terça-feira, 25 de outubro de 2011

I want to ride it where I like

Ontem eu fui de bicicleta até a casa do Rê. Foi tão legal! Quero andar mais de bike, apesar de estar toda dolorida nas pernas... Quero viajar de bike! É tão incrível se movimentar com as próprias forças.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Ami (sonho)

Eu sonhei contigo outra vez.

Os sonhos estão ficando piores.

Ou melhores? Entretanto é ruim acordar e ficar triste por um momento de saber que foi apenas um sonho.

Eu fico pensando na sua voz (no meu sonho) dizendo "não esquece, tá?". Tão próximo de como você realmente se comporta quando eu te encontro.

Eu fico pensando na sua voz (inventada) perguntando "por quê?". Será que você é assim? Ou será que é completamente diferente? De alguma forma eu acho que eu gosto mais do você de verdade. O você que é mais você e menos eu.

Talvez eu precise apenas da profundidade do amor das pessoas que eu amo. E eu te amo, sem dúvida eu te amo. Pelo menos enquanto importa o fato de que você é incrível e eu estou apaixonada por você. Todo o resto é apenas uma casca, um contexto.

E é tão bom saber que nós somos amigos!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Sucinto

De dentro de mim, ouço um sussurro que é praticamente um choro.

"I'm empty and aching and I don't know why."

Eu sou o lobo na noite, solitário, andando lentamente por entre as árvores. Eu sou a fome e o frio, eu sou o vento uivando no centro da cidade. Eu vejo um coelho passando, desatento, mas desta vez eu sequer tenho vontade de caçá-lo. A fome já está muito próxima de mim para isso.

"Magic or love or battle or death - you'll take any of them."

Hoje eu sonhei com uma pessoa. Meia hora depois, pensar sobre o sonho tinha me levado a pensar em outra. De novo eu pensei naquela noite tanto tempo atrás, and I started crying when I started feeling that rancid smell of stale love. Fuck that. It's been too long, and my tears are only telling me to move on. I hate this part. I hate giving up on a feeling. Acho que a única saída é procurar um novo sonho. Um sonho mais... real.

Eu vou esquecer tudo deste vez. Eu vou desencanar e relaxar e parar de me importar tanto com as conseqüências. Eu vou parar de chorar sem mootivo e ir atrás daquilo que está por trás. Eu vou parar de ter mêdo de perder a dignidade. Pelo menos uma vez eu vou tentar ser algo diferente.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Comentário sobre a adaptação de "Around the Riverbend"

Eu queria saber de onde os tradutores de Pocahontas tiraram que ela está em se perguntando com quem ela vai se casar, quando é claro na letra original que ela se pergunta se ela deve se casar. Acho meio fascinante como na segunda estrofe a tradução consegue inverter o sentido de todas as frases... A versão original é claramente "será que posso abandonar os tambores e essa história de casar pra ficar aqui no rafting?", e a tradução é claramente "eu sei que existe um homem maravilhoso de outra tribo distante que vou encontrar". Os tambores representam a estabilidade e a família nessa cena (isso é bem claro pela cena anterior), então "tambor distante que me chame" acaba sendo "vou abandonar minha família pra casar com um outro cara", mais do que "seguir meu destino fora da estabilidade". A Pocahontas obviamente não é apegada à estabilidade õ.ô. Acho muito bizarro. (obviamente, gosto muito mais da original).

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What I love most about rivers is:
You can't step in the same river twice
The water's always changing, always flowing
But people, I guess, can't live like that
We all must pay a price
To be safe, we lose our chance of ever knowing
What's around the riverbend
Waiting just around the riverbend

I look once more
Just around the riverbend
Beyond the shore
Where the gulls fly free
Don't know what for
What I dream the day might send
Just around the riverbend
For me
Coming for me

I feel it there beyond those trees
Or right behind these waterfalls
Can I ignore that sound of distant drumming
For a handsome sturdy husband
Who builds handsome sturdy walls
And never dreams that something might be coming?
Just around the riverbend
Just around the riverbend

I look once more
Just around the riverbend
Beyond the shore
Somewhere past the sea
Don't know what for...
Why do all my dreams extend
Just around the riverbend?
Just around the riverbend...

Should I choose the smoothest course
Steady as the beating drum?
Should I marry Kocoum?
Is all my dreaming at an end?
Or do you still wait for me, Dream Giver
Just around the riverbend?

