segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Carnaval

e outras coisas que me vieram à mente...



Ultimamente têm acontecido coisas estranhas. E na maior parte do tempo eu não tenho sido eu mesma. Aquele pessoal simpático do Senac, eu estava pensando, simplesmente corresponde perfeitamente à minha visão de mundo. Ao que eu quero que ele seja. E quando ando na rua, não penso em nada. Entre as árvores da USP, não me sinto em casa. Depois disso, acho que não me sinto nunca mais em casa. Estou só, me sinto só, my heart is not anywhere.

Quando volto de uma viagem, a princípio quero escrever exaustivamente, contar tudo o que vivi e aprendi, tudo o que foi engraçado, tudo o que foi imbecil, as brigas, as amizades redescobertas, as novidades, as diferenças. Mas passa a vontade e não quero mais pensar nisso. A viagem torna-se passado muito rápido; e ninguém vai escrever sobre o passado... (agora parece divertido que o único a postar sobre isso tenha sido o Charles).
Mas parece que essa viagem foi mesmo diferente. Passamos fome, nos perdemos, nos arriscamos, economizamos água, e isso só para falar dos primeiros dois dias. Experimentei dormir em uma cabine de proa da Julie, depois em uma cama grande, depois em metade dela, depois sobre alguns cobertores no chão da barraca e por fim um colchão de ar (sem contar o banco do ônibus), e acho que o pior foi o colchão de ar. Além disso, ainda me alegro ao lembrar da cara que o Cham fez quando acordei um dia e, absolutamente surpresa de vê-lo adormecido ao meu lado, dei-lhe um beijo na bochecha e me levantei. Subir o riozinho também foi uma coisa nova, e gratificante. Foi o momento em que me senti mais revigorada. Sem contar a vez em que amarramos as redes, e eu finalmente aprendi direito a dar lais de guia. E aquela hora em que jogamos frisbee de cima da árvore. E ver que o Ugo está desenhando cada vez melhor. E discutir filosofia, política, ética, sexualidade. E o futebol com caiçaras e turistas como nós. E o povoado que meu pai disse existir na Joatinga. Nossas conversas sobre barcos. Nossas mímicas. Nossas piadas. Aliás, ainda acho que os dinossauros foram uma grande invenção da humanidade. E que é estranho o sol ficar pra cima. E que a Lorena deveria poder dormir com o Chocolate ^^

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Sussuros:


"Quero te contar um segredo....
Estou com mêdo do que há dentro de você."

Orvalho em Pontas de Folhas de Pinheiros

(você se lembra de como era estar apaixonado?)


Aime, et tu renaítras; fais-toi fleur pour éclore,
Après avoir souffert, il faut souffrir encore;
Il faut aimer sans cesse, après avoir aimé.
Hoje estava recolhendo crônicas minhas do site dos Anjos de Prata. Digo crônicas por falta de um nome que os reúna. De fato, acho que nunca escrevi uma crônica. Nem nunca tive qualquer interesse — a literatura jornalística é o extremo oposto do tipo de literatura que sei escrever.
O que me chamou a atenção na minha busca foi um texto de quatro anos atrás, que fala sobre a noite. Sobre como é preciso voltar para a noite, sobre como a noite também sente a minha falta.

...

... Como dói, tanto tempo de saparação...
Parece que com a gente não importa se foi bom ou ruim, é preciso voltar; viver, lembrar, sentir aqueles cheiros novamente. E mesmo que no presente eu sinta menos dores, parece até que é porque sinto tudo menos. Parece que por mais terrível que tenha sido o passado, ao menos ele foi terrível. E não entrar nessa penumbra; sexo, álcool, amigos que não se aceitam (ou não nos aceitam), faculdade, decisões importantes (e não só para nós mesmos), manter as aparências, sedução, namorados (nossos e dos outros), mêdos (também), dinheiro (dos outros), e aquele constante sentimento de impotência que é pior ainda agora que temos um pouco de poder sobre as coisas e as pessoas (ou, no mínimo, eles têm o poder de nos fazer exercer algum poder). E não consigo decidir o que me incomoda mais, talvez simplesmente porque tudo me incomoda muito.

