domingo, 31 de maio de 2009

Para a seção "A vida imita..."

Então eu comecei a pensar em tentar virar uma loremaster. Tudo o que eu preciso é de muitos ranks em knowledge, aprender a fazer alguns itens e desenvolver muitas habilidades de dedução e chute. É claro que é um pouco degradante para alguém que acredita fortemente no poder da verdade e do conhecimento verdadeiro, mas talvez eu possa chegar lá por caminhos menos, bem, sujos. Acho que saber praticamente qualquer coisa é simplesmente válido.

Eu não me incomodaria de me tornar uma velha dessas que sabem tudo e estão sempre contando histórias. Eu posso viver para sempre se for pra viver assim. Eu posso perseguir histórias e criar histórias e dominar o mundo, quer dizer, influenciar os outros a acreditarem no que eu acredito e continuar aprendendo loucamente sempre. Talvez essa seja uma espécie em extinção, mas eu não acharia chato ser assim.

Ou acharia? Eu me pergunto isso sempre, se seria chato demais me dedicar tanto assim ao conhecimento, se eu não deveria deixar isso para personagens baseados em Int em vez de tomar isso como minha responsabilidade, já que, por mais que poucas coisas me deixem tão feliz quanto aprender, eu não sei se eu poderia ser feliz se aprender fosse a coisa mais importante.

Ontem quando o Kim começou a falar sobre biblioteconomia eu lembrei que eu queria fazer esse curso porque achei que ia ser um curso de passar muito tempo em bibliotecas, mas acabei desistindo porque isso parecia idiota e eu imaginei que devia ser alguma outra coisa, mas agora que eu descobri que realmente é um curso de passar muito tempo dentro da biblioteca, aprendendo muito sobre todas as coisas sobre as quais se escrevem livros, eu comecei a considerar se teria sido mais legal se eu tivesse mesmo ido fazer esse curso.

Eu não sei. Não consigo enxergar com clareza nenhuma das possibilidades. Por enquanto me parece lógico continuar onde estou, onde tenho amigos, embora não consiga me aproximar deles (talvez eu mesma não me permita uma aproximação?), onde aprendo coisas interessantes, embora sinta que não me serão úteis senão da forma que qualquer coisa no mundo é útil (exceto, talvez, O Jogo), onde tenho desafios, que embora não me deliciem ainda assim me levam a diversos limites, e onde estou aprendendo a ser forte, embora talvez à custa da inocência, da tranqüilidade e de alguns sonhos. O importante é conseguir segurar com muita força os sonhos e não permitir que nada derrube minha determinação. Mas, por enquanto, não consigo ver como sair deste campo de batalha sem estar efetivamente fugindo com o rabo entre as pernas. É muito importante que eu possa olhar nos olhos das pessoas que me insultarão no futuro.

Não sei, às vezes eu me sinto meio ridícula... Mas como eu entendo porque eu penso e ajo assim, eu começo a achar ridículo me achar ridícula. Às vezes eu só queria ser uma bárbara no meio da savana, só pra extravasar.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

E essas coisas

Eu me pergunto o que estou fazendo aqui. Esperando o próximo fim de semana, a próxima aventura trivial num mundo extremamente mágico; o próximo beijo. Quem sabe se fechar os olhos haverão dragões. Os dragões estão todos mortos neste mundo. Mas quem sabe, se eu andar e andar e andar, eu consiga chegar num lugar onde há dragões. Balanço a cabeça e me concentro na próxima tarefa. Mas minha mente cheia de perguntas não se concentra em nada. Os dragões estão mortos neste mundo, e sinto tremenda saudade de haverem dragões.
E sigo: tento lembrar quem eu era, ter qualquer lembrança, qualquer vislumbre, mas a lida te endurece e rareia o cabelo e avermelha a pele e antes que tomemos conta estamos velhos — velhos como macaco velho, sabidos, antigos e maus. Se passar tempo demais, pode acontecer, morremos. Se passar tempo demais viramos poeira por dentro. Agora mesmo estou cuspindo fuligem. Agora mesmo estou procurando ajuda, e não vejo ninguém.
Deve ser assim que os velhos se sentem, sozinhos, quando todos os seus amigos estão mortos ou senis. Deve ser assim que se sentem rodeados por crianças que sabem tudo e por um mundo que não compreendem. Como um estrangeiro, como um prisioneiro, sonhando de noite e de dia com aquela casa enorme da sua infância. Eu também tenho uma casa enorme na minha infância. E eu sinto tanta saudade daquela casa...
Parece que todos os meus amigos estão mortos, só que quem foi embora fui eu. Eu não vejo casa vazia, eu não vejo casa nenhuma. As coisas que eu faço, as tarefas, as perquisas, eu sou como aquele empregado que detesta seu trabalho e trabalha pra sobreviver. Eu nunca sei por onde começar, cada vez mais eu não entendo nada, eu procuro, eu preciso de ajuda, estou cansada de estar sempre sozinha. Mas quem sabe não estamos sempre sozinhos o tempo todo, e apenas eu não perceba porque eu sou eu e vejo apenas através de meus próprios olhos. Estou tão cansada de nada nunca dar certo.
Estou como que lutando uma guerra em terra estranha, não posso voltar enquanto não vencermos, não posso abandonar essa batalha; morrer seria mais honroso; quero voltar para casa, nunca mais estive em casa, sinto falta de tudo lá, e lá sempre haverá dragões... Como tenho mêdo! Tenho mêdo de não poder voltar, tenho mêdo de lutar para sempre; e se a guerra nunca acabar? As pessoas aqui são estranhas, mas aos poucos vou fazendo amigos. Aos poucos, muito, muito devagar, eles vão entendendo que sou ao mesmo tempo como eles e completamente diferente. Aos poucos também vou pegando a manha deste modo de vida, quando não estou gritando de desespero no meu quarto, vou entendendo as sutilezas e as belezas desta terra, e vou me tornando eles, mais e mais. Quando voltar para casa quem sabe eu terei habilidades úteis para emprestar aos meus conterrâneos. Ou será que ao voltar para casa, minha mudança terá sido tamanha que mesmo lá serei apenas diferente?
Olho para trás, o caminho de casa não existe, eu haverei de andar por léguas sem fim em busca desse lugar sagrado, eu andarei o mundo à procura de mim. É preciso que o tempo dure pra sempre para que eu possa encontrar meu lugar. De onde eu venho, existem pessoas que vivem para sempre. Assim eu poderia ver tudo, encontrar tudo, eu quero conhecer tudo e estar em todos os lugares. De onde eu venho, é esse o sonho de todas as crianças. As crianças crescem para viver assim.
Aqui, não, aqui somos todos guerreiros, não posso me distrair com bobagens porque ainda tenho muito o que aprender para poder lutar bem. Essa guerra é a minha vida. Aos poucos vou começando a entender que a vida é assim mesmo, que é aqui que vivemos, que é isto o que fazemos; aos poucos vou esquecendo de anotar o caminho de casa, aos poucos vou me afastando mais e mais e mais. Depois daqui, para onde será que eu vou? O mundo é imenso, e eu não tenho mais casa, eu devo percorrer o mundo inteiro, é isso que eu sou.
Eu sinto que estou perdendo tempo. Acho que estou atrasada. Vejo meus colegas fazendo projetos, pesquisas, participando de concursos, trabalhando. Eu não posso fazer nada disso, eu me dedico inteiramente a esta guerra. Esta guerra é a minha vida. Contra quem estamos lutando? Pelo quê estamos lutando? Eu não pergunto nada, apenas sigo as ordens. Eu não posso desistir da minha batalha. Mesmo se eu nunca vencer, continuarei lutando, continuarei tentando, até que seja o fim de tudo. De nós. Mas se eu não viver para sempre, enquanto eu estou nesta guerra eu estou para sempre morta. Tenho medo de um dia estar velha e cometer suicídio. Tenho medo de um dia ficar inconsciente.
Outra coisa de que tenho mêdo é de nunca encontrar o caminho de casa...