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O que eu gosto no rio mais
É que ele nunca está igual
A água é sempre livre e vai correndo
Mas não podemos viver assim
E este é o nosso mal
E o pior é que acabamos não sabendo
Lá na curva o que é que vem
Sempre lá na curva o que é que vem

Quero saber
Lá na curva o que é que vem
Eu só vou ver
Aves a voar
Quero entender
O meu sonho é que diz
Lá na curva o que é que vem
Pra mim
Que vem pra mim

Eu não me canso em procurar
Eu sei que um dia eu vou ouvir
Algum tambor distante que me chame
E o estável lar que eu criei
Irá me proteger
Quero segurança e um homem que me ame
Lá na curva o que é que vem
Lá na curva o que é que vem

Quero saber
Lá na curva o que é que vem
Eu só vou ver
Que cheguei ao mar
Quero entender
E o destino eu devo ouvir
Lá na curva o que é que vem
Lá na curva o que é que vem!

Que caminho vou seguir?
Qual a melhor solução?
Vou casar com Kokowan
Ou devo então casar com quem?
Vou só sentir que o meu sonho vive
E depois da curva vem

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O que vier à mente

Porque tenho sentido falta de escrever.

Tenho gostado de matemática. Muito. Tenho me envolvido com isso e me aprofundado e mergulhado nisso.Às vezes acordo de manhã e penso "ah, então o que aquela frase daquela demonstração queria dizer era isso...". Lembro de quando eu decidi, no ano passado, que minhas coisas favoritas de estudar eram computação e matemática. Oh well. Agora minha lista de preferências começa com matemática, seguida por biologia, seguida por computação. Mas acho que é assim mesmo, e não tem por que eu mudar de idéia. Eu sempre tive consciência de que escolhi Ciências da Computação apenas porque Matemática Aplicada e Computacional era noturno. E Computação é uma coisa que pode te dar mais emprego e etc. Sei lá, não tenho estado afim de ter um emprego. Quero estudar pra caralho e passar o resto da vida estudando. Hoje resolvi ocupar meu tempo livre com uma aula de Álgebra. E me sinto terrivelmente feliz.

E como nada pode ser perfeito eu tenho me sentido ao mesmo tempo meio solitária. Meio vazia. Sinto falta de algo que não sei bem o que é. Pessoas, caçadas, eu acho. Faz alguns meses desde a última vez em que conheci alguém novo ou tive vontade de caçar alguém específico, e às vezes acho que essas coisas são necessárias para a minha paz de espírito. Hoje tive um sonho muito divertido em que eu tentava seduzir duas lésbicas adoráveis. Mas eu tenho um pouquinho de mêdo de lésbicas, alguns de vocês podem imaginar porquê. No final do sonho eu saía da tal festa e ia de bicicleta para a faculdade junto com o Renex. No fim das contas eu sou uma pessoa feliz.

Mas não feliz demais. Me sinto inquieta, como se algo estivesse se dirigindo para uma condição errada, como se eu estivesse subindo na montanha russa e precisasse descobrir como sair do carrinho antes que chegue a descida. Mas talvez não haja nada além do carrinho neste trilho e eu não tenha opção além de descer escorregando. Ou talvez eu já tenha pulado fora do carrinho e esteja tentando voltar para dentro dele. De qualquer forma, acho que os últimos quatro anos me ensinaram a ser terrivelmente desconfiada em relação às minhas próprias decisões.

Mas não estou realmente afim de estudar bioinformática, não ainda, e não consigo me convencer a parar e retomar os teoremas de àlgebra que o Agozzinni sugeriu que eu estudasse. Isso requer muita concentração. E é tão gostoso gastar essas horas lendo o Murray ou o Spivak, destrinchando equações diferenciais ou tentando provar propriedades óbvias das operações com números reais usando apenas as definições...

domingo, 7 de agosto de 2011

O Registro

"Extraio de mim para o papel; o sumo de minha alma para o papel"



Vou começar este post copiando algumas páginas do meu caderno:
"[4/8/2011] (...)
Ontem...
... Hoje quero escrever coisas muito íntimas, e como as pessoas do meu lado tendem a ler eu caderno contra a minha vontade enquanto escrevo, eu estou evitando escrever. Lembrei agora daquela página daquele antigo diário que escrevi toda em código (arghe-sangue-pirata, para quem isso significa alguma coisa) porque ninguém podia saber do meu desejo secreto pelo prof. paiva. Hoje isso parece tão bobo. Eu preferia qu aquela página estivesse em uma língüa que eu pudesse ler.
Estive pensando muito sobre coisas que eu achava de um jeito e agora vejo qu acho de outro, e é um pouco surpreendente notar que eu achava todas essas coisas absurdas. Lembra de quando eu tinha fantasias com namorar o Yuri e trai-lo com o Charles? E encontrei uma falha naquele plano da Ana Bruner de escrever minha Weltanschauung: eu nunca poderia prever que essas coisas que mudaram seriam relevantes o suficiente para anotá-las! Quantas outras coisas eu nem poderei lembrar? Estes cadernos são o melhor registro de quem eu sou, de quem eu era quando os escrevi. E mesmo que eu escreva todos os dias, sempre falta alguma coisa. Tem tanta coisa que não dizemos. Tem tanta coisa que nem pensamos nas vozes superiores do pensamento! Talvez eu devesse me proucupar mais em guardar comentários em blogs alheios, dou muito mais opiniões ali. Ou pelo menos opiniões mais incisivas. Talvez eu devess desencanar disso tudo também, afinal, de que me serve obter tão extenso registro? Que me serve ter um registro tão extenso e cuidadoso de mim?"

