Isto aqui costumava ser uma grande floresta. Ia até onde a vista alcança e mais além. Esta parte juntava com aqueles bosques escuros ali distantes, e do outro lado corria até mergulhar no que agora são charcos, perto do desfiladeiro. E antes disso havia uma grande planície, uma campina sempre verde e viva dos quais poucos ainda se lembram bem. Eu mesmo nasci nos últimos dias daquela campina, no último verão glorioso antes de tudo se transformar. Mas daquele tempo eu me lembro que era inteiramente habitado pelo ruflar das asas de infinitos pássaros, e que tudo era cheio de luz. Tudo era tão vivo! O campo se cobria de flores diferentes a cada estação, e eram de todas as cores e atraíam todos os bichos. Este lugar era como um jardim imenso que se estendia do Mar do Oeste até os confins do infinito do outro lado, e era habitado por espíritos livres que mudavam de forma e viajavam em infindas brincadeiras. Naquela era o Tempo não existia, e os espíritos que nasciam logo amadureciam e voltavam a ser crianças, apenas pelo prazer da mudança. Tudo o que vivia aqui era dotado de asas, embora alguns optassem por viver nas águas e outros preferissem correr sob ou sobre a terra.
Então veio a Grande Morte, quando um tremor abalou a terra e os mares recuaram, inundando toda a parte de trás do mundo, onde viviam as coisas mais selvagens. E aqui, a terra secou e endureceu, e todos os seres morreram ou fugiram para aguardar debaixo da proteção das montanhas. O Sol estancou no céu, e a Lua ficou parada a iluminar o lado de trás do mundo; e foi aí também que o Tempo começou. E por um tempo infinito vivemos na sombra e esperamos sem que nada mudasse além das nossas formas, pois enquanto esperamos nossas asas se despedaçaram em dor e e nossos dedos se transformaram em garras, e não podíamos mais tocar músicas alegres, apenas entoar lamentos sem palavras. Lá fora, não havia nenhum vento sobre a terra ressecada, e o único movimento era o de um tímido rio vermelho que escorria lentamente na superfície da terra, nascido dentro de uma montanha e que desaguava no Mundo de Fora através da saída do Poço. Então, quando o mêdo da morte começava a se apoderar de nós, entrou no mundo um espírito sem idade, o único herói verdadeiro de nossa história, a quem chamamos Rin, que na língüa de então significava fio, como o de uma lâmina, mas que também quer dizer aquele que é, ou o que pertence. E Rin também foi chamado de o Salvador. e de Espírito-Criança, mas o nome pelo qual todos os que vieram depois se lembram dele é Rin Rad, pois Rad significa tigre e era pelos tigres, de todas as criaturas que vieram depois, que Rin tinha maior respeito. E assim que chegou ao mundo Rin desceu aos os mais profundos subterrâneos e também andou até os mais distantes mares, e neles nadou e conheceu as coisas selvagens, mas logo voltou, porque no mar não havia dor, e Rin não podia abandonar a dor da terra assolada pela Grande Morte. Munido desse amor pela alegria das coisas, e da água do mar onde se banhara, Rin Rad subiu o Rio de Sangue até a sua nascente, e ali, de alguma forma que ainda não conhecemos, nosso herói transformou todo o sangue em lágrimas, e deu às lágrimas o poder de criar e curar, e fez a água correr para que tudo o que houvesse no mundo se enchesse de vida.
Então o sol se desprendeu no Céu e conseguiu finalmente concluir seu longo crespúsculo. O período que se seguiu foi chamado por nós de A Grande Noite. A terra toda se cobriu de plantas que cresceram selvagenmente em uma enorme floresta, e todas as criaturas que andam e correm saíram de seus esconderijos para habitá-la. E como a vida da floresta viesse da água do mar que Rin colhera, as coisas que nasceram ali eram ferozes como os habitantes de Atrás. Naquele tempo não haviam estrelas, então, para que tivéssemos alguma luz, Rin Rad plantou suas próprias sementes no solo à margem do Rio de Sangue, e ali cresceram árvores cujos frutos eram gemas luminosas de todos os matizes. O mundo se enchera de alegria pela libertação da terra, mas as criaturas que o habitavam não possuíam mais asas e viviam mudando entre formas sombrias, mesmo que coloridas, que rastejavam e se enroscavam ao redor das árvores das luzes, já que somente elas tinham algo da delicadeza e da vivacidade que existiam no mundo antes da Grande Morte. Então Rin Rad cantou para a terra e a terra respondeu ao seu canto e criou os Caçadores, que nasceram para ser os habitantes de direito da nova floresta, e entre estes Rin chamou os Tigres, os Lobos, os Ursos e as Panteras e entregou a cada família um fruto de uma das árvores, e mandou que eles se espalhassem e dividissem as terras como lhes aprazisse, e que protegessem suas gemas e cuidassem para que elas não perdessem o brilho. Assim as luzes se espalharam e espalharam sua magia por todas as partes, e os seres que mudavam de forma se espalharam atrás delas, e muitos deles se disfarçaram de caçadores para permanecerem próximos a um fruto, e muitos outros se transformaram em animais pequenos para que pudessem se infiltrar nas tocas dos caçadores, mas nenhum deles jamais teve um fruto em seu poder, e por isso seu pesar pela perda da luz de antes nunca arrefeceu.
E com o tempo os habitantes do mundo se acostumaram com a nova floresta, e muitos deles começaram a se colorir com as cores das gemas das árvores e a criar novas formas, e afinal um grupo deles decidiu tomar uma área nos limites da floresta e transformá-la numa grande campina, onde os espíritos antigos criaram novas formas, baseadas nas formas que usavam antes da Grande Morte, mas voltadas para o brilho colorido que emanava da floresta, em lugar do sol. E, vendo as dificuldades dos espíritos da campina, a Leoa pediu a Rin uma de suas pedras, e Rin fez uma árvore nova, que dava frutos brancos e mais brilhantes que os outros, e a Leoa levou seus frutos para a campina e alí criou seu território, onde sempre havia tranqüilidade e paz. E nesse campina também ressurgiram a Queni e a Quemi, os Pássaros de Fogo e de Cor, que decidiram voltar para a floresta quando tiveram suficiente confiança em suas asas, e então ajudaram a nascer novas aves entre os Caçadores, das quais as primeiras foram a Coruja e o Gavião. E assim a Floresta cresceu e ganhou forma e vida, e seus habitantes se multiplicaram e se transformaram para ficarem mais graciosos e mais ferozes, e se aprimoraram caçando e guerreando mas também cantando à margem do Rio de Sangue em homenagem a Rin Rad e às luzes das árvores. Eles também cantavam ocasionalmente em nome da Senhora, que partira durante a Grande Morte e que desde então não fora vista, e conta-se que foi de tanto eles chamarem seu nome que em dado momento ela retornou.
palavra por palavra, procuro chegar, devagar, ao lugar de La Loba.
"O silêncio", disse o griot,"só é escuro no começo..."
terça-feira, 4 de maio de 2010
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Me ouve:
Eu queria saber por que eu falo tão pouco com você. Quer dizer, eu falo muito, eu falo até mais do que com muita gente, eu discuto coisas que só com você, mas às vezes eu sinto que você confia em mim e eu não mereço, que você confia em mim e eu não consigo confiar assim em você, eu queria saber o que é que faz isso, ou talvez eu esteja enganada e você também esteja escondendo muita coisa de mim, mas eu sei, eu ainda sei, eu me limito pra não precisar revelar, você revela pra não precisar se limitar, eu sempre acho que você está certa e eu estou errada.
Eu te amo, eu queria dizer, e eu confiaria a minha vida a você, mas será que você saberia o que fazer com ela? É o que eu pergunto. Por que eu não posso simplesmente ir até você e contar tudo, me abrir — você entenderia, ou pelo menos acho que você entenderia que mesmo quando eu estivesse errada não seria sem um bom motivo. Eu me pergunto por que eu não posso contar a ninguém, por que dói, por que eu me sinto tão sozinha quando estou tentando viver a vida normalmente e nada no meu universo parece se encaixar tão bem quanto você faz parecer.
E eu sei que você é tão frágil quanto eu, mas você não é tão selvagem, você não deve estar tão fora do mundo quanto eu me sinto agora, quando tudo gira, você pelo menos tem o seu trabalho, você parece ter alguma mínima idéia; eu não sei, eu sei o que eu estou fazendo, mas eu não sei mais por que, eu não sei por que eu não me atiro contra as coisas, eu quero ser uma força da natureza, eu quero ter aquele tipo de poder que faz com que você veja as coisas, mas no momento eu não tenho nada, só essa vontade louca, e uma necessidade absurda de pedir ajuda, mas eu nem sei, eu nunca soube por onde começar. E por que eu não consigo ir até você e te pedir ajuda? Por que eu não consigo simplesmente me abrir e chorar e gritar e pedir por favor pra me mostrar aonde eu estou fazendo certo?
Eu não sei, eu acho — hoje quando veio aquela história da mancha de óleo no golfo do México eu entrei num desespêro tão grande que eu quis explodir, e depois uma impotência tão grande que eu quis me esconder, e eu acho que você entende, eu quero acreditar que você entende porque às vezes eu me encolho e fico muda e não consigo falar nada, porque às vezes eu danço sozinha, porque às vezes eu durmo pra não ter que pensar e depois eu acho muito difícil acordar porque parece que a minha vida é só uma coisinha insignificante num mundo onde coisas horríveis acontecem. E tem dias, como hoje, em que eu estou só tentando esquecer, tentando me distrair, porque hoje eu não tenho aquelas pessoas (aqueles) que fazem todas as coisas nas quais eu em geral penso parecerem menos avassaladoras, e hoje eu só consegui pensar que talvez eu seja dependente de estar encantada por uma pá de gentes e quando nenhuma dessas gentes está na cidade por mais que eu esteja com gente que eu amo muito e que eu adoro todas as coisas difíceis se tornam mais difíceis e todas as coisas fáceis parecem meio difíceis também.
E eu penso por que eu não disse isso, por que eu só me encolhi e fui escrever e resolvi dormir (dormir pra esquecer) por que quando eu estava bebendo eu estava pensando quem sabe se eu beber, eu estava pensando em ficar um pouco menos consciente, enquanto a gente discutia casamento eu ria porque eu por um lado estava feliz por outro lado não havia nada, havia um nada, um vazio imenso, uma quantidade muito grande de mêdos entre eu e você.
Eu não sei como começar; eu deveria falar antes das coisas que eu amo, de Minas, das Árvores, do sol, do Mar, do vôo da coruja, das capivaras e preás, do vento quando eu abro os braços descendo uma ladeira de bicicleta, do vento no rosto quando eu estou no topo do mundo, do vento antes da tempestade, das Pedras que são o mais próximo que eu fui de Deus, do vento que infla as velas, de andar de moto, do cheiro dos pêlos dos gatos, dos olhos dos cavalos e das cabras, do pôr do sol, de Minas, da minha alma? E será que daí devo passar ao que me apavora, às mortes aos milhares de criaturas diversas, da devastação, da possibilidade de um dia não haverem mais árvores centenárias? Eu não sei se vocês entendem, como eu sei que você entende, o que eu senti hoje de manhã quando falamos sobre o petróleo, o que eu sinto toda vez quando eu vejo um pequeno pássaro ferido. Não é tanto a dor da dor do pássaro, que já é imensa, é também a dor de saber que não posso fazer nada, que ele vai morrer e eu não sei sequer o seu nome, o que ele come, onde ele vive. Aliás, o que eu senti quando eu vi Avatar e eu vi aquela árvore Father Tree desabando e eu me encolhi na poltrona; eu não queria ver aquilo, eu não queria sentir aquilo, aquela dor sem tamanho, não importa se é ficção, eu sou dessas pessoas que choram; aliás, eu acho que é isso, essa dor avassaladora que eu sinto quando eu sou o Barbárvore e eu vejo a planície desolada e o único som que pode descrever a minha dor é o urro assolado de dentro do meu corpo de árvore, é o urro assolado da ira de todas as florestas do mundo — eu sou aquele urro. "Tudo tem seu valor, e cada um contribui para o valor dos outros. Mas os kelvar podem fugir ou se defender, ao passo que os olvar que crescem, não. E, entre estes, prezo mais as árvores.
Às vezes eu acho que daqui a cinqüenta anos eu ainda vou estar me perguntando porque eu não fui estudar bichinhos e plantinhas. E às vezes eu odeio esse pensamento.
A pergunta mais importante é se tudo o que temos em comum (inclusive essa dor das coisas que temos em comum) é base suficiente pra eu conseguir te explicar as minhas outras dores. Te explicar o meu nervoso e aquelas coisas que eu só falo aos pedaços para alguns poucos homens com quem minha alma por acaso se encontra. Aquelas coisas sobre as quais eu não vou falar, porque é fácil falar de árvores mas não é fácil falar daquelas coisas que não têm tanto a ver com árvores. Aquelas coisas que...
Mas não. Não, chega!
Eu te amo, eu queria dizer, e eu confiaria a minha vida a você, mas será que você saberia o que fazer com ela? É o que eu pergunto. Por que eu não posso simplesmente ir até você e contar tudo, me abrir — você entenderia, ou pelo menos acho que você entenderia que mesmo quando eu estivesse errada não seria sem um bom motivo. Eu me pergunto por que eu não posso contar a ninguém, por que dói, por que eu me sinto tão sozinha quando estou tentando viver a vida normalmente e nada no meu universo parece se encaixar tão bem quanto você faz parecer.
E eu sei que você é tão frágil quanto eu, mas você não é tão selvagem, você não deve estar tão fora do mundo quanto eu me sinto agora, quando tudo gira, você pelo menos tem o seu trabalho, você parece ter alguma mínima idéia; eu não sei, eu sei o que eu estou fazendo, mas eu não sei mais por que, eu não sei por que eu não me atiro contra as coisas, eu quero ser uma força da natureza, eu quero ter aquele tipo de poder que faz com que você veja as coisas, mas no momento eu não tenho nada, só essa vontade louca, e uma necessidade absurda de pedir ajuda, mas eu nem sei, eu nunca soube por onde começar. E por que eu não consigo ir até você e te pedir ajuda? Por que eu não consigo simplesmente me abrir e chorar e gritar e pedir por favor pra me mostrar aonde eu estou fazendo certo?
Eu não sei, eu acho — hoje quando veio aquela história da mancha de óleo no golfo do México eu entrei num desespêro tão grande que eu quis explodir, e depois uma impotência tão grande que eu quis me esconder, e eu acho que você entende, eu quero acreditar que você entende porque às vezes eu me encolho e fico muda e não consigo falar nada, porque às vezes eu danço sozinha, porque às vezes eu durmo pra não ter que pensar e depois eu acho muito difícil acordar porque parece que a minha vida é só uma coisinha insignificante num mundo onde coisas horríveis acontecem. E tem dias, como hoje, em que eu estou só tentando esquecer, tentando me distrair, porque hoje eu não tenho aquelas pessoas (aqueles) que fazem todas as coisas nas quais eu em geral penso parecerem menos avassaladoras, e hoje eu só consegui pensar que talvez eu seja dependente de estar encantada por uma pá de gentes e quando nenhuma dessas gentes está na cidade por mais que eu esteja com gente que eu amo muito e que eu adoro todas as coisas difíceis se tornam mais difíceis e todas as coisas fáceis parecem meio difíceis também.
E eu penso por que eu não disse isso, por que eu só me encolhi e fui escrever e resolvi dormir (dormir pra esquecer) por que quando eu estava bebendo eu estava pensando quem sabe se eu beber, eu estava pensando em ficar um pouco menos consciente, enquanto a gente discutia casamento eu ria porque eu por um lado estava feliz por outro lado não havia nada, havia um nada, um vazio imenso, uma quantidade muito grande de mêdos entre eu e você.
Eu não sei como começar; eu deveria falar antes das coisas que eu amo, de Minas, das Árvores, do sol, do Mar, do vôo da coruja, das capivaras e preás, do vento quando eu abro os braços descendo uma ladeira de bicicleta, do vento no rosto quando eu estou no topo do mundo, do vento antes da tempestade, das Pedras que são o mais próximo que eu fui de Deus, do vento que infla as velas, de andar de moto, do cheiro dos pêlos dos gatos, dos olhos dos cavalos e das cabras, do pôr do sol, de Minas, da minha alma? E será que daí devo passar ao que me apavora, às mortes aos milhares de criaturas diversas, da devastação, da possibilidade de um dia não haverem mais árvores centenárias? Eu não sei se vocês entendem, como eu sei que você entende, o que eu senti hoje de manhã quando falamos sobre o petróleo, o que eu sinto toda vez quando eu vejo um pequeno pássaro ferido. Não é tanto a dor da dor do pássaro, que já é imensa, é também a dor de saber que não posso fazer nada, que ele vai morrer e eu não sei sequer o seu nome, o que ele come, onde ele vive. Aliás, o que eu senti quando eu vi Avatar e eu vi aquela árvore Father Tree desabando e eu me encolhi na poltrona; eu não queria ver aquilo, eu não queria sentir aquilo, aquela dor sem tamanho, não importa se é ficção, eu sou dessas pessoas que choram; aliás, eu acho que é isso, essa dor avassaladora que eu sinto quando eu sou o Barbárvore e eu vejo a planície desolada e o único som que pode descrever a minha dor é o urro assolado de dentro do meu corpo de árvore, é o urro assolado da ira de todas as florestas do mundo — eu sou aquele urro. "Tudo tem seu valor, e cada um contribui para o valor dos outros. Mas os kelvar podem fugir ou se defender, ao passo que os olvar que crescem, não. E, entre estes, prezo mais as árvores.
Às vezes eu acho que daqui a cinqüenta anos eu ainda vou estar me perguntando porque eu não fui estudar bichinhos e plantinhas. E às vezes eu odeio esse pensamento.
A pergunta mais importante é se tudo o que temos em comum (inclusive essa dor das coisas que temos em comum) é base suficiente pra eu conseguir te explicar as minhas outras dores. Te explicar o meu nervoso e aquelas coisas que eu só falo aos pedaços para alguns poucos homens com quem minha alma por acaso se encontra. Aquelas coisas sobre as quais eu não vou falar, porque é fácil falar de árvores mas não é fácil falar daquelas coisas que não têm tanto a ver com árvores. Aquelas coisas que...
Mas não. Não, chega!
quinta-feira, 29 de abril de 2010
A Day in The Life
Acordo em algum momento entre as seis e as dez, corro pra aula, saio da aula e vou programar, paro pro almoço e volto a programar, faço uma pausa as seis da tarde quando meu corpo doi, volto pra sala da rede, minha vida e isso, penso em voce, canto uma musica, sinto fome, estou sozinha, estou contigo, estou buscando alguma coisa alem, estou pensando, estou lendo.
terça-feira, 27 de abril de 2010
Eu quero.
Eu quero dizer alguma coisa.
Não sei bem o quê.
Que eu me arrependo dos meus erros?
Que eu não aguentaria o tranco de um curso realmente fodido?
Que eu me sinto indigna de todas as esperanças que eu tive pra mim mesma?
Que eu sinto raiva dos meus erros idiotas do passado?
Não.
Nada disso expressa.
Eu queria é merecer a sua amizade.
Chamar a sua atenção.
Eu queria saber quem você é, sabe?
Às vezes acontece de a gente se sentir muito mal com algo que a gente fez no passado porque nossa visão de mundo muda.
Eu queria ter prestado mais atenção em algumas pessoas.
Você tem algo dentro de você, algo que me chama a atenção.
Eu queria chegar mais perto e olhar o que é.
Eu queria saber no que você pensa quando ninguém está te julgando.
Acho que eu devia estar fazendo EP agora também.
Não sei bem o quê.
Que eu me arrependo dos meus erros?
Que eu não aguentaria o tranco de um curso realmente fodido?
Que eu me sinto indigna de todas as esperanças que eu tive pra mim mesma?
Que eu sinto raiva dos meus erros idiotas do passado?
Não.
Nada disso expressa.
Eu queria é merecer a sua amizade.
Chamar a sua atenção.
Eu queria saber quem você é, sabe?
Às vezes acontece de a gente se sentir muito mal com algo que a gente fez no passado porque nossa visão de mundo muda.
Eu queria ter prestado mais atenção em algumas pessoas.
Você tem algo dentro de você, algo que me chama a atenção.
Eu queria chegar mais perto e olhar o que é.
Eu queria saber no que você pensa quando ninguém está te julgando.
Acho que eu devia estar fazendo EP agora também.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Poema de Amor para o Meu Melhor Amigo.
Eu nunca escrevi um poema de amor para o Diogo. Isso sempre me incomodou um pouco. Eu escrevi tantos quatorze mil poemas para Yuri, Artur, Charles, Carlos, Miguel, Pedro, Bruno, Luís, Gabi, Bia, Victor, outro Bruno, Camilla, Ana, e provavelmente outros dos quais eu não me lembro... (pensando bem, eu nunca escrevi um poema pro Ugo também).
Eu escrevo sempre tanto, mas o Diogo só esteve em dois poemas meus: um sobre os sonhos (o sonho que eu tive com ele foi o mais direto, o "como a realidade") e um... um que eu escrevi quando eu não queria namorar de jeito nenhum, mas cara, como ele me atraía, à revelia das minhas decisões... O poema é estúpido demais pra postar aqui, neste contesto, mas o refrão dele era "You're just another man".
Então... eu me esforcei pra caramba e consegui escrever isso aqui:
Eu, que derivo por sobre águas fulvas
Me distraindo com lembranças turvas
Retorno à vida ao percorrer tuas curvas
Que a tua pele é qual tirar as luvas
E ao te tocar, eu encontro teus calos
Devo feri-los ou devo poupá-lo?
Verei o fogo atrás desse anteparo
Se eu te tocar, arrancarei o halo?
Isso não parece ser para o Diogo, apesar de eu saber que essa foi a minha idéia original. Eu não sei no que estava pensando quando escrevi isso... (tá, mentira, é óbvio no que eu estava pensando)... Mas eu vou fingir que isso não importa. Eu vou fingir que tudo bem, e terminar o poema, quase um ano depois. Assim:
Mas há tanta ternura em teu sorriso
Que quando eu ouço o timbre do teu riso
Não posso mais conter minha loucura:
De te agarrar com um abraço forte
E devagar, numa pequena morte
Dilacerar-te na fome que cura
...
É isso.
Acho que não é muito sutil, né?
Estou um pouco embaraçada, então vou deixá-los a sós e... Bom, é isso, eu vou embora.
