Sim, há muita coisa perdida
deixada de lado, esquecida
camuflada sob as nuvens de poeira
Sim, há muita coisa escondida
escorregada junto com os lençóis
permanecida entre a cama e a parede
esmagada entre o colchão e a cabeçeira
Muita coisa quebrada, caduca, casca carcomida
Muita coisa encurralada, ultrapassada
Há muita coisa perdida
Sim, há muita coisa velha
Que já saiu de moda,
que está fora da roda,
que pertence à estação passada
que já não faz sentido
que vem de um outro tempo
Há muito anacronismo que resiste
Sim, há muita coisa morta
Muitos esqueletos no fundo de armários
ali entre as meias e as luvas
esperando pelo século passado
Há muita coisa dormindo
Muita coisa que um dia despertará
para nos observar no nosso sono
Sim, há muita coisa estranha
que não serve à nossa forma, ao nosso jeito
que a gente não sabe pra quê que serve
nem o que é, nem como usar
Há muita coisa sobrando
Há muita coisa faltando
Há muita coisa no lugar errado
Sim, há muita coisa perdida
Muita coisa que perdeu a mágica
e muita coisa que virou sonho
e muita coisa que simplesmente sumiu.
palavra por palavra, procuro chegar, devagar, ao lugar de La Loba.
"O silêncio", disse o griot,"só é escuro no começo..."
sexta-feira, 13 de março de 2009
segunda-feira, 2 de março de 2009
Começo de ano
Não tive aulas ainda, mas estou apavorada.
Não apenas com a volta das aulas, trabalhos, colegas de quem eu não sou próxima o suficiente, essa coisa toda de tentar ser designer, procurar um estágio, o mêdo de falhar, de errar, de não saber nada de porra nenhuma e etc.
Me assusta também o que eu sou em mim mesma.
Tá certo que eu tenho passado tempo demais com o Diogo, e que é difícil viver com alguém tão ambicioso e tão pouco tímido com quem se comparar, inevitavelmente. Há algum tempo eu decidi que não seria certo, de qualquer forma, eu me formar antes dele, e por isso fazia sentido eu ter feito dois anos praticamente inválidos de faculdade enquanto ele já aprendeu um milhão de coisas no primeiro ano dele. Mas é óbvio que essa decisão é uma fuga. É uma fuga para um lugar onde eu possa ser uma criança aprendendo a engatinhar, sem medo de cair de cara no chão, de se humilhar, sem a responsabilidade tão horrivelmente pesada de ter algum passado vitorioso no qual se apoiar.
Estou passando por um processo de esquecer meu passado, não porque eu tenha medo dele ou porque ele não seja válido, mas porque ele não pode mais me ajudar. Não há nada no passado para nós, nada que possa nos dar forças, nada que possa nos segurar quando cairmos no futuro. É assim que eu me sinto, em linhas gerais. Meu novo objetivo de vida é descobrir a coragem para seguir em frente através de tudo aquilo de que não me orgulho. É descobrir a humildade para acreditar na possibilidade de alguma coisa inesperada acontecer, alguma coisa que seja um alívio para o peso insuportável de não ter um... um portfólio. E descobrir a força para poder segurar nas mãos nossas vitórias, antes que elas escapem.
É difícil também ouvir a admiração e a inveja do Diogo pelas minhas aulas de programação, e depois não me empolgar com elas, me distrair durante as aulas porque é tão devagar, tão fácil demais, que é até sem graça. E não saber direito como poder exigir mais de mim, porque sem querer acabei passando muitas semanas sem ter um dia sequer para fazer aquilo que poderiam ser as minhas coisas. Eu estava aqui pensando que eu deveria escrever minhas histórias, ou terminar de programar aquele Pong, eu montar meu portfólio, mas. Não sei nada. Não sei se devo fazer qualquer coisa. Não sei o que devo escolher e o que devo sacrificar.
Acho que descobri.
Não apenas com a volta das aulas, trabalhos, colegas de quem eu não sou próxima o suficiente, essa coisa toda de tentar ser designer, procurar um estágio, o mêdo de falhar, de errar, de não saber nada de porra nenhuma e etc.
Me assusta também o que eu sou em mim mesma.
Tá certo que eu tenho passado tempo demais com o Diogo, e que é difícil viver com alguém tão ambicioso e tão pouco tímido com quem se comparar, inevitavelmente. Há algum tempo eu decidi que não seria certo, de qualquer forma, eu me formar antes dele, e por isso fazia sentido eu ter feito dois anos praticamente inválidos de faculdade enquanto ele já aprendeu um milhão de coisas no primeiro ano dele. Mas é óbvio que essa decisão é uma fuga. É uma fuga para um lugar onde eu possa ser uma criança aprendendo a engatinhar, sem medo de cair de cara no chão, de se humilhar, sem a responsabilidade tão horrivelmente pesada de ter algum passado vitorioso no qual se apoiar.
Estou passando por um processo de esquecer meu passado, não porque eu tenha medo dele ou porque ele não seja válido, mas porque ele não pode mais me ajudar. Não há nada no passado para nós, nada que possa nos dar forças, nada que possa nos segurar quando cairmos no futuro. É assim que eu me sinto, em linhas gerais. Meu novo objetivo de vida é descobrir a coragem para seguir em frente através de tudo aquilo de que não me orgulho. É descobrir a humildade para acreditar na possibilidade de alguma coisa inesperada acontecer, alguma coisa que seja um alívio para o peso insuportável de não ter um... um portfólio. E descobrir a força para poder segurar nas mãos nossas vitórias, antes que elas escapem.
É difícil também ouvir a admiração e a inveja do Diogo pelas minhas aulas de programação, e depois não me empolgar com elas, me distrair durante as aulas porque é tão devagar, tão fácil demais, que é até sem graça. E não saber direito como poder exigir mais de mim, porque sem querer acabei passando muitas semanas sem ter um dia sequer para fazer aquilo que poderiam ser as minhas coisas. Eu estava aqui pensando que eu deveria escrever minhas histórias, ou terminar de programar aquele Pong, eu montar meu portfólio, mas. Não sei nada. Não sei se devo fazer qualquer coisa. Não sei o que devo escolher e o que devo sacrificar.
Acho que descobri.
Reflexão (sim, mais uma)
Às vezes eu me sinto muito solitária
Muito sozinha como se o mundo estivesse se afastando como uma nuvem
e fosse completamente impossível se agarrar a ele
Vocês conseguem imaginar, não?
Eu me sinto assim quando vejo que não faço meis parte da vida de uma pessoa
ou que alguma grande amizade virou só lembrança, de repente
Eu tento afastar a raiva e a frustração de não poder mais compartilhar momentos e idéias com essas pessoas que por um momento me pareceram perfeitas para mim
Eu também tento não ficar com raiva delas por terem me abandonado, por não terem sequer tentado ficar um pouquinho mais perto de mim.
Eu vejo coisas que eu quero fazer, conversas que eu quero ter, emoções que eu adoraria compartilhar, mas não posso.
E me dói notar quando essas pessoas estão tão próximas de outras pessoas de quem eu nunca consegui me aproximar. E me dói também quando outras pessoas que eu não pude amar estão muito mais próximas dessas pessoas que o mais que eu já ousei estar
Eu também me pergunto se alguém sente esse tipo de coisa em relação a mim. Se alguém lamenta eu estar longe. Se alguém ainda gosta de mim e não sabe mais como me encontrar. Eu penso nisso e me pergunto o que eu estou fazendo das pessoas. O que eu estou fazendo para as pessoas.
Muito sozinha como se o mundo estivesse se afastando como uma nuvem
e fosse completamente impossível se agarrar a ele
Vocês conseguem imaginar, não?
Eu me sinto assim quando vejo que não faço meis parte da vida de uma pessoa
ou que alguma grande amizade virou só lembrança, de repente
Eu tento afastar a raiva e a frustração de não poder mais compartilhar momentos e idéias com essas pessoas que por um momento me pareceram perfeitas para mim
Eu também tento não ficar com raiva delas por terem me abandonado, por não terem sequer tentado ficar um pouquinho mais perto de mim.
Eu vejo coisas que eu quero fazer, conversas que eu quero ter, emoções que eu adoraria compartilhar, mas não posso.
E me dói notar quando essas pessoas estão tão próximas de outras pessoas de quem eu nunca consegui me aproximar. E me dói também quando outras pessoas que eu não pude amar estão muito mais próximas dessas pessoas que o mais que eu já ousei estar
Eu também me pergunto se alguém sente esse tipo de coisa em relação a mim. Se alguém lamenta eu estar longe. Se alguém ainda gosta de mim e não sabe mais como me encontrar. Eu penso nisso e me pergunto o que eu estou fazendo das pessoas. O que eu estou fazendo para as pessoas.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Pequena Incursão Filosófica
Em dias como este, em que minha mãe me manda passar veneno pra cupim num banco/mesa/revisteiro; em que eu acordo com o despertador que misteriosamente tocou às 13:34, e não às 7:34 como seria o certo; em que eu me jogo na cama bagunçada e não tenho mais vontade de levantar dela, nunca mais; em que nada do que acontece comigo parece fazer o menor sentido, eu páro e me questiono a respeito do sentido da vida.
O problema é que o sentido da vida não é algo racional, algo fixo, que você poderia escrever num livro e ensinar a seus amiguinhos numa palestra. É algo que ou há, ou não há. Em dias astim, é claro, não há; não há nada. O cinzento do céu lá fora é a única coisa que não parece completamente estúpida. Eu preciso abrir a janela, para poder enxergá-lo direito, para poder sentir seu cheiro, o cheiro do vento, o vento pra compensar o meu calor. Eu queria derrubar essas grades para não haver nada entre eu e o mundo. Acho que seria legal sublimar e me dissolver no vento.
Falta alguma coisa em que acreditar. Eu páro e, para evitar pensamentos metafóricamente suicídas, me pergunto o que na minha vida é realmente uma razão pra se viver. O que faz sentido, o que eu não jogaria fora de jeito nenhum. Agora a chuva está entrando pela janela e eu não vou fechar a janela mesmo assim, porque eu não jogaria fora a cor do céu e o vento, de jeito nenhum. A porta se fechou com um estrondo e foi um som delicioso. Eu adoro sentir. Sentir é uma razão pra se viver.
Outras razões que me ocorrem são: amor, diversão, calor, árvore com folhas jovens contra o céu azul (ou: marrom-verde-azul), fazer as coisas certas, amigos, andar de bicicleta, dirigir, o Mar, transar, comida boa, ficar completamente exausto, a Noite (andar na rua à noite), chuva (mesmo a chuva tipo 17), poder imaginar o que quiser, roupas confortáveis, roupas bonitas, cabelo de homem molhado, desejo e flerte, Twix, festa à fantasia, gente bonita, paisagens imensas, work hard-work worth doing, euforia, luta, ser respeitado, andar sozinha por aí, compartilhar prazeres e lugares secretos, estar apaixonada, saber o sentido da vida, dançar, correr e brincar na chuva.
A gente tem que saber o que é importante pra poder saber o que é completamente irrelevante. Pra mim é difícil fazer essa distinção. Eu imagino muito, e aí qualquer coisa parece legal. Por exemplo: eu tenho esse velerinho da ABN-AMRO que eu não compraria nem de graça (o Diogo sugeriu que se eu estivesse em dúvida sobre o que fazer com algum objeto, eu avaliasse se eu levaria ele de graça pra casa, se eu não o tivesse), mas eu imagino que eu poderia pintá-lo de outras cores e aí ele ficaria mó bonito, mas, pensando bem, eu não tenho onde deixar esse veleiro mesmo se ele fosse bonito, ele ia ser uma dessas coisas que a gente não tem coragem de jogar fora mas não sabe o que fazer com ele, então eu penso que como ele seria legal eu poderia dá-lo pra alguém, mas aí, quem gosta de veleiros e teria espaço sobrando em casa para ter um veleiro que aliás eu nem sei se bóia, seria no máximo um brinquedo ou objeto de decoração, então eu poderia deixá-lo com os brinquedos, mas ele não caberia na caixa de brinquedos lotada, e não tem espaço no armário igualmente lotado, e de qualquer forma ninguém brincaria com ele se ele estivesse separado dos outros brinquedos de sempre, então eu penso que eu poderia pintá-lo e dá-lo de presente pros meninos da Cajaíba, que provavelmente nem gostariam dele, mas só se meus irmãos quisessem dar os deles também, e será que meus irmãos têm os mesmos problemas que eu?