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Olhos brancos

Naceu num verão de Stellacranei um filhote pálido como os demais, de pelo negro como os demais, e com os mesmos caninos pontudo — mas cego. Falar, falava, mas nunca coisas compreensíveis. O velho Cedro Sábio suspirava que o menino tinha boca-de-estrela, e só podia falar aos poetas. As crianças ouviam, mas tinham mêdo. Os adultos queriam que ele ficasse quieto.
Chamaram-lhe Olhos Brancos e o deixaram na escuridão da floresta. Ele voltava sempre mas era menos homem e mais animal. Jangada Seca, pai de vinte-e-cinco mas que nunca pegara uma caça, lhe dava um pedaço de carne para dividir com o cachorro. O menino aceitava e murmurava uma prece que fazia Jangada Seca apertar os olhos e os dentes de desagrado. As crianças, se viam Olhos Brancos, cuspiam e batiam os calcanhares no chão para evitar mau-agouro. O menino se sumia na floresta, mas amanhecia no dia seguinte nos braços da estátua central do Grande Jah — dormindo em seus braços imensos, fundido à pedra anciã. E acordava rugindo um épico: palavras longas demais, belas demais, que doíam nos corações de todos os Coyotes de Stellacranei. Arma Cega, guerreira feroz e filha da mesma mãe de Olhos Brancos, atiçava o irmão com uma lança e o expulsava da praça com gritos e hissados ferozes, querendo verter-lhe o sangue. Os Coyotes não conhecem a paz, por isso ferem tudo o que desconhecem.
O único que tocou a mão de Olhos Brancos foi Folha Morta, menino de voz aguda, olhos vermelhos, pele escurecida pela doença de sua mãe. Folha Morta era exímio caçador mas também era um pária: se tocasse com suas garras qualquer um dos outros, seria desmembrado pela tribo. Folha Morta tomou o menino pela mão e o levou até além do coração da floresta e lhe apontou o caminho, mas não podía segui-lo.
— Pela margem sempre, lá o Deus., ele disse (para os Coyotes, Deus era tudo o que não podiam pegar, morder ou arranhar). Folha Morta não podia partir mas mandou com o menino seu único amigo, um homem estranho que não tinha garras, não tinha caninos e tinha a pele escura. Além disso, Olmo Tolo não falava.
Olhos Brancos respondeu numa frase só; disse que se os aéreos soprassem uma raíz, não haveria floresta, haveria flores. Depois disso partiram.
Para Olmo Tolo o mundo era uma sinfonia e para Olhos Brancos o mundo era um caleidoscópio. Nenhum dos dois poderia olhar o horizonte sem ferir os olhos. Andaram até uma cidade onde não havia lei nem nome, e mesmo quando acorrentados dentro de uma jaula seus corações ainda estavam completamente encantados. O menino devorava o pão seco que lhe jogavam e o homem o abraçava quando chegava a manhã, pedindo que lhe sussurrase uma história. Foram jogados um dia numa grande arena, e continuaram abraçados. Para Olhos Brancos, o mundo poderia ser um incrível vento luminoso. Quando ele abriu a boca, era o que queria falar. Queria falar do mundo, esse grande vento luminoso.



Os habitantes de Maxímia não eram surdos como os Coyotes. Eles ouviram as palavras de Olhos Brancos, eles vislumbraram a alma de Olhos Brancos. Um a um os habitantes de Maxímia, confusos e emocionados, levantaram-se dos seus lugares. A princípio para lhe atirar bobagens, para reclamar que não estavam entendendo nada — mas depois, cada vez mais, embevecidos, como que dominados pelas palavras fluidas, pela sonoridade, pela potência da canção de Olhos Brancos, pela perfeição de suas metáforas, pela beleza de suas construções — e tudo fluía como castelos de areia, como cartas, como um vento que vira um palácio, como aquilo que os Coyotes chamavam de Deus.

Quando terminou, Olhos Brancos abriu os olhos. Para Olhos Brancos, o mundo era incrivelmente belo.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Cuspe

Para desvelar e descalar o mundo, o mundo que ainda é escória, (não - escória é a raiva do mundo) para desmistificar o mundo, cuspo, sem som, minha impiedade, meu nojo dessa existência imunda.

Para esquecer: uma história.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Danger

Eu me sinto irritada. Simplesmente irritada. Eu não tenho vontade de fazer nada. Eu quero brincar e dormir. A luz do sol me compele a fazer muitas coisas alegres, como catar limões e brincar com os gatos. Mais uma vez eu ajo irresponsavelmente. Por que não posso colocar brincar com os gatos entre minhas responsabilidades? Por que não ganho créditos por escrever no blog?

Preciso abandonar umas responsabilidades. Vou desencanar de ler aquele texto. Vou comprar todos os textos de história e guardá-los em casa, para referência. Vou fazer uns desenhos e uns filmes, mas não tenho a menor vontade. Estou com mêdo de não saber por onde começar. Eu tenho mêdo de tudo.

