Acabei de postar uma coisa neste blog. Mas é um post tão antigo... quando me dei conta, o post nem aparecia mais nos Ecos... A verdade é que está ficando cada vez mais difícil escrever. Cada vez mais difícil fazer qualquer coisa, na verdade. Estou ficando lenta e confusa. Me sinto uma gata velha, daquelas que passam o dia dormindo na frente da janela, que passam o dia pensando em coisas que não existem, mas sentindo apenas o que está bem aqui, estas feridas novas, que coçam, essas verdades novas, tudo o que está acontecendo e que eu não consigo compreender. Por isso a enigmática função do Diogo (e agora, de certa forma, também do Tchaba) na minha vida se torna tão fundamental. E por isso também quando eu engatei a primeira e acelerei devagarzinho pela primeira vez na minha vida, e pela primeira vez senti a dulcilidade com que aquele monstro mecânico respondeu de imediato e com precisão a cada um dos meus movimentos; por isso naquela hora tudo pareceu fazer sentido, e todas as coisas encontraram seu lugar, e eu me senti plenamente capacitada a ser aquilo que toda a minha história sempre disse que eu haveria de ser.
A questão é que eu desisti de terminar aquele post que eu comecei faz muito tempo, porque não sei mais como terminá-lo. Leiam, que vocês vão entender. Procure-no, talvez. Porque também eu não sou 'hermética'. Eu me compreendo, na maior parte das vezes. Mas, também, não faço questão de que me entendam, não sempre. Essas coisas variam de intensidade e de importância.
Enfim, fins de hiato sempre serão posts ruins e confusos. Algum dia eu vou reunir todos eles e postar todos juntos pra vocês verem como são textos ruins. Acho que é porque marcam períodos de falta do que falar, de confusão e vazio. Bem. Espero que vocês estejam felizes. Espero que tudo esteja dando certo. No momento, eu estou um pouco desanimada.
Mas hoje foi um dia maravilhoso...
Oh, well, as coisas são assim, esquisitas, mesmo.
Um grade beijo.
Marina.
palavra por palavra, procuro chegar, devagar, ao lugar de La Loba.
"O silêncio", disse o griot,"só é escuro no começo..."
terça-feira, 3 de julho de 2007
terça-feira, 19 de junho de 2007
"Não hesite! — gritou Faklam"
Variações sobre o mesmo tema
Agora há pouco aconteceu de eu encontrar na minha caixa postal um e-mail do Charles. Aliás, não: eram dois, e como eu queria ler primeiro o mais antigo, e como o mais recente parecia mais interessante, acabei lendo do primeiro apenas as primeiras palavras, enquanto do segundo li todo o conteúdo. Eram as primeiras palavras: não hesite!, gritou Faklam.
Seguiu-se: meu cérebro inquieto e prosador começou a criar para essa pose diversas possíveis continuações, cada uma a seu modo. E a cada continuação eu pensava (não, não será assim, o Charles nunca continuaria assim...) mas à verdade o texto dele acaba sendo meio parecido com minha primeira imaginação.
Seguem-se:
***
Não hesite!, gritou Faklam para Lennor, e Lennor não hesitou: saltou como uma pantera sobre o vulto que corria e o derrubou no chão com violência. A vida não lhe ensinara a ser brando; antes ensinara-lhe a ser bruto. Sua força vinha da pureza de suas decisões. Ademais Lennor era um homem calado, e a raposa que agora mantinha fortemente entre os braços era na verdade a criatura que melhor o compreendia.
***
— Não hesites! — gritou Faklam, agitando os braços enraivecido, o rosto vermelho — Se hesitares por apenas um segundo diante de um Drédjam, não viverás para se arrepender! O mundo é impiedoso; devemos ser igualmente impiedosos para manter a ordem nele!
— Mas este não é um Drédjam, senhor; é um animal indefeso! — protestou Nariu, imitando o gesticular do mestre.
— Mas achas então que quando encontrares o inimigo o reconhecerás de imediato? Não vês que também um Drédjam não passa de um animal indefeso como este — e levantou a lebre ruiva pelas orelhas, arrancando-a do abraço do rapaz — Não vês que também esta lebre é capaz de matar se sua família for ameaçada?!
***
— Não hesite! — gritou Faklam, e quando gritou pareceu tomado por um espírito louco. Makke mantinha o cano da arma firmemente apontado para a terceira vértebra da coluna do rival, mas o dedo indicador já sequer encostava no gatilho. De repente parecia-lhe inconcebível matar um homem por que viver próximo dele seria insuportável. De repente o fato da própria existência de Faklam ser o centro dos tormentos da cida de Makke parecia uma idéia idiota. Sem contar que ele não podia simplesmente tirar a vida de um homem que pedia para morrer.
***
Não hesite!, gritou Faklam, e não teve tempo de se arrepender quando todo o seu mundo conhecido voôu pelos ares.
***
— Não hesite! — gritou Faklam, com um sorriso. Momo respondeu com um latido, e entrou determinado no labirinto que era a primeira das doze provas.
***
"Não hesite", gritara Faklam do portão, mas é claro que Marcus hesitou. Não era realmente culpa dele: ele estava apenas fazendo o que fora ensinado a fazer desde que tinha dois meses e meio de idade. Agora, hesitar, calcular, pesar minuciosamente a situação e as conseqüência antes de agir se tornara parte de sua natureza. O Pêndulo, porém, não era familiarizado com a natureza de Marcus — não sabia que se esperasse apenas aquele breve instante o desafiante rapidamente se decidiria e tocaria o sino com firmeza e tranqüilidade. Ele não podia adivinhar que aquele toque geraria o badalar mais límpido e preciso que a cidade de Caluam seria capaz de apreciar. O Pêndulo, como Marcus, seguia apenas sua natureza; e no momento sua natureza dizia que qualquer desafiante que hesitasse em cumprir suas ordens deveria ser expulso ou aniquilado.
***
*******
Cansei de escrever. Vou fazer outra coisa. Boa noite, amores.
domingo, 10 de junho de 2007
What life is all about
Hoje foi um dia terrível. Mas, no final do dia, eu levei meu namorado ao ponto de ônibus, e nós guerreamos e inventamos brincadeiras e nos despedimos sorridente; e na volta eu encontrei um gato e andei rente ao chão e fiz movimentos felinos e falei como um gato (é incrível como os gatos acreditam quando finjimos falar a língüa deles) e ele me deixou chegar até o limite da sua área de segurança (ou seja, mesmo se eu o atacasse, ele poderia fugir, mas só por um triz).
E no começo do dia brigamos com coceguinhas e... talvez seja isso que a life is all about: começos e finais...
E no começo do dia brigamos com coceguinhas e... talvez seja isso que a life is all about: começos e finais...
sábado, 2 de junho de 2007
Encontrei este poema num caderno velho e me lembrei do meu maninho. Espero que você entenda porquê, Ugo ^^
Correndo rio de água corrente
Água corrente no rio correndo
Corrente o rio de água correndo
O Rio Corrente correndo de água
Água correndo no rio corrente
Correndo água corrente no rio
A água a água corrente no rio
Corrente correndo no rio correndo
No rio correndo corrente do rio
Que d'água correndo deságua no rio
Corrente corrente correndo na água
E afoga na água corrente do rio
Afoga corrente, na água do rio
Correndo, correndo, correndo, desvio
Afoga e desvia e deságua no rio
A água corrente, correndo, desvio.
Correndo rio de água corrente
Água corrente no rio correndo
Corrente o rio de água correndo
O Rio Corrente correndo de água
Água correndo no rio corrente
Correndo água corrente no rio
A água a água corrente no rio
Corrente correndo no rio correndo
No rio correndo corrente do rio
Que d'água correndo deságua no rio
Corrente corrente correndo na água
E afoga na água corrente do rio
Afoga corrente, na água do rio
Correndo, correndo, correndo, desvio
Afoga e desvia e deságua no rio
A água corrente, correndo, desvio.
quinta-feira, 31 de maio de 2007
Brevemente.
Realmente, tem algo de encantado no dia de hoje... Mas eu não vou explicar agora, porque tenho que tirar o pijama e ir me arrumar para ir no forró com a Camilla.
Isso soa absurdo para vocês também??
(...droga, tenho deixado muitos posts pela metade ultimamente...)
Isso soa absurdo para vocês também??
(...droga, tenho deixado muitos posts pela metade ultimamente...)
domingo, 27 de maio de 2007
Só uma coisa a dizer:
The king and his men stole the Queen from her bed
and bound her in her bones
The seas be ours
and by the powers
where we will we'll roam
Yo-ho,
haul together,
hoist the colours high...
Heave all,
thieves and beggars,
never say we die...
Some men have died, and some are alive,
and others sail the seas
With the keys of the cage
and the Devil to pay
we lay to Fiddler's Green
Yo-ho,
haul together,
hoist the colours high...
Heave-ho,
thieves and beggars,
never shall we die...
The bell has been raised from it's watery grave
Do ye hear it's sepulchral tone?
A call to all,
pay heed the squall
and turn yer sails towards home...
Yo-ho,
haul together,
hoist the colours high...
Heave-ho,
thieves and beggars,
never say we die...
Heave and haul,
all together,
hoist the colours high...
Here we're all
thieves and beggars
and never say we die...
Yo-heave-ho...
all together...
hoist the colours...
Far-thee-well...
Thieves and beggars...
Never shall we die!...
and bound her in her bones
The seas be ours
and by the powers
where we will we'll roam
Yo-ho,
haul together,
hoist the colours high...
Heave all,
thieves and beggars,
never say we die...
Some men have died, and some are alive,
and others sail the seas
With the keys of the cage
and the Devil to pay
we lay to Fiddler's Green
Yo-ho,
haul together,
hoist the colours high...
Heave-ho,
thieves and beggars,
never shall we die...
The bell has been raised from it's watery grave
Do ye hear it's sepulchral tone?
A call to all,
pay heed the squall
and turn yer sails towards home...
Yo-ho,
haul together,
hoist the colours high...
Heave-ho,
thieves and beggars,
never say we die...
Heave and haul,
all together,
hoist the colours high...
Here we're all
thieves and beggars
and never say we die...
Yo-heave-ho...
all together...
hoist the colours...
Far-thee-well...
Thieves and beggars...
Never shall we die!...
sexta-feira, 25 de maio de 2007
(roubado de)
Que Estranha Forma de Vida de Marta Peralta
E este não é o único texto dela que eu gostaria de ter escrito...
Escrever
Escrever palavras apenas para observar a tinta a sair da caneta,as palavras que se vão formando através de letras que vou escrevendo,mesmo que não façam sentido.Escrever para não enlouquecer porque o que povoa o meu cérebro são volumes de dicionários cheios de palavras repletas de letras,palavras em várias línguas, umas que existem,outras que nem sequer o são.Escrever porque é como respirar,é como voltar a adormecer o monstro para que não se liberte,escrever para ver a forma que posso dar ao texto pondo uma palavra aqui e outra
aqui.
Escrever porque posso,porque tenho mão,porque penso,porque sinto,porque sei,porque sou.Escrever até doer a mão e a letra sair feia.Escrevi porque necessitava...porque estava a enlouquecer...
E este não é o único texto dela que eu gostaria de ter escrito...
quinta-feira, 24 de maio de 2007
O Tomo de Gancche - I
Escrevi este início de história há um bocado de tempo já, mas nunca consegui terminá-lo. Vou publicá-lo talvez apenas para tornar menos difícil lê-lo, sabe? Obviamente, eu não pretendia interromper a narrativa ali, mas fui obrigada. Um dia eu termino ^^ Aproveitem, foi feito com esmero.
O relógio de pêndulo acabou de assoviar seis horas, e cada objeto nesta sala parece reverberar em concordância. Os livros nas estantes, com suas capas de madeira, tremem com o assoalho, em resposta aos urros da trovoada, e meus velhos ouvidos sentem o tilintar silencioso das lâminas nas paredes e das penas sobre a escrivaninha. Cada coisa nesta sala quer prender minha atenção, quer lembrar-me de sua importância e da importância do momento e do lugar de onde saiu. A pedra vermelha que uso como peso de papel prende o meu olhar como um îmã poderoso; o envelope rasgado embaixo dela exala um perfume antigo que torna difícil pensar. É certamente o punhal de lâmina negra, entre todos, o que mais se remexe (imóvel) no seu suporte na parede. Entretanto, poderia eu desandar a falar dele, quando sequer mencionei tantos outros elementos cuja importância precede sua existência? Vejo agora o grave erro que cometi: tranquei as portas, e passei ferrolho nas janelas, para que ninguém vindo de fora perturbasse meu ofício, e agora são os alguéns — ou alguns — de dentro que me perturbam. Desde sempre, dias como este, chuvosos e cheios de vento, me trazem tantas lembranças, e tão antigas, que não consigo manter os olhos no presente.
Então, talvez seja a chuva minha melhor companheira: porque é preciso que eu me volte mais uma vez para o passado. É preciso que eu conte uma velha história, uma entre as tantas histórias que cada reflexo de luz nesta sala insiste em me recordar, mas uma história que ao fim encerra todas as outras. É por isso que tranco as janelas, que privo-me da abençoada luz do Sol e me atenho à pena em minha mão e ao tomo sob meus dedos. Todavia, antes que eu consiga unir os dois e dar início, finalmente, à narrativa, uma dúvida me paraliza: por onde devo começar? De outros dias chuvosos como este, outros dias que mudaram minha vida? De algum momento ainda mais memorável, em que a vida dos — dos protagonistas? — estivesse periclitando entre mais de um precipício? Aquém e além dessas portas fechadas, cada signo no mundo reclama o seu direito de introduzir e justificar os outros. Eu busco o momento que melhor explica tudo o que este tomo tem dever de compreender. Devo partir do fim? Do começo? E, mesmo que soubesse escolher por um dos dois, eu saberia discernir quais são o início e o término de minha história? Não — seria melhor que a minha narrativa começasse não por um, mas por todos os momentos, conferindo a cada instante o valor e o sabor de descoberta que é de seu direito.
<08/11/06>
O relógio de pêndulo acabou de assoviar seis horas, e cada objeto nesta sala parece reverberar em concordância. Os livros nas estantes, com suas capas de madeira, tremem com o assoalho, em resposta aos urros da trovoada, e meus velhos ouvidos sentem o tilintar silencioso das lâminas nas paredes e das penas sobre a escrivaninha. Cada coisa nesta sala quer prender minha atenção, quer lembrar-me de sua importância e da importância do momento e do lugar de onde saiu. A pedra vermelha que uso como peso de papel prende o meu olhar como um îmã poderoso; o envelope rasgado embaixo dela exala um perfume antigo que torna difícil pensar. É certamente o punhal de lâmina negra, entre todos, o que mais se remexe (imóvel) no seu suporte na parede. Entretanto, poderia eu desandar a falar dele, quando sequer mencionei tantos outros elementos cuja importância precede sua existência? Vejo agora o grave erro que cometi: tranquei as portas, e passei ferrolho nas janelas, para que ninguém vindo de fora perturbasse meu ofício, e agora são os alguéns — ou alguns — de dentro que me perturbam. Desde sempre, dias como este, chuvosos e cheios de vento, me trazem tantas lembranças, e tão antigas, que não consigo manter os olhos no presente.
Então, talvez seja a chuva minha melhor companheira: porque é preciso que eu me volte mais uma vez para o passado. É preciso que eu conte uma velha história, uma entre as tantas histórias que cada reflexo de luz nesta sala insiste em me recordar, mas uma história que ao fim encerra todas as outras. É por isso que tranco as janelas, que privo-me da abençoada luz do Sol e me atenho à pena em minha mão e ao tomo sob meus dedos. Todavia, antes que eu consiga unir os dois e dar início, finalmente, à narrativa, uma dúvida me paraliza: por onde devo começar? De outros dias chuvosos como este, outros dias que mudaram minha vida? De algum momento ainda mais memorável, em que a vida dos — dos protagonistas? — estivesse periclitando entre mais de um precipício? Aquém e além dessas portas fechadas, cada signo no mundo reclama o seu direito de introduzir e justificar os outros. Eu busco o momento que melhor explica tudo o que este tomo tem dever de compreender. Devo partir do fim? Do começo? E, mesmo que soubesse escolher por um dos dois, eu saberia discernir quais são o início e o término de minha história? Não — seria melhor que a minha narrativa começasse não por um, mas por todos os momentos, conferindo a cada instante o valor e o sabor de descoberta que é de seu direito.
