terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Desabafo

Disclaimer: Admito que estou escrevendo só porque estou péssima e preciso desabafar e estou sozinha. Se você acha isso um saco, não leia.

Então passar na fuvest me deixou feliz por mais ou menos cinco minutos. Durante o resto da semana eu até me diverti um pouco, saí com uns amigos que se tornaram meus veteranos, etc. Aí passou. Quando fui fazer matrícula estava me sentindo um lixo. Estar na usp não me fez nada feliz. Ao meu redor tinham bixos de todos os lugares, totalmente pintados, parecendo se divertir, e veteranos se esforçando pra ficarem mais limpos que os bichos, e me pareceu que a maior parte deles estava na usp a menos tempo que eu, e todos estavam felizes demais pra mim. Conversei com o Davi e com o Reverbel, e isso foi legal, e encontrei a Ana, o Rafa, o Tomáz, a Rita e mais umas pessoas e isso também foi legal. Depois eu fiquei na fila um tempão antes de descobrir que estava ali à toa porque eu não tinha levado os documentos necessários, e isso foi bem chato. Depois fomos acompanhar a Rita no seu trote, e isso foi bem horrível.
Por que foi horrível? Não sei bem, acho que foram todas aquelas pessoas tão animadas, alunos e professores, e ficar esperando sabendo que eu tinha pisado na bola e ia ter que perder metade do dia pra resolver, e a Rita saindo e dizendo que tinha assinado um papel assumindo responsabilidade se ela morresse em alto-mar me fez morrer de inveja (não de morrer, de ir pra alto-mar) e o trote que ela recebeu foi umas mil vezes mais empolgado que o meu, e eu tive vontade de ser bixete, ou ao menos de um dia ter sido bixete. Não é a mesma coisa quando todos os seus veteranos conhecem muito menos da usp que você. Quando você já teve bixos e mesmo assim nunca os tratou como bixos. E quando seus 'veteranos' estão todos totalmente desligados e desanimados.

No final eu acabei desistindo de me comportar como bixete. Estava ficando irritada com a quantidade de veteranos incompetentes, que me davam informações erradas e não sabiam de nada. Infelizmente eu não estava com a minha carteirinha, senão teria usado a técnica de apontar pra meu número usp e mandá-los me buscar cerveja.

O final do dia foi menos ruim porque encontrei o Ademar, conversamos um monte e ele me pagou cervejas e coca-cola com vodka (chamar de cuba-libre me pareceu forçação de barra...), e eu conversei com umas pessoas até que bacanas, mas fiquei desapontada de não conseguir encontrar mais meus amigos que estavam comigo antes porque eles foram para casa, enquanto eu quis ficar para a festa no IME (a festa incluía IF, IO e IME, mas o que tinha era 60% IF, 20% IME e 20% avulsos (Poli, Eca, etc). Acho que não veio ninguém do IO). No fim o Chalom veio nos encontrar e ficamos mais um tempo bebendo cerveja e papeando antes de ir pra casa.

Não lembro direito o que aconteceu depois. Acho que fiquei um tempo conversando com Talita e Alex em casa, como de costume, mas não tenho nenhuma lembrança disso. André conseguiu me convencer, com muito esforço, a tomar banho antes de dormir. Acordei às sete e meia precisando muito de água e toda dolorida. Voltei pra cama e dormi profundamente. Acordei de novo ás onze e meia, bem mais inteira.

Quando cheguei aqui, minha vida ainda parecia um lixo.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Realidade e ficção

A propósito, estou me esforçando muitíssimo para compartilhar o pouco de sabedoria que tenho, na forma de dúvidas e proposições, tentando manter a ficção enquanto crio pelo menos um pouco de verdade.