(nossa, eu estou arrependida de ter escrito esse parágrafo)
Resumindo, eu sempre escolho fazer a coisa mais complicada. Acho que é porque eu tenho esperanças de poder fazer algum tipo de trabalho que não seja completamente inútil. O que me leva de volta à questão da faculdade, de como eu posso continuar fazendo um curso que não me dá nenhuma esperança de futuro, já que eu não consigo de forma nenhuma me imaginar designer, e por que me parece que meus amigos estão determinados e seguir com suas vidas enquanto eu tenho certeza de que não quero terminar a faculdade e me tornar uma sei lá o quê. E isso faz de mim uma pessoa desesperada. Se você jogar na minha cara o fato de que eu sou infeliz na minha vida acadêmica e talvez até familiar, eu provavelmente vou te agredir, então, acho que você deveria fazer isso mesmo, e a gente deveria lutar; é isso aí, eu vou abrir o Clube da Luta e voltar pra casa sangrando todos os dias. Outra coisa que faz a vida parecer mais certa é....
... hm, acabou de chegar um e-mail dizendo que as aulas vão começar só dia 26, e não 16 como estava sendo anunciado. Isso muda tudo...
enfim, outra coisa que faz a vida parecer mais certa é se machucar um monte e saber que foi por um bom motivo, e se sentir feliz com isso. Ou ser arremessado de uma bóia em alta velocidade. Ou se agarrar com todas as suas forças. Ou simplesmente tomar uma decisão e ir até o fim com ela (que é algo que eu nunca faço.)/
Enfim, eu estou tentando chegar a uma conclusão mas eu não estou conseguindo. Então vou desistir dessa bobagem e ir fazer alguma coisa de útil (sim, eu já perdi as esperanças de criar qualquer coisa através deste blog).
O problema é que o sentido da vida não é algo racional, algo fixo, que você poderia escrever num livro e ensinar a seus amiguinhos numa palestra. É algo que ou há, ou não há. Em dias astim, é claro, não há; não há nada. O cinzento do céu lá fora é a única coisa que não parece completamente estúpida. Eu preciso abrir a janela, para poder enxergá-lo direito, para poder sentir seu cheiro, o cheiro do vento, o vento pra compensar o meu calor. Eu queria derrubar essas grades para não haver nada entre eu e o mundo. Acho que seria legal sublimar e me dissolver no vento.
Falta alguma coisa em que acreditar. Eu páro e, para evitar pensamentos metafóricamente suicídas, me pergunto o que na minha vida é realmente uma razão pra se viver. O que faz sentido, o que eu não jogaria fora de jeito nenhum. Agora a chuva está entrando pela janela e eu não vou fechar a janela mesmo assim, porque eu não jogaria fora a cor do céu e o vento, de jeito nenhum. A porta se fechou com um estrondo e foi um som delicioso. Eu adoro sentir. Sentir é uma razão pra se viver.
Outras razões que me ocorrem são: amor, diversão, calor, árvore com folhas jovens contra o céu azul (ou: marrom-verde-azul), fazer as coisas certas, amigos, andar de bicicleta, dirigir, o Mar, transar, comida boa, ficar completamente exausto, a Noite (andar na rua à noite), chuva (mesmo a chuva tipo 17), poder imaginar o que quiser, roupas confortáveis, roupas bonitas, cabelo de homem molhado, desejo e flerte, Twix, festa à fantasia, gente bonita, paisagens imensas, work hard-work worth doing, euforia, luta, ser respeitado, andar sozinha por aí, compartilhar prazeres e lugares secretos, estar apaixonada, saber o sentido da vida, dançar, correr e brincar na chuva.
A gente tem que saber o que é importante pra poder saber o que é completamente irrelevante. Pra mim é difícil fazer essa distinção. Eu imagino muito, e aí qualquer coisa parece legal. Por exemplo: eu tenho esse velerinho da ABN-AMRO que eu não compraria nem de graça (o Diogo sugeriu que se eu estivesse em dúvida sobre o que fazer com algum objeto, eu avaliasse se eu levaria ele de graça pra casa, se eu não o tivesse), mas eu imagino que eu poderia pintá-lo de outras cores e aí ele ficaria mó bonito, mas, pensando bem, eu não tenho onde deixar esse veleiro mesmo se ele fosse bonito, ele ia ser uma dessas coisas que a gente não tem coragem de jogar fora mas não sabe o que fazer com ele, então eu penso que como ele seria legal eu poderia dá-lo pra alguém, mas aí, quem gosta de veleiros e teria espaço sobrando em casa para ter um veleiro que aliás eu nem sei se bóia, seria no máximo um brinquedo ou objeto de decoração, então eu poderia deixá-lo com os brinquedos, mas ele não caberia na caixa de brinquedos lotada, e não tem espaço no armário igualmente lotado, e de qualquer forma ninguém brincaria com ele se ele estivesse separado dos outros brinquedos de sempre, então eu penso que eu poderia pintá-lo e dá-lo de presente pros meninos da Cajaíba, que provavelmente nem gostariam dele, mas só se meus irmãos quisessem dar os deles também, e será que meus irmãos têm os mesmos problemas que eu?
(nossa, eu estou arrependida de ter escrito esse parágrafo)
Resumindo, eu sempre escolho fazer a coisa mais complicada. Acho que é porque eu tenho esperanças de poder fazer algum tipo de trabalho que não seja completamente inútil. O que me leva de volta à questão da faculdade, de como eu posso continuar fazendo um curso que não me dá nenhuma esperança de futuro, já que eu não consigo de forma nenhuma me imaginar designer, e por que me parece que meus amigos estão determinados e seguir com suas vidas enquanto eu tenho certeza de que não quero terminar a faculdade e me tornar uma sei lá o quê. E isso faz de mim uma pessoa desesperada. Se você jogar na minha cara o fato de que eu sou infeliz na minha vida acadêmica e talvez até familiar, eu provavelmente vou te agredir, então, acho que você deveria fazer isso mesmo, e a gente deveria lutar; é isso aí, eu vou abrir o Clube da Luta e voltar pra casa sangrando todos os dias. Outra coisa que faz a vida parecer mais certa é....
... hm, acabou de chegar um e-mail dizendo que as aulas vão começar só dia 26, e não 16 como estava sendo anunciado. Isso muda tudo...
enfim, outra coisa que faz a vida parecer mais certa é se machucar um monte e saber que foi por um bom motivo, e se sentir feliz com isso. Ou ser arremessado de uma bóia em alta velocidade. Ou se agarrar com todas as suas forças. Ou simplesmente tomar uma decisão e ir até o fim com ela (que é algo que eu nunca faço.)/
Enfim, eu estou tentando chegar a uma conclusão mas eu não estou conseguindo. Então vou desistir dessa bobagem e ir fazer alguma coisa de útil (sim, eu já perdi as esperanças de criar qualquer coisa através deste blog).
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Improbable things that happen to us:
You walk through the dappled shade of the jungle, thankful for the break from the heat, when your nose picks up the soft wafting smell of something wheaty with a tinge of tomato-saucy goodness. From around a huge vining tree, and flying with great speed at your head, is The Flying Spaghetti Monster.
The great meatballs of doom squirt out sauce of deepest red and specks of garlic.
It spies you and says, in a booming voice that shakes birds from nearby trees, "HUMANS EVOLVED FROM PIRATES. CONSIDER THAT HUMANS SHARE AROUND 95% OF THEIR DNA WITH MONKEYS, AND MORE THAN 99.9% OF THEIR DNA WITH PIRATES. IT IS ELEMENTARY, MY CHILD."
You barely have time to grab your weapon, let alone come up with arguments against the claim.
The great meatballs of doom squirt out sauce of deepest red and specks of garlic.
It spies you and says, in a booming voice that shakes birds from nearby trees, "HUMANS EVOLVED FROM PIRATES. CONSIDER THAT HUMANS SHARE AROUND 95% OF THEIR DNA WITH MONKEYS, AND MORE THAN 99.9% OF THEIR DNA WITH PIRATES. IT IS ELEMENTARY, MY CHILD."
You barely have time to grab your weapon, let alone come up with arguments against the claim.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
O Próximo Semestre
Então depois de meses de aflição, dúvidas e arrependimentos, eu entro no júpiter e ele me mostra que matérias optativas eu peguei. Eu vou transcrever aqui pra você poderem rir da minha situação.
obrigatórias:
AUH2810 - História do Design III
AUP2310 - Projeto Visual 5 - Mídia Eletrônica
AUP2410 - Projeto do Produto 5 - Transporte
AUT2506 - Usabilidade e Desempenho
CCA0314 - Teorias do Signo
PRO2317 - Ergonomia II
CTR0801 - Tecnologias Audiovisuais
optativas livres:
FLF0465 - Estética III
MAP0215 - Cálculo Vetorial e Aplicações
MAP0216 - Introdução à Análise Real
PTC2667 - Introdução aos Algoritmos em Automação
Isso é tão... simplesmente triste!
Estética III eu me inscrevi sem querer, achando que era Estética I. Cálculo Vetorial e Análise Real eu me inscrevi basicamente porque eu queria fazer algo de matemática mas não conseguia entender nenhum dos programas, então meio que me inscrevi em todos. As outras... (pára, pensa) 16 matérias para as quais eu me inscrevi não consegui pegar. Que coisa! Se ao menos eu não estivesse viajando em todos os momentos em que eu poderia ter alterado minha matrícula, eu poderia ter removido a inscrição para essas coisas absurdas e aumentado a prioridade para as coisas importantes... Pensando bem, se ao menos eu soubesse como o sistema de seleção para optativas funciona...
Enfim, este semestre eu tenho o objetivo de não reprovar nenhuma matéria
obrigatórias:
AUH2810 - História do Design III
AUP2310 - Projeto Visual 5 - Mídia Eletrônica
AUP2410 - Projeto do Produto 5 - Transporte
AUT2506 - Usabilidade e Desempenho
CCA0314 - Teorias do Signo
PRO2317 - Ergonomia II
CTR0801 - Tecnologias Audiovisuais
optativas livres:
FLF0465 - Estética III
MAP0215 - Cálculo Vetorial e Aplicações
MAP0216 - Introdução à Análise Real
PTC2667 - Introdução aos Algoritmos em Automação
Isso é tão... simplesmente triste!
Estética III eu me inscrevi sem querer, achando que era Estética I. Cálculo Vetorial e Análise Real eu me inscrevi basicamente porque eu queria fazer algo de matemática mas não conseguia entender nenhum dos programas, então meio que me inscrevi em todos. As outras... (pára, pensa) 16 matérias para as quais eu me inscrevi não consegui pegar. Que coisa! Se ao menos eu não estivesse viajando em todos os momentos em que eu poderia ter alterado minha matrícula, eu poderia ter removido a inscrição para essas coisas absurdas e aumentado a prioridade para as coisas importantes... Pensando bem, se ao menos eu soubesse como o sistema de seleção para optativas funciona...
Enfim, este semestre eu tenho o objetivo de não reprovar nenhuma matéria
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
História tradicional de matamento de ogro
um monstro enorme, feio, com tufos de pelos dispersos pelo corpo deformado, com garras nas mãos e nos pés, pele cinzenta e sem orelhas.Os irmãos de Jennie o haviam cercado, e tentavam atacá-lo com suas armas, mas o ogro respondia com patadas que lançavam longe os agressores. Quando cheguei vi o último forcado ser reduzido a pedaços pela fúria do ogro, que sacudia pelo meio da lâmina o facão tomado do irmão do meio. Os homens desarmados ora se encolhiam contra as paredes da caverna, ora avançavam tentando assustar o monstro com o fogo de suas tochas. O irmão mais velho, que tinha o machado, soltou um urro de coragem e correu para o ogro numa última investida louca. Nessa hora, eu comecei a enxergar as coisas muito claramente. Vi o ogro levantar sua mão enorme e agarrar o machado das mãos do irmão mais velho, vi o irmão mais velho levantado no ar e levando um soco do ogro que o grudava na parede do outro lado da caverna; vi o ogro rugindo vitorioso e devorando cada um dos cinco filhos do ferreiro Bart, deixando Jennie para a sobremesa. Vi tudo isso antes que acontecesse e tomei uma decisão que era quase um reflexo: saquei o bodoque do bolso e atirei na cabeça do ogro.