<08/11/06>
quarta-feira, 23 de maio de 2007
Questão
Estava pensando agora, de fato, faz muito tempo que não escrevo um post reflexivo-poético... bem, uma alarara ou divagação... Estranho... sei lá...
Hoje estava revendo um caderno e não consegui entendê-lo. Como se eu não conseguisse perceber a intenção dos desenhos. Tudo está tão enigmático!
Hoje estava revendo um caderno e não consegui entendê-lo. Como se eu não conseguisse perceber a intenção dos desenhos. Tudo está tão enigmático!
terça-feira, 22 de maio de 2007
Sobre a palavra "semelhança" - cor (sinestesia)
É que a palavra semelhança, com seus Ee, seu S, seu M, seu LH e sua cedilha, tem uma cor assim de feno, talvez um feno ligeiramente rúbreo por causa dos Aa e do N. Mas semànticamente, sabe, semelhança é uma palavra meio azul. Go figure.
(ignorem este post)
(ignorem este post)
Semelhança
"Onde queres revólver sou coqueiro, onde queres dinheiro sou paixão
Onde queres descanso sou desejo, e onde sou só desejo queres não
E onde não queres nada, nada falta, e onde voas bem alta eu sou o chão
E onde pisas no chão minha alma salta, e ganha liberdade na amplidão"
Eu estava pensando.
Que quando gostei da Yuri
(digo gostei, porque gostei antes de amar)
gostei dele principalmente pelo que nele era curiosamente diferente de mim
(mesmo que depois eu tenha percebido que não era)
e depois descobri o quanto éramos iguais
(mesmo que agora eu ache que era muito diferente).
E foi mais ou menos por aí que me apaixonei. (isso foi antes de nos tornarmos parecido demais)
Estava pensando nisso porque percebi — e foi muito estranho perceber — que eu comecei a namorar o Charles basicamente porque ele era igual a mim, e depois fui descobrir que éramos, enfim, fundamentalmente diferentes (e, até certo ponto, isso é o que mais gosto nele. mas só até certo ponto.)
Estava pensando nisso também porque as pessoas dizem que escorpianinos não fazem bons pares com outros escorpianinos, mas em geral são dos escorpianinos que eu procuro me aproximar (e, veja só, me apaixono por eles).
Mais do que isso, consegui namorar dois rapazes que fazem aniversário junto comigo.
O mais curioso disso é (pense nisso) em geral minhas brigas com o Cham são justamente sobre aquilo em que somos diferentes! Não me lembro de como era com o Yuri (é que não brigávamos, entende)...
A minha questão é: será que eu estou buscando namorar a mim mesma? Por que eu procuro sempre o semelhante, e nunca o diferente? Ou será que é o contrário; será que é o semelhante que procura a mim?
(acho que vou desenvolver isso outro dia. quando estiver menos tensa e, sei lá, menos nua)
Onde queres descanso sou desejo, e onde sou só desejo queres não
E onde não queres nada, nada falta, e onde voas bem alta eu sou o chão
E onde pisas no chão minha alma salta, e ganha liberdade na amplidão"
Eu estava pensando.
Que quando gostei da Yuri
(digo gostei, porque gostei antes de amar)
gostei dele principalmente pelo que nele era curiosamente diferente de mim
(mesmo que depois eu tenha percebido que não era)
e depois descobri o quanto éramos iguais
(mesmo que agora eu ache que era muito diferente).
E foi mais ou menos por aí que me apaixonei. (isso foi antes de nos tornarmos parecido demais)
Estava pensando nisso porque percebi — e foi muito estranho perceber — que eu comecei a namorar o Charles basicamente porque ele era igual a mim, e depois fui descobrir que éramos, enfim, fundamentalmente diferentes (e, até certo ponto, isso é o que mais gosto nele. mas só até certo ponto.)
Estava pensando nisso também porque as pessoas dizem que escorpianinos não fazem bons pares com outros escorpianinos, mas em geral são dos escorpianinos que eu procuro me aproximar (e, veja só, me apaixono por eles).
Mais do que isso, consegui namorar dois rapazes que fazem aniversário junto comigo.
O mais curioso disso é (pense nisso) em geral minhas brigas com o Cham são justamente sobre aquilo em que somos diferentes! Não me lembro de como era com o Yuri (é que não brigávamos, entende)...
A minha questão é: será que eu estou buscando namorar a mim mesma? Por que eu procuro sempre o semelhante, e nunca o diferente? Ou será que é o contrário; será que é o semelhante que procura a mim?
(acho que vou desenvolver isso outro dia. quando estiver menos tensa e, sei lá, menos nua)
Resposta ao Comentário do Yuri
Obrigada por colocar isso de maneira tão clara, Yu. Ultimamente tem sido meio difícil parar para refletir e ainda escrever o que reflito, sabe? Outro dia comecei um texto bastante reflexivo, descritivo, empolgado, revoltado, marinesco, daqueles que, bom, não sei o que me dá (mas não daqueles que eu realmente gosto, daqueles que, hm, quase ninguém entende...) mas ainda não consegui terminá-lo. E, quando o fizer, vai ser um texto esquisito, e imenso. Conciliar a vida internáutica com a nova realidade da participação na faculdade, da criação de novas amizades e parcerias, e da busca pela compreensão de uma nova forma de viver a vida (isso sem contar a terrível e fascinante descoberta da responsabilidade) tem sido complexo, difícil e delicioso. Mas por enquanto a literatura deixará a desejar. Estou começando a me reorganizar pela parte das artes mais visuais mesmo — aquelas que são menos sonoras que esta aqui.
Como a vida tem sido meio tensa (hoje especialmente), provavelmente vocês verão mais textos como aquele escarro do Pato (e também porque tenho lido o jornal todos os dias...). Mas gostaria que você, Yu, voltasse a expôr seus pensamentos rabiscados e digitados novamente. Valorizo sua visão do mundo, mesmo que não concordemos. Mesmo se não conseguir postar como postava, você podia falar mais sobre como é a vida lá na FFLCH :þþ Deve de ser interessante... Aliás, conheci uma bixete das sociais, hoje. Pegamos o mesmo busão. Sei lá.
A respeito do blog preto, por enquanto vou deixar preto mesmo (e não é todo, pensando bem: o título, a descrição e os posts mais recentes têm outras cores) porque quero destacar os textos e somente os textos. Mas só porque você falou vou botar o título mais claro e mudar a cor dos rodapés.
PS.: Resolvi fazer um post só para essa resposta porque achei que ela valia um post. Isso acontece muito, comigo, mas nem sempre tenho coragem de dar tanto destaque a um comentário, sabe? Mas a vida está mudando. Eu estou mudando. Tudo está muito diferente do que sempre foi... e é muito bom sentir esse ar fresco que sopra da humanidade...
Como a vida tem sido meio tensa (hoje especialmente), provavelmente vocês verão mais textos como aquele escarro do Pato (e também porque tenho lido o jornal todos os dias...). Mas gostaria que você, Yu, voltasse a expôr seus pensamentos rabiscados e digitados novamente. Valorizo sua visão do mundo, mesmo que não concordemos. Mesmo se não conseguir postar como postava, você podia falar mais sobre como é a vida lá na FFLCH :þþ Deve de ser interessante... Aliás, conheci uma bixete das sociais, hoje. Pegamos o mesmo busão. Sei lá.
A respeito do blog preto, por enquanto vou deixar preto mesmo (e não é todo, pensando bem: o título, a descrição e os posts mais recentes têm outras cores) porque quero destacar os textos e somente os textos. Mas só porque você falou vou botar o título mais claro e mudar a cor dos rodapés.
PS.: Resolvi fazer um post só para essa resposta porque achei que ela valia um post. Isso acontece muito, comigo, mas nem sempre tenho coragem de dar tanto destaque a um comentário, sabe? Mas a vida está mudando. Eu estou mudando. Tudo está muito diferente do que sempre foi... e é muito bom sentir esse ar fresco que sopra da humanidade...
segunda-feira, 21 de maio de 2007
Lalala - e vários outros assuntos
Hm, esse foi um ótimo fim de semana, razoàvelmente produtivo, descansativo (acho que é um bom antônimo para 'cansativo') e gostoooso... Cheio de boa comida (o feijão na casa do Charles é uma iguaria), sobre-mesas (bolo de banana da Maria, sorvete e bolo da Sida... hmmm...), bons filmes (e ruins também, na verdade), One Piece, passeio de carro, conversas boas, planos... Estou tão bem-humorada que achei que deveria escrever alguma coisa sobre isso.
Por outro lado, tenho uma porção de trabalhos pra amanhã ou pra terça que estão muuuuito longe de ser acabados... -_-'''
Tive um sonho com o pessoal da faculdade, ontem. Foi a primeira vez. Pensando bem, tinham pessoas do santa no meio da minha classe da FAU. Além disso, acho que o representante de classe (ou só um cara do grêmio, não sei) era o Desmond, do Lost. E olha que essa foi a parte menos estranha do sonho ¬¬
Ah é, e também descobri que Psych está passando só aos domingos! Eu tinha reparado que Monk tinha mudado para as quartas-feiras, mas nem tinha feito a ligação... Que droga, nada mais de chegar tarde em casa e ver só o finzinho de Psych e não entender nada, pra depois ver o episódio inteiro na sessão da uma... Por que eles não puseram Monk no lugar de o que quer que seja que passa na segunda, hein... aposto que valia mais a pena... hunf...
PS.: eu fico sempre pensando se alguém realmente se dá ao trabalho de ler as coisas inúteis que eu escrevo sobre o que está acontecendo comigo agora... ainda mais agora que não tenho caprichaod tanto nos textos. Mas, como não tem mais ninguém por perto que faça isso, não posso nem saber se eu gostaria de ler um blog assim (obviamente eu sou a medida para todas as coisas... *sorriso colgate superior*). É que não são assuntos realmente universais, sabe, mas acho que tudo o que acontece no mundo é, em certa medida, de interesse de todos. Entendem? Alguém me ajude a resolver essa questão.
PPS.: Vocês já repararam que o sitema de comentários do Blogger (entre outros) só mostra a hora do envio do comentário, mas não a data? É como se naturalmente todos os comentários fossem ser feitos no mesmo dia em que o texto é publicado. Claro que no nosso caso quase sempre o texto será lido umas vinte e quatro horas depois de ser escrito, e então os comentários demoram de dois a *número bem grande* de minutos para chegar. Digo isso porque muita gente relê posts muuuito velhos (de, deixa eu ver uma semana atrás? :þþþþ) e faz comentários! Minha conclusão é que estamos entre os mais saudáveis dos usuários do Blogger, já que não estamos loggados o dia inteiro para podermos ver todos os posts novos e comentar sempre no mesmo dia.
Sei lá, isso vai para a minha lista de 'provas de que o mundo não foi feito prà gente'...
PPPS.: pensando bem, será que alguém vai ler estes PSs? Será que só quem quiser comentar (e estiver procurando o link) vai encontrá-los? Ou será que todos os leitores selecionam o texto ao menos para ver se há algum comentário? De qualquer forma, talvez só os leitores que façam isso sejam do tipo que se interessa pelos assuntos dos PSs mesmo...
Por outro lado, tenho uma porção de trabalhos pra amanhã ou pra terça que estão muuuuito longe de ser acabados... -_-'''
Tive um sonho com o pessoal da faculdade, ontem. Foi a primeira vez. Pensando bem, tinham pessoas do santa no meio da minha classe da FAU. Além disso, acho que o representante de classe (ou só um cara do grêmio, não sei) era o Desmond, do Lost. E olha que essa foi a parte menos estranha do sonho ¬¬
Ah é, e também descobri que Psych está passando só aos domingos! Eu tinha reparado que Monk tinha mudado para as quartas-feiras, mas nem tinha feito a ligação... Que droga, nada mais de chegar tarde em casa e ver só o finzinho de Psych e não entender nada, pra depois ver o episódio inteiro na sessão da uma... Por que eles não puseram Monk no lugar de o que quer que seja que passa na segunda, hein... aposto que valia mais a pena... hunf...
PS.: eu fico sempre pensando se alguém realmente se dá ao trabalho de ler as coisas inúteis que eu escrevo sobre o que está acontecendo comigo agora... ainda mais agora que não tenho caprichaod tanto nos textos. Mas, como não tem mais ninguém por perto que faça isso, não posso nem saber se eu gostaria de ler um blog assim (obviamente eu sou a medida para todas as coisas... *sorriso colgate superior*). É que não são assuntos realmente universais, sabe, mas acho que tudo o que acontece no mundo é, em certa medida, de interesse de todos. Entendem? Alguém me ajude a resolver essa questão.
PPS.: Vocês já repararam que o sitema de comentários do Blogger (entre outros) só mostra a hora do envio do comentário, mas não a data? É como se naturalmente todos os comentários fossem ser feitos no mesmo dia em que o texto é publicado. Claro que no nosso caso quase sempre o texto será lido umas vinte e quatro horas depois de ser escrito, e então os comentários demoram de dois a *número bem grande* de minutos para chegar. Digo isso porque muita gente relê posts muuuito velhos (de, deixa eu ver uma semana atrás? :þþþþ) e faz comentários! Minha conclusão é que estamos entre os mais saudáveis dos usuários do Blogger, já que não estamos loggados o dia inteiro para podermos ver todos os posts novos e comentar sempre no mesmo dia.
Sei lá, isso vai para a minha lista de 'provas de que o mundo não foi feito prà gente'...
PPPS.: pensando bem, será que alguém vai ler estes PSs? Será que só quem quiser comentar (e estiver procurando o link) vai encontrá-los? Ou será que todos os leitores selecionam o texto ao menos para ver se há algum comentário? De qualquer forma, talvez só os leitores que façam isso sejam do tipo que se interessa pelos assuntos dos PSs mesmo...
sábado, 19 de maio de 2007
So...
Hoje meu horóscopo (que absurdo, eu nunca leio horóscopo, e agora vou falar pra vocês dele?!) dizia que era hora de botar a mão na massa e trabalhar, desencanar de descanso e etc. e me esforçar. Pois é. Só não sei exatamanete o que eu devo fazer. Quer dizer, esses horóscopos diários não fazem o menor sentido pra mim, já que eu geralmente demoro um ou dois dias pra entender qualquer coisa que me proponha a fazer. Ok, acho que vou visitar meu namorado, e talvez fazer um desenho que preciso fazer, e eu deveria escrever... é, acho que vou passar no Cham mais tarde, não agora. Agora quero mesmo escrever. Preciso escrever.
quinta-feira, 17 de maio de 2007
Memoirs, etc.
Sobre coisas nas quais há muito eu não pensava...
I want to buy you flowers...
It's such a shame you're a boy...
Remember this song? Remember how I sang it day after day thinking, oh, boy, You were so sweet... and I was in love... and how my heart couldn't understand what the fuck I was doing; do you remeber the endless poems you, dear, you never had the chance to read? And everything rolled on from then... How blue eyes became green and later on green eyes faded into blue ones; and how in the end they were only eyes, eyes full of hope and despair, eyes waiting for someone to buy them flower, though I must confess I wonder If you will like my flowers, and eyes hoping that I'd never stop bringing them flowers, though, you know, inside my heart I was, you know, beyond the point of no return...
Eu estava pensando em como as coisas mudam, mas continuam as mesmas. A Arlenice disse (não?), "mudar para não mudar". Eu não sei por que continuo trazendo aquele assunto à tona. Acho que desta vez eu tinha um objetivo, mas o esqueci.
A questão é que a Chris se voluntariou para digitar textos meus, e eu fiquei pensando, e resolvi escolher uma das minhas agendas para que ela digitasse, e claro que isso trouxe à tona uma porção de coisas...