Com uma freqüência assustadora, eu percebo que no passado eu pensava coisas que hoje em da me arecem totalmente absurdas. Essa fantasia da tração é uma das que mais me choca. Naquela época eu estava começando a descobrir quão difícil é tentar amar uma só pessoa, e eu queria ter os dois (como todo mundo sabe, eventualmente eu acabei namorando os dois, um depois do outro. Mas não foi uma coisa planejada. Acho que foram só paixões muito intensas que não desapareceriam se não se cncretizassem), e eu achava que não havia nenhuma olução lícia, por isso nas minhas fantasias eu buscava as soluções ilícitas. Isso foi antes do episódio em que eu decidi que não ia mais namorar e no qual o Di conseguiu me mostrar que existiam outras opções de vida. Hoje em dia, eu considero que se eu quero trair (propositalmente) meu namorado, é porque eu não devia estar namorando com ele pra começo de conversa. Fico aliviada por ter chegado a essa conclusão sem passar por nenhuma situação realmente problemática (pelo menos nesse âmbito). Sempre fui correta demais para conseguir fazer algo que eu sabia que machucaria alguém que eu amo (e eu sempre tive certeza de que não conseguiria realmente mentir para alguém amado e íntimo).

Acho que por um lado me é útil fazer esse registro de mim, porque assim eu consigo ver mais claramente o que mudou, o que ficou. Além disso, eu posso escrever, eu tenho sobre o que escrever, eu gosto de escrever e de faer palavras bonitas. E no blog, é claro, eu posso me comnicar. Mesmo nos meus cadernos-diários eu sempr sinto que estou escrevendo para alguém. Talvez seja a marina do futuro. Tavez eu esteja escrevendo para uma menina do futuro que vai encontrar esses registros e le-los um a um. Às vezes eu tenho vontade e ostro o qe escrevi para algumas pessoas. Eu sou sincera porque acho que não vale a pena viver se não e para viver plenamente, sinceramente, sendo quem você é. Eu escrevo em um úico blog porque me recuso a me fragmentar. No mesmo lugar escrevo poesia, discuto meus estudos e assuntos acadêmicos, divago sobre política e sociedade, e temas que são totamente inapropriados para uns ou outros públicos. Porque eu me recuso a me fragmentar. Mas para quem estou escrevendo?

E por quê? Será que isso sequer é realmene uma questão? Acho que se eu continuar registrando, eu nunca vou me arreender.

...

Eu tenho uma certa necessidade de preservar o presente, sabe?

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Cinqüenta Presas

"Mas jamais poderei esquecer de uma sensação – ao vê-lo fumando nu na janela, pensei: 'quero de novo. E de novo. E de novo'." - Letícia



Estive lendo o blog da @sexocomletícia, www.cemhomens.com/, e me divertindo com nossas semelhanças e diferenças de visão de mundo, com as experiências interessantes que ela tem para compartilhar, e com os pensamentos também. Às vezes uma ou outra afliçãozinha de não me sentir parte do mesmo mundo que ela, mas isso passa. A Letícia é mais uma das mulheres divertidas que a Pretzel me mostrou na internet. O que me faz pensar que eu devo ter muito em comum com a Pretzel. E quando eu estava fazendo estágio e tinha que aturar aquele papo de homem de escritório (não quero realmente generalizar, mas criei muitos preconceitos contra o mundo das empresas) essas mulheres me permitiam acreditar que eu não estava sozinha num mundo hostil que nos odeia e nem se dá conta disso. Elas, e os protestos a favor do casamento gay.

A verdade é que eu gosto de uma vida divertida, livre e pessoal, digo, personalizada, e gosto que ela seja de um jeito particular que não é totalmente padrão e que é totalmente contra algumas das nossas intituições morais e aquilo que a gente finge ser quando conversa com as nossas tias (felizmente eu tenho uma família bem tranqüila, mas ainda tem uma porção de coisas que acho que nunca vou compartilhar tranqüilamente com alguns membros dela). E eu me encontro muito com algumas das coisas que a Letícia diz. Chego a ficar com uma leve inveja dela. Ultimamente, com a faculdade e o namorado e estágios e família e gatos e o diabo a quatro, não tenho tido muita disponibilidade, tanto de tempo como de espírito, pra viver aventuras assim.