O ogro, já com a mão levantada para pegar o machado, levou a pedrada bem no buraco onde deveria estar a orelha, soltou um rugido de susto e dor, virando a cabeça, e soltou um urro ensurdecedor quando o machado do irmão mais velho esmigalhou os ossos do seu ombro esquerdo. Mas isso não foi suficiente: o monstro baixou a mão que estava levantada na cabeça do irmão de Jennie, e eu nem cheguei a vê-lo cair desacordado no chão, porque meu sangue gelou e e meu coração começou a bater tão rápido que doía: o ogro estava olhando diretamente para mim, e seu olhar era tão furioso que eu quase conseguia enxergar meu corpo sendo despedaçado na sua imaginação. Quando o primeiro músculo do imenso corpo cinzento do ogro começou a se mexer, minha mente perdeu o controle sobre meu corpo, e quando eu comecei a entender a situação, já estava longe dali, correndo muito mais rápido do que jamais correra na vida, completamente perdido dentro da caverna, e ainda ouvindo as passadas pesadas do monstro atrás de mim.
Corri como um louco até que o caminho se fechou à minha frente. O corredor acabava de repente numa parede de pedras que subia até uma abertura no teto. Tentei escalar a parede, mas a pedra em que me segurei soltou-se e eu caí no chão, com o ogro a poucos metros de mim. Nessa hora, encurralado, não senti mais nenhum mêdo, e de novo imagens muito claras passaram diante dos meus olhos: o ogro avançando, me pegando com suas mãos enormes e dividindo meu corpo ao meio com um puxão. Num instante desembainhei o facão de meu pai, o ogro abriu os braços para me agarrar, e enfiei a lâmina o mais fundo que podia na sua enorme barriga.
O ogro urrou e se afastou com a dor, quebrando a lâmina velha do facão com o movimento, me deixando com uma coisa quebrada e ensangüentada na mão. E quando o sangue do ogro esguichou do ferimento o me deixou completamente encharcado, eu esqueci completamente de quem eu havia sido, de meus pais, de Jennie, das machadadas que os irmãos de Jennie davam no monstro atordoado até que seus urros cessassem, dos meninos da comunidade, e até de nossas aventuras épicas, que eram o que consumia a maior parte dos meus esforços na vida. Fiquei ali parado, sem prestar atenção aos irmãos de Jennie, que corriam de um lado por outro procurando pela irmã, que não a encontravam, que recolhiam suas armas, que chutavam o corpo do ogro com raiva, que me pegavam nos ombros e me levavam para o acampamento lá fora e me punham sentado do lado do irmão mais velho desacordado. Eu tinha matado um ogro, eu era um herói, e naquela noite as únicas coisas reais do meu universo eram o sangue do ogro nas minhas roupas e o facão quebrado na minha mão.
Quando chegamos em casa, as pessoas começaram a comemorar nossa vitória, e fizeram uma festa mesmo depois que contamos que não havíamos encontrado Jennie. Logo descobrimos porquê: enquanto estávamos fora, Jennie voltara para casa, dizendo que havia apenas se perdido no bosque durante um passeio. Depois de alguns dias tudo voltou ao normal: o trabalho, as brincadeiras, as histórias, incluindo a minha nova história, que eu contava várias vezes por dia. Mas eu me sentia estranho. Agora nas brincadeiras os outros meninos sempre deixavam para mim o papel do herói, mas eu me cansava logo e ia fazer outras coisas. Logo contar minha história também perdeu a graça. Jennie era a que mais queria ouvir a história, sabendo que era para ser a história de seu resgate, e até propôs um final alternativo no qual ela estava mesmo prisioneira do ogro, e eu e seus irmãos a resgatávamos heroicamente. Mas eu não tinha mais vontade de conversar com ela. Então uma noite, Tia Ida contou uma história que eu já havia esquecido, a história da primeira aventura de Roder, na qual ele salvava uma princesa encantada das garras do ogro maligno de duas cabeças. Entendi aquilo como um sinal: o grande herói havia começado suas aventuras derrotando um ogro, assim como eu! Decidi que eu estava destinado a seguir os passos do meu ídolo. Naquela noite não consegui dormir — em vez disso, juntei todos os meus pertences e parti em direção à vila perto da qual Roder matara seu primeiro dragão.
O ogro, já com a mão levantada para pegar o machado, levou a pedrada bem no buraco onde deveria estar a orelha, soltou um rugido de susto e dor, virando a cabeça, e soltou um urro ensurdecedor quando o machado do irmão mais velho esmigalhou os ossos do seu ombro esquerdo. Mas isso não foi suficiente: o monstro baixou a mão que estava levantada na cabeça do irmão de Jennie, e eu nem cheguei a vê-lo cair desacordado no chão, porque meu sangue gelou e e meu coração começou a bater tão rápido que doía: o ogro estava olhando diretamente para mim, e seu olhar era tão furioso que eu quase conseguia enxergar meu corpo sendo despedaçado na sua imaginação. Quando o primeiro músculo do imenso corpo cinzento do ogro começou a se mexer, minha mente perdeu o controle sobre meu corpo, e quando eu comecei a entender a situação, já estava longe dali, correndo muito mais rápido do que jamais correra na vida, completamente perdido dentro da caverna, e ainda ouvindo as passadas pesadas do monstro atrás de mim.
Corri como um louco até que o caminho se fechou à minha frente. O corredor acabava de repente numa parede de pedras que subia até uma abertura no teto. Tentei escalar a parede, mas a pedra em que me segurei soltou-se e eu caí no chão, com o ogro a poucos metros de mim. Nessa hora, encurralado, não senti mais nenhum mêdo, e de novo imagens muito claras passaram diante dos meus olhos: o ogro avançando, me pegando com suas mãos enormes e dividindo meu corpo ao meio com um puxão. Num instante desembainhei o facão de meu pai, o ogro abriu os braços para me agarrar, e enfiei a lâmina o mais fundo que podia na sua enorme barriga.
O ogro urrou e se afastou com a dor, quebrando a lâmina velha do facão com o movimento, me deixando com uma coisa quebrada e ensangüentada na mão. E quando o sangue do ogro esguichou do ferimento o me deixou completamente encharcado, eu esqueci completamente de quem eu havia sido, de meus pais, de Jennie, das machadadas que os irmãos de Jennie davam no monstro atordoado até que seus urros cessassem, dos meninos da comunidade, e até de nossas aventuras épicas, que eram o que consumia a maior parte dos meus esforços na vida. Fiquei ali parado, sem prestar atenção aos irmãos de Jennie, que corriam de um lado por outro procurando pela irmã, que não a encontravam, que recolhiam suas armas, que chutavam o corpo do ogro com raiva, que me pegavam nos ombros e me levavam para o acampamento lá fora e me punham sentado do lado do irmão mais velho desacordado. Eu tinha matado um ogro, eu era um herói, e naquela noite as únicas coisas reais do meu universo eram o sangue do ogro nas minhas roupas e o facão quebrado na minha mão.
Quando chegamos em casa, as pessoas começaram a comemorar nossa vitória, e fizeram uma festa mesmo depois que contamos que não havíamos encontrado Jennie. Logo descobrimos porquê: enquanto estávamos fora, Jennie voltara para casa, dizendo que havia apenas se perdido no bosque durante um passeio. Depois de alguns dias tudo voltou ao normal: o trabalho, as brincadeiras, as histórias, incluindo a minha nova história, que eu contava várias vezes por dia. Mas eu me sentia estranho. Agora nas brincadeiras os outros meninos sempre deixavam para mim o papel do herói, mas eu me cansava logo e ia fazer outras coisas. Logo contar minha história também perdeu a graça. Jennie era a que mais queria ouvir a história, sabendo que era para ser a história de seu resgate, e até propôs um final alternativo no qual ela estava mesmo prisioneira do ogro, e eu e seus irmãos a resgatávamos heroicamente. Mas eu não tinha mais vontade de conversar com ela. Então uma noite, Tia Ida contou uma história que eu já havia esquecido, a história da primeira aventura de Roder, na qual ele salvava uma princesa encantada das garras do ogro maligno de duas cabeças. Entendi aquilo como um sinal: o grande herói havia começado suas aventuras derrotando um ogro, assim como eu! Decidi que eu estava destinado a seguir os passos do meu ídolo. Naquela noite não consegui dormir — em vez disso, juntei todos os meus pertences e parti em direção à vila perto da qual Roder matara seu primeiro dragão.
domingo, 25 de janeiro de 2009
A História do garoto que queria ser herói
Para contar a história da minha voz, é preciso antes contar a história de como conheci o dragão Rolaf, ou seja, a história de como resolvi seguir os passos de Roder, o Grande Herói, quando eu era apenas um menino.
Eu nasci no campo, exatamente como aquela mulher. Acordava cedo para ajudar minhas irmãs no trabalho, e sempre que podia me juntava a outros meninos para explorar lugares perigosos, correr atrás de cachorros e brincar de heróis e vilões. Cresci vendo histórias desenhadas dos grandes cavaleiros matadores de monstros, e recriando nos bosques perto de casa as aventuras que Tia Ida, a irmã velha de meu pai, nos contava nas noites frias. As melhores histórias eram as do grande herói Roder, o fabuloso guerreiro que matara oito dragões e desaparecera dentro da caverna de um nono. Em todas as brincadeiras havia briga para ver quem seria Roder, e eu sempre brigava mais do que todos, porque queria ser um herói de verdade, e não apenas nas brincadeiras. Havia para mim uma única coisa que parecia tão importante quanto viver grandes aventuras e derrotar monstros terríveis — essa coisa era Jennie, a filha do ferreiro, por quem eu era tão apaixonado que até nas brincadeiras com os outros meninos eu sempre jurava lutar em honra dela. Eu lhe dava flores todos os dias e até já havia decidido nosso casamento, quando Jennie desapareceu misteriosamente numa noite sem lua.
Vivíamos numa comunidade muito pequena, e todos ficaram muito preocupados. As tias de Jennie convenceram todas as outras tias de que a garota fora raptada por raposas, em cujo caso seria preciso suborná-las com presentes para que a devolvessem. Os amigos do pai de Jennie, inclusive o meu pai, achavam mais provável que ela tivesse fugido com algum rapaz desconhecido que passara pela região recentemente. Porém a opinião que realmente importava era a dos irmãos de Jennie, e eles logo decidiram que isso era coisa do ogro que vivia no coração da floresta escura atrás da qual o sol sempre se punha. Organizaram-se para uma missão de salvamento sem demora, e eu, que não podia perder aquela aventura, juntei minhas coisas (uma camisa velha, o facão de meu pai, algumas frutas que mamãe deixara madurando num cesto, um estilingue) e fui escondido atrás deles. A caverna do ogro ficava bem mais longe do que eu imaginava. Enquanto os homens armavam barracas de acampamento, eu dormi no chão de folhas úmidas, coberto por galhos quebrados. A floresta era muito mais hostil que os bosques nos quais eu costumava brincar, e era muito difícil acompanhar os irmãos de Jennie sem que eles me percebessem. Depois de três dias chegamos a uma caverna enorme, uma abertura na terra que parecia uma boca aberta, e os irmãos de Jennie largaram suas trouxas, acenderam tochas e pegaram suas foices, machados, forcados e facões para atacar o monstro. Assim que eles entraram, peguei o facão e o bodoque e me esgueirei atrás deles.
A entrada da caverna era uma galeria enorme, que depois ia afinando e afundando e se enchendo de enormes estalagmites. Eu me escondia atrás delas, perto das paredes, para não ser percebido. Quando o corredor ficou muito estreito me deixei ficar para trás, mas em seguida o caminho se dividiu em vários, e eu não sabia mais por onde eles haviam seguido. Segui somente minha intuição, ou minha sorte, e me meti num corredorzinho estreito e sinuoso. Logo percebi que estava sozinho naquele caminho, e ja estava pensando em voltar quando ouvi um urro medonho, que fez todos os pêlos do meu corpo se arrepiarem, e entendi que eles haviam dado de cara com o ogro. Ouvi gritos, urros e barulho de coisas quebrando, e saí correndo na direção deles, para o fundo da caverna. O corredor ficava cada vez mais escuro e úmido, mas afinal eu vi o brilho das tochas dos irmãos de Jennie, e logo depois, vi o que eu esperava ver com o coração pulando e segurando a respiração:
Eu nasci no campo, exatamente como aquela mulher. Acordava cedo para ajudar minhas irmãs no trabalho, e sempre que podia me juntava a outros meninos para explorar lugares perigosos, correr atrás de cachorros e brincar de heróis e vilões. Cresci vendo histórias desenhadas dos grandes cavaleiros matadores de monstros, e recriando nos bosques perto de casa as aventuras que Tia Ida, a irmã velha de meu pai, nos contava nas noites frias. As melhores histórias eram as do grande herói Roder, o fabuloso guerreiro que matara oito dragões e desaparecera dentro da caverna de um nono. Em todas as brincadeiras havia briga para ver quem seria Roder, e eu sempre brigava mais do que todos, porque queria ser um herói de verdade, e não apenas nas brincadeiras. Havia para mim uma única coisa que parecia tão importante quanto viver grandes aventuras e derrotar monstros terríveis — essa coisa era Jennie, a filha do ferreiro, por quem eu era tão apaixonado que até nas brincadeiras com os outros meninos eu sempre jurava lutar em honra dela. Eu lhe dava flores todos os dias e até já havia decidido nosso casamento, quando Jennie desapareceu misteriosamente numa noite sem lua.
