mais humana, quase falava conosco e a tratamos como uma companheira, não como um bichino. O nome dela era Nara.
Conversamos por tempo indeterminado, eu, Thomas, Nara, outros gatos e outras pessoas. Ele deitou meio cansado, eu abracei o seu corpo e pensei me deixa adormecer dentro do sonho. Ele acordou de um cochilo, falou algumas bobagens, eu respondi à altura. Então Nara pulou no meu colo. Depois ele virou gato e ela virou gente. Uma menina linda, e bem menos cor de rosa. E ele era preto ou cinzento. Os dois brilhavam. Me fizeram repetir o nome dela muitas vezes para que eu não esquecesse. Nara? Nara! Nara. Thomas, Thomas. Tiveram que ir embora. Peguei-a no colo e não quis soltar mais. Queria tê-los conhecido um pouco mais, antes que voltassem para a escuridão brumosa das lembranças atemporais.
Não é que eu tenha me apaixonado, entende? Não foi como daquela vez. Daquela vez o rapaz não tinha nome, não tinha malícia, nem traços humanos. Era um desenho, uma sombra, um vulto. Aqueles momentos agradáveis foram diferentes destes. Desta vez não havia nenhuma suposiçao. Os conheci ali, não havia passado. E da outra vez não havia a linda Nara.
Não. Acho que foi apenas a facilidade de tudo aquilo. Até porque era um sonho, e nos sonhos as coisas tendem a ser simples. Sem jogos, sem obrigações, sem medos, sem preâmbulos. Nos sonhos também as coisas tendem a durar pouco.
Dormi de novo e estava andando pela cidade com meu irmão. Chegamos à casa de Thomas. Era uma casa linda, com fantásticas coluninhas ornamentadas "suportando" uma laje enorme. Quando a demolição começasse, se desmanchariam como flores quando pisadas. Eu e Marco começamos a retirar as colunas, especialmente as mais bonitas e delicadas, e juntá-las longe do resto da casa. Os demolidores nos observavam, faziam comentários, achavam estranho, mas continuamos. Thomas e Nara não morariam mais ali, mas ainda era um lugar bonito. Ao menos aquilo seria salvo.
O sonho acabou enquanto notávamos como aquela parecia a casa da vovó. A casa que era da vovó.
Tenho de contar-vos uma história. Conto, porque segredo é coisa de quem gosta de sofrere. Conto, porque acho que pode ser uma bela história. Conto porque tenho medo. Ou desejo. Ou porque aquele calor era quase tão real quandoo calor que sinto agora, porque aquele carinho era quase tão confortante. Conto porque foi importante.
Nara, Nara, Nara. Eu não queria acordar...
Tudo começou de uma forma bastante estranha. Admito que foi tolice entrar naquela arena sem atentar para as conseqüências, mas quem diria que nós não poderíamos mais sair? Depois, como saímos, atraímos a pena de morte de todos os lados. Ainda não sei se escapamos.
Então, quem nos poderia culpar por termos nos aliado ao Crestomanci e seus subordinados? E de quem foi a culpa por eles terem usado magia numa hora tão imprópria? Se Hitler nos pegou naquela hora, ouso dizer que não foi por nossa incompetência. De qualquer forma, não havia muito o que fazer.
As coisas voltaram atrás depois daquele confronto. Fomos de novo crianças brincando com bexigas coloridas. O velho carro de um tio ou tio-avô estava parado na garagem e nós não podíamos resistir a colori-lo. Foi tudo uma seqüência de ações acorrentadas como as peças do Rali. Teria sido melhor se o vô estivesse conosco. Houve uma estranha cerimônia familiar, a qual me deixou muito irrequieta, e em todos os olhares eu via uma certa perda, talvez até uma hostilidade nos olhares dos tios dos meus tios, dizendo que eu não era neta deles. Foi horrível. Fizemos uma baderna para acabar com tudo.