Eu escrevo sempre tanto, mas o Diogo só esteve em dois poemas meus: um sobre os sonhos (o sonho que eu tive com ele foi o mais direto, o "como a realidade") e um... um que eu escrevi quando eu não queria namorar de jeito nenhum, mas cara, como ele me atraía, à revelia das minhas decisões... O poema é estúpido demais pra postar aqui, neste contesto, mas o refrão dele era "You're just another man".
Então... eu me esforcei pra caramba e consegui escrever isso aqui:
Eu, que derivo por sobre águas fulvas
Me distraindo com lembranças turvas
Retorno à vida ao percorrer tuas curvas
Que a tua pele é qual tirar as luvas
E ao te tocar, eu encontro teus calos
Devo feri-los ou devo poupá-lo?
Verei o fogo atrás desse anteparo
Se eu te tocar, arrancarei o halo?
Isso não parece ser para o Diogo, apesar de eu saber que essa foi a minha idéia original. Eu não sei no que estava pensando quando escrevi isso... (tá, mentira, é óbvio no que eu estava pensando)... Mas eu vou fingir que isso não importa. Eu vou fingir que tudo bem, e terminar o poema, quase um ano depois. Assim:
Mas há tanta ternura em teu sorriso
Que quando eu ouço o timbre do teu riso
Não posso mais conter minha loucura:
De te agarrar com um abraço forte
E devagar, numa pequena morte
Dilacerar-te na fome que cura
...
É isso.
Acho que não é muito sutil, né?
Estou um pouco embaraçada, então vou deixá-los a sós e... Bom, é isso, eu vou embora.
Coisas que eu absolutamente não entendo
Este é um post sobre coisas que estào erradas. Coisas com as quais eu discordo. Eu estou querendo falar isto há muito tempo.
Mas pô, gente, sexo não é sobre ficar se vendendo para que a pessoa de quem você gosta (não estou nem falando de amor) sinta prazer. Sexo não é sobre alcançar o preço mais alto no leilão dos corpos. Sexo é o tipo de coisa que só faz sentido quando se conquista junto. É o tipo de prazer que vem do devorar mútuo, do querer engolir o outro por todas as partes do corpo. Como alguém pode querer ser passivo, ser comido?
Abstratamente eu até vejo uma explicação, mas não consigo entender de verdade qual o sentido de se comprazer em se submeter a outra pessoa, de se permitir ser usado; como isso pode ser bom?
Aliás, antes que a discussão comece, quero acrescentar que eu percebo que minha revolta não se estende muito convictamente ao mesmo comportamento por parte dos homens gays. Eu me pergunto se é só o meu feminismo que não me permite aceitar a mulher submissa, enquanto o homem submisso ainda me parece suficientemente viril. Aliás um homem que quer ser dominado ainda é só um homem; uma mulher que quer ser domada me parece menos que uma mulher. Como eu detesto meus preconceitos! Como me causa nojo tudo o que eu penso sobre as diferenças entre os sexos no sexo! Preciso me livrar disso, mas não sei como. Me ajudam?
Mas não quero me livrar da minha repulsa inicial: não acho que as pessoas deveriam ficar se dando por aí como num buffet.
No final do meu segundo namoro eu queria passar uns quatro anos sem namorar porque já tinha passado quase cinco anos tentando administrar esse negócio de gostar de vários caras e só poder ficar com um (aliás não só caras). Eu tinha namorado quase sem pausa pelos quase quatro anos antes e eu entendia muito bem como aquilo funcionava: como namoro era bom, como era bom confiar, como era bom ter ele só pra mim, como na verdade ele nunca era só pra mim, como eu queria outras coisas, mas evitava chegar perto da tentação pra não me queimar demais e acabar cedendo, como a culpa me dilacerava mesmo eu sendo plenamente fiel (por fora), como perto nunca era perto demais mas freqüentemente longe também não era longe demais. Como era incrivelmente doloroso tudo isso, ficar atando o amor a essas coisas tão desnecessárias! Por que a opção não podia ser minha?! Por que a opção de ser fiel não era inteiramente minha?
Quanta coisa a gente faz por mêdo quando ama alguém e acha que tem que seguir um monte de regras só por causa disso. Não entendo esse namoro baseado em regras que supõe-se proteger o amor mas no fundo só o acorrentam. Prefiro esse namoro mais descansado que tenho com o Di: esse que tem poucas regras, na verdade só uma: de ser sincero, de confiar, de falar tudo e de, se um dia não der mais, avisar antes. Nunca trair, não com o coração. Não ter mêdo. É tão fácil não ter ciúmes. É só confiar em si mesmo. Por tanto tempo eu me condenei por nunca conseguir dar aos homens que eu amo a confiança de eu realmente os amo mais que tudo, mas: às vezes é só uma questão de você ser meu melhor amigo. Abra os braços, eu vou te dar tudo o que eu tenho. Eu vou te dar todo o meu coração, mas escuta, não tem só você dentro dele. Eu amo demais. Não patològicamente demais, mas com certeza demais para as suas ridículas convenções sociais, seus mêdos. E distraidamente demais. Hoje (hoje agora) eu não tenho nenhuma culpa, pelo menos não em relação a meu namorado.
Teve um dia (é importante citar) que eu estava num banco com vários amigos e um cara de quem eu gostava demais, desses que fazem seu coração derreter completamente. E eu estava conversando com ele, derretida, e o Diogo chegou e... Olha, naquela semana eu queria nem mais estar com ele, eu achava que tinha passado, que era só uma pequena paixão, mas quando eu o vi, eu entendi tudo, eu pulei para os braços dele e olhei de volta para o cara, mirei "desculpa", naquele dia eu entendi o que eu estava fazendo, o que eu podia ser se eu conseguisse olhar para o lado certo. Eu abracei o Diogo e eu poderia afogá-lo de amor, e eu entendi quão maravilhoso é não ter regras, não ter culpa, saber que eu não ia me distrair e deixar ele de lado porque cada segundo que eu passasse com outro cara ia ser um segundo a menos pra passar com ele, e eu queria todos os meus segundos. Eu sabia que ia ter tempo e que eventualmente eu ia estar numa festa ou numa viagem e que eu ia querer outras coisas, e que talvez acontecesse um dia de eu querer passar uns dias longe dele, mas eu soube naquela hora, com uma alegria que quase me afogou, que dali em diante a minha felicidade era responsabilidade minha, e que eu podia não ter que me obrigar a nada: porque se eu não tivesse mêdo, ele também não teria, e cada segundo em que a gente estivesse separado seria pra viver algo que nos tornaria maiores depois. Eu nunca tinha sentido tanta liberdade, tanta responsabilidade. Eu nunca achei que eu ia me sentir plenamente feliz por me conter, por sacrificar algumas opções boas. Simplesmente saber que os meus motivos para isso não eram idiotas foi... UAU!
Sabe, neste blog eu estou sempre convidando vocês a olharem o mundo pelos meus olhos. Então agora vejam isto:
E se não existissem regras, e todas as decisões certas que você tomou fossem plenamente de sua responsabilidade? E se não houvesse uma burocracia pra você xingar, e toda vez que você cometesse um erro você pudesse se prometer acertar da próxima vez?
É assim que eu me sinto com ele. Eu me sinto feliz, e absolutamente confortável, e quando eu venho confessar alguma coisa pra ele, não é porque eu estou tentando ser fiel, mas porque ele é o meu melhor amigo.
Garotas que querem "dar"
Em primeiro lugar, eu tenho que dizer que eu não entendo gente que diz que quer dar pra alguém. Eu entendo falar que quer transar, que quer comer, que quer pegar; até que quer fuder. Mas DAR? Dar o quê, aliás? Toda vez que alguém diz isso, fica parecendo que você considera seu corpo um bem material, um objeto que você oferece e espera que o cara aceite. O pior é quando uma mina diz "eu daria pra ele". Sério mesmo? Você não acha que fica parecendo que você está ali com a buceta nas mãos esperando que o cara te note e venha te provar como num buffet? Você não se sente uma coisa de se comer quando você diz isso? Você não acha que você está só se oferecendo, enquanto deixa para o cara a função de escolher que garota ele acha mais apetitosa? Quando você diz que quer dar pra alguém, você está dizendo que quer se oferecer para o prazer daquela pessoa.Mas pô, gente, sexo não é sobre ficar se vendendo para que a pessoa de quem você gosta (não estou nem falando de amor) sinta prazer. Sexo não é sobre alcançar o preço mais alto no leilão dos corpos. Sexo é o tipo de coisa que só faz sentido quando se conquista junto. É o tipo de prazer que vem do devorar mútuo, do querer engolir o outro por todas as partes do corpo. Como alguém pode querer ser passivo, ser comido?
Abstratamente eu até vejo uma explicação, mas não consigo entender de verdade qual o sentido de se comprazer em se submeter a outra pessoa, de se permitir ser usado; como isso pode ser bom?
Aliás, antes que a discussão comece, quero acrescentar que eu percebo que minha revolta não se estende muito convictamente ao mesmo comportamento por parte dos homens gays. Eu me pergunto se é só o meu feminismo que não me permite aceitar a mulher submissa, enquanto o homem submisso ainda me parece suficientemente viril. Aliás um homem que quer ser dominado ainda é só um homem; uma mulher que quer ser domada me parece menos que uma mulher. Como eu detesto meus preconceitos! Como me causa nojo tudo o que eu penso sobre as diferenças entre os sexos no sexo! Preciso me livrar disso, mas não sei como. Me ajudam?
Mas não quero me livrar da minha repulsa inicial: não acho que as pessoas deveriam ficar se dando por aí como num buffet.
Namoros cheios de ciúmes
A segunda coisa que eu não entendo é esse negócio de namoro. Eu já fiz parte de alguns e mesmo assim não entendi. No final do meu segundo namoro eu tinha chegado à conclusão de que não queria mais namorar. Puta trampo isso de ficar se sacrificando, se contendo, tentando agradar, se submetendo aos prazeres do seu amor. Amor não deveria ser uma aventura a dois? Não deveria ser uma coisa espontânea, que debocha das convenções?No final do meu segundo namoro eu queria passar uns quatro anos sem namorar porque já tinha passado quase cinco anos tentando administrar esse negócio de gostar de vários caras e só poder ficar com um (aliás não só caras). Eu tinha namorado quase sem pausa pelos quase quatro anos antes e eu entendia muito bem como aquilo funcionava: como namoro era bom, como era bom confiar, como era bom ter ele só pra mim, como na verdade ele nunca era só pra mim, como eu queria outras coisas, mas evitava chegar perto da tentação pra não me queimar demais e acabar cedendo, como a culpa me dilacerava mesmo eu sendo plenamente fiel (por fora), como perto nunca era perto demais mas freqüentemente longe também não era longe demais. Como era incrivelmente doloroso tudo isso, ficar atando o amor a essas coisas tão desnecessárias! Por que a opção não podia ser minha?! Por que a opção de ser fiel não era inteiramente minha?
Quanta coisa a gente faz por mêdo quando ama alguém e acha que tem que seguir um monte de regras só por causa disso. Não entendo esse namoro baseado em regras que supõe-se proteger o amor mas no fundo só o acorrentam. Prefiro esse namoro mais descansado que tenho com o Di: esse que tem poucas regras, na verdade só uma: de ser sincero, de confiar, de falar tudo e de, se um dia não der mais, avisar antes. Nunca trair, não com o coração. Não ter mêdo. É tão fácil não ter ciúmes. É só confiar em si mesmo. Por tanto tempo eu me condenei por nunca conseguir dar aos homens que eu amo a confiança de eu realmente os amo mais que tudo, mas: às vezes é só uma questão de você ser meu melhor amigo. Abra os braços, eu vou te dar tudo o que eu tenho. Eu vou te dar todo o meu coração, mas escuta, não tem só você dentro dele. Eu amo demais. Não patològicamente demais, mas com certeza demais para as suas ridículas convenções sociais, seus mêdos. E distraidamente demais. Hoje (hoje agora) eu não tenho nenhuma culpa, pelo menos não em relação a meu namorado.
Teve um dia (é importante citar) que eu estava num banco com vários amigos e um cara de quem eu gostava demais, desses que fazem seu coração derreter completamente. E eu estava conversando com ele, derretida, e o Diogo chegou e... Olha, naquela semana eu queria nem mais estar com ele, eu achava que tinha passado, que era só uma pequena paixão, mas quando eu o vi, eu entendi tudo, eu pulei para os braços dele e olhei de volta para o cara, mirei "desculpa", naquele dia eu entendi o que eu estava fazendo, o que eu podia ser se eu conseguisse olhar para o lado certo. Eu abracei o Diogo e eu poderia afogá-lo de amor, e eu entendi quão maravilhoso é não ter regras, não ter culpa, saber que eu não ia me distrair e deixar ele de lado porque cada segundo que eu passasse com outro cara ia ser um segundo a menos pra passar com ele, e eu queria todos os meus segundos. Eu sabia que ia ter tempo e que eventualmente eu ia estar numa festa ou numa viagem e que eu ia querer outras coisas, e que talvez acontecesse um dia de eu querer passar uns dias longe dele, mas eu soube naquela hora, com uma alegria que quase me afogou, que dali em diante a minha felicidade era responsabilidade minha, e que eu podia não ter que me obrigar a nada: porque se eu não tivesse mêdo, ele também não teria, e cada segundo em que a gente estivesse separado seria pra viver algo que nos tornaria maiores depois. Eu nunca tinha sentido tanta liberdade, tanta responsabilidade. Eu nunca achei que eu ia me sentir plenamente feliz por me conter, por sacrificar algumas opções boas. Simplesmente saber que os meus motivos para isso não eram idiotas foi... UAU!
Sabe, neste blog eu estou sempre convidando vocês a olharem o mundo pelos meus olhos. Então agora vejam isto:
E se não existissem regras, e todas as decisões certas que você tomou fossem plenamente de sua responsabilidade? E se não houvesse uma burocracia pra você xingar, e toda vez que você cometesse um erro você pudesse se prometer acertar da próxima vez?
É assim que eu me sinto com ele. Eu me sinto feliz, e absolutamente confortável, e quando eu venho confessar alguma coisa pra ele, não é porque eu estou tentando ser fiel, mas porque ele é o meu melhor amigo.
sábado, 24 de abril de 2010
Uma Puta Semana Dahora
Se eu olhar com olhos otimistas, foi sim. Pra começar o fim de semana foi incrível! Eu não sentia tanto prazer em wakear fazia muito tempo! E eu rio pra caramba com Friends tb. E é bastante tranqüilo passar um fim de semana em Ibiúna com o Ugo. Até conseguimos encontrar algumas explicações pra gente se dar tão bem. Uma ou duas, talvez não o suficiente.
Depois eu realmente me diverti domingo. Não sabia que tv de madrugada podia ser tão divertido. Eu teria ficado louca sem aquilo. E... Bem, há tanta coisa pra se dizer. Mas eu quero falar só das melhores coisas!
Eu consegui a matrícula em Estrutura de Dados, e, embora eu tenha perdido uma prova dessa matéria, isso me faz instensamente feliz. Não é possível que eu não consiga fazer esses tipo 12 créditos a que me propus. Eu vou dar um jeito. Eu estou mais confiante do que nunca estive.
E já falei de como a festa da Ixa foi o máximo?! A cara dela quando a gente pulou e gritou "Surpresa! Jogo! Êêêê!" Hahahahaha! Conversamos sobre mil coisas e foi tudo muito divertido, eu não me lembrava de como aquele grupo de pessoas podia ser legal (técnicamente, foi a primeira vez que aquela configuração específica de pessoas se reuniu). Eu só queria ter estado com menos sono.
Teve um momento nessa festa em que eu olhei ao redor e percebi o quão intensamente eu amava aquelas pessoas. Não como quando eu me apaixonei por cada uma delas, quando eu passava o dia pensando nelas e pensando em formas de nos aproximarmos. Dessa vez foi aquele amor que só deseja o bem ao próximo, que deseja que possamos rir juntos mais vezes. Eu queria sentir isso por todo mundo. Pra mim é isso que é ter um amigo.
Então eu fui até a Ixa e a abracei. Eu precisava que ela soubesse que eu gosto dela de verdade de verdade. Que eu queria que ela sentisse de verdade o quanto a gente queria dar de aniversário pra ela a felicidade de ter bons amigos.
Mesmo que semana retrasada eu quisesse xingar e dizer porra larga do meu pé, eu quero sair com outras pessoas de vez em quando, quando eu escolho encontrar essas pessoas eu escolho de verdade. Eu me diverti infinito.
Quinta teve muita coisa boa, eu estava já me sentindo bem pior mas consegui notícias boas que me fizeram pular de alegria, resolvi uns problemas que estavam consumindo toda a minha energia, e além disso o almoço com o Tássio foi legal — eu sempre me surpreendo com as coisas que temos em comum, e as diferenças gritantes do outro lado.
Ele me lembrou de uma outra alegria de escrever: essa que as palavras nos dão quando escolhem trabalhar com a gente para criar algo bonito. Eu lembrei de como eu queria escrever livros infantis e livros de poemas para celebrar a beleza das palavras.
Havia uma árvore incrível em cima de mim.
Também foi um dia de mudança e descoberta.
Finalmente, assistimos Dr. Horrible SingAlong Blog e demos umas risadas. A aula de Estatística, com meu professor gaúcho fantástico, não foi nada ruim também.
— Fatorial de menos-um é que nem gaúcho viado: não existe! Agora deixa eu pegar esse rosa macho... Não é qualquer rosa, não... pra escrever a conclusão...
E outra coisa também: estou começando a me entender com a minha Lôba. Por enquanto só o que consigo é alternar uma agressividade intensa com uma calma quanse depressiva, mas em um ou outro momento eu consigo algo mais... Algo como a Criadora.
Preciso me estender mais nesse assunto.
Quem sabe em outro post.
Depois eu realmente me diverti domingo. Não sabia que tv de madrugada podia ser tão divertido. Eu teria ficado louca sem aquilo. E... Bem, há tanta coisa pra se dizer. Mas eu quero falar só das melhores coisas!
Eu consegui a matrícula em Estrutura de Dados, e, embora eu tenha perdido uma prova dessa matéria, isso me faz instensamente feliz. Não é possível que eu não consiga fazer esses tipo 12 créditos a que me propus. Eu vou dar um jeito. Eu estou mais confiante do que nunca estive.
E já falei de como a festa da Ixa foi o máximo?! A cara dela quando a gente pulou e gritou "Surpresa! Jogo! Êêêê!" Hahahahaha! Conversamos sobre mil coisas e foi tudo muito divertido, eu não me lembrava de como aquele grupo de pessoas podia ser legal (técnicamente, foi a primeira vez que aquela configuração específica de pessoas se reuniu). Eu só queria ter estado com menos sono.
Teve um momento nessa festa em que eu olhei ao redor e percebi o quão intensamente eu amava aquelas pessoas. Não como quando eu me apaixonei por cada uma delas, quando eu passava o dia pensando nelas e pensando em formas de nos aproximarmos. Dessa vez foi aquele amor que só deseja o bem ao próximo, que deseja que possamos rir juntos mais vezes. Eu queria sentir isso por todo mundo. Pra mim é isso que é ter um amigo.
Então eu fui até a Ixa e a abracei. Eu precisava que ela soubesse que eu gosto dela de verdade de verdade. Que eu queria que ela sentisse de verdade o quanto a gente queria dar de aniversário pra ela a felicidade de ter bons amigos.
Mesmo que semana retrasada eu quisesse xingar e dizer porra larga do meu pé, eu quero sair com outras pessoas de vez em quando, quando eu escolho encontrar essas pessoas eu escolho de verdade. Eu me diverti infinito.
Quinta teve muita coisa boa, eu estava já me sentindo bem pior mas consegui notícias boas que me fizeram pular de alegria, resolvi uns problemas que estavam consumindo toda a minha energia, e além disso o almoço com o Tássio foi legal — eu sempre me surpreendo com as coisas que temos em comum, e as diferenças gritantes do outro lado.
Ele me lembrou de uma outra alegria de escrever: essa que as palavras nos dão quando escolhem trabalhar com a gente para criar algo bonito. Eu lembrei de como eu queria escrever livros infantis e livros de poemas para celebrar a beleza das palavras.
Havia uma árvore incrível em cima de mim.
Também foi um dia de mudança e descoberta.
Finalmente, assistimos Dr. Horrible SingAlong Blog e demos umas risadas. A aula de Estatística, com meu professor gaúcho fantástico, não foi nada ruim também.
— Fatorial de menos-um é que nem gaúcho viado: não existe! Agora deixa eu pegar esse rosa macho... Não é qualquer rosa, não... pra escrever a conclusão...
E outra coisa também: estou começando a me entender com a minha Lôba. Por enquanto só o que consigo é alternar uma agressividade intensa com uma calma quanse depressiva, mas em um ou outro momento eu consigo algo mais... Algo como a Criadora.
Preciso me estender mais nesse assunto.
Quem sabe em outro post.
Dormir ou escrever?
Eu quero desabafar, eu acho.
Mas desabafar o quê?
Não estou sofrendo de amor, não estou brigando com ninguém.
Eu sei lá.
Eu queria estar lá fora, bebendo num bar com uns amigos, mas não.
Eu não poderia movimentar tantas peças pra depois ficar me contorcendo num canto, me sentindo enjoada e cansada.
Não sei como não bati o carro (aliás acho que quase bati o carro).
Não sei como me deixaram dirigir.
Olho pras coisas e não entendo nada.
Se pá a vida passa muito depressa e eu me distraio com uma borboleta e quando me dou conta perdi o fio da meada.
Estranho como a vida passa depressa e toda vez que algo novo acontece eu sinto como se cada vez menos fosse a minha vida.
Mas de que me importa de quem é esta vida? Eu estou vivendo, as coisas acontecem, as coisas mudam, é só isso.
Pequenas chaves estão mudando do impossível para o possível, com freqüência.
Algumas coisas mudam de importância.
Qual será a próxima surpresa?
Às vezes eu me surpreendo tanto com uma coisa que acontece que não consigo lembrar direito do que aconteceu a menos que eu pare pra pensar.
A sensação é essa: se isso não aconteceu, então como eu posso ter essas lembranças?
Ou então (depois de um tempo) aquilo vira tão natural que tudo o que acontecia antes parece bizarro.
Você se lembra de mamãe vestindo suas meias? Eu sim. Eu lembro.
Talvez os dias anteriores tenham sido tão bizarros que este dia relativamente normal me pareceu totalmente estranho.
Ou talvez tenha sido um dia estranho mesmo, dada toda a espera, a fome, meu corpo se recusando a fazer o que deveria, o Alex indo com a gente pro CM, o Dr. Horrible, a minha inesperada disposição para romper a sutileza, etc.