Vivíamos numa comunidade muito pequena, e todos ficaram muito preocupados. As tias de Jennie convenceram todas as outras tias de que a garota fora raptada por raposas, em cujo caso seria preciso suborná-las com presentes para que a devolvessem. Os amigos do pai de Jennie, inclusive o meu pai, achavam mais provável que ela tivesse fugido com algum rapaz desconhecido que passara pela região recentemente. Porém a opinião que realmente importava era a dos irmãos de Jennie, e eles logo decidiram que isso era coisa do ogro que vivia no coração da floresta escura atrás da qual o sol sempre se punha. Organizaram-se para uma missão de salvamento sem demora, e eu, que não podia perder aquela aventura, juntei minhas coisas (uma camisa velha, o facão de meu pai, algumas frutas que mamãe deixara madurando num cesto, um estilingue) e fui escondido atrás deles. A caverna do ogro ficava bem mais longe do que eu imaginava. Enquanto os homens armavam barracas de acampamento, eu dormi no chão de folhas úmidas, coberto por galhos quebrados. A floresta era muito mais hostil que os bosques nos quais eu costumava brincar, e era muito difícil acompanhar os irmãos de Jennie sem que eles me percebessem. Depois de três dias chegamos a uma caverna enorme, uma abertura na terra que parecia uma boca aberta, e os irmãos de Jennie largaram suas trouxas, acenderam tochas e pegaram suas foices, machados, forcados e facões para atacar o monstro. Assim que eles entraram, peguei o facão e o bodoque e me esgueirei atrás deles.
A entrada da caverna era uma galeria enorme, que depois ia afinando e afundando e se enchendo de enormes estalagmites. Eu me escondia atrás delas, perto das paredes, para não ser percebido. Quando o corredor ficou muito estreito me deixei ficar para trás, mas em seguida o caminho se dividiu em vários, e eu não sabia mais por onde eles haviam seguido. Segui somente minha intuição, ou minha sorte, e me meti num corredorzinho estreito e sinuoso. Logo percebi que estava sozinho naquele caminho, e ja estava pensando em voltar quando ouvi um urro medonho, que fez todos os pêlos do meu corpo se arrepiarem, e entendi que eles haviam dado de cara com o ogro. Ouvi gritos, urros e barulho de coisas quebrando, e saí correndo na direção deles, para o fundo da caverna. O corredor ficava cada vez mais escuro e úmido, mas afinal eu vi o brilho das tochas dos irmãos de Jennie, e logo depois, vi o que eu esperava ver com o coração pulando e segurando a respiração:
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Seqüela
Voltei de viagem ontem, infelizmente esqueci de acessar o jupiter (o que me obriga a ir na usp fazer um monte de coisa chata), tive uma noite boa apesar de ter dormido pouco, acordei cedo, tudo está meio... normal. Demais.
Aí fui ler blogs e tal, li o blog do Yuri, e li o texto ao qual ele se referia e pensei... que estranho ler aquilo, fazia tempo que eu não parava pra pensar naquele dia mas.
Às vezes é estranho pensar que aquele tempo de começo do colegial realmente aconteceu e foi daquele jeito. É o que eu estava pensando. Hoje somos todos tão diferentes, crescemos tanto, aprendemos tanto, mudamos tanto, que algumas coisas não fazem sentido, parecem impossíveis, alguns sentimentos que lembramos de ter sentido não têm mais nada a ver, e é assim que é estranho o fato de o tempo passar e as coisas ficarem diferentes do que eram antes. Muitas vezes eu nem entendo coisas que eu ou você escrevemos naquele tempo; tudo parece completamente esquisito. Mas são coisas que ainda me fazem sentir alguma coisa quando me lembro. Aquilo ainda faz parte de mim, de alguma estranha forma.
Em Brasília descobri que aquela queda da cachoeira ainda me assusta também. Descobri isso quando o diogo resolver pular num barranco bastante íngreme e muito alto que terminava logo antes de um laguinho raso, e eu a princípio achei legal, mas fui ficando com mêdo, muito mêdo de que ele se machucasse, muito mêdo mesmo, e de repente eu precisava gritar com ele e tantar dissuadi-lo daquilo, pra que ele também não pensasse algo como "eu não morro, só me machuco muito".
Mas ele me ignorou e pulou de cabeça, e assim que ele tocou na grama eu percebi que estava tudo bem, e parei de me preocupar. Detestei aquele mêdo. Me senti desmoronar completamente.
Pouco tempo depois, estávamos correndo na chuva e pulando cerquinhas pra aproveitar as vistas de cima de alguns monumentos.
Gostei de Brasília. É uma cidade bonita, com poucos muros (mas todos estão pichados), monumentos interessantes, algumas construções fascinantes, um pombal feito por niemeyer, preços baixos e muitas, muitas mangueiras (a árvore, não o objeto). Por outro lado, não gostei de Brasília! Nessa época do ano, e em dia de semana, é uma cidade imensa e vazia, sem gente na rua, com gramados demais, arrumada demais, a grama aparada demais, espaço demais, sem nada pra ocupar aquela imensidão de, bem, de grama. Preciso voltar a Brasília numa época em que ela esteja menos cidade-fantasma.
Preciso receber as fotos da viagem pra ilustrar o que estou dizendo.
Fatos interessantes dessa viagem:
- Numa das nossas cavalgadas meu cavalo tropeçou três vezes. Pouquíssimas vezes senti um pavor tão instantâneo quanto no momento em que o corpo da minha montaria começou a cair para o lado.
- Atirei com uma Winchester .44 que parecia tirada diretamente de um filme antigo de faroeste. A arma era deliciosamente balanceada e sensação do disparo, incluindo o recuo e o estampido, foi incrível. É claro que eu errei o alvo, mas isso realmente não importou muito.
- No meio da viagem descobri que vários dos amigos colegas do diogo são mais novos que o ugo! Isso é tão esquisito! Bom, agora oficialmente eu não posso mais considerar o Ugo como mais novo.
- Fizemos um jogo muito legal em que todos fecham os olhos e uma pessoa anda até uma das outras, e essa pessoa tem que perceber que aquela está na frente dela e falar "eu". Quero ensinar esse jogo pra todo mundo e jogá-lo muito mais vezes!
- Cortei o cabelo do diogo ^^ Não vou dizer que ficou lá muito bom, mas ficou melhor do que o que estava, e foi divertido pacas!
Aí fui ler blogs e tal, li o blog do Yuri, e li o texto ao qual ele se referia e pensei... que estranho ler aquilo, fazia tempo que eu não parava pra pensar naquele dia mas.
Às vezes é estranho pensar que aquele tempo de começo do colegial realmente aconteceu e foi daquele jeito. É o que eu estava pensando. Hoje somos todos tão diferentes, crescemos tanto, aprendemos tanto, mudamos tanto, que algumas coisas não fazem sentido, parecem impossíveis, alguns sentimentos que lembramos de ter sentido não têm mais nada a ver, e é assim que é estranho o fato de o tempo passar e as coisas ficarem diferentes do que eram antes. Muitas vezes eu nem entendo coisas que eu ou você escrevemos naquele tempo; tudo parece completamente esquisito. Mas são coisas que ainda me fazem sentir alguma coisa quando me lembro. Aquilo ainda faz parte de mim, de alguma estranha forma.
Em Brasília descobri que aquela queda da cachoeira ainda me assusta também. Descobri isso quando o diogo resolver pular num barranco bastante íngreme e muito alto que terminava logo antes de um laguinho raso, e eu a princípio achei legal, mas fui ficando com mêdo, muito mêdo de que ele se machucasse, muito mêdo mesmo, e de repente eu precisava gritar com ele e tantar dissuadi-lo daquilo, pra que ele também não pensasse algo como "eu não morro, só me machuco muito".
Mas ele me ignorou e pulou de cabeça, e assim que ele tocou na grama eu percebi que estava tudo bem, e parei de me preocupar. Detestei aquele mêdo. Me senti desmoronar completamente.
Pouco tempo depois, estávamos correndo na chuva e pulando cerquinhas pra aproveitar as vistas de cima de alguns monumentos.
Gostei de Brasília. É uma cidade bonita, com poucos muros (mas todos estão pichados), monumentos interessantes, algumas construções fascinantes, um pombal feito por niemeyer, preços baixos e muitas, muitas mangueiras (a árvore, não o objeto). Por outro lado, não gostei de Brasília! Nessa época do ano, e em dia de semana, é uma cidade imensa e vazia, sem gente na rua, com gramados demais, arrumada demais, a grama aparada demais, espaço demais, sem nada pra ocupar aquela imensidão de, bem, de grama. Preciso voltar a Brasília numa época em que ela esteja menos cidade-fantasma.
Preciso receber as fotos da viagem pra ilustrar o que estou dizendo.
Fatos interessantes dessa viagem:
- Numa das nossas cavalgadas meu cavalo tropeçou três vezes. Pouquíssimas vezes senti um pavor tão instantâneo quanto no momento em que o corpo da minha montaria começou a cair para o lado.
- Atirei com uma Winchester .44 que parecia tirada diretamente de um filme antigo de faroeste. A arma era deliciosamente balanceada e sensação do disparo, incluindo o recuo e o estampido, foi incrível. É claro que eu errei o alvo, mas isso realmente não importou muito.
- No meio da viagem descobri que vários dos amigos colegas do diogo são mais novos que o ugo! Isso é tão esquisito! Bom, agora oficialmente eu não posso mais considerar o Ugo como mais novo.
- Fizemos um jogo muito legal em que todos fecham os olhos e uma pessoa anda até uma das outras, e essa pessoa tem que perceber que aquela está na frente dela e falar "eu". Quero ensinar esse jogo pra todo mundo e jogá-lo muito mais vezes!
- Cortei o cabelo do diogo ^^ Não vou dizer que ficou lá muito bom, mas ficou melhor do que o que estava, e foi divertido pacas!
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
A penas
I
Segurei tua mão no dia em que teu pai morreu
Segurei tua alma
Abracei teu corpo
Choramos juntos um amor de vida inteira
Mas era morte
era morte
era morte e o sol
e o sol passando por sobre meu corpo diz que não há tempo longo demais
para cair a chuva
Vão passar mil anos
vão passar mil anos sem a gente aprender
vão se passar os mil anos e nós não teremos ouvido
cair uma gota de chuva
como se deve ouvir
Segurei tua mão no dia em que o amor morreu
Segurei tua alma
Abracei teu corpo
E choramos juntos.
II
Lá fora, amor
nasce um botão de camélia
branco como sacolinha de supermercado ainda dobrada do lado do caixa
macio como o revestimento daquela caríssima almofada de porquinho
compacto como um notebook de última geração
frágil como plástico bolha
— apesar de que nos sentimos mais tentados a protegê-lo que a destrui-lo,
e nisso nada se parece com plástico bolha — lá fora,
nasce um botão.
(preste atenção ao botão
como ele é firme e contido
veja que as flores abertas
as velhas camélias abertas
são frágeis, são velhas, são livres
preste bastante atenção
como ele é novo e elas, velhas,
as pontas das pétalas murchas, pintando
-se de marrom da cor de papel craft
sinta o perfume das velhas camélias abertas que a um mínimo toque se espalham no chão)
III
Um dia eu dancei uma valsa com você
Me lembro hoje
como se fosse
apenas uma pena a flutuar
Não era dia
não era noite
o tempo desistira de passar
Onde meus pés tocavam?
De onde vinha o som?
Me lembro hoje
como se fosse
apenas uma nota a ressoar
Não era casa
não era festa
o mundo nos deixou de rodear
Onde seus pés pisavam?
De onde vinha o som?