Dúvidas de apaixonados

Como é difícil falar com você sem você saber que eu te amo. Como me tortura quando trocamos olhares e você não sabe o quanto o meu é desejoso. Toda vez que falamos tenho vontade de gritar, de confessar minha paixão de uma vez por todas, de me livrar desse segredo e dessa dor. E me deliciaria ver, mesmo que só por um instante, a resposta relampejar nos seus olhos, a verdade por um instante, seus sentimentos, surpreendidos antes que a máscara das atitudes os cobrisse para mostrar a Resposta Adequada. Seria incrível, e esse desejo quase me leva à ação, mas me contecnho, não posso. Tenho mêdo demais: uma previsão me apavora. Não é que eu tenha mêdo da sua rejeição - de fato já estou prevendo que meu amor será rejeitado, ou então haveria aquele lampejo de esperança que acabaria por subjugar os meus temores. Sim, se fosse possível que você me amasse como eu a amo, eu poderia criar coragem, e um dia, quando por sorte ou por engenharia nos encontrássemos a sós, eu sussurraria para seus olhos a verdade de tudo o que vejo neles. Sim, mas... Mas eu poderia viver com a rejeição se minha confissão fosse feita na esperança de um final contigo. Mas assim como estamos, queria te contar tudo o que penso e sinto apenas porque me aflije tanto guardar estes segredos de você. Por que não posso ser sincera? É que tenho mêdo da Máscara, aquela que você provavelmente vestirá para me explicar que não pode, que não é isso que você quer comigo. É esse o meu mêdo? A mentira convencional que pairará entre nós toda vez que eu a vir sabendo que você sabe, sabendo que se apenas as coisas fossem um pouco diferentes, talvez pudesse dar certo? Será que tenho mêdo de arruinar tudo entre nós? Não, não é isso ainda. No fundo eu sei do que tenho mêdo. Na verdade o que me aflije é prever que, você sabendo, e mais que isso, eu tendo contado em voz alta e visto a sua reação e aquele lampejo de veracidade em seus olhos, eu não seria capaz de conter por mais nem um segundo a torrente de afeto que quer jorrar em você. Eu sei que posto assim parece até um pouco nojento - e é assim mesmo que me sinto quando penso que depois de me abrir com você eu nunca mais conseguiria falar contigo sem falar de amor, ou caminhar contigo sem querer segurar tua mão, ou estar do seu lado sem te envolver em meus braços, porque é como se eu tivesse uma válvula segurando tudo isso, e segurando forte, mas que uma vez aberta não vou conseguir fechar. E eu não quero: eu não posso destruir o que existe entre nós, mesmo que não seja quase nada; eu não quero destruir o nosso respeito, essa nossa distância, que permite que vivamos vidas separadas, e que permite, e talvez isso seja o mais importante, que eu possa viver minha vida sem precisar de você.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Pausa para um postinho

Eu estou aqui porque minha cabeça está zunindo com todas as letrinhas mágicas que não formam nenhuma palavra conhecida que acabei de encontrar na minha pequena jornada para tentar entender melhor a mesoderme do multiverso digital (aaah, justaposição de metáforas!). Eu acabei sendo lançada do Javascript para o Ajax com uma certa violência e, francamente, não é fácil entender quando a galera começa a falar de Ajax - a menos que o assunto tenha começado na área de limpeza, é claro. Pra descansar - porque estou num lugar estranho e me sinto meio acanhada de simplesmente ir dar uma volta - vou escrever alguma coisa.

Que tal uma história?

Proposição: o herói, no começo da história, nunca sabe que vai ser herói. Uma vez eu tentei contar uma história sobre um garoto chamado Davi. Eu gostava dele porque ele não era apenas um joguete nas mãos do acaso como todos os outros heróis. Ele um dia decidia que ia sair de casa e viver uma aventura, e assim ele saía de casa e vivia uma aventura. Mas agora vejo que caí numa armadilha assim que comecei a escrever sua história - não pude evitar inserir uma princesa e uma infância solitária, o desamor de sua casa e o amor de algo distante que iam sem dúvida fomentar no menino a disposição para partir em aventura. É difícil; acho que não consegui combater satisfatòriamente o impulso de explicar porque eu mesma não havia tomado minha vida nas mãos e partido numa aventura. E o motivo poderia ser o mêdo ou o conforto, mas acho que o argumento verdadeiro (acho mesmo) é que eu amo minha família. Eu amo cada um deles, e nunca consegui trocar a amizade de meus irmãos e o carinho de meus pais pela imprevisível descoberta do mundo. Além disso, eu sempre pensei em minha mãe, que se preocupa tanto comigo. Talvez, quando eu era muito pequena, fosse mesmo a noção de que eu não saberia o que fazer lá fora. Mas esse mêdo deixou de me incomodar há muito tempo.

Afinal estamos sempre fazendo o que não sabemos fazer. Estamos todos completamente perdidos. Ou talvez alguém aí saiba o que está fazendo; eu admito que não faço a menor idéia. Estou nadando num pântano, avançando muito lentamente e sem saber direito para onde. Mas lentamente estou começando a confiar que posso correr riscos. Isso de correr riscos é muito importante - é difícil evoluir de uma posição de confiança. E precisamos correr sem saber para onde. E precisamos vislumbrar.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Grunf

às vezes eu acho que nunca vou ter paciência pra trabalhar a sério. E olha que eu nem estou trabalhando. Estou num ambiente de trabalho, estudando javascript porque eu achei que ia conseguir fazer coisas divertidinhas com ele, mas até agora eu só consegui me frustrar infinito! nada minimamente legal está funcionando e a droga do tutorial sequer menciona essas possibilidades! Gronf!