Acho que vou reler os textos e tentar começar mesmo assim. Eu queria fazer um bom semestre para variar. Eu me sinto angustiada por todas as coisas que não posso fazer. Eu estou com raiva.

Chega. Vou tirar a sexta-feira pra... Não; vou fazer esses filmes na sexta. Vou? Estou com muito mêdo. De não saber fazer nada. Droga de filmes. Tem dias que me dá vontade de gritar.

Talvez algum dia a gente possa, sabe? passar o dia inteiro perdendo tempo...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Minha mãe e um orc.

O Diogo e o Ugo vieram me contar as histórias do jogo de RPG de sábado, algo sobre uma clériga de Lena, um orc bárbaro, um elfo perdido e um pseudo dragão contra um mago malvado. Bem. Aí contaram a parte em que o dragãozinho tentava tirar a concentração do mago, e ele gritava umas coisas tipo:

"Imagina um orc pelado! Agora imagina sua mãe pelada! Imagina um orc comendo sua mãe pelada!"

Estou dizendo isso tudo porque depois de ouvir isso algumas vezes foi umpossível não visualizar (mas sem muitos detalhes — uma mãe genérica com mais ou menos o mesmo tipo físico da minha e um orc genérico com cara de orc genérico fazendo sexo), mas eu meio que não tive nenhuma repulsa particular pelo pensamento, nenhuma esperada resposta emocional capaz de realmente me tirar do sério com uma imagem dessas. Por um lado, isso me pareceu normal, afinal, imagens não têm nada de especial e a gente não deveria mesmo ficar muito impressionados com as coisas que a nossa imaginação produz, seja o que for. Por outro lado, achei o fato de essa ser uma imagem que teoricamente deveria me causar qualquer coisa, e o fato de não ter causado nada, meio curioso, e resolvi elaborar uma explicação. A minha explicação é a seguinte:

Em primeiro lugar, eu até entendo a dificuldade de imaginar que os pais sejam seres humanos e façam sexo, mas eu não tenho essa dificuldade. Pra começar porque meus pais não dão a menor abertura para idealizações infantis — já faz anos que eles nos tratam como adultos exatamente no mesmo nível deles, inclusive pedindo conselhos (e inclusive muitas vezes só nós filhos conseguimos manter calma suficiente para resolver algumas questões familiares); depois, porque meus pais falam de antigos namorados, dos nossos namorados, de sexo e do que eles pensam sobre todas essas questões sem grandes tabus, sabe? mas sem entrar em detalhes, também, porque no fundo ninguém quer fazer o papel de melhor amigo com os pais enquanto isso puder ser evitado. É uma questão de manter as funções separadas. E em segundo lugar, sexo é uma coisa natural, bacana e que em geral traz mais bem do que mal, e na real acho que todos deveríamos fazê-lo. Apesar de eu não gostar de pornografia eu não acho que sexo seja uma coisa nojenta. (*na verdade, eu só acho nojento mesmo coisas que não combinam: por exemplo, boca e bile não devem ser combinadas. definitivamente.)

Por outro lado, eu também não imagino orcs como bichos nojentos. Desde que houve a reversão dos conceitos de bem e mal, e se abriu a possibilidade de considerar qualquer criatura como fundamentalmente neutra, ou como uma possibilidade biologicamente plausível, os monstros clássicos se tornaram menos monstruosos para virarem apenas criaturas um pouco grande, um pouco feias, um pouco más, mas não conceitualmente horrendas como eram antes. O que quero dizer é que o orc não é intrìnsecamente feio. Ele só é um orc. Eu imagino o orc como um homem grande, gordo, muito musculoso, de pele preta ou cinza (a menos, é claro, que eu passe muito tempo jogando warcraft...), como aqueles grandes porcos de criadouro, com uma fuça meio estranha, narinas maiores que o normal, uns dentes de javali e orelhas de porco apontando para cima. No geral, um porcão bípede, mas não necessariamente feio. Até porque os porcos não são feios, eles só são porcos. E eu convivi com homens musculosos minha vida inteira (eles não são especialmente raros) e sei que eles podem ser bonitos. É só olhar pros super-heróis da DC. Ou pra um vilão. De qualquer forma, eles estão por aí. Então, se pra mim o orc é só um homem grande, ele pode ser legal também. Eu não imagino um Uruk-hai, nem uma criatura diabólica, eu imagino um homem-porco. Acho que um orc tem até potencial para ser sexy. Por isso, também não tenho problemas pra imaginar um orc fazendo sexo.

Cheguei a pensar que talvez, como isso dos pais tem a ver com complexo de Édipo e tal, eu deveria pensar pelo lado de "meu pai e uma orca"... Bem, não sei, ainda não é o tipo de coisa que me deixaria perturbada, ainda mais se fosse uma orca bonitinha.

Estou dizendo isso porque o orc é uma criatura típicamente masculina, ele é meio que o estereótipo do homem sem características femininas, o bruto que aparece nas histórias pra beber, quebrar cadeiras, urras, cheirar mal, e usar sua força para estuprar mocinhas descuidadas. Ok, não quero ofender os homens, mas estou dizendo que ele é uma criatura sem leveza, sem suavidade, sem delicadeza, sem sentimentalismos. Ele só tem características 'masculinas', as características mais brutas, dos homens que não querem ser chamados de viados, do machismo violento. Nada a ver com o "homem moderno", o "homem sentimental", que tenta encontrar equilíbrio entre razão e emoção. Não, o orc é um homem duro, sem palavras doces, que acha que emoção é coisa de donzela e de poeta. E que não respeita ninguém, quer dizer, só respeita o orc mais forte.

E a orc fêmea seria o quê? A mulher do orc? Mas a mulher do homem forte pode ser tanto a dona de casa com fibras de aço fazedora de filhos quanto a gostosona destruída. A mulher do orc ou é um orc ela mesma, ou é um nada. Mas tentemos imaginar o orc não como conceito, mas como espécie possível: o homem musculoso, de cor esquisita e com nariz de porco, só isso. A mulher-porca é uma imagem usada sempre para personagens feias, gordas de seios caídos que se vestem de modo a ressaltar seus defeitos, têm cabelo desgrenhado, são sujas e dentuças (com exceção da super-pig, é claro). Mas imaginemos uma porca limpa, uma porca asseada, bonitinha. Não é adorável? Agora imagine um orc sorrindo e uma orc mulher-porca sorrindo de volta, e nós temos um lindo casal monstruoso! Oh yes! E eles vão formar uma linda família numa linda casinha na Improbable Island até que um herói venha derrubar sua porta, cortar suas gargandas com uma motosserra e roubar todos os seus bens. Mas isso é outra história.