Me lembro hoje
como se fosse
apenas um amor para lembrar
pois quem daria o tom para afinar
os nossos corações desatinados?
De onde viria o som?
IV
Nós somos jovens ainda
mal nascemos
rastejando para os seios de mamãe
Mal nos conhecemos
Nós somos poucos ainda
e pequenos
mas sentimos às vezes que somos maiores que o mundo
e mudamos o mundo com a força dos nossos olhares
Nós somos jovens ainda
e estamos morrendo
a cada minuto de vida,
a cada palavra
morremos pra vida vivida
e pra vida sonhada nascemos
Através de tempos imensos
nós envelhecemos
crescemos em sabedoria
e conforme sonhamos, os sonhos se tornam verdades
Nós somos jovens ainda
mas não temos medo
ou o medo que temos é a lenha da nossa coragem
pois temos certezas do mundo e dos sonhos e idéias
a verdade do mundo está ao alcance da mão
Nós somos jovens ainda
e nós não tememos a escuridão.
V
Segurei tua mão no dia em que nos conhecemos
Estava tarde
A rua vazia
A noite escura
nunca mais esqueci do teu olhar
Trocamos algumas palavras
alguns olhares cúmplices
de alguns crimes minúsculos
umas risadas uníssonas de uma bobagem qualquer...
Segurei tua mão, tua pele
era quente na minha no dia em que nos conhecemos
e nunca esqueci do teu calor
Estava tarde
bem tarde
as ruas vazias
e eu conversei contigo através das barras
eu encontrei teus olhos de dentro da jaula
e tu? nem a jaula viste
apenas me ouviste
seguraste minha mão
tua mão
minha mão
tua mão dizendo: "Fica."
VI
Nós somos do mesmo sangue, tu e eu
E vivemos sob as mesmas leis
Nós somos qual árvore e solo
— tu me nutres e eu te protejo.
Nós vivemos com regras banais
nós comemos o mesmo que os outros
mas não somos apenas pessoas
numa multidão de pessoas
nós somos qual árvore e solo
— te sustento e tu me seguras.
Às vezes me ocorre o amor
às vezes ocorre o sentir
Mas nós? nós não somos amantes
nós não somos pessoas assim
Nós somos do mesmo sangue, tu e eu
E vivemos sob as mesmas leis
Nós somos qual árvore e solo
— te dou vida, e tu me enriqueces.
Segurei tua mão no dia em que teu pai morreu
Segurei tua alma
Abracei teu corpo
Choramos juntos um amor de vida inteira
Mas era morte
era morte
era morte e o sol
e o sol passando por sobre meu corpo diz que não há tempo longo demais
para cair a chuva
Vão passar mil anos
vão passar mil anos sem a gente aprender
vão se passar os mil anos e nós não teremos ouvido
cair uma gota de chuva
como se deve ouvir
Segurei tua mão no dia em que o amor morreu
Segurei tua alma
Abracei teu corpo
E choramos juntos.
II
Lá fora, amor
nasce um botão de camélia
branco como sacolinha de supermercado ainda dobrada do lado do caixa
macio como o revestimento daquela caríssima almofada de porquinho
compacto como um notebook de última geração
frágil como plástico bolha
— apesar de que nos sentimos mais tentados a protegê-lo que a destrui-lo,
e nisso nada se parece com plástico bolha — lá fora,
nasce um botão.
(preste atenção ao botão
como ele é firme e contido
veja que as flores abertas
as velhas camélias abertas
são frágeis, são velhas, são livres
preste bastante atenção
como ele é novo e elas, velhas,
as pontas das pétalas murchas, pintando
-se de marrom da cor de papel craft
sinta o perfume das velhas camélias abertas que a um mínimo toque se espalham no chão)
III
Um dia eu dancei uma valsa com você
Me lembro hoje
como se fosse
apenas uma pena a flutuar
Não era dia
não era noite
o tempo desistira de passar
Onde meus pés tocavam?
De onde vinha o som?
Me lembro hoje
como se fosse
apenas uma nota a ressoar
Não era casa
não era festa
o mundo nos deixou de rodear
Onde seus pés pisavam?
De onde vinha o som?
Me lembro hoje
como se fosse
apenas um amor para lembrar
pois quem daria o tom para afinar
os nossos corações desatinados?
De onde viria o som?
IV
Nós somos jovens ainda
mal nascemos
rastejando para os seios de mamãe
Mal nos conhecemos
Nós somos poucos ainda
e pequenos
mas sentimos às vezes que somos maiores que o mundo
e mudamos o mundo com a força dos nossos olhares
Nós somos jovens ainda
e estamos morrendo
a cada minuto de vida,
a cada palavra
morremos pra vida vivida
e pra vida sonhada nascemos
Através de tempos imensos
nós envelhecemos
crescemos em sabedoria
e conforme sonhamos, os sonhos se tornam verdades
Nós somos jovens ainda
mas não temos medo
ou o medo que temos é a lenha da nossa coragem
pois temos certezas do mundo e dos sonhos e idéias
a verdade do mundo está ao alcance da mão
Nós somos jovens ainda
e nós não tememos a escuridão.
V
Segurei tua mão no dia em que nos conhecemos
Estava tarde
A rua vazia
A noite escura
nunca mais esqueci do teu olhar
Trocamos algumas palavras
alguns olhares cúmplices
de alguns crimes minúsculos
umas risadas uníssonas de uma bobagem qualquer...
Segurei tua mão, tua pele
era quente na minha no dia em que nos conhecemos
e nunca esqueci do teu calor
Estava tarde
bem tarde
as ruas vazias
e eu conversei contigo através das barras
eu encontrei teus olhos de dentro da jaula
e tu? nem a jaula viste
apenas me ouviste
seguraste minha mão
tua mão
minha mão
tua mão dizendo: "Fica."
VI
Nós somos do mesmo sangue, tu e eu
E vivemos sob as mesmas leis
Nós somos qual árvore e solo
— tu me nutres e eu te protejo.
Nós vivemos com regras banais
nós comemos o mesmo que os outros
mas não somos apenas pessoas
numa multidão de pessoas
nós somos qual árvore e solo
— te sustento e tu me seguras.
Às vezes me ocorre o amor
às vezes ocorre o sentir
Mas nós? nós não somos amantes
nós não somos pessoas assim
Nós somos do mesmo sangue, tu e eu
E vivemos sob as mesmas leis
Nós somos qual árvore e solo
— te dou vida, e tu me enriqueces.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Detalhes
Surpreendentemente eu tirei 10.0 naquela disciplina da Letras que eu abandonei no meio. Não tão surpreendentemente, eu fui aprovada em algumas matérias e minha média ponderada limpa subiu de 6.8 para 7.3. Por outro lado, a Fran, secretária do meu curso, acabou com minhas pretensões de fazer monitoria em computação, e talvez seja por isso que eu me sinta assim tão desanimada com a vida. Ou talvez seja porque o Bruno me fez enrolar um monte e ir pra casa onde outras pessoas me onrolaram um monte até ficar mega tarde e eu ficar em dúvida a respeito de ir ver filme com a Lorena (será que ficou tarde demais) e isso, por ser totalmente culpa minha, me faz me sentir um lixo.
Isso, e eu perdi o jogo.
Hoje foi um dia de merda, fora a parte em que eu fui na Márcia fazer fisioterapia, fora andar na Rebouças, pegar ônibus pra FAU, passar pela festa dos funcionários, conversar com a Fran, fora sentar na praça e ler ouvindo o som do pagode, fora decidir ligar pra lorena e pra aline, fora ir andando bem devagarinho pra casa, fora passar na casa do Bruno e conversar com ele, hoje foi um dia de merda e eu me sinto um lixo.
Isso, e eu perdi o jogo.
Hoje foi um dia de merda, fora a parte em que eu fui na Márcia fazer fisioterapia, fora andar na Rebouças, pegar ônibus pra FAU, passar pela festa dos funcionários, conversar com a Fran, fora sentar na praça e ler ouvindo o som do pagode, fora decidir ligar pra lorena e pra aline, fora ir andando bem devagarinho pra casa, fora passar na casa do Bruno e conversar com ele, hoje foi um dia de merda e eu me sinto um lixo.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Fim de Ano e afins
Em primeiro lugar, eu estou um caco. Minhas pernas estão pesadas, meus braços, fracos; minhas costas doem, minha cabeça dói, ainda estou com fome, meus olhos parecem lentos e eu não tenho equilíbrio suficiente para andar em linha reta.
Eu fiz de novo, aquela coisa idiota de sair de casa logo antes do almoço, pra um lugar que fica a pelo menos dois ônibus de distância, pra fazer um monte de coisa cansativa, ir andando mais cinco quilômetros pra outro lugar, depois pra outro ainda, e acabar voltando pra casa tarde da noite, exausta, faminta, sozinha e sem grandes preocupações na vida.
É uma delícia; vocês deviam experimentar.
A sensação é parecida com a de derrotar um dragão, mais ou menos.
E eu passei esta semana meio que me sentindo Deus, porque sem a menor dúvida eu fiz uma porção de coisas que eu considerava impossíveis. Mas eu fiz e deu certo (bem, quase) e eu me sinto bem (quase).
E eu estou lendo um online comic adorável cujos personagens são deliciosos e as reviravoltas, incríveis! Além do mais, eu sempre adorei mecânica e inventores. ^^
O ano está acabando e a exaustão dos meus músculos me parece insuficiente.
Eu queria estar completamente acabada, jogada num canto da cama, desacordada depois de um dia insuportavelmente intenso. Quando eu cheguei em casa eu queria sair de novo, não importava que fossem dez e meia da noite, eu só conseguia pensar em sair pra viver grandes aventuras, pra levar meu corpo e minha mente aos seus limites... ... Talvez isso tudo seja decorrente de eu ter notado que posso, afinal de contas, superar meus limites. Eu estou orgulhosa de mim mesma.
Nossa. Eu estou orgulhosa como há muito tempo eu não ficava! Eu cheguei a tecer toda uma teoria sobre lo que acontece conosco quando perdemos o orgulho, e agora, ah, agora que me sinto jovem, e fraca, e isso é o mais importante. Eu me sinto capaz de ser muito, muito mais do que sou, e isso é quase como se sentir como uma força da natureza. Eu não tenho mêdo de nada e as coisas da vida me intrigam e atraem. Quero tirar algum dia pra correr riscos, e quem sabe eu veja coisas que ainda não conheço!
Este texto foi completamente denecessário? Então por que eu me senti compelida a escrevê-lo?
----------------
Quem sabe daqui a algumas dezenas de horas, quando eu estiver melhor, eu volte a escrever histórias.
Eu fiz de novo, aquela coisa idiota de sair de casa logo antes do almoço, pra um lugar que fica a pelo menos dois ônibus de distância, pra fazer um monte de coisa cansativa, ir andando mais cinco quilômetros pra outro lugar, depois pra outro ainda, e acabar voltando pra casa tarde da noite, exausta, faminta, sozinha e sem grandes preocupações na vida.
É uma delícia; vocês deviam experimentar.
A sensação é parecida com a de derrotar um dragão, mais ou menos.
E eu passei esta semana meio que me sentindo Deus, porque sem a menor dúvida eu fiz uma porção de coisas que eu considerava impossíveis. Mas eu fiz e deu certo (bem, quase) e eu me sinto bem (quase).
E eu estou lendo um online comic adorável cujos personagens são deliciosos e as reviravoltas, incríveis! Além do mais, eu sempre adorei mecânica e inventores. ^^
O ano está acabando e a exaustão dos meus músculos me parece insuficiente.
Eu queria estar completamente acabada, jogada num canto da cama, desacordada depois de um dia insuportavelmente intenso. Quando eu cheguei em casa eu queria sair de novo, não importava que fossem dez e meia da noite, eu só conseguia pensar em sair pra viver grandes aventuras, pra levar meu corpo e minha mente aos seus limites... ... Talvez isso tudo seja decorrente de eu ter notado que posso, afinal de contas, superar meus limites. Eu estou orgulhosa de mim mesma.
Nossa. Eu estou orgulhosa como há muito tempo eu não ficava! Eu cheguei a tecer toda uma teoria sobre lo que acontece conosco quando perdemos o orgulho, e agora, ah, agora que me sinto jovem, e fraca, e isso é o mais importante. Eu me sinto capaz de ser muito, muito mais do que sou, e isso é quase como se sentir como uma força da natureza. Eu não tenho mêdo de nada e as coisas da vida me intrigam e atraem. Quero tirar algum dia pra correr riscos, e quem sabe eu veja coisas que ainda não conheço!