Se: e se?
Eu não sei, eu não quero ter mêdo, mas sempre tem alguma coisa.
Eu queria que as coisas de repente estalassem e começassem a fazer sentido.
Tudo parece tão certo e tão errado.
Eu deito na cama e vem aquele monte de dúvidas (que a gente tem quando trabalha como artista)
Talvez hoje tenha sido um dia estranho, ou talvez o dia tenha sido normal e eu tenha me cansado dessa normalidade. Tudo pode ser tão mais inexplicável. Tudo pode desaparecer. É fácil.
Não foi um dia ruim, tive momentos adoráveis, até me diverti. Mas sei lá. Alguns momentos foram mais incríveis que outros, mas alguns foram bem pouco interessantes.
Eu fiz tudo errado? Eu dei valor às coisas erradas? Eu me distraí?
Quem sou eu?
Mas desabafar o quê?
Não estou sofrendo de amor, não estou brigando com ninguém.
Eu sei lá.
Eu queria estar lá fora, bebendo num bar com uns amigos, mas não.
Eu não poderia movimentar tantas peças pra depois ficar me contorcendo num canto, me sentindo enjoada e cansada.
Não sei como não bati o carro (aliás acho que quase bati o carro).
Não sei como me deixaram dirigir.
Olho pras coisas e não entendo nada.
Se pá a vida passa muito depressa e eu me distraio com uma borboleta e quando me dou conta perdi o fio da meada.
Estranho como a vida passa depressa e toda vez que algo novo acontece eu sinto como se cada vez menos fosse a minha vida.
Mas de que me importa de quem é esta vida? Eu estou vivendo, as coisas acontecem, as coisas mudam, é só isso.
Pequenas chaves estão mudando do impossível para o possível, com freqüência.
Algumas coisas mudam de importância.
Qual será a próxima surpresa?
Às vezes eu me surpreendo tanto com uma coisa que acontece que não consigo lembrar direito do que aconteceu a menos que eu pare pra pensar.
A sensação é essa: se isso não aconteceu, então como eu posso ter essas lembranças?
Ou então (depois de um tempo) aquilo vira tão natural que tudo o que acontecia antes parece bizarro.
Você se lembra de mamãe vestindo suas meias? Eu sim. Eu lembro.
Talvez os dias anteriores tenham sido tão bizarros que este dia relativamente normal me pareceu totalmente estranho.
Ou talvez tenha sido um dia estranho mesmo, dada toda a espera, a fome, meu corpo se recusando a fazer o que deveria, o Alex indo com a gente pro CM, o Dr. Horrible, a minha inesperada disposição para romper a sutileza, etc.
Se: e se?
Eu não sei, eu não quero ter mêdo, mas sempre tem alguma coisa.
Eu queria que as coisas de repente estalassem e começassem a fazer sentido.
Tudo parece tão certo e tão errado.
Eu deito na cama e vem aquele monte de dúvidas (que a gente tem quando trabalha como artista)
Talvez hoje tenha sido um dia estranho, ou talvez o dia tenha sido normal e eu tenha me cansado dessa normalidade. Tudo pode ser tão mais inexplicável. Tudo pode desaparecer. É fácil.
Não foi um dia ruim, tive momentos adoráveis, até me diverti. Mas sei lá. Alguns momentos foram mais incríveis que outros, mas alguns foram bem pouco interessantes.
Eu fiz tudo errado? Eu dei valor às coisas erradas? Eu me distraí?
Quem sou eu?
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Isso doeu.
Eu não faço isso só por mim. Eu faço isso porque eu acredito. Pelo menos essa parte de mim não é hipócrita. Eu dei o que tinha que dar, eu pedi o que tinha que pedir. O resto são impossibilidades.
Alguns sonhos morrem antes de voar.
Quando o Jesus perguntou se eu trocaria minha vida pela de outra pessoa eu pensei "Sim! Eu poderia ser tão mais feliz se eu fosse outra pessoa!"; mas então eu pensei melhor e pensei que não. Isso é errado. Eu poderia talvez ser mais feliz, mas eu não quero ser feliz, eu quero ser eu. Se eu não for eu, ninguém mais será. Ninguém vai escrever meus livros, ninguém vai entoar meus uivos. Ninguém vai tocar minhas ávores e brincar com meu gato como eu brinco. Ninguém vai terminar os meus poemas. Ninguém vai se emocionar quando lê o nome de Raksha, ninguém vai abraçar os meus amigos exatamente da mesma forma que eu. Eu não faço isso pelo prazer, eu faço pela liberdade.
Eu quero saber qual é a essência da vida, e eu sei que não é abaixar a cabeça; eu sei que existe mais entre o tudo e o nada do que o que podemos ver quando ficamos parados. Eu...
Eu admito que sem sempre quero dizer o que digo. Mas minha alma está aqui; eu me esforço ao máximo para dizer o que me vai pela alma.
Eu não posso sempre ser boa, mas eu me esforço muito para retribuir a confiança que algumas pessoas têm em mim. Eu me esforço para estar à altura das pessoas que esperam algo de mim.
Eu também faço isso com uma paixão de explorador. Eu quero singrar os mares, conhecer novos povos. Estou disposta a largar algumas coisas por causa disso.
Mas, é claro: não estou disposta a abrir mão de amar.
É tudo uma questão de olhada no mundo.
Alguns sonhos morrem antes de voar.
Quando o Jesus perguntou se eu trocaria minha vida pela de outra pessoa eu pensei "Sim! Eu poderia ser tão mais feliz se eu fosse outra pessoa!"; mas então eu pensei melhor e pensei que não. Isso é errado. Eu poderia talvez ser mais feliz, mas eu não quero ser feliz, eu quero ser eu. Se eu não for eu, ninguém mais será. Ninguém vai escrever meus livros, ninguém vai entoar meus uivos. Ninguém vai tocar minhas ávores e brincar com meu gato como eu brinco. Ninguém vai terminar os meus poemas. Ninguém vai se emocionar quando lê o nome de Raksha, ninguém vai abraçar os meus amigos exatamente da mesma forma que eu. Eu não faço isso pelo prazer, eu faço pela liberdade.
Eu quero saber qual é a essência da vida, e eu sei que não é abaixar a cabeça; eu sei que existe mais entre o tudo e o nada do que o que podemos ver quando ficamos parados. Eu...
Eu admito que sem sempre quero dizer o que digo. Mas minha alma está aqui; eu me esforço ao máximo para dizer o que me vai pela alma.
Eu não posso sempre ser boa, mas eu me esforço muito para retribuir a confiança que algumas pessoas têm em mim. Eu me esforço para estar à altura das pessoas que esperam algo de mim.
Eu também faço isso com uma paixão de explorador. Eu quero singrar os mares, conhecer novos povos. Estou disposta a largar algumas coisas por causa disso.
Mas, é claro: não estou disposta a abrir mão de amar.
É tudo uma questão de olhada no mundo.
terça-feira, 20 de abril de 2010
Livro Um: Fera
"I was a wolfness in those dead days
and I thought only of mates and preys"
Eu não sei se é muito decente eu falar sobre o que aconteceu comigo nos últimos dias. Eu poderia guardar tudo pra mim, me contentar em escrever num diário, e quem sabe daqui a cinqüenta anos confessar para meus filhos que um dia eu me tornei uma fera...
É claro que eu não vou fazer isso. Eu nunca fiz. Pra mim, minha imagem pública não é tão importante quanto a comunicação. Mamãe talvez dissesse que eu poderia falar dessas coisas com meus amigos mais íntimos, mas será que eu teria coragem? Meus amigos mais íntimos são tão íntimos assim? Hell, há coisas que eu não consigo contar para pessoa alguma, não sem muito muito esforço. Ultimamente não tenho contado tudo nem ao Di, que era meu melhor amigo. É que há coisas dentro de mim que me deixam meio nervosa. Bom, ao assunto:
Descobri muitas coisas novas sobre mim estes dias. Por exemplo, descobri que eu não sou racional. Nada do que faço é derivado de uma conclusão racional. O máximo de racionalidade que eu consigo manter é: já que meus instintos estão pedindo tão intensamente por isso, o mais sensato é obedecer. Eu preciso de emoções, de intuições, para me dizer para onde ir. O pensamento define apenas o como.
Descobri também que eu posso ser outra coisa. Uma coisa que sente com os dentes, não com os olhos. Uma coisa que quer com os dentes, não com o estômago. Uma coisa que vê através de cheiros, que não vê céu, só carne. Uma coisa que tem olhos voltados para a frente para melhor perseguir a presa.
É incrível como de repente todas as coisas perderam a importância. Eu esqueci a prova de terça, eu esqueci o EP pra semana que vem. Eu esqueci a matéria que eu queria fazer e até a necessidade de subir em árvores — essa sim é a parte mais assustadora.
No domingo eu ainda conseguia querer desesperadamente velejar. No domingo à noite, nem o vento importava.
Eu fui uma lôba por quatro dias
Mordi o silêncio e cacei sozinha
Larguei minha mente e o meu dever
Meu celular também sempre escreve "quero te ter". Eu não escrevi nada nesses dias que não quisesse dizer quero te ter. Eu mordi o ar e engoli saliva tentando conter minha fome. Eu arreganhei os dentes quando você se aproximou... Eu rosnei, num anúncio, quando soube que te teria.
I was a wolfness again one day
I felt alive when I scented "prey"
My preys were trying to hunt me too...
But I'm no kill — I'm not for you
Este texto parece louco, mas não tão louco quanto eu me senti! Eu era uma fera! A god of old! They spoke of me, all tales told! Eu que me preocupo tanto com o céu e o chão, eu andei de cabeça erguida, sempre olhando e procurando, sempre à caça.
My claws were keen to cut
My teeth were keen to kill
And all the creatures great and small
Were subject to my will
Eu te assustei quando rosnei pra você? É o que eu me pergunto? Minhas lembranças estão um pouco confusa, porque toda a minha mente estava concentrada em um ponto só. Eu nunca soube que seria obcessiva. Eu me assustei com a minha fúria. Como todos os meus pensamentos continham as palavras Caça, Fome, Corpo, Dentes. Ah, é, estou falando sobre Sexo. É claro que é só por isso que eu não deveria estar escrevendo isto aqui. Não é educado falar tão abertamente sobre sexo. Mas como não falar?
As outras coisas da vida foram perdendo gradativamente a impôrtância. Primeiro desapareceu tudo o que era inteiramente intelectual, como os estudos. Em Ibiúna eu já estava plenamente dedicada às emoções físicas: ousei mais do que nunca no wakeboard e senti arrepios de alegria quando me agachei na prancha e pus a mão na água que passava rápida ao meu redor. Dirigi a lancha como um homem dirigindo um carro foda. Senti o peso da moto embaixo de mim. Bebi uma cuba livre e me assustei com o gosto do álcool, subitamente muito consciente do quanto eu precisava me controlar. Dancei. Sequer me incomodei com as insinuações dos mais velhos sobre nós. Eu estava cedendo cada vez mais aos instintos, e a qualquer momento qualquer coisa podia ser verdade. Olhando pra trás, é incrível como eu estava me comportando bem.
Quando cheguei em casa a consciência da minha obcessão já era dolorosa. Aquilo tinha me afligido a semana inteira, mas de repente era uma necessidade. Eu precisava sair, eu precisava de ar puro. Meus pensamentos não eram sobre isso, meus pensamentos maquinavam armadilhas, procuravam a melhor forma de te atrair, de te enganar, de te aprisionar entre minhas garras. Eu precisava de algo que me distraísse, de risadas, de álcool, de pessoas. Duas forças lutaram dentro de mim: uma queria amigos, e outra queria presas.
Segunda foi ainda pior porque eu encontrei pessoas com as quais eu queria construir uma amizade. Eu estava me sentindo mal, talvez de fome, de sono (eu não conseguira dormir mais de cinco horas), da consciência de que teria que usar aparelho por um tempo, e principalmente da fúria que ainda queimava, faminta, dentro de mim. O mundo parecia tão frio! Quase não ouvi a aula, tão concentrada que estava em me manter longe do homem ao meu lado. A pior parte de mim não conseguia apreciar a vida se não estivesse caçando. Me impressionei com meus comentários mau-humorados; fugi no meio da segunda aula, fui encontrar o Bruno. No fundo, eu ia pedir ajuda pra ele. Mas não sei se não seria só uma ajuda na minha caçada.
Foi uma noite boa, eu acho, que acabou muito cedo. Se... (...)
Então na terça eu tive um lampejo de lucidez e lembrei do Diogo. Não, eu não tinha esquecido do meu namorado. Eu só tinha esquecido, como acontece com freqüência, de como ele me faz bem. Aquilo estava indo longe demais e eu precisava de um pouco de paz. Eu precisava conseguir lembrar das minhas prioridades. Então eu (...) o encontrei no CM e o abracei forte. Sempre me surpreendo com o efeito dele sobre mim. Senti a febre baixar, senti a fome se acalmando conforme eu o apertava, me encolhia no abraço dele, me deixava proteger. Lembrei das coisas que eu tinha esquecido, começando pelo amor. Eu precisava dele. O abraço de qualquer outro homem (eu acho) me deixaria apenas mais faminta. O beijo de qualquer outro homem apenas atiçaria minha voracidade. O abraço dele me deixou lúcida. O beijo dele começou a me saciar. Eu pedi pra ele me obrigar a ir embora ou eu não iria nunca.
A pessoa que eu poderia ser se eu decidisse ficar solteira me fascina e me assusta. Uma parte muito grande me mim se deliciou com todos os meus pensamentos e ações lupinas. Quando eu me afastei do Diogo, senti um alívio tremendo por poder controlar que tipo de coisa eu ia fazer. Por poder achar as árvores bonitas, por poder me interessar pelos meus estudos. No final do dia, eu me assustei com tudo o que eu tinha protelado quando minha mente estava voltada para a caça. Mas também senti falta: o poder que amanava dos meus impulsos... Mesmo a ferocidade que eu desenvolvera...
Eu não sabia que eu tinha isso em mim: essa coisa em mim que age não por amor, mas por fome; não com carinho, mas com fúria. Eu já havia sentido em mim uma fera que está sempre agitada, mas... mas nunca imaginei que ela pudesse ser tão violenta. Não sabia que ia ser tão difícil contê-la. E uma parte de mim, uma parte daquele lado negro de mim, se pergunta se eu deveria ter mesmo me contido. Outra parte acha que eu nem tentei conter, na maior parte do tempo. Que eu só estava com mêdo demais para ceder.
...agora, alguns daqueles meus impulsos me parecem simplesmente idiotas.
Acho que eu devia tentar encontrar uma forma de associar esses meus dois lados. A auto-confiança, objetividade e inteligência da lôba com a temperança, tranqüilidade e abertura da humana? Mas, de alguma forma, eu suspeito que a lôba em mim não aceite ser domada. Eu não sei até que ponto para conseguir sua força eu precisaria... alimentá-la.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Gather weary travellers,
I have a tale to tell: it might just save your lives but only if you listen well, for there before the breakers, and just around the way, there's a sign that says "Beware the beast of pirate's bay"
Well, don't you sail and don't you row
And certainly don't you swim!
For if you are uncarefull you'll end up inside of him
He'll eat you up and spit you out — you better stay away...
Heed the sign that says "Beware
The beast of pirate's bay!"
Well, don't you sail and don't you row
And certainly don't you swim!
For if you are uncarefull you'll end up inside of him
He'll eat you up and spit you out — you better stay away...
Heed the sign that says "Beware
The beast of pirate's bay!"
Quando.
Eram passos escuros
Como se eram sombras
Haviam dentes
Havia dentição
e mordedura
Eram os olhos rubros
Era outra era
Agora
Havia fome vera, engolidora
Quando eu
Não se era então
Dever, devorar
Não se pensava então
O que não se pensa não se come
Comer, mastigar
Era.
Havia riso.
Era tudo muito doce e muito
Preso
Era tudo vôo, mas.
Mas:
Onde não há caça não há presa
Onde não há presa não há terra
Onde não há terra não se explora
Onde não se explora não se.
Tudo vôo só céu.
Acho
Um beijo
Havia presas, sangue dos lábios
Um sonho é como ser tudo
Ter-poder
tudo.
Quando.
Um rosnado de fome
De vitória
De raiva antecipação
Fulva
Ígnea.
"Esta é a minha presa."
Quando:
Próximo
Concienciosamente
Toca
Um...
R
Como se eram sombras
Haviam dentes
Havia dentição
e mordedura
Eram os olhos rubros
Era outra era
Agora
Havia fome vera, engolidora
Quando eu
Não se era então
Dever, devorar
Não se pensava então
O que não se pensa não se come
Comer, mastigar
Era.
Havia riso.
Era tudo muito doce e muito
Preso
Era tudo vôo, mas.
Mas:
Onde não há caça não há presa
Onde não há presa não há terra
Onde não há terra não se explora
Onde não se explora não se.
Tudo vôo só céu.
Acho
Um beijo
Havia presas, sangue dos lábios
Um sonho é como ser tudo
Ter-poder
tudo.
Quando.
Um rosnado de fome
De vitória
De raiva antecipação
Fulva
Ígnea.
"Esta é a minha presa."
Quando:
Próximo
Concienciosamente
Toca
Um...
R
domingo, 18 de abril de 2010
Desejos horrivelmente objetivos
Ontem eu estava conversando com o Ugo sobre como eu basicamente uso minha inteligência a serviço de metas estipuladas pelas minhas emoções e intuições. Inclusive, se eu não consigo sentir qual a opção certa eu tendo a não fazer nenhuma opção. É terrível. Em geral eu faço muita bobagem porque meus desejos são incrivelmente confusos e contraditórios e eu ora vou para um lado, ora para o outro. Ultimamente tenho sofrido de um outro mal:
Meus desejos estão se tornando terrivelmente objetivos. Eles não se contradizem mais, na verdade eles sequer se interagem. Estão virando obcessões, daquelas bem feias. Há coisas nas quais eu não consigo parar de pensar. Coisas e pessoas. E há limitações por todos os lados que não me permitem descobrir como saciar esses desejos, nem como me livrar deles.
Me sinto uma idiota. E uma idiota sem muita dignidade, inclusive. Daqui a pouco vou perder toda a discrição também.
Que merda. Preciso de uns amigos, umas amigas, talvez uma caipirinha, umas risadas.
Meus desejos estão se tornando terrivelmente objetivos. Eles não se contradizem mais, na verdade eles sequer se interagem. Estão virando obcessões, daquelas bem feias. Há coisas nas quais eu não consigo parar de pensar. Coisas e pessoas. E há limitações por todos os lados que não me permitem descobrir como saciar esses desejos, nem como me livrar deles.
Me sinto uma idiota. E uma idiota sem muita dignidade, inclusive. Daqui a pouco vou perder toda a discrição também.
Que merda. Preciso de uns amigos, umas amigas, talvez uma caipirinha, umas risadas.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Estar apaixonado
Lembro de uma vez estar sentada no colo do meu namorado, os braços dele à minha volta, e de olhar o cara por quem eu estava apaixonada bem na minha frente. Lembro de pensar que eu só precisava me esticar um pouco, me mover um nada, eu estenderia a mão e tocaria nele. Apenas tocar nele seria um ato mágico, era como se as coisas dependessem apenas disso, e as peças se encaixariam perfeitamente no momento em que eu tocasse nele e ele olhasse nos meus olhos.
Vocês não podem se lembrar disso, vocês não estavam lá. Mesmo meu namorado na época não estava lá, não, você não fazia parte daquela história, você não sabia o que estava acontecendo, você era uma parte do cenário (talvez ele fosse também), e essa era uma história que só existia para mim. Mas era uma bela história.
Pensando bem, havia alguma coisa entre nós, acho que era uma fogueira; sim, era uma fogueira: lembro de pensar que era só isso, me soltar do abraço do meu amor, atravessar o fogo e chegar até ele. Lembro claramente da sensação que me dava pensar que ele estava tão perto que podia chegar a ele num segundo, antes que ninguém percebesse. A sensação de liberdade.
Sabe aquela cena de desenho animado em que a câmera está em primeira pessoa e essa primeira pessoa estica a mão em direção a algo, então percebe que está fora de alcance e dobra ligeiramente o braço e os dedos? Eu fiz exatamente isso. No instante exato eu desisti do meu plano, engoli minha paixão. Tentei me convencer dos meus ideais nobres, de que eu tinha um namorado e não podia magoá-lo, de que eu não podia traí-lo, etc — na verdade acho que eu só não queria fazer um escândalo. Naquela hora eu já tinha admitido para mim mesma que o queria, que não podia negar isso: já tinha sussurrado para mim mesma o nome dele em voz alta. Acho que pensei no que as pessoas iam pensar: no que meus amigos iam dizer, eles que sempre tinham tanto a acusar. Mas pior ainda foi pensar nos amigos dele, aqueles que eu não conhecia o suficiente pra entender, e talvez... sim, sem dúvida eu tinha mêdo do que ele diria. E se o toque não fosse tão mágico quanto eu imaginava?
Entretanto mesmo se não o toquei naquela hora, mesmo se a dúvida me amarrou ao meu lugar, eu ainda o desejei, mesmo nos braços do meu amor. Eu seguia seus passos, meus olhos como uma sombra. Lembro de passar a manhã toda olhando para ele, na esperança de que ele me desse um sorriso. Lembro com clareza cada sorriso e como toda vez eu achava que isso era um sinal de que ele gostava de mim, para em seguida me repreender por alimentar esperanças. Lembro mais intensamente ainda dos sonhos, e de acordar desapontada por ele não estar mais ali, trabalhando ao meu lado, conversando ou às vezes só me olhando: eu tinha sonhos que eram só uma longa troca de olhares. Eu lembro de fazer um desenho dele, de escrever poemas sobre ele. Eu lembro de como a voz dele me fazia tremer, de como o cheiro dele me deixava completamente inútil. Tudo isso durou apenas uns poucos meses, mas foram muitos dias de doçura flutuante alternada com dúvidas atrozes.
Algumas vezes na minha vida eu me perguntei se eu era uma má pessoa por eu ter ido tão longe na minha fantasia. Talvez eu seja até certo ponto uma felina cujas garras lanham o coração dos homens, mas se eu espalhei muita dor, também espalhei prazer. E acho que aqueles que se sentem capazes de condenar meus pensamentos naquele momento são as que não entendem a beleza inebriante de se estar apaixonado. Quando eu lembro dessas coisas, eu sei que eu sofri muito, e que houve muita dor ao meu redor, mas eu escolho lembrar das coisas boas, daquela leveza que havia em meu coração mesmo quando o remorso, a indecisão e as faltas todas me faziam arrastar os pés no chão, cabisbaixa.