Uma delas é o recorrente pensamento do testamento. Não sei por que penso nisso com tanta freqüência (de fato havia passado vários meses sem pensar nisso até esses dias) mas às vezes me pego imaginando o que eu escreveria no meu testamento. Tenho muita vontade de escrever um testamento, mas não muita coragem. Acho que é como a coisa na psicanálise, de ir pro interior, de publicar um livro, de escrever mais sobre as minhas histórias, de falar sobre as Soules — me admiro e me valorizo pelo que eu faria se me permitisse tais possibilidades, mas não tenho coragem de fazê-lo. E Acho que mamãe, papai, irmãozinho e irmãzinha têm uma parcela de culpa pelo sentimento de vergonha. Quero dizer, eles poderiam ter me achado menos ridícula quando eu ainda tinha a cara de ser eu mesma. Segundo Jung (e isto está escrito bem errado na minha agenda do ano passado), "todos nós nascemos originais e morremos cópias" (De alguma forma na agenda está escrito que nascemos "iguais". E morremos cópias.), e eu percebo isso se aplicar em mim ferozmente. Tenho um mêdo tremendo de ser eu mesma. E sei que vocês são assim também. Supondo que somos um pouco parecidos, vocês também têm mêdo de que os outros descubram seus vícios secretos, suas vontades proibidas, e que aquilo que os deleita nem sempre é menos terrível do que o absolutamente inaceitável segundo a nossa moral. O pior de tudo talvez seja aquilo que não fere a ninguém, e que inclusive produz bons resultados, mas que necessariamente nos coloca na categoria dos "esquisitos" (lembrei agora do que o Pedro disse — as aspas são apenas um arrepio do texto). Eu estava pensando em abolir a Categoria dos Esquisitos (talvez apenas para me ver fora dela), mas talvez eu nem tenha esse poder. Como protesto, então, vou assumir minha Esquisitice e falar abertamente das minhas características Esquisitas. Mas acho que posso deixar o andar-ao-redor-da-piscina (que é apenas uma especificidade do andar-ao-redor-das-coisas, que por sua vez é subdivisão do andar-em-percursos-fechados, conseqüência do andar-desatento em caminhos-previsíveis) para outra vez. Voltemos à questão do Testamento.
A questão do testamento é a seguinte: eu fico pensando para quem eu devo deixar minhas coisas. Às vezes eu penso sobre aquelas coisas que só tem significado para mim, e penso que eu poderia pedir que fossem devolvidas à natureza quando eu morresse (como aquelas deku-nuts ou aquela pedra na qual eu pintei água...), outras vezes eu penso em coisas menos simbólicas, mas que eu amo, como brinquedos, adornos, bichos de pelúcia (sobre estes, me peguei pensando outro dia que aquele cachorrinho cinza de olhos azuis iria para o Diogo... digamos que os dois têm uma história juntos :þþþþ); e desta vez estava pensando nos textos... que é mesmo o mais importante. E pensei uma série de pensamentos.
O primeiro pensamento foi: eu deixaria tudo para a Chris. Ela saberia o que fazer, ela daria o devido valor a cada coisa, ela que sempre acreditou em mim, que sempre me deu tanto valor, mesmo quando eu não achava que merecia. Ela saberia dar valor àqueles inúmeros, intermináveis papéis (mesmo assim, sinto que muita coisa se perderia. eu sou uma pessoa confusa, diga-se de passagem).
Meu segundo pensamento foi: não, eu deveria deixar todos os escritos, e os direitos legais sobre os escritos, com a Chris e o Bruno. A Chris porque eu gosto dela, e o Bruno porque me conhece melhor. O Bruno teria alguma habilidade para entender o que lesse, mesmo sem conhecer tudo. Ele teria algum poder de discernimento. E, com alguma sorte, ele não misturaria tudo.
Depois, pensei: acho que, se eu morresse amanhã, eu gostaria que tudo o que eu produzi fosse avaliado por uma comissão composta por Bruno, Chris, Talita e Charles. Acho que eles poderiam determinar o destino de cada coisa, se soubessem que eu realmente quereria isso. E, como a arte na verdade é mais que literatura, e é indissociável, essa comissão avaliaria também o que fazer dos desenhos, das pinturas, e até dos bonecos de massinha (não que eles importem muito — estão na categoria adornos...). E eu acho que nesse caso eu gostaria que a Clarinha também participasse dessa comissão. Não sei bem porquê. Apenas parece adequado.
sexta-feira, 11 de maio de 2007
Do I even deserve this life?
Yeah, so my life sucks — you don't have to make a big deal out of it. I just can go through with college and I feel more and more life a zombie; the kind that can't feel a thing, just do what it have always done. And I wake up every morning thinking "why the hell do I have to do anything but dream?". Yeah, all right, shut me up. I don't have the right to complain anyway. My feet are cold, my heart is icy. I want to have a friend who can make me laugh. And it feels so stupid.
Hoje eu tive uma série de sonhos, malucos, estranhos, sobre um mundo que não fazia sentido. Ontem eu senti muito, muito mêdo. Eu desci aquela rua escura e passavam pela minha mente todas as vozes que falavam de ataques, de estupros, de riscos, do mêdo justificado do escuro. E eu corri. Tinha pressa e tinha mêdo e era uma ladeira, então corri até que perdi o controle e fiquei com mêdo de não conseguir mais parar de correr, de me machucar, de sei lá. O problema do mundo é que ele faz muito sentido. Existem leis, regras, probabilidade. Mas na verdade pode ser que não. E se houver algo no meu destino que me impeça de me machucar quando tento vencer meus mêdos? E se vencer o mêdo for a coisa mais importante? No meu sonho o estranho corredor sinuoso e absurdo era uma escada rolante que passava pelas portas das salas. Havia tanta liberdade! Tanta delícia! E o cheiro do Ipê amarelo, acolhedor, do meu velho colégio (velho? mas tão recente...). Subindo as rampas da FAU encontrei a Carol, e ela não me ouviu (mas dessa vez não me senti desprezada por ela não ter ouvido — são só os fones de ouvido; os detestáveis fone de ouvido...), mas nos reencontramos na porta da sala (ambas atrasadíssimas) e abrimos a porta e entramos. Peguei uma cadeira e pus num lugar confortável. E quando o professor se aproximou, percebi que ele falava pra mim. Talvez para mim e para todos, mas foi bom sentir que ele falava para os meus olhos; que queria ensinar estes meus olhos. E mais uma vez me envergonhei por ter perdido tantas aulas dele. E anteontem, fui à aula do Giorgio apenas para me despedir dele e parar de ir àquela aula, mas pensei de novo, e se eu pedisse o conselho dele?, mas não consegui falar com ele; e a Carol me viu ali perdida (muito perdida...) e veio falar comigo, e falamos do santa cruz, e de como era difícil mudar de vida assim tão bruscamente, e de arranjar trabalho (trabalho de peão, veja bem; Deus me livre de trabalhar num bureau, com papéis, computador e a cabeça — trabalho com as mãos, com o corpo, é isso que quero), e de dificuldades, e do senac, e de se sentir fora de um grupo unido e querer fazer parte, e de fazer parte, afinal. E o tchaba veio tentar me alegrar e me convidou para um pega-pega com a classe (disse pra eu começar). E no fim da aula eu fui encontrar a Lubana e o Chicão falando pra eles que afinal eu precisava passar mais tempo com eles, que eu tinha ficado muito tempo longe. E tudo pareceu melhor. As coisas começam a parecer possíveis novamente. Difíceis, sim, mas possíveis. Talvêzes. Ainda assim, estou com mêdo da aula de hoje.
Hoje eu tive uma série de sonhos, malucos, estranhos, sobre um mundo que não fazia sentido. Ontem eu senti muito, muito mêdo. Eu desci aquela rua escura e passavam pela minha mente todas as vozes que falavam de ataques, de estupros, de riscos, do mêdo justificado do escuro. E eu corri. Tinha pressa e tinha mêdo e era uma ladeira, então corri até que perdi o controle e fiquei com mêdo de não conseguir mais parar de correr, de me machucar, de sei lá. O problema do mundo é que ele faz muito sentido. Existem leis, regras, probabilidade. Mas na verdade pode ser que não. E se houver algo no meu destino que me impeça de me machucar quando tento vencer meus mêdos? E se vencer o mêdo for a coisa mais importante? No meu sonho o estranho corredor sinuoso e absurdo era uma escada rolante que passava pelas portas das salas. Havia tanta liberdade! Tanta delícia! E o cheiro do Ipê amarelo, acolhedor, do meu velho colégio (velho? mas tão recente...). Subindo as rampas da FAU encontrei a Carol, e ela não me ouviu (mas dessa vez não me senti desprezada por ela não ter ouvido — são só os fones de ouvido; os detestáveis fone de ouvido...), mas nos reencontramos na porta da sala (ambas atrasadíssimas) e abrimos a porta e entramos. Peguei uma cadeira e pus num lugar confortável. E quando o professor se aproximou, percebi que ele falava pra mim. Talvez para mim e para todos, mas foi bom sentir que ele falava para os meus olhos; que queria ensinar estes meus olhos. E mais uma vez me envergonhei por ter perdido tantas aulas dele. E anteontem, fui à aula do Giorgio apenas para me despedir dele e parar de ir àquela aula, mas pensei de novo, e se eu pedisse o conselho dele?, mas não consegui falar com ele; e a Carol me viu ali perdida (muito perdida...) e veio falar comigo, e falamos do santa cruz, e de como era difícil mudar de vida assim tão bruscamente, e de arranjar trabalho (trabalho de peão, veja bem; Deus me livre de trabalhar num bureau, com papéis, computador e a cabeça — trabalho com as mãos, com o corpo, é isso que quero), e de dificuldades, e do senac, e de se sentir fora de um grupo unido e querer fazer parte, e de fazer parte, afinal. E o tchaba veio tentar me alegrar e me convidou para um pega-pega com a classe (disse pra eu começar). E no fim da aula eu fui encontrar a Lubana e o Chicão falando pra eles que afinal eu precisava passar mais tempo com eles, que eu tinha ficado muito tempo longe. E tudo pareceu melhor. As coisas começam a parecer possíveis novamente. Difíceis, sim, mas possíveis. Talvêzes. Ainda assim, estou com mêdo da aula de hoje.
sábado, 5 de maio de 2007
Hm... Comentário meio desanimado.
Hoje eu estava lendo A Latrina. Belo blógue aquele. Ele fazia uma certa crítica a blogs como o meu. Fiquei pensando.
E daí se quero falar do que é mais profundo e sigiloso? Não é isso tudo o que realmente importa?, pensei. Acho que nunca tive um amigo com quem pudesse trocar confissões abertamente; pensei. Me senti patética. Mas continuo na minha patética batalha. Falo aqui de idéias e sentimentos, e nenhum deles tem nome. Nenhum deles tem rosto.
Achei que a Toca pudesse se salvar por sua honestidade. Mas acho que isso já não é mais honesto; É apenas amargo.
E daí se quero falar do que é mais profundo e sigiloso? Não é isso tudo o que realmente importa?, pensei. Acho que nunca tive um amigo com quem pudesse trocar confissões abertamente; pensei. Me senti patética. Mas continuo na minha patética batalha. Falo aqui de idéias e sentimentos, e nenhum deles tem nome. Nenhum deles tem rosto.
Achei que a Toca pudesse se salvar por sua honestidade. Mas acho que isso já não é mais honesto; É apenas amargo.
quarta-feira, 2 de maio de 2007
Take my frail wee heart in
Nós nos sentamos numa mesa
Nunca são todos os amigos
E contamos histórias do que se passou
E contamos histórias também do que não passou
E então não contamos mais nenhuma história.
Mas nada bebemos, e comemos lanches
que mais aprisionam a imaginação
e eu me sinto tão distante, tão distante...
Tão distante do sopro do vento,
tão distante do murmúrio do mar,
tão distante do cheiro das flores
e de tudo o mais...
E percebo que não temos mais terras para amar
E parece que tudo está fora desta terra,
que tudo está na outra ponta do infinito
Não há para onde sairmos
Nào há por onde cairmos
Estamos tão seguros e tão distantes
Não há caminhos secretos, jardins abandonados
Não há mais nenhum mistério, fantasma ou espírito
e eu me sinto tão distante, tão distante...
Tão distante do sopro do vento,
tão distante do murmúrio do mar,
tão distante do cheiro das flores
e de tudo o mais...
E vocês erguem grandes construções
marcando o nosso tempo e o seu lugar
E justificamos as destruições
para que possam escalar, escalar...
Mas agora a viagem não importa,
ninguém pode dizer para onde vamos...
E eu ouço carros apressados e acidentes
da janela do meu quarto
E eu vejo alto-falantes na catedral.
E acho que as invejo demasiado
quando vejo uma criança numa brincadeira
e eu me sinto tão distante, tão distante...
quero partir pra nunca mais voltar...
Nunca são todos os amigos
E contamos histórias do que se passou
E contamos histórias também do que não passou
E então não contamos mais nenhuma história.
Mas nada bebemos, e comemos lanches
que mais aprisionam a imaginação
e eu me sinto tão distante, tão distante...
Tão distante do sopro do vento,
tão distante do murmúrio do mar,
tão distante do cheiro das flores
e de tudo o mais...
E percebo que não temos mais terras para amar
E parece que tudo está fora desta terra,
que tudo está na outra ponta do infinito
Não há para onde sairmos
Nào há por onde cairmos
Estamos tão seguros e tão distantes
Não há caminhos secretos, jardins abandonados
Não há mais nenhum mistério, fantasma ou espírito
e eu me sinto tão distante, tão distante...
Tão distante do sopro do vento,
tão distante do murmúrio do mar,
tão distante do cheiro das flores
e de tudo o mais...
E vocês erguem grandes construções
marcando o nosso tempo e o seu lugar
E justificamos as destruições
para que possam escalar, escalar...
Mas agora a viagem não importa,
ninguém pode dizer para onde vamos...
E eu ouço carros apressados e acidentes
da janela do meu quarto
E eu vejo alto-falantes na catedral.
E acho que as invejo demasiado
quando vejo uma criança numa brincadeira
e eu me sinto tão distante, tão distante...
quero partir pra nunca mais voltar...
sexta-feira, 27 de abril de 2007
Então, né, design...
Para que vocês saibam algumas das preocupações que um pobre estudante de Design tem.
Então, a gente estuda Marx e Sartre, passa uma semana inteira lendo Argan; discute a Revolução Industrial, os operários (e os ludistas) e os capitalistas (e principalmente os desenhistas industriais); é obrigado a entender tudo que se fala sobre Ulm e Bauhaus (e um pouco sobre a FAU), sobre Art Nouveau e Art Déco, sobre o impressionismo e o romantismo, e sobre a arte contemporânea; estuda o poder da tipografia, a teoria das cores, a Gestalt; a gente vai a exposições, a imposições, a palestras, e vê filmes, e vê quadros, e vê livros; e tem aula de desenho geométrico, e faz inúmeros trabalhos com inúmeros materiais. Mas quando vai procurar estágio... Pois é,Design não é fácil...
segunda-feira, 23 de abril de 2007
A nossa geração
De novo, eu gostaria de fazer um post sobre o que vivi, e o que me assusta.
O que me assusta na "nossa geração" não é exatamente o despudor das pessoas de catorze anos de pegar dez pessoas numa festa e deixar toda a série saber; não é a quantidade de batidas de vodka que essas pessoas bebem, nem o volume de cigarros que fumam regularmente; não é a música que ouvimos, nem sequer a libidinosidade grosseira das danças que as acompanham (nos dias de hoje, o conceito de 'sensualidade' se esgarça. até porque não há mais sutileza.) O que realmente me assusta é que as pessoas mais cheias de princípios, as mais recatadas, perdem completamente a noção do pudor. Depois do primeiro beijo, vêm centenas de outros, de inúmeras pessoas diferentes. E meu amigo vai dar uns malhos com uma amiga, algo bem sem compromisso, e ele diz isso com a boca ainda molhada de um beijo de outra menina; ao mesmo tempo, as amigas têm raiva de uma rapariga (muito gente fina, por sinal) porque o garoto com quem ela está ficando acabou de terminar com a namorada, que ainda estava em prantos na sexta passada (ou seja, ontem). E a Gabi acha que sete meses não é tempo de namoro o suficiente para que sexo seja uma das bases da relação. Me desculpe, gatinha, mas o jeito como aquele menino que você adora passou a mão na bunda daquela loirinha vai muito contra esse seu idealismo. E quer saber? Você, e muita gente igual a você, está se esforçando para ser mais como ele. O que faz sentido, já que gente como ele existe por causa de gente como você. E vai além disso. É só olhar para elas, com seus decotes relaxados, suas poses séxys, pegando-se indiscriminadamente, é tudo carne, gente. O que será que pensam? Por que será que, para eles, tudo isso é natural? Será que só eu acho esquisito? Será que estou soando como uma velha retrógrada? Mas, pensando bem, acho que seria certo eu soar assim, já que a minha turma do santa não era assim, de modo geral. Até as meninas pegadoras eram meio castas... Ou será que é só pressão, mesmo, e que eles têm tanto mêdo uns dos outros como o resto de nós?
quinta-feira, 19 de abril de 2007
Fuga, Frustração e Fuga.