Ultimamente, não tenho nem sabido quem caçar. Todas as pessoas por quem tenho me interessado fervorosamente estão namorando, ou só gostam de homem, ou os dois. Ou eu nunca as vejo. E eu sempre me sinto um pouco envergonhada por reclamar disso enquanto eu tenho um namorado, e depois eu sempre me sinto meio ridícula por me sentir envergonhada por algo que eu já aceitei que faz parte de mim e que eu não quero mudar. Ontem eu estava conversando sobre isso com o Diogo (que é sempre um amigo muito bom quando você precisa compartilhar um segredo) e ele perguntou: "Isso é normal pra você?", e eu disse "sim", e foi isso, estava resolvido. Agora eu só preciso que aquelas pessoas que têm namorado de quem eu estava falando tenham uma visão parecida com a minha.

E tem aquela coisa de esse texto dizer que "Como ainda não conheci nenhum homem que pudesse satisfazer uma mulher que quer “de novo, de novo, e de novo”, o jeito é utilizar os serviços de vários homens. Talvez, até de mais de um ao mesmo tempo".

Mas faz algumas semanas eu me dei conta de que não é só porque você tem um namorado mais ou menos disponível que você tem que fazer sexo todo dia. Eu descobri isso e foi surpreendente porque eu achava que eu já sabia que namoro não era só sexo. Mas parece que não, eu achava que era sim. Aí o André me disse que não era bem assim e eu parei pra pensar e, realmente, tem dias em que tem coisas mais legais pra fazer. Não coisas legais em absoluto, coisas que são legais naquele dia. Sim, ir numa festa louca com todos os seus amigos, rir por doze horas seguidas, é sempre muito legal. Mas tem dias em que coisas banais são mais legais do que sexo, tipo jogar Theme Hospital. Ou consertar a bicicleta. Ou ficar enrolado no sofá vendo TV e jogando Kongregate.

Por outro lado há dias em que todos os meus pensamentos levam a sexo, e tudo o que eu quero é comer todo mundo. Eu fico um pouco desorientada nesses dias, até porque obviamente eu nunca como todo mundo. Eu não sei se todo mundo tem esses dias de fera, em que todas aquelas outras coisas da vida parecem só uma decoração em volta do prato principal que é comer alguém. Imagino que seja uma coisa meio normal. As pessoas devem lidar com isso de formas diferentes, também.

E talvez esse texto tenha me pegado por que ela sofria com uma paixão não correspondida e aí encontrou um cara que a fez desencanar um pouco disso e simplesmente se libertar e ir se divertir. Foi uma experiência que realmente a modificou, dá pra sentir ao longo da história. E acho que eu quero um pouco alguma coisa que me faça desencanar das coisas com as quais estou encanada agora. Que me faça mais lôba, mais feliz e menos mimizenta.

http://www.cemhomens.com/2011/06/numero-1-irresistiveis-olhos-verdes.html#more

sábado, 23 de julho de 2011

acha que sexualidade é uma coisa construída/formada, ou é determinada mais hormonalmente/geneticamente/biologicamente?

acho que tem muito dos dois. acho que boa parte dos impulsos mais basais é determinada pelo seu corpo (coisas de criação, como a alimentação, e principalmente uso de remédios hormonais, são importante, bem como a genética), mas a forma de lidar com seus impulsos e desejos é muito cultural. Mas acho que tomar hormônios pode te transformar numa pessoa diferente (que às vezes é o que você está buscando).

acabei de pensar que talvez você estivesse falando de orientação sexual. acho que por quem você se atrai é muito biológico. Mas nossa cultura pode determinar a quais atrações você vai dar mais atenção, levando a repressão de alguns desejos e cultivo de outros.

eu acho.

Ask me anything

sexta-feira, 15 de julho de 2011

novo design

Achei que o antigo estava pálido demais. Não dava pra ler fantasia direito.

Estou curtindo ver números nas "reações". Já tinha colocado essas opções fazia tempo, mas parece que no design antigo não funcionava. Acho bacana. Mas fico me contorcendo querendo saber o que as pessoas querem dizer quando clicam em uma ou outra coisa. Principalmente quando clicam no "nada a ver".

Floden Seimsisk

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Repetindo

Eu li este post antigo e tive vontade de destacá-lo. Não consegui pensar em como. Então vou simplesmente publicar de novo.

"Pensando bem, eu não vou voltar.
Eu não quero voltar. Eu só vejo fogo lá atrás.