A paixão é uma loucura. A paixão é uma corrente libertadora, pois faz todas as outras coisas parecerem sem importância. Eu lembro de perder aulas e esquecer de fazer trabalhos finais porque não conseguia me concentrar em mais nada. Às vezes era a dor, outras era a euforia que me distraía. Como era bom seguir com os olhos os movimentos dele com os olhos, apenas por ver seu corpo se mexendo! A paixão faz tudo parecer passageiro e sem importância. É muito difícil lembrar das outras coisas da vida quando aquela pessoa está ali, consumindo todos os seus pensamentos. Quando você está triste, sempre espera que ele lhe conforte; quando está feliz, quer dar essa alegria a ele. A vida não precisa de um sentido se você está apaixonado. Até a dor, no auge do sofrimento amoroso, não precisa de razão: tudo faz sentido para quem está apaixonado. As peças fundamentais da minha vida se encaixaram quando o Charles disse: "eu não acho mais que estar apaixonado é uma coisa ruim". Se eu pudesse mostrar a todas as pessoas essa mesma coisa, por mais infinito doloroso que fosse todo o processo, isso me faria sentir que eu ganhei o jogo da vida (...!).
Talvez... talvez tenha havido mais do que o que eu consigo expressar aqui. Eu provavelmente poderia fazer um conjunto de contos água-com-açúcar chamado "Minha histórias de amor". Há tanta doçura para lembrar: os primeiros beijos, uns finais de tarde.. As histórias parecem mais doces quando vistas fora de contexto — acho que meus sentimentos sempre estiveram descontextualizados. Dentro do contexto, elas ficam mais... interessantes, mas aí não funcionariam mais como um livro de contos; talvez como um romance, mas não tão adorável e mais cheio de aporrinhações. É claro que eu prefiro lembrar dos contos: a chuva na pele, o toque das mãos, o amor. Alguns contos são infantis, outros são mais adultos. Alguns englobam apenas um final de tarde, outros se esticam até a manhã seguinte, outros se espalham por semanas de segredo e delícia. Você pode até dizer, se quiser, que quase todos os contos, se se estendessem na história real, acabariam em raiva ou dor. Talvez. Mas quem se importa? Eu estava lá, eu vi, eu chorei também. Hoje eu sinto saudade dos dias bons. Eu penso às vezes nos maus, mas não importa. Mesmo nos nossos piores momentos, havia um sentido ali, se construindo. Espero que aqueles que viveram os outros vários lados das minhas histórias também consigam perceber pelo menos isso: que mesmo nos piores momentos havia um sentido ali. Daqui a cinqüenta anos, eu vou olhar todas as minhas sacanagens e pensar, "ah, que se dane! Pelo menos eu vivi. Pelo menos eu segui meu coração. Pelo menos nós vivemos isso intensamente, da melhor forma que pudemos." Eu quero que mais pessoas no mundo consigam sentir isso também: que mesmo depois do desespero, ainda resta a alegria daquele momento perfeito.
Um momento em que tenho pensado muito ultimamente aconteceu num dia seguinte. Ele, que tinha insistido tanto na casualidade, na falta de amor, aproveitou um momento em que os outros estavam dormindo e me deu um abraço, entre gracejos sarcásticos. Eu não olhei em seus olhos. Eu senti seu cheiro. Eu pensei em tudo o que ele dissera e me lembro de ter pensado que pelo menos aquela frieza toda era falsa. Pelo menos isso. Foi um bom abraço.
Vocês não podem se lembrar disso, vocês não estavam lá. Mesmo meu namorado na época não estava lá, não, você não fazia parte daquela história, você não sabia o que estava acontecendo, você era uma parte do cenário (talvez ele fosse também), e essa era uma história que só existia para mim. Mas era uma bela história.
Pensando bem, havia alguma coisa entre nós, acho que era uma fogueira; sim, era uma fogueira: lembro de pensar que era só isso, me soltar do abraço do meu amor, atravessar o fogo e chegar até ele. Lembro claramente da sensação que me dava pensar que ele estava tão perto que podia chegar a ele num segundo, antes que ninguém percebesse. A sensação de liberdade.
Sabe aquela cena de desenho animado em que a câmera está em primeira pessoa e essa primeira pessoa estica a mão em direção a algo, então percebe que está fora de alcance e dobra ligeiramente o braço e os dedos? Eu fiz exatamente isso. No instante exato eu desisti do meu plano, engoli minha paixão. Tentei me convencer dos meus ideais nobres, de que eu tinha um namorado e não podia magoá-lo, de que eu não podia traí-lo, etc — na verdade acho que eu só não queria fazer um escândalo. Naquela hora eu já tinha admitido para mim mesma que o queria, que não podia negar isso: já tinha sussurrado para mim mesma o nome dele em voz alta. Acho que pensei no que as pessoas iam pensar: no que meus amigos iam dizer, eles que sempre tinham tanto a acusar. Mas pior ainda foi pensar nos amigos dele, aqueles que eu não conhecia o suficiente pra entender, e talvez... sim, sem dúvida eu tinha mêdo do que ele diria. E se o toque não fosse tão mágico quanto eu imaginava?
Entretanto mesmo se não o toquei naquela hora, mesmo se a dúvida me amarrou ao meu lugar, eu ainda o desejei, mesmo nos braços do meu amor. Eu seguia seus passos, meus olhos como uma sombra. Lembro de passar a manhã toda olhando para ele, na esperança de que ele me desse um sorriso. Lembro com clareza cada sorriso e como toda vez eu achava que isso era um sinal de que ele gostava de mim, para em seguida me repreender por alimentar esperanças. Lembro mais intensamente ainda dos sonhos, e de acordar desapontada por ele não estar mais ali, trabalhando ao meu lado, conversando ou às vezes só me olhando: eu tinha sonhos que eram só uma longa troca de olhares. Eu lembro de fazer um desenho dele, de escrever poemas sobre ele. Eu lembro de como a voz dele me fazia tremer, de como o cheiro dele me deixava completamente inútil. Tudo isso durou apenas uns poucos meses, mas foram muitos dias de doçura flutuante alternada com dúvidas atrozes.
Algumas vezes na minha vida eu me perguntei se eu era uma má pessoa por eu ter ido tão longe na minha fantasia. Talvez eu seja até certo ponto uma felina cujas garras lanham o coração dos homens, mas se eu espalhei muita dor, também espalhei prazer. E acho que aqueles que se sentem capazes de condenar meus pensamentos naquele momento são as que não entendem a beleza inebriante de se estar apaixonado. Quando eu lembro dessas coisas, eu sei que eu sofri muito, e que houve muita dor ao meu redor, mas eu escolho lembrar das coisas boas, daquela leveza que havia em meu coração mesmo quando o remorso, a indecisão e as faltas todas me faziam arrastar os pés no chão, cabisbaixa.
A paixão é uma loucura. A paixão é uma corrente libertadora, pois faz todas as outras coisas parecerem sem importância. Eu lembro de perder aulas e esquecer de fazer trabalhos finais porque não conseguia me concentrar em mais nada. Às vezes era a dor, outras era a euforia que me distraía. Como era bom seguir com os olhos os movimentos dele com os olhos, apenas por ver seu corpo se mexendo! A paixão faz tudo parecer passageiro e sem importância. É muito difícil lembrar das outras coisas da vida quando aquela pessoa está ali, consumindo todos os seus pensamentos. Quando você está triste, sempre espera que ele lhe conforte; quando está feliz, quer dar essa alegria a ele. A vida não precisa de um sentido se você está apaixonado. Até a dor, no auge do sofrimento amoroso, não precisa de razão: tudo faz sentido para quem está apaixonado. As peças fundamentais da minha vida se encaixaram quando o Charles disse: "eu não acho mais que estar apaixonado é uma coisa ruim". Se eu pudesse mostrar a todas as pessoas essa mesma coisa, por mais infinito doloroso que fosse todo o processo, isso me faria sentir que eu ganhei o jogo da vida (...!).
Talvez... talvez tenha havido mais do que o que eu consigo expressar aqui. Eu provavelmente poderia fazer um conjunto de contos água-com-açúcar chamado "Minha histórias de amor". Há tanta doçura para lembrar: os primeiros beijos, uns finais de tarde.. As histórias parecem mais doces quando vistas fora de contexto — acho que meus sentimentos sempre estiveram descontextualizados. Dentro do contexto, elas ficam mais... interessantes, mas aí não funcionariam mais como um livro de contos; talvez como um romance, mas não tão adorável e mais cheio de aporrinhações. É claro que eu prefiro lembrar dos contos: a chuva na pele, o toque das mãos, o amor. Alguns contos são infantis, outros são mais adultos. Alguns englobam apenas um final de tarde, outros se esticam até a manhã seguinte, outros se espalham por semanas de segredo e delícia. Você pode até dizer, se quiser, que quase todos os contos, se se estendessem na história real, acabariam em raiva ou dor. Talvez. Mas quem se importa? Eu estava lá, eu vi, eu chorei também. Hoje eu sinto saudade dos dias bons. Eu penso às vezes nos maus, mas não importa. Mesmo nos nossos piores momentos, havia um sentido ali, se construindo. Espero que aqueles que viveram os outros vários lados das minhas histórias também consigam perceber pelo menos isso: que mesmo nos piores momentos havia um sentido ali. Daqui a cinqüenta anos, eu vou olhar todas as minhas sacanagens e pensar, "ah, que se dane! Pelo menos eu vivi. Pelo menos eu segui meu coração. Pelo menos nós vivemos isso intensamente, da melhor forma que pudemos." Eu quero que mais pessoas no mundo consigam sentir isso também: que mesmo depois do desespero, ainda resta a alegria daquele momento perfeito.
Um momento em que tenho pensado muito ultimamente aconteceu num dia seguinte. Ele, que tinha insistido tanto na casualidade, na falta de amor, aproveitou um momento em que os outros estavam dormindo e me deu um abraço, entre gracejos sarcásticos. Eu não olhei em seus olhos. Eu senti seu cheiro. Eu pensei em tudo o que ele dissera e me lembro de ter pensado que pelo menos aquela frieza toda era falsa. Pelo menos isso. Foi um bom abraço.
terça-feira, 13 de abril de 2010
Contatos no Blogger
Este foi um fim de semana muito divertido. Encontrei gente de quem eu sentia saudades. Tive conversas interessantes. Queria que mais fins de semana fossem assim. Bem, talvez não todos, porque tive pouquíssimo tempo com a família, e tive que dividir esse tempo com alguns amigos, que me pareceram insatisfeitos com a situação. Mas vou falar sbre isso depois.
Uma coisa que eu achei engraçado foi a curiosidade recíproca de vocês dois. Na sexta encontrei o Rafael e ele me perguntou algumas vezes quem era esse tal de Peçanha Leitão, e no sábado o Márcio perguntou, com praticamente o mesmo tom de voz, quem era essa tal de Rafael F. Estando aqui no nosso ponto de encontro comum, me sinto meio ridícula. É ridícula toda a apresentação de conhecidos; me sinto numa festa formal. Mas é interessante, socialmente, eu acho. E de forma alguma inútil.
Eu não soube descrever os dois, como eu saberia descrever minha pequena blogcomunidade? Este é o Yuri, fomos inseparáveis no colegial e agora que nos falamos menos só consigo entender o que ele fala se for com as emoções. Este é o Ugo, nos conhecemos desde que ele (ok, e eu) era um pirralho e nos tornamos algo como irmãos nos últimos tempos, mas eu ainda tenho dificuldade pra entender o que ele pensa, apesar de que vale a pena discutir com ele. Este é o Bruno, um dos meus amigos mais próximos, ele é genial, imprevisível e freqüentemente muito engraçado, mas está sempre tendendo para pensamentos sérios e negros demais. Este é o Márcio,... você precisa conversar com ele pra saber, é claro; ele faz mais coisas do que me parece possível, insere ora gracejos ora discussões sociológicas em tudo e obviamente dá muito valor ao seu senso estético. Este é o Dobz, ele é um mistério pra mim, mas é um bom amigo, é inteligente pacas e tudo o que ele se dá ao trabalho de publicar é interessante. Esta é Talita, ela é minha irmã, alguns dos meus amigos têm um pouco de mêdo dela, ela defende ferrenhamente suas convicções quando não está em dúvida, e é a pessoa com quem tenho mais em comum. Este é o Charles, vivi coisas incríveis com ele desde que nos conhecemos há uns sete anos, ele é às vezes meu escritor favorito, na última vez em que o entendi ele perseguia sonhos como Liberdade, Conhecimento, Verdade, Amor, mas não temos nos falado tanto assim. Esta é a Denise, ela gosta de leituras incrivelmente poéticas, mistura poesia e realidade, e foi uma das que foi uma girlfriend pra mim quando eu estava realmente precisando, sem que ela soubesse. Este é o Laerte: eu não o conheço, na verdade, e também não entendo as tiras dele.
Eu escrevi isso tudo e não tenho vontade de apagar mas ainda me sinto meio ridícula. O que são as pessoas. Como descrevê-las? Eu poderia passar horas falando sobre cada pessoa, cada lembrança que tenho dela, cada opinião que tenho sobre ela, cada coisa que ela criou e que já saiu de suas mãos. No final, eu acabo respondendo coisas vagas como "Ah, ele é meu amigo... nos conhecemos em tal lugar, em tal ano... ele faz tal curso e gosta de tal coisa... e tal..." É bastante frustrante. Você sabe que é uma mentira, mas não pode evitar. Como dizer a verdade, sem dizer mais que o necessário? Como fazer a verdade caber em algumas palavras? Isso entra naquela discussão sobre se poderiam haver Nomes Verdadeiros para as pessoas. O que é mais importante? Com certeza não fiz o melhor que pude com essas descrições. Talvez meus amigos inclusive se sintam diminuídos. Mas como explicar, em poucas linhas, como o Yuri mudou minha visão do mundo, do amar, da música, da poesia, da Verdade? Como explicar em claras palavras minha complexa opinião sobre a personalidade do Márcio, que já passou por tantos extremos contrários? Como ser sucinto e sutil, quando se fala de coisas que tem a ver com a alma, de coisas que se eu páro para pensar eu dificilmente entendo, como a amizade, como o gostar? Como descrever uma pessoa, se não se consegue compreender nem questionar o que ela está fazendo ao seu lado? Qualquer descrição puramente objetiva que eu fizesse seria idiota, e provavelmente deixaria de lado o melhor e o mais importante. Por outro lado, uma descrição verdadeira seria pessoal demais, e por isso mesmo seria, sob outro ponto de vista, uma inverdade.
Por outro lado, se eu fosse explicar porque eu leio o que vocês escrevem, provavelmente os fatores pessoais teriam tanta importância quanto os que se aplicariam a outras pessoas. Acho que me interessar pelo que você se interessa em publicar está relacionado com me interessar por quem você é, por que toda escrita é de si para o papel e porque todo leitor quando lê, lê a si mesmo (eu percebo claramente os pontos fracos dessa argumentação, mas não quero entrar neles. mó pregui)
Uma coisa que eu achei engraçado foi a curiosidade recíproca de vocês dois. Na sexta encontrei o Rafael e ele me perguntou algumas vezes quem era esse tal de Peçanha Leitão, e no sábado o Márcio perguntou, com praticamente o mesmo tom de voz, quem era essa tal de Rafael F. Estando aqui no nosso ponto de encontro comum, me sinto meio ridícula. É ridícula toda a apresentação de conhecidos; me sinto numa festa formal. Mas é interessante, socialmente, eu acho. E de forma alguma inútil.
Eu não soube descrever os dois, como eu saberia descrever minha pequena blogcomunidade? Este é o Yuri, fomos inseparáveis no colegial e agora que nos falamos menos só consigo entender o que ele fala se for com as emoções. Este é o Ugo, nos conhecemos desde que ele (ok, e eu) era um pirralho e nos tornamos algo como irmãos nos últimos tempos, mas eu ainda tenho dificuldade pra entender o que ele pensa, apesar de que vale a pena discutir com ele. Este é o Bruno, um dos meus amigos mais próximos, ele é genial, imprevisível e freqüentemente muito engraçado, mas está sempre tendendo para pensamentos sérios e negros demais. Este é o Márcio,... você precisa conversar com ele pra saber, é claro; ele faz mais coisas do que me parece possível, insere ora gracejos ora discussões sociológicas em tudo e obviamente dá muito valor ao seu senso estético. Este é o Dobz, ele é um mistério pra mim, mas é um bom amigo, é inteligente pacas e tudo o que ele se dá ao trabalho de publicar é interessante. Esta é Talita, ela é minha irmã, alguns dos meus amigos têm um pouco de mêdo dela, ela defende ferrenhamente suas convicções quando não está em dúvida, e é a pessoa com quem tenho mais em comum. Este é o Charles, vivi coisas incríveis com ele desde que nos conhecemos há uns sete anos, ele é às vezes meu escritor favorito, na última vez em que o entendi ele perseguia sonhos como Liberdade, Conhecimento, Verdade, Amor, mas não temos nos falado tanto assim. Esta é a Denise, ela gosta de leituras incrivelmente poéticas, mistura poesia e realidade, e foi uma das que foi uma girlfriend pra mim quando eu estava realmente precisando, sem que ela soubesse. Este é o Laerte: eu não o conheço, na verdade, e também não entendo as tiras dele.
Eu escrevi isso tudo e não tenho vontade de apagar mas ainda me sinto meio ridícula. O que são as pessoas. Como descrevê-las? Eu poderia passar horas falando sobre cada pessoa, cada lembrança que tenho dela, cada opinião que tenho sobre ela, cada coisa que ela criou e que já saiu de suas mãos. No final, eu acabo respondendo coisas vagas como "Ah, ele é meu amigo... nos conhecemos em tal lugar, em tal ano... ele faz tal curso e gosta de tal coisa... e tal..." É bastante frustrante. Você sabe que é uma mentira, mas não pode evitar. Como dizer a verdade, sem dizer mais que o necessário? Como fazer a verdade caber em algumas palavras? Isso entra naquela discussão sobre se poderiam haver Nomes Verdadeiros para as pessoas. O que é mais importante? Com certeza não fiz o melhor que pude com essas descrições. Talvez meus amigos inclusive se sintam diminuídos. Mas como explicar, em poucas linhas, como o Yuri mudou minha visão do mundo, do amar, da música, da poesia, da Verdade? Como explicar em claras palavras minha complexa opinião sobre a personalidade do Márcio, que já passou por tantos extremos contrários? Como ser sucinto e sutil, quando se fala de coisas que tem a ver com a alma, de coisas que se eu páro para pensar eu dificilmente entendo, como a amizade, como o gostar? Como descrever uma pessoa, se não se consegue compreender nem questionar o que ela está fazendo ao seu lado? Qualquer descrição puramente objetiva que eu fizesse seria idiota, e provavelmente deixaria de lado o melhor e o mais importante. Por outro lado, uma descrição verdadeira seria pessoal demais, e por isso mesmo seria, sob outro ponto de vista, uma inverdade.
Por outro lado, se eu fosse explicar porque eu leio o que vocês escrevem, provavelmente os fatores pessoais teriam tanta importância quanto os que se aplicariam a outras pessoas. Acho que me interessar pelo que você se interessa em publicar está relacionado com me interessar por quem você é, por que toda escrita é de si para o papel e porque todo leitor quando lê, lê a si mesmo (eu percebo claramente os pontos fracos dessa argumentação, mas não quero entrar neles. mó pregui)
domingo, 11 de abril de 2010
Designer
Hoje eu li o blog da minha irmã e resolvi deixar um comentário. É meio engraçado como mesmo que não nos encontremos ou conversemos tanto assim sinto que nós duas estamos sempre em sincronia. Vivemos coisas diferentes, tomamos decisões diferentes, mas eu quase sempre me identifico muito com o que ela pensa. É meio difícil isso de estar tão próxima de alguém que tem uma vida diferente. Acho que é difícil não querer às vezes estar na pele dela. É claro que sinto esse tipo de coisa em relação a todas as pessoas que admiro, mas é mais freqüente neste caso.
Bom, quando eu fui deixar o comentário eu comecei a chorar. Assim, lágrimas começaram a correr pelo meu rosto, o que eu poderia fazer. O que eu queria dizer era bem simples: eu queria sentir isso também. Eu sinto às vezes. Esse prazer de ser designer. Depois me sinto mal por isso. Porque não. Não mesmo.
O Gil, monitor de computação no Design, fez arquitetura e depois virou programador e agora é designer de software. Eu queria fazer isso. Essa formação que permite que você seja qualquer coisa. Eu quero ser qualquer coisa. Eu quero poder escolher. Deixar a vida me levar, seguir as correntes dos impulsos. Ter sempre em mente o projeto, as pessoas, perseguir a solução.
Eu sinto dor porque eu odeio o curso que eu tentei fazer pra entrar nesse caminho-não-caminho. Eu sofri lá. Eu chorei. Eu não quero mais pensar nisso, a Ixa disse "larga o design e põe uma pedra em cima", eu quero pôr uma pedra em cima e não pensar nisso, dói demais. Não quero lembrar do quanto isso me machuca. Dos piores anos da minha vida, ou pelo menos da última década. Da minha fraqueza. De todas as frustrações, os fracassos, os trabalhos que eu queria jogar no lixo ao invés de entregar, das apresentações que me fizeram me encolher de vergonha. Da inveja. De como se eu tivesse feito outra coisa eu talvez já estivesse me formando, de como eu vou demorar vários anos pra chegar perto de me formar. De como eu falhei em quase todas as matérias de projeto. Botar uma pedra em cima. Disso tudo eu não quero lembrar.
Mas uma parte de mim, a que se recusa a desistir, não quer esquecer. Eu quero lembrar de cada dor, de cada derrota, e me obrigar a ser mais forte por cada uma delas. E cada sonho: eu quero nunca esquecer minha paixão pelo design finlandês, nunca esquecer que ano passado eu tinha planos incríveis para um tcc, e nunca esquecer do que eu aprendi. Principalmente, a conclusão de que design é tudo. Design é o que faz sentido. Design é projeto. É o que separa os homens dos animais. O que quer que seja que eu faça no futuro, provavelmente vai ser um tipo de design, ou vai estar totalmente envolto em design.
Me incomoda muito que eu não esteja mais num curso voltado para o projeto. Que eu saiba que aquele não é o meu lugar. Que eu queira mais da vida que ser forçada a fazer tudo o que eu não sei. Me incomoda que eu tenha falhado nesse aspecto.