Aflição

De tempos em tempos acontece um desses momentos jogados fora. Tento me concentrar mas só consigo pensar em balança em frente, sem sentido, sem motivação. São dias completamente perdidos, desperdiçados, ofendendo a clara noção de valores que diz: "você tem que ser mais!"

Eu tenho que ser mais, é? Mais do que quem? Melhor do que o quê? Para formar que tipo de inequação M > V*f(d) ? Eu tenho que ser melhor? Que ser forte e conseguir tudo para dar os louros do meu suor àqueles que merecem meu esforço? Fazer sacrifícios da alma, domar minhas vontades, meus espíritos, para seguir as regras de um jogo que dura a vida? Eu tenho que superar esse dias e ir além da mediocridade, da inutilidade, da pessoa sem grandes conquistas? Eu tenho que cumprir metas e promessas para merecer o meu lugar no mundo?

Hoje foi um dia desperdiçado e não sei se devo sentir raiva ou culpa. Eu não sou uma pessoa pequena, apenas uma pessoa dispersa. Vou tirar o pc da tomada, sim, em breve, vou trancar os vícios num armário e dar um tempo, e dedicar os dias a esse ideal maior da funcionalidade. E tudo vai girar em torno de um objetivo. Mas será o meu objetivo? Como num jogo de video-game, precisamos fazer todo tipo de missão idiota para conseguir crescer o personagem. O que estou fazendo agora não passa de uma quest?

E por que cada vez mais se me revela a falta de sentido? Por que até a linguagem se vai desconstruindo? Por que se torna impossúvel efetivamente comunicar, se não através de guinchos primitivos? Por que não nos podemos mais compreender?

terça-feira, 28 de abril de 2009

Comentário à filosofia do Yuri.

Eu vou me distanciando lentamente de mim (como me vejo) e de vez enquando preciso me retomar. É tipo um update. Aliás essa talvez seja a única importância do passado: a noção de si (e do resto). O presente é meio que o indefinido, aquele instante em que você se pergunta o que diabos você está fazendo esperando na fila do médico se na verdade tudo pode ser nada, você pode ser um caracol no próximo instante, as pessoas podem ser sua imaginação, podem ser robôs, podem ser qualquer coisa, e você pode não ter nenhuma semelhança com elas, porque você se vê através dos seus olhos e as vê de frente através do mundo, do ar, do vidro. Então, você se mantém distraído dessas estranhas possibilidades, fingindo que tudo é assim mesmo e que a realidade é o que é e não o que pode ser, você faz isso mantendo as suas noções baseadas no passado e não no presente, porque o presente, fora do passado, é a sensação do absurdo. O futuro é o que realmente importa (o futuro, claramente, também é sempre futuro do pretérito, porque o presente não tem futuro, o presente é e ponto, o presente é absoluto e o futuro é relativo ao passado, e quando algo acontece o futuro é congelado e quando algo vira memória o futuro é atualizado), porque é só no futuro que poderemos ser de qualquer maneira produtiva. Então... a grande questão é o que é o EU de verdade. Alguns diriam que é o conceito de eu, ou seja, o passado. Outros diriam que é o ideal de eu, ou seja, o futuro. E alguns falariam de essência e aí teríamos que resolver aquele problema complexo do presente.

O mundo, o mundo, sempre a mesma história...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Sonho

I

De estar num seu abraço
Quente e confiável
De estar entre seus braços
confortada
pelo teu calor amável
Sério e companheiro
Do que antes inconsolável
apartada

II

Apenas meus pensamentos é que são vis;
meu coração é fulvo.
É que em malvados momentos, ou infantis,
meu mundo fica rubro;
Não temas que estes lamentos não são ardis:
apenas meus pensamentos é que são vis
e se sem ressentimentos nos encontrarmos
verás pelos sentimentos que nós trocarmos
que o coração é fulvo.

III

Por estar ao seu lado
Como conversamos simplesmente
Como trocamos idéias verdades sementes
Por estar ao seu lado
Como é fácil existir tão plenamente
Como evitamos segredos maldades serpentes
Por olhar em seus olhos
Como devo consentir em ser somente
Como aceitar as correias os atos as lentes
Por olhar em seus olhos
Como caminharmos sempre em frente?
Como agüentar o vazio a saudade e a nascente
Por sentir sua alma
Como?

terça-feira, 21 de abril de 2009

II

Há ainda muita coisa, bem, esperando para fazer sentido.
Algumas coisas cansam e desistem depois de um tempo.
Algumas coisas crescem e coçam e incomodam terrivelmente depois de um tempo.
Algumas coisas dão um tempo e acabam aparecendo anos depois.

Outras se resolvem.
Rápido.
Como um homem com sede que simplesmente bebe água.
Simples.
Como dar uma volta pra esticar as pernas.
Lógico.
Como um exercício de matemática.
Como acender a luz quando começa a ficar escuro.
Como a gravidade.

Sem uma grande e confusa variedade de opções.

Coisas doces

Quando cheguei em casa ontem à noite (por volta de uma da manhã) os filhotes estavam especialmente carentes. Eles me seguiram até o quarto e eu os pus para fora. Eles voltaram, e o Ugo os assustou para fora. Quando levamos o computador para o carro, eles nos seguiram até a porta e eu os mandei de volta para dentro. Quando fui dormir, os pequenos se esgueiraram atrás de mim pela fresta da porta. Como meu coração não é exatamente de pedra, eu tive que ir brincar com eles. Caindo de sono, deitei no sofá e deixei eles brincarem com minha mão no chão. Afastei Fumaça do meu sapato algumas vezes antes de adormecer. Quando acordei, os dois estavam aninhados no sofá ao meu lado.

Acho que nunca me senti tão próxima de uma mãe. Eles só queriam se sentir seguros e aquecidos como na barriga de sua mãe gata. Passei horas dormindo mal e acordando a toda hora, quase caindo do sofá (que não é tão confortável assim...), totalmente cativada pelas duas coisinhas pretas. Finalmente, às cinco da manhã não agüentei mais o sono e as cores nas costas que começavam a surgir, e deixei os gatinhos dormindo para ir para minha própria cama. Quando acordei, a primeira coisa que quis fazer foi brincar com eles. Hoje Penumbra (é esse o nome que quero dar para ela) deitou no meu colo durante o café da manhã.