Crescemos um pouco. O colégio era ainda mais bonito no sonho. Havia árvores floridas e labirintos, e colinas verdes alegres nas quais nos perdíamos sempre. Levei as criancinhas para passear num recanto cheio de coníferas e animaizinhos. Conversei novamente com o pequeno Dione. E a Leidinha. E a Môniquinha. O Paulo. Perdemos e encontramos muitas coisas. Materialmente, fomos feridos de morte. A dor foi embalada com boas lembranças.
Chegou finalmente o tempo da faculdade. O campus universitário era um lugar bastante estranho: moradias de diversos níveis, pessoas sempre muito diferentes, e em um lugar os alunos fizeram casas de pau-a-pique, de bambu, casas tão porcas que viver nelas parecia como viver num charco. O próprio chão era lama. Mas não nos intimidamos. Fomos em frente, perante os olhares de todos aqueles astranhos. Fomos armados. E nadamos na mesma água da praia deles.
Acho que o tempo passou. Várias foram as batalhas. As mortes. As aventuras. Voltei ao colégio, conversei com a Bia da Biblioteca, lemos novos livros com as crianças. Lavando o rosto no bebedouro do corredor, porém, eu ainda me sentia vigiada por aqueles olhos pequenos. Convivi. As histórias eram demasiado belas. Um dia, meu irmão me chamou. Entramos num ônibus estranho, e começamos a finjir. Finjimos que eu era tão grande guerreira e tão nobre quanto ele e os outros. Finjimos que eu era do seu clã, e não uma andarilha solitária, nem uma professora de escolinha de crianças. O velho nos deixou entrar depois de um exame minuscioso. Tinha cabelos grisalhos compridos e um estranho silêncio. Seus parceiros eram mais jovens e menos joviais; suas peles lisas não compensavam o cansaço e o pavor de todo aquele desconhecimento. Iríamos fazer armaduras. Uma pra mim, uma para ele. Eu queria que fosse azul, mas o velho devia ter decidido que seria rubra como a de Maccaly. Fazer o quê? Eu tinha bastante consciência do que ele estava fazendo. "Foque na realidade", eu disse. Decidira que a realidade era o meu sonho.
No sonho de hoje, porém, lutei sem armas. Estava de volta ao colégio, e encontrava novos e velhos amigos. Alguns nunca tinha visto antes. Como ele. Foi um sonho estranho. Talvez eu tenha conversado com Chihiro, ou Sen, talvez eu tenha discutido com a Gabi, lutado com o Cham, cumprimentado a Lori. A verdade é que me lembro mais claramente dele que de tudo o mais. Minto. Lembro melhor ainda dela.
O nome dele era Thomas. Como Thomas de Hookton, mas não tão bonito. Tinha uns cabelos comprido encaracolados como os do Eduzinho, mas mais escuros. Também os olhos eram escuros. E todo o corpo. Ou as roupas. Não sei como nos conhecemos, ou o que ele estava fazendo no colégio. Essas coisas não importam muito, seja na vida real, seja num sonho. Sei que ele foi na minha casa, quando dei uma espécie de festa. E quando chegou, apresentou-me aquele felino fantástico. A gata tinha três pares de patas. Quando sentava, ficava enclinada para frente ou para trás, incapaz de ficar ereta como um gato comum. Era mais humana, quase falava conosco e a tratamos como uma companheira, não como um bichino. O nome dela era Nara.
Conversamos por tempo indeterminado, eu, Thomas, Nara, outros gatos e outras pessoas. Ele deitou meio cansado, eu abracei o seu corpo e pensei me deixa adormecer dentro do sonho. Ele acordou de um cochilo, falou algumas bobagens, eu respondi à altura. Então Nara pulou no meu colo. Depois ele virou gato e ela virou gente. Uma menina linda, e bem menos cor de rosa. E ele era preto ou cinzento. Os dois brilhavam. Me fizeram repetir o nome dela muitas vezes para que eu não esquecesse. Nara? Nara! Nara. Thomas, Thomas. Tiveram que ir embora. Peguei-a no colo e não quis soltar mais. Queria tê-los conhecido um pouco mais, antes que voltassem para a escuridão brumosa das lembranças atemporais.