Will se debruçou sobre a amurada, admirando a paisagem. Entre seus olhos e o mar: duas gaivotas, marolas, sinais de paixes, e o Won-Tolla no canto do olho, içando as velas e ronronando para longe da poita. Uma brisa salgada jogava cabelos clareados pelo sol no rosto do menino. Will nem percebeu.
Passos. Suaves, mas perfeitamente audíveis sobre o sussurro marítimo. Um homem alto de cabelos negros curtos se aproximou sem qualquer encenação.
— Uma semana, William. —, disse ele.
Foi só isso. Tirou um cigarro do bolso da camisa azul e um isqueiro do bolso da calça. Pôs o cigarro na boca, as mãos em concha. Não abriu os olhos. O punho fechado de Will atingiu com força seu rosto desprevenido.
— Fuck you, Raven.
Foi tudo o que o jovem Will Grant conseguiu formular. Encarou por alguns instantes o homem estupefato, com olhos intensos que contiam algo pior do que o soco e o olhar. Depois apoiou-se outra vez na amurada, com o mesmo olhar fixado no horizonte. Entre seus olhos e o mar: cinco gaivotas, marolas, um barco pesqueiro, uma canoa; e o Won-Tolla, no centro da imagem, de velas içadas, se afastando suave da frota que sempre escoltara. Will levou a mão aos cabelos, tentou debalde prendê-los atrás das orelhas. Pouco compridos, volumosos demais. O homem atrás dele pôs o isqueiro no bolso, pegou o cigarro do chão, se levantou, guardou o cigarro no bolso, limpou com as mãos a camisa e a calça, arrumou o cabelo com as pontas dos dedos. Quando terminou, pegou outra vez o cigarro e o isqueiro, e pôs o cigarro na boca. Will, saiu andando em direção à proa. Andando primeiro, enquanto Raven guardava o isqueiro com pressa e tirava o cigarro da boca para perguntar aonde ele ia; depois, correndo, enquanto o homem tentava se aproximar. Por fim, em disparada irracional, por sobre cabos, âncoras, redes, por entre caixotes, por baixo de velas e escadas e cabos e roldanas de todos os tamanhos, sem destino ou direção; apenas queria correr, correr, fugir, e quando acabou o barco pulou tolamente para o cais, e sequer sentindo a dor da queda correu pelos píers, pelas docas, pela praia, por galpões; alcançou a cidade, percorreu ruas e ruelas, enfiou-se em becos, atravessou salas de visitas, cruzou praças, ilhas de avenidas, estacionamentos. Parou de correr quando pulou um muro sem calcular a altura e viu-se a rolar ladeira a baixo, passando ao seu lado árvores e bancos de uma praça notavelmente íngreme, até que parou num baque doloroso contra uma falsa seringueira, rodeada de grossas raízes. Seus olhos perderam o poder do foco, e os pensamentos foram ficando cada vez mais confusos. Sentiu uma dor aguda vinda de seu joelho direito, que derramava na terra rios de sangue. Seu pulmão parecia queimar, e era difícil respirar. O ritmo cardíaco foi baixando, e todo o corpo ficava mais insinsível. Entre ele e a morte, apenas: um par de gaivotas, um pingente de espada, uma tornozeleira; e o Won-Tolla, no centro de tudo, desaparecendo por trás da ponta do Farol.
Passos. Suaves, mas perfeitamente audíveis sobre o sussurro marítimo. Um homem alto de cabelos negros curtos se aproximou sem qualquer encenação.
— Uma semana, William. —, disse ele.
Foi só isso. Tirou um cigarro do bolso da camisa azul e um isqueiro do bolso da calça. Pôs o cigarro na boca, as mãos em concha. Não abriu os olhos. O punho fechado de Will atingiu com força seu rosto desprevenido.
— Fuck you, Raven.
Foi tudo o que o jovem Will Grant conseguiu formular. Encarou por alguns instantes o homem estupefato, com olhos intensos que contiam algo pior do que o soco e o olhar. Depois apoiou-se outra vez na amurada, com o mesmo olhar fixado no horizonte. Entre seus olhos e o mar: cinco gaivotas, marolas, um barco pesqueiro, uma canoa; e o Won-Tolla, no centro da imagem, de velas içadas, se afastando suave da frota que sempre escoltara. Will levou a mão aos cabelos, tentou debalde prendê-los atrás das orelhas. Pouco compridos, volumosos demais. O homem atrás dele pôs o isqueiro no bolso, pegou o cigarro do chão, se levantou, guardou o cigarro no bolso, limpou com as mãos a camisa e a calça, arrumou o cabelo com as pontas dos dedos. Quando terminou, pegou outra vez o cigarro e o isqueiro, e pôs o cigarro na boca. Will, saiu andando em direção à proa. Andando primeiro, enquanto Raven guardava o isqueiro com pressa e tirava o cigarro da boca para perguntar aonde ele ia; depois, correndo, enquanto o homem tentava se aproximar. Por fim, em disparada irracional, por sobre cabos, âncoras, redes, por entre caixotes, por baixo de velas e escadas e cabos e roldanas de todos os tamanhos, sem destino ou direção; apenas queria correr, correr, fugir, e quando acabou o barco pulou tolamente para o cais, e sequer sentindo a dor da queda correu pelos píers, pelas docas, pela praia, por galpões; alcançou a cidade, percorreu ruas e ruelas, enfiou-se em becos, atravessou salas de visitas, cruzou praças, ilhas de avenidas, estacionamentos. Parou de correr quando pulou um muro sem calcular a altura e viu-se a rolar ladeira a baixo, passando ao seu lado árvores e bancos de uma praça notavelmente íngreme, até que parou num baque doloroso contra uma falsa seringueira, rodeada de grossas raízes. Seus olhos perderam o poder do foco, e os pensamentos foram ficando cada vez mais confusos. Sentiu uma dor aguda vinda de seu joelho direito, que derramava na terra rios de sangue. Seu pulmão parecia queimar, e era difícil respirar. O ritmo cardíaco foi baixando, e todo o corpo ficava mais insinsível. Entre ele e a morte, apenas: um par de gaivotas, um pingente de espada, uma tornozeleira; e o Won-Tolla, no centro de tudo, desaparecendo por trás da ponta do Farol.
segunda-feira, 16 de abril de 2007
terça-feira, 3 de abril de 2007
terça-feira, 27 de março de 2007
Faz muito frio na nasa
...E de repente todos os rostos se viram para saudar os olhos cheios de tristeza
às vezes, quando estou sozinha, vejo homens, moleques, passando, e acho que são você. Você é tão diferente, mas tão contido e confuso, e de repente qualquer não-movimento é o seu trejeito específico que faz seu tímido exuberante e incompreensível jeito de ser. Hoje, há poucos minutos, aconteceu assim: o rapaz passou, e tinha seu cabelo, seus olhos, até os pêlos no rosto (aqueles dos quai eu gosto e você detesta). And my heart skips beat every time I see you — aqui estou eu, sempre esperando que você surja do nada, que você me abrace e sorria e diga, vamos passear? Vamos olhar as estrelas? Vamos brincar de gato-selvagem? Quer ir ao cinema? Quer pedir esfiha? (eu sempre estou pronta pra dizer mais um "não", você sabe.) Quer ver meus desenhos? Quer contar da sua vida? Quer... Você, quando faz essa pergunta, arrepia às vezes meus pêlos da nuca. Divirto-me. Outras vezes me irrito, não gosto que você me peça para tomar as decisões. Onde vamos almoçar hoje? Quando você vai sair da aula? Por que estou escrevendo isto? Você nunca tem todas as respostas (adoro isso em você — mas também detesto, em certa medida).
Viver a vida pulando e pululando (os trens, e circulares, pelo menos) entre santo amaro e butantã está me deixando cansada. Não passo tempo nenhum na faculdade — sempre muito ocupada com trabalhos da faculdade. Queria às vezes não ter meu horário tão rígido, poder fazer aulas de italiano e francês, fazer natação, jogar bola no cepê, sair com os amigos, quiçá ir trabalhar. Estudar é esquisito, não se produz nada, só estudos, estudos-rascunhos, ensaios-estudos e rascunhos de ensaios. E ultimamente não tenho tido vontade de fazer nada de muito emocionante; sair para tomar cerveja ou sorvete no meio da tarde, aprender uma nova sobremesa, ler magás, assistir seriados, desenhar, ir ao médico, reclamar do braço que dói cinco dias depois de tirar sangue (agora parou de doer), observar as árvores, fotografar, atravessar a ponte em pleno pôr-do-sol (mesmo que isso signifique que etou atrasada para a aula) são coisas que me fazem muito feliz. Estou tranqüila agora, mesmo sabendo que não deveria estar, que tenho milhares de trabalhos para hoje à noite, para amanhã de manhã, para amanhã à noite, para sexta de manhã e para sexta à noite, estou tranqüila talvez porque não me importo, talvez porque só quero dormir e ler (e ler e dormir — e sonhar e aprender e deitar-me ao seu lado e rosnar-ronronar baixinho no seu ouvido). Talvez eu só preciso olhar para o tronco castanho e as folhas verdes e o céu azul e me deixar levar pela admiração da beleza que essas cores criam para que meu espírito seja completamente revigorado. Assim, não é sequer preciso levar a vida com responsabilidade e muito trabalho louco e duro. Talvez eu só não esteja interessada no que estou fazendo. Ou eu tenha muito muito muito mêdo de algum dia ter que assumir a responsabilidade. Acho que eu ainda não fui tão inconseqüente quanto gostaria de ter sido.
Tenho sentido muita saudade do meu velho eu, com seus mêdos e dores e intensos sofrimentos. E sonhos, também. Faz muita falta sonhar. Faz muita falta descansar e poder simplesmente jogar a culpa para o lado. É horrível não poder negligenciar nenhum dia da minha vida; não poder perder um pouco de tempo pra depois recuperar, é horrível. Onde está a liberdade? Eu nem sei o que estou fazendo aqui. Não sei o que são os inúmeros trabalhos que temos de fazer. Teria sido diferente se eu não tivesse perdido quase duas semanas de aula? Faria diferença se eu tivesse feito algum amigo aqui? Ou será que são apenas desculpas vazias, desculpas para eu fazer o que quero sem ter nem um motivo racional? Desculpas, talvez, para eu poder acordar junto com o resto da casa, tomar café com meus pais, almoçar com meus irmãos? Ou isso é uma desculpa também? afinal, ano passado eu não fazia nada disso, passava o dia todo no santa e amava aquele jeito de viver! Ainda quero passar os dias inteiros na faculdade, mas será que é possível? Será que algum dia eu vou ter amigos, jogos, atividades interessantes, que justifiquem minha estadia, que a façam agradável? Não sei. Não sei de nada. Não entendo este lugar, esta vida, o despertador tocando tocando milhares de vezes pedindo para eu acordar, e eu pensando droga droga droga não quero acordar tenho sono e ontem tive sono e por isso hoje tenho que terminar o trabalho antes de acordar.
Pensamento nada a ver: segundo a descrição das diferenças entre homens e mulheres que o Mavu (psor de imagem digital) fez hoje, meu namorado é quase uma mulher o.o. E eu sou quase homem, nos mesmo aspectos. Acho que precisamos dar uma olhada nisso.
segunda-feira, 19 de março de 2007
A Escrita Branca
Na verdade, escrever no escuro é libertador. Saber que só quem realmente quiser vai ler, que ninguém vai ler, dizer e ao mesmo tempo não dizer: escrever no escuro é a síntese do que sempre fiz, é a metáfora perfeita. Escrever no escuro é escrever para cegos, escrever de olhos fechados, dizendo coisas simples de uma forma que ninguém entenda. Morrer!Morrer não é nada. Morrer é terminar um ciclo, mudar de nome, apagarem-se as velhas cicatrizes, perderem-se as antigas tatuagens ("the tatoo says who you are!")... Morrer é afogar-se num rio corrente, é sobreviver ao bombardeio... Morrer é perpetuar-se, morrer é escapar da extinção e alcançar a eternidade... É o final de cada eu. E se quando morrermos, nossas almas se juntarem às almas de nossos genitores, de que fazemos parte? Se nossos descendentes tiverem em si um pouco de nós que os faz inteiramente nossos, que nos faz todos um? Morrer é romper o cordão umbilical, morrer é modificar a existência. Morrer é terminar uma dinastia sem assassinar o herdeiro. É desvincular a vida de sua determinação. É mudar de sobrenome. Um filho de rei que é adotado por camponeses. Morrer é nunca mais lembrar. O pior é ir na estrada Morrer! Morrer não é nada; é o final de cada eu! O pior é ir na estrada sepultando quem já morreu! Família significa nunca mais abandonar. Morrer é quebrar a Famiglia, é desexistir o passado. Será possível morrer enquanto se é vivo?Sepultando quem já morreu! Escrever no escuro é necessário, é absoluto. As luzes nào dizem nada, são ausentes de palavras. A Língüa se faz no escuro, entre gritos, gemidos, sussurros. O som não se vincula à imagem! A verdadeira língua é a dos cegos, que falam, que tocam-se. A Visão é o sentido da Razão, mas escrever nem sempre é racional. Sons, sons, sons. Morrer não é nada. É preciso que haja o escuro, a não-visão, para que haja a leitura. E depois da leitura a página em branco no fim do livro, continuando o fluxo virador de páginas, perpetuando a sensação da leitura e a necessidade da história, como reticências, ou como aquilo que as reticências representam — se ao final do livro houvesse dez páginas impecavelmente brancas, eu as leria, as dez. Em alguns livros eu gostaria que houvesse cem páginas em branco, que me permitissem ler o final da hiostória, a continuação da história, aquele universo sem limites e sem palavras de que se fazem as esperanças. A página em branco, delimita e completa o livro. É a página-reticente que termina a história, que escreve (sem tinta) um glamouroso FIM ao final de cada epopéia. Sem ela, o livro não teria nenhum sentido, seria como um pote sem tampa, um vinho em garrafa sem rolha, a ser consumido sem cerimônia, a ser deglutido, sem a espera, sem o ritual, sem o mergulho, posto que sem respiro. A página em branco é o espaço sagrado, o palco dos sonhos...
Canção de contemplação do mar por dias e dias
Diga que estou esperando
estou esperando 'cê passar por mim
Diga que estou enrolando
pensando que o mundo n'é tão grande assim
E espero mais
Espero mais
Espero esta solidão ter fim
Espero mais
Espero num cais infinito
você passar por mim
Ô, o mar escurece
o mar se enegrece se o sol desmaia
Ô, ô, o mar clareia
o mar se prateia se a aurora raia
Longe, além das estrelas
nadam sereias sobre as marolas
Marolas de longas esteiras
que deuses da areia formam na aurora
Diga que estou esperando
estou esperando 'cê me perceber
Diga que estou enrolando
pensando que o mundo está pra se perder
E espero mais
Espero mais
Espero a solidão me esquecer
Espero mais
Espero num cais no horizonte
Você me perceber
Ô, o mar escurece
o mar se enegrece se o sol desmaia
Ô, ô, o mar clareia
o mar se prateia se a aurora raia
Ô, o mar escurece
o mar se enegrece se o sol desmaia
Ô, ô, o mar clareia
o mar se prateia se a aurora raia
estou esperando 'cê passar por mim
Diga que estou enrolando
pensando que o mundo n'é tão grande assim
E espero mais
Espero mais
Espero esta solidão ter fim
Espero mais
Espero num cais infinito
você passar por mim
Ô, o mar escurece
o mar se enegrece se o sol desmaia
Ô, ô, o mar clareia
o mar se prateia se a aurora raia
Longe, além das estrelas
nadam sereias sobre as marolas
Marolas de longas esteiras
que deuses da areia formam na aurora
Diga que estou esperando
estou esperando 'cê me perceber
Diga que estou enrolando
pensando que o mundo está pra se perder
E espero mais
Espero mais
Espero a solidão me esquecer
Espero mais
Espero num cais no horizonte
Você me perceber
Ô, o mar escurece
o mar se enegrece se o sol desmaia
Ô, ô, o mar clareia
o mar se prateia se a aurora raia
Ô, o mar escurece
o mar se enegrece se o sol desmaia
Ô, ô, o mar clareia
o mar se prateia se a aurora raia
segunda-feira, 12 de março de 2007
Eu odeio este blog idiota.