O que eu quero, no fundo, é alguém que me ensine a viver. Quero passar as madrugadas, as manhãs e as tardes com você, e sair à noite em ruas iluminadas. Quero o mundo de novo, vê-lo por outros olhos, com novos rituais, novas liberdades. E um pouco de mim também, mas só as coisas boas ("mas não são todas boas?"...). Quero aprender a cozinhar, a dirigir e a sair pela cidade. Quero trabalhar. Estou honestamente cansada de tudo isso... Hoje de manhã quase fui até o escritória de mamãe perguntar quando íamos mudar de casa. Quando eu ia poder ter uma janela sem grades, que eu pudesse pular, na qual eu pudesse sentar. Quando haveria silêncio. No meio do caminho parei, sentei num carretel olhando a chuva. Acho que não quero mais morar aqui. Mesmo quando eu conseguir arrumar meu quarto, mesmo quando ele for reformado, sei que não chegará nem perto daquilo que eu quereria para mim. Sabe? Mal voltei de viagem e já estou pensando outra vez em como quero viajar. Amo São Paulo, mas quero mudar de quarto, de casa, de bairro. Quero esquecer as dúvidas, resolver meus problemas. Não estou preparada para ter novos problemas. Materialmente, acho que preciso passar minha vida a limpo ¬¬

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Como não querer, e querer que não — como não?

Eu me pergunto, na verdade, se eu cometi um erro dando tanta trela à minha indecisão — ou se foi, ao contrário, a fortuna que me trouxe até aqui. Eu poderia ser como meus irmãos, fazer FAU, projetar, dar continuidade à dinastia faui, eu poderia me imaginar tardes sem fim subindo em árvores naquele campus matoso, confuso, selvagem (e belo). Mas não, não, acho que é difícil demais abdicar disso que só comecei a começar, quando as pessoas que conheci são fascinantes, quando os professores são bons, e o campus... ah, não é preciso falar do campus. Será que eu não conseguir abdicar desse luxo significa que eu sou fraca? Ou eu querer seguir minha vontade em uma situação que vai definir parte do meu futuro é uma demonstração de determinação e força? Será que meus dois irmãos estarem na FAU não é um motivo idiota pra eu querer fugir de lá? Será que a gratuidade da USP não é um motivo idiota para eu querer estudar lá? Você acha que alguns Macs, alguns estágios e algumas matérias interessantes (e talvez, em algum grau, um grande "A" montado na frente do prédio) justificam a grana e a luta por ela? E eu me pego distraidamente conjecturando absurdos, imaginando se é possível estudar de manhã e à noite e trabalhar à tarde. Acho que cansei de brigar com o dinheiro. Quero provar, pra mim mesma, talvez, que sou capaz de batalhar (por quê? por quê?) e até mesmo vencer. Que posso me dedicar, me esforçar, valer alguma coisa. Eu ter passado em 1o lugar, eu ter feito 73 pontos, eu saber o que é o sistema binário, nada disso justifica meu à-pampismo barato. No mundo capitalista, é preciso muita coragem pra não ser o melhor e ainda se sentir bem consigo. Não que eu goste desse mundo, mas — algum dia, eu gostaria de pensar que fiz o melhor que pude, e que pude muito. Quero valer o que você acha que eu posso valer.

sábado, 20 de janeiro de 2007

Exemplo

Pequeno conto de vestibular (o uso da terceira pessoa me faz me sentir menos ridícula, ok?)