Este texto foi completamente denecessário? Então por que eu me senti compelida a escrevê-lo?
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Quem sabe daqui a algumas dezenas de horas, quando eu estiver melhor, eu volte a escrever histórias.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Trabalho final de Teoria das Mídias - 1a versão (argh...>.<)
Um problema freqüente que eu tenho com trabalhos teóricos e redação de texto argumentativo é que eu freqüentemente me empolgo ou me distraio e me deixo levar pelos meus argumentos. Isso é melhor do que o problema oposto, que é não conseguir acreditar em nada do que escrevo, mas eu tenho menos coragem de entregar esses textos, porque eles me parecem extremamente confusos o sem sentido, e principalmente pouco relacionados ao tema original. Eu sequer sei dizer se este texto está compreensível. Ou se convence qualquer um. Se qualquer forma, eu pedi ao professor mais alguns dias para entregar uma segunda versão, e pretendo redigi-la agora.
Universidade de São Paulo
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
Curso de Design
CTR-0800 Teoria das Mídias – 2º Semestre 2008
Prof. Dr. Mauro Wilton de Souza
Marina Cenamo Salles 5914440
Análise: as significações da comunicação em rede na pós-modernidade.
Base Bibliográfica: Andrea Miconi — Ponto de Virada: a teoria da sociedade em rede e André Parente — Enredando o Pensamento: redes de transformação e subjetividade
A Sociedade do Jogo e da Simulação
O conceito de pós-modernidade confunde-se com o de rede. A modernidade foi a era do pensamento lógico linear, da hierarquia de classes, da ordem e do progresso, das massas, do individualismo, a Idade da Razão e do paradigma científico-tecnológico. A pós-modernidade é a dissolução de todas essas coisas: a reestruturação do pensamento, não mais linear mas ramificado, recursivo, pluri-referente e auto-referente; a desverticalização da hierarquia; a dissolução das classes sociais; a desconfiança generalizada na promessa de ordem, de progresso, de desenvolvimento. Pode-se falar em desmassificação porque o alvo dos meios de comunicação é cada vez menos a massa que o ser individual, baseado em suas características particulares, sua subjetividade. Também se pode falar em desindividualização, porque não se acredita mais em indivíduo: se acredita no ser humano vivendo em rede, mais nos outros que em si mesmo, e mesmo sua subjetividade já não é mais vista como uma essência ou natureza, mas como uma associação de memórias, informações, habilidades e padrões de comportamento. Se a sociedade moderna era formada por elementos separados, mas que se moviam em conjunto, a sociedade pós-moderna é formada por elementos intrinsecamente interligados, que podem interagir de inúmeras formas diferentes.
Parece-me adequado localizar o nascimento da pós-modernidade em algum momento por volta dos anos 70. O justificativa para essa escolha é em geral desenvolvimento da informática e das tecnologias de comunicação seriam a base da sociedade de rede. Parece-me igualmente interessante para esse propósito observar alguns elementos culturais, hoje dominantes, que tiveram sua origem por volta daquela época.
Por exemplo, não se pode relacionar o ideal punk de “faça você mesmo” à explosão atual de filmes e grupos musicais amadores, no YouTube e outros portais, à literatura de blog, ao crescimento de desenho, pintura, modelagem e fotografia em galerias virtuais, sem compromisso e sem custos? Guardadas as devidas proporções, é claro, porque também se poderia defender que a habilidade de criar vídeos, textos, imagens e sites na web está se tornando cada vez mais uma habilidade trivial, tão básico quanto trocar o pneu ou saber fazer uma apresentação profissional; mais básico, talvez, porque são habilidades que se ensinam em cada vez mais escolas. Entretanto, se os punks vieram para eliminar o rock star, para fazer música sem precisar estudar e praticar, sem se profissionalizar, não se pode comparar seus intuitos ao que alcança a comunidade virtual que produz suas animações e jogos próprios, com ferramentas simples como o Flash, com temas os mais variados e sem depender do que as grandes empresas supõe que pode ser rentável?
Aliás, a questão da rentabilidade é uma questão crítica no mundo atual. A pessoa que procura um produto que a agrade nas suas particularides quase sempre se desapontará com os produtos voltados para o “gosto comum”. Se a sociedade está de fato se desintegrando e se agrupando em comunidades minoritárias de interesses particulares, então a produção massiva de qualquer objeto com apelo para os interesses individuais do consumidor, como se faz até hoje, perde seu sentido. Mesmo a diversificação de cores e acessórios superficiais logo não será suficiente para agradar ao mercado, que naturalmente procurará produtos cada vez mais particulares, cuja produção só será possível em menor escala. Ou, em outra possibilidade, a idéia modernista da boa forma voltará à tona, para tentar agradar a todos os gostos com um único produto. A esperança desse pensamento está no sucesso do IPod e do IPhone, que alcançam pessoas de todas as idades e de diversas disposições culturais.
Mas voltemos à década de 70. Foi nela também que surgiram os primeiros role playing games (RPGs) e mais notavelmente os primeiros videogames. Se a pós-modernidade já foi identificada com a sociedade do jogo e do simulacro, me impressiona não haja inúmeros teóricos discutindo a questão dos jogos eletrônicos e de representação.
A importância do videogame (jogos de vídeo — neste texto vou incluir nos videogames aqueles que são jogados no computador) na cultura contemporânea praticamente fala por si mesma. Embora só recentemente, especialmente agora com o console Wii da Nintendo, voltado para toda a família, e com os jogos online de temas sóbrios, como política e economia (em oposição a aventuras em mundos de fantasia), os videogames tenham ousado se expandir para além de um público restrito, sobretudo jovem, eles têm importância inegável no desenvolvimento das tecnologias de simulação, interação e inteligência artificial, além de influírem diretamente na percepção do mundo como simulação. Os jogos desse gênero atualmente passaram de objeto de consumo para forma de expressão, na medida em que são criados por cada vez mais amadores com temas de suas áreas de interesse; para ambiente de relacionamento, quando são online e permitem que cada jogador se identifique com seu personagem e interaja socialmente com os outros; e para campo de exploração de novas idéias e possibilidades.
A importância do RPG, para nosso tema, vem, de um lado, da influência que teve sobre os outros tipos de jogos, eletrônicos ou de tabuleiro. Existe inclusive todo um gênero — e é um dos mais populares, especialmente se online — de videogame chamado, por associação, de RPG. O “rpg eletrônico” expandiu os limites do jogo tradicional, em que o jogador se esforçava simplesmente para cumprir seu objetivo, para fortalecer o elemento da narrativa. Em certos jogos, o jogador chega a escolher que resposta seu personagem dará a uma pergunta, ou se irá ou não ajudar seu amigo em apuro. Nos jogos online, a representação de papéis torna-se especialmente ampla na comunicação entre personagens de jogadores: eles fundam partidos, reinos, religiões, famílias, associações de trabalho, além de desenvolverem amizades e muitas vezes relações amorosas mediadas pelos personagens. O que surpreende nessas relações é que o cenário, especialmente nos modelos de rpg eletrônico tradicional, é ficcional. Minha irmã, por exemplo, conseguiu conquistar o posto de Rainha em um jogo online de temática medieval (o que quer dizer basicamente que não existem armas de fogo, que as viagens são feitas a pé ou a cavalo, e pouco mais do que isso). Seu reino tem liberdade religiosa, um exército dividido em várias tropas, que cumprem funções diferentes, exerce uma política externa pacífica e é conhecido no resto do continente por ter nobres (nesse jogo, todos os personagens de jogadores são da nobreza) alegres, dedicados e leais a sua bandeira. Sua maior dificuldade atual é convencer outros regentes a se aliarem a ela contra uma coligação de impérios expansionistas que quer tomar suas terras, e, por outro lado, é necessário sempre manter parte do exército caçando monstros e zumbis e matam camponeses e arrasam os campos. Minha irmã passa várias horas por dia mandando ordens a seus súditos e narrando para seus companheiros de jogo a vida da rainha na corte. O jogador cujo personagem se tornou marido da personagem dela é um de seus grandes amigos online — outra característica de jogos desse tipo é que a hierarquia não limita as interações sociais. O que permite que um jogador novo, de ranking baixo, converse informalmente com seu rei, um jogador poderoso e experiente, é o seu grau de envolvimento com o jogo.
Embora esse jogo específico sequer tenha imagens, é óbvio que ele transforma a forma de comunicação entre as pessoas quando as coloca dentro desse cenário ficcional. O jogo online amplifica as possibilidades que a internet já fornecia de uma comunicação através do simulacro. Em outros jogos, a representação gráfica do cenário é tão detalhada que se tem a sensação de estar andando por terras novas, num mundo estranho (onde talvez haja cogumelos do tamanho de prédios ou a água seja vermelha) mas virtualmente tão real quanto o nosso. Essa sensação é comparável a de andar da Disneyland ou outro parque semelhante, com a diferença de que são menos tangíveis, mas muito mais amplos (especialmente porque são povoados por criaturas igualmente fantásticas, que se mexem e respiram) e presentes em toda parte.
Mas o RPG tem outra área de importância na irrealidade do mundo de hoje, que é por um lado mais incrível, por outro, menos único, que o ambiente virtual. Há um gênero de jogo, pouco visto no dia-a-dia, mas fortemente presente nos vários eventos dedicados a ele e a outros elementos culturais relacionados, cujo princípio é o jogador se vestir e agir como o personagem, por vezes inclusive simulando lutas com armas de brinquedo, e mais raramente expandindo o jogo para fora de casa, para as ruas. Pode parecer que estou falando apenas de um grupo muito restrito de pessoas, mas jogos do mesmo gênero já estão sendo usados em campanhas publicitárias e afins com um público muito mais vasto. O filme Batman – Dark Knight, lançado este ano, teve uma campanha dessas no Brasil, e muito bem sucedida. O nome que se dá a isso é alternate reality game (ARG), e é um jogo que utiliza diversas mídias e formatos para envolver os participantes, que em geral têm que realizar alguma tarefa ou procurar pistas relacionadas com o objeto da campanha.
Só para concluir apressadamente para que não perder a aula: meu objetivo aqui era demonstrar a importância de algumas formas de relacionamento com o virtual que perpassam o real e a comunicação em rede, transformando a percepção geral destes. Eu gostaria de entrar na questão da transformação que isso traz ao imaginário, e também gostaria de amarrar esse assunto ao tema inicial das significações da comunicação de forma mais convincente, mas isso talvez seja trabalho para outro momento.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Coisas da vida universitária...
Outro dia fui no CM e o Chalom me apresentou o trabalho dele, que era basicamente um programa que pegava uma equação referente ao movimento de um fluido, fazia a transformada de fourier, resolvia a equação e transformava de volta. Obviamente eu não entendi nada, e me voltou aquele desespero tradicional de não saber mais nada de exatas e não entender o que meus amigos falam (OBS.: provavelmente era uma matéria bem complicada e o Diogo tb n deve ter entendido muit, mas com certeza ele entendeu BEM mais do que eu)!!! Isso aumentou a minha determinação em fazer optativas de exatas, mas o Jupiter só me oferecia matérias cujo programa estava em matematiquês e eu n entendi nada (me inscrevi meio aleatoriamente numas matérias como "cálculo vetorial e aplicações", "introdução à analise real" ou "equações das derivadas parciais"), por isso achei que eu devia pedir ajuda pras pessoas que falam essa língua (hm, qtas pessoas que falam matematiquês eu conheço...?) pra eu não acabar matriculada em uma matéria infernal que eu vou abandonar no meio e que vai abaixar a minha média ponderada (que, notem, é 4.895, o que é estupidamente baixo pro Design). Aliás, o Diogo sugeriu que eu fizesse requerimento de Calculo 1 na física (adoro matérias com um "1" no final) e meu psor sugeriu que eu fizesse curso de verão de programação no IME; aliás, falando em programação, eu me inscrevi para quatro matérias de programação, incluindo "Laboratório de Programação I" (lembra do que eu disse sobre o ! no final?), "Conceitos Fundamentais de Linguagens de Programação", "Desafios de Programação" e "Programação Orientada a Objetos", mas, embora esse seja um número absurdo de matérias para se fazer, como eu acho que eu não vou pegar nem metade por causa da minha média relativa baixíssima (acho que está uns três desvios padrão abaixo da média da sala), eu queria estar inscrita em bem mais matérias. Ou mais interessante seria se eles calculassem minha posição na fila com base somente nas matérias envolvendo a área de conhecimento específica (ou pelo menos dando peso maior pra elas)! Assim, como eu tirei 9.1 em Fund. Comp. I, 9.8 em Fund. Comp. II e provavelmente vou tirar uns 9 em MAC110 (intr. comp.), eu ia estar bem no começo da lista! É, mas o mundo é injusto, fazer o q... Ou eu devia ser melhor aluna nas outras matérias...