Eu quero queimar tudo.

Eu não quero tentar reacender velhas amizades, eu não quero me basear em nada do que já foi. Eu quero cortar minhas raízes, e esquecer o passado.

Pensando bem, eu nunca vou me encontrar. Eu sou um pássaro que já voou, um inverno que passou, uma estrela que morreu, uma peça que saiu de cartaz.

Eu não quero guardar nada do meu passado. Eu quero enterrar cada caderno, cada carta de amor. Eu não quero sequer me lembrar dos sonhos, das risadas. Eu quero cortar o pecíolo e me largar no vento.

Eu quero perder a idade, perder o mêdo de envelhecer, perder o arrependimento, perder o compromisso. Eu quero perder a dor, perder a traição. Eu quero perder a culpa de ter abandonado.

Parece que quando a gente resolve um problema, a gente praticamente esquece que ele existia. Então eu quero esquecer de tudo. Eventualmente, tudo desaparece.

Eu quero me libertar da vida que eu tive até aqui. Esquecer que estou presa a ela, esquecer o dever que tenho para com ela. Eu quero recomeçar.

Acho que quem em sou agora não bate com a visão de mundo que eu tinha antes. Não bate com quem eu era, no que eu acreditava. Eu quero fechar os olhos e parar de tentar entender."

(nota:

a postagem anterior ia se chamar "mei", a palavra na minha própria língüa para "tu". Mas no último instante resolvi mudar de língüa. Se não faz diferença, posso apenas seguir meu coração.

foda-se o mêdo. Se não tenho esperanças reais, posso pelo menos continuar escrevendo.

E acho significativo que eu tome esta decisão no dia quatorze)

Hoje tive uma idéia para uma história.

Du.

Do lado de fora do círculo, uma borboleta voa como se fosse luz colorida. A borboleta é na verdade um dragão. O dragão é na verdade uma enseada. O veleiro na enseada percorre um círculo ao teu redor e canta em louvor da tua caminhada sobre as águas. Tu és uma fada. Tu cantas. Tu és o Lobo na noite, a Gata, os pêlos teus brilham sedosos refletindo um beijo matrimonial da Lua. A Lua na verdade é um espírito da chuva. Eu sei, eu corri com ela por cima de poças d'água e voei no flanco das águias procurando olhos que vissem longe, e encontrei os teus. Eu não sou tua, mas ainda assim sigo tuas pegadas. Eu sou tua porque te amo. Eu sou o Amor, O Mais Lépido dos Dragões, minhas patas fortes e grandes percorrem espaços minúsculos por cima de montanhas ancestrais, e ao meu redor todos se apaixona, ao meu redor as urzes, as carmelitas, as senóides, as taturanas. Tu és a curva regular de um regato com inclinações matemtáticas, o revelo de uma fazenda de formigas que inadvertidamente imita uma representação da função de Riemann. Eu sou uma formiga, primitiva e carnívora, uma formiga com pêlos, com caninos. Debaixo da lua eu sinto o calor dos mamíferos, eu sinto o amor dos bichos sociais, eu crio a vida em pequenos flocos, eu passo adiante um olhar de doçura. Eu sou tua porque te amo. Eu te amo porque nas bordas de um mar imenso me parece que todas as ondulações representam a canção que quero compor para ti. O castelo de areia na verdade é uma luminária. A luminária imita um vagalume. As tuas mãos imitam as mãos de milênios de cuidado carinhoso. Tu és uma serpente do mar, leviatã imensa, a luz da lua te faz brilhar prateada, tuas escamas parecem véus de seda em dias de casamento. Tentas nos falar e ouvimos o rumor primordial das nuvens. Mas tanto quero te ouvir que te entendo. A serpente na verdade é uma criança, e a criança brinca com um filhotinho de gato no jardim de uma casa de campo. Eu te quero porque te amo, porque sonho com estar contigo, porque imagino uma vida de risadas e viagens por mar. Eu vestirei a roupa do cavaleiro negro e te protegerei de todos os perigos. Eu enfrentarei os monstros e os magos cruéis, mas eu te darei a única coisa realmente boa que tenho a oferecer. No meu leito de morte, na luta derradeira contra o último dragão (e é necessário que eu perca a batalha para que os dragões sobrevivam e para que entendas o que vim fazer) eu tocarei teu rosto com minhas mãos rudes cobertas por grossas luvas, e entenderás meu carinho e minha doçura, e me amarás um pouquinho, mas saberás que não é o toque de meus dedos no teu rosto que tenho a oferecer. Quando eu te levar a galope por campos ancestrais, quando eu rir um riso de criança em tua companhia, nada disso será o que realmente quero te dar. Os homens em verdade são todos meninos, e todas as mulheres são crianças. Eu não sou melhor do que eles, e eu não posso te enganar. Mas eu te tomarei nos braços quando estiveres triste, e eu dançarei contigo quando estiveres contente, e nós andaremos da lâmina de luz que se estende sobre o mar do Belo Reino. Eu te amo, e quero compartilhar esse luar contigo. Eu tenho tanto mêdo de que não entendas... Eu tenho um mêdo imenso de que não sejas a dama que enxergo quando te vejo. Mas, mesmo se fores outra pessoa, outro tipo de fada ou mulher, eu ainda te terei em grande estima. Ainda oferecerei minha espada se quiseres ser minha rainha. Eu não posso evitar o cavalheirismo quando enxergo teus olhos feminis. Tu és a leõa com quem tenho sonhos nas minhas noites de presa. Tu és a esfinge. A esfinge na verdade é uma avó antiga da rainha Titânia. E as harpas dos meninos gregos fazem a trilha sonora do teu caminho. Tudo isto é teu, se quiseres, se puderes ver. As paisagens infinitas se cobrem de forração verdejante. No lombo de feras imensas eu conheci os corpos de homens e de animais paleóticos. Eu dancei com os mitos antigos antes de te conhecer. E tu me fascinas porque também olhaste nos olhos dos mitos. Mas não sei dizer o que pudestes ver. Eu queria dizer que anseio por percorrer contigo um campo infinito. Mas eu tenho muito mêdo de que digas "não".