Mesmo assim, eu posto e posto e escrevo e-mails e deixo mensagens na caixa postal e mando sms e telefono e posto no Pato e comento em outros blogs. Não posso negar: estou fazendo tudo isso só pra você prestar atenção em mim, só na esperança de um dia receber uma resposta, um comentário, ou um prêmio de pior comentário. Como eu sou idiota. ¬¬
domingo, 11 de março de 2007
I have a confession to make
(but it's not possible)
You know, the hard thing is, I never chose you. I never even wanted to get closer to you. When I met you, it was already determined that we were to be friends; and our mindless chit-chats were a proof of how much we mingled already. But back then I could hardly see you — and to be honest I couldn't care less. Those were years when I was happy to know my best friend's thought's before he said anything. Do you remember that? No, wait — you weren't there. You couldn't be.
I remember once I dreamt I was a bit older and could therefore be in your class. But that dream didn't bother me. Back then, dreaming about you was not something I could worry about. I hadn't yet discovered the most complicates and yet the most simple things in this our world: love, lust, trust, betryal, all that jazz. There was pain before, but pain was different. Pain was not something I'd like to feel. And it hurt so much...
But then we chatted, we ran, we danced, we played, and thrice I heard those words that still eventually haunt me — though the last time was just a dream. And I made you so many promisses in the end no one knows if they meant anything.
But then I denied this love, I said — let's pretend it's only lust — and perhaps it wasn't just pretending; one day grew apart, and one day we spoke again, and the friendship didn't last, you know? And one day you made me depend on you and now I just live without you: When I hear your voice denying everything I believe, boy, I wanna hurt you so bad, I want you to disappear, but then I just wanna hold you, and I hate you, but perhaps, I think, I love you. And you're such a fool, you're everything I'd never want for me, but still, I think, I love you.
...
...
Não, olha: eu nunca vou te entender. Nunca.
domingo, 4 de março de 2007
Qual a origem da consciência?
.... do you think we're doing our share..?
Nos últimos anos, tem feito sentido pensar no nosso terreno na Cajaíba como o lugar em que fazemos todas as coisas do melhor jeito. Catamos lixo da praia, evitamos queima, usamos energia solar, cuidamos da vegetação, enterramos lixo orgânico, fazemos fossas, plantamos árvores e ervas, gramamos a área deserta para evitar erosão. Aqui em casa, para não sermos totalmente hipócritas, criamos um belo jardim, separamos o lixo para reciclagem, plantamos temperos, damos frutas e água para os passarinhos, além de criar uma pequena variedade de animais domésticos. E até evitamos os agrotóxicos. Mesmo assim, olhar ao redor, pensar no mundo hoje, ouvir (ouvir!) os avisos insistentes dos cientistas ambientais sobre o futuro que estamos criando, tudo isso dói, profundamente. Será que você também ouvem, do fundo da consciência, uma voz incômoda dizendo que o que estamos fazendo não é nada próximo da nossa responsabilidade, das nossas possibilidades?
Hoje eu vi aquele filme do Al Gore, Uma Verdade Inconveniente, e quando acabou o filme eu estava distraidamente pensando em quanto papel eu tinha pra reciclar no meu quarto (pelo menos uma árvore pequena...), quando olhei ao redor e... sei lá, minha casa tem muita madeira. Muito tecido. Muito papel. Talvez seja natural se sentir culpado, quando se vive entre restos mortos de coisas vivas, quando na verdade nós nem fomos tão bons assim pra merecer tudo aquilo, tudo o que se perdeu para que nós tivéssemos uma casa, um telhado, uma cama, um sofá, uma prateleira, uma estante. Talvez seja natural, porque sabemos que um dia fomos parte disso tudo; um dia nós fomos como o pato e leão, como a samambaia e a bactéria, e de certa forma dói quando percebemos que muitos seres como esses, que já foram tão próximos de nós, têm que viver miseravelmente ou morrer e tornar-se objeto para que alguns de nós vivam com um pouco mais de conforto. Será? Ou estou tento uma visão romântica da humanidade? Penso agora naqueles carroceiros que exaurem seus cavalos durante o dia, num trabalho de recolher o lixo e jogá-lo por aí, ou de vender sucata para sucateiros, e ainda alugam o animal, exausto, durante à noite, sem dar-lhe água ou comida, sem o menor arrependimento. Talvez algumas pessoas simplesmente não percebam, não sintam que a vida tem um sentido, talvez elas não saibam que é preciso viver a vida da melhor maneira possível. Mas será que é possível dar sentido à vida das pessoas, o suficiente para que elas queiram responsabilizar-se por seus atos? Será que temos o poder de levá-las a se importar com seu impacto sobre o mundo? E fazê-las amar o mundo e querer o melhor para ele? Podemos ao menos tentar?
***
Desde que o homem se alimenta da natureza, tanto literal quanto metaforicamente, ele se sente culpado. Os povos primitivos caçadores contavam histórias de animais que ofereciam sua carne em sacrifício; mitos que justificavam e autorizavam a caçada. Se o homem moderno pode agredir outras espécies sem a permissão da natureza, é porque houve uma absurda emancipação do homem, que o torna tão distante do resto do mundo que ele não consegue mais enxergar a relação entre ele mesmo e qualquer coisa que aconteça fora dele. Na verdade, ele não deve conseguir entender nem a si próprio, seus anseios e mêdos mais instintivos. Ou, em outro caso, o homem está tão desesperado que sucumbe inevitavelmente ao egoísmo e ao imediatismo. De qualquer forma, é impossível imaginar que esse homem acredite e confie no que acontece no mundo, confie que a natureza vai produzir o que ele consome. Talvez o homem moderno realmente acredite que precisa fazer tudo com as próprias mãos.
sábado, 3 de março de 2007
Constatação
ou
Não justifica. Na verdade, eu já não tento justificar mais nada — busco somente explicar, compreender o que faço. Palavreio apenas fulgazes vulgares constatações.
Apologia da falta de justificativas
Não justifica. Na verdade, eu já não tento justificar mais nada — busco somente explicar, compreender o que faço. Palavreio apenas fulgazes vulgares constatações.
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007
Carnaval
e outras coisas que me vieram à mente...
Ultimamente têm acontecido coisas estranhas. E na maior parte do tempo eu não tenho sido eu mesma. Aquele pessoal simpático do Senac, eu estava pensando, simplesmente corresponde perfeitamente à minha visão de mundo. Ao que eu quero que ele seja. E quando ando na rua, não penso em nada. Entre as árvores da USP, não me sinto em casa. Depois disso, acho que não me sinto nunca mais em casa. Estou só, me sinto só, my heart is not anywhere.
Quando volto de uma viagem, a princípio quero escrever exaustivamente, contar tudo o que vivi e aprendi, tudo o que foi engraçado, tudo o que foi imbecil, as brigas, as amizades redescobertas, as novidades, as diferenças. Mas passa a vontade e não quero mais pensar nisso. A viagem torna-se passado muito rápido; e ninguém vai escrever sobre o passado... (agora parece divertido que o único a postar sobre isso tenha sido o Charles).
Mas parece que essa viagem foi mesmo diferente. Passamos fome, nos perdemos, nos arriscamos, economizamos água, e isso só para falar dos primeiros dois dias. Experimentei dormir em uma cabine de proa da Julie, depois em uma cama grande, depois em metade dela, depois sobre alguns cobertores no chão da barraca e por fim um colchão de ar (sem contar o banco do ônibus), e acho que o pior foi o colchão de ar. Além disso, ainda me alegro ao lembrar da cara que o Cham fez quando acordei um dia e, absolutamente surpresa de vê-lo adormecido ao meu lado, dei-lhe um beijo na bochecha e me levantei. Subir o riozinho também foi uma coisa nova, e gratificante. Foi o momento em que me senti mais revigorada. Sem contar a vez em que amarramos as redes, e eu finalmente aprendi direito a dar lais de guia. E aquela hora em que jogamos frisbee de cima da árvore. E ver que o Ugo está desenhando cada vez melhor. E discutir filosofia, política, ética, sexualidade. E o futebol com caiçaras e turistas como nós. E o povoado que meu pai disse existir na Joatinga. Nossas conversas sobre barcos. Nossas mímicas. Nossas piadas. Aliás, ainda acho que os dinossauros foram uma grande invenção da humanidade. E que é estranho o sol ficar pra cima. E que a Lorena deveria poder dormir com o Chocolate ^^
domingo, 25 de fevereiro de 2007
Orvalho em Pontas de Folhas de Pinheiros
(você se lembra de como era estar apaixonado?)
Aime, et tu renaítras; fais-toi fleur pour éclore,
Après avoir souffert, il faut souffrir encore;
Il faut aimer sans cesse, après avoir aimé.
Hoje estava recolhendo crônicas minhas do site dos Anjos de Prata. Digo crônicas por falta de um nome que os reúna. De fato, acho que nunca escrevi uma crônica. Nem nunca tive qualquer interesse — a literatura jornalística é o extremo oposto do tipo de literatura que sei escrever.Après avoir souffert, il faut souffrir encore;
Il faut aimer sans cesse, après avoir aimé.
O que me chamou a atenção na minha busca foi um texto de quatro anos atrás, que fala sobre a noite. Sobre como é preciso voltar para a noite, sobre como a noite também sente a minha falta.
...
... Como dói, tanto tempo de saparação...
Parece que com a gente não importa se foi bom ou ruim, é preciso voltar; viver, lembrar, sentir aqueles cheiros novamente. E mesmo que no presente eu sinta menos dores, parece até que é porque sinto tudo menos. Parece que por mais terrível que tenha sido o passado, ao menos ele foi terrível. E não entrar nessa penumbra; sexo, álcool, amigos que não se aceitam (ou não nos aceitam), faculdade, decisões importantes (e não só para nós mesmos), manter as aparências, sedução, namorados (nossos e dos outros), mêdos (também), dinheiro (dos outros), e aquele constante sentimento de impotência que é pior ainda agora que temos um pouco de poder sobre as coisas e as pessoas (ou, no mínimo, eles têm o poder de nos fazer exercer algum poder). E não consigo decidir o que me incomoda mais, talvez simplesmente porque tudo me incomoda muito.
O que eu quero, no fundo, é alguém que me ensine a viver. Quero passar as madrugadas, as manhãs e as tardes com você, e sair à noite em ruas iluminadas. Quero o mundo de novo, vê-lo por outros olhos, com novos rituais, novas liberdades. E um pouco de mim também, mas só as coisas boas ("mas não são todas boas?"...). Quero aprender a cozinhar, a dirigir e a sair pela cidade. Quero trabalhar. Estou honestamente cansada de tudo isso... Hoje de manhã quase fui até o escritória de mamãe perguntar quando íamos mudar de casa. Quando eu ia poder ter uma janela sem grades, que eu pudesse pular, na qual eu pudesse sentar. Quando haveria silêncio. No meio do caminho parei, sentei num carretel olhando a chuva. Acho que não quero mais morar aqui. Mesmo quando eu conseguir arrumar meu quarto, mesmo quando ele for reformado, sei que não chegará nem perto daquilo que eu quereria para mim. Sabe? Mal voltei de viagem e já estou pensando outra vez em como quero viajar. Amo São Paulo, mas quero mudar de quarto, de casa, de bairro. Quero esquecer as dúvidas, resolver meus problemas. Não estou preparada para ter novos problemas. Materialmente, acho que preciso passar minha vida a limpo ¬¬
terça-feira, 6 de fevereiro de 2007
Como não querer, e querer que não — como não?
Eu me pergunto, na verdade, se eu cometi um erro dando tanta trela à minha indecisão — ou se foi, ao contrário, a fortuna que me trouxe até aqui. Eu poderia ser como meus irmãos, fazer FAU, projetar, dar continuidade à dinastia faui, eu poderia me imaginar tardes sem fim subindo em árvores naquele campus matoso, confuso, selvagem (e belo). Mas não, não, acho que é difícil demais abdicar disso que só comecei a começar, quando as pessoas que conheci são fascinantes, quando os professores são bons, e o campus... ah, não é preciso falar do campus. Será que eu não conseguir abdicar desse luxo significa que eu sou fraca? Ou eu querer seguir minha vontade em uma situação que vai definir parte do meu futuro é uma demonstração de determinação e força? Será que meus dois irmãos estarem na FAU não é um motivo idiota pra eu querer fugir de lá? Será que a gratuidade da USP não é um motivo idiota para eu querer estudar lá? Você acha que alguns Macs, alguns estágios e algumas matérias interessantes (e talvez, em algum grau, um grande "A" montado na frente do prédio) justificam a grana e a luta por ela? E eu me pego distraidamente conjecturando absurdos, imaginando se é possível estudar de manhã e à noite e trabalhar à tarde. Acho que cansei de brigar com o dinheiro. Quero provar, pra mim mesma, talvez, que sou capaz de batalhar (por quê? por quê?) e até mesmo vencer. Que posso me dedicar, me esforçar, valer alguma coisa. Eu ter passado em 1o lugar, eu ter feito 73 pontos, eu saber o que é o sistema binário, nada disso justifica meu à-pampismo barato. No mundo capitalista, é preciso muita coragem pra não ser o melhor e ainda se sentir bem consigo. Não que eu goste desse mundo, mas — algum dia, eu gostaria de pensar que fiz o melhor que pude, e que pude muito. Quero valer o que você acha que eu posso valer.
sábado, 20 de janeiro de 2007
Exemplo
Pequeno conto de vestibular (o uso da terceira pessoa me faz me sentir menos ridícula, ok?)
Estranho isso de arte valer nota. Arte. Diziam arte sempre, em seus ouvidos. "És uma artista", diziam. Não dizia arte. Mas às vezes, quase nunca, sim. Ali, por exemplo, dadas as cirscunstâncias. Sou uma artista, pensava; pintava furiosamente, quando pensasse naquilo mais tarde pensaria que pintara com o corpo, com as mãos, ao contrário do que aconselhava Miró. Ou era Mondriant? "Arte", pensava, existe arte além de Miró ou Mondriant? Dar sentido a formas e ainda esperar ser entendido? Ou então sequer pretender ser entendido, ou ainda pretender ser incompreendido, como faziam boa parte dos artistas comtemporâneos; podia algo disso ser verdadeiro? arte, arte, e pensava no conceito de Arte como uma afronta pessoal, porque ela era a artista e o que ela fazia não era Arte. Mas pintava conclusivamente, um desenho objetivo, abstrato com elementos concretos, compreensível da mesma forma que o é uma narrativa desengajada. Mas se sentia orgulhosa, porque o desenho, embora desprovido de um significado direto, tinha sentido, e com alguma sorte os avaliadores perceberiam isso e lhe dariam alguma nota. Deixou o papel de lado e alegremente começou a segunda parte da tarefa, que envolveria dobras e colagens.Enquanto planejava seu trabalho, olhou distraidamente para os lados, à procura de saber quão atrasada estava em relação aos outros condidatos, e de comparar seu desenho com os deles. Sorriu. A menina à sua esquerda fizera um lindo trabalho, desenhando ampliações coloridas, concêntricas, a intervalos regulares, das formas de base da proposta, dando a sensação de que as figuras haviam formado ondas sobre o papel. Era belo, sim, mas um pouco inócuo, um pouco estranho, fazer ondas a partir das letras cortadas — é que ondas poderiam ser feitas com qualquer coisa. Ela, a artista, ela aproveitara o que era próprio da figura de base (o corte) e pintara o que lhe parecia a conclusão lógica daquilo. Fazia sentido — mas, assim que olhou para o outro lado, percebeu que sentido não era o bastante. A menina à direita transformara cada uma daquelas formas cortadas em algo totalmente diferente, uma clave de sol, um instrumento musical, qualquer coisa bela, colorida e boa. Ela intervira na base, modificara, transformara a figura insensata e algo aflitiva em um conjunto animador e simpático. A menina do meio olhou para seu desenho rabiscado, envergonhada da passividade que ele revelava; pôs a folha no chão e tentou se concentrar na próxima proposta.
terça-feira, 9 de janeiro de 2007
Conclusão após a leitura de diversos blogs et cetera
Me parece que já não resta nada. Será que traio minha existência, ou é minha existência que me trai? No que consiste minha natureza? Falo de mim porque é a única coisa no mundo que realmente conheço. Respeito, admirada, tantos outros que falam de tudo o mais. Até mesmo os invejo. Não tenho mais nada. Julgo que invejo neles a capacidade de ter qualquer coisa.