Ah well. Pelo menos eu olho pela janela e tem uma grande pedra me olhando; onde mais eu poderia ter isso? Eu fico me lembrando dessas coisas pra não me arrepender de estar aqui. Afinal... Afinal, tuddo passa, os dias, os meses, não é, e eu sou obrigada a confiar que o futuro me dará oportunidades para não me arrepender muito amargamente de ter recusado as opções que recusei. Estou tentando não pensar nisso. Estou realmente me esforçando para não pensar...

Enfim, aqui estamos, Vitória, na parte da cidade que parece que fecha os olhos no reveillon, a cidade aqui em volta está vazia, não tem nada de interessante, e eu estou feliz porque hoje vamos no cinema e amanhã vamos à praia, e parece que isso vai ser muito melhor do que ficar aqui onde nada acontece.

Ok, preciso debelar o mau-humor.

É que eu queria tanto estar em casa... Mas vou fingir que não, vamos fechar os olhos, tudo vai dar certo no final, tudo vai dar certo, e, à propósito, eu te amo, e eu queria muito que você fizesse parte da minha vida pra sempre.

Que saco, estou emotiva de repente.

Testes

Preciso dar uma pausa nos meus atuais estudos de html, css e javascript (eu sei, eu sei, mas eu não consegui me forçar a estudar pra fuvest ainda, droga! e isso é tão mais interessante...) e vou aproveitar pra fazer alguns testes aqui no blogger.

Essencialmente, eu quero saber o quanto disso pode ser usado aqui. Vamos tentar? Vou começar com um form:


Legal, parece que funciona (e, bom, essa é a coisa mais complicada que eu aprendi a fazer em html até agora). A questão agora é se o javascript funciona também... apesar de eu não ter entendido lhufas de como essa coisa funúncia... enfim.

Aliás, alguém sabe onde eu posso aprender javascript a sério?

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Ei, maninho,

Feliz aniversário,
Que tudo esteja azul,
'Cê é muito gente fina,
Bacana pra xuxu!


Enfim, hoje é o dia do seu aniversário e eu pensei em fazer uma homenagem a você. Você sabe e eu sei que já fizemos muitas homenagens um ao outro em nossos blogs - é que é assim que a vida funciona, nós dialogamos, nós nos alimentamos um do outro, nós fazemos uma canção em conjunto, nos criamos o mesmo mundo - mas este ano nós ficamos meio distantes, e eu lembro na praça do pôr do sol quando você me abraçou e pediu pra não sumir de novo, e agora eu estou aqui fora da cidade, longe de você e de mais um monte de gente, e pensando se isso é certo, se é certo eu ficar aqui longe, aqui onde eu não posso te abraçar e falar sobre a vida com você.

Sabe, maninho, de todas as pessoas que eu conheço você é a que eu mais vi mudar. Eu vi meus irmãos, meus pais e meus primos mudando, mas meus primos estavam meio distantes, meu pai está se assentando sobre o que ele sempre foi, minha mãe está lutando contra algo que só ela pode enfrentar, e meus irmãos talvez estejam até perto demais pra eu conseguir entender a mudança, ou talvez eles sejam muito suaves, muito tranqüilos, e estejam apenas se tornando o que eles já prometiam ser de qualquer forma. Você não.

Não, Ugo, você mudou radicalmente, bruscamente e muitas vezes desde que eu te conheci. E eu também, contigo. Começamos como o Squick e a Ma, tímidos e meio perdidos em meio a todas aquelas pessoas determinadas, exageradas, da ação comunitária. Eu estava começando a descobrir que podia ter meus próprios amigos, mas ainda estava meio deslumbrada por aqueles nerds maconheiros que fizeram a gente decorar legião-urbana... E você era um garotinho minúsculo (menor do que eu!), de voz fina e parecido com um ratinho, mas eu nunca vou esquecer o dia eu que você ficou puto com as crianças e começou a vociferar e a dar ordens e todo mundo ficou com mêdo de você - pra provar que o que veio depois estava só esperando pra aflorar. Também não consigo esquecer o dia em que você propôs que a gente fosse na sua casa ler, e como todos nós rimos de você, e como eu me envergonho disso, porque hoje em dia me pareceria uma ótima idéia a qualquer momento.