Acho que estou completamente apaixonada.

domingo, 12 de abril de 2009

Sobre mim

Agora há pouco eu meio que estava relendo uns posts antigos do meu blog. A princípio pra ver se tinha qualquer poema que prestasse aqui. E também para verificar umas alterações de layout. É confuso tentar manter os posts coloridos quando se muda as cores do layout.


Eu acho estranho ler esses textos antigos. Estranhos pra caramba.
Acho triste ler os de 2007, 2008, porque nunca sei do que eles estão falando, e, quando sei, não é coisa boa.
Acho perturbador ler os de 2006, porque eles são dolorosos, apaixonados, cheios de cilpa e segredos, de pecados, de tentativas de libertação e afinal de uma liberdade insegura. Mas eu me identifico com essa pessoa de 2006. Acho que ela se parece muito comigo.
Acho confuso demais ler um texto de 2005... confuso mas delicioso, porque no início de 2005 eu já estava apaixonada por todos os garotos e você pode ver nos textos como eu me sentia em relação a cada um deles... e também porque, incrivelmente, apesar disso eu estava completamente feliz. Mais pro meio do ano, as coisas estão mais difíceis e os textos estão repletos de emoção e aventura, conforme os conflitos (a respeito de garotos, mainly) vão se fazendo representar por cenas épicas de cavaleiros, monstros, demônios, anjos, criaturas místicas, batalhas, animais selvagens, gatos, pégasos. Ou pelo menos eu consigo ler isso, hehehe. 2006 tem um pouco disso também. Mas não me identifico muito com a infantilidade, o cansaço e o desespero que transparecem nesses textos. Mesmo então, suspeito que eu estivesse me divertindo mais do que podia demonstrar (não que eu mentisse nos posts — mas eu em geral escrevia apenas quando movida por sentimentos exageradamente intensos).

Mas o mais estranho é ler textos de 2004. Os textos de 2004 não têm uma unidade clara. Como muita, mas muita coisa mesmo aconteceu nesse ano, a impressão que dá é que a autora era esquizofrênica (obs.: don't sue me, squick). A parte mais estranha é ler os textos de amor (que são a maioria, por razões óbvias: eu tinha quinze anos nessa época). Eu tinha quinze anos e estava vivendo o meu primeiro amor de verdade. E tudo o mais girava em torno disso. Nada mais tinha a menor importância. Eu estava louca e me sentia já metade de dois (diferente de um), e me lembro realmente de agir como metade de dois, aliás, eu me lembro de tudo, todos os momentos, todos os carinhos, as partes confusas, as partes boas, tudo. Para mim não faz o menor sentido.

Não consigo me identificar com aquela pessoa. Pra mim parece estranho ter sentido aquelas coisas por aquelas pessoas. Quer dizer -- eu ainda adoro o Yuri e até hoje acho ele um gato (:þ -- mas ele é mesmo), mas me parece meio surreal a gente ter vivido juntos todas aquelas maluquices, aquelas viagens, aqueles erros óbvios, aquelas idéias doidas, que hoje em dia eu nem sonharia ter. Parece tão estranho ter sido tão infantil! Eu não me lembro de ser assim, nem antes, nem depois. Acho que só naquele primeiro ano de amor e loucura foi assim, mesmo. Depois ficou difícil demais pra tanta inocência. E antes também. Mas... acho que era bom. Muito bom. Até porque eu dizia em meus escritos que eu vivia em dor e escuridão antes de "te conhecer". Essa é a parte mais estranha de se ler. Estranha porque eu parte eu sei que é verdade, e emparte eu sei que é mentira. Estranha também porque eu me sinto assim hoje em dia, eu tenho vontade de usar exatamente as mesmas palavras, mas tudo, absolutamente tudo, parece diferente — inclusive as partes iguais.

Eu meio que não consigo evitar ler todas essas coisas como um complexo e sujo relato da minha viagem por uma porção de homens (pelo menos oito — mas posso contar uns dezessete (#%*) se for realmente precisa) até chegar à libertação. Posso até dar nomes para eles:

o Primeiro Mestre
o Namorado
o Grande Mestre
o Parceiro
o Inalcansável
o Colega-Modelo
o Encontro Casual
o Amigo

Ok, agora que eu escrevi isso eu me sinto muito idiota por ter escrito isso. Mas ainda faz muito sentido. Eu poderia preencher as lacunas com

o garoto da escola
o absurdo
o amigo irmão
o beijo sem importância
os amigos-do-amigo (2)
o abraço sem compromisso
o que ganhou uma chance
o vizinho

Mas seria difícil tirar o sentido disso
Não sei porque eu faço essas coisas
Porque eu penso sobre isso
Mas é que pra mim o sentido é muito importante
Eu só estou tentando encontrar um sentido.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Entre outras coisas — quem devemos proteger?

Eu estou afim de escrever, ultimamente. Só isso. Não vou escrever nada terrível. Mas vou pensar sobre isso. Porque preciso parar de ter medo de tudo. Porque preciso parar de proteger as pessoas.

Vocês já sentiram a emoção única de proteger alguém? A emoção ainda mais única que a de ser protegido? Já deram seu agasalho a alguém numa noite fria, ou seguraram as mãos de alguém que tentava subir numa pedra ou num tronco? Já se jogaram entre alguém e algum objeto que poderia ferir-lhe? Já serviram de apoio para alguém? Já deram colo para um amigo que estava fraco, triste ou desesperado? Já abriram espaço na cama para alguém que não conseguia dormir? Já tentaram devolver a razão a pessoas que se machucavam? Já transmitiram segurança a quem sofrera um acidente? Já aceitaram sofrer para que outra pessoa não sofresse? Já sentiram o cólo ou o ombro molhado de lágrimas?

Acho que não há nada tão doce quanto proteger alguém. Lembro muito claramente do momento em que uma pessoa que amo se machucou, de como corri até ele sem mêdo nenhum além do de que ele estivesse ferido de verdade, de como tive que ser forte para segurá-lo enquanto estávamos ambos muito assustados. Lembro-me também de outro amigo que me confiou todas as suas dores, e de como sacrifiquei muitos momentos tranquilos para poder estar ao lado dele, partilhar suas dores e entender suas lágrimas. Por fim, resguardo um momento sagrado em que uma pessoa muito doce e muito forte revelou ter mêdos, e chorou me pedindo um ombro, quando era sempre eu a pessoa que entrava em desespero.