Eu tb me inscrevi em um monte de coisas nada a ver da FFLCH, mas isso é irrelevante, já que eu vou acabar de desmatriculando delas, provavelmente.
Outra coisa é que eu queria descobrir como eu posso fazer uma aplication pra virar monitora de Fundamentos da Computação II. Acho que seria bacana, e eu provavelmente sei quase tanto da matéria quanto os psores (considerando q eles n sabem mexer direito no programa q eles usam), mas n tive coragem de perguntar pra eles (o psor Agnaldo, que sempre diz que "quem pede tem preferência", ficaria desapontado) e n sei como descobrir isso, nem tenho idéia de como funciona. Alguém aí tem?
Pois essas são as minhas atuais desventuras no mundo bizarro da USP.
Eu tb me inscrevi em um monte de coisas nada a ver da FFLCH, mas isso é irrelevante, já que eu vou acabar de desmatriculando delas, provavelmente.
Outra coisa é que eu queria descobrir como eu posso fazer uma aplication pra virar monitora de Fundamentos da Computação II. Acho que seria bacana, e eu provavelmente sei quase tanto da matéria quanto os psores (considerando q eles n sabem mexer direito no programa q eles usam), mas n tive coragem de perguntar pra eles (o psor Agnaldo, que sempre diz que "quem pede tem preferência", ficaria desapontado) e n sei como descobrir isso, nem tenho idéia de como funciona. Alguém aí tem?
Pois essas são as minhas atuais desventuras no mundo bizarro da USP.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
O Carteiro
PS.: como eu não tenho realmente tempo para parar e escrever a continuação daquela história, resolvi enrolar meus leitores com uma coisa que escrevi muito, muito tempo atrás, quando eu tinha longos intervalos entre as aulas da manhã e as da tarde e ficava no CEI escrevendo poemas e prosas absurdas como esta que vocês lerão. Até seman que vem. Um abraço! ass.:mali
Todos os dias, antes do sol nascer, o portão do forte se abria e por ele saía o cavaleiro a galope, sorrindo para as pessoas que acordavam cedo, que não eram muitas, e entregando as cartas de todos os moradores da vila, enquanto recebia encomendas e mensagens para os moradores do campo. A última casa era a de Pedro, que acordava todos os dias muito cedo para habilmente atar a carroça ao cavalo sem que este tivesse de parar seu trote alegre. O cavaleiro então galopava pela estrada de terra que ligava as casas da vila às fazendas, despedindo-se alegremente dos amigos que deixava para trás. Lá chegando, era recebido por muitos fazendeiros que logo ocupavam-se em retirar e colocar encomendas, geralmente mercadoria, da carroça, aproveitando para cumprimentar o alegre cavaleiro, e as crianças tentavam acompanhar o cavalo até a casa de Maria. Lá Maria lhes dava pedaços de bolo, e ao cavaleiro um almoço simples, composto por um sanduíche e um cantil de suco. Sem parar o galope, o cavaleiro libertava-se da carroça e despedia-se das crianças e de Maria e partia para o campo aberto, onde todos os dias galopava alegremente por longas horas, esperançoso de avistar um outro cavaleiro chegando pela estrada que saía da floresta, trazendo notícias, encomendas, presentes e mensagens das terras distantes, sempre alegre e nunca desanimado. Mas o cavaleiro sempre sabia que ele não viria quando o sol estava alto no céu, começando o percurso que o guiava para o oeste, e então saía a galope em direção à casa de Maria, onde recebia um pedaço de bolo e um sorriso, e Pedro sempre estava lá para ajudá-lo com a carroça. E o cavaleiro voltava galopando e trotando por entre as fazendas e os fazendeiros, que recebiam o que lhes era destinado, sorrindo-lhe e despedindo-se. Todos os dias o cavaleiro voltava para a vila já quando estava entardecendo, e lhes entregava cartas e presentes vindos do campo, e já de noite o portão do forte voltava a se abrir, e por ele passava o cavaleiro a galope, que ia então para uma modesta pista coberta, e ali galopava, ininterruptamente, embora homem e cavalo dormissem, durante a noite toda. E quando o mensageiro das terras outras vinha, em dias alegres onde o sol sempre brilhava, os dois galopavam pelo campo aberto até o fim da tarde, e contavam suas histórias, suas piadas; trocavam notícias e risadas, e corriam ao vento, apostando corrida, por horas a fio, sem poderem superar um ao outro. Até que enfim os dois saíam em alegre trote pela vila, entregando suas cartas e presentes, espalhando seus sorrisos e notícias, e já era noite quando o portão de ferro do forte abria-se para sua passagem. E os cavaleiros dirigiam-se à pista ainda trocando idéias, e pela primeira vez em seu dia o mensageiro parava e descansava, observando admirado o companheiro que ainda corria, invencível e inesgotável, para sempre...
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Parte da minha conversa com o Squick:
Eu digo que isso é possível porque simplesmente me parece possível. Tem seus limites, claro que tem, mas discordo de quem diz que "se é amor, não é livre" (você teve essa matéria com a Gilda?). O problema é achar alguém que também queira esse tipo de liberdade. Alguém que não queira o banal, o estável, mas o livre e leve e louco. Não sei se nessa hora você vai usar a palavra "namoro", mas, se você estiver apaixonado, se você quiser ver aquela pessoa todos os dias, e ao mesmo tempo não quiser morar junto com ela, acho que não vai ter outra palavra, vai? Acho que é possível, sim, desde que não haja ciúmes demais, desde que não haja possessividade demais, desde que seja uma relação de confiança absoluta, dessas em que aquela pessoa é a pessoa para todas as horas, acho que é possível. E também desde que quando houverem coisas que o outro não queria fazer, isso seja normal e legal, e que hajam outras pessoas com quem fazer essas coisas se for o caso, e que essas pessoas sejam igualmente importantes, e que não haja carência suficiente para impedir que os dois vivam suas próprias vidas.
Mas acho que o mais importante, mesmo, é que as duas pessoas se queiram o mesmo tanto. Se um quer muito mais do que o outro, sempre vai ter insatisfação e infelicidade. O que quer mais vai se sentir inseguro e abandonado, porque o que quer menos vai se encher o saco de ficar tanto tempo junto, e ninguém vai estar realmente confortável com a situação.
Por isso ficar é bacana! As pessoas que não são adeptas do ficar têm vários preconceitos, mas acho super bacana você ter certeza de que o outro também só está procurando um one night stand, uma coisa divertida e sem compromissos, em que ninguém fica construindo e projetando expectativas sobre ninguém! Você tem essa garantia de que o outro te quer da mesma forma que você o quer. Ou pelo menos são esses os termos do contrato (sim, todas as relações humanas passam por um contracto). Mas há que se ter cuidado pra não fazer isso com tudo, e achar que amor não existe, que expectativas não existem, que você pode fingir que tudo sempre pode ser "qualquer coisa", que não há compromissos, que ninguém nunca vai se ferir, que ninguém nunca vai te querer mais do que você espera, que ninguém nunca vai esperar por você.
Acho que a parte mais difícil das relações humanas é tentar lidar com as assimetrias e os desequilíbrios. Por exemplo, quando você se apaixona por alguém que te considera só uma pessoa legal. Ou quando alguém se apaixona por você, e você não quer se afastar porque a pessoa é mó legal, mas também não quer se aproximar, porque você não pode fingir que gosta dela desse jeito tanto assim. Ou quando você se apaixona mas não quer namorar, e a pessoa se interessa por você e você sabe que se ficar com ela vai acabar namorando. Já passou por uma situação dessas? É uma droga, não recomendo.
O pior de tudo é quando a única solução é ficar sozinho. Porque, você sabe, ninguém quer ficar sozinho. As pessoas ficam sozinhas quando acham que as outras opções não valem a dor de cabeça. Quando encontram algo (alguém) que as faz se sentirem bem, não conseguem (e em geral não querem) evitar. Ou pelo menos no meu universo de pesquisa é assim: eu passei por isso, você também, e consigo pensar em mais uma porção de exemplos. Mesmo que não seja a pessoa perfeita, mesmo que seja só por diversão, mesmo que seja sem aquele amor de verdade que move montanhas and all that jazz. Ninguém fica sozinho quando pode estar com alguém legal. Não, péra, fica sim: fica sozinho sim, se estiver apaixonado por outra pessoa. Mas cabe uma notação aqui: ficar apaixonado não pode ser considerado realmente ficar sozinho.
Mas acho que o mais importante, mesmo, é que as duas pessoas se queiram o mesmo tanto. Se um quer muito mais do que o outro, sempre vai ter insatisfação e infelicidade. O que quer mais vai se sentir inseguro e abandonado, porque o que quer menos vai se encher o saco de ficar tanto tempo junto, e ninguém vai estar realmente confortável com a situação.
Por isso ficar é bacana! As pessoas que não são adeptas do ficar têm vários preconceitos, mas acho super bacana você ter certeza de que o outro também só está procurando um one night stand, uma coisa divertida e sem compromissos, em que ninguém fica construindo e projetando expectativas sobre ninguém! Você tem essa garantia de que o outro te quer da mesma forma que você o quer. Ou pelo menos são esses os termos do contrato (sim, todas as relações humanas passam por um contracto). Mas há que se ter cuidado pra não fazer isso com tudo, e achar que amor não existe, que expectativas não existem, que você pode fingir que tudo sempre pode ser "qualquer coisa", que não há compromissos, que ninguém nunca vai se ferir, que ninguém nunca vai te querer mais do que você espera, que ninguém nunca vai esperar por você.
Acho que a parte mais difícil das relações humanas é tentar lidar com as assimetrias e os desequilíbrios. Por exemplo, quando você se apaixona por alguém que te considera só uma pessoa legal. Ou quando alguém se apaixona por você, e você não quer se afastar porque a pessoa é mó legal, mas também não quer se aproximar, porque você não pode fingir que gosta dela desse jeito tanto assim. Ou quando você se apaixona mas não quer namorar, e a pessoa se interessa por você e você sabe que se ficar com ela vai acabar namorando. Já passou por uma situação dessas? É uma droga, não recomendo.
O pior de tudo é quando a única solução é ficar sozinho. Porque, você sabe, ninguém quer ficar sozinho. As pessoas ficam sozinhas quando acham que as outras opções não valem a dor de cabeça. Quando encontram algo (alguém) que as faz se sentirem bem, não conseguem (e em geral não querem) evitar. Ou pelo menos no meu universo de pesquisa é assim: eu passei por isso, você também, e consigo pensar em mais uma porção de exemplos. Mesmo que não seja a pessoa perfeita, mesmo que seja só por diversão, mesmo que seja sem aquele amor de verdade que move montanhas and all that jazz. Ninguém fica sozinho quando pode estar com alguém legal. Não, péra, fica sim: fica sozinho sim, se estiver apaixonado por outra pessoa. Mas cabe uma notação aqui: ficar apaixonado não pode ser considerado realmente ficar sozinho.
domingo, 30 de novembro de 2008
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Uma História Sem Fim
Muito tempo atrás, num reino muito, muito distante, vivia uma linda princesa, tão bela quanto os raios dourados do sol nascente, ou quanto as flores noturnas, ou quanto as rosas recém desabrochadas cobertas de orvalho no início da primavera.
Todos os homens do reino vinham cortejá-la, e faziam campanhas em sua homenagem, e lutavam em torneios e duelos para decidir quem teria a honra de falar com ela. Porém nenhum homem jamais pediria sua mão, pois seu pai, o velho rei, muito velho e muito doente, jamais o permitiria. Ele dizia a sua filha: "Desconfie dos vencedores dos torneios! Desconfie dos muito belos, dos muito bravos, dos muito fortes. Nunca confie em um homem que não demonstrar nenhuma fraqueza."