Depois passou um ano em que estivemos separados, e foi o ano em que eu aprendi a me apaixonar e em que mudei completamente de amigos, e pra você foi um ano de ficar longe dos amigos que você tinha, e não consigo imaginar como foi pra você - mas sei que quando te encontrei de novo, 20cm mais alto e de voz grossa, nós dois éramos pessoas muito diferentes, e ainda assim fomos nós que voltamos a ser amigos quando todo o resto do antigo bando tinha se esfacelado. Pois é! Nada mais de Bruno Azem, nada mais de nerds maconheiros, quase nada tinha restado daquele grupo que acumulou tantas lendas na minha memória. E também, agora éramos colegiais, e nossos interesses mudaram. E no começo foi um pouco estranha a forma como você nos seguia como se fôssemos heróis, só porque tínhamos ficado tanto tempo longe e eu e meus amigos éramos um pouco mais velhos e talvez um pouco mais arrogantes. E alguns dos nossos amigos eram pessoas pentelhas que ficavam pegando no nosso pé ininterruptamente, e eu me tornei a Mali minúscula de se pegar e morder e você virou o Ches, que as meninas apertavam como um brinquedo e os moleques zoavam, e acho até que eu fiquei aliviada quando eles começaram a pegar no seu pé porque eu já estava de saco cheio. Mas a gente passou por isso, eu porque estava apaixonada por eles, e você em parte por isso, em parte porque você podia aturar algumas pessoas de quem você não gostava pra ficar com a parte de que você gostava, o que é admirável. E houve momentos em que nós ficamos sozinhos e pudemos brincar das velhas coisas de que a gente sempre brincara sem interferência de quem queria achar a gente ridículo.

É claro que essa fase valeu a pensa: teve o pirate's tale, viagem pra fazenda, nossas história de vampiros e lobisomens, e tudo o mais que a gente inventou e trocou e imaginou e viveu. Foi legal pra caralho! Mas acho que essa fase teve que passar e a gente teve que sair daquela muvuca que era o colegial pra eu poder virar Marina e você, Ugo. E eu lembro que de repente você deixou de ser um garoto doce e divertido pra ficar revoltado e agressivo. Muito agressivo! Por vários meses eu fiquei com mêdo de você, porque você estava bravo com tudo, e odiava tudo, e queria que todo mundo te respeitasse mas não sabia como merecer esse respeito, e você queria ser um grande psicólogo mas ainda não sabia nada de psicologia. E aí você entrou na faculdade, começou a estudar e a ler mais, fez kung-fu, e começou a entrar nos eixos e levar as coisas mais na boa, e foi inevitável que nos tornássemos melhores amigos. Sabe o quê, maninho, você conseguiu o respeito que você queria.

Acho que é por ter visto todas essas mudanças que eu me orgulho tanto de você. Sabe, você já disse e pensou tanta merda na vida, já acreditou em tanta coisa errada, e já foi tão ignorante de tanta coisa! Mas agora você tem seu chão pra defender, e é um belo chão. Eu ainda discordo pra caralho de você, mas agora ninguém pode achar que você é bobo pelas coisas nas quais você acredita.

Você se tornou um belo homem, maninho. Estou curiosa para ver como mais você vai mudar - como nós vamos nos transformar - daqui em diante.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Meaw

And I feel lonely. Been with you for so long that I don' know how to be alone anymore. All around me are ghosts - of far away loves, of dreams andreamt. I miss having you who knows all about me by my side. I miss who I am when I have this world you build around me. And we're just going about with our businesss and I... wait, what is my business again?

I feel so lonely and empty. Suddenly my friends feel so distant. Suddenly I feel like my world is another. I'm in for a different game. I don't know where you are anymore.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Como dizer?

Estava pensando em escrever um poema, mas não sei ainda qual. Queria que ele girasse em torno da idéia da Leoa, como uma Deusa. A Leoa pra mim sempre foi um símbolo de um certo tipo de poder, é ela que protege a cidade de Levante que muda de nome toda vez que é conquistada... A Leoa é Labwa, é a Devoradora, é o animal fêmea que mata e dá vida. Será que esse símbolo pode sustentar sozinho o meu poema? Ou será que preciso do meu amor para sustentá-lo? Acho que é um bom símbolo.