Não há nada como se sentir necessário. Quando alguém ao nosso lado é frágil, nos tornamos imediatamente mais fortes para proteger esse alguém. Quando esse alguém tem mêdo, criamos coragem. Quando esse alguém se desespera, encontramos razões para sorrir. E mesmo que estejamos caídos e desanimados, se esse alguém cair ao nosso lado, nos ergueremos com nova força e coragem, apenas para estendermos a mão. Essa pessoa não é necessariamente mais importante que nós mesmos — é que a fraqueza dela dá um sentido à nossa força. É difícil proteger a si mesmo; o mais fácil é proteger o outro. Para proteger o outro, podemos ir muito além de nossos limites, pois não estamos preocupados em guardar um resto de nós que ainda esteja aqui quando o perigo acabar. Se é para proteger o outro, não precisamos poupar a nós mesmos; nenhum luxo e nenhum vício são necessários.

E é claro que, em geral, quando protegemos alguém lhe trazemos algum benefício. As pessoas não são sempre fortes, e muitas vezes precisam ser protegidas. Os animais, as plantas e mesmo a terra precisam ser protegidos. E mesmo as máquinas. Por outro lado, essa também é uma atitude egoísta: se você protege alguém, está impedindo que ele proteja a si mesmo — está roubando-lhe o poder de proteger a si mesmo. Quando protejo meu amigo, imponho a ele a fraqueza que deve ter para que faça sentido que eu o proteja. Eu vou impedir que meu amigo se torne mais forte e dispense a minha proteção simplesmente porque eu preciso do sentido de dever e funcionalidade que obtenho ao protegê-lo? Talvez eu não faça isso de propósito, mas, de qualquer forma, o próprio ato de me colocar entre ele e a ameaça impede que ele entre em contato com um desafio que poderia deixá-lo mais forte. E, ao mesmo tempo, conquanto me sinto mais forte por enfrentar os mêdos de um amigo fraco, quando enfrento mêdos que ele poderia enfrentar sozinho, não estou só mimando meu amigo, como também perdendo meu tempo. Ajudar quam não precisa da minha ajuda não me fará verdadeiramente feliz: os desafios não evoluirão e se tornarão fúteis com o tempo, e minha relação com meu amigo será tomada por essa futilidade, de modo que ninguém aprende nada, ninguém ganha nada, e na pior das hipóteses eu ainda perco um amigo.

De fato, eu não consigo agüentar alguém que precise de ajuda o tempo todo. Não posso respeitar verdadeiramente alguém que nunca vence nenhuma batalha contra seus próprios demônios. A pessoa precisa ter significado em si própria para que haja significado no protegê-la. Ninguém quer ficar de babá de uma pessoa desinteressante. Nós damos tudo de nós por alguém porque sabemos que aquele alguém nos dará algum retorno, como, por exemplo, nos ensinar alguma coisa, nos ajudar de alguma forma, ou ser uma pessoa legal. Não há sentido nenhum em proteger uma pessoa que não acrescenta nada à nossa vida. Eu ganharia mais com essa pessoa se pudesse observá-la se debatendo. Da mesma forma que lutamos contra nossos mêdos agora para abrirmos nossas possibilidades para o futuro, queremos lutar para que outras pessoas possam fazer grandes coisas em seus próprios futuros.

Mas, no extremo oposto, é difícil conviver com alguém que está sempre por cima. Poucas coisas são tão difíceis — acredite, eu sei — quanto conviver com uma pessoa que nunca chora, nunca se desespera, está sempre numa boa. É claro que viver com uma pessoa forte nos inspira a ficar mais fortes também! O problema é quando essa pessoa é tão forte que ela se torna inalcançável. Até porque, se você nunca pode proteger essa pessoa, você acaba se sentindo desnecessário... e, se você não é necessário, por que você está aqui?. A reação mais natural é ir embora. Ou isso, ou você se submete a essa pessoa, e rasteja atrás dela como um cachorrinho, pedindo atenção, alimento e instruções. (* é claro que existem outras formas ser necessário... acho que a mais óbvia é estar sempre ensinando coisas novas a essa pessoa)

O problema maior é sempre o desequilíbrio e o erro. As pessoas precisam ser protegidas, e também precisam proteger, mas apenas na medida certa. Não faz sentido proteger alguém que poderia se resolver sozinho. As pessoas se sentem realmente frustradas quando não conseguem proteger a si mesmas, pois estão sempre sendo protegidas. E justamente essas pessoas terão mais diciculdade de arranjar a própria força — e será especialmente difícil resistir ao impulso de protegê-las. Porém, nessas horas o mais importante é ser capaz de manter a frieza e observar a pessoa lutar por si mesma. Sem contar que muitas vezes, quando achamos que estamos protegendo alguém, percebemos que estamos protegendo-a de coisas inofensivas, e às vezes até benéficas. De novo, é nessas horar que é mais difícil mater a calma, avaliar a situação e fazer a coisa certa.

É de extrema importância que não cumpramos missões inúteis.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Descoberta da Maturidade

Este post começou como um comentário no blog do Brunok. Portanto, ele é a motivação para ei pensar nestas coisas deste jeito.



Li uma vez uma frase que era assim: nunca deixe de brilhar, pois o seu brilho inspirará outros brilhos. Quer dizer, você nunca deve temer ser melhor, você nunca pode temer ofuscar os outros, porque embora os outros possam sim ficar incomodados, eles ainda desejarão ser pessoas melhores, para brilhar mais.

Achei que podia escrever essa frase aqui. Mas acho que só brilhar não é suficiente (a menos que você queira ser uma freira). Acho que você deve ajudar os outros a se livrarem da sujeira que tolda seu brilho também. Você me entende?

Ultimamente eu só tenho repetido duas frases para mim mesma todos os dias: "Eu tenho que ser mais forte do que as dificuldades" e "Eu não vou ceder ao mêdo". Às vezes parece que fazemos coisas que não compensam, que nos machucam, que só nos causam mal. Pois é justamente nessas horas que temos que reunir toda a nossa coragem, lembrar dos motivos que temos para fazer aquelas coisas, e encontrar a força para sacrificar coisas importantes para nós para conseguirmos cumprir nossas metas.