Se me abandonares às minhas próprias aventuras, ainda assim não ficarei solitário. Meu espírito vagará em boa companhia, embora talvez eu ainda me sinta um pouco só. Voltarei para te contar de todas as histórias, e por mais que me doa tudo o que não puder ser contado, tentarei ao máximo mostrar a beleza das pequenas coisas, dos detalhes dos encontros. Da borboleta que na verdade era um dragão. And so forth. Mas quero te pedir que não te vistas sempre em roupas de rainha, porque alguns tipos de trabalho exigem um gibão de couro e um par de galochas. Nós vamos entrar juntas nas florestas difíceis da terra dos Anjos. Nós vamos encontrar os olhos de antiqüíssimos deuses do Norte, de antes do Ragnarokk. E vamos pegar carona nos velhos ventos. Serás minha princesa, mesmo se não fores minha companheira de batalhas. Mas meus companheiros então serão tufões de vento, criaturas da noite, pessoas de coração como o meu, dispostos a enfrentar dragões, capazes de amar os dentes das bocas que os mordem.

Eu não guardarei rancor, porque também os amo, porque não estarei só e entenderei tua decisão de não vir conosco. Na verdade apenas serei capaz de aceitar essa decisão porque não estou só, mesmo agora. Tenho um sonho que me acompanha, um gato de orelhas negras que está sempre perto dos meus pés e corre comigo e me carrega nas costas quando preciso descansar. Eu sonhava com que dormisses comigo aninhada na barriga fofa desse animal, eu sonhava com que caçasse conosco pelos campos nevados e pelas florestas fechadas e pela tundra que cobre as planícies perto da noite. Mas se me disseres não, montarei no flanco do meu gato, vestirei minha armadura e amarrarei teu lenço, minha dama dos sonhos, na ponta da minha lança, antes de seguir para o Castelo de Nuvens onde o Rei dos Elefantes, que tem seis braços de seis diferentes cores, me dará uma missão. Eu não ficarei sozinha, mas em noites de lua mansa em que a brisa do mar-de-longe me trouxer o cheiro das nossas viagens, eu segurarei o lenço, rasgado e manchado de sangue, perto da boca, sem coragem de morder, com mêdo de perturbar os velhos demônios da tua falta. E tu serás um sonho que corre pelos uivos dos lobos, vivendo uma vida fora do meu alcance. Eu voltarei para ti, cheio de cicatrizes, e beberemos e comeremos e trocaremos histórias de caça e de reinado. Mas a cada inverno eu me terei mêdo de ter te perdido outra vez. Eu quererei te ter comigo, meu irmão de sonhos, minha irmã de noites. O gato na verdade é um homem. Tu viverás sem mim. Eu me esforçarei para parar de mentir para ti, de parar de me esconder. Tu serás feliz.

Mas esta noite, quando eu morrer na luta contra o dragão, eu cavaleiro de histórias antigas, eu teu Lancelot-Morgana, condenado a te deixar nas mãos de Guinevere, eu tocarei teu rosto com amor e explodirei como um milhão de liridas g'alambra, um milhão de pássaros de sombras levando-te comigo em todas as direções. E tu te tornarás um animal de asas.