É que meu coração não fala mais, meu pensamento não sente. O que busco para oferecer-vos, meus pequenos deuses da verdade, é a essência das coisas, suas pequenezas; e não mais as encontro. Pequei? Então pequei pela mentira. Privei vossos ouvidos da verdade — mas foi porque minha verdade parece tão tola! Distraio-me de mim mesma, noto que não me conheceis. É uma pena. É uma pena que eu tenha de revelar-me agora, quando a mostrar já não tenho nada.
Existe em cada olhar um vago desespêro — desespêro que busco, aflita, como a razão de todas as outras coisas. Ou conseqüência. E nada encontro. Será tudo, como eu, pó, pronto a esfarinhar-se?
segunda-feira, 8 de janeiro de 2007
Just days in life...
É claro, eu devia fazer um post de volta a São Paulo, sobre a FUVEST ou sobre a Cajaíba ou sobre qualquer uma dessas coisinhas que vêm acontecendo e que cutucam minha alma. Será? Estou meio cansada pra fazer algo desse tipo. Estou a fim de fazer algo idiota, de jogar Porco com castigo de pinga. De subir em pedras, de me ferrar. E hoje aquele espelho quebrou e eu fiquei olhando, só... Dizem sete anos de azar mas o grande azar foi ter quebrado o espelho. O resto dá-se. E debaixo do vidro estava uma folha de jornal de outubro de 1964. Suplemento literário. Ainda não li, mas hei-de.
Hoje estou razoavelmente alegre. Talvez seja porque conversei com meu maninho, talvez porque peguei carona com os Strambi. Talvez seja até porque a Camila me chamou para a casa do Squick. Talvez seja porque eu dei um abraço na Aline e no Yuri. Estava com saudades do Ugo, da Aline e do Yuri. E também da Camila, embora eu ainda esteja apenas começando a conhecê-la. E fiquei feliz de encontrar o Nonô, o Lipão e a Marieta, que não os via havia algum tempo.
Tenho pensado muito sobre as pessoas, sobre o que representam e sobre suas atitudes, e como elas se relacionam. Não tenho tido vontade de fazer o que normalmente eu faria, isto é: sair com os amigos, rir à toa, fazer brincadeiras tolas. Estou cansada de tudo isso, e tenho vontade de ficar em casa, dormir cedo etc. Hoje de manhã ocupei-me fazendo um book fotográfico das minhas gatas — algumas das fotos saíram realmente bonitas. Eu gostaria de fazer um curso de fotografia ou algo assim.
O que mais me assusta é que tenho acordado naturalmente às seis da manhã. Simplesmente não sei como reagir a isso... ¬¬
Hoje estou razoavelmente alegre. Talvez seja porque conversei com meu maninho, talvez porque peguei carona com os Strambi. Talvez seja até porque a Camila me chamou para a casa do Squick. Talvez seja porque eu dei um abraço na Aline e no Yuri. Estava com saudades do Ugo, da Aline e do Yuri. E também da Camila, embora eu ainda esteja apenas começando a conhecê-la. E fiquei feliz de encontrar o Nonô, o Lipão e a Marieta, que não os via havia algum tempo.
Tenho pensado muito sobre as pessoas, sobre o que representam e sobre suas atitudes, e como elas se relacionam. Não tenho tido vontade de fazer o que normalmente eu faria, isto é: sair com os amigos, rir à toa, fazer brincadeiras tolas. Estou cansada de tudo isso, e tenho vontade de ficar em casa, dormir cedo etc. Hoje de manhã ocupei-me fazendo um book fotográfico das minhas gatas — algumas das fotos saíram realmente bonitas. Eu gostaria de fazer um curso de fotografia ou algo assim.
O que mais me assusta é que tenho acordado naturalmente às seis da manhã. Simplesmente não sei como reagir a isso... ¬¬
sábado, 23 de dezembro de 2006
Ponto.
Foi um ano bom, não foi? ^^ Não quero falar nada. Vou fazer uma pequena homenagem ^^
Melhor Acervo de Variedades - A Côrte
Melhor Blog-Livro - Pirate's Tale
Melhor Blog de Autor Desconhecido - Febre Alta
Melhor Diagramação - .piano.
Melhor Leitura para Tarde da Noite - O Pato Está na Ratoeira (embora o Conte de Feés também fosse indicado)
Melhor Leitura Vespertina - Ten Years Ahead
Pretendo afastar-me da internet por algumas semanas, para reorganizar um pouco minha vida et cetera. Vou prá Cajaíba depois do natal e depois volto para a segunda fase da FUVEST... Enquanto isso, estou perdida. Espero que nos vejamos ao vivo mais algumas vezes. Boas férias, camaradas. Entrem em 2007 com a cabeça erguida =^.^=
Sinceramente;
A Lôba
Lôbo de Ouro 2006
Melhor Ilustração e Melhor Acervo de Narrativas - Aqui em HinéeMelhor Acervo de Variedades - A Côrte
Melhor Blog-Livro - Pirate's Tale
Melhor Blog de Autor Desconhecido - Febre Alta
Melhor Diagramação - .piano.
Melhor Leitura para Tarde da Noite - O Pato Está na Ratoeira (embora o Conte de Feés também fosse indicado)
Melhor Leitura Vespertina - Ten Years Ahead
Pretendo afastar-me da internet por algumas semanas, para reorganizar um pouco minha vida et cetera. Vou prá Cajaíba depois do natal e depois volto para a segunda fase da FUVEST... Enquanto isso, estou perdida. Espero que nos vejamos ao vivo mais algumas vezes. Boas férias, camaradas. Entrem em 2007 com a cabeça erguida =^.^=
Sinceramente;
A Lôba
quinta-feira, 21 de dezembro de 2006
Uma Vírgula.
Sinto-me como uma criança, que descobre um inseto novo, que faz planos complexos e os esquece em poucos segundos. Semana passada eu vi o meu primeiro louva-a-deus, e ele não era tão assustador quanto parecera. Durante essa semana que agora acaba, peguei o hábito de andar de ônibus, fiz um amigo, desenhei, fiz compras na Teodoro.
Mas tudo está ainda muito pela metade.
Sou uma criança que tem mêdo de errar, que só arrisca quando está sozinha, muito longe do olhar da mãe — porque a mãe, veja só, a mãe percebe todo erro muito logo, mas os desconhecidos acham que você sempre sabe o que está fazendo. Não conto mentiras, mas também não conto verdades. Respondo o mínimo, que quanto menos se diz menor é a chance de falar algo que ofenda ou fira. Mas será que o silêncio pode também causar uma má imagem?
Não acredito nas pessoas, porque sei que todas são más, por dentro ou por fora. Mas também são todas boas. Sou uma criança que precisa de carinho, compreensão, contestação, respeito, espaço, explicações. Para mim nada é óbvio, nada é simples, tudo tem um sentido profundo por trás. É preciso haver respeito, esforço, beleza, delicadeza, empatia, sutileza, aparência. É preciso valorizar o silêncio, a nudez e o ímpeto. E, principalmente, não se pode desprezar o café-da-manhã. Por mais que a noite seja a soberana dos sentidos e sentimentos, o café-da-manhã é a medida das coisas da alma.
Acho que a maior beleza da infância é a maneira como tudo se aprende. É preciso estar disposto a aprender, e cada coisa nova (e há tantas coisas novas!) é uma pequena aventura. É delícia a pequenez das coisas, tudo miúdo, conciso, sutil. A pequenez não admite desleixo, devassidão. A pequenez tem que ser imensa, rígida, estudada. Quando não se puder fazer nada, observa-se. Eu observo, olho, admiro. A visão é uma dádiva. Sempre que possível, faze um desenho de observação. Verás que as árvores são mais estranhas do que aquele serzinho plástico que desenhas. Admire. Não há perigo em olhar.
Não sei se há mais o que dizer. Quero fugir daqui onde tudo me assusta.
Vou sentir saudades, vou morrer de falta de ti, Gato. Me cativaste sem perceber e eu não sei mais viver sem ti. Não seja egoísta, não desapareça. Por favor.
Por favor, meu amor, não me abandone, que sou criança e não suporto solidão...
sábado, 16 de dezembro de 2006
Chorando e cantando
porque eu li o fdp e foi isso que ficou na minha cabeça...
(Geraldo Azevedo)
Quando fevereiro chegar
Saudade já não mata a gente
A chama continua no ar
O fogo vai deixar semente
A gente ri a gente chora
Ai ai ai a gente chora
Fazendo a noite parecer um dia
Depois faz acordar cantando
Pra fazer e acontecer
Verdades e mentiras
Faz crer, faz desacreditar de tudo
E depois depois amor ô ô ôô
Ninguém ninguém verá o que eu sonhei
Só você meu amor
Ninguém verá o sonho que eu sonhei
Um sorriso quando acordar
Pintado pelo sol nascente
Na luz de cada olhar mais diferente
Tua chama me ilumina
Me faz virar um astro incandescente
Teu amor faz cometer loucuras
Faz mais, depois faz acordar chorando
Pra fazer e acontecer
Verdades e mentiras
Faz crer, faz desacreditar de tudo
E depois depois do amor
Amor ô ô
sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
Lôbo de Ouro
Apesar de esse ser um post de premiações, ele não é realmente um plágio do que tem Lá em Hinée
Os blogs são como os impérios, os movimentos culturais e os relacionamentos: têm um início quase introdutório, qual uma epígrafe, ascensão, apogeu e declínio. Felizmente, depois do declínio costuma vir uma saudável bonança (ou calmaria) que precede nova ascensão. Digo isso porque já passei várias vezes por esse ciclo, e hoje em dia o enfrento sem nenhum mêdo de que seja preciso abandonar a Toca, ou de que ninguém mais a leia. Os leitores, e até eu como leitora, também têm seus ciclos, e sua fidelidade ao conteúdo deste destrancado casebre virtual deve oscilar como a pressão atmosférica. Ou algo assim. Mas ainda não consegui aprender a passar pelos tempos de declínio com tranqüilidade. Eles ainda trazem o velho frio na barriga das grandes decidas na montanha russa, o estranho desespero que nos inflinge a folha acusadoramente branca (ou, pior, amarela). Por isso, eu resolvi desenvolver uma estratégia cujo principal objetivo é direcionar os leitores para blogs amigos, os quais eles possam visitar enquanto este aqui anda morimbundo (e pretendo que fique morimbundo por mais algum tempo).terça-feira, 12 de dezembro de 2006
Metamorfose
Olhou-se no espelho, eram três horas da manhã, e a imagem no espelho respondeu com um sorriso cínico. Fingiu indiferença, quem era o espelho para dizer qualquer coisa sobre sua vida? No espelho os lábios eram vermelhos apesar de não haver batom, e os olhos eram profundos como se tivessem por trás um mundo inteiro de desejos e segredos pecaminosos. Sustentou o próprio olhar invertido, com raiva silenciosa. E o espelho devolvia sua raiva com caretas e carrancas completamente desconhecidas. Até as rajadas na íris tinham se modificado ao longo dos anos, e sua lembrança daqueles olhos estava como que estagnada em algum ponto do seu passado. Também os lábios haviam mudado, se projetado, à custa de mordidas nervosas de seus e de outros dentes. E a carne nos lados do rosto, aquelas carninhas entre a bochecha e a mandíbula que odiava, haviam desaparecido. Ela se encarava, tensa, desconfortável como se diante de uma grande figura, como se diante de uma multidão, fazendo caras e bocas para si mesma, tentando, de alguma forma, resgatar qualquer semelhança entre sua própria face, a da sua memória, e a que via diante de si. Mas o espelho, inflexível, negava qualquer consolo, mostrando sempre uma pessoa completamente diferente, em gestos, em cores, em olhares, da que ela procurava tão desesperadamente. E agora ela mantinha um silêncio receoso, porque não queria descobrir no que se transformara sua voz. Sabia que tinha uma voz aguda, às vezes um pouco desafinada, às vezes grossa, às vezes infantil, e sequer gostava da idéia que fazia de sua própria voz; não poderia suportar, porém, que tivesse acordado com uma voz estável, ainda fina, mas como flauta doce, e sutil ou misteriosa. Nunca poderia respeitar-se se sua voz fosse fascinante, se fosse sedutora, se fosse belíssima. E se olhava assustada no espelho imaginando que se prendesse o cabelo, usasse um boné e (mesmo assim) tomasse sol no rosto, se vestisse umas jeans largas e camisetas estampadas, com algum tênis furado, ou se desse um jeito de se sujar de grama, casca de árvores e barro, quem sabe poderia voltar a se parecer com o que costumava associar a si mesma. Talvez até voltasse a se sentir forte daquele jeito, talvez voltasse a pensar que tinha dentro de si a força de todo o mundo. Talvez até voltasse a escrever. Afinal, ela não escolhera realmente sofrer a transformação. E não poderia de maneira alguma aceitar se transformar numa daquelas meninas lindas que sempre admirara. Pior que isso: ela nunca se perdoaria por se transformar numa mulher como as que ele mirava...
sábado, 9 de dezembro de 2006
resposta aos comentários
Sim, ame como for, que qualquer maneira de amor vale a pena. Me ame, ouviu? (é uma ordem). Mas amor basta? É preciso, olha, é preciso um monte de coisas pra, digamos, sustentar o amor, pro amor não ficar difícil demais; quer dizer, difícil até é bom, mas não demais. Eu escrevi uma música sobre essa dificuldade uma vez. Era assim:
I'm crossing my fingers
hoping you will be here
Somehow my hopes are somewhat low
And everything lingers
indefinedly
Somehow our hands are somewhat cold
And I thought I could have you but
when I kiss you I feel
you are never gonna know
for sure that this is for real
And I'm looking for stars
Tonight they are fading
Right now there isn't much to see
And I'm trying so hard
but you are just waiting
Right now our dreams are fast asleep
'Cause I thought you were mine but
when I see you I see
you are never gonna know
where to look for me when I leave
So please just go
I'm not ready to live without you
But I know
I'm not ready to feel like this
I reach out for silence
I'm feeling so lonely
Sometimes I wish we'd never met
But if you gave me a shy glance
well I'd just keep longing
Sometimes I can't see where we're at
And I know that you love me but
when I can't hear your voice
I realize that you don't know
That all I'm feeling was my choice
So please just go
I'm not ready to live without you
but I know
I'm not ready to feel like this
Abandoned like this...
Claro que tecnicamente eu devo ter exagerado um pouco nesse "please" just go, porque eu escrevi isso em 2005 e... bom, vocês sabem a história. E na verdade hoje em dia eu não sinto mais tanto isso... Mas às vezes a gente precisa de mais... E às vezes é justamente quando a gente precisa que a gente não pode ter...
I'm crossing my fingers
hoping you will be here
Somehow my hopes are somewhat low
And everything lingers
indefinedly
Somehow our hands are somewhat cold
And I thought I could have you but
when I kiss you I feel
you are never gonna know
for sure that this is for real
And I'm looking for stars
Tonight they are fading
Right now there isn't much to see
And I'm trying so hard
but you are just waiting
Right now our dreams are fast asleep
'Cause I thought you were mine but
when I see you I see
you are never gonna know
where to look for me when I leave
So please just go
I'm not ready to live without you
But I know
I'm not ready to feel like this
I reach out for silence
I'm feeling so lonely
Sometimes I wish we'd never met
But if you gave me a shy glance
well I'd just keep longing
Sometimes I can't see where we're at
And I know that you love me but
when I can't hear your voice
I realize that you don't know
That all I'm feeling was my choice
So please just go
I'm not ready to live without you
but I know
I'm not ready to feel like this
Abandoned like this...
Claro que tecnicamente eu devo ter exagerado um pouco nesse "please" just go, porque eu escrevi isso em 2005 e... bom, vocês sabem a história. E na verdade hoje em dia eu não sinto mais tanto isso... Mas às vezes a gente precisa de mais... E às vezes é justamente quando a gente precisa que a gente não pode ter...
sexta-feira, 8 de dezembro de 2006
Você sabe quanto tempo leva pra dizer "eu te amo"? Mais ou menos um segundo, se você for rápido. Mas os efeitos perduram por um tempo indefinidamente longo. Parece que os atos mais curtos e rápidos são justamente aqueles que mais importam...
Quanto tempo você demorou para pôr o pé na rua e ir embora? Quantas vezes você pensou no que fazia? Será que em alguns desses instantes você percebeu que um ato simples e desisteressado como esse tem como conseqüência um sentimento inexplicável e complexo, capaz de derrubar fortalezas, vencer guerras? Eu quero parar de escrever, dizer que está tudo certo, pedir desculpas, mas "tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas", e você não tem consciência da importância que isso tem.