Leoa dos infinitos mundos
Persegues tuas presas pelas savanas
Em compasso com tuas irmãs, mães de teus sobrinhos
E amantes do pai dos teus filhos
Tuas presas, fera, manténs ocultas
Até o momento fatal do bote
Mas quem duvidaria de tua ferocidade?
Tuas garras manténs dentro dos dedos
Nas patas que pisam suavemente a relva
Tua caçada, Labwa, é silenciosa
Mas corações disparam quando vêem teus olhos cheios de morte
E tu lhes trazes a última dor que sentirão sobre a terra
E derramas o último sangue.
Teus lábios ensanguentados limpas com a língua áspera
Tua boca que mata leva a carne aos filhotes
Leoa, em dadas tardes te deixas caçar pelo violento e cabeludo macho
Cujo rugido que afasta inimigos tu admiras
E cujo corpo enorme e quente tu desejas
Leoa, em teu corpo esculpido para matar surge a vida
Tuas patas parecem pequenas quando carregam a futura caçada.


Acho que não há mais o que ser dito.

Agora já sei quem você é, minha leoa: você é a Esfinge.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Inquietação

Quero escrever alguma coisa, quero desabafar, mas não posso, não posso.

Acho que está na hora de eu conversar com alguém ao vivo.

Onde estão meus amigos?

Procuro um homem [?]

Procuro um homem que não seja como todos
os outros homens que até hoje conheci
Que seja incômodo e imprestável como os outros
Mas um que saiba o quanto deve dar de si

Eu não procuro um homem que seja perfeito
mas um que seja livre e siga com coragem
Que tenha a cara de reclamar seus direitos
sem hesitar e sem se perder na linguagem

Procuro um homem que se guie por seus sonhos
e, perseguindo-os, não se acanhe de ir além
Um que consiga subjugar os seus demônios
mas que seja um pouco demônio ele também

Procuro um homem que não caia do cavalo
ou que, caindo, também saiba levantar
Que, como um gato, às vezes venha de mansinho
e às vezes pule sobre a presa pra matar

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Achei isso numa pilha de anotações antigas... Acho que deve ser de 2006, mas não posso garantir; talvez seja de antes, talvez de bem depois. Acho que eu tenho muito poemas descrevendo o amor que eu quero... Mas acho esquisito, acho que hoje em dia eu não escreveria uma coisa assim, "procuro um homem"... Eu não procuro mais um homem, eu procuro a mim, a você, a quem possa saciar essa fome, à origem da fome. Minha forma de pensar, de enxergar essa questão, mudou radicalmente.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Ao Cara da Bicicleta [24-25/9/2005]

Estou andando pela rua e vem
Você, que me coloca muito bem
Uma palavra doce no caminho.
Eu olho pra você, penso na vida
De que me vale estar assim perdida?
Em tantos colos quero fazer ninho...

Eu vinha andando meio solitária
Na sociedade me sentindo pária
E vem você chamar-me de gatinha.
Talvez não seja bom pensar assim,
Mas peço que não venha atrás de mim
Pois isso eu tenho que vencer sozinha

E, se vier, posso não ser legal
Vou ser cruel, posso te deixar mal
Se você não se despedir agora
Mas você não me ouvira o não amaro
Eu disse então que tinha namorado
Pra você desistir e ir embora


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Sim, existem pessoas que às vezes tiram algo de bom de encontrar um cara idiota te xavecando na rua. Esse cara de fato apareceu de bicicleta me chamando de gatinha. às vezes essas coisas imbecis são importantes pra quem está totalmente perdido.

Alerta [set/2005]

Não pule no lago, eu te disse, vai se machucar
mas a água do lago era linda como a água do mar
Tinha ondas que iam e vinham, para te atrair
e eram ora cruéis ora doces, pra te consumir
Pois eu disse: não pule no lago - você não me ouviu
Se afastou de mim (sou também água) e em frente seguiu
Foi largando no caminho roupas, armas e armaduras
Mas eu acho que suas intenções não eram seguras
Você foi, pois, andando sem mêdo mas meio hesitante
mas então viu o dragão do lago - foi desconcertante!
e tão surpreendido qual gato no meio do pulo
você veio pedindo socorro, tateando no escuro
E eu pensava, ao ver você assim, voltando do errado
que eu dissera, e você não me ouvira, "não pule no lago"

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Ah, eu gosto tanto do ritmo deste poema! Eu gosto também de algumas das metáforas dele. Algum dia eu preciso explicar o que é o lago =)