Estranho isso de arte valer nota. Arte. Diziam arte sempre, em seus ouvidos. "És uma artista", diziam. Não dizia arte. Mas às vezes, quase nunca, sim. Ali, por exemplo, dadas as cirscunstâncias. Sou uma artista, pensava; pintava furiosamente, quando pensasse naquilo mais tarde pensaria que pintara com o corpo, com as mãos, ao contrário do que aconselhava Miró. Ou era Mondriant? "Arte", pensava, existe arte além de Miró ou Mondriant? Dar sentido a formas e ainda esperar ser entendido? Ou então sequer pretender ser entendido, ou ainda pretender ser incompreendido, como faziam boa parte dos artistas comtemporâneos; podia algo disso ser verdadeiro? arte, arte, e pensava no conceito de Arte como uma afronta pessoal, porque ela era a artista e o que ela fazia não era Arte. Mas pintava conclusivamente, um desenho objetivo, abstrato com elementos concretos, compreensível da mesma forma que o é uma narrativa desengajada. Mas se sentia orgulhosa, porque o desenho, embora desprovido de um significado direto, tinha sentido, e com alguma sorte os avaliadores perceberiam isso e lhe dariam alguma nota. Deixou o papel de lado e alegremente começou a segunda parte da tarefa, que envolveria dobras e colagens.
Enquanto planejava seu trabalho, olhou distraidamente para os lados, à procura de saber quão atrasada estava em relação aos outros condidatos, e de comparar seu desenho com os deles. Sorriu. A menina à sua esquerda fizera um lindo trabalho, desenhando ampliações coloridas, concêntricas, a intervalos regulares, das formas de base da proposta, dando a sensação de que as figuras haviam formado ondas sobre o papel. Era belo, sim, mas um pouco inócuo, um pouco estranho, fazer ondas a partir das letras cortadas — é que ondas poderiam ser feitas com qualquer coisa. Ela, a artista, ela aproveitara o que era próprio da figura de base (o corte) e pintara o que lhe parecia a conclusão lógica daquilo. Fazia sentido — mas, assim que olhou para o outro lado, percebeu que sentido não era o bastante. A menina à direita transformara cada uma daquelas formas cortadas em algo totalmente diferente, uma clave de sol, um instrumento musical, qualquer coisa bela, colorida e boa. Ela intervira na base, modificara, transformara a figura insensata e algo aflitiva em um conjunto animador e simpático. A menina do meio olhou para seu desenho rabiscado, envergonhada da passividade que ele revelava; pôs a folha no chão e tentou se concentrar na próxima proposta.

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Conclusão após a leitura de diversos blogs et cetera

Me parece que não restou mais nada. Diante de árvores frodosas, sou raízes apenas — e qu'é-de folhas? Enxergo na distância barcos e beijos carinhosos; enxergo num fundo d'olhos o que faz valer toda uma existência. Meus olhos porém cansaram-se de falar.
Me parece que já não resta nada. Será que traio minha existência, ou é minha existência que me trai? No que consiste minha natureza? Falo de mim porque é a única coisa no mundo que realmente conheço. Respeito, admirada, tantos outros que falam de tudo o mais. Até mesmo os invejo. Não tenho mais nada. Julgo que invejo neles a capacidade de ter qualquer coisa.
É que meu coração não fala mais, meu pensamento não sente. O que busco para oferecer-vos, meus pequenos deuses da verdade, é a essência das coisas, suas pequenezas; e não mais as encontro. Pequei? Então pequei pela mentira. Privei vossos ouvidos da verdade — mas foi porque minha verdade parece tão tola! Distraio-me de mim mesma, noto que não me conheceis. É uma pena. É uma pena que eu tenha de revelar-me agora, quando a mostrar já não tenho nada.
Existe em cada olhar um vago desespêro — desespêro que busco, aflita, como a razão de todas as outras coisas. Ou conseqüência. E nada encontro. Será tudo, como eu, pó, pronto a esfarinhar-se?

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Just days in life...

É claro, eu devia fazer um post de volta a São Paulo, sobre a FUVEST ou sobre a Cajaíba ou sobre qualquer uma dessas coisinhas que vêm acontecendo e que cutucam minha alma. Será? Estou meio cansada pra fazer algo desse tipo. Estou a fim de fazer algo idiota, de jogar Porco com castigo de pinga. De subir em pedras, de me ferrar. E hoje aquele espelho quebrou e eu fiquei olhando, só... Dizem sete anos de azar mas o grande azar foi ter quebrado o espelho. O resto dá-se. E debaixo do vidro estava uma folha de jornal de outubro de 1964. Suplemento literário. Ainda não li, mas hei-de.

Hoje estou razoavelmente alegre. Talvez seja porque conversei com meu maninho, talvez porque peguei carona com os Strambi. Talvez seja até porque a Camila me chamou para a casa do Squick. Talvez seja porque eu dei um abraço na Aline e no Yuri. Estava com saudades do Ugo, da Aline e do Yuri. E também da Camila, embora eu ainda esteja apenas começando a conhecê-la. E fiquei feliz de encontrar o Nonô, o Lipão e a Marieta, que não os via havia algum tempo.