Mas quem sabe? Talvez um dia eu possa voltar, menos frágil, menos despreparada, e terminar aquele projeto que comecei.
Bom, quando eu fui deixar o comentário eu comecei a chorar. Assim, lágrimas começaram a correr pelo meu rosto, o que eu poderia fazer. O que eu queria dizer era bem simples: eu queria sentir isso também. Eu sinto às vezes. Esse prazer de ser designer. Depois me sinto mal por isso. Porque não. Não mesmo.
O Gil, monitor de computação no Design, fez arquitetura e depois virou programador e agora é designer de software. Eu queria fazer isso. Essa formação que permite que você seja qualquer coisa. Eu quero ser qualquer coisa. Eu quero poder escolher. Deixar a vida me levar, seguir as correntes dos impulsos. Ter sempre em mente o projeto, as pessoas, perseguir a solução.
Eu sinto dor porque eu odeio o curso que eu tentei fazer pra entrar nesse caminho-não-caminho. Eu sofri lá. Eu chorei. Eu não quero mais pensar nisso, a Ixa disse "larga o design e põe uma pedra em cima", eu quero pôr uma pedra em cima e não pensar nisso, dói demais. Não quero lembrar do quanto isso me machuca. Dos piores anos da minha vida, ou pelo menos da última década. Da minha fraqueza. De todas as frustrações, os fracassos, os trabalhos que eu queria jogar no lixo ao invés de entregar, das apresentações que me fizeram me encolher de vergonha. Da inveja. De como se eu tivesse feito outra coisa eu talvez já estivesse me formando, de como eu vou demorar vários anos pra chegar perto de me formar. De como eu falhei em quase todas as matérias de projeto. Botar uma pedra em cima. Disso tudo eu não quero lembrar.
Mas uma parte de mim, a que se recusa a desistir, não quer esquecer. Eu quero lembrar de cada dor, de cada derrota, e me obrigar a ser mais forte por cada uma delas. E cada sonho: eu quero nunca esquecer minha paixão pelo design finlandês, nunca esquecer que ano passado eu tinha planos incríveis para um tcc, e nunca esquecer do que eu aprendi. Principalmente, a conclusão de que design é tudo. Design é o que faz sentido. Design é projeto. É o que separa os homens dos animais. O que quer que seja que eu faça no futuro, provavelmente vai ser um tipo de design, ou vai estar totalmente envolto em design.
Me incomoda muito que eu não esteja mais num curso voltado para o projeto. Que eu saiba que aquele não é o meu lugar. Que eu queira mais da vida que ser forçada a fazer tudo o que eu não sei. Me incomoda que eu tenha falhado nesse aspecto.
Mas quem sabe? Talvez um dia eu possa voltar, menos frágil, menos despreparada, e terminar aquele projeto que comecei.
terça-feira, 6 de abril de 2010
Ovo de Páscoa
CHOCOLATE AO LEITE EM FORMA DE OVO COM
RECHEIO DE GANACHE DE CHOCOLATE AO LEITE
BELGA E RECHEIO DE GANACHE AMARGO BELGA
RECHEADO COM CHOCOLATE AO LEITE
EM FORMA DE BOMBOM COM RECHEIO
AO LEITE BELGA E AMARGO BELGA
RECHEIO DE GANACHE DE CHOCOLATE AO LEITE
BELGA E RECHEIO DE GANACHE AMARGO BELGA
RECHEADO COM CHOCOLATE AO LEITE
EM FORMA DE BOMBOM COM RECHEIO
AO LEITE BELGA E AMARGO BELGA
Juro que é isso que está escrito na caixa do meu ovo de páscoa. Eu tiraria uma foto se pudesse. Não sei se é poesia concreta ou se é um daqueles exercícios de gramática: ponha a pontuação e as vírgulas.
Cada vez mais acho que as pessoas entenderam errado como funciona essa história de se comunicar através da linguagem...
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Ir?
A característica que mais me assusta em minha família é esse mêdo constante de ir em frente, de terminar, de mudar. Adoramos comer coisas, mas nunca chegamos a ver o fim delas. Nunca concluímos nada. Na verdade muitas vezes nem embarcamos nos nossos projetos. Projetos, projetos, execuções à parte, a casa está vez mais afogada neles. Tanta coisa pra fazer.
(olha, meu firefox est´a corrigindo meu texto em português de portugal)
Eu tenho essa projeto de um dia me formar no segundo grau. É um projeto que me dá muito mêdo. Tudo o que eu faço na faculdade eu faço com o coração na mão. Cada pequeno requerimento. Às vezes eu choro, de raiva ou de mêdo. Eu brigo com meus amigos, com meu namorado, é sempre assim. O que me irrita neles é que eles não estão nervosos com essas coisas que me fazem passar mal. Às vezes eu me encolho num corredor escuro e rezo pra ninguém passar por lá, pra ninguém ver a minha miséria. Eu não pertenço a lugar nenhum, eu não pertenço a ninguém. Não peço a ninguém que me adore, só peço que não me odeie. Quer dizer, menos os meus amigos. Meus amigos eu quero que me amem.
No momento meu mêdo maior (está finalmente se tornando maior do que o mêdo de ser uma incompetente nata) é o de estar indo na direção errada. Eu digo pra todo mundo que quero ir estudar computação, programação corre nas minhas veias, quase nada é tão lindo quanto um código limpo e otimizado ou um circuito impresso bem projetado, eu imagino coisas, minha imaginação é tão bela! Porém...
Porém é claro que há mais lindo, há em todas as partes. Por mais que eu me emocione com a idéia de um projeto moderno, bem século 21, integrar a vida da gente com a tecnologia, transformar o universo numa coisa só, ainda assim não é o que mais me emociona.
Você sabe o que mais me emociona.
A textura das árvores ("abraça a árvore", eles riem)
O barulho das ondas quebrando nas pedras ("tome cuidado", eles pedem)
Às vezes me vêm essa convicção súbita de estar na face de Deus, sabe? Quando ouço ou vejo ou cheiro uma coisa, uma magia que existe nas coisas que existem desde sempre e ainda assim surgiram neste instante (como as ondas)
Entretanto me ocorre que a computação também nunca será mais importante que um cheiro de homem, e isso não me incomoda (estou divagando...)
Me aflige que isso seja o que eu amo, o que me empolga, mas que não seja importante. Será que eu posso mesmo entrar em encontro com as pessoas apenas afinando-as ao mundo contemporâneo? E será que isso importa tanto quanto saber que São Paulo é habitada por cobras? Será que eu terei tanto prazer em aprender qualquer coisa como eu tenho em observar as capivaras do Pinheiros? Será que qualquer emoção que a faculdade me ofereça será tão forte quanto o desejo que eu tenho de protegê-las?
É isso que me aflige quando eu deixo minha mente vagar... Porque eu sei que se eu mergulhar em outra coisa agora, vai ter que ser pra valer. E eu sei que vai ser terrível, horrível, nervoso, se eu me desapaixonar.
É como correr de olhos fechados!
(olha, meu firefox est´a corrigindo meu texto em português de portugal)
Eu tenho essa projeto de um dia me formar no segundo grau. É um projeto que me dá muito mêdo. Tudo o que eu faço na faculdade eu faço com o coração na mão. Cada pequeno requerimento. Às vezes eu choro, de raiva ou de mêdo. Eu brigo com meus amigos, com meu namorado, é sempre assim. O que me irrita neles é que eles não estão nervosos com essas coisas que me fazem passar mal. Às vezes eu me encolho num corredor escuro e rezo pra ninguém passar por lá, pra ninguém ver a minha miséria. Eu não pertenço a lugar nenhum, eu não pertenço a ninguém. Não peço a ninguém que me adore, só peço que não me odeie. Quer dizer, menos os meus amigos. Meus amigos eu quero que me amem.
No momento meu mêdo maior (está finalmente se tornando maior do que o mêdo de ser uma incompetente nata) é o de estar indo na direção errada. Eu digo pra todo mundo que quero ir estudar computação, programação corre nas minhas veias, quase nada é tão lindo quanto um código limpo e otimizado ou um circuito impresso bem projetado, eu imagino coisas, minha imaginação é tão bela! Porém...
Porém é claro que há mais lindo, há em todas as partes. Por mais que eu me emocione com a idéia de um projeto moderno, bem século 21, integrar a vida da gente com a tecnologia, transformar o universo numa coisa só, ainda assim não é o que mais me emociona.
Você sabe o que mais me emociona.
A textura das árvores ("abraça a árvore", eles riem)
O barulho das ondas quebrando nas pedras ("tome cuidado", eles pedem)
Às vezes me vêm essa convicção súbita de estar na face de Deus, sabe? Quando ouço ou vejo ou cheiro uma coisa, uma magia que existe nas coisas que existem desde sempre e ainda assim surgiram neste instante (como as ondas)
Entretanto me ocorre que a computação também nunca será mais importante que um cheiro de homem, e isso não me incomoda (estou divagando...)
Me aflige que isso seja o que eu amo, o que me empolga, mas que não seja importante. Será que eu posso mesmo entrar em encontro com as pessoas apenas afinando-as ao mundo contemporâneo? E será que isso importa tanto quanto saber que São Paulo é habitada por cobras? Será que eu terei tanto prazer em aprender qualquer coisa como eu tenho em observar as capivaras do Pinheiros? Será que qualquer emoção que a faculdade me ofereça será tão forte quanto o desejo que eu tenho de protegê-las?
É isso que me aflige quando eu deixo minha mente vagar... Porque eu sei que se eu mergulhar em outra coisa agora, vai ter que ser pra valer. E eu sei que vai ser terrível, horrível, nervoso, se eu me desapaixonar.
É como correr de olhos fechados!
terça-feira, 30 de março de 2010
Não consigo parar
Eu queria escrever um pouco sobre... Sei lá.
Estou lendo Crepúsculo agora. Envolvente, o livro. Bastante mal escrito ou mal traduzido, não sei, mas envolvente. Me identifico muito com o que acontece, já senti aquilo tudo, acho que só significa que já estive apaixonada. O tal do Edward me lembra um milhão de homens insuportáveis que conheci, inclusive você. Sempre me pergunto se se eu não estivesse namorando, se eu não estaria vivendo uma história de amor como essa. Mas acho que eu sei a resposta para essa pergunta.
Sempre que me distraio lembro de velhos e intensos sentimentos. Eu gosto de sentimentos. Queria mergulhar neles.
Infelizmente agora não é hora de sentir, mas de trabalhar. Qual é a minha salvação? Conversamos por muitas horas, mas eu sequer senti seu cheiro. Algumas coisas me intrigam, como conhecer pessoas novas. A vida é um mistério. Quem poderá dizer quais das pessoas que conheço agora serão meus amigos daqui a digamos três anos? Eu sei algumas respostas. O resto mergulha na brisa.
De vez em quando me pergunto o que estou fazendo. Quando páro pra pensar, olhares doces famintos assombram meu cair no sono.
E sinto saudades de algumas pessoas. Vontades de voltar atrás, de estar mais presentes.
Se eu pudesse escolher, com quem eu quereria estar agora? Minha mente fervilha, incríveis opções. Mas hoje eu devo estar sozinha, não?
Quando fecho os olhos minha vida parece um sonho. Meu passado não parece possível. É verdade mesmo que viajamos, que choramos, que amamos? É verdade essa memória vaga do seu cheiro, dos seus dentes?
Cinco anos atrás, este futuro não existiria. Eu lutei por ele, eu o construí, eu o sofri também. Eu sou muito parecida com o que sonhei ser, na verdade. Apenas menos forte, mas... No fundo, não foi difícil falar as mesmas palavras que imaginei. Eu olho nos olhos de um homem, e freqüentemente é a Lôba que fala. Freqüentemente é Labwa. A parte de mim que ainda é humana pergunta porque essa história continua se repetindo. Porque eles continuam vindo a mim.
Sem perceber, estou de repente me comparando ao vampiro. É fácil demais. E de qualquer forma não é isso que eu busco. O que eu busco é um pouco mais difícil.
De tempos em tempos me assombram os amores que eu não pude viver e as presas que eu não matei. No resto do tempo, consigo ser um pouco mais coerente.
Estou lendo Crepúsculo agora. Envolvente, o livro. Bastante mal escrito ou mal traduzido, não sei, mas envolvente. Me identifico muito com o que acontece, já senti aquilo tudo, acho que só significa que já estive apaixonada. O tal do Edward me lembra um milhão de homens insuportáveis que conheci, inclusive você. Sempre me pergunto se se eu não estivesse namorando, se eu não estaria vivendo uma história de amor como essa. Mas acho que eu sei a resposta para essa pergunta.
Sempre que me distraio lembro de velhos e intensos sentimentos. Eu gosto de sentimentos. Queria mergulhar neles.
Infelizmente agora não é hora de sentir, mas de trabalhar. Qual é a minha salvação? Conversamos por muitas horas, mas eu sequer senti seu cheiro. Algumas coisas me intrigam, como conhecer pessoas novas. A vida é um mistério. Quem poderá dizer quais das pessoas que conheço agora serão meus amigos daqui a digamos três anos? Eu sei algumas respostas. O resto mergulha na brisa.
De vez em quando me pergunto o que estou fazendo. Quando páro pra pensar, olhares doces famintos assombram meu cair no sono.
E sinto saudades de algumas pessoas. Vontades de voltar atrás, de estar mais presentes.
Se eu pudesse escolher, com quem eu quereria estar agora? Minha mente fervilha, incríveis opções. Mas hoje eu devo estar sozinha, não?
Quando fecho os olhos minha vida parece um sonho. Meu passado não parece possível. É verdade mesmo que viajamos, que choramos, que amamos? É verdade essa memória vaga do seu cheiro, dos seus dentes?
Cinco anos atrás, este futuro não existiria. Eu lutei por ele, eu o construí, eu o sofri também. Eu sou muito parecida com o que sonhei ser, na verdade. Apenas menos forte, mas... No fundo, não foi difícil falar as mesmas palavras que imaginei. Eu olho nos olhos de um homem, e freqüentemente é a Lôba que fala. Freqüentemente é Labwa. A parte de mim que ainda é humana pergunta porque essa história continua se repetindo. Porque eles continuam vindo a mim.
Sem perceber, estou de repente me comparando ao vampiro. É fácil demais. E de qualquer forma não é isso que eu busco. O que eu busco é um pouco mais difícil.
De tempos em tempos me assombram os amores que eu não pude viver e as presas que eu não matei. No resto do tempo, consigo ser um pouco mais coerente.
domingo, 28 de março de 2010
O Viajante e o Cavalariço
— O que aconteceu? Por que ele não voltou para buscá-la? Como podia não haver um dragão na caverna? Então o que aprisionara Fælyn? —, perguntei ardentemente ansioso, mas nesse momento o véu mágico que nos envolve nas histórias... sim, este mesmo véu que te aprisiona agora... se ergueu suavemente e eu vi que minha narradora, por um instante uma garota ainda não adulta, envelhecia sob o meu olhar ingênuo e jovem, dez, vinte, cinqüenta, talvez cem anos num minuto. — Vá agora! —, disse ela, me dispensando com uma ameaça da mão incrivelmente velha. Eu fui; assustado, me virei e comecei a andar enquanto ela falava atrás de mim:
— A história é importante e antiga, e parece que não consigo contá-la toda de uma vez. Mas volte!, volte num dia bom, e eu lhe contarei a verdade sobre a história de Fælyn.
Nesse momento ela irrompeu em soluços que poderiam ser de uma criança. Não me virei nenhuma vez, por respeito, mas também por mêdo daquela súbita fragilidade. Dentro de mim fervilhavam incontáveis emoções, confusas e contraditórias, pois eu sabia que tinha presenciado uma coisa verdadeiramente poderosa. Eu estava arrepiado e minha pele tinha pequenos espasmos que muito mais tarde aprendi a associar com a verdadeira magia. Eu não sabia bem o que tinha acontecido, mas sabia que não esqueceria de nenhum instante daquele encontro.
Naquela noite convenci um cavalariço ainda mais jovem que eu a me deixar dormir numa baia vazia, e ele por hospitalidade dividiu comigo parte de seu jantar. Também foi a primeira vez que contei uma história para alguém que tinha interesse em algo mais que monstros e heróis. Eu mesmo mal acreditava nas minhas histórias, e eu estava lá; mas ele, o cavalariço, ouvia tudo com atenção e cuidado, percebendo minhas emoções em cada parte e respondendo quando achava importante. Foi incrível! Contei a ele tudo, desde a minha decisão de sair da vila, minha admiração apaixonada pelo Grande Herói, Jennie, Tia Ida, o Ogro, e enfim toda a minha viagem até Vilania e o encontro com a Velha. Contei cada detalhe insignificante que parecia ter importância, cada refeição, cada dúvida que me atormentou no caminho. Ele me completava contando coisas da sua vida, decisões difíceis que tivera que tomar, e explicou que virara cavalariço depois que seu primo, de quem herdara o serviço, tropeçara de mau jeito e batera a cabeça numa pedra dura. Quando eu terminei a história do ogro, ele me disse com um olhar muito sério:
— O que você fez foi impressionante, mas as histórias de ogro são comuns por aqui. Você devia falar com Horzt, o marceneiro. Antes de morar aqui, parece que ele foi um herói profissional e ganhou a vida matando monstros.
Conversamos a noite toda, sobre essas coisas e outras das quais esqueci. Eu e o cavalariço nos tornamos melhores amigos num instante, e só muito depois eu me arrependi de nunca ter perguntado seu nome.
No dia seguinte voltei à pedra e lá estava a velha, encolhida e encurvada como uma velha águia, ou como uma gárgula. Me aproximei relutante e perguntei se hoje era um dia bom.
— Todos os dias são bons para se contar uma história — ela respondeu, se desenroscando e e estendendo a mão para mim.
Fiquei assustado e confuso por um momento, mas depois segurei a mão, e ela me puxou para cima da pedra com uma força inesperada. Meu coração batia rápido de mêdo de estarmos tão próximos, eu sentia a aspereza de sua pele e o cheiro estranho, como o de coisas muito antigas e abandonadas, que vinha da velha. Mas ela, a depeito de mim, pôs as mãos nos meus ombros, aproximou nossos rostos e disse: "Escute bem."
— A história é importante e antiga, e parece que não consigo contá-la toda de uma vez. Mas volte!, volte num dia bom, e eu lhe contarei a verdade sobre a história de Fælyn.
Nesse momento ela irrompeu em soluços que poderiam ser de uma criança. Não me virei nenhuma vez, por respeito, mas também por mêdo daquela súbita fragilidade. Dentro de mim fervilhavam incontáveis emoções, confusas e contraditórias, pois eu sabia que tinha presenciado uma coisa verdadeiramente poderosa. Eu estava arrepiado e minha pele tinha pequenos espasmos que muito mais tarde aprendi a associar com a verdadeira magia. Eu não sabia bem o que tinha acontecido, mas sabia que não esqueceria de nenhum instante daquele encontro.
Naquela noite convenci um cavalariço ainda mais jovem que eu a me deixar dormir numa baia vazia, e ele por hospitalidade dividiu comigo parte de seu jantar. Também foi a primeira vez que contei uma história para alguém que tinha interesse em algo mais que monstros e heróis. Eu mesmo mal acreditava nas minhas histórias, e eu estava lá; mas ele, o cavalariço, ouvia tudo com atenção e cuidado, percebendo minhas emoções em cada parte e respondendo quando achava importante. Foi incrível! Contei a ele tudo, desde a minha decisão de sair da vila, minha admiração apaixonada pelo Grande Herói, Jennie, Tia Ida, o Ogro, e enfim toda a minha viagem até Vilania e o encontro com a Velha. Contei cada detalhe insignificante que parecia ter importância, cada refeição, cada dúvida que me atormentou no caminho. Ele me completava contando coisas da sua vida, decisões difíceis que tivera que tomar, e explicou que virara cavalariço depois que seu primo, de quem herdara o serviço, tropeçara de mau jeito e batera a cabeça numa pedra dura. Quando eu terminei a história do ogro, ele me disse com um olhar muito sério:
— O que você fez foi impressionante, mas as histórias de ogro são comuns por aqui. Você devia falar com Horzt, o marceneiro. Antes de morar aqui, parece que ele foi um herói profissional e ganhou a vida matando monstros.
Conversamos a noite toda, sobre essas coisas e outras das quais esqueci. Eu e o cavalariço nos tornamos melhores amigos num instante, e só muito depois eu me arrependi de nunca ter perguntado seu nome.
No dia seguinte voltei à pedra e lá estava a velha, encolhida e encurvada como uma velha águia, ou como uma gárgula. Me aproximei relutante e perguntei se hoje era um dia bom.
— Todos os dias são bons para se contar uma história — ela respondeu, se desenroscando e e estendendo a mão para mim.
Fiquei assustado e confuso por um momento, mas depois segurei a mão, e ela me puxou para cima da pedra com uma força inesperada. Meu coração batia rápido de mêdo de estarmos tão próximos, eu sentia a aspereza de sua pele e o cheiro estranho, como o de coisas muito antigas e abandonadas, que vinha da velha. Mas ela, a depeito de mim, pôs as mãos nos meus ombros, aproximou nossos rostos e disse: "Escute bem."
quarta-feira, 24 de março de 2010
Por fim, RPG:
Resolvi não comentar muito antes, mas no fds eu mestrei sete jogos de rpg. Foi isso? Acho que sim. Seis de menos de uma hora e um de mais ou menos uma hora e meia. Foram jogos rápidos, mas eu me diverti pra caramba. Quando voltei pra casa, estava me sentinfo intensamente não-sou-mais-virgem. É aquela sensação que você só tem quando tinha uma expectativa muito intensa sobre alguma coisa e finalmente a faz e se acostuma com ela, e demora um pouco para se acostumar com esse costume. Você só tem a chance de se sentir assim algumas vezes na vida, e todas elas devem ser valorizadas.
Quando o Paulo me convidou pra mestrar com ele, senti um frio na barriga e fiquei com muito mêdo. Mas repeti (você não sabem o quanto eu tenho repetido esta frase pra mim nos últimos anos) "Mali, você tem que ter coragem", e disse que sim, eu queria muito, estava com mêdo mas queria, preciso de ajuda, mas quero, sim.
Ele disse "Você tem ajuda, e pode usar a minha aventura se quiser".
Quando chegou a hora, me senti zonza e apavorada. Tinha imaginado várias alterações na história, várias formas de me sentir mais confortável com ela, mas não conseguia me forçar a sentar e mestrar. Para minha sorte na primeira rodada vieram poucos pioneiros e eu pude ficar observando por algum tempo. Fiquei observando o Cardellos mestrando a sua história sobre o Baden-Powell e a guerra de Mafeking (procurem a história, é muito legal), e tive tempo pra organizar meus sentimentos e me tranquilizar.