Rascunhos

"Não faça rascunhos. Leve cada desenho a sério." - Peçanha


Sabe, eu tenho dois rascunhos quase permanente no meu blog, além de um rascunho rotativo de Histórias Sem Fim. São começos de histórias que eu queria escrever, que começaram muito naturalmente, mas que eu não consigo continuar! É tão difícil continuar. Particularmente esta sobre o Lay, o Anjo do Relâmpago (é a primeira vez que o chamo assim, em português), é difícil porque eu comecei querendo escrever com leveza e beleza, mas a vida do Lay não é bonita, e eu não consigo dar o passo do lirismo para a narrativa. Acho narrativas muito difíceis, me dou muito melhor com as descrições. Bem, acho que nunca serei um contador de histórias como o Garth Nix, mas talvez eu possa almejar um pouco do fascínio do Tolkien... Enfim, vou publicar esse rascunho para vocês terem uma idéia do que estou falando.


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Na cidade de Raéa tudo era tão bonito! As praças estavam cobertas de lírios e as torres dos palácios se erguiam claras e majestosas em direção ao céu azul e límpido lá em cima. Em Raéa nunca chovia, nunca ficava nublado, talvez porque a cidade estava acima da maioria das nuvens, no topo dos picos fantásticos que o povo comum chamava de Heaven. É claro que o nome original do lugar era Haven, mas quem discordaria do nome que o povo dava, quer dizer, haveria um lugar mais próximo de se chamar de Céu? Os enormes pássaros de Raéa se agitavam e cantavam para despertar a cidade. Os habitantes de Raéa, como qualquer povo de boa fé, venerava a Quemi, o Pássaro das Cores, e a Quehy, a Fênix de Luz. Exemplares jovens das duas espécies saltitavam aqui e ali, colorindo e iluminando o ar em que dançavam; mas o pássaro mais presente da cidade era o que eles chamavam de Alma dos Ventos, uma ave imponente que parecia nunca parar de crescer e que viajava distância inacreditáveis para fazer seu ninho nas torres dos palácios. E, como era bem cedo, os parapeitos das janelas estavam apinhados de Almas das Manhãs, os menores pássaros de Raéa (ainda um pouco maiores que um sabiá de peito laranja), que tinham penas macias como as plumas de um bebê e que se reuniam no nascer do sol para se aquecer, conversar com seus irmãos em trinados baixos e graves e entoar adoráveis cantigas de acordar. Não havia melhor forma de acordar que o amanhecer de Raéa! O sol entrava por todas as janelas e fazia brilhar as torres imaculadamente brancas. As casas baixas, feitas de blocos mais rudes das pedras claras das montanhas, estavam cobertas de flores delicadas que se abriam ao toque do sol. Cada porta, esculpida na mais nobre madeira jovem que crescia timidamente abaixo das nuvens, se abria, e cada janela, apenas para deixar o vento entrar. Logo todos estariam despertos, e a cidade estaria cantando com o prazer de um novo dia. Era por essas manhãs que Lyserh vivia. Ele adorava saltar para a rua e sentir o ar correndo por sua pele enquanto abrandava a queda. O azul do céu e o branco brilhante das casas e das flores o preenchia , como o calor do sol. Ele cumprimentava os pássaros ao caminhar pela praça. Era sua vez de ser feliz. Era tudo o que tinha na vida.
Neste dia, Ly também estava feliz porque ia conseguir uma coisa a mais, uma coisa a mais a que se agarrar nos momentos em que a luz parecia distante. Ele não tinha a menor dúvida de que a partir de então ele seria feliz! Ali, em Raéa, onde cada dia era perfeito, ali ele ia encontrar seu lugar do lado direito de Deus. Era impossível parar de sorrir. Ali ele ia encontrar aquilo que daria sentido à sua vida.
Ele atravessou mais algumas praças cobertas de lírios, e algumas ruas estreitas e floridas, saltitando de pedra em pedra e cantarolando para acompanhar as Almas. Antigamente ele costumava pensar com freqüência em como seria, depois da morte, é claro, ser um pássaro e passar seus dias planando e chilreando por aí; mas hoje esse pensamento sequer lhe ocorreu -- a vida parecia tão bela assim do jeito que estava! Era difícil pensar em coisas tristes ou mesmo coisas imperfeitas neste dia alegre.



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Minha idéia é contar como Lyserh entrou para a força de elite dos Anjos. É muito importante para a história que ele entre nela. Na verdade é essa a fundação do personagem. Mas eu não consigo fazer acontecer.