Tenho pensado muito sobre as pessoas, sobre o que representam e sobre suas atitudes, e como elas se relacionam. Não tenho tido vontade de fazer o que normalmente eu faria, isto é: sair com os amigos, rir à toa, fazer brincadeiras tolas. Estou cansada de tudo isso, e tenho vontade de ficar em casa, dormir cedo etc. Hoje de manhã ocupei-me fazendo um book fotográfico das minhas gatas — algumas das fotos saíram realmente bonitas. Eu gostaria de fazer um curso de fotografia ou algo assim.

O que mais me assusta é que tenho acordado naturalmente às seis da manhã. Simplesmente não sei como reagir a isso... ¬¬

sábado, 23 de dezembro de 2006

Ponto.

Foi um ano bom, não foi? ^^ Não quero falar nada. Vou fazer uma pequena homenagem ^^

Lôbo de Ouro 2006

Melhor Ilustração e Melhor Acervo de Narrativas - Aqui em Hinée
Melhor Acervo de Variedades - A Côrte
Melhor Blog-Livro - Pirate's Tale
Melhor Blog de Autor Desconhecido - Febre Alta
Melhor Diagramação - .piano.
Melhor Leitura para Tarde da Noite - O Pato Está na Ratoeira (embora o Conte de Feés também fosse indicado)
Melhor Leitura Vespertina - Ten Years Ahead

Pretendo afastar-me da internet por algumas semanas, para reorganizar um pouco minha vida et cetera. Vou prá Cajaíba depois do natal e depois volto para a segunda fase da FUVEST... Enquanto isso, estou perdida. Espero que nos vejamos ao vivo mais algumas vezes. Boas férias, camaradas. Entrem em 2007 com a cabeça erguida =^.^=

Sinceramente;
A Lôba

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Uma Vírgula.

Eu diria que o ser é apenas parte do não-ser, mas eu não acredito nisso. Ser em si é a razão de tudo o mais. A textura dos troncos das árvores, o cheiro da terra roxa e das folhas jovens que nascem nela, o sorriso do desconhecido diante de um gesto de simpatia, tudo isso justifica nosso desejo incontrolável de viver. Por viver.
Sinto-me como uma criança, que descobre um inseto novo, que faz planos complexos e os esquece em poucos segundos. Semana passada eu vi o meu primeiro louva-a-deus, e ele não era tão assustador quanto parecera. Durante essa semana que agora acaba, peguei o hábito de andar de ônibus, fiz um amigo, desenhei, fiz compras na Teodoro.
Mas tudo está ainda muito pela metade.
Sou uma criança que tem mêdo de errar, que só arrisca quando está sozinha, muito longe do olhar da mãe — porque a mãe, veja só, a mãe percebe todo erro muito logo, mas os desconhecidos acham que você sempre sabe o que está fazendo. Não conto mentiras, mas também não conto verdades. Respondo o mínimo, que quanto menos se diz menor é a chance de falar algo que ofenda ou fira. Mas será que o silêncio pode também causar uma má imagem?
Não acredito nas pessoas, porque sei que todas são más, por dentro ou por fora. Mas também são todas boas. Sou uma criança que precisa de carinho, compreensão, contestação, respeito, espaço, explicações. Para mim nada é óbvio, nada é simples, tudo tem um sentido profundo por trás. É preciso haver respeito, esforço, beleza, delicadeza, empatia, sutileza, aparência. É preciso valorizar o silêncio, a nudez e o ímpeto. E, principalmente, não se pode desprezar o café-da-manhã. Por mais que a noite seja a soberana dos sentidos e sentimentos, o café-da-manhã é a medida das coisas da alma.
Acho que a maior beleza da infância é a maneira como tudo se aprende. É preciso estar disposto a aprender, e cada coisa nova (e há tantas coisas novas!) é uma pequena aventura. É delícia a pequenez das coisas, tudo miúdo, conciso, sutil. A pequenez não admite desleixo, devassidão. A pequenez tem que ser imensa, rígida, estudada. Quando não se puder fazer nada, observa-se. Eu observo, olho, admiro. A visão é uma dádiva. Sempre que possível, faze um desenho de observação. Verás que as árvores são mais estranhas do que aquele serzinho plástico que desenhas. Admire. Não há perigo em olhar.

Não sei se há mais o que dizer. Quero fugir daqui onde tudo me assusta.