Nos separaremos, então. Sempre nos separamos. Mas distantes é que se torna forte a única coisa realmente preciosa que posso oferecer e que ainda não tenhas: sozinha é que melhor saberás apreciar a Liberdade. Antes de ser Lancelot eu me chamava Galahad. E tu, quando não eras rei, te chamavas Gwydion. Tu eras um gamo jovem. E tu eras uma dama-fada, enfeitiçada pelos rei de Faërie. E eu era uma Lôba jovem, Raksha, uma mãe de lobos e homens, uma mulher do sangue, e um príncipe, desses que toma navios para o fim do mundo, desses que nada tem fora a própria liberdade. E eu... eu vim até aqui apenas para oferecê-la a ti. Eu sei que não a queres. Eu sei que queres todo um outro mundo. Mas não posso evitar sonhar com a tua companhia. Não posso evitar sonhar que enxergues que apenas quero te permitir ser feliz mesmo quando os reis do teu castelo não puderem te fazer sorrir. Eu quero te dar a ti mesma. Eu quero os teus olhos nos meus. Eu tenho mêdo. O rei era na verdade um namorado. O gamo era na verdade uma carta. A espada era na verdade um telefonema. Vamos voltar para casa agora. Eu te amo.

Río Abajo Río

quarta-feira, 13 de julho de 2011

De novo

De novo eu escrevi e não tive coragem de mostrar. Como uma carta de eu escrevi e não consegui mandar. Eu nunca consigo te dizer a verdade. Eu tenho tanto mêdo que a única vez que eu te disse a verdade foi porque eu não a conhecia ainda. Aí eu entendi. Mas essa foi uma vez em que você me escreveu de volta. Eu fiquei tão feliz! Depois você escreveu outras coisas, e tivemos um ou outro momento em que você falou comigo. Mas eu não sei, é sempre tão difícil pra mim falar com você.

Talvez eu devesse parar de tentar me esconder.

Fiddler's Green

terça-feira, 12 de julho de 2011

sábado, 11 de junho de 2011

Chão

Sabe, a USP é um dos lugares de que eu mais gosto na vida. Vivi tanta coisa lá e é um lugar tão bonito. Às vezes, quando acontece de eu passar muito tempo indo pra lá sempre de carro, eu sinto falta de ir a pé, atravessar a praça do relógio, pisar nos cimnhos pisados nas alamedas das ilhas, observando a todas aquelas pessoas que passam por mim, estudantes, professores, vendedores de comida, funcionários da limpeza ou da administração, diretores, passantes.

Devem existir lugares melhores no mundo, em outras cidades, em outros países, em outros continentes. Talvez outras universidades, ou talvez lugares selvagens, ou parques temáticos, eu casas de pessoas que ainda não conheci, ou mesmo casas de pessoas que já conheço, ou colinas mineiras, ou... Mas a usp é minha casa, e vai ser por mais algum tempo ainda. Lá eu me sinto mais gente do que em qualquer outro lugar. Lá o que eu faço é de verdade. Lá sou mais competente do que jamais serei na casa dos meus pais, sou mais ambiciosa do que jamais serei nos lugares selvagens, sou mais humana também, e a usp tem um efeito mágico em mim de fazer o futuro parecer um pouco mais possível. E também tem todas essas lembranças boas, me convencendo de que eu sou gente afinal.

Sabe, quando eu ando pela cidade, eu me sinto quase sempre uma estranha nesse formigueiro humano. Eu estou cansada e não há lugar em que se possa descansar. Se eu deito num banco, vêm um cara dizendo que é proibido deitar. Se eu sento na calçada, vem um cara dizendo que é proibido sentar. E não tem lugar pra correr, e é proibido subir em árvores, e é proibido pisar na grama, e vão tomar no cu todos vocês; no final do dia eu estou sozinha, nenhum desses lugares me pertencem, em nenhum deles eu sou querida, e eu não posso sequer ir embora. É muito melhor simplesmente andar e andar, até chegar num lugar onde eu esteja sozinha, eu e as coisas inanimadas, porque as coisas inanimadas não me rejeitam.

Houveram lugares na vida que me acolheram: as praças perto do colégio, a Cajaíba, Paúba, um ou outro bairro residencial... E, bom, a USP. Acho que a USP é mais especial porque ela não é a praça perto do colégio, ela é o colégio. E eu não ando por ela apenas com meus amigos mais íntimos, mas com todos os que estiverem aqui. Até gente que nem estuda aqui! Porque aqui eu posso jogar RPG, jogar baralho, subir em árvores, dormir no chão, beber, dançar, namorar, brigar, construir coisas, destruir coisas, comer fruta no pé, observar animais selvagens (inclusive corujas e preás), cantar, assistir peças de teatro, ver filmes, comer, trabalhar, virar a noite, correr, discutir assuntos muito diversos, fazer amigos, assistir aulas diversas, entrar em palestras, passar oito horas no computador, começar qualquer assunto sem ser taxada de nada (é claro que isso é com as pessoas certas), conhecer gente muito diferente de mim e ainda me sentir em casa...