Direitos [23-25/9/2005]

Nem todo coração
tem direito a ficar em paz
Nem toda paixão
tem direito a um final feliz
Nem toda amara vida
tem direito de voltar atrás
Nem toda alma perdida
tem direito de ser o que quis
Mas por favor não desista, que a vida é muito maior
que esse pedaço de vida ao qual você se amarrou
Mas por favor não insista, que a vida tem mais sabor
que esse pedaço de vida o qual você não largou
Pois se amarrar
a um amor que morreu
é ainda contar
com o que já se perdeu
Além disso, veja bem, não adianta chorar
Isso não fará o alguém que você ama te amar

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.... é, sei lá. Eu precisava convencer ao pessoas a desistirem de seus amores impossíveis com freqüência... Tentei mudar pouco este poema (só uma alteração de rtmo aqui e ali) porque ele é ruim demais pra ser melhorado. E tem umas quatro melodias diferentes que nem se encaixam tão bem assim. Ora!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Faelyn

O dragão surgiu de repente depois de uma curva, e assomava enorme, quase batendo em todas as paredes da imensa galeria. Era um dragão magnífico, de escamas verdes cobrindo as costelas e placas vermelhas por todo o dorso, brilhando intensamente mesmo na pouca luz da caverna. Suas garras eram do tamanho da espada de Roder, cinzentas e muito mais fortes do que a lâmina. Toda a couraça do dragão reluzia em tonalidades detalhadamente distintas, colorindo as paredes e o chão como um caleidoscópio. Seus chifres eram grandes como árvores, e seus olhos tinham a intensidade de um caçador. Era o dragão perfeito, o monstro de todas as lendas, o inimigo dos sonhos de Roder, Aquele era o dragão definitivo, o dragão com que ele sonhava quando sua irmã lhe contava histórias antes de dormir.
- Nahär! - gritou Roder o nome de seus ancestrais enquanto desembainhava a espada. O dragão levantou a cabeça num susto e se encolheu contra o fundo da galeria, contorcendo o longo pescoço escamoso para virar os olhos para o invasor. Roder, vendo aquela carne enorme se virando e movendo com estradalhaço, ergueu a espada que tinha matado cem ogros e se lançou em corrida para fincar sua lâmina entre as escamas da barriga do monstro. Mas não é tão fácil penetrar o couro de um dragão, e este, tentando espantar o incômodo cutucador, abriu a bocarra cheia de dentes pontudos e rugiu na cara de seu agressor. Mas Roder, em vez de de se assustar com os presas imensas e o rugido ensurdecedor se revigorou com eles e e, convencido de que aquele era o mais terrível e formidável monstro que um herói já enfrentara sem ser devorado, estendeu o braço e enfiou sua espada no fundo da enorme garganta. E o dragão caiu.

Como eu disse, o problema está sempre nos ouvintes. vejo que você me ouve com olhos arregalados e emoção renovada a cada frase, sem imaginar o que acontece a seguir. Também Roder acreditava estar vivendo a estória de sua vida, e nesse momento seu coração batia rápido e sua mente viava pelos cenários do triunfo e das canções dos menestréis. Mas nesse mesmo momento sua visão se desfez.

A bocarra do dragão caíra sobre o herói e o mantinha preso entre as presas e a espada, um dente enorme enfiado no braço desarmado. De repente o espeto dos dentes desapareceu e Roder se desequilibrou e caiu sentado no chão, atordoado mas sem largar a espada. Uma névoa com cor de dragão volteava e revolvia em torno dele, parecendo querer se reunir no centro da galeria logo à sua frente. Entretanto Roder via nitidamente através da névoa, que não tinha cheiro, e não havia vento. Era uma ilusão! Não havia dragão, mas seu braço estava ferido e a espada, suja de sangue. O herói ficou no chão, confuso e paralizado pela percepção de que estivera lutando contra um dragão de mentira. Entretanto, devia haver alguém, quem sabe um demônio ou um vil feiticeiro por trás dessa névoa, pois alguém raptara a donzela, alguém o chamar através da caverna, alguém causara o ferimento no seu braço, e mais - alguém deixara seu sangue sobre sua espada. Roder ficou de pé e avançou lentamente para onde a névoa começava a se compactar numa forma humana, determinado a garantir sua vitória contra quem fosse o vilão de sua história. Ele se postou altivo e ameaçador diante do homem que a névoa formava; mas o homem era na verdade Faelyn, caída e agonizante aos seus pés, numa poça de sangue que saía de sua garganta - e ele desfez a pose e tentou desesperado ajudá-la, mas a garota se esquivou dele apavorada, e seus últimos movimentos neste mundo foram para fugir de seu suposto salvador.