Eu estou apavorada. Não sei se conseguirei vencer os obstáculos e também não sei se, quando conseguir cumprir meus objetivos, eles valerão todos os sacrifícios. Mas é preciso ter fé. É preciso avançar em meio à solidão, ao desespero, à falta de sentido das coisas que fazemos, em meio à insegurança, às dúvidas e a vontade de jogar tudo pro alto, e ter a coragem de fazer o que viemos fazer.

Um pistoleiro diria que precisamos lembrar das faces de nossos pais.

Um rei das feras diria que precisamos lembrar quem nós somos.

E você?

É nas horas em que o ego caiu embaixo do sofá que precisamos ter força pra levantar o sofá.

Uma pantera negra diria que voltaremos sempre para a nossa alcatéia.

Nós precisamos ser fortes. Nós precisamos ser aquilo que viemos ser. Nós precisamos persistir na vontade de sermos aquilo que queremos ser. Nós precisamos ser fortes.

Uma música que continuo precisando cantar para resistir ao desespero:


Don't take me back
Don't take me home
Let me stay here a little longer
Don't make me feel
like I don't belong
Let me become a little stronger
'Cause I know I can be what you want from me
I might be frightened but I am still fighting
And I know I can do what you want me to
I won't be lonely if only you'll let me stay...
Don't take me back
Don't take me back

sexta-feira, 13 de março de 2009

Sim

Sim, há muita coisa perdida
deixada de lado, esquecida
camuflada sob as nuvens de poeira

Sim, há muita coisa escondida
escorregada junto com os lençóis
permanecida entre a cama e a parede
esmagada entre o colchão e a cabeçeira

Muita coisa quebrada, caduca, casca carcomida
Muita coisa encurralada, ultrapassada
Há muita coisa perdida

Sim, há muita coisa velha
Que já saiu de moda,
que está fora da roda,
que pertence à estação passada

que já não faz sentido
que vem de um outro tempo
Há muito anacronismo que resiste

Sim, há muita coisa morta
Muitos esqueletos no fundo de armários
ali entre as meias e as luvas
esperando pelo século passado

Há muita coisa dormindo
Muita coisa que um dia despertará
para nos observar no nosso sono

Sim, há muita coisa estranha
que não serve à nossa forma, ao nosso jeito
que a gente não sabe pra quê que serve
nem o que é, nem como usar

Há muita coisa sobrando
Há muita coisa faltando
Há muita coisa no lugar errado

Sim, há muita coisa perdida
Muita coisa que perdeu a mágica
e muita coisa que virou sonho
e muita coisa que simplesmente sumiu.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Começo de ano

Não tive aulas ainda, mas estou apavorada.
Não apenas com a volta das aulas, trabalhos, colegas de quem eu não sou próxima o suficiente, essa coisa toda de tentar ser designer, procurar um estágio, o mêdo de falhar, de errar, de não saber nada de porra nenhuma e etc.
Me assusta também o que eu sou em mim mesma.

Tá certo que eu tenho passado tempo demais com o Diogo, e que é difícil viver com alguém tão ambicioso e tão pouco tímido com quem se comparar, inevitavelmente. Há algum tempo eu decidi que não seria certo, de qualquer forma, eu me formar antes dele, e por isso fazia sentido eu ter feito dois anos praticamente inválidos de faculdade enquanto ele já aprendeu um milhão de coisas no primeiro ano dele. Mas é óbvio que essa decisão é uma fuga. É uma fuga para um lugar onde eu possa ser uma criança aprendendo a engatinhar, sem medo de cair de cara no chão, de se humilhar, sem a responsabilidade tão horrivelmente pesada de ter algum passado vitorioso no qual se apoiar.
Estou passando por um processo de esquecer meu passado, não porque eu tenha medo dele ou porque ele não seja válido, mas porque ele não pode mais me ajudar. Não há nada no passado para nós, nada que possa nos dar forças, nada que possa nos segurar quando cairmos no futuro. É assim que eu me sinto, em linhas gerais. Meu novo objetivo de vida é descobrir a coragem para seguir em frente através de tudo aquilo de que não me orgulho. É descobrir a humildade para acreditar na possibilidade de alguma coisa inesperada acontecer, alguma coisa que seja um alívio para o peso insuportável de não ter um... um portfólio. E descobrir a força para poder segurar nas mãos nossas vitórias, antes que elas escapem.

É difícil também ouvir a admiração e a inveja do Diogo pelas minhas aulas de programação, e depois não me empolgar com elas, me distrair durante as aulas porque é tão devagar, tão fácil demais, que é até sem graça. E não saber direito como poder exigir mais de mim, porque sem querer acabei passando muitas semanas sem ter um dia sequer para fazer aquilo que poderiam ser as minhas coisas. Eu estava aqui pensando que eu deveria escrever minhas histórias, ou terminar de programar aquele Pong, eu montar meu portfólio, mas. Não sei nada. Não sei se devo fazer qualquer coisa. Não sei o que devo escolher e o que devo sacrificar.


Acho que descobri.

Reflexão (sim, mais uma)

Às vezes eu me sinto muito solitária
Muito sozinha como se o mundo estivesse se afastando como uma nuvem
e fosse completamente impossível se agarrar a ele
Vocês conseguem imaginar, não?
Eu me sinto assim quando vejo que não faço meis parte da vida de uma pessoa
ou que alguma grande amizade virou só lembrança, de repente
Eu tento afastar a raiva e a frustração de não poder mais compartilhar momentos e idéias com essas pessoas que por um momento me pareceram perfeitas para mim
Eu também tento não ficar com raiva delas por terem me abandonado, por não terem sequer tentado ficar um pouquinho mais perto de mim.

Eu vejo coisas que eu quero fazer, conversas que eu quero ter, emoções que eu adoraria compartilhar, mas não posso.