Logo chegou um grupo novo e eu os chamei e conversei com eles sem mêdo nem timidez. Com esse primeiro grupo tentei usar as fichas que o Luís (o físico) tinha preparado, mas as pessoas não estavam entendendo nada do sistema, e chegaram, só até a metade da história, e suspeito que nem gostaram muito. Além disso, eu levei uma bronca de uma das jogadoras por ter falado que as masmorras ficavam no subsolo do castelo (quando pela definição ficam no alto).
Com o segundo grupo eu joguei pro alto as fichas e joguei sem dados e com personagens criados na hora. Eles chegaram até o final da história mas de uma forma bem inesperada, enganado pessoas e se infiltrando nos lugares. Fiquei feliz porque eles interrogaram o conde apenas até onde era possível, e depois partiram pra passar por trás dele. Aliás, esse interrogatório me obrigou a criar muitos outros detalhes da história, que deram mais sentido e consistência a ela, o que me ajudou muito mais tarde. Foi um grupo legal, mas assustador: tinha uma menina super bonitinha mas terrivelmente séria que quis ser uma feiticeira elemental. E para quê ela usou esse poder? Para: criar um buraco na terra embaixo de uma pessoa - legal; tocar fogo no cabelo de um homem que fugia - questionável; causar azia no mesmo homem depois que ele caiu no chão (não sei por que eu permiti isso, acho que estava com mêdo do olhar dela) - cruel. Mas não foi só isso. Depois que o cara já tinha se ajoelhado diante deles e contado tudo o que ele sabia, ela disse: "Agora eu jogo álcool nas queimaduras dele, pra deixar ele sentindo dor". Que menina medonha! Depois ela quis usar os poderes para transformar o chão em lava e aprisionar o conde malvado nela. Isso eu não permiti. Ela repetiu seu desejo várias vezes, cada vez com mais intensidade! "Eu controlo os elementos! Eu crio lava embaixo dele e queimo ele até não sobrar nada!" Embora ela continuasse calma e séria, os olhos dela foram ficando cada vez mais intensos. Foi uma reação digna de um dragão, que não consegue compreender que ele não é o ser mais poderoso do mundo. Acho que ela nunca abaixaria a cabeça pra ninguém. Também foi uma reação infantil, eu suponho.
Com o terceiro grupo eu decidi usar dados mas não fichas. Eu insisti que eles criassem personagens bem definidos com habilidades bem específicas, mas só um deles me atendeu, criando um anão bárbaro com um machado. Esse era o cara que se apresentara com um: "Eu sou um nerd entre os nerds! Eu jogo GURPS!"... Como metade do grupo já jogava rpg faz tempo, eles conseguiam prever os estratagemas simples do conde, mas a forma como eles reagiam era totalmente... cretina é a palavra. Os filhos da puta ficaram interrogando o conde dentro da casa dele até ele ter que expulsá-los de lá. Mas eles não abaixaram a cabeça em nenhum momento. Quando foram tentar embebedar o chefe da guarda para extrair informações dele, um dos caras o amarrou na cadeira e começou a torturá-lo! No meio dos soldados! Fiz uma cena de batalha mas já estava de saco cheio, os caras eram arrogantes demais. Mandei eles embora e admiti que, sim, o vilão era o conde, seus putos. O que aprendi com essa seção: nunca dê poder demais a pessoas que querem usá-lo.
O quarto grupo foi o mais legal, eram só três pessoas, um tímido, uma muito tímida e uma líder, com iniciativa e poder de decisão. A líder escolheu ser o ladino, e eu dei personagens pro outros dois (guerreiro com poder de fogo e mago ilusionista). A bem da verdade, quem jogou mesmo foi a líder, mas acho que o ilusionista também se empolgou com os personagens, e de modo geral acho que eles gostaram (a menina ultra-tímida não sei, não consegui entendê-la). Foi engraçado que no final o mago e a guerreira capturaram o conde e forçaram ele a falar, enquanto a ladina insistiu em perseguir o assassino, mesmo quando ele a atingiu com seus poderes mágicos e disse que ela seria morta se o seguisse. Terminei a cena dela dentro do gueto dos assassinos, com "quando ele se vira pra você, você ouve um som de facas sendo puxadas e repara que está cercada por todos os lados por homens ameaçadores vetidos de preto." E ela: "Bom, quais são minhas opções de rota de fuga?" Hahaha! Eu admirei o otimismo dela, mas a verdade é que eu não tinha tempo pra tirá-la dessa, o tempo já tinha acabado. Era uma garota legal.
O quinto grupo foi o do Mateus... o cara que atravessava paredes. Os caras desse grupo zoaram com tudo! Inventaram coisas, deixaram a mestra mó confusa, foram atrás da organização mão-negra (que eles mesmos tinham inventado), sequestraram o líder dos assassinos, convenceram um nobre a financiar o resgate, distribuíram machadadas pra todos os lados e no final eu acabei cedendo quando eles falaram "e aí a gente prendeu o conde e vivemos felizes pra sempre". O.o''
O sexto grupo foi engraçado porque todos eles já tinham jogado vampiro. Foi um jogo sem invasão de masmorra, sem batalha, só de investgação e de fazer perguntas pra personagens que de modo geral eu estava inventando na hora. A história ficou muito mais rica com esse grupo. Além disso, no final a aventura degringolou para um jogo de Enigma (sabe aquele jogo no qual vocês fazem perguntas até descobrir o que aconteceu?). Enfim, foi bem legal.
Depois disso trocamos algumas idéias com os outros mestres, batemos um papo, fizemos uma porrada de coisas, emfim, no dia seguinte de novo eu estava super nervosa, se possível eu preferia não mestrar, mas parece que os pioneiros queriam bastante jogar rpg, então eu fui obrigada a mestrar. Foi divertido, criei fichas de personagem minúsculas baseadas nos princípios do GURPS Ultra-Lite, passamos bastante tempo desenvolvendo essas fichas, depois começamos uma história de marinheiros em um navio mercante tentando escapar e depois enfrentar piratas. As meninas escolheram algumas habilidades divertidas, como invocar animais, ler o futuro, usar cordas, curar (embora elas preferissem lutar até ficar com muito pouca vida a usar esse poder de cura...). Duas delas se divertiram intensamente, uma até disse que ia tentar aprender GURPS (yay ^^), mas as outras duas se cansaram rápido, e aí a gente não pôde continuar. Se eu soubesse que não ia ter jogo depois do almoço, teria oferecido um jogo só com as duas que queriam jogar mais. Enfim. Eu tinha escolhido essa temática pra poder me preparar para criar um jogo com navios voadores — saiba que eu não esqueci, Kim.
Acho que agora eu não tenho mais mêdo de mestrar. Embora eu saiba que é muito mais nervoso mestrar pra quem já jogou antes, boa parte da ansiedade sumiu. Enfim, como eu disse antes, é aquela sensação de não ser mais virgem. Eu me sinto... maior, mais forte. Sabem?
Além disso, recebi convites pra jogar algum dia com o Luís (o físico), e com o Cardellos e o Caio ^^ Eu pretendo aceitar os convites, se for possível, alguma hora ^^
Quando o Paulo me convidou pra mestrar com ele, senti um frio na barriga e fiquei com muito mêdo. Mas repeti (você não sabem o quanto eu tenho repetido esta frase pra mim nos últimos anos) "Mali, você tem que ter coragem", e disse que sim, eu queria muito, estava com mêdo mas queria, preciso de ajuda, mas quero, sim.
Ele disse "Você tem ajuda, e pode usar a minha aventura se quiser".
Quando chegou a hora, me senti zonza e apavorada. Tinha imaginado várias alterações na história, várias formas de me sentir mais confortável com ela, mas não conseguia me forçar a sentar e mestrar. Para minha sorte na primeira rodada vieram poucos pioneiros e eu pude ficar observando por algum tempo. Fiquei observando o Cardellos mestrando a sua história sobre o Baden-Powell e a guerra de Mafeking (procurem a história, é muito legal), e tive tempo pra organizar meus sentimentos e me tranquilizar.
Logo chegou um grupo novo e eu os chamei e conversei com eles sem mêdo nem timidez. Com esse primeiro grupo tentei usar as fichas que o Luís (o físico) tinha preparado, mas as pessoas não estavam entendendo nada do sistema, e chegaram, só até a metade da história, e suspeito que nem gostaram muito. Além disso, eu levei uma bronca de uma das jogadoras por ter falado que as masmorras ficavam no subsolo do castelo (quando pela definição ficam no alto).
Com o segundo grupo eu joguei pro alto as fichas e joguei sem dados e com personagens criados na hora. Eles chegaram até o final da história mas de uma forma bem inesperada, enganado pessoas e se infiltrando nos lugares. Fiquei feliz porque eles interrogaram o conde apenas até onde era possível, e depois partiram pra passar por trás dele. Aliás, esse interrogatório me obrigou a criar muitos outros detalhes da história, que deram mais sentido e consistência a ela, o que me ajudou muito mais tarde. Foi um grupo legal, mas assustador: tinha uma menina super bonitinha mas terrivelmente séria que quis ser uma feiticeira elemental. E para quê ela usou esse poder? Para: criar um buraco na terra embaixo de uma pessoa - legal; tocar fogo no cabelo de um homem que fugia - questionável; causar azia no mesmo homem depois que ele caiu no chão (não sei por que eu permiti isso, acho que estava com mêdo do olhar dela) - cruel. Mas não foi só isso. Depois que o cara já tinha se ajoelhado diante deles e contado tudo o que ele sabia, ela disse: "Agora eu jogo álcool nas queimaduras dele, pra deixar ele sentindo dor". Que menina medonha! Depois ela quis usar os poderes para transformar o chão em lava e aprisionar o conde malvado nela. Isso eu não permiti. Ela repetiu seu desejo várias vezes, cada vez com mais intensidade! "Eu controlo os elementos! Eu crio lava embaixo dele e queimo ele até não sobrar nada!" Embora ela continuasse calma e séria, os olhos dela foram ficando cada vez mais intensos. Foi uma reação digna de um dragão, que não consegue compreender que ele não é o ser mais poderoso do mundo. Acho que ela nunca abaixaria a cabeça pra ninguém. Também foi uma reação infantil, eu suponho.
Com o terceiro grupo eu decidi usar dados mas não fichas. Eu insisti que eles criassem personagens bem definidos com habilidades bem específicas, mas só um deles me atendeu, criando um anão bárbaro com um machado. Esse era o cara que se apresentara com um: "Eu sou um nerd entre os nerds! Eu jogo GURPS!"... Como metade do grupo já jogava rpg faz tempo, eles conseguiam prever os estratagemas simples do conde, mas a forma como eles reagiam era totalmente... cretina é a palavra. Os filhos da puta ficaram interrogando o conde dentro da casa dele até ele ter que expulsá-los de lá. Mas eles não abaixaram a cabeça em nenhum momento. Quando foram tentar embebedar o chefe da guarda para extrair informações dele, um dos caras o amarrou na cadeira e começou a torturá-lo! No meio dos soldados! Fiz uma cena de batalha mas já estava de saco cheio, os caras eram arrogantes demais. Mandei eles embora e admiti que, sim, o vilão era o conde, seus putos. O que aprendi com essa seção: nunca dê poder demais a pessoas que querem usá-lo.
O quarto grupo foi o mais legal, eram só três pessoas, um tímido, uma muito tímida e uma líder, com iniciativa e poder de decisão. A líder escolheu ser o ladino, e eu dei personagens pro outros dois (guerreiro com poder de fogo e mago ilusionista). A bem da verdade, quem jogou mesmo foi a líder, mas acho que o ilusionista também se empolgou com os personagens, e de modo geral acho que eles gostaram (a menina ultra-tímida não sei, não consegui entendê-la). Foi engraçado que no final o mago e a guerreira capturaram o conde e forçaram ele a falar, enquanto a ladina insistiu em perseguir o assassino, mesmo quando ele a atingiu com seus poderes mágicos e disse que ela seria morta se o seguisse. Terminei a cena dela dentro do gueto dos assassinos, com "quando ele se vira pra você, você ouve um som de facas sendo puxadas e repara que está cercada por todos os lados por homens ameaçadores vetidos de preto." E ela: "Bom, quais são minhas opções de rota de fuga?" Hahaha! Eu admirei o otimismo dela, mas a verdade é que eu não tinha tempo pra tirá-la dessa, o tempo já tinha acabado. Era uma garota legal.
O quinto grupo foi o do Mateus... o cara que atravessava paredes. Os caras desse grupo zoaram com tudo! Inventaram coisas, deixaram a mestra mó confusa, foram atrás da organização mão-negra (que eles mesmos tinham inventado), sequestraram o líder dos assassinos, convenceram um nobre a financiar o resgate, distribuíram machadadas pra todos os lados e no final eu acabei cedendo quando eles falaram "e aí a gente prendeu o conde e vivemos felizes pra sempre". O.o''
O sexto grupo foi engraçado porque todos eles já tinham jogado vampiro. Foi um jogo sem invasão de masmorra, sem batalha, só de investgação e de fazer perguntas pra personagens que de modo geral eu estava inventando na hora. A história ficou muito mais rica com esse grupo. Além disso, no final a aventura degringolou para um jogo de Enigma (sabe aquele jogo no qual vocês fazem perguntas até descobrir o que aconteceu?). Enfim, foi bem legal.
Depois disso trocamos algumas idéias com os outros mestres, batemos um papo, fizemos uma porrada de coisas, emfim, no dia seguinte de novo eu estava super nervosa, se possível eu preferia não mestrar, mas parece que os pioneiros queriam bastante jogar rpg, então eu fui obrigada a mestrar. Foi divertido, criei fichas de personagem minúsculas baseadas nos princípios do GURPS Ultra-Lite, passamos bastante tempo desenvolvendo essas fichas, depois começamos uma história de marinheiros em um navio mercante tentando escapar e depois enfrentar piratas. As meninas escolheram algumas habilidades divertidas, como invocar animais, ler o futuro, usar cordas, curar (embora elas preferissem lutar até ficar com muito pouca vida a usar esse poder de cura...). Duas delas se divertiram intensamente, uma até disse que ia tentar aprender GURPS (yay ^^), mas as outras duas se cansaram rápido, e aí a gente não pôde continuar. Se eu soubesse que não ia ter jogo depois do almoço, teria oferecido um jogo só com as duas que queriam jogar mais. Enfim. Eu tinha escolhido essa temática pra poder me preparar para criar um jogo com navios voadores — saiba que eu não esqueci, Kim.
Acho que agora eu não tenho mais mêdo de mestrar. Embora eu saiba que é muito mais nervoso mestrar pra quem já jogou antes, boa parte da ansiedade sumiu. Enfim, como eu disse antes, é aquela sensação de não ser mais virgem. Eu me sinto... maior, mais forte. Sabem?
Além disso, recebi convites pra jogar algum dia com o Luís (o físico), e com o Cardellos e o Caio ^^ Eu pretendo aceitar os convites, se for possível, alguma hora ^^
terça-feira, 23 de março de 2010
Sonho sobre o quê?
Há alguns dias, tipo uns quinze, eu tive um sonho incrível. Vou descrevê-lo rapidamente antes da aula começar:
O Jackie (/samurai/) nos mostrou seus desenhos. Eles não eram perfeitos, mas a coloração era linda, cheia de vida, e os personagens pareciam interessantíssimos! Ele descreveu cada personagem, nos contou como eles interagiam, quais eram os sonhos e temores de cada um, quais eram seus poderes. Depois explicou que tinha sido chamado para fazer um desenho animado com sua história.
Ficamos vibrantes! Aguardamos ansiosamente o lançamento do programa enquanto ele foi morar na sede da distribuidora de desenhos. Quando vimos o primeiro episódio... bem, não foi ruim. E o segundo, ah, foi meio chato. Depois de alguns dias, percebemos que as histórias eram clichés, que os personagens eram tão planos que eram quase retas, que até os poderes mais legais eram usados sem nenhuma criatividade. Ficamos revoltados e decidimos ir até a empresa interrogar o Jackie sobre isso.
Quando chegamos lá, os funcionários nos receberam muito bem, mas logo percebemos que eles faziam o possível para evitar que Jack nos atendesse! Enganamos os recepcionistas e nos esgueiramos até os fundos do edifício, onde encontramos Jackie... deitado numa rede, tomando refresco! Puxamos Jackie da rede e chacoalhamos seus ombros pra ver se ele entendia a seriedade da situação!
— Seu desenho é horrível, Jack!
— Seus personagens não tem a menor graça!
— Sua história é um lixo!
— Como você deixou isso acontecer?!
Jackie olhou super-pacífico pra gente e falou — Ué, vocês tinham gostado antes...
Aflitos, nós arranjamos uma tevê e mostramos pra ele os últimos episódios. Aí! Ele levantou num átimo e exclamou com toda aquela energia verídica do Samurai:
— Puta merda, esse desenho é um lixo!
E:
— Fui eu que desenhei isso?! Mas não era pra ser assim! Aqueles filhos da puta tão acabando com meu desenho!
Logo percebemos que os empresários estavam corrompendo o desenho do Jackie pra ele ficar menos original e mais "vendável". Nessa hora os donos da empresa nos avistaram e começaram a nos perseguir pelo edifício! Corremos, nos escondemos e montamos armadilhas pra eles, como jogar coisas escorregadias no corredor e depois atacar enquanto eles caíam. Conseguimos derrotar todos os empresários e no final fizemos uma grande festa com churrasco e piscina no edifício da empresa mesmo! O mundo dos desenhos estava à salvo!
Para comemorar, brincamos de lutar com espadas de palito de churrasco e fizemos até campeonatos.
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Adoro esses sonhos absolutamente shonen hahaha!
O Jackie (/samurai/) nos mostrou seus desenhos. Eles não eram perfeitos, mas a coloração era linda, cheia de vida, e os personagens pareciam interessantíssimos! Ele descreveu cada personagem, nos contou como eles interagiam, quais eram os sonhos e temores de cada um, quais eram seus poderes. Depois explicou que tinha sido chamado para fazer um desenho animado com sua história.
Ficamos vibrantes! Aguardamos ansiosamente o lançamento do programa enquanto ele foi morar na sede da distribuidora de desenhos. Quando vimos o primeiro episódio... bem, não foi ruim. E o segundo, ah, foi meio chato. Depois de alguns dias, percebemos que as histórias eram clichés, que os personagens eram tão planos que eram quase retas, que até os poderes mais legais eram usados sem nenhuma criatividade. Ficamos revoltados e decidimos ir até a empresa interrogar o Jackie sobre isso.
Quando chegamos lá, os funcionários nos receberam muito bem, mas logo percebemos que eles faziam o possível para evitar que Jack nos atendesse! Enganamos os recepcionistas e nos esgueiramos até os fundos do edifício, onde encontramos Jackie... deitado numa rede, tomando refresco! Puxamos Jackie da rede e chacoalhamos seus ombros pra ver se ele entendia a seriedade da situação!
— Seu desenho é horrível, Jack!
— Seus personagens não tem a menor graça!
— Sua história é um lixo!
— Como você deixou isso acontecer?!
Jackie olhou super-pacífico pra gente e falou — Ué, vocês tinham gostado antes...
Aflitos, nós arranjamos uma tevê e mostramos pra ele os últimos episódios. Aí! Ele levantou num átimo e exclamou com toda aquela energia verídica do Samurai:
— Puta merda, esse desenho é um lixo!
E:
— Fui eu que desenhei isso?! Mas não era pra ser assim! Aqueles filhos da puta tão acabando com meu desenho!
Logo percebemos que os empresários estavam corrompendo o desenho do Jackie pra ele ficar menos original e mais "vendável". Nessa hora os donos da empresa nos avistaram e começaram a nos perseguir pelo edifício! Corremos, nos escondemos e montamos armadilhas pra eles, como jogar coisas escorregadias no corredor e depois atacar enquanto eles caíam. Conseguimos derrotar todos os empresários e no final fizemos uma grande festa com churrasco e piscina no edifício da empresa mesmo! O mundo dos desenhos estava à salvo!
Para comemorar, brincamos de lutar com espadas de palito de churrasco e fizemos até campeonatos.
---
Adoro esses sonhos absolutamente shonen hahaha!
segunda-feira, 22 de março de 2010
The Wilderness
Every year, we gather around the Stone of the Frost
To seek the advice of Darkness
We circle the Stone, we round it and howl for it
And ask for the aid of Darkness
And that year, as we thrive through the frozen woods
As we hide and we wait for the Melting Moods
We will wait inside the Darkness
The Darkness is mother of all of us
We will wait inside her mouth
The shadows are siblings that hunt with us
And we will fight by their side
When it melts, we climb the branches of the Tree of the Song
To seek the comfort of Bluesky
We sing and we silence, we dance and stay still
And pray for our guide in Bluesky
And he comes with the spirit that fills us all
With his light as he fruitfies us all
And that year as we hunt through the chirping woods
As we run and forget of the Freezing Moods
We will run underneath the Bluesky
The Bluesky is father of all of us
We will run underneath his eyes
The shadows are siblings that hunt with us
And we will fight by their side
Every year, be it spring of fall, we know
Of our siblings of no eyes and no mouth
Though they can't eat with us when we take the kill
Though they can't see the rivers and birds that chrill
Still we will fight by their side
For our siblings, they live on the earth we step
The earth, she carries us all
And our siblings, they live on the trees we climb
The trees, they hide us from all
And our siblings, they live on the rivers springs
And they live on the animals out and in
And they live in the Darkness and under Bluesky
And they live in all that has life
And we fight by the side of life
To seek the advice of Darkness
We circle the Stone, we round it and howl for it
And ask for the aid of Darkness
And that year, as we thrive through the frozen woods
As we hide and we wait for the Melting Moods
We will wait inside the Darkness
The Darkness is mother of all of us
We will wait inside her mouth
The shadows are siblings that hunt with us
And we will fight by their side
When it melts, we climb the branches of the Tree of the Song
To seek the comfort of Bluesky
We sing and we silence, we dance and stay still
And pray for our guide in Bluesky
And he comes with the spirit that fills us all
With his light as he fruitfies us all
And that year as we hunt through the chirping woods
As we run and forget of the Freezing Moods
We will run underneath the Bluesky
The Bluesky is father of all of us
We will run underneath his eyes
The shadows are siblings that hunt with us
And we will fight by their side
Every year, be it spring of fall, we know
Of our siblings of no eyes and no mouth
Though they can't eat with us when we take the kill
Though they can't see the rivers and birds that chrill
Still we will fight by their side
For our siblings, they live on the earth we step
The earth, she carries us all
And our siblings, they live on the trees we climb
The trees, they hide us from all
And our siblings, they live on the rivers springs
And they live on the animals out and in
And they live in the Darkness and under Bluesky
And they live in all that has life
And we fight by the side of life
Howl with me
"You find me sitting at this table
with my friend Fin and my friend John
My friend Murdaney tells us stories
of things long gone, long gone
And we may take a glass together
the whisky makes it all so clear
It fires our dulled imaginations
and I feel so near, so near
I feel so near
to the howling of the winds
I feel so near
to the crashing of the waves
I feel so near
to the flowers in the field
Feel so near...