Acho que por isso, o fato da USP ser um lugar tão ridiculamente perigoso à noite me dói muito mais. A gente meio que mora aqui, a gente vive aqui e eu pretendo viver aqui por muito tempo ainda. E eu gostaria de poder correr por todas essas ruas como se elas fossem corredores da minha casa, com mêdo apenas das quedas e dos animais perigosos, e não da cidade lá fora, a Selva Humana que é muito mais assustadora que qualquer outra selva. *sigh*

É claro que eu gostaria que a cidade fosse um lugar mais público, que as ruas fossem um pouco mais nossas. Mas eu sinto muito forte essa necessidade de que as ruas que já são nossas sejam boas para nós.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Discurso do twitter++

#diadosnamorados

Posso falar? Eu detesto o dia dos namorados. Sempre que chega esse dia eu tenho vontade de estar solteira! Acho que é porque eu sempre tenho vontade de estar solteira, mas também porque todas as lembranças realmente boas que tenho de dias dos namorados são das Festas de Solteiros, nos poucos ou velhos dias em que eu tava solteira. De verdade, não consigo lembrar o que eu fiz nos dias de namorados em que eu tava namorando. Fora no último deles, em que eu decidi terminar meu namoro.

Essa institucionalização do amor me incomoda tanto que eu não consigo aproveitar. E eu não preciso de datas coletivas pra coisas pessoais. Na verdade, eu me incomodo profundamente com a idéia de que todo mundo estará comemorando seus namoros ao mesmo tempo que eu. Eu não quero achar que meu relacionamento, tão especial, com alguém que eu amo tanto que vale a pena sacrificar minha liberdade por ela, é apenas mais um na mesma categoria de tantos outros que não têm nada a ver com ele. Até porque eu nunca me submeteria a algumas coisas que a maior parte dos namorados acha normal. E temn tanto namoro aí afora que é tão menos significativo que o meu! Eu não quero fazer parte desse conjunto.

Com isso tudo em mente, proponho mudar o nome desse dia pra Dia dos Solteiros, e que todo mundo seja solteiro por um dia! \o/ Vejam só, a gente se divertiria um monte, aproveitaria a diversão de ser solteiro, juntaria os casados e os solteiros numa grande festa, e refletiria muito mais profundamente sobre a validade dos nossos namoros. A putaria é opcional.

Dia dos Solteiros ftw! Apoiem esse projeto!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Hell In A Handbasket

Voltaire

Oh and Now
The end is near
And I face that final curtain
So good-bye to strife
This is the last dance of my life
Lord of this I'm certain

I've been a sinner.
I've been a saint.
Done both good and evil deeds.
Oh, but in the end, I was good to my friends
and that's good enough for me.

Oh good Lord, they say all souls you forgive.
Well if that's true then why
does there need to be a hell?
Hey, what's that sulfury smell?
Now I can feel, the fire, creepin up my thigh.

I'm goin to Hell
in a handbasket.
It's a Bohemian Rhapsody.
Oh, Galileo, mama mia, scaramouche, scaramouche.
Oh, Beelzebub's got a devil put aside for me.

I'm goin to Hell, in a handbasket.
With my flesh they'll make a feast.
I'm gonna be there in that number.
That's 666 the number of the beast.

I'm goin to Hell, in a handbasket.
Well at least I'll have a view.
Oh I will see the fire, through the rusty razor wire.
Oh don't you worry, I saved a seat for You.

I'm goin to Hell, in a handbasket.
And I might like it that way.
No this ain't no lie, I'd rather be Kentucky Fried
Than alive and kicking in Jersey any day

I'm goin to Hell, in a handbasket.
I'd pray if I had the guile.
No this ain't no fib
I'd rather be a splatter on the Devil's bib.
'Cause on my knees repentent ain't my style.

I'm goin to Hell, in a handbasket.
Oh please don't pray for me.
No I don't need to be saved, of the devil I ain't afraid.
There ain't nothin he can do that ain't already been done to me.

I'm goin to Hell, in a handbasket.
And I'll have good company too.
'Cause If I was so bad, than there's no need to be sad.
'Cause everybody else will be there too (Including You!)

Oh good Lord, I only ask you forgive
The self righteous who decieve
When your words they twist,
We both know Hell don't exist,
Except in the minds of the poor fools who believe