Vou sentir saudades, vou morrer de falta de ti, Gato. Me cativaste sem perceber e eu não sei mais viver sem ti. Não seja egoísta, não desapareça. Por favor.

Por favor, meu amor, não me abandone, que sou criança e não suporto solidão...

sábado, 16 de dezembro de 2006

Chorando e cantando

porque eu li o fdp e foi isso que ficou na minha cabeça...



(Geraldo Azevedo)

Quando fevereiro chegar
Saudade já não mata a gente
A chama continua no ar
O fogo vai deixar semente
A gente ri a gente chora
Ai ai ai a gente chora
Fazendo a noite parecer um dia
Depois faz acordar cantando
Pra fazer e acontecer
Verdades e mentiras
Faz crer, faz desacreditar de tudo
E depois depois amor ô ô ôô

Ninguém ninguém verá o que eu sonhei
Só você meu amor
Ninguém verá o sonho que eu sonhei
Um sorriso quando acordar
Pintado pelo sol nascente
Na luz de cada olhar mais diferente
Tua chama me ilumina
Me faz virar um astro incandescente
Teu amor faz cometer loucuras
Faz mais, depois faz acordar chorando
Pra fazer e acontecer
Verdades e mentiras
Faz crer, faz desacreditar de tudo
E depois depois do amor
Amor ô ô

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Lôbo de Ouro

Apesar de esse ser um post de premiações, ele não é realmente um plágio do que tem Lá em Hinée

Os blogs são como os impérios, os movimentos culturais e os relacionamentos: têm um início quase introdutório, qual uma epígrafe, ascensão, apogeu e declínio. Felizmente, depois do declínio costuma vir uma saudável bonança (ou calmaria) que precede nova ascensão. Digo isso porque já passei várias vezes por esse ciclo, e hoje em dia o enfrento sem nenhum mêdo de que seja preciso abandonar a Toca, ou de que ninguém mais a leia. Os leitores, e até eu como leitora, também têm seus ciclos, e sua fidelidade ao conteúdo deste destrancado casebre virtual deve oscilar como a pressão atmosférica. Ou algo assim. Mas ainda não consegui aprender a passar pelos tempos de declínio com tranqüilidade. Eles ainda trazem o velho frio na barriga das grandes decidas na montanha russa, o estranho desespero que nos inflinge a folha acusadoramente branca (ou, pior, amarela). Por isso, eu resolvi desenvolver uma estratégia cujo principal objetivo é direcionar os leitores para blogs amigos, os quais eles possam visitar enquanto este aqui anda morimbundo (e pretendo que fique morimbundo por mais algum tempo).

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Metamorfose

Olhou-se no espelho, eram três horas da manhã, e a imagem no espelho respondeu com um sorriso cínico. Fingiu indiferença, quem era o espelho para dizer qualquer coisa sobre sua vida? No espelho os lábios eram vermelhos apesar de não haver batom, e os olhos eram profundos como se tivessem por trás um mundo inteiro de desejos e segredos pecaminosos. Sustentou o próprio olhar invertido, com raiva silenciosa. E o espelho devolvia sua raiva com caretas e carrancas completamente desconhecidas. Até as rajadas na íris tinham se modificado ao longo dos anos, e sua lembrança daqueles olhos estava como que estagnada em algum ponto do seu passado. Também os lábios haviam mudado, se projetado, à custa de mordidas nervosas de seus e de outros dentes. E a carne nos lados do rosto, aquelas carninhas entre a bochecha e a mandíbula que odiava, haviam desaparecido. Ela se encarava, tensa, desconfortável como se diante de uma grande figura, como se diante de uma multidão, fazendo caras e bocas para si mesma, tentando, de alguma forma, resgatar qualquer semelhança entre sua própria face, a da sua memória, e a que via diante de si. Mas o espelho, inflexível, negava qualquer consolo, mostrando sempre uma pessoa completamente diferente, em gestos, em cores, em olhares, da que ela procurava tão desesperadamente. E agora ela mantinha um silêncio receoso, porque não queria descobrir no que se transformara sua voz. Sabia que tinha uma voz aguda, às vezes um pouco desafinada, às vezes grossa, às vezes infantil, e sequer gostava da idéia que fazia de sua própria voz; não poderia suportar, porém, que tivesse acordado com uma voz estável, ainda fina, mas como flauta doce, e sutil ou misteriosa. Nunca poderia respeitar-se se sua voz fosse fascinante, se fosse sedutora, se fosse belíssima. E se olhava assustada no espelho imaginando que se prendesse o cabelo, usasse um boné e (mesmo assim) tomasse sol no rosto, se vestisse umas jeans largas e camisetas estampadas, com algum tênis furado, ou se desse um jeito de se sujar de grama, casca de árvores e barro, quem sabe poderia voltar a se parecer com o que costumava associar a si mesma. Talvez até voltasse a se sentir forte daquele jeito, talvez voltasse a pensar que tinha dentro de si a força de todo o mundo. Talvez até voltasse a escrever. Afinal, ela não escolhera realmente sofrer a transformação. E não poderia de maneira alguma aceitar se transformar numa daquelas meninas lindas que sempre admirara. Pior que isso: ela nunca se perdoaria por se transformar numa mulher como as que ele mirava...