The old man looks out to the island
He says this place is endless thin
There's no real distance here to mention
we might all fall in, all fall in
No distance to the spirits of the living
No distance to the spirits of the dead
And as he turned his eyes were shining
and he proudly said, proudly said
I feel so near
to the howling of the winds
I feel so near
to the crashing of the waves
I feel so near
to the flowers in the field
Feel so near...
So we build our tower constructions
There to mark our place in time
We justify our great destructions
As on we climb, on we climb
Now the journey doesn't seem to matter
The destination's faded out
But gathering out along the headland
I hear the children shout, children shout
I feel so near
to the howling of the winds
I feel so near
to the crashing of the waves
I feel so near
to the flowers in the field
Feel so near..."
with my friend Fin and my friend John
My friend Murdaney tells us stories
of things long gone, long gone
And we may take a glass together
the whisky makes it all so clear
It fires our dulled imaginations
and I feel so near, so near
I feel so near
to the howling of the winds
I feel so near
to the crashing of the waves
I feel so near
to the flowers in the field
Feel so near...
The old man looks out to the island
He says this place is endless thin
There's no real distance here to mention
we might all fall in, all fall in
No distance to the spirits of the living
No distance to the spirits of the dead
And as he turned his eyes were shining
and he proudly said, proudly said
I feel so near
to the howling of the winds
I feel so near
to the crashing of the waves
I feel so near
to the flowers in the field
Feel so near...
So we build our tower constructions
There to mark our place in time
We justify our great destructions
As on we climb, on we climb
Now the journey doesn't seem to matter
The destination's faded out
But gathering out along the headland
I hear the children shout, children shout
I feel so near
to the howling of the winds
I feel so near
to the crashing of the waves
I feel so near
to the flowers in the field
Feel so near..."
Escotismo, Árvores, Lei da Jângal e homens
"Fly me to the moon and let me play among the stars
let me see what spring is like in jupiter and mars..."
Ahn, essa música não tem nada a ver com o que estou pensando, ela só é bonita e não sai da minha cabeça. Eu pretendo aprender a tocar ela no sax, acho que vai ficar bonito, mas antes preciso praticar bem mais; aliás, eu já disse que estou praticando sax? Bem, isso não deveria ser o que eu estava pensando. O que eu estava pensando era isto:
Ele segurou os dois galhos da árvore, como se testando sua resistência e imaginando o movimento que teria que fazer para se erguer para cima deles. Naquela hora eu olhei pra ele e pensei: esse cara tem o mesmo sangue que eu.
Esse fim de semana eu fui num evento de um grupo de escoteiros chamado Interclãs, no qual os pioneiros, que têm [18,21) anos, se reúnem, se conhecem e se misturam para fazer atividades programadas pelo Grupo sediador, que no caso era o Grupo no qual o Paulo (amigo meu, da poli) é chefe (que é a única forma de participar do movimento escoteiro se você tem 21+), o Grupo São Paulo - 001SP. O tema do evento era tribos urbanas — inclusive ganhei uma caneca e uma camiseta escrito "tribalize-se" — e havia grupos de chefes fazendo atividades para representar cada uma das tribos, no que eles chamaram de bases. Resumindo, em cada base havia uma atividade e cada atividade tinha a ver com uma tribo. O Paulo me chamou para ajudar a mestrar umas aventuras de RPG na base dos Nerds e Geeks.
Aconteceu muita coisa interessante lá, eu estou achando difícil escolher o que é mais importante. O que eu queria era mostrar o que mais me impactou, o que mais transformou o que eu era no que eu sou agora, por mais que as diferenças pareçam mínimas.
A primeira coisa foi a casa do Paulo. Resumindo, eu poderia ter decorado o lugar. Embora a arquitetura seja sem graça como em qualquer apartamento e não haja jardim. Há quebra-cabeças montados em todas as paredes, bichos de pelúcia de todos os tipos (inclusive dragões e pokémons), casa-miniaturas numa coleção, animais de brinquedo nas estantes, toda umas decoração lúdica, infantil até, mas sem perda de dignidade. Eu achei aquilo estranho e fascinante. O pai do Paulo era um cara muito alegre, descontraído e — que outra palavra usar? — fofo. Não na aparência, mas no jeito. O jeito como tratava os filhos especialmente. Parecia não ter uma preocupação na vida. A mãe do Paulo, Sandra, é uma pessoa agradável, tranqüila, divertida, e com todas as características mais marcantes de uma mãe, por exemplo querer cuidar de você e contar um monte de histórias. Ela me contou como a alcatéia dos lobinhos era baseada no Livro da Jângal, como Baden Powell era amigo de Rudyard Kipling, como os chefes dos lobinhos tinham títulos como Akela, Raksha, Baloo (os lobinhos a chamavam de Baloo). Isso me deixou intensamente nervosa.
No caminho para a casa dele, Paulo me perguntou se eu tinha religião. Eu não tenho religião, eu disse. Mas acho, eu disse, que minha fé tem algo de panteísta. As coisas pra mim são sagradas. Quando eu vi as ondas explodindo contra as pedras em Paúba eu pensei, isso é Deus para mim. As pedras são minha religião, e as árvores.
Quando eu era menor, a Jângal era a minha fé. O Livro da Jangâl, completo e na voz de Monteiro Lobato ("Olhai bem, ó lobos!") era minha Bíblia. Não tive coragem de dizer isso pra eles, mesmo quando Sandra (Baloo) me perguntou como eu tivera acesso ao livro, por que eu o lera sendo que ele é difícil para crianças, nem quando eu disse que já o tinha lido várias vezes; eu queria dizer que eu provavelmente sabia mais sobre o livro que ela, eu queria dizer que eu era mais lôba que os lobinhos, essa é a verdade. Fiquei nervosa pensando se ia encontrar um monte de gente que sabia tanto sobre essa história quanto eu. Não sabia como eu ia me comportar. O assunto em questão era muito close to heart pra mim, eu me sentia ameaçada sabendo que não detinha o poder sobre ele. Baden Powel era amigo de Kipling! Era como se eu estivesse perdendo alguma prerrogativa. Até hoje ninguém nunca foi tão obcecado pela Jângal quanto eu.
Felizmente meus mêdos não se concretizaram. Os chefes e pioneiros não tinham ligação com Mowgli, e na verdade nenhuma atividade foi muito mateira. Eu tive que defender minha posição poucas vezes, uma quando tive que mostrar que eu sabia o que era um spec de barraca, outra na hora de andar à noite pelo bosque. De modo geral fiz muitos amigos, e só fiquei na defensiva com um deles, que me pareceu o tipo xavequeiro-controlador. O dia mais interessante foi a primeira noite, em que o Paulo me deixou sozinha e eu sentei na mureta que marcava o espaço das barracas e fiquei conversando com os chefes responsáveis pela organização do campo e com todos os mais que passavam. Conheci nessas um rapaz de 20 anos que em dois minutos me convidou para me juntar ao movimento, e me explicou a segmentação por idades etc. O nome dele era Caio, e se eu tivesse que escolher alguém naquele evento para ser meu amigo, teria escolhido ele. Queria tê-lo conhecido melhor.
Me sinto ligeiramente tola. Durante boa parte da minha adolescência tive vontade de ser escoteira, mas não tive a quem fazer perguntas e achei que era impossível virar escoteiro sem antes ser lobinho, e eu obviamente era velha demais pra isso. Agora eu descubro que isso não era verdade, mas o decubro justamente na idade em que se torna verdade. Me sinto ligeiramente tola, mas quem hei de culpar?
Conheci duas pessoas que me interessaram intensamente, atrás de quem eu tendia a correr como um cachorrinho fazendo perguntas (mas na minha timidez violenta eu não fazia pergunta nenhuma). Um era um contador-de-histórias, um cara sem dono que sabia um monte de coisas interessantes. Eu queria sentar do lado dele e pedir pra ele contar histórias. Assim que o cara percebeu meu interesse ele resolveu mostrar tudo o que ele tinha pra mostrar. Isso foi legal por algum tempo, por algum tempo eu achei que ele ia conseguir a minha confiança e me ajudar a vencer a timidez, até porque ele era amigo do Caio, e porque ele também estava mestrando rpg. Por algum tempo as conversas foram interessantes, todos os caras me contaram e mostraram coisas legais que eu não conhecia, mas em algum momento... Em algum momento as coisas se reverteram e eu decidi ficar meio longe desse cara. Continuei conversando com ele, até, mas não era mais minha alma falando. Não havia mais timidez, só havia a Muralha. Me perguntei por que tantos caras interessantíssimos na minha vida de repente me causavam repulsa.
O outro foi tipo amor à primeira vista, e na verdade a existência desse cara iluminou um pouco a minha vida. Em relação a ele eu realmente me sinto como o filhote animado correndo atrás do animal mais velho e sério. O cara ainda consegue ser bastante sério, o que me fez me conter bastante na presença dele. Mas parece ser um cara legal, quem pode saber? Nada disso é importante, o importante é subir em árvores. Eu conheci o Amarelo quando uma garota apontou pra ele e pediu pra eu ajudá-lo, um cara alto e magro, cabelo máquina 2, corda de alpinista no ombro, andando a passos enérgicos (e enormes) recrutando pessoas com brados decididos sem parar de andar e sem hesitação. Não foi o que ele estava fazendo, foi o espírito com que estava fazendo isso. Eu me aproximei e ele pediu pra eu segui-lo. Andava e gritava pra quem quisesse ajudar que o seguisse. A ajuda de que ele precisava era para simular a base dos esportistas, na qual pessoas seriam içadas até um galho alto de uma árvore e depois desceriam de rapel. Ele já tinha passado uma corda pelo galho e amarrado a corda em outra ;arvore de forma que ela ficasse firme. Então ele começou a subir pela corda. Mas veja, ele não subiu pela corda com apenas a força dos braço e o jeito das pernas. Se ele tivesse feito isso, eu teria olhado pra ele com aquela inveja raivosa que eu sinto por aqueles que são simplesmente muito mais fortes que eu. Em vez disso, eu olhei para ele com a admiração de um discípulo. O cara estava amarrando outra corda menor na corda principal de forma que ele fazia laços com ela, subia pelo laço, deslocava o laço e subia novamente. Não sei nem exatamente o que ele fez. Se eu fosse outra pessoa, talvez eu tivesse querido correr até ele e pedir pra ele me ensinar ali mesmo. Uma chavinha dentro de mim mudou da posição "impossível" para "possível".
Alguém perguntou: "Você é escoteiro ou alpinista?"
E ele, sem hesitar: "Alpinista."
E, dois dias depois, depois que eu já tinha ido conversar com ele e combinado de ir no Grupo subir em árvore algum dia, quando ele estava no meu lado no bosque e ele pôs as mãos nos galhos da árvore exatamente com eu estava com vontade de fazer, eu pensei: será que ele é como eu? Será que ele vê as árvores e imediatamente pensa em como vai subir nelas?
...
...
Sabe, eu preciso tomar um pouco de cuidado, porque escrevendo isto eu notei como quando eu me interesso por uma pessoa em começo a agir como se estivesse apaixonada por ela. Não é nada disso! Eu só quero achar pessoas com as quais compartilhar paixões, como subir em árvores e contar histórias. Eu quero encontrar pessoas que uivem comigo e com as quais eu possa aprender o que anseio por saber. Eu quero pessoas que me ajudem a lembrar dos trechos esquecidos da minha Lei.
Vocês, que são meus amigos, são meus amigos porque já uivaram comigo.
Mas...
resumindo, o resto dos caras costuma se distrair demais com seus respectivos pênises pra conseguir ouvir este Chamado.
let me see what spring is like in jupiter and mars..."
Ahn, essa música não tem nada a ver com o que estou pensando, ela só é bonita e não sai da minha cabeça. Eu pretendo aprender a tocar ela no sax, acho que vai ficar bonito, mas antes preciso praticar bem mais; aliás, eu já disse que estou praticando sax? Bem, isso não deveria ser o que eu estava pensando. O que eu estava pensando era isto:
Ele segurou os dois galhos da árvore, como se testando sua resistência e imaginando o movimento que teria que fazer para se erguer para cima deles. Naquela hora eu olhei pra ele e pensei: esse cara tem o mesmo sangue que eu.
Esse fim de semana eu fui num evento de um grupo de escoteiros chamado Interclãs, no qual os pioneiros, que têm [18,21) anos, se reúnem, se conhecem e se misturam para fazer atividades programadas pelo Grupo sediador, que no caso era o Grupo no qual o Paulo (amigo meu, da poli) é chefe (que é a única forma de participar do movimento escoteiro se você tem 21+), o Grupo São Paulo - 001SP. O tema do evento era tribos urbanas — inclusive ganhei uma caneca e uma camiseta escrito "tribalize-se" — e havia grupos de chefes fazendo atividades para representar cada uma das tribos, no que eles chamaram de bases. Resumindo, em cada base havia uma atividade e cada atividade tinha a ver com uma tribo. O Paulo me chamou para ajudar a mestrar umas aventuras de RPG na base dos Nerds e Geeks.
Aconteceu muita coisa interessante lá, eu estou achando difícil escolher o que é mais importante. O que eu queria era mostrar o que mais me impactou, o que mais transformou o que eu era no que eu sou agora, por mais que as diferenças pareçam mínimas.
A primeira coisa foi a casa do Paulo. Resumindo, eu poderia ter decorado o lugar. Embora a arquitetura seja sem graça como em qualquer apartamento e não haja jardim. Há quebra-cabeças montados em todas as paredes, bichos de pelúcia de todos os tipos (inclusive dragões e pokémons), casa-miniaturas numa coleção, animais de brinquedo nas estantes, toda umas decoração lúdica, infantil até, mas sem perda de dignidade. Eu achei aquilo estranho e fascinante. O pai do Paulo era um cara muito alegre, descontraído e — que outra palavra usar? — fofo. Não na aparência, mas no jeito. O jeito como tratava os filhos especialmente. Parecia não ter uma preocupação na vida. A mãe do Paulo, Sandra, é uma pessoa agradável, tranqüila, divertida, e com todas as características mais marcantes de uma mãe, por exemplo querer cuidar de você e contar um monte de histórias. Ela me contou como a alcatéia dos lobinhos era baseada no Livro da Jângal, como Baden Powell era amigo de Rudyard Kipling, como os chefes dos lobinhos tinham títulos como Akela, Raksha, Baloo (os lobinhos a chamavam de Baloo). Isso me deixou intensamente nervosa.
No caminho para a casa dele, Paulo me perguntou se eu tinha religião. Eu não tenho religião, eu disse. Mas acho, eu disse, que minha fé tem algo de panteísta. As coisas pra mim são sagradas. Quando eu vi as ondas explodindo contra as pedras em Paúba eu pensei, isso é Deus para mim. As pedras são minha religião, e as árvores.
Quando eu era menor, a Jângal era a minha fé. O Livro da Jangâl, completo e na voz de Monteiro Lobato ("Olhai bem, ó lobos!") era minha Bíblia. Não tive coragem de dizer isso pra eles, mesmo quando Sandra (Baloo) me perguntou como eu tivera acesso ao livro, por que eu o lera sendo que ele é difícil para crianças, nem quando eu disse que já o tinha lido várias vezes; eu queria dizer que eu provavelmente sabia mais sobre o livro que ela, eu queria dizer que eu era mais lôba que os lobinhos, essa é a verdade. Fiquei nervosa pensando se ia encontrar um monte de gente que sabia tanto sobre essa história quanto eu. Não sabia como eu ia me comportar. O assunto em questão era muito close to heart pra mim, eu me sentia ameaçada sabendo que não detinha o poder sobre ele. Baden Powel era amigo de Kipling! Era como se eu estivesse perdendo alguma prerrogativa. Até hoje ninguém nunca foi tão obcecado pela Jângal quanto eu.
Felizmente meus mêdos não se concretizaram. Os chefes e pioneiros não tinham ligação com Mowgli, e na verdade nenhuma atividade foi muito mateira. Eu tive que defender minha posição poucas vezes, uma quando tive que mostrar que eu sabia o que era um spec de barraca, outra na hora de andar à noite pelo bosque. De modo geral fiz muitos amigos, e só fiquei na defensiva com um deles, que me pareceu o tipo xavequeiro-controlador. O dia mais interessante foi a primeira noite, em que o Paulo me deixou sozinha e eu sentei na mureta que marcava o espaço das barracas e fiquei conversando com os chefes responsáveis pela organização do campo e com todos os mais que passavam. Conheci nessas um rapaz de 20 anos que em dois minutos me convidou para me juntar ao movimento, e me explicou a segmentação por idades etc. O nome dele era Caio, e se eu tivesse que escolher alguém naquele evento para ser meu amigo, teria escolhido ele. Queria tê-lo conhecido melhor.
Me sinto ligeiramente tola. Durante boa parte da minha adolescência tive vontade de ser escoteira, mas não tive a quem fazer perguntas e achei que era impossível virar escoteiro sem antes ser lobinho, e eu obviamente era velha demais pra isso. Agora eu descubro que isso não era verdade, mas o decubro justamente na idade em que se torna verdade. Me sinto ligeiramente tola, mas quem hei de culpar?
Conheci duas pessoas que me interessaram intensamente, atrás de quem eu tendia a correr como um cachorrinho fazendo perguntas (mas na minha timidez violenta eu não fazia pergunta nenhuma). Um era um contador-de-histórias, um cara sem dono que sabia um monte de coisas interessantes. Eu queria sentar do lado dele e pedir pra ele contar histórias. Assim que o cara percebeu meu interesse ele resolveu mostrar tudo o que ele tinha pra mostrar. Isso foi legal por algum tempo, por algum tempo eu achei que ele ia conseguir a minha confiança e me ajudar a vencer a timidez, até porque ele era amigo do Caio, e porque ele também estava mestrando rpg. Por algum tempo as conversas foram interessantes, todos os caras me contaram e mostraram coisas legais que eu não conhecia, mas em algum momento... Em algum momento as coisas se reverteram e eu decidi ficar meio longe desse cara. Continuei conversando com ele, até, mas não era mais minha alma falando. Não havia mais timidez, só havia a Muralha. Me perguntei por que tantos caras interessantíssimos na minha vida de repente me causavam repulsa.
O outro foi tipo amor à primeira vista, e na verdade a existência desse cara iluminou um pouco a minha vida. Em relação a ele eu realmente me sinto como o filhote animado correndo atrás do animal mais velho e sério. O cara ainda consegue ser bastante sério, o que me fez me conter bastante na presença dele. Mas parece ser um cara legal, quem pode saber? Nada disso é importante, o importante é subir em árvores. Eu conheci o Amarelo quando uma garota apontou pra ele e pediu pra eu ajudá-lo, um cara alto e magro, cabelo máquina 2, corda de alpinista no ombro, andando a passos enérgicos (e enormes) recrutando pessoas com brados decididos sem parar de andar e sem hesitação. Não foi o que ele estava fazendo, foi o espírito com que estava fazendo isso. Eu me aproximei e ele pediu pra eu segui-lo. Andava e gritava pra quem quisesse ajudar que o seguisse. A ajuda de que ele precisava era para simular a base dos esportistas, na qual pessoas seriam içadas até um galho alto de uma árvore e depois desceriam de rapel. Ele já tinha passado uma corda pelo galho e amarrado a corda em outra ;arvore de forma que ela ficasse firme. Então ele começou a subir pela corda. Mas veja, ele não subiu pela corda com apenas a força dos braço e o jeito das pernas. Se ele tivesse feito isso, eu teria olhado pra ele com aquela inveja raivosa que eu sinto por aqueles que são simplesmente muito mais fortes que eu. Em vez disso, eu olhei para ele com a admiração de um discípulo. O cara estava amarrando outra corda menor na corda principal de forma que ele fazia laços com ela, subia pelo laço, deslocava o laço e subia novamente. Não sei nem exatamente o que ele fez. Se eu fosse outra pessoa, talvez eu tivesse querido correr até ele e pedir pra ele me ensinar ali mesmo. Uma chavinha dentro de mim mudou da posição "impossível" para "possível".
Alguém perguntou: "Você é escoteiro ou alpinista?"
E ele, sem hesitar: "Alpinista."
E, dois dias depois, depois que eu já tinha ido conversar com ele e combinado de ir no Grupo subir em árvore algum dia, quando ele estava no meu lado no bosque e ele pôs as mãos nos galhos da árvore exatamente com eu estava com vontade de fazer, eu pensei: será que ele é como eu? Será que ele vê as árvores e imediatamente pensa em como vai subir nelas?
...
...
Sabe, eu preciso tomar um pouco de cuidado, porque escrevendo isto eu notei como quando eu me interesso por uma pessoa em começo a agir como se estivesse apaixonada por ela. Não é nada disso! Eu só quero achar pessoas com as quais compartilhar paixões, como subir em árvores e contar histórias. Eu quero encontrar pessoas que uivem comigo e com as quais eu possa aprender o que anseio por saber. Eu quero pessoas que me ajudem a lembrar dos trechos esquecidos da minha Lei.
Vocês, que são meus amigos, são meus amigos porque já uivaram comigo.
Mas...
resumindo, o resto dos caras costuma se distrair demais com seus respectivos pênises pra conseguir ouvir este Chamado.
quinta-feira, 18 de março de 2010
Comunicado & Reflexão sobre as Estórias
Resolvi escrever isto aqui em parte por causa de um comentário que a Tá deixou, dizendo que gostaria de ler o que eu escrevo. Na verdade, eu tenho tentado escrever algumas coisas, não necessariamente histórias definitivas mas rascunhos e anotações para o futuro. Meu último projeto é escrever sucintamente tudo o que eu consigo ver da história que eu chamo de Soule V, a história de Marwa Macally e de todos os que se envolveram com ela no Hatsw. Essa Saga surgiu quando eu tinha uns onze ou doze anos, a partir da minha paixão por video-game e talvez da influência de Tolkien e dos caras da Exodus. Por muitos anos eu evitei descrevê-la porque sabia que eu não tinha a capacidade de cantá-la tão épica quanto ela merecia, ou porque eu não conseguiria descrever decentemente os cenários e os personagens. Depois de um tempo, eu decidi que não podia realmente contá-la por causa do seu conteúdo: porque era uma Soule, ou seja, os personagens eram em grande parte variações de pessoas reais, especialmente eu e meus irmãos e amigos mais próximos; e porque começava como um jogo de video-game e depois se tornava um épico sério e intenso. Passei anos da minha vida tentando encontrar uma forma de adaptar a história para que ela pudesse ser contada para qualquer pessoa. Esta semana, porém, decidi que estava me preocupando com as coisas erradas.