E me dói notar quando essas pessoas estão tão próximas de outras pessoas de quem eu nunca consegui me aproximar. E me dói também quando outras pessoas que eu não pude amar estão muito mais próximas dessas pessoas que o mais que eu já ousei estar

Eu também me pergunto se alguém sente esse tipo de coisa em relação a mim. Se alguém lamenta eu estar longe. Se alguém ainda gosta de mim e não sabe mais como me encontrar. Eu penso nisso e me pergunto o que eu estou fazendo das pessoas. O que eu estou fazendo para as pessoas.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Pequena Incursão Filosófica

Em dias como este, em que minha mãe me manda passar veneno pra cupim num banco/mesa/revisteiro; em que eu acordo com o despertador que misteriosamente tocou às 13:34, e não às 7:34 como seria o certo; em que eu me jogo na cama bagunçada e não tenho mais vontade de levantar dela, nunca mais; em que nada do que acontece comigo parece fazer o menor sentido, eu páro e me questiono a respeito do sentido da vida.
O problema é que o sentido da vida não é algo racional, algo fixo, que você poderia escrever num livro e ensinar a seus amiguinhos numa palestra. É algo que ou há, ou não há. Em dias astim, é claro, não há; não há nada. O cinzento do céu lá fora é a única coisa que não parece completamente estúpida. Eu preciso abrir a janela, para poder enxergá-lo direito, para poder sentir seu cheiro, o cheiro do vento, o vento pra compensar o meu calor. Eu queria derrubar essas grades para não haver nada entre eu e o mundo. Acho que seria legal sublimar e me dissolver no vento.

Falta alguma coisa em que acreditar. Eu páro e, para evitar pensamentos metafóricamente suicídas, me pergunto o que na minha vida é realmente uma razão pra se viver. O que faz sentido, o que eu não jogaria fora de jeito nenhum. Agora a chuva está entrando pela janela e eu não vou fechar a janela mesmo assim, porque eu não jogaria fora a cor do céu e o vento, de jeito nenhum. A porta se fechou com um estrondo e foi um som delicioso. Eu adoro sentir. Sentir é uma razão pra se viver.
Outras razões que me ocorrem são: amor, diversão, calor, árvore com folhas jovens contra o céu azul (ou: marrom-verde-azul), fazer as coisas certas, amigos, andar de bicicleta, dirigir, o Mar, transar, comida boa, ficar completamente exausto, a Noite (andar na rua à noite), chuva (mesmo a chuva tipo 17), poder imaginar o que quiser, roupas confortáveis, roupas bonitas, cabelo de homem molhado, desejo e flerte, Twix, festa à fantasia, gente bonita, paisagens imensas, work hard-work worth doing, euforia, luta, ser respeitado, andar sozinha por aí, compartilhar prazeres e lugares secretos, estar apaixonada, saber o sentido da vida, dançar, correr e brincar na chuva.

A gente tem que saber o que é importante pra poder saber o que é completamente irrelevante. Pra mim é difícil fazer essa distinção. Eu imagino muito, e aí qualquer coisa parece legal. Por exemplo: eu tenho esse velerinho da ABN-AMRO que eu não compraria nem de graça (o Diogo sugeriu que se eu estivesse em dúvida sobre o que fazer com algum objeto, eu avaliasse se eu levaria ele de graça pra casa, se eu não o tivesse), mas eu imagino que eu poderia pintá-lo de outras cores e aí ele ficaria mó bonito, mas, pensando bem, eu não tenho onde deixar esse veleiro mesmo se ele fosse bonito, ele ia ser uma dessas coisas que a gente não tem coragem de jogar fora mas não sabe o que fazer com ele, então eu penso que como ele seria legal eu poderia dá-lo pra alguém, mas aí, quem gosta de veleiros e teria espaço sobrando em casa para ter um veleiro que aliás eu nem sei se bóia, seria no máximo um brinquedo ou objeto de decoração, então eu poderia deixá-lo com os brinquedos, mas ele não caberia na caixa de brinquedos lotada, e não tem espaço no armário igualmente lotado, e de qualquer forma ninguém brincaria com ele se ele estivesse separado dos outros brinquedos de sempre, então eu penso que eu poderia pintá-lo e dá-lo de presente pros meninos da Cajaíba, que provavelmente nem gostariam dele, mas só se meus irmãos quisessem dar os deles também, e será que meus irmãos têm os mesmos problemas que eu?

(nossa, eu estou arrependida de ter escrito esse parágrafo)

Resumindo, eu sempre escolho fazer a coisa mais complicada. Acho que é porque eu tenho esperanças de poder fazer algum tipo de trabalho que não seja completamente inútil. O que me leva de volta à questão da faculdade, de como eu posso continuar fazendo um curso que não me dá nenhuma esperança de futuro, já que eu não consigo de forma nenhuma me imaginar designer, e por que me parece que meus amigos estão determinados e seguir com suas vidas enquanto eu tenho certeza de que não quero terminar a faculdade e me tornar uma sei lá o quê. E isso faz de mim uma pessoa desesperada. Se você jogar na minha cara o fato de que eu sou infeliz na minha vida acadêmica e talvez até familiar, eu provavelmente vou te agredir, então, acho que você deveria fazer isso mesmo, e a gente deveria lutar; é isso aí, eu vou abrir o Clube da Luta e voltar pra casa sangrando todos os dias. Outra coisa que faz a vida parecer mais certa é....

... hm, acabou de chegar um e-mail dizendo que as aulas vão começar só dia 26, e não 16 como estava sendo anunciado. Isso muda tudo...

enfim, outra coisa que faz a vida parecer mais certa é se machucar um monte e saber que foi por um bom motivo, e se sentir feliz com isso. Ou ser arremessado de uma bóia em alta velocidade. Ou se agarrar com todas as suas forças. Ou simplesmente tomar uma decisão e ir até o fim com ela (que é algo que eu nunca faço.)/
















Enfim, eu estou tentando chegar a uma conclusão mas eu não estou conseguindo. Então vou desistir dessa bobagem e ir fazer alguma coisa de útil (sim, eu já perdi as esperanças de criar qualquer coisa através deste blog).

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Improbable things that happen to us:

You walk through the dappled shade of the jungle, thankful for the break from the heat, when your nose picks up the soft wafting smell of something wheaty with a tinge of tomato-saucy goodness. From around a huge vining tree, and flying with great speed at your head, is The Flying Spaghetti Monster.

The great meatballs of doom squirt out sauce of deepest red and specks of garlic.

It spies you and says, in a booming voice that shakes birds from nearby trees, "HUMANS EVOLVED FROM PIRATES. CONSIDER THAT HUMANS SHARE AROUND 95% OF THEIR DNA WITH MONKEYS, AND MORE THAN 99.9% OF THEIR DNA WITH PIRATES. IT IS ELEMENTARY, MY CHILD."

You barely have time to grab your weapon, let alone come up with arguments against the claim.