De onde vem esse sentimento? Por que de repente essa dor inexpurgável, essa necessidade inexplicável de você?
Quanto tempo você demorou para pôr o pé na rua e ir embora? Quantas vezes você pensou no que fazia? Será que em alguns desses instantes você percebeu que um ato simples e desisteressado como esse tem como conseqüência um sentimento inexplicável e complexo, capaz de derrubar fortalezas, vencer guerras? Eu quero parar de escrever, dizer que está tudo certo, pedir desculpas, mas "tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas", e você não tem consciência da importância que isso tem.
De onde vem esse sentimento? Por que de repente essa dor inexpurgável, essa necessidade inexplicável de você?
"Ensaio sobre a solidão"
(Como todos os meus posts ultimamente, este vai ser sobre aquelas coisas que uma menina direita nunca deveria deixar que os outros soubessem)
Quando o sol se põe, fica mais fácil ser qualquer coisa. Em dias cheios de amigos, é mais fácil ser guerreira, ser amante (desvelável?), ser amiga, ser senhora, ser Marina. Em dias de mar revolto é mais fácil ser senhora, contar histórias, imaginar... Em dias assim solitários, é mais fácil querer chorar...Eu não tive coragem de falar na sua cara, mas eu senti: na verdade, existe algo de profundamente egoísta em sentir-se só. E eu sei que você sabe disso, sei pelo tom da sua voz quando você disse que não era verdade (ou algo do gÊnero...).
...
sabe o quÊ? eu não quero escrever. Acho que não vou querer escrever nunca mais...
quarta-feira, 6 de dezembro de 2006
terça-feira, 28 de novembro de 2006
Lembrete
Mais pra mim do que pra vocês...
Oh, well, eu acabei de lembrar que ainda tenho que vender os convites da festa de formatura. Então, alguém aí quer um? Olha, vai ser uma festa legal, e... hm... é, eu não sei bem o que fazer. Não mesmo.
segunda-feira, 27 de novembro de 2006
Finalmente, férias... VIU??? FÉRIAS!!!
Um post absolutamente despreocupado com a Vida, o Universo e Tudo o Mais, de uma pessoa que quer mais aproveitar pra cair na gandaia ^^
Sabe o quê?
No final, (embora não seja o final realmente,) eu estou muito satisfeita por não ter me preocupado muito com o vestibular. Só espero que as notas de corte não aumentem muito... õ.õ... (ok, ":þþþþþ"... nem te conto...) Oh, well, estou feliz, de qualquer forma. Está sendo um bom dia ^^
A gente às vezes sente, sofre, dança
sem querer dançar...
Na nossa festa vale tudo
Vale ser alguém como eu, como você...
E ontem foi um dia bom também. Até porque quando eu acordei, às nove e pouco da manhã, eu só tive um pensamento muito vago de "hm, hoje tem fuvest...". Depois desse pensamento vago, fui tomar café, fiquei lendo jornal um bom tempo (havia uma grande discussão a respeito da reforma da previdência, do exagero dos gastos do setor público -- que absurdo, não? um governo querer ficar gastando com "saúde" e "educação" quando deveria estar mais preocupado com investir na idústria! -- e de como o Lula acha que não se deve jogar a dívida nas costas dos pobres -- algo que aliás apareceu em todas as manchetes, mas em nenhum dos textos em si oO''); depois arrumei meu quarto e fui nadar ^^ Quando estava nadando, papai me pediu pra limpar a piscina, e eu limpei de bom grado (mas agora é claro que já está toda suja de novo, com essas chuvas...), e mamãe me chamou para plantar a mui frolida azaléia que ela me dera de aniversário. ... Vocês sabem que meu time de festa dos esportes da primeira série chamava Azaléia? Acho que por isso o tal arbusto de flores róseas tem uma importância especial pra mim.... (eu gostava de ter f.e.'s temáticas...)
Depois de fazer isso tudo, tomei um banho, vesti a blusa que a Chris me deu de aniversário, peguei água e comida (melhor dizendo, mamãe e Marco me encheram de bolachinhas de lanche...) e entrei no carro. Chegando na FEA, encontramos a Maya, o Yuri, o Nic, e cadeiras almofadadas! (que luxo!) E os vigiadores da minha sala eram simpáticos, e as regras pareceram-me menos rígidas que as das provas do Santa, e all in all eu não tive muitos motivos pra ficar nervosa. Acho que o que mais me incomodou foi o frio. E a mesinha ultra-lisa da qual meu material ficava escorregando.
Abra suas asas
Solte suas feras
Caia na gandaia
Entre nessa festa
Saindo de lá, às 18h10, encontrei o Nic, o Yuri, o Marco, a Maya e o Giovanni(!). Fomos pra casa, depois fomos comer no Spoleto, depois fomos conhecer o gato do Gio, que é um pequerrucho muito fofinho. Foi um dia bastante bom ^^
Me leve com você-ê-ê-êê
No seu sonho mais lou-ou-ou-ou-ouco...
Meu, que mêdo desse tempo. Tá chovendo medonhamente, são três horas da tarde e todas as luzes da rua estão acesas porque 't's escuro! Ai, como eu adoro o verão! =^______^=
...Quero ver seu corpo
lindo lindo leve solto!
sexta-feira, 24 de novembro de 2006
Não.
Eu simplesmente não estou afim. Não estou afim de não conseguir falar com você, de te esperar, de você não ligar. Nào estou afim de acompanhar o grupo de teatro, de ficar dando parabéns, a torto e a direito. Não estou afim de estudar prà Fuvest, de correr atrás do informação, de perder as festas, de ficar nervosa. Nem estou afim de ignorar totalmente a fuvest, de não estudar nunca e decidir não passar. Não estou afim de discussão. Pronto.
quinta-feira, 23 de novembro de 2006
Mudança de Modelo
Sobre os recém-configurados subtílulos
... O subtítulo é, essencialmente, uma entrelinha.
quarta-feira, 22 de novembro de 2006
Boa Noite
poema de Castro Alves
Boa noite, Maria! Eu vou-me embora.
A lua nas janelas bate em cheio.
Boa noite, Maria! É tarde... é tarde. .
Não me apertes assim contra teu seio.
Boa noite! ... E tu dizes - Boa noite.
Mas não digas assim por entre beijos...
Mas não mo digas descobrindo o peito,
— Mar de amor onde vagam meus desejos!
Julieta do céu! Ouve... a calhandra
já rumoreja o canto da matina.
Tu dizes que eu menti? ... pois foi mentira...
Quem cantou foi teu hálito, divina!
Se a estrela-d'alva os derradeiros raios
Derrama nos jardins do Capuleto,
Eu direi, me esquecendo d'alvorada:
"É noite ainda em teu cabelo preto..."
É noite ainda! Brilha na cambraia
— Desmanchado o roupão, a espádua nua
O globo de teu peito entre os arminhos
Como entre as névoas se balouça a lua. . .
É noite, pois! Durmamos, Julieta!
Recende a alcova ao trescalar das flores.
Fechemos sobre nós estas cortinas...
— São as asas do arcanjo dos amores.
A frouxa luz da alabastrina lâmpada
Lambe voluptuosa os teus contornos...
Oh! Deixa-me aquecer teus pés divinos
Ao doudo afago de meus lábios mornos.
Mulher do meu amor! Quando aos meus beijos
Treme tua alma, como a lira ao vento,
Das teclas de teu seio que harmonias,
Que escalas de suspiros, bebo atento!
Ai! Canta a cavatina do delírio,
Ri, suspira, soluça, anseia e chora. . .
Marion! Marion!... É noite ainda.
Que importa os raios de uma nova aurora?!...
Como um negro e sombrio firmamento,
Sobre mim desenrola teu cabelo...
E deixa-me dormir balbuciando:
— Boa noite! — formosa Consuelo.
psst: se eu ficar muito tempo sem falar deste poema novamente, alguém por favor me cutuque.
SCENE V. Capulet's orchard.
Enter ROMEO and JULIET above, at the window
JULIET
Wilt thou be gone? it is not yet near day:
It was the nightingale, and not the lark,
That pierced the fearful hollow of thine ear;
Nightly she sings on yon pomegranate-tree:
Believe me, love, it was the nightingale.
ROMEO
It was the lark, the herald of the morn,
No nightingale: look, love, what envious streaks
Do lace the severing clouds in yonder east:
Night's candles are burnt out, and jocund day
Stands tiptoe on the misty mountain tops.
I must be gone and live, or stay and die.
JULIET
Yon light is not day-light, I know it, I:
It is some meteor that the sun exhales,
To be to thee this night a torch-bearer,
And light thee on thy way to Mantua:
Therefore stay yet; thou need'st not to be gone.
ROMEO
Let me be ta'en, let me be put to death;
I am content, so thou wilt have it so.
I'll say yon grey is not the morning's eye,
'Tis but the pale reflex of Cynthia's brow;
Nor that is not the lark, whose notes do beat
The vaulty heaven so high above our heads:
I have more care to stay than will to go:
Come, death, and welcome! Juliet wills it so.
How is't, my soul? let's talk; it is not day.
... às vezes ser mulher é estranho... como mulher, às vezes eu me sinto na responsabilidade de tornar ser mulher menos esquisito... ¬¬ mas estamos na era da música, não da poesia... *suspiro*...
sexta-feira, 17 de novembro de 2006
Dezoito anos, êh?
Então eu não postei nada no meu aniversário. Também, que importância tem isso? Acho que um weblog ou fotolog não é o lugar mais apropriado para se comemorar a passagem do tempo. Logo num espaço em que as coisas são registradas, ad eternum, sem elas mesmas sofrerem a passagem dos anos..! Inclusive, meu registro não seria fiel, pois com o tempo as formas das letras e as cores do fundo seriam inexoravelmente alteradas. Que importância tem isso? Penso que... há muito mais entre o céu e a terra que o que podemos registrar.
As coisas que passam pela minha mente agora envolvem organizar uma festa, tirar carta, passar no vestibular, encontrar o cara que faz aniversário hoje, fazer um presente pra ele, bonequinhos de One Piece (embora eu não ache que eu ainda tenho saco pra esse tipo de coisa), bonecos de fimo, Evil Maharaja (você lembra, Gato?), um sol estonteante lá fora, usar saia rodada, piscina, marshmellow*, RK, o desespero de não ter os telefones das pessoas com quem eu preciso falar, entre outras cositas mas.
Num dia bonito como este, eu não consigo não ficar feliz. Feliz dia de sol! Não vou dizer que amo vocês. Até mais!
(*)que pensamento mais invernal! o que ele está fazendo aí?
As coisas que passam pela minha mente agora envolvem organizar uma festa, tirar carta, passar no vestibular, encontrar o cara que faz aniversário hoje, fazer um presente pra ele, bonequinhos de One Piece (embora eu não ache que eu ainda tenho saco pra esse tipo de coisa), bonecos de fimo, Evil Maharaja (você lembra, Gato?), um sol estonteante lá fora, usar saia rodada, piscina, marshmellow*, RK, o desespero de não ter os telefones das pessoas com quem eu preciso falar, entre outras cositas mas.
Num dia bonito como este, eu não consigo não ficar feliz. Feliz dia de sol! Não vou dizer que amo vocês. Até mais!
(*)que pensamento mais invernal! o que ele está fazendo aí?
quinta-feira, 16 de novembro de 2006
Resposta ao comentário da Lorena
Tudo bem, Lori. É que a vida não me preparou para as coisas terem conseqüências, entende? Eu peguei a minha primeira recuperação de verdade este ano, e até gostei (!) de fazer a prova, o trabalho, etc. Por isso, não consigo sequer imaginar como é falhar em uma prova importante. É um conceito que parece não existir pra mim, e meu grande mêdo é que o meu mêdo de falhar nessa prova seja tràgicamente menor do que o que eu deveria estar sentindo. Às vezes eu acho que eu estaria mais feliz fazendo cursinho. Será? Ou será que eu só ficaria de saco cheio, e aprenderia um pouco mais, mas com um custo emocional desproporcional? O que vale a pena? ...
quarta-feira, 15 de novembro de 2006
De Aflições e Passados Obscuros
Te ver e não te querer
É improvável, impossível...
Hoje foi um dia esquisito, aleatório. Começou com eu acordando às quatro da tarde. Eu havia fechado a janela, por isso dormi tanto tempo (umas onze horas). Acordei me sentindo esquisita, leve, muito fim-de-tarde. Queria vestir saia comprida, um vestido leve, traqüilo, mas claro que eu não tinha nada disso. Revirei armários. Tomei banho no banheiro da mamãe (onde tem espaço pra ficar sem se molhar!!!), me sequei com uma toalhinha de viagem =o.o='' Vesti uma roupa de baixo que eu nunca usara antes pra poder usar uma blusa cor-de-rosa que eu nunca usara antes, e pus uma calça bem aberta embaixo e uma bota amarela. Isso tudo foi pra vocês entenderem o quão esquisita eu estava me sentido; na verdade, eu cheguei a pensar em me vestir de uma forma muito semelhante à que a Maya se vestiu quando fomos na festa do Equador (*sem comentários...*).
Então eu enchi um pão integral com carne moída tirada d pasteizinhos e comi o pão e os pasteizinhos vazios. Fui lá fora papear com as pessoas que estavam na piscina e descobrir o que era aquela página de história em quadrinhos que aparecera no meu quarto. Depois, fui chamada de Pirralha muitas vezes. Finalmente, fui pro clégio, procurar o grupo de teatro.
Na verdade eu não encontrei o grupo de teatro. Quando cheguei no santa, encontrei foi o Guigo, distraído, voltando da mesma procura, sem sucesso. Trocamos alguma impressões de revolta (afinal, o ensaio não ia até as sete? não tinham o dia inteiro?) e saímos passeando. Entramos no prédio dele, deitamos na grama do jardim, papeando, céu imenso, parquinho, janelas. Passou a Giulia indo embora, ela disse que o pessoal tava no campo. Fomos encontrá-los. Encontrar-vos.
Vocês estavam jogando mafioso quando aparecemos por cima do muro, assoviando e rindo. Pareceram assustados, surpresos. Fomos cumprimentá-los, nada demais. Depois, subimos para pegar uma bola. Comi sorvete de chocotone com brigadeiro, mas isso não vem ao caso. Quando descemos, estavam jogando um jogo da verdade curioso, e nos convidaram para participar. Adoro jogo da verdade, mas prefiro futebol, e recusei. Eu e o Guigo jogamos bola, até que chegaram Leli e Tutti. Aí, eu já desistira do futebol, e queria entrar no jogo de vocês, mas elas não quiseram. Fomos lá para cima e, quando voltamos, chovia. Fomos até a casa do Nonô antes de descobrirmos que vocês estavam no quiosque. Quando os encontramos, vocês nos deram uma escolha: ou entrávamos no jogo ou íamos embora. Eu queria entrar, e talvez o Guigo também quisesse, mas as meninas tinham uma opinião muito ruim sobre jogos nos quais se faz perguntas embaraçosas sobre aspectos íntimos da sexualidade de cada um... Ok, eu também tenho, mas não é essa a questão. Eu achei que o jogo podia ir para assuntos interessantes, eu acho. Elas não. Por isso fomos embora, fazer nosso próprio jogo. Conversamos por muito tempo, até que a Tutti foi embora. Ficamos, eu, a Leli e Guigo, a andar pelo condomínio, conversando, falando de aflições e passados obscuros. Até que a Leli também teve que ir embora. Fomos, eu e Guigo, até a grade que nos separava de vocês, pensando em pular. Mas ficamos receosos, ele mais que eu. Seríamos bem-vindos? Vimos vocês andando em nossa direção, resolvemos esperar. Vocês pularam a grade, mas queriam fazer alguma coisa, e nós conversávamos, animadamente, estávamos alegres, eu acho. Fomos todos para o parquinho, onde vocês decidiram ir embora. Eu resolvi ir também. Não entendi nada. No fim, eu fui embora antes de alguns de vocês...