sábado, 9 de dezembro de 2006

resposta aos comentários

Sim, ame como for, que qualquer maneira de amor vale a pena. Me ame, ouviu? (é uma ordem). Mas amor basta? É preciso, olha, é preciso um monte de coisas pra, digamos, sustentar o amor, pro amor não ficar difícil demais; quer dizer, difícil até é bom, mas não demais. Eu escrevi uma música sobre essa dificuldade uma vez. Era assim:

I'm crossing my fingers
hoping you will be here
Somehow my hopes are somewhat low
And everything lingers
indefinedly
Somehow our hands are somewhat cold
And I thought I could have you but
when I kiss you I feel
you are never gonna know
for sure that this is for real

And I'm looking for stars
Tonight they are fading
Right now there isn't much to see
And I'm trying so hard
but you are just waiting
Right now our dreams are fast asleep
'Cause I thought you were mine but
when I see you I see
you are never gonna know
where to look for me when I leave

So please just go
I'm not ready to live without you
But I know
I'm not ready to feel like this

I reach out for silence
I'm feeling so lonely
Sometimes I wish we'd never met
But if you gave me a shy glance
well I'd just keep longing
Sometimes I can't see where we're at
And I know that you love me but
when I can't hear your voice
I realize that you don't know
That all I'm feeling was my choice

So please just go
I'm not ready to live without you
but I know
I'm not ready to feel like this
Abandoned like this...


Claro que tecnicamente eu devo ter exagerado um pouco nesse "please" just go, porque eu escrevi isso em 2005 e... bom, vocês sabem a história. E na verdade hoje em dia eu não sinto mais tanto isso... Mas às vezes a gente precisa de mais... E às vezes é justamente quando a gente precisa que a gente não pode ter...

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Você sabe quanto tempo leva pra dizer "eu te amo"? Mais ou menos um segundo, se você for rápido. Mas os efeitos perduram por um tempo indefinidamente longo. Parece que os atos mais curtos e rápidos são justamente aqueles que mais importam...

Quanto tempo você demorou para pôr o pé na rua e ir embora? Quantas vezes você pensou no que fazia? Será que em alguns desses instantes você percebeu que um ato simples e desisteressado como esse tem como conseqüência um sentimento inexplicável e complexo, capaz de derrubar fortalezas, vencer guerras? Eu quero parar de escrever, dizer que está tudo certo, pedir desculpas, mas "tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas", e você não tem consciência da importância que isso tem.

De onde vem esse sentimento? Por que de repente essa dor inexpurgável, essa necessidade inexplicável de você?

"Ensaio sobre a solidão"

(Como todos os meus posts ultimamente, este vai ser sobre aquelas coisas que uma menina direita nunca deveria deixar que os outros soubessem)

Quando o sol se põe, fica mais fácil ser qualquer coisa. Em dias cheios de amigos, é mais fácil ser guerreira, ser amante (desvelável?), ser amiga, ser senhora, ser Marina. Em dias de mar revolto é mais fácil ser senhora, contar histórias, imaginar... Em dias assim solitários, é mais fácil querer chorar...

Eu não tive coragem de falar na sua cara, mas eu senti: na verdade, existe algo de profundamente egoísta em sentir-se só. E eu sei que você sabe disso, sei pelo tom da sua voz quando você disse que não era verdade (ou algo do gÊnero...).