Não é que eu tenha me apaixonado, entende? Não foi como daquela vez. Daquela vez o rapaz não tinha nome, não tinha malícia, nem traços humanos. Era um desenho, uma sombra, um vulto. Aqueles momentos agradáveis foram diferentes destes. Desta vez não havia nenhuma suposiçao. Os conheci ali, não havia passado. E da outra vez não havia a linda Nara.
Não. Acho que foi apenas a facilidade de tudo aquilo. Até porque era um sonho, e nos sonhos as coisas tendem a ser simples. Sem jogos, sem obrigações, sem medos, sem preâmbulos. Nos sonhos também as coisas tendem a durar pouco.
Dormi de novo e estava andando pela cidade com meu irmão. Chegamos à casa de Thomas. Era uma casa linda, com fantásticas coluninhas ornamentadas "suportando" uma laje enorme. Quando a demolição começasse, se desmanchariam como flores quando pisadas. Eu e Marco começamos a retirar as colunas, especialmente as mais bonitas e delicadas, e juntá-las longe do resto da casa. Os demolidores nos observavam, faziam comentários, achavam estranho, mas continuamos. Thomas e Nara não morariam mais ali, mas ainda era um lugar bonito. Ao menos aquilo seria salvo.
O sonho acabou enquanto notávamos como aquela parecia a casa da vovó. A casa que era da vovó.
terça-feira, 20 de junho de 2006
Sonhos
Eu tive um sonho estranho... Tudo era tão feliz... Eu podia ir viajar... Você sorria sem parar... Todos se falavam... O sol brilhava... As árvores pareciam cantar... A comida da cantina era boa...
Eu sonhei com você. Eu preferia nunca mais sonhar com você, mas é claro que é você que está lá sempre, por trás dos meus pensamentos, envolto numa bruma de raiva e amor e frustração constante... Não que não tenha sido um sonho bom, sempre são, e sempre dá aquela sensação gostosa de dever cumprido, de problemas resolvidos, de objetivos alcançados, mas aí, quando eu acordo, olho ao redor e penso de novo: "saco. só mais um sonho." E lá fora os problemas todos continuam atazanando, insolúveis... Eu não queria sonhar com você, com vocês todos, não queria sentir tudo o que sinto por vocês, não queria precisar de vocês dessa forma. Queria, sabe? que fôssemos amigos e que estivéssemos lá uns para os outros... Mas mas mas... *suspiro*
Sei lá viu... Esse sonho hoje me fez perceber o quanto é preciso abandonar para entregar-se. Eu não abdiquei o suficiente, na verdade. Mas ainda acho que poderíamos ter tido mais, sabe? De alguma forma... Mas de alguma forma os abraços quentes são e serão sempre sufocantes. Eu preciso às vezes de um abraço frio assim, de quem não quer mais nada, pra que eu sinta que ainda posso um pouco sobre mim. Eu não quero seu carinho, seu colo, seu beijo. Você é secundário. Mas eu te amo mesmo assim. E eu vou fingir que o seu amor basta pra mim... (porque eu preciso disso) ...Mas só por um instante.
Sei lá, eu... eu acho que eu preciso muito entender... eu acho que não é suficiente pensar... acho que... acho que eu só quero brincar com você... ou ouvir você rir... eu acho que estou um pouco só... ou um pouco desatenta... acho que não sei o que fazer... estou cansada... cansada disso tudo... de ter que fazer meu papel... e fingir uma porção de coisas... e da fome e dos caminhos longos e da luz do sol que irrita meus olhos quase tanto quanto a luz do computador... e da frustração diária de lembrar disso tudo e de ter que ser uma porção de coisas e de acordar todos os dias sem nenhuma perspectiva e jogar todos aqueles jogos horríveis e ver todos aqueles seriados fragmentados e comerciais fragmentados e até o jantar é fragmentado e meus ossos estalam e eu penso que diabos... cansada de entrar nos mesmos blogs nunca atualizados e pensar "aposto que não tem nenhum post porque ele está fazendo algo mais interessante"... e passar um tempo inominável lendo, cochilando, olhando as árvores no banco da praça, inventando formas novas de comer a mesma comida, de entreter os mesmos amigos que parecem querer estar sempre presos nos mesmos velhos assuntos... de perceber a mudança muito lenta de todas as coisas e só suspirar e me sentir impotente perante as forças superiores dos horários e das sensações... sei lá... talvez eu devesse ir visitar meus amigos mais vezes... se é que isso é possível... e às vezes, como uma cereja no topo do sorvete, eu me sinto tão parecida com você... e depois me sinto tào diferente... e eu não quero ser igual nem diferente... eu não quero provar nada, porque nem tem o que provar... não, eu só quero alguma coisa pra fazer... eu só quero descansar meus olhos por um instante, debaixo das àrvores verdes contra o azul do céu... quem sabe descansar também as pernas no banco macio da praça...