Acho que o mais importante é escrever a história, agora. Se eu puder escrever a história de Marwa, então poderei contar a história de Aragorn Scorpes, de Jolyn e de Idael. Poderei compreender como o Hatsw funciona e aplicar esse conhecimento em outras histórias passadas no mesmo cenário. De repente o video-game não me parece mais uma forma tola e infantil de começar um conto. Afinal, Nárnia não começa com crianças brincando pela casa? Meu conto pode ser menos infantil que Nárnia, mas ainda será lido por pessoas que gostariam de passear por outros mundos de qualquer forma que fosse, assim como eu. Eu quero escrever para essas pessoas, esses meus irmãos de fantasia. Eu quero expôr minha alma para eles, e pedir sua solidariedade.
Ontem um esquerdista vendendo jornal conseguiu atrair meu interesse e me fez descrever minha história como "sobre pessoas tentando encontrar seu lugar no mundo". Sejamos dragões ou executivos, não queremos todos a mesma coisa?
Por fim, eu escrevo para dizer que você pode ler o que eu escrevo, Tá. Parte do que eu escrevo está neste blog, no label La Cantadora. Outra parte eu posse contar a quem pedir. Algumas coisas me deixam um pouco perdida, como por exemplo a personagem que é irmã mais velha da protagonista e que em breve entrará na faculdade e terá pouco tempo para jogar com ela. Outras coisas me empolgam, como, por exemplo, o filho de meu filho. Tenho ao mesmo tempo vergonha e orgulho do que irei contar, mas se me pedir com vontade suficiente, eu contarei tudo. É claro que há partes que eu preferiria não contar por uma questão de surpresa, mas me peça para eu guardar a surpresa e eu guardarei.
Eu quero aprender todas as línguas, porque de alguma forma me parece que a verdade está nas palavras.
Acho que o mais importante é escrever a história, agora. Se eu puder escrever a história de Marwa, então poderei contar a história de Aragorn Scorpes, de Jolyn e de Idael. Poderei compreender como o Hatsw funciona e aplicar esse conhecimento em outras histórias passadas no mesmo cenário. De repente o video-game não me parece mais uma forma tola e infantil de começar um conto. Afinal, Nárnia não começa com crianças brincando pela casa? Meu conto pode ser menos infantil que Nárnia, mas ainda será lido por pessoas que gostariam de passear por outros mundos de qualquer forma que fosse, assim como eu. Eu quero escrever para essas pessoas, esses meus irmãos de fantasia. Eu quero expôr minha alma para eles, e pedir sua solidariedade.
Ontem um esquerdista vendendo jornal conseguiu atrair meu interesse e me fez descrever minha história como "sobre pessoas tentando encontrar seu lugar no mundo". Sejamos dragões ou executivos, não queremos todos a mesma coisa?
Por fim, eu escrevo para dizer que você pode ler o que eu escrevo, Tá. Parte do que eu escrevo está neste blog, no label La Cantadora. Outra parte eu posse contar a quem pedir. Algumas coisas me deixam um pouco perdida, como por exemplo a personagem que é irmã mais velha da protagonista e que em breve entrará na faculdade e terá pouco tempo para jogar com ela. Outras coisas me empolgam, como, por exemplo, o filho de meu filho. Tenho ao mesmo tempo vergonha e orgulho do que irei contar, mas se me pedir com vontade suficiente, eu contarei tudo. É claro que há partes que eu preferiria não contar por uma questão de surpresa, mas me peça para eu guardar a surpresa e eu guardarei.
Eu quero aprender todas as línguas, porque de alguma forma me parece que a verdade está nas palavras.
terça-feira, 16 de março de 2010
Essas pessoas da física.
Hoje eu estava conversando com a Gabi(óloga) e o Bruno (Iha) e confessei que estava viciada em livros, e descrevi como isso era horrível. A princípio eles não entenderam, tive que explicar melhor. Depois eles olharam pra mim meio confusos e disseram "É por isso que você não estuda aqui" e "Tudo bem, minhas amigas ficaram assim com Harry Potter durante toda a sexta série".
Nâo! Você não pode me comparar com suas amigas na sexta série, mas eu não sou uma pré-adolescente, isto não é uma paixonite, I am the real thing, a for-real book-junkie. Não é possível que não tenha nenhum desses na física, é?
E mais: quando perguntaram que livro era, eu falei e expliquei como me doía a tradução atroz em que todos os tempos verbais estavam errados, em que quase não havia pretérito mais-que-perfeito enquanto um de cada quatro parágrafos falava do passado-do-passado, eles: "o quê?"
"Oquê?"
Repeti meu problema para diversas pessoas e o mais próximo de compreensão que eu tive foi do Dobay, que disse: "eu nunca li um livro que tivesse esse tipo de problema."
...
Depois de algum tempo, murmurei frustrada que não precisava da compreensão deles, que eu ia me contentar em ter minha irmã, que sente exatamente o mesmo tipo de revolta de eu.
E falei isso olhando pro chão, me sentindo estranhamente solitária no meio de alguns dos meus melhores amigos.
Nâo! Você não pode me comparar com suas amigas na sexta série, mas eu não sou uma pré-adolescente, isto não é uma paixonite, I am the real thing, a for-real book-junkie. Não é possível que não tenha nenhum desses na física, é?
E mais: quando perguntaram que livro era, eu falei e expliquei como me doía a tradução atroz em que todos os tempos verbais estavam errados, em que quase não havia pretérito mais-que-perfeito enquanto um de cada quatro parágrafos falava do passado-do-passado, eles: "o quê?"
"Oquê?"
Repeti meu problema para diversas pessoas e o mais próximo de compreensão que eu tive foi do Dobay, que disse: "eu nunca li um livro que tivesse esse tipo de problema."
...
Depois de algum tempo, murmurei frustrada que não precisava da compreensão deles, que eu ia me contentar em ter minha irmã, que sente exatamente o mesmo tipo de revolta de eu.
E falei isso olhando pro chão, me sentindo estranhamente solitária no meio de alguns dos meus melhores amigos.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Dos últimos livros que tenho lido:
Por favor! Por favor! Eu imploro por pelo menos um préterito mais-que-perfeito!
sexta-feira, 12 de março de 2010
Essência
Estou na FAU, todos os meus amigos estão em aula, estou dividida entre filosofar, passear no sol, ler um livro ou estudar. Bem, aqui eu estou.
Há pouco tempo eu estive lendo Fight Club (que tem aspectos melhores e outros piores que o filme — notadamente o fato de o narrado não se chamar Tyler Durden) e tem aquela parte em que o narrador tem que dizer o que ele gostaria de mudar em sua vida antes que o carro batesse de frente, quer dizer, seu desejo final antes da morte, aquela coisa que você diria pro padre na hora da extrema unção se o seu padre só se sentisse vivo enquanto espanca outro homem no porão de um bar ou se esforça para destruir o mundo.
"Drunk drivers against mothers", kind-a-thing.
Eu estava no jardim, tinha um dia lindo na minha frente (é preciso observar que meu jardim em si é lindo) e minha vida parecendo escorrer das minhas mãos como um chumaço de plumas e me perguntei: o que eu quero, o que eu responderia ao mecânico dirigindo meu carro em direção à morte quando ele me fizesse essa pergunta?
— Eu quero escrever meus livros.
Sabe, não aquelas coisas amadorísticas que eu mostro pra vocês, eu quero escrever a história de Shaer, a guerra dos três demônios, a viagem de Aragorn. Eu quero mostrar a força da lida deles, eu quero declarar a que conclusão cheguei.
Tudo isso me parece impossível, como me parecia impossível velejar, me parece impossível eu um dia saber escrever e ter coragem de macular essas histórias com minhas palavras. Mas eu faço um esforço, embora débil, para que um dia isso se torne possível.
Eu sou uma escritora, uma Cantadora em essência? Nâo sei. Não tenho a mesma seiva criativa do Charles, e não há grandiosidade em meus poemas nem sabedoria em minha prosa, tudo que me resta é minha paixão, que se dilui no tempo conforme eu falho em escrever o próximo capítulo. Por exemplo, quando comecei as Histórias Sem Fim, pretendia escrever um capítulo por semana, e já se passou um ano e escrevi talvez quatro folhas.
Espero entretanto que ao menos a história seja interessante.
A Bia da Biblioteca um dia me disse "Não deixe os números confundirem você: você nasceu para as letras". Sim, sim, as letras, as palavras me encantam, mas a matemática também me encanta, tudo o que é linguagem me encanta, talvez nasça daí minha paixão por computação, mas meus interesses vão muito além desse encanto. Talvez a ciência, a arte, a fábera, e todas as coisas da vida sejam apenas hobbies, coisas do coração, coisas que são alimento mas que não são o objetivo final. Todo esse amor que eu tenho pelo mundo, talvez seja apenas a forma de devorá-lo.
Quem pode saber? Eu quero ter cento e dezoito anos e ser velha, forte e sábia. Eu quero levantar o mundo (me dêem uma alavanca!), eu quero acima de tudo enxergar. Entretanto, toda vez que me distraio do mundo e tento me concentrar no eu, eu sei que a forma como Eu gostaria de existir no mundo seria através das histórias.
Há pouco tempo eu estive lendo Fight Club (que tem aspectos melhores e outros piores que o filme — notadamente o fato de o narrado não se chamar Tyler Durden) e tem aquela parte em que o narrador tem que dizer o que ele gostaria de mudar em sua vida antes que o carro batesse de frente, quer dizer, seu desejo final antes da morte, aquela coisa que você diria pro padre na hora da extrema unção se o seu padre só se sentisse vivo enquanto espanca outro homem no porão de um bar ou se esforça para destruir o mundo.
"Drunk drivers against mothers", kind-a-thing.
Eu estava no jardim, tinha um dia lindo na minha frente (é preciso observar que meu jardim em si é lindo) e minha vida parecendo escorrer das minhas mãos como um chumaço de plumas e me perguntei: o que eu quero, o que eu responderia ao mecânico dirigindo meu carro em direção à morte quando ele me fizesse essa pergunta?
— Eu quero escrever meus livros.
Sabe, não aquelas coisas amadorísticas que eu mostro pra vocês, eu quero escrever a história de Shaer, a guerra dos três demônios, a viagem de Aragorn. Eu quero mostrar a força da lida deles, eu quero declarar a que conclusão cheguei.
Tudo isso me parece impossível, como me parecia impossível velejar, me parece impossível eu um dia saber escrever e ter coragem de macular essas histórias com minhas palavras. Mas eu faço um esforço, embora débil, para que um dia isso se torne possível.
Eu sou uma escritora, uma Cantadora em essência? Nâo sei. Não tenho a mesma seiva criativa do Charles, e não há grandiosidade em meus poemas nem sabedoria em minha prosa, tudo que me resta é minha paixão, que se dilui no tempo conforme eu falho em escrever o próximo capítulo. Por exemplo, quando comecei as Histórias Sem Fim, pretendia escrever um capítulo por semana, e já se passou um ano e escrevi talvez quatro folhas.
Espero entretanto que ao menos a história seja interessante.
A Bia da Biblioteca um dia me disse "Não deixe os números confundirem você: você nasceu para as letras". Sim, sim, as letras, as palavras me encantam, mas a matemática também me encanta, tudo o que é linguagem me encanta, talvez nasça daí minha paixão por computação, mas meus interesses vão muito além desse encanto. Talvez a ciência, a arte, a fábera, e todas as coisas da vida sejam apenas hobbies, coisas do coração, coisas que são alimento mas que não são o objetivo final. Todo esse amor que eu tenho pelo mundo, talvez seja apenas a forma de devorá-lo.
Quem pode saber? Eu quero ter cento e dezoito anos e ser velha, forte e sábia. Eu quero levantar o mundo (me dêem uma alavanca!), eu quero acima de tudo enxergar. Entretanto, toda vez que me distraio do mundo e tento me concentrar no eu, eu sei que a forma como Eu gostaria de existir no mundo seria através das histórias.
quinta-feira, 11 de março de 2010
O que eu faço quando perco alguém
Quando eu te perdi
(lembro nitidamente)
chorei por anos, de tempos em tempos
a vida pareceu sem graça
as brincadeiras não foram as mesmas.
Por anos não tive ninguém pra mim como você.
Mas com o tempo, acho, fui te tornando menos que uma memória
te tornei meu sangue, te tornei meu core.
Quando me curei, era eu que havia faltado.
Quando te perdi, entrei em desespêro.
Não parecia certo te perder.
Eu não estava certa sem você.
Todas as coisas que eu fazia pareciam idiotas,
todas as piadas pareciam estúpidas,
todos os meus amigos pareciam bobões
por que nenhum deles era você.
Queria voltar pra você, queria te encontrar
Mas aos poucos
meus amigos
se tornaram estrelas mais brilhantes que você
(e quando me dei conta, era eu que havia me afastado)
Quando te perdi, eu entendi.
Minha dor era tão grande que parecia abarcar o universo, mas isso não importava, porque eu entendi.
Eu senti saudades, mas pensei:
"Vivemos tudo o que poderíamos viver"
Você viveu, viverá, para sempre.
Quando te perdi, eu observei
Eu observei até que você viesse à tona
eu observei os outros que também te perdiam
eu procurei por você nos olhos deles
eu procurei por você nos registros, nas lembranças
eu procurei por você na memória e em Deus
e talvez eu te encontre, não sei, na Morte.
Quando te perdi, eu te amaldiçoei
Eu gritei, eu urrei em silêncio
Eu xinguei sua família, seus sonhos
Aqueles amigos que a gente teve e que eu não tenho mais.
Quando te perdi, não te perdoei
Ainda não te perdôo.
Quando eu te perdi
(e como me dói pensar nisso)
eu mergulhei em coisas felizes, talvez pra esquecer
Amigos, amor, essas coisas
Porque foi tão definitivo!
No fim,
eu perdi tanto
mas consegui manter você
um pouco ao menos de você.
Quando te perdi
(acho que perdi metade do meu coraço junto,
por isso não sinto profundamente essa perda)
Sério, quando te perdi
Passei alguns anos sem saber direito o que fazer da minha vida.
Passei muito tempo sem saber se as outras pessoas que eu conhecia
poderiam de alguma forma preencher o espaço que antes era só pra ti
De verdade,
ainda não tenho certeza do que aconteceu
Não que eu sinta sua falta, é só que
...às vezes eu acho que ainda sobra em mim esse espaço vazio.
Quando te perdi
...
...
...
...
Bom...
...
..
.
.
É: quando eu te perdi, o vazio de não ter você foi tão avassalador que entrei em desespêro e tranquei o pensamento pra fora da minha mente. Toda vez que pensei em você meu mundo ficou negro, e quis chorar. Toda vez que ouvi de você, gritei em minha mente para abafar os urros dessa ânsia que não me deixava respirar. Tentei, com todas as forças, fazer minha vida fazer sentido sem você. Tentei me convencer de que sua história podia prosseguir sem mim. Tentei fechar meus ouvidos para qualquer traço de você, com mêdo da dor lancinante que me causava qualquer notícia sua. Chorei: chorei copiosamente, sem conseguir sequer enxugar as lágrimas. E nunca parei de sonhar com você.
Quando te perdi, sentei e olhei a noite, magoada,
pensando em todas as promessas que fizemos e que não iríamos cumprir,
pensando em todas as aventuras que não poderíamos fazer.
(lembro nitidamente)
chorei por anos, de tempos em tempos
a vida pareceu sem graça
as brincadeiras não foram as mesmas.
Por anos não tive ninguém pra mim como você.
Mas com o tempo, acho, fui te tornando menos que uma memória
te tornei meu sangue, te tornei meu core.
Quando me curei, era eu que havia faltado.
Quando te perdi, entrei em desespêro.
Não parecia certo te perder.
Eu não estava certa sem você.
Todas as coisas que eu fazia pareciam idiotas,
todas as piadas pareciam estúpidas,
todos os meus amigos pareciam bobões
por que nenhum deles era você.
Queria voltar pra você, queria te encontrar
Mas aos poucos
meus amigos
se tornaram estrelas mais brilhantes que você
(e quando me dei conta, era eu que havia me afastado)
Quando te perdi, eu entendi.
Minha dor era tão grande que parecia abarcar o universo, mas isso não importava, porque eu entendi.
Eu senti saudades, mas pensei:
"Vivemos tudo o que poderíamos viver"
Você viveu, viverá, para sempre.
Quando te perdi, eu observei
Eu observei até que você viesse à tona
eu observei os outros que também te perdiam
eu procurei por você nos olhos deles
eu procurei por você nos registros, nas lembranças
eu procurei por você na memória e em Deus
e talvez eu te encontre, não sei, na Morte.
Quando te perdi, eu te amaldiçoei
Eu gritei, eu urrei em silêncio
Eu xinguei sua família, seus sonhos
Aqueles amigos que a gente teve e que eu não tenho mais.
Quando te perdi, não te perdoei
Ainda não te perdôo.
Quando eu te perdi
(e como me dói pensar nisso)
eu mergulhei em coisas felizes, talvez pra esquecer
Amigos, amor, essas coisas
Porque foi tão definitivo!
No fim,
eu perdi tanto
mas consegui manter você
um pouco ao menos de você.
Quando te perdi
(acho que perdi metade do meu coraço junto,
por isso não sinto profundamente essa perda)
Sério, quando te perdi
Passei alguns anos sem saber direito o que fazer da minha vida.
Passei muito tempo sem saber se as outras pessoas que eu conhecia
poderiam de alguma forma preencher o espaço que antes era só pra ti
De verdade,
ainda não tenho certeza do que aconteceu
Não que eu sinta sua falta, é só que
...às vezes eu acho que ainda sobra em mim esse espaço vazio.
Quando te perdi
...
...
...
...
Bom...
...
..
.
.
É: quando eu te perdi, o vazio de não ter você foi tão avassalador que entrei em desespêro e tranquei o pensamento pra fora da minha mente. Toda vez que pensei em você meu mundo ficou negro, e quis chorar. Toda vez que ouvi de você, gritei em minha mente para abafar os urros dessa ânsia que não me deixava respirar. Tentei, com todas as forças, fazer minha vida fazer sentido sem você. Tentei me convencer de que sua história podia prosseguir sem mim. Tentei fechar meus ouvidos para qualquer traço de você, com mêdo da dor lancinante que me causava qualquer notícia sua. Chorei: chorei copiosamente, sem conseguir sequer enxugar as lágrimas. E nunca parei de sonhar com você.
Quando te perdi, sentei e olhei a noite, magoada,
pensando em todas as promessas que fizemos e que não iríamos cumprir,
pensando em todas as aventuras que não poderíamos fazer.
Vegetarianismo?
Hoje, eram cinco horas, aquela hora em que meu corpo começa a ficar incomodado com a falta de algo pra digerir, fui na cozinha e peguei um pedaço de frango. Aquilo tava gostoso e resolvi pegar mais um pedaço só pelo prazer. Enquanto me acomodava para ler enquanto comia, pensei:
— Estou comendo os músculos de uma galinha.
Galinha como? Penuda, branca, ciscando, aquele olhar arregalado de dinossauro, crista, garras, vôos curtos, voz estridente. Imaginei galinha na minha mente, chocando, ciscando, andando, gritando. Estava comendo um pedaço de galinha. Me imaginei arrancando um bife da galinha, e o fritando e o comendo. Porra.
De repente me pareceu idiota comer carne só porque eu tô com gula. Quando você está com fome, poucas coisas são tão gloriosas quanto a carne, e a carne realmente é saudável, e meu corpo às vezes clama por ela. Mas comer só porque sim? Comer outro animal só porque o gosto é bom? Eu não mataria uma galinha por alguns minutos de prazer, não se esse prazer não fosse glorioso o suficiente para dar sentido à minha vida.
O frango pareceu totalmente sem gosto de repente. Eu podia sentir que ele ainda tinha o sabor agradável, mas eu me senti mal por estar comendo. Mesmo assim, sem poder devolvê-lo à geladeira, comi até o fim.
— Estou comendo os músculos de uma galinha.
Galinha como? Penuda, branca, ciscando, aquele olhar arregalado de dinossauro, crista, garras, vôos curtos, voz estridente. Imaginei galinha na minha mente, chocando, ciscando, andando, gritando. Estava comendo um pedaço de galinha. Me imaginei arrancando um bife da galinha, e o fritando e o comendo. Porra.
De repente me pareceu idiota comer carne só porque eu tô com gula. Quando você está com fome, poucas coisas são tão gloriosas quanto a carne, e a carne realmente é saudável, e meu corpo às vezes clama por ela. Mas comer só porque sim? Comer outro animal só porque o gosto é bom? Eu não mataria uma galinha por alguns minutos de prazer, não se esse prazer não fosse glorioso o suficiente para dar sentido à minha vida.
O frango pareceu totalmente sem gosto de repente. Eu podia sentir que ele ainda tinha o sabor agradável, mas eu me senti mal por estar comendo. Mesmo assim, sem poder devolvê-lo à geladeira, comi até o fim.
sábado, 6 de março de 2010
Mudança dos nomes das ruas na USP
Vocês viram? Parece que vão mudar a Rua da Reitoria pra "rua da Praça do Relógio" (é aquela rua que passa da rotatória até a Praça do Relógio por dentro do quarteirão do CRUSP), e a Praça da Reitoria para "Praça do Relógio Solar". Acho que isso vai ficar muito confuso, as pessoas vão confundir ainda mais... se bem que na verdade ninguém usa os nomes de verdade das ruas; pra mim aquela praça chama "Praça do Calendário Solar" (porque é um calendário, não só um relógio). Também vão chamar uma rua de "Rua da Reitoria" lá perto da antiga reitoria. Isso é bem estranho, o bolsão já deixa todo mundo confuso, agora essa rua vai piorar as coisas. Aquilo tinha que chamar "rua dos bancos" ou algo assim. As coisas tinham que ser mais objetivas.
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