Imagino Roder tentando ajudar a garota, tentando entender onde ele tomara o caminho errado, como era possível que o dragão cruel se tornasse a dozela inocente. E principalmente, como a donzela fôra parar dentro da caverna se ela estava esperando por ele lá fora? Mas não, Roder não parou para pensar nessas coisas, porque era jovem e estava apenas em busca de monstros, não de respostas. A única pergunta que ele fez era onde encontraria o feiticeiro que trocara a vida da donzela pela do dragão, e o que teria que fazer para trazê-lo até o fio de sua espada. E, com seus sonhos de triunfo derramados com o sangue de Faelyn, ele foi buscar seu feiticeiro pelos túneis mais profundos na caverna, que levavam para longe desta cidade.

Poema Triste II [22/9/2005]

Queria escrever um poema triste.
Um que fosse mais triste do que eu
Que fosse mais escuro do que o breu
P'r'eu achar que sou vívida e feliz.

Queria escrever um poema triste
Que fosse mais vazio do que um deserto
E mais que a bruma fosse escuro e incerto
P'r'eu achar que sou o que você me diz.

Queria escrever um poema triste.
Um que fosse mais frio que a solidão
E mais que uma miragem, ilusão
Fosse de que sou eu quem quer chorar

Queria escrever um poema triste
Que fosse mais incômodo que a fome
Que de tão tolo não mereça um nome
Mas me convença de que eu sei amar.

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Conforme eu anotei no canto da folha, eu também queria escrever um poema resignado, um poema sem esperança, como eu escrevi, "resignado como a chuva"... para que eu pudesse ver o brilho da minha própria esperança. Mas é difícil rimar com chuva, não é? Enfim, acho que este poema é muito menos triste e mais bonito que o anterior. A gente não vê realmente beleza na tristeza desesperançada, é justamente a esperança e o amor que tornam a tristeza uma coisa bela. Uma coisa triste e murcha e pantanosa como a que escreveu esse poema, mas que ainda quer se expressar, que ainda quer fazer parte da beleza do mundo - amar! - é bonita de certo modo, por mais que distorcida.

Mas ainda há uma certa dor, porque por mais que haja uma certa expressão no sentido de dizer "oi! estou doendo! quero ser feliz! quero amar!", ainda assim... ainda assim esse poema não pode expressar a tristeza de verdade que existia por trás. A Mali de 2005 sabia disso. Ela sabia que seu amor era um amálgama incerto de sonho e crueldade, e que eventualmente tudo ia desmoronar com ela embaixo. A pergunta que eu me faço agora é: essa esperança superficial serviu para alguma coisa?

Mas no fundo o que eu preciso saber é: será que eu aprendi a chorar depois disso?

Queria escrever um poema triste
Que fosse resignado como a chuva
E estúpido como um vinho sem uva
Que me desse esperança de sonhar

Poema Triste [22/9/2005]

Eu queria escrever um poema triste
que doesse assim tanto quanto a maldade,
que fosse lúgubre como a saudade
e, como a dor do amor, não redimisse
Para que todos lessem ou ouvissem
e então chorassem, de mágoa ou de dó
ou de lembrança, pra eu não ficar só,
e a desrazão, enfim, me permitissem

Mas as palavras, como a poesia,
por si não trazem dor, pois são vazias,
então jamais terão, em si, tristeza
Por isso esse meu desejo egoísta
vai se calar, ficar fora de vista,
pois ele contraria a natureza

Mas ainda quer ser triste o meu poema
e novamente eu entro num dilema
pois eu mesma não sei me dar certeza

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Acho que o que eu quero dizer aqui, essencialmente, é que escrever não me faz me sentir melhor quando eu estou triste. Os fantasmas que eu descrevo não são receptáculos para os meus sentimentos. Eles sequer podem expressar a minha tristeza.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Hellblazer - The Devil You Know


E pra alegrar o meu dia eu descubro que o Glenn Fabry também fez Sláine no começo da carreira.

Hell yeah. All falls into place.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Saudades [1/8/2005]

Não sei se você concorda
Se discorda
Se acorda
e de manhã o mundo sempre é outro
Mas eu sei
e sinto por saber
que hoje
só hoje
agora
eu quero chorar por não te ter
eu sinto saudades, juro que sinto.
Quero um abraço seu.
Quero um doce, um maracujá, um sorvete.
Quero você de volta
quase quero brigar com Deus.