Eu sonhei com você. Eu preferia nunca mais sonhar com você, mas é claro que é você que está lá sempre, por trás dos meus pensamentos, envolto numa bruma de raiva e amor e frustração constante... Não que não tenha sido um sonho bom, sempre são, e sempre dá aquela sensação gostosa de dever cumprido, de problemas resolvidos, de objetivos alcançados, mas aí, quando eu acordo, olho ao redor e penso de novo: "saco. só mais um sonho." E lá fora os problemas todos continuam atazanando, insolúveis... Eu não queria sonhar com você, com vocês todos, não queria sentir tudo o que sinto por vocês, não queria precisar de vocês dessa forma. Queria, sabe? que fôssemos amigos e que estivéssemos lá uns para os outros... Mas mas mas... *suspiro*
Sei lá viu... Esse sonho hoje me fez perceber o quanto é preciso abandonar para entregar-se. Eu não abdiquei o suficiente, na verdade. Mas ainda acho que poderíamos ter tido mais, sabe? De alguma forma... Mas de alguma forma os abraços quentes são e serão sempre sufocantes. Eu preciso às vezes de um abraço frio assim, de quem não quer mais nada, pra que eu sinta que ainda posso um pouco sobre mim. Eu não quero seu carinho, seu colo, seu beijo. Você é secundário. Mas eu te amo mesmo assim. E eu vou fingir que o seu amor basta pra mim... (porque eu preciso disso) ...Mas só por um instante.
Sei lá, eu... eu acho que eu preciso muito entender... eu acho que não é suficiente pensar... acho que... acho que eu só quero brincar com você... ou ouvir você rir... eu acho que estou um pouco só... ou um pouco desatenta... acho que não sei o que fazer... estou cansada... cansada disso tudo... de ter que fazer meu papel... e fingir uma porção de coisas... e da fome e dos caminhos longos e da luz do sol que irrita meus olhos quase tanto quanto a luz do computador... e da frustração diária de lembrar disso tudo e de ter que ser uma porção de coisas e de acordar todos os dias sem nenhuma perspectiva e jogar todos aqueles jogos horríveis e ver todos aqueles seriados fragmentados e comerciais fragmentados e até o jantar é fragmentado e meus ossos estalam e eu penso que diabos... cansada de entrar nos mesmos blogs nunca atualizados e pensar "aposto que não tem nenhum post porque ele está fazendo algo mais interessante"... e passar um tempo inominável lendo, cochilando, olhando as árvores no banco da praça, inventando formas novas de comer a mesma comida, de entreter os mesmos amigos que parecem querer estar sempre presos nos mesmos velhos assuntos... de perceber a mudança muito lenta de todas as coisas e só suspirar e me sentir impotente perante as forças superiores dos horários e das sensações... sei lá... talvez eu devesse ir visitar meus amigos mais vezes... se é que isso é possível... e às vezes, como uma cereja no topo do sorvete, eu me sinto tão parecida com você... e depois me sinto tào diferente... e eu não quero ser igual nem diferente... eu não quero provar nada, porque nem tem o que provar... não, eu só quero alguma coisa pra fazer... eu só quero descansar meus olhos por um instante, debaixo das àrvores verdes contra o azul do céu... quem sabe descansar também as pernas no banco macio da praça...
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