...
sabe o quÊ? eu não quero escrever. Acho que não vou querer escrever nunca mais...

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

I absolutely hate to feel lonely like this...

somebody save me...

terça-feira, 28 de novembro de 2006

Lembrete

Mais pra mim do que pra vocês...


Oh, well, eu acabei de lembrar que ainda tenho que vender os convites da festa de formatura. Então, alguém aí quer um? Olha, vai ser uma festa legal, e... hm... é, eu não sei bem o que fazer. Não mesmo.

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Finalmente, férias... VIU??? FÉRIAS!!!

Um post absolutamente despreocupado com a Vida, o Universo e Tudo o Mais, de uma pessoa que quer mais aproveitar pra cair na gandaia ^^


Sabe o quê?
No final, (embora não seja o final realmente,) eu estou muito satisfeita por não ter me preocupado muito com o vestibular. Só espero que as notas de corte não aumentem muito... õ.õ... (ok, ":þþþþþ"... nem te conto...) Oh, well, estou feliz, de qualquer forma. Está sendo um bom dia ^^

A gente às vezes sente, sofre, dança
sem querer dançar...
Na nossa festa vale tudo
Vale ser alguém como eu, como você...


E ontem foi um dia bom também. Até porque quando eu acordei, às nove e pouco da manhã, eu só tive um pensamento muito vago de "hm, hoje tem fuvest...". Depois desse pensamento vago, fui tomar café, fiquei lendo jornal um bom tempo (havia uma grande discussão a respeito da reforma da previdência, do exagero dos gastos do setor público -- que absurdo, não? um governo querer ficar gastando com "saúde" e "educação" quando deveria estar mais preocupado com investir na idústria! -- e de como o Lula acha que não se deve jogar a dívida nas costas dos pobres -- algo que aliás apareceu em todas as manchetes, mas em nenhum dos textos em si oO''); depois arrumei meu quarto e fui nadar ^^ Quando estava nadando, papai me pediu pra limpar a piscina, e eu limpei de bom grado (mas agora é claro que já está toda suja de novo, com essas chuvas...), e mamãe me chamou para plantar a mui frolida azaléia que ela me dera de aniversário. ... Vocês sabem que meu time de festa dos esportes da primeira série chamava Azaléia? Acho que por isso o tal arbusto de flores róseas tem uma importância especial pra mim.... (eu gostava de ter f.e.'s temáticas...)

Depois de fazer isso tudo, tomei um banho, vesti a blusa que a Chris me deu de aniversário, peguei água e comida (melhor dizendo, mamãe e Marco me encheram de bolachinhas de lanche...) e entrei no carro. Chegando na FEA, encontramos a Maya, o Yuri, o Nic, e cadeiras almofadadas! (que luxo!) E os vigiadores da minha sala eram simpáticos, e as regras pareceram-me menos rígidas que as das provas do Santa, e all in all eu não tive muitos motivos pra ficar nervosa. Acho que o que mais me incomodou foi o frio. E a mesinha ultra-lisa da qual meu material ficava escorregando.

Abra suas asas
Solte suas feras
Caia na gandaia
Entre nessa festa


Saindo de lá, às 18h10, encontrei o Nic, o Yuri, o Marco, a Maya e o Giovanni(!). Fomos pra casa, depois fomos comer no Spoleto, depois fomos conhecer o gato do Gio, que é um pequerrucho muito fofinho. Foi um dia bastante bom ^^

Me leve com você-ê-ê-êê
No seu sonho mais lou-ou-ou-ou-ouco...


Meu, que mêdo desse tempo. Tá chovendo medonhamente, são três horas da tarde e todas as luzes da rua estão acesas porque 't's escuro! Ai, como eu adoro o verão! =^______^=

...Quero ver seu corpo
lindo lindo leve solto!

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Não.

Eu simplesmente não estou afim. Não estou afim de não conseguir falar com você, de te esperar, de você não ligar. Nào estou afim de acompanhar o grupo de teatro, de ficar dando parabéns, a torto e a direito. Não estou afim de estudar prà Fuvest, de correr atrás do informação, de perder as festas, de ficar nervosa. Nem estou afim de ignorar totalmente a fuvest, de não estudar nunca e decidir não passar. Não estou afim de discussão. Pronto.