Amanhã é meu aniversário, e eu estava só pensando em como tudo isso faz pouco sentido. Ao meu redor, tenho amigos que não querem se permitir nenhuma distração do vestibular, tenho amigos que brigam comigo quando eu não estudo; tenho amigos que estão ocupados olhando pro céu, discutindo bobagens, contando histórias sobre outros amigos; tenho amigos que querem falar sobre sexo, sobre sonhos, sobre drogas, sobre leis, sobre política, sobre amizade, sobre dinheiro, sobre a Verdade; tenho amigos que querem se divertir, aprender, construir amizades, crescer; tenho amigos que não querem, ponto. Eu não sinto nada disso. Nada mesmo. Eu quero me construir, devagar, com calma, sem mêdo, sem pressa, sem precisão (vocês percebem a polissemia?). Eu me importo com vestibular. Mesmo. Eu quero passar. Mesmo. Mas também quero arrancar minha tripas e fazer delas uma forca toda vez que a Camilla faz cara de indignada em resposta a eu achar que não é preciso estudar no feriado. E também quero fazer protestos violentos toda vez que eu ligo pra algum amigo com o qual quase não saio e ele não pode sair comigo porque tem que estudar todos os dias da semana. Não entendo como alguém pode pretender ser feliz nesse regime. E as amizades? e o tempo pra fazer besteiras? pra correr na chuva, cadê? Pra dançar, conversar, aprender o outro? e namorar? e fazer amigos? Enfim, isso tudo me incomoda, profundamente...
É improvável, impossível...
Hoje foi um dia esquisito, aleatório. Começou com eu acordando às quatro da tarde. Eu havia fechado a janela, por isso dormi tanto tempo (umas onze horas). Acordei me sentindo esquisita, leve, muito fim-de-tarde. Queria vestir saia comprida, um vestido leve, traqüilo, mas claro que eu não tinha nada disso. Revirei armários. Tomei banho no banheiro da mamãe (onde tem espaço pra ficar sem se molhar!!!), me sequei com uma toalhinha de viagem =o.o='' Vesti uma roupa de baixo que eu nunca usara antes pra poder usar uma blusa cor-de-rosa que eu nunca usara antes, e pus uma calça bem aberta embaixo e uma bota amarela. Isso tudo foi pra vocês entenderem o quão esquisita eu estava me sentido; na verdade, eu cheguei a pensar em me vestir de uma forma muito semelhante à que a Maya se vestiu quando fomos na festa do Equador (*sem comentários...*).
Então eu enchi um pão integral com carne moída tirada d pasteizinhos e comi o pão e os pasteizinhos vazios. Fui lá fora papear com as pessoas que estavam na piscina e descobrir o que era aquela página de história em quadrinhos que aparecera no meu quarto. Depois, fui chamada de Pirralha muitas vezes. Finalmente, fui pro clégio, procurar o grupo de teatro.
Na verdade eu não encontrei o grupo de teatro. Quando cheguei no santa, encontrei foi o Guigo, distraído, voltando da mesma procura, sem sucesso. Trocamos alguma impressões de revolta (afinal, o ensaio não ia até as sete? não tinham o dia inteiro?) e saímos passeando. Entramos no prédio dele, deitamos na grama do jardim, papeando, céu imenso, parquinho, janelas. Passou a Giulia indo embora, ela disse que o pessoal tava no campo. Fomos encontrá-los. Encontrar-vos.
Vocês estavam jogando mafioso quando aparecemos por cima do muro, assoviando e rindo. Pareceram assustados, surpresos. Fomos cumprimentá-los, nada demais. Depois, subimos para pegar uma bola. Comi sorvete de chocotone com brigadeiro, mas isso não vem ao caso. Quando descemos, estavam jogando um jogo da verdade curioso, e nos convidaram para participar. Adoro jogo da verdade, mas prefiro futebol, e recusei. Eu e o Guigo jogamos bola, até que chegaram Leli e Tutti. Aí, eu já desistira do futebol, e queria entrar no jogo de vocês, mas elas não quiseram. Fomos lá para cima e, quando voltamos, chovia. Fomos até a casa do Nonô antes de descobrirmos que vocês estavam no quiosque. Quando os encontramos, vocês nos deram uma escolha: ou entrávamos no jogo ou íamos embora. Eu queria entrar, e talvez o Guigo também quisesse, mas as meninas tinham uma opinião muito ruim sobre jogos nos quais se faz perguntas embaraçosas sobre aspectos íntimos da sexualidade de cada um... Ok, eu também tenho, mas não é essa a questão. Eu achei que o jogo podia ir para assuntos interessantes, eu acho. Elas não. Por isso fomos embora, fazer nosso próprio jogo. Conversamos por muito tempo, até que a Tutti foi embora. Ficamos, eu, a Leli e Guigo, a andar pelo condomínio, conversando, falando de aflições e passados obscuros. Até que a Leli também teve que ir embora. Fomos, eu e Guigo, até a grade que nos separava de vocês, pensando em pular. Mas ficamos receosos, ele mais que eu. Seríamos bem-vindos? Vimos vocês andando em nossa direção, resolvemos esperar. Vocês pularam a grade, mas queriam fazer alguma coisa, e nós conversávamos, animadamente, estávamos alegres, eu acho. Fomos todos para o parquinho, onde vocês decidiram ir embora. Eu resolvi ir também. Não entendi nada. No fim, eu fui embora antes de alguns de vocês...
Amanhã é meu aniversário, e eu estava só pensando em como tudo isso faz pouco sentido. Ao meu redor, tenho amigos que não querem se permitir nenhuma distração do vestibular, tenho amigos que brigam comigo quando eu não estudo; tenho amigos que estão ocupados olhando pro céu, discutindo bobagens, contando histórias sobre outros amigos; tenho amigos que querem falar sobre sexo, sobre sonhos, sobre drogas, sobre leis, sobre política, sobre amizade, sobre dinheiro, sobre a Verdade; tenho amigos que querem se divertir, aprender, construir amizades, crescer; tenho amigos que não querem, ponto. Eu não sinto nada disso. Nada mesmo. Eu quero me construir, devagar, com calma, sem mêdo, sem pressa, sem precisão (vocês percebem a polissemia?). Eu me importo com vestibular. Mesmo. Eu quero passar. Mesmo. Mas também quero arrancar minha tripas e fazer delas uma forca toda vez que a Camilla faz cara de indignada em resposta a eu achar que não é preciso estudar no feriado. E também quero fazer protestos violentos toda vez que eu ligo pra algum amigo com o qual quase não saio e ele não pode sair comigo porque tem que estudar todos os dias da semana. Não entendo como alguém pode pretender ser feliz nesse regime. E as amizades? e o tempo pra fazer besteiras? pra correr na chuva, cadê? Pra dançar, conversar, aprender o outro? e namorar? e fazer amigos? Enfim, isso tudo me incomoda, profundamente...
segunda-feira, 13 de novembro de 2006
Smile
I'm actually quite glad about my self =^__^=
I hadn't felt like that in a loooong time, so it's amazingly good :)
And in fact I don't think I deserve that feeling, but perhaps I should do something to make that right =)
I hadn't felt like that in a loooong time, so it's amazingly good :)
And in fact I don't think I deserve that feeling, but perhaps I should do something to make that right =)
Madness
I'm afraid that you are gonna disappear.
One day I'm gonna look around and you won't be anywhere near.
I'm afraid that when you go, I'm not even gonna miss you
'cause that's when I won't know you anymore
So tell me what is it about you that's the same you were before...
I look around and something's out of place
These are lost memories escaping time's letal embrace
I know once we were togheter and we both laughed and cried
'cause I think we thought "this's forever" and it wasn't long at all
Though life is unpredictable and rising stars often fall...
But then one day I was walking down the street and my way crossed your way
(though you didn't see me)
And the other day I met you and we talked but you looked sad and I meant to cheer you
but you turned your face
I whispered that that was madness
you always look away
I'm dancing like a maniac
and if you give the crowd a hopeless gaze
I wanna unmake your sadness
I remember once you took me to my room and we tried to exchange some news
but we never really talked
And the other day we took a walk and I held your arm and for once I couldn't help it asking what
(I think you know how it feels)
I whispered that that was madness
once again you looked away
I'm dancing like a maniac with my boy
and if you give the crowd a hopefull gaze
I envy that kind of sadness
(do you envy my kind of joy?)
One day I'm gonna look around and you won't be anywhere near.
I'm afraid that when you go, I'm not even gonna miss you
'cause that's when I won't know you anymore
So tell me what is it about you that's the same you were before...
I look around and something's out of place
These are lost memories escaping time's letal embrace
I know once we were togheter and we both laughed and cried
'cause I think we thought "this's forever" and it wasn't long at all
Though life is unpredictable and rising stars often fall...
But then one day I was walking down the street and my way crossed your way
(though you didn't see me)
And the other day I met you and we talked but you looked sad and I meant to cheer you
but you turned your face
I whispered that that was madness
you always look away
I'm dancing like a maniac
and if you give the crowd a hopeless gaze
I wanna unmake your sadness
I remember once you took me to my room and we tried to exchange some news
but we never really talked
And the other day we took a walk and I held your arm and for once I couldn't help it asking what
(I think you know how it feels)
I whispered that that was madness
once again you looked away
I'm dancing like a maniac with my boy
and if you give the crowd a hopefull gaze
I envy that kind of sadness
(do you envy my kind of joy?)
domingo, 12 de novembro de 2006
Verbete
Eu preciso dizer algo que muito me impressiona. Algo que descobri agora mesmo, quando procurava a definição de dicionário para "Ironia" e "Sarcasmo".
Ao que parece, o Novo Dicionário Básico da Língua Portuguesa Folha/Aurélio dá 37 definições diferentes para a palavra IR, além de definições específicas para "Ir muito longe", "Ir navegando", "Ir-se desta para melhor" e "Ir ter com", duas definições para "Ir ter à" e quatro para "Ir longe". Amazing, eh?
Depois deste post, estou indo procurar a definição de "verbete", também.
Ao que parece, o Novo Dicionário Básico da Língua Portuguesa Folha/Aurélio dá 37 definições diferentes para a palavra IR, além de definições específicas para "Ir muito longe", "Ir navegando", "Ir-se desta para melhor" e "Ir ter com", duas definições para "Ir ter à" e quatro para "Ir longe". Amazing, eh?
Depois deste post, estou indo procurar a definição de "verbete", também.
Esqueço-me...
Na verdade, me sinto bastante estúpida. Esse sentimento impregnou em mim, desde o momento em que o Luque falou: "você não foi no colégio, né?". Na verdade, esse sentimento atrapalhou todas as outras coisas que eu tinha de conseguir. Esse sentimento de culpa, de impotência perante um erro cometido inconscientemente, esse sentimento de não-dá-mais. Não dá mais pra ratificar meu deslize, que parece pequeno mas é grande: esqueci mesmo, completamente, do que eu deveria fazer hoje. E era tão simples! Ir ao colégio, encontrar alguns amigos, participar do encontrinho... Detesto esse esquecimento, que me pega desprevenida quando... quando já é tarde demais... ¬¬
Sabe o quê? A reticência às vezes é uma exclamação contida...
Sabe o quê? A reticência às vezes é uma exclamação contida...
sábado, 11 de novembro de 2006
Olha pra mim...
Eu quero escrever. Não sei porque, nem como, nem qual é exatamente o assunto. Não sei de que matéria são feitas as palavras, não sei que influência elas terão sobre suas vidas. Eu não posso me ver, e não quero dizer que as palavras se submetem a seus escritores. Não: as palavras nos desprezam, as palavras são em si. Nós somos apenas seus carrascos, seus escravos, instrumentos de sua indecifrável (e talvez por isso, perversa aos nossos olhos) autodeterminação. As palavras escorrem por nós como um rio sobre seu leito; um rio que cava seu leito desnudando pedras, pepitas, mistérios, que cava uma trilha na mata ou um cânion no deserto. Entretanto, eu já dissera antes: o solo esculpe o rio. Ou seremos nós esse rio caudaloso, desvairado, que arranca de seu leito pedras, pepitas, mistérios, palavras que ele mesmo não compreende? Talvez, seguindo um princípio psicobiológico deduzido empiricamente, eu queira escrever somente porque permitir o fluxo das palavras sobre mim, ao mesmo tempo que arranco-as de sua condição sólida (estado de dicionário), é minha melhor possibilidade neste instante. Será? E se escrevo, estarei saciando uma fome de realizar para todos o sacolejo inconstante desse córrego que meandreia dentro do meu peito? Estarei me libertando do sufoco de uma enchente ou de um assoreamento?
Quero escrever sobre aquelas pequenas tolices que descubro, fascinada, durante o dia: as copas das árvores não disputam espaço; o céu, cantado sempre azul, é muitas vezes vermelho, roxo, violeta. Descobri também, com grande surpresa, que gosto (e me assombro outra vez ao admiti-lo) do cheiro do cigarro. É algo difícil de assimilar, contraditório (mas eu sou mesmo contraditória), que pra mim é estranho compreender. Talvez o estranho seja que minha mãe, que fuma (...), não gosta do cheiro, e eu, que não fumo (e acho que não fumarei nunca) decubro que gosto. Talvez seja alguma associação psicológica, alguma lembrança da infância — cigarro, sítio ou praia, altas árvores, garrafa térmica de água gelada ou de café quente (gosto também do cheiro do café), conversas de família. Talvez o cheiro do cigarro me lembre de conversas muito longas com a Ada, nos sofás da sala em que brincávamos. Talvez... Fico pensando também numa descrição antiga, muito anterior a essa descoberta, que fala de "cheiros de poeira, de sujeira, de pano e cigarro", mas sem nenhuma conotação negativa:
A verdade é que não sei mais do que estou falando. Pensando bem, eu nunca sou exatamente categórica nas coisas, e não me esforço para ser. Não devo mais escrever, devo ir comer. Boa noite, liriidas.
Quero escrever sobre aquelas pequenas tolices que descubro, fascinada, durante o dia: as copas das árvores não disputam espaço; o céu, cantado sempre azul, é muitas vezes vermelho, roxo, violeta. Descobri também, com grande surpresa, que gosto (e me assombro outra vez ao admiti-lo) do cheiro do cigarro. É algo difícil de assimilar, contraditório (mas eu sou mesmo contraditória), que pra mim é estranho compreender. Talvez o estranho seja que minha mãe, que fuma (...), não gosta do cheiro, e eu, que não fumo (e acho que não fumarei nunca) decubro que gosto. Talvez seja alguma associação psicológica, alguma lembrança da infância — cigarro, sítio ou praia, altas árvores, garrafa térmica de água gelada ou de café quente (gosto também do cheiro do café), conversas de família. Talvez o cheiro do cigarro me lembre de conversas muito longas com a Ada, nos sofás da sala em que brincávamos. Talvez... Fico pensando também numa descrição antiga, muito anterior a essa descoberta, que fala de "cheiros de poeira, de sujeira, de pano e cigarro", mas sem nenhuma conotação negativa:
"Tinha um cheiro... estranho. De corpo humano, de pêlos, de pele humana. Cheiro de gente presente, inconcebível em qualquer outro momento. Cheiro de pano e cigarro; impregnado naqueles cabelos que quase se poderiam chamar 'longos'.
Em qualquer outro momento eu repudiaria aquele cheiro. Era um cheiro capaz de me lembrar de doença, de secura, de tosse e desgosto. Porém naquele momento o que eu mais queria era aquele cheiro. Naquela hora o cheiro, tão simples e original, podia remeter à própria origem do cheiro."
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"Cheiro de corpo humano, de sangue, de cerne humano. Cheiro de mãos, de braços, de olhos irrefutavelmente humanos. Cheiro de pêlos, de pele; a expressão mais física do calor humano."
A verdade é que não sei mais do que estou falando. Pensando bem, eu nunca sou exatamente categórica nas coisas, e não me esforço para ser. Não devo mais escrever, devo ir comer. Boa noite, liriidas.
segunda-feira, 6 de novembro de 2006
Sobre Lobz, Kyiuri, o Bibliotecário e... bem, eu.
Estou postando por falta do que postar. Pensamentos incongruentes me perturbam:
E se Lobz não for uma pessoa, mas uma sombra? E se o Bibliotecário estiver falando a verdade? E se for uma sombra com alma de gente? E se as lembranças se tornarem reais? E se Lobz fosse a sombra de Kiyuri? E se a Lôba nunca a encontrar? Qual terá sido o sentido disso tudo?
A grande questão, ao se escrever uma história, é que às vezes não parece fazer nenhum sentido contá-la. Como resolver essa questão?
E se Lobz não for uma pessoa, mas uma sombra? E se o Bibliotecário estiver falando a verdade? E se for uma sombra com alma de gente? E se as lembranças se tornarem reais? E se Lobz fosse a sombra de Kiyuri? E se a Lôba nunca a encontrar? Qual terá sido o sentido disso tudo?
A grande questão, ao se escrever uma história, é que às vezes não parece fazer nenhum sentido contá-la. Como resolver essa questão?
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