O tempo passou e o velho rei morreu, não deixando herdeiros nem rainha. O reino foi tomado por nobres poderosos amigos do rei, e os jovens cavaleiros passaram a vir com cada vez mais freqüência cortejar a princesa. Em meio a suas ferozes disputas contavam histórias de lutas contra dragões, de vitórias sobre ogros comedores de virgens, de caçadas às bruxas disfarçadas de animais. A princesa ouvia as histórias e participava das festas, mas logo se recolhia com suas damas, lembrando do conselho do pai: "Desconfie dos matadores de dragões! Desconfie dos sempre vitoriosos, dos salvadores de vilas contra enchentes e tufões. Nunca peça a proteção de um homem que não lembrar de nenhuma derrota."
Um dia, porém, chegou na côrte um guerreiro com olhos vermelhos e um cavalo branco, que cantava com a voz dos anjos e sabia lutar como um demônio. Ele cantou suas histórias das vilas que salvara de enchentes, incêndios, tufões e maremotos. Contou de dragões que matara, de bruxas que enganara, de ogros que perseguira, de maravilhas que vira. E conforme cantava ia ficando cada vez mais jovens, até que ao final da noite não passava de um menino. A princesa, como que encantada, pediu que ele ficasse aquela noite, e que de manhã contasse mais sobre suas aventuras.
De manhã o rapaz se tornara novamente adulto. Conforme o pedido da princesa, contou outras histórias, sobre árvores donde nunca caem os frutos, sobre rios que correm para cima, castelos em cima das nuvens e moinhos que só giram quando não há vento algum. De noite, o rapaz se tornara novamente um menino, e de novo a princesa pediu para que não partisse. No terceiro dia, de manhã bem cedo, a princesa acordou o rapaz e pediu que a levasse consigo para conhecer as maravilhas do mundo.
Os primeiros dias foram de pura alegria! A princesa nunca saíra do castelo, e tudo lhe parecia fantástico: os campos, os camponeses, os regatos, as florestas, os moinhos, as rodas d'água, as estradas, as montanhas. De dia viajavam a passeio, apreciando cada instante, mas evitando encontrar com pessoas, com mêdo de serem reconhecidos. De noite, viajavam rápido, e o rapaz ia contando suas histórias sobre os lugares por onde passavam, e a cada palavra ia sempre ficando mais jovem.
Um dia, já bem longe do castelo, a princesa despertou e não encontrou o rapaz. Procurou-o por toda parte por um longo tempo, até que, à margem de um regato, ouviu uma voz angelical cantando uma canção tranqüila, que falava da paz dos campos e da alegria da colheita, e da passagem do tempo que fazia o verde desfazer-se no inverno para retornar com a primavera. Seguiu a voz e encontrou o rapaz, que cantava para uma mulher muito, muito velha, que parecia muito doente e que chorava silenciosamente. Quando a canção acabou, a velha abraçou o rapaz, em silêncio, e começou a andar, muito devagar, pela margem do rio. O rapaz explicou à princesa que a velha havia visto a aproximação da morte, e que seus filhos haviam partido em grandes aventuras e ela temia que não houvesse ninguém que pudesse olhar por suas filhas e por sua terra. O rapaz cantara uma música que ele ouvira em sua própria terra havia muitos anos, e que sempre devolvia às pessoas do campo a esperança e a fé. Ao ouvir isso, a princesa logo atalhou que a música era certamente mais animadora se era cantada por uma voz tão bela quanto a dele, e que ele deveria agredecer a sua própria mãe por um dom tão incrível.
"Na verdade", disse o rapaz, "este dom eu conquistei depois de adulto...", e, a pedido da princesa, ele começou a contar sua história.
Todos os homens do reino vinham cortejá-la, e faziam campanhas em sua homenagem, e lutavam em torneios e duelos para decidir quem teria a honra de falar com ela. Porém nenhum homem jamais pediria sua mão, pois seu pai, o velho rei, muito velho e muito doente, jamais o permitiria. Ele dizia a sua filha: "Desconfie dos vencedores dos torneios! Desconfie dos muito belos, dos muito bravos, dos muito fortes. Nunca confie em um homem que não demonstrar nenhuma fraqueza."
O tempo passou e o velho rei morreu, não deixando herdeiros nem rainha. O reino foi tomado por nobres poderosos amigos do rei, e os jovens cavaleiros passaram a vir com cada vez mais freqüência cortejar a princesa. Em meio a suas ferozes disputas contavam histórias de lutas contra dragões, de vitórias sobre ogros comedores de virgens, de caçadas às bruxas disfarçadas de animais. A princesa ouvia as histórias e participava das festas, mas logo se recolhia com suas damas, lembrando do conselho do pai: "Desconfie dos matadores de dragões! Desconfie dos sempre vitoriosos, dos salvadores de vilas contra enchentes e tufões. Nunca peça a proteção de um homem que não lembrar de nenhuma derrota."
Um dia, porém, chegou na côrte um guerreiro com olhos vermelhos e um cavalo branco, que cantava com a voz dos anjos e sabia lutar como um demônio. Ele cantou suas histórias das vilas que salvara de enchentes, incêndios, tufões e maremotos. Contou de dragões que matara, de bruxas que enganara, de ogros que perseguira, de maravilhas que vira. E conforme cantava ia ficando cada vez mais jovens, até que ao final da noite não passava de um menino. A princesa, como que encantada, pediu que ele ficasse aquela noite, e que de manhã contasse mais sobre suas aventuras.
De manhã o rapaz se tornara novamente adulto. Conforme o pedido da princesa, contou outras histórias, sobre árvores donde nunca caem os frutos, sobre rios que correm para cima, castelos em cima das nuvens e moinhos que só giram quando não há vento algum. De noite, o rapaz se tornara novamente um menino, e de novo a princesa pediu para que não partisse. No terceiro dia, de manhã bem cedo, a princesa acordou o rapaz e pediu que a levasse consigo para conhecer as maravilhas do mundo.
Os primeiros dias foram de pura alegria! A princesa nunca saíra do castelo, e tudo lhe parecia fantástico: os campos, os camponeses, os regatos, as florestas, os moinhos, as rodas d'água, as estradas, as montanhas. De dia viajavam a passeio, apreciando cada instante, mas evitando encontrar com pessoas, com mêdo de serem reconhecidos. De noite, viajavam rápido, e o rapaz ia contando suas histórias sobre os lugares por onde passavam, e a cada palavra ia sempre ficando mais jovem.
Um dia, já bem longe do castelo, a princesa despertou e não encontrou o rapaz. Procurou-o por toda parte por um longo tempo, até que, à margem de um regato, ouviu uma voz angelical cantando uma canção tranqüila, que falava da paz dos campos e da alegria da colheita, e da passagem do tempo que fazia o verde desfazer-se no inverno para retornar com a primavera. Seguiu a voz e encontrou o rapaz, que cantava para uma mulher muito, muito velha, que parecia muito doente e que chorava silenciosamente. Quando a canção acabou, a velha abraçou o rapaz, em silêncio, e começou a andar, muito devagar, pela margem do rio. O rapaz explicou à princesa que a velha havia visto a aproximação da morte, e que seus filhos haviam partido em grandes aventuras e ela temia que não houvesse ninguém que pudesse olhar por suas filhas e por sua terra. O rapaz cantara uma música que ele ouvira em sua própria terra havia muitos anos, e que sempre devolvia às pessoas do campo a esperança e a fé. Ao ouvir isso, a princesa logo atalhou que a música era certamente mais animadora se era cantada por uma voz tão bela quanto a dele, e que ele deveria agredecer a sua própria mãe por um dom tão incrível.
"Na verdade", disse o rapaz, "este dom eu conquistei depois de adulto...", e, a pedido da princesa, ele começou a contar sua história.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Reencontro
Aos meus melhores amigos.
O tempo, em minhas mãos, é uma serpente alada. Ela me leva e me mostra o fim do universo. Eu sou apenas criança.
Já fui grande, depois pequena — hoje sou deusa.
Já fui guerreira, estudante, artista — hoje sou mulher.
Já fui adulta, adolescente, velha — hoje sou, enfim, criança.
Como esperei por isso! Por ser jovem e ser eu! Como lutei contra mim!
Pois não estou mais num poço. Os poços se desfizeram como se nunca houvessem existido. Agora o mundo se torna infinito. Agora o universo se dissolve! Como sonhei com isso.
Chegamos ao fim e ao começo, onde todas as portas se abrem. Os demônios que me perseguiram até aqui, os demônios param e olham. Nada é o mesmo, e as metáforas lentamente perdem seu sentido. Sólido se torna líqüido e líqüido se torna luz! Eu enfim abandono e retorno, com um único passo, ao meu lugar de origem dentro de mim. Os cervos levantam suas cabeças e olham. Os dragões levantam as pálpebras e olham. Balthazar levanta a ponta de seu chapéu. O Róque levanta uma pena de sua asa. O Sonho infla suas velas negras. O mundo pára e recomeça. Não pensemos mais em poços. Eu sou, outra vez, o vento. Voltemos a cantar como quando éramos crianças. Tudo o que um dia nos feriu, agora é só um espinho caído no chão da vida. Sob nossas pegadas. Nós, não.
Não sei explicar o canto que enche meu peito. O que fiz, o que houve para que eu perdesse o mêdo. Não sou mais eu, somos todos. O universo parece mais alegre. O universo nasce ao meu redor. Estou tudo de novo. Tudo sempre. Infinito.
Cheguei a pensar em muros, em reviver velhas dores, mas tudo perde o sentido. Não há mais muros, nem cercas, nem qualquer um desses objetos metaforicamente limitantes. Estamos livres? Ou éramos livres desde o primeiro instante?
Não sei, mas eu também me sinto como a terra. Também me sinto velha e verdadeira. Parece que não sei nada, e tudo está ao alcance das mãos. O universo urra como uma besta, e eu urro de volta em resposta ao desafio. Sempre achei que eu ia viver pra sempre, mas agora suspeito que também possa viver feliz.
Vamos viver uma grande aventura?!
,
amor,
Marina.
terça-feira, 8 de abril de 2008
Despedida
"Seus olhares se encontraram através da superfície da água, que era como um espelho..."
Preciso parar. Desistir. Abandonar.
Preciso enfrentar a verdade e a solidão, se pá.
Mas aqui é como um poço muito profundo que eu cavo, cavo e não chega a lugar nenhum. E continuo cavando. Cavo quando estou feliz para que a água se torne mais funda. Cavo quando a água se esvai para procurar água. Quando cavo às vezes encontro água e às vezes permito que a água se esvaia. Fico sozinha às vezes. no fundo do poço, pensando.
Às vezes olho para cima, e é pior. Vejo tudo de baixo. As camadas de terra que atravessei. Detesto sentir e lembrar tudo aquilo, que antes era tão importante e agora é tão vazio. Não estou mais nas profundezas. Não há água no fundo do poço. Quero me distanciar de tudo aquilo e continuo cavando. Quero encontrar água e nela mergulhar.
O mundo aqui é úmido e escuro. Continuo cavando para baixo mas não percebo se me desvio, se sem querer estou cavando mais para a direita ou para a esquerda. Não tenho consciência do caminho que percorri, e de nada adianta.
Grito às vezes. Mas não consigo ouvir a resposta. Quando encontro algo enterrado, jogo-o para fora do poço, para mostrar aos que estão lá em cima, ou deveriam estar. Mas imagino que não haja ninguém lá em cima (talvez todos estejam dentro de seus próprios poços) porque os objetos curiosos se acumulam ao redor da abertura formando uma muralha de abandono ao meu redor.
Quero sair. Quero sair. Tento escalar as paredes, mas dói terrivelmente voltar pelo caminho que percorri. O cheiro das camadas de terra que um dia escavei me dá náuseas, e sempre acabo caindo de volta no fundo do poço. E quando caio o desespero me invade e preciso cavar, preciso cavar, e quanto mais cavo, mais fundo fico, mais longe. Não sei para onde estou indo, e a escuridão é cada vez maior. O pedaço de céu que consigo enxergar é cada vez mais estreito, e às vezes, à noite, chego a duvidar de sua existência. Quero sair, quero escapar; mas nenhum caminho é possível.
Preciso parar.
Preciso esquecer.
Quem sabe se eu fechar os olhos e realmente acreditar que nada disto existe;
quem sabe se eu realmente abandonar essa existência e parar de acreditar em tudo que aprisiona e que dá mêdo;
quem sabe? Talvez seja possível escapar.
Talvez todo o cenário desapareça: a terra úmida, com suas camadas; o poço onde não há mais água; as pilhas de coisas lá fora que pareciam legais, mas a que ninguém deu bola, e que se tornaram paredes também. Se tudo desaparecer, talvez eu alcance aquele pedacinho de céu que consigo enxergar aqui de baixo.
Preciso